Da magia ao sangue
5 Jantando com o inimigo
P.O.V Dimitri:
Por séculos eu a busquei, e sempre que a encontrava logo a face fria e cruel da morte vinha para tirá-la de mim novamente, esse era meu tormento, essa era a minha maldição. Depois de alguns anos eu parei de senti-la e consequentemente parei de procurar também. Decidi deixar de lado aquele sentimento me enfraquecia e me controlava, logo eu, um vampiro tão antigo e poderoso. Resolvi focar minha energia em coisas mais importantes, como a guerra entre vampiros e bruxas que já duravam séculos.
Seu rosto praticamente havia se apagado de minha memória, até que as lembranças voltaram como um choque em meu coração atormentado naquele dia, quando ela irrompeu pela porta com os caninos a mostra desafiando tudo e a todos. Fiquei surpreso e por um instante quase não tive reação. Meu primeiro impulso foi o de correr para abraçá-la, beijá-la e protegê-la para que nada a tirasse de mim novamente. Por sorte pude me conter e disfarçar minha surpresa a tempo, não era assim que funcionava, ela não iria se lembrar.
Agora eu a tinha em minha frente, e eu mal podia acreditar. Os cabelos estavam mais curtos que a última vez que a vi, quase um século atrás. Eu gostei de sua aparência nessa época, os cabelos curtos lhe davam um ar de independência e modernidade e consequentemente mais linda do que nunca. Eu podia ver uma mudança de personalidade também, ao invés do olhar cálido e o sorriso doce e gentil da menina inocente e ingênua que sempre fora, agora eu via uma fúria incontrolável, um olhar que tinha uma força selvagem e arrebatadora, me atraindo cada vez mais.
Ela tamborilava os dedos na mesa me olhando impaciente. Só então me dei conta de que eu estava á alguns minutos mirando- a sem falar absolutamente nada.
— Esse vestido ficou ótimo em você. – Tentei quebrar o gelo sem parecer um tonto mudo em sua frente.
— Obrigada. – Respondeu enquanto cruzava os braços a fim de tampar o decote, ela parecia pouco à vontade com aquela roupa. – Seremos só nos dois? Achei que a traidora da Ruby estaria aqui também.
— Em outro momento você terá a oportunidade de falar com ela para resolver o atrito entre vocês. Hoje seremos só nos dois. — Tentei disfarçar a ansiedade em minha voz, para mim era uma tortura vê-la me tratar como um desconhecido.
— Ainda não entendo o que temos para falar a sós. – Por mais que ela tentasse disfarçar eu podia sentir a hostilidade em sua voz.
— Quero que possamos conversar tranquilos e nos conhecer melhor. Você me intriga Verônica.
— Se quer jantar comigo, deve saber que meu estomago só aceita sangue desde... tudo o que houve.
— E quem disse que esse é um jantar comum? Vou ensiná-la a manter o controle.
Ao meu sinal Dario um de meus homens de confiança, chegou acompanhado de duas jovens. Elas possuíam o mesmo olhar perdido e distante, como se tivessem dopadas, essa era a aparência dos viciados que vinham até nós a procura de uma mordida.
— O jantar está servido. – Disse ele com uma reverencia enquanto se retirava para dar-nos privacidade.
Imediatamente ela me fulminou com o olhar, enquanto dizia indignada:
— Eu não vou ferir nenhum humano!
Suas palavras diziam isso, mas eu podia ver em seu rosto aquele sofrimento de quem podia perder o controle a qualquer momento.
— Não se preocupe, elas estão aqui por livre e espontânea vontade. – Enquanto eu falava puxei uma delas para perto, puxei seu cabelo longo para o lado revelando seu pescoço e perfurei pele clara e macia na altura da jugular. A moça deu um suspiro profundo de prazer.
— Como assim elas vêm por vontade própria? – Ela me olhava indignada e um pouco enojada.
— A mordida de um vampiro tem uma toxina que é como uma droga para os humanos alguns gostam da sensação. Sempre voltam pedindo mais.
Ela continuava me olhando desconfiada. Peguei a moça pela mão e a levei para perto de Verônica do outro lado da mesa.
— Não tenha medo de machucá-la, vou te ensinar a se alimentar sem se descontrolar.
— Não quero, obrigada.
— Pare de ser teimosa! O segredo é tentar manter a calma. Nós vampiros temos instintos primitivos e selvagens como animais, se você não mantém a calma esses instintos prevalecem e pode acabar matando alguém enquanto se alimenta, mas não precisa ser assim.
Eu podia ver seus caninos brilhando à luz das tochas acesas à nossa volta. Aos poucos ela se aproximou.
— Isso, se acalme primeiro, não deixe sua sede controlar você.
