Da corte ao Altar
3 Capítulo 3
Lucy começou a rir como se Anthony houvesse proposto o maior absurdo do mundo e de fato propôs. Deus sabe o que os pais deles fariam acaso o casamento não acontecesse. Diante disso, Lucy começou a rir, pois a alternativa contrária seria terrível.
— Anthony você é tão espirituoso. – e continuou a rir, quando viu que Anthony de fato estava decidido ficou preocupada – está brincando? Nossos pais nos matariam!
— Não podemos deixar que eles decidam nossa vida.
— Nossa vida foi decidida muito antes. Não cabe a nós alterar os planos.
— Só não queria que se sentisse obrigada a se casar comigo.
— Não será difícil. Você é o meu melhor amigo, nascemos um para o outro. Temos a amizade, o respeito, o companheirismo e isso é muito mais que vários casais por ai têm. – Anthony sorriu de lado — Exceto pelo seu gosto de chá, diria que é o homem perfeito.
— Você tinha que encontrar um defeito.
— Jura? Você coloca creme, leite, açúcar e mel e no final nem sente o sabor do chá!
— Gosto de combinar os sabores.
— Você como um cidadão inglês é um belo impostor.
— Então vamos fazer um acordo?
— Mais um?
— Seu pai vai apresentá-la, e eu vou cortejá-la.
— Mas isso já estava combinado.
— Vou cortejá-la de verdade, não apenas para as pessoas acreditaram. Quero que se sinta a vontade para escolher quem bem entender para ser seu marido, de forma que pode aceitar convites e ser cortejada por outros homens. Não se sinta pressionada pelo acordo deles, posso resolver isso. Mas até o final da temporada, eu tentarei conquista-la e, se achar que sou merecedor, a tomarei como minha esposa. Como minha esposa de verdade.
— Anthony... Não precisa ter esse trabalho.
— Encare como uma oportunidade de nos conhecermos melhor.
— Sabemos tudo um do outro. Crescemos juntos. Somos amigos.
— Exatamente, amigos. Nós nunca tentamos algo a mais e creio que para se casar precisamos desse algo a mais.
Lucy olhou para o horizonte para refletir e seu silêncio consumiu Anthony. O que ele propunha era de fato interessante. Entretanto Lucy não via como Anthony poderia conquista-la ainda mais. Apesar do acordo de seus pais ela sempre o viu de maneira diferente. Talvez pela expectativa de ser sua esposa, Lucy nutriu sentimentos que não era capaz de explicar por Anthony. Ele deixou claro que não gostaria de se casar por obrigação e a proposta poderia ser um meio de Lucy conquista-lo e não o contrário. Mas assim como ele a deixou livre, ela também o deixaria e faria de tudo para ganhar seu amor.
— Certo, eu aceito. – Anthony deu o mais belo dos sorrisos – Se...
— Tinha que ter um “se”. – ele resmungou.
— Se eu posso ser cortejada por outros homens e assim escolher o certo para ser meu marido, quero que faça o mesmo.
— Não tenho interesse em maridos minha cara Lucy.
— Fico feliz em saber disso, mas há dezenas de mulheres na temporada, certifique-se de que vai escolher a mais adequada para ser a futura condessa.
— Não quero uma condessa Lucy, só quero alguém que me ame como eu sou. Sem interesses ou fingimentos, um amor sólido e recíproco. É pedir demais?
— Não Anthony, não é. – ela esticou a mão para ele – Temos um acordo?
— Que tal firmá-lo com uma dança?
— A segunda da noite?
— A segunda da noite – afirmou Anthony pegando sua mão.
Anthony sabia que esse era um jogo muito perigoso, afinal Lucy poderia correr o risco de se apaixonar por outra pessoa. Ele poderia muito bem apenas se casar com ela e tentar conquista-la depois. Mas ele não suportaria viver sobre o mesmo teto com ela se ela não sentisse o mínimo de afeto por ele. Anthony tinha a sensação de que ao menos o respeito e admiração de Lucy tinha ganhado, pois quando voltaram para o salão e ele a tirou para dançar ela estava simplesmente radiante.
Lucy havia concedido a ele o melhor dos sorrisos e Anthony se sentia grato. Na segunda dança eles se olharam profundamente, como se de fato firmassem o acordo. Olhando os olhos cor de mel de Anthony, Lucy teve certeza de que com corte ou sem corte, aquele homem seria seu marido ao passo que ele, conforme segurava a mão enluvada de Lucy e a conduzia pelo salão de acordo com o ritmo da valsa, soube que a oportunidade que ele tinha de fazer Lucy se apaixonar havia chegado.
De acordo com os costumes, eles não poderiam dançar juntos mais uma vez. Uma terceira dança com o mesmo parceiro significava que de fato havia um compromisso entre eles e como Lucy ainda não foi apresentada a sociedade isso seria motivo de fuxicos e especulações. Sendo assim, Lucy se juntou as amigas que já desfrutavam dos prazeres da temporada após a dança, mas apesar de tentar parecer interessada na conversa das amigas não conseguia tirar os olhos de Anthony que conversava animadamente com o príncipe.
— Acho melhor você ir embora Penélope – disse Alina Albuquerque, irmã de Penélope. – A mancha em seu vestido está chamando muita atenção.
— Todos viram que foi um acidente, não perderei o baile por tal motivo. – respondeu a pobre Penélope.
— Desse jeito não irá atrair nenhum rapaz para fazer sua corte.
— Bem, prefiro que alguém se interesse por mim por minha personalidade e não pelos meus trajes.
— Não está dando muito certo cara irmã. – disse Alina azeda – está sentada na roda das viúvas e solteironas e não recebeu um único convite para dançar.
— Estou confortável aqui. Estamos não é mesmo Lucy?
— Decerto que sim – Lucy respondeu no automático observando Anthony gargalhar e jogar a cabeça para trás.
— O que houve com você? – Penélope perguntou. – parece perdida.
— Ela está observando os homens mais bonitos da festa. – Alina disse – Sua Alteza Real Príncipe George, Lorde Anthony St. Clair e o Capitão Leonardo Stelback. De fato é uma visão bem melhor que sua saia manchada cara irmã.
— Não estava olhando para eles – Lucy respondeu olhando seu ponche – e a mancha em seu vestido não esta tão grande Penélope.
— Eu não a julgo – Alina se defendeu – As oportunidades de melhores casamento estão naquele trio. É a chance de se tornar uma princesa, uma condessa ou a esposa um capitão do exército. Pense nas riquezas e na fortuna que uma mulher teria ao se casar com qualquer um deles.
— Ser a esposa do capitão deve ser muito solitário.
— Quem precisa de companhia quando se tem joias? – Alina respondeu. – Mas a verdade é que dos três ele é o menos bonito. O príncipe nunca demonstrou interesse por nenhuma mulher, não sei se realmente gosta de uma.
— Ele é o príncipe, não pode manifestar qualquer tipo de interesse seja lá em quem for. – Penélope disse. – e de qualquer forma, deve-se casar para firmar algum tipo de acordo entre as nações. Ouvi dizer que a princesa da França é uma forte candidata a ser a esposa dele em uma aliança que poria fim às guerras.
— Com isso resta Anthony – disse Alina o observando dos pés à cabeça.