Da magia ao sangue

4 Refém ou hóspede?


— Vamos conversar quando soltar a Ruby.- Gritei para ele.

— Ainda estou tentando entender o que uma vampira faz morando junto com uma bruxa de um clã de Alquimistas. – Disse Dimitri sério ignorando minhas palavras. – Não tem medo que ela te injete a “cura”?

— Ruby é humana, do que você está falando?

— Você deve ser novata eu suponho, não reconheceu as insígnias que ela tem tatuadas no corpo? – Ele me olhava com um ar de deboche.

Minha mente estava em completa confusão. Quando conheci Ruby senti que suas tatuagens eram familiares, mas em toda minha vida tive muito pouco contato com os Alquimistas, eles eram um clã muito recluso e faziam anos desde que eu havia visto um deles. Haviam mandado ela para me espionar e me levar de volta? Como eu não havia percebido nada? Eu estava me sentindo a pessoa mais burra do mundo, mal podia olhar pra Ruby.

— Eu não percebi... – Comecei a responder, agora com mais calma.

— Não acredito que veio aqui com toda essa fúria me considerando o vilão da história quando a pessoa que você devia odiar estava morando com você o tempo todo.

— Porque você a sequestrou então?

— Inicialmente mandei busca-la como uma forma de te punir sobre seu desleixo de ontem a noite. Um cadáver na lixeira? O que você estava pensando? – Ele andava de um lado para outro tomando sua bebida como se estivéssemos em uma reunião de amigos.

—Será que vocês podem continuar essa conversa depois que ela me soltar? – Rosnou a ruiva, que ainda estava presa a mim como refém.

—Por favor Veronica, faremos uma troca: você solta a Thana e eu solto a Alquimista.

Eu nem sabia mais se queria proteger a vida de Ruby, mas precisava dela viva para me explicar tudo o que estava acontecendo e quem a havia mandado atrás de mim. Devagar abaixei a estaca enquanto Dimitri soltava minha colega de quarto. Enquanto isso os dois vampiros que deixei desacordados começavam a se mexer tentando se levantar. Thana assim que se viu solta praticamente correu para o lado de Dimitri e lá me olhando como se quisesse me estrangular.

– Muito bem, todos agindo como seres civilizados que somos vamos nos sentar para conversar. – Dimitri falou sorrindo e exibindo seus caninos afiados.

Contrariada puxei uma cadeira de frente para o vampiro, Ruby sentou-se próxima a mim e começou a sussurrar tremendo:

— Eu não sabia que você era uma vampira, senão eu juro que teria me revelado.

—Depois eu cuido de você. – Praticamente rosnei para ela. – Agora temos assuntos mais importantes para tratar se quisermos sair vivas daqui.- Ela se calou.

— Minha intenção inicial era te castigar devido á sua indiscrição. – Disse Dimitri me olhando intensamente. – Mas vendo você, percebo que não foi transformada á muito tempo, então apenas vou te orientar sobre como tudo funciona para que não nos exponha mais.

— E quem você pensa que é para achar que poderia me castigar? – Questionei, meu ódio por ele era visível.

—Como ousa a falar com ele dessa forma? – Thana se alterou levantando-se.

Dimitri que parecia estar se divertindo com a minha raiva, fez apenas um sinal com a mão repreendendo-a e contrariada ela sentou-se novamente.

— Gosto muito do seu temperamento impulsivo! Para uma vampira novata até que você é bem forte, conseguiu cuidar sozinha de meus homens mais experientes. Você quer saber quem eu sou? Eu te conto: sou o chefe desse clã e você invadiu meu território sem se apresentar, ameaçou nos expor se alimentando perto da minha boate. Tudo isso são infrações gravíssimas, só vou deixar passar dessa vez porque como eu disse, vejo que você é novata, e com a falta de cuidado que vi no cadáver que você deixou, suponho que despertou sozinha sem o seu criador para orientá-la.

— Quem sabe? Talvez eu tenha enfiado uma estaca no coração dele. – Respondi com o ódio transbordando de mim.

— Sei que não fez isso, um recém-criado tem uma ligação grande com o seu criador que o impede de feri-lo, se livrar dessa ligação requer muita força e prática.

—É por isso que essa daí vive do seu lado como uma cadela adestrada? – Questionei com um sorriso sarcástico.

A vampira me olhava com cada vez mais ódio, enquanto que seu mestre parecia estar se divertindo imensamente. Ruby só observava a tudo quieta, era a primeira vez que u a via calada por tanto tempo.

