Notas iniciais
Pessoal, faz uns dez anos que não escrevo Fanfics, agora resolvi voltar a postar. Espero que gostem da história e fiquem a vontade para deixar críticas construtivas.

Essa é a história de como aprendi que o mundo nunca foi tão simples como sempre me ensinaram. Já aviso-lhes de antemão que essa não é uma história com final feliz, durante os capítulos vocês vão duvidar do que estou dizendo agora, vão se emocionar e talvez até rir, mas não se iludam, essa realmente não é uma linda e clichê história de amor.

Meu nome é Verônica e eu sou uma bruxa. Ser alguém como eu nos tempos modernos é muito complicado, requer muito cuidado e atenção para conseguirmos manter o equilíbrio e coexistir em nosso mundo e na sociedade dos humanos comuns sem causar um caos absoluto. Para que tudo funcione em harmonia, nossa sociedade é divida em quatro clãs, os quais são guiados por antigas tradições e costumes que nos trouxeram até a atualidade cumprindo com sucesso nossas missões.

Eu venho de um clã de guerreiros: Somos responsáveis por manter a ordem e proteger a existência da comunidade bruxa. Ou seja, nós que vamos à luta em qualquer sinal de problemas, ou contra qualquer espécie que ameace expor a nós ou o mundo sobrenatural. Além do meu próprio clã,temos ainda os curandeiros, geralmente são bruxas que tem mais afinidade com a natureza, possuem o dom da cura e são responsáveis por criar e produzir poções e medicamentos. Temos também os Alquimistas, que são os que tem extrema inteligência e juntando isso com a magia que possuem são os “cientistas” do mundo sobrenatural. E por fim, mas não menos importante, temos o clã de conselheiros, são os mais diplomáticos, que criam nossas leis, tomam as grandes decisões e negociam da melhor forma para que coexistamos em paz entre as raças.

Cada indivíduo já nasce em um clã específico e não tem liberdade de escolha, é algo passado de pais para filhos, parece um pouco severo e antiquado,eu sei! Porém tem funcionado para nós até o momento. Minha história começa no dia em que morri. Soa dramático mas logo vocês irão entender:

—Verônica! Espere o sinal! – Sussurrou Noah ao meu lado em desespero.

Aos 25 anos eu já possuía uma coleção de medalhas por êxito e excelências nas missões, porém, sempre havia a reclamação de que eu era impulsiva demais, ou que não seguia ordens. Com Noah, que além de meu namorado era também meu parceiro de treinamento ,não era diferente.

—Isso é apenas um treinamento! – Retruquei revirando os olhos.

Com ele tudo era sempre assim: certinho demais, sempre buscando e esperando pacientemente um sinal de reconhecimento de nossos superiores para se sentir bem e satisfeito consigo mesmo.

—É "apenas um treinamento".- Disse fazendo o sinal de "aspas" com os dedos- Mas se você não conseguir manter a estratégia agora, quando for a hora da missão pode acabar estragando tudo. – Reclamou.

—Então me observe enquanto “estrago tudo”.

O plano era esperar meus colegas de treinamento chegarem onde estávamos para podermos avançar. Porém com a demora eu já estava impaciente e entediada, tudo isso em conjunto com a crítica de Noah, acabou soando em minha cabeça mais como um desafio do que como reprovação.

Rapidamente avancei o campo de treinamento e adentrei o falso covil de vampiros. Tudo em silencio, nem sinal dos “Amaldiçoados” que usávamos para representar um ataque vampiro.

Os Amaldiçoados eram pessoas que os alquimistas em conjunto com os curandeiros criaram durante uma das tentativas de conseguir uma cura para o vampirismo. O efeito era horrível, pois a pessoa não voltava a ser humano mas também não morria de vez, não se alimentava de sangue e nem de comida, o coração continuava parado e as veias sem sangue, uma espécie de morto-vivo. Eram extremamente agressivos, com uma força descomunal e com um comportamento muito selvagem. Com o tempo, devido a falta de vontade de se alimentar eles acabavam definhando e apodrecendo aos poucos até sumir. OU seja na tentativa de eliminar os vampiros acabaram criando uma espécie de zumbi.