Ela respirou fundo com os olhos fechados e quando se sentiu pronta os abriu. Devagar se aproximou do pescoço da mulher que agora tinhas duas gotas de sangue escorrendo onde antes eu havia mordido. Sorri ao vê-la se alimentando e soltando um grunhido de satisfação. Me sentei com a outra garota que pacientemente me esperava e mordi seu pulso, afim de saciar minha própria sede. Quando terminei, limpei o canto de minha boca com o guardanapo de linho que estava sobre a mesa. Verônica por outro lado se lambuzava inteira, o vestido sujo de sangue. Ela estava com dificuldades em parar.
— Você tem que se controlar ou vai matá-la.- Falei enquanto me aproximava.
Tentei gentilmente separá-la da mulher, mas ela me empurrou soltando um rosnado selvagem. Novamente me aproximei dessa vez a puxei com força separando- a de sua presa. A moça caiu no chão com o pescoço sangrando, pude ver que a ferida era bem maior que os furos de um canino. Enquanto isso eu tentava acalmar a vampira que se debatia em meus braços. A abracei forte a fim de segurá-la melhor e evitar que ela escapasse e avançasse novamente para terminar o que havia começado. Dario ouvindo a confusão imediatamente apareceu e levou as duas.
— Se acalme, tente lembrar de quem é de verdade. Você não é um animal sem controle e não quer matar ninguém. – Sussurrei suavemente em seu ouvido, tentando aquieta-la.
Ela parou de se debater e pouco a pouco foi voltando a si. Quando percebi que ela estava bem, relaxei o aperto soltando-a.
— Eu quase a matei, por culpa sua! – Ela avançou para cima de mim tentando me atingir com socos.
— Se acalme! No início é assim mesmo. Prometo que Dário vai cuidar da ferida dela e vai ficar tudo bem.
— Eu te odeio. – Ela vociferou, e tive a sensação de que aquelas palavras envolviam muito mais coisas do que o que havia acabado de acontecer ali.
— Eu disse que ia te ajudar a se alimentar sem perder o controle, mas para isso vai precisar confiar em mim! – Dessa vez fui em quem perdi a paciência e levantei a voz em tom de autoridade.
Ela se afastou ao perceber que eu estava irritado.
— Tem razão, me desculpe.
Entreguei-lhe um guardanapo para que ela pudesse limpar o rosto que estava todo sujo. Ela sentou-se enquanto se limpava.
— Agora que já nos alimentamos, quero saber mais sobre você.
— Tenho alguma escolha? – Retrucou ela.
— Se quiser me provar que é confiável e ter liberdade para sair daqui.
— Tudo bem, o quer saber. — Perguntou revirando os olhos.
— Há quanto tempo foi transformada?
— Algumas semanas. — Ela continuava com aquele olhar de ódio no rosto, enquanto me dava respostas frias e curtas. Ia ser difícil me aproximar.
— Não consegue se lembrar de nada que nos ajude a descobrir sobre quem foi o vampiro que te criou?
— Não.
Ela estava mentindo e eu podia sentir em seu tom de voz.
— Se encontrarmos seu criador será mais fácil sua transição.
— Apenas me lembro de ter sido atacada e depois despertei assim.
— Isso não faz sentido nenhum, para se transformar o criador tem que dar o sangue dele primeiro. Ou seja, ele tem que ter a intenção de transformá-la, não basta ser mordida, se não já estaria morta ou no caso dos humanos viciada, mas nunca transformada.
Minhas palavras despertaram sua atenção, seu semblante mudou e ela passou a me olhar nos olhos com interesse e curiosidade, já era um começo, muito melhor do que seu olhar de ódio.
— Está me dizendo que alguém me deu sangue de vampiro antes de ser transformada? Isso é impossível. Eu nunca cheguei perto de nenhum vampiro até a noite em que tudo aconteceu.
— Isso também me intriga, se você é de um Clã Guerreiro vive em seu Centro de Treinamento certo? Como foi atacada?
— Eu resolvi sair sozinha para tomar um ar e tudo aconteceu.
Com certeza ela estava me escondendo coisas! Eu conhecia as bruxas bem demais para saber que alguém da idade dela não passava de aprendiz, e sendo assim nunca conseguiria abrir a barreira de feitiços para sair sozinha. Eu tinha uma dúvida me rondando e precisava de mais respostas. — Por acaso você estava no ataque do Clã em uma das minhas mansões a algumas semanas?
— Então você se lembra de mim? – Respondeu séria. – O jogo acabou Dimitri.
— Só estou juntando as informações. Eu sei que jamais uma aprendiz como você conseguiria sair sozinha.
—Sim eu estava na mansão, foi minha primeira missão com vampiros. E você me transformou! – Ela praticamente gritou como se tivesse aquilo preso na garganta desde o primeiro momento que nos vimos.
— Eu já disse que não te transformei! Preciso que confie em mim.