— Você está brincando com fogo garota, não vai querer Thana como inimiga. — Avisou ele.

— Eu acho que são vocês que devem me temer. Se não percebeu ainda eu não sou do tipo que serve a criador nenhum.

— Quando estiver perto dele vai se sentir impelida a servi-lo, mesmo que não queira.

Dessa vez eu que sorri ao ouvir aquilo, eu estava de frente para ele e não sentia compulsão nenhuma. Se eu tinha uma ligação tão grande com o vampiro que me mordeu, porque até aquele momento ele não havia percebido que ele era quem havia me transformado?

—Muito bem, já fui informada sobre meu descuido e dou minha palavra que serei mais cuidadosa de agora em diante. Se me permite gostaria de ir para casa.

—Você não entende nada Veronica? Agora você é uma de nós e até que seu criador apareça vai viver comigo em meu clã.

— E o que vão fazer com ela? — Perguntou olhando para Ruby.

—Vou mantê-la conosco por um tempo para que você possa conversar com ela e eu possa descobrir porque uma Alquimista tem frequentado minha boate.

Eu precisava pensar rápido sobre essa situação, não queria conviver com eles pois ficaria impossibilitada de falar com Noah e também de concluir toda a investigação que vinha fazendo para recuperar meus poderes e voltar a ser bruxa.

—Tenho uma idéia melhor. Você me deixa voltar para minha vida normal e eu não incomodo nem exponho mais vocês.

Ele gargalhou diante da minha tentativa patética.

—Você me diverte. Não permitirei que volte! Ficará conosco, como minha convidada e se resistir eu te mantenho como refém, minha boate está cheia de vampiros que me servem, com um chamado posso te levar a força, você só fez o que quis até agora porque eu permiti para ver até onde iriam seus limites. Então qual você prefere, convidada ou refém?

Contrariada tive que concordar, era melhor ficar como convidada e depois pensar numa forma de fugir do que ficar presa e sendo vigiada.

– Muito bem, agora vamos tratar da sua amiga. Como se chama meu bem?

— R-Ruby. – Respondeu ela tremendo.

— Certo Ruby, e o que uma Alquimista como você faz vivendo com uma vampira e frequentando minha boate todas as noites?

—Senhor, eu não sabia que minha companheira de quarto era vampira e nem que a boate era sua. Eu deserdei do meu clã há alguns anos atrás em busca de liberdade. Como não concluí meu treinamento eu nunca cheguei a ter contato com vampiros. Venho procurando um de vocês por meses, tentando achar algum que aceite me transformar, se eu soubesse que tinha uma tão perto de mim ... – Disse olhando para mim com admiração.

— Não acredito em você. – Retruquei. – É óbvio que mandaram você atrás de mim!

— Como nunca percebeu que tinha uma vampira morando com você? — Questionou ele para Ruby.

— Porque ela anda a luz do sol. – Respondeu a menina como se fosse óbvio.

— Como assim? Eu nunca ouvi falar disso antes. – Disse Thana intrometendo-se.

— Eu já. – Disse Dimitri pensativo. – A muito tempo.

— Realmente quer que eu acredite que você não está atrás de mim? – Não aguentei e a questionei de novo.

—Porque eu estaria atrás de você? – Retrucou ela. – Até algumas semanas eu nunca havia te visto na vida.

—Porque o meu clã deve ter te mandado atrás de mim, confesse!

—Que clã? Fugiu de um clã de vampiros? – Perguntou ela confusa.

—Para de fingir. O clã de Bruxos Guerreiros dessa região.

Nesse momento não só a Ruby, mas Dimitri e a ruiva me olharam embasbacados.

— Que interessante o que eu tenho aqui hoje. – Disse ele me olhando. – Uma alquimista desertora e uma bruxa que foi transformada. É muita novidade para uma noite só.

—As duas vão me acompanhar e ficar comigo até que possamos entender toda essa situação.

—Posso pelo menos buscar minhas coisas? – Questionei.

—Tudo o que é de vocês já está na mansão Bursin, tomei a liberdade de trazer mesmo sem ter a certeza de que vocês ficariam vivas até o final dessa conversa. Depois de tudo isso que contaram, vocês duas estão convidadas a permanecer na mansão.

— Não me importo de ficar na mansão, apenas gostaria de encontrar alguém que me transforme. – Ruby olhava desesperada para os dois.