Era um mal necessário, dizia o grande conselho. Sempre que um grupo de vampiros estava transgredindo as leis ou se expondo demais, eram capturados e diante de um julgamento condenados a receber a “cura”.

Enquanto eu pensava distraidamente em quão horrível eram os “Amaldiçoados” um deles se aproximou por trás, e eu só percebi quando senti seu hálito gelado em minha nuca. Imediatamente girei meu corpo afim de ficar de frente para ele, mentalizando um feitiço não verbal usei toda minha força para bater com minhas duas mãos em seu peito. A combinação do golpe com a magia que emanava de minhas mãos,o fez ser expelido para longe numa explosão de luz roxa.

O barulho logo despertou uma porção deles, que começaram a avançar. Desciam pelas paredes e saiam dos cantos escuros como animais. Todos eram brancos como vela e tinham partes do corpo faltando. Eram homens, mulheres e fiquei chocada ao ver entre eles uma criança. “ Que vampiro seria tão nojento a ponto de transformar uma criança? E o que essa criança havia feito de mal para ser julgada a receber a cura? ”. Sem tempo para raciocinar demais, saquei meu arco, mentalizei mais uma vez um feitiço de velocidade e assim consegui rapidamente alcançar as flechas com pontas de prata de minha aljava. Atirando com precisão um a um eles iam caindo.

Quando acabei com todos, suada e arfando me virei lentamente e na porta do covil estavam Noah, Úrsula, nossa líder de combate e toda minha equipe me olhando com reprovação.

— Pessoal podem ir. O treinamento acabou por hoje, e preciso conversar a sós com ela. — Disse nossa líder. – Você também Noah, pode se retirar, mais tarde vocês se falam. – Olhou para meu namorado que continuava na porta.

—Tudo bem, nos vemos a noite. – Disse ele acenando para mim com uma cara de “ eu te avisei”.

Assim que estávamos a sós ela suspirou e o sermão começou:

—Até quando você vai ser assim? Você já não é uma criança em aprendizado.

—Eu dei conta de todos eles, não me machuquei, não machuquei ninguém da equipe mãe. – Retruquei.

Sim, para meu azar minha mãe também era minha líder e mestre.

—Não importa, tínhamos um plano a seguir! Não se iluda com sua força, com os “Amaldiçoados” é fácil eles são lerdos, mas com os vampiros que talvez você enfrentará hoje a noite vai ser muito diferente. Eles raciocinam, são estratégicos e não agem só por instinto.

—Eu realmente não te entendo! Eu sou a melhor da equipe, e ao invés de me parabenizar, ou fazer estratégias melhores onde eu possa usar todo o meu potencial, só recebo sua desaprovação. -Chutei com força uma cabeça que estava no meu caminho, ouvi um barulho gosmento enquanto ela rolava para longe na caverna.

—O fato de você ser ágil e ter uma magia forte não quer dizer que possa lidar com tudo sozinha. Isso pode custar caro em um confronto.

Cansada e irritada nem me dei ao trabalho de responder, brigar não ia levar a nada.

—Posso me retirar? – Perguntei a ela solenemente referindo-se a ela como minha líder e não como mãe obviamente.

—Claro, vá descansar e se aprontar para a missão dessa noite. Vocês partirão á meia noite.

—Você não vai?

—Dessa vez não, quero ver como vocês agirão sozinhos e assim decidir quem vou escolher como meu sucessor. Hoje o Noah vai liderar a missão.

—Como assim? Você disse que eu ia liderar!

—Até que você prove que aprendeu a seguir ordens e a controlar sua impulsividade vou retirar todas as suas honras.

Minha vontade era de levantar a voz, brigar pelo que era meu, mas tive que engolir meu orgulho não era dessa forma que eu ia convence-la de que eu conseguiria ser menos impulsiva. Deixei-a para trás e fui para o alojamento.