— Não acredito em você. Posso não ter morrido com o seu sangue no organismo, mas seu rosto é a última lembrança que eu tenho daquela noite. – Ela parecia confusa e angustiada.
— Eu sequer estava na mansão aquele dia, mandei Thana para cuidar de tudo e liderar.
— Mentiroso! – Ela estava furiosa.
— Eu não tenho porque mentir sobre isso. Além do mais lembre-se do que eu disse ontem a Ruby: o sangue de vampiro é letal para uma bruxa, o que significa que quem quer que tenha feito isso com você, não queria que fosse transformada, queria que morresse no processo.
— Eu não entendo... – Ela parecia em choque e confusa ao mesmo tempo. — Isso significa que alguém no clã me deu sangue de vampiro antes da missão?
— Exatamente, e eu juro que não tenho nada a ver com isso. – Me aproximei e segurei sua mão enquanto a fitava dentro dos olhos para que percebesse a sinceridade em mim.
— Por favor, estou muito confusa e cansada, preciso de um tempo sozinha. – Ela parecia aturdida.
Tive vontade de abraça-la, confortá-la, mas não me atrevi, não queria assustá-la sendo invasivo.
— Dario vai te acompanhar até o quarto e assim que estiver melhor pode falar com Ruby se quiser.
Ela apenas acenou com a cabeça enquanto caminhava para fora do jardim. Parecia abatida e cansada. Eu por outro lado mal podia conter minha frustração, a noite não saiu como eu esperava. Adentrei a mansão depois de passar alguns minutos sozinhos fitando o nada, quando chegava a porta do meu escritório Thana me esperava com um sorriso no rosto, parecia ter se esquecido de nossa pequena discussão mais cedo.
— Posso te fazer companhia? – Perguntou como quem não quer nada.
— Prefiro ficar um pouco sozinho. – Respondi e adentrei.
Ela saiu pisando forte com o barulho dos saltos ecoando pelo corredor. Encostei a porta e me servi de um copo de Whisky. De onde eu estava podia admirar na minha parede, um quadro que estava há muito esquecido no porão, até que me lembrei dele ontem e mandei traze-lo.
— O que será de nós dois agora com toda a imortalidade pela frente? – Sussurrei como se a pintura pudesse me ouvir.
P.O.V Verônica:
Demorei um tempo para absorver tudo o que Dimitri havia me dito. Se ele não havia me transformado quem havia feito? E eu ainda não podia acreditar que para ter sido transformada eu morri com sangue de vampiro no organismo. Isso significava que alguém do meu Clã teria me dado sangue de vampiro se que eu percebesse? E se o sangue de vampiro era letal, alguém ali me queria morta, porque? Quanto mais eu pensava, mais confusa eu ficava. Será que eu podia confiar e acreditar em tudo o que ele havia me dito? E a pergunta que mais me torturava: porque eu estava ali? Dimitri havia dito que era pelo meu descuido na boate e para que ele pudesse ter certeza de que eu era confiável, porém havia algo mais que ele estava escondendo e eu precisava descobrir o que era.
Frustrada me joguei na grande cama. Meu plano de ganhar a confiança dele mostrando minha boa vontade tinha ido por água abaixo. Minha impulsividade estava se tornando um fardo, nada do que eu pensava saia conforme o planejado. Eu ia acabar morrendo naquela mansão se eu não começasse a me controlar. Por um segundo senti um aperto no peito ao me lembrar dos conselhos que minha mãe me dava. Parecia que fazia tanto tempo. Me lembrar de minha mãe também me fazia pensar em Noah. Será que já tinha ido me procurar novamente? O que estaria pensando de minha ausência? Eu precisava arrumar uma forma de me comunicar com ele sem colocá-lo em risco. O que ele pensaria se soubesse que eu estava com Dimitri? Estremeci só de pensar nele me odiando achando que eu traíra o clã.
Alguém bateu na porta e o barulho me resgatou da minha enxurrada de perguntas e pensamento. Me levantei rápido e abri a porta. Dario estava parado e mudo como sempre, Ruby estava logo atrás dele.
— Preciso falar com você. Por favor. – Suplicou ela.
— Tudo bem pode entrar. – Ela deu um sorriso aliviado e entrou.
Fechei a porta para que pudéssemos falar a sós e me sentei na cama. Ela olhava em volta deslumbrada como se nunca tivesse entrado em algum quarto assim antes. Isso me fez questionar sobre que tipo de local estavam mantendo ela. A garota se sentou de frente para mim, tinha os olhos inchados como se tivesse chorado muito e pela primeira vez, vi seu rosto pálido e sem maquiagem. Por um instante me permiti sentir pena dela.
— O que você quer? Sugiro que seja breve. – Minha voz saiu com um tom magoado.
— Vero, eu juro que eu não sabia que você era uma vampira.