— Impossível, já tentei transformar bruxas antes para testar algumas teorias e todas morreram. Sinto em lhe informar, mas você deserdou de seu clã por algo impossível.

—Como Veronica está bem sendo que ela também era uma bruxa?

—Por enquanto, não sabemos como ela vai reagir nos próximos dias. – Respondeu ele com um tom de voz sombrio.

Mais uma preocupação para colocar na minha lista de desgraças: eu poderia estar morrendo. Seria por isso que eu não conseguia manter sangue animal no meu organismo?

Contrariada eu fui para a mansão de Dimitri com Ruby, não era a situação ideal, mas eu poderia usá-la a meu favor: se eu conseguisse ganhar a confiança dele seria mais fácil me aproximar para matá-lo. Seguimos todo o caminho em silencio, muitas coisas passavam por minha cabeça, entre elas como eu faria para me comunicar com Noah. Agora com tantos vampiros por perto eu não poderia colocá-lo em risco. Também sentia medo de que meu clã soubesse da minha estadia na mansão e pensassem que eu estava tomando partido e me aliando aos vampiros, mas eu não tinha muitas escolhas no momento.

A mansão ficava um pouco afastada da cidade, chegamos em uma área repleta de árvores e o carro parou em um portão duplo, muito antigo e com um brasão que mostrava letra B esculpida no meio. Imediatamente dois seguranças vestidos de preto, com certeza mais vampiros de Dimitri, abriram os portões e entramos. O lugar era tão grande que depois do portão ainda havia uma pequena estrada para chegar á mansão, no caminho vi alguns barracões parecido com nosso Centro de Treinamento no clã Guerreiro, fora deles alguns vampiros treinavam um tipo de luta que me era desconhecido. Estaria Dimitri formando um exército nesse local afastado? Com que intuito?

Não tive muito tempo para questionamentos, logo o carro parou em frente á uma mansão enorme muito elegante, aparentava ter muitos cômodos e vários andares, era muito bonita, porém sombria e triste. Adentramos o local que estava luxuosamente decorada com objetos que aparentavam ser de várias épocas.

—Thana, leve a Alquimista para o quarto de hóspedes na ala e a mantenha lá com tudo o que ela precisar. Já está quase amanhecendo precisamos todos nos recolher.

A ruiva assentiu, porém, antes de subir se aproximou de Dimitri e sussurrou algo em seu ouvido de uma forma bem íntima.

— Hoje não. – A resposta dele foi brusca. – Ainda tenho coisas para falar com Veronica.

Ela fez um beicinho contrariada e subiu com Ruby. Com certeza os dois tinham um relacionamento muito mais íntimo do que eu pensei inicialmente.

– Vamos subir ou vai ficar aí imaginando se eu costumo dormir com Thana? – Perguntou ele com um sorriso divertido no rosto.

— Eu não estava pensando nada! – . Retruquei revirando os olhos.

Que droga! Será que o criador também conseguia ler a mente de quem ele havia transformado? Não me atrevi a perguntar pois eu temia pela resposta, apenas subi as escadas acompanhando-o. Todo o local era decorado com cores sombrias e cortinas pesadas. Quadros pintados á óleo e candelabros estavam em toda a parte, observei até algumas armaduras. Com certeza eu estava em um filme do Drácula. Ri internamente com minha observação. Paramos no final do corredor e ele abriu as portas revelando o quarto mais maravilhoso que eu já tinha visto na vida.

Um tapete felpudo de cor cinza cobria todo o chão, no meio do quarto uma cama enorme estilo vitoriana que ficava embaixo de um mosqueteiro com cortinas pretas que estavam caíam delicadamente como uma cascata de seda nos quatro cantos da cama. Uma colcha cobria a cama com muitos travesseiros com fronha de cor prata. Haviam mais alguns móveis distribuídos pelo quarto, era muito para observar.

—Aqui estão suas coisas. – Disse abrindo um closet enorme. – Pode usar o que quiser do closet, você é minha convidada até que se prove o contrário. – Disse ele se divertindo com minha cara ao ver aquele local repleto de sapatos e vestidos. Eu não era uma garota muito ligada em moda, mas qualquer uma ficaria encantada ao ver todas aquelas roupas deslumbrantes.

— Por quanto tempo vai me manter aqui? – Questionei.

— Até encontrar o vampiro que a criou ou então até que você me prove que posso confiar em você.

Ele saiu do closet e sentou-se na cama. Eu o segui e sentei-me do outro lado a fim e manter uma certa distância dele.

— Olha eu sei que me descuidei na boate, mas não vai mais acontecer. – Falei lembrando das bolsas de sangue que Noah havia me dado. Pelo menos por um tempo eu ia conseguir me alimentar de forma honesta e sem ferir ninguém.

— É isso que você não entende. Você não precisa matar para se alimentar, pode fazer isso com controle só precisa que algum vampiro mais experiente a ensine.

— Sinto muito, mas não quero ter muito contato com a antipática da Thana, quanto mais aprender algo com ela. – Respondi torcendo o nariz.

—Quem disse que ela vai te ensinar? Eu pessoalmente vou ajudá-la com sua iniciação.

—Porque tanto interesse em mim? – Questionei.

—Porque você é especial Veronica, é muito forte, anda á luz do dia e se não morrer nos próximos dias será a primeira bruxa a sobreviver a uma transformação. – Ele parecia esconder algo mais por trás daquelas palavras.

— Então eu sou uma cobaia para você?

— Não, você me lembra alguém, uma pessoa que venho esperando a anos. Só não sei se posso confiar o suficiente ou se isso é uma armadilha de um clã de bruxas que vive tentando me apanhar.

Fiquei intrigada com aquelas palavras, ele realmente não se lembrava de ter me transformado naquele confronto? Eu queria perguntar, jogar tudo na cara dele, mas precisava pensar com calma e agir no momento certo. Se ele não se lembrava, era uma vantagem para mim.

— Estou muito cansada, se não se importa gostaria de dormir um pouco.

— É claro. – Disse ele levantando-se. – Amanhã darei a oportunidade para que você converse a sós com sua colega.

— Não tem nada para conversar, alguém do meu clã deve ter mandado ela atrás de mim para ganhar minha confiança e me aplicar aquela cura horrível. – Respondi franzindo o cenho.

— Olha, já cruzei com muitos Alquimistas, Guerreiros e até alguns Curandeiros tentando me caçar. Sei bem quando um bruxo está obstinado e ligado ao seu clã e ela não me parece alguém que esteja em serviço. Ela também deve estar sendo caçada por ter deserdado. Assim como o seu clã deve estar atrás de você agora que é uma vampira.

— Vou considerar suas palavras. Agora se não se importar eu gostaria mesmo de ficar sozinha.

— É claro! Boa noite Veronica. – Ele pegou minha mão e antes que eu pudesse protestar ele a beijou.

Com certeza ele tinha muito mais idade do que aparentava. Quem se despedia de uma mulher daquela maneira? Assim que ele fechou a porta limpei o local onde ele havia encostado seus lábios frios de vampiro. Tranquei o quarto e fui tomar um longo banho. Não havia pijamas naquele closet, apenas camisolas, peguei a menos fina que achei, me vesti e deitei na enorme cama. Logo o sono veio e eu pude me desligar um pouco de tudo aquilo.

Eu nunca entendi porque depois de ser transformada em vampira eu ainda sentia sono, talvez fosse como um hábito, mesmo estando morta o corpo ainda mantinha alguns reflexos de quando eu era viva, como por exemplo, o ato de respirar mesmo sem precisar de ar nos pulmões. Os sonhos também eram algo inexplicável, eu quase sempre dormia e sonhava como se ainda fosse humana. Naquelas horas que dormi quase ao amanhecer do dia, não foi diferente.

“Eu caminhava sentindo a grama sob meus pés descalços, minhas mãos acariciavam as flores que eu encontrava no caminho. Levantei o meu rosto e vi que um homem vinha em minha direção com um sorriso imenso no rosto. Meu coração disparou e comecei a correr cheia de ansiedade como se o conhecesse. Quando nos encontramos ele me ergueu do chão e me beijou ao final do beijo levantei meu rosto para mirá-lo e para minha surpresa era Dimitri! Não da forma como o conheci hoje, mas com roupas antigas, como se estivéssemos em algum lugar do passado.

Em seguida, como só acontece nos sonhos, eu já não estava mais com ele, estava na beira de um penhasco. Senti uma mão me empurrar, enquanto eu caía eu via as pedras e as ondas furiosas cada vez mais perto, antes de bater contra elas eu despertei! ”

Acordei e automaticamente me sentei na cama. Eu ainda podia sentir a adrenalina como se realmente tivesse despencado de um penhasco. E porque eu havia sonhado que estava beijando Dimitri? Eu o odiava por ter me transformado em vampira! Me levantei e abri a cortina, o sol já havia se posto, eu devia ter dormido o dia todo. Alguém bateu na porta, peguei um robe que estava perto da cama e vesti enquanto abria. Era um dos vampiros que eu havia deixado desacordado ontem, um dos seguranças de Dimitri.

— Posso ajudar? – Perguntei bruscamente.

— Sr. Bursin pediu para que você desça para o jantar, e mandou lhe entregar isto. – Disse me estendendo um envelope.

— Tudo bem, obrigada. – Peguei o envelope e fechei a porta.

“ Sinto em termos começado de forma errada ontem, para compensar convido-a para jantar comigo de forma que possamos conversar com calma. Te espero as 19h, Dário vai guia-la até o local.

Obs.: Sugiro que vista algo mais formal.

Att: Dimitri Bursin. ”

Olhei o relógio de cabeceira e já eram 18:30, eu não tinha muita escolha senão sair do quarto, além do mais se eu quisesse ganhar a confiança dele eu devia me comportar melhor. Abri o closet e fiquei perdida em meio ao mar de cabides, sapatos, vestidos.... Escolhi um vestido preto fino, longo na parte de trás e um pouco mais curto na frente. Era o mais comportado que eu havia encontrado e ainda assim apesar de ter mangas compridas, tinha um decote generoso na frente. Eu não usava aquele tipo de roupa, mas era necessário. E assim, me sentindo estranhamente exposta vestida daquela forma, eu saí do quarto. O mesmo vampiro que me entregara o envelope estava me esperando no corredor. O acompanhei em silencio, e ele me levou para o jardim em um local que era cercado por um muro de heras com um portão, o caminho todo iluminado com tochas:

— É só seguir em frente, o Sr Dimitri está te esperando.

— Ruby está lá também? – Questionei, mas ele me deu as costas e voltou para dentro da mansão. Antipático!

Abri o portão e segui adiante, aquele local era como um pequeno labirinto de hera nos fundos da mansão, antes de chegar ao centro ouvi a voz alterada de Thana e parei atrás da última parede de hera sem saber se interrompia-os ou não. Decidi ficar ali um tempo escutando. Pelas frestas eu conseguia vê-los, Dimitri estava sentado em uma mesa pequena com duas cadeiras, com a ruiva em pé ao seu lado. Ela parecia enfurecida:

— É ela, não é? Não acredito que você ainda insiste em uma coisa que vem te fazendo mal há 200 anos. A história sempre se repete! Você tem que seguir em frente.

— Não que eu precise te dar alguma explicação, mas dessa vez é diferente eu nunca tive a oportunidade de encontrá-la dessa forma. Eu não tenho como fugir, é o destino, mesmo parando de buscá-la ela sempre volta para mim!

— Você fala com encanto, com amor como se fosse uma coisa boa. Essa obsessão vai ser a sua queda.

Ele bateu com força na mesa, e á luz das tochas pude ver seus caninos aparecendo em sinal de fúria:

— Chega! Não sei se está com ciúmes ou que quer que seja. Sou seu mestre e você tem que respeitar minhas decisões e parar de dar opiniões que eu não pedi. – Seu olhar era pura fúria e a vampira se encolheu diante dele.

— Não é ciúmes, só não quero que você esqueça do objetivo de nossa raça por causa dessa baboseira de profecia e destino. Tem muitos vampiros contando com você e sua liderança, não estrague tudo, logo agora que estamos tão perto. – Ela tinha um tom magoado na voz.

— Você não conhece toda a história, se conhecesse me daria a razão.

— Você está se enganando, está enxergando que quer ver. Se fosse realmente ela você teria reconhecido de imediato, e não se lembrar depois de um sonho. Você só está com o seu emocional abalado.

— Por favor, se retire antes que eu me descontrole com você. – Ele foi firme, e ela não teve escolha a não ser sair dali.

Ela se encaminhou para a saída e rapidamente saí detrás do muro e fingi estar chegando naquele momento, como se não tivesse ouvido nada. Ela passou por mim andando rápido com raiva, nem sequer me olhou enquanto sumia pelo labirinto de onde eu tinha vindo.

Notas finais
Adoro ler as opiniões sobre o capítulo, sobre o que gostaram e o que acham que precisa ser melhorado para manter a história mais interessante. Por favor não se acanhem ha ha Comentem o que estão achando da história e ajudem a motivar esta escritora aqui que tanto ama postar para vocês ♥