Depois de uma longa caminhada cheguei ao meu quarto. Fui direto tomar um banho, meus colegas que chegaram antes já estavam jantando no refeitório. Melhor assim! Eu não ia precisar conversar com ninguém. Minha cabeça estava explodindo, tomei meu banho torcendo para que a água gelada me revigorasse. Me deitei e logo meus olhos começaram a pesar e peguei no sono.

—VERÔNICA! ESTÁ NA HORA, FALTAM CINCO MINUTOS PARA A MEIA NOITE!

Acordei assustada com alguém batendo na porta para me acordar, provavelmente algum colega a caminho do pátio.

—Droga!- Falei comigo mesma ao olhar para o relógio próximo a cabeceira da cama.

Se eu me atrasasse e isso caísse em relatório as coisas iam piorar para mim, e já estava cansada e os imprevistos e confusões que eu havia tido eram o suficiente por aquele dia. Mal sabia eu, que pensara isso cedo demais. Rapidamente abri o armário e tirei de dentro dele as roupas negras e as botas de combate (meio dramático eu sei, mas era necessário usar roupas essas roupas para se camuflar a noite principalmente em um covil de vampiros.)Ajeitei meus cabelos curtos, lavei meu rosto e sai correndo para o pátio onde todos já aguardavam em filas.

—E finalmente ela chegou! Já podemos partir. – Disse Noah me dando uma piscadinha de cumplicidade. Talvez não fosse tão ruim que ele fosse nos liderar hoje.

No caminho a tensão de todos era palpável pois a maioria de nós nunca havia enfrentado vampiros antes. Os problemas com lobisomens eram mais frequentes, porem a floresta era familiar para nós e lidar com lobos era mais fácil. Já os vampiros era outra história, primeiramente porque eles eram muito organizados e inteligentes, o que significava que um problema com vampiros nunca era algo por acaso, e nas raras vezes que isso acontecia o confronto era sempre sangrento. Olhei meus colegas que conversavam animados, eu esperava que ninguém morresse.

Quando havia problemas com os vampiros era porque eles estavam planejando uma grande guerra sobrenatural, geralmente algum bando descontrolado de vampiros começava a pregar idéias ultrapassadas como destruir a raça humana e um pequenos caos se iniciava, nós os detínhamos antes que tudo ficasse fora de controle. E nesse tipo de coisa sempre havia resistência e morte dos dois lados. Por isso demoraram tanto a nos liberar para uma missão dessas, realmente o grupo devia estar muito bem preparado. Apesar de estar tensa com uma missão desse nível eu também estava empolgada, me sentia mais viva do que nunca, meu corpo estremecia pedindo para sentir a adrenalina do momento de ataque. Estacionamos a algumas ruas do local em um bairro tranquilo e de alta classe. Fiquei surpresa, geralmente os covis eram localizados em lugares medonhos, como hotéis antigos, hospitais abandonados ou velhas mansões.

—Pessoal, hoje será iniciada nossa primeira missão com vampiros. – Noah começou a explicar. – Não me foi concedida muita informação sobre o motivo do ataque, porém entre eles se encontra também Dimitri Bursin. Como vocês sabem um dos vampiros mais poderosos que temos registro. Tomem muito cuidado com ele, e tentem não o matar, é essencial que alguém desse nível vá a julgamento ou sua morte pode gerar mais problemas pois os seguidores dele são muitos.

Ótimo! Agora ainda teríamos que capturar um vampiro velho e levá-lo de volta conosco. Já havia ouvido falar do sanguinário Dimitri, um vampiro que incitava revoltas, criava exército de vampiros com humanos da pior espécie e sempre se safava pois nunca haviam provas, apenas boatos.

—Muito bem vamos la!

Todos começaram a descer do veículo, quando eu saí Noah segurou meu braço e me puxou para lado me dando um beijo.

—Vê se não estraga tudo. – Ele falou sorrindo carinhoso.

Minha vontade era de socar a cara dele, me beijar não aplacava o fato dele não acreditar que eu poderia fazer um bom trabalho.Respirei fundo e sorri, afinal eu estava tentando provar que podia me controlar.

—Tudo bem, vamos lá pegar alguns vampiros. – Falei com um sorriso forçado e me juntei aos meus colegas.

Em silencio e formação começamos a adentrar a mansão onde era o suposto covil.

De início tudo estava indo bem, eu seguia tudo como vínhamos treinando a tempos. Adentramos a mansão que parecia estar vazia, a escuridão predominava o local em um silencio aterrador. Começamos a subir as escadas e nos espalhar pelos cômodos. Entrei sozinha onde parecia ser uma sala e foi quando ouvi o grito mais aterrorizante da minha vida, corri para o corredor e apenas vi um corpo despencando dos andares superiores para a sala central da entrada.

Meu coração disparou, estava muito escuro e eu não conseguia ver se era um dos nossos. Naquele momento eu nem podia me preocupar com aquilo, precisava ficar alerta. Noah no entanto não teve tanto controle quanto eu e do comodo onde estava ao invés de ficar em silencio, imediatamente emergiu gritando:

—VERÔNICA!

E foi aí que o caos começou: vampiros surgiam aos montes dos comodos escuros, comecei a ouvir barulhos de luta, gritos e luzes provavelmente vindo dos feitiços que meus colegas lançavam. A maior confusão vinha da sala central na entrada onde o corpo havia caído. Ao tentar passar pelo corredor e chegar as escadas para auxiliar meus colegas no andar debaixo, uma mão fria me puxou para dentro de um cômodo e horrorizada eu vi cinco vampiros debruçados sobre uma garota que jazia no chão, sem vida.

Naquele momento lutei como nunca havia feito antes, perceber que o que estava em jogo era minha sobrevivência e a pressão da batalha ajudaram a dobrar minhas forças. Não dava tempo de usar o arco, então saquei uma estaca que estava presa a minha coxa, e comecei a lutar e golpear. O desespero começou a prevalecer ao “cair a ficha” de que eles estavam em maior número e era muito mais resistentes, não se cansavam e nem sentiam dor, os golpes tinham que ser certeiros e no coração se eu errasse uma vez estaria perdida. Conforme eu lutava três deles barraram a saída enquanto os outros me encurralavam me fazendo recuar para o fundo do quarto. Eu não tinha escolha senão tentar lutar contra todos para tentar sair dali. Um deles me acertou na boca, o sangue invadiu meus lábios enquanto meu rosto queimava de dor. Por alguns minutos fiquei atordoada, mas logo recobrei o foco e com um chute seguido de um feitiço consegui mandá-lo para longe.Eu não sabia quanto tempo havia se passado, poderia ser dois minutos ou duas horas. Eu havia matado três deles e os dois restante me miravam como se eu fosse a presa e eles os predadores.

Ouvi gritos lá embaixo:

—ABANDONAR A MISSÃO! TODOS DE VOLTA PARA O CARRO!

Droga! Eu precisava de ajuda mas não tinha como pedir auxilio, aquela altura ou eles não deram pela minha falta ou pensaram que eu já estava morta. E se todos fossem embora me deixassem ali?

Eu só tinha duas opções: a porta ou a janela. A porta estava bloqueada pelos outros três vampiros que ainda estavam vivos e me olhavam mostrando as presas com os rostos cheios de sangue, e mesmo que eu conseguisse passar por eles e sair poderia topar com mais vampiros no caminho. Já a janela eu não sabia qual era a altura, mas preferia morrer em uma queda do que nas mãos dos maníacos que estavam ali. Antes que eu pudesse chegar a janela senti um golpe em minhas costas que me desestabilizou e caí no chão sem folego, antes que pudesse me levantar senti o peso de alguém sobre mim e uma dor insuportável em meu pescoço, dor que não durou muito, foi substituída um torpor e então minha visão escureceu.

Em meio ao caos de meus sentidos indo e voltando, abri levemente os olhos e vi um vampiro aparentemente jovem me olhando enquanto eu agonizava no chão, meu rosto tombou para o lado dando livre acesso ao meu pescoço, e ali vendo meu sangue manchando o chão fui perdendo os sentidos. A breve visão daquele homem no entanto ficaria gravada em minhas lembranças, pois foi o último rosto que vi antes de morrer.