— Quer que eu acredite que uma Alquimista ingênua e de bom coração apareceu convenientemente e me chamou para dividir um apartamento justo quando eu mais precisava? – Perguntei com a ironia sobressaindo em minha voz.
— Vou te contar a minha história e então você decide se acredita em mim ou não. — Ela parecia tão pequena e fragilizada sentada na minha frente, era impossível dizer não.
— Tudo bem, pode falar.
— Eu venho de um clã de Alquimistas da Filadélfia, aos dezessete anos, antes de completar o treinamento eu fugi de lá. Eu nunca fui a favor de nascermos com nossa vocação predestinada, eu odiava os laboratórios, todo o estudo e principalmente, não concordava com a “cura”. Eu queria mais da vida, queria descobrir do que eu gostava, e seu quisesse ser de um clã guerreiro ou outra coisa? De que adiantava ter o dom da magia se temos que viver cheios de regras e controle o tempo todo? É claro que ninguém aceitou isso bem. – Suas palavras pareciam sinceras, e me vi se colocando no lugar dela, o que eu faria se não tivesse aptidão para ser Guerreira? Será que eu gostava daquilo ou fui criada para pensar assim? Comecei a me lembrar de quantos de nós que deveriam viver assim, sem questionar, só seguindo o que lhes foi imposto. Talvez muitos nem soubesse do que realmente gostavam.
Ela continuava contando:
— Um dia uma vampira foi pega e condenada a receber a Cura em julgamento, logo a levaram para nosso clã, para que pudessem aplicar. Ela ficou presa por alguns dias na ala em que eu treinava e acabamos ficando amigas. Todas as noites eu ia em sua cela, e ela me contava como era o mundo aqui fora, como nem todos os vampiros eram assassinos. Me disse sobre toda a perseguição do Conselho com as outras raças sobrenaturais. Imediatamente me senti encorajada para deixar aquela vida para trás, me sentia enojada só de saber que alguém inocente foi condenada por pensar diferente e não concordar com o Conselho. Um dia cheguei lá e ela não estava mais, eles haviam aplicado a cura e levado para algum centro de treinamento. — Seus olhos se encheram de lágrimas. — Abdiquei da magia naquela mesma noite e por milagre consegui passar as barreiras. Fugi com a intenção de me tornar uma vampira e viver plenamente como Kira havia me dito, prometi a ela que visitaria todos os seus lugares preferidos. Mas os anos se passaram, eu nunca consegui rastrear um vampiro, talvez se eu fosse de um clã de Guerreiros como você eu tivesse encontrado um com mais facilidade. Acabei me mudando para cá, comecei a viver com humana e percebi que, mesmo não tendo juventude e nem vida eterna, eu poderia aproveitar uma vida normal, livre para fazer minhas próprias escolhas. E foi aí que você apareceu na cafeteria, e eu te juro que pensei que era uma humana comum. Uma humana que em poucos dias, apesar de ser super rabugenta se tornou muito importante para mim. – Ela sorriu pegando minha mão.
Era impossível não acreditar nela, era inexperiente e inocente demais para ser uma infiltrada querendo me capturar.
— Eu acredito em você. – Falei sorrindo de volta.
Ela deu um gritinho feliz e me abraçou forte. Tinha voltado a ser a Ruby de sempre! Sorri e a abracei de volta, era bom ter uma amiga no meio daquele caos.
— Mudando o assunto, que quarto maravilhoso você conseguiu hein?! – Ruby corria de um lado para outro maravilhada.
— O seu não é igual? — Perguntei indiferente enquanto ela exclamava admirada dentro do closet.
— Estou em um quarto simples, lá embaixo no subsolo. Você é convidada e eu sou prisioneira.
— Vamos mudar isso agora! – Falei enquanto a pegava pela mão.
— O que está fazendo?
— Vamos procurar Dimitri e pedir para que ele deixe você dormir no meu quarto.
— Está louca? Quer ofender o homem? – Ela reclamava enquanto eu abria a porta. Felizmente o corredor estava vazio.
Caminhei pelos andares procurando por meu anfitrião e torcendo para não topar com a vampira ruiva, que claramente tentaria se livrar de mim se tivesse a chance. Ruby cochichava sem parar, tentando me convencer a voltar para o quarto e sossegar. No terceiro andar vi uma porta de madeira no fim do corredor, ouvi vozes alteradas que vinham de dentro. Bati na porta e Thana abriu:
— O que está fazendo aqui? – Perguntou de forma rude.
Eu abri minha boca para dar-lhe uma resposta malcriada, mas parei no meio do caminho pois algo me chamou a atenção dentro da sala. Eu só conseguia olhar para o quadro no fundo atrás dela. Era uma pintura a óleo muito antiga, retratava Dimitri ao lado de uma moça, usavam trajes da era vitoriana, mas o que me intrigou é que a mulher do quadro era igualzinha a mim!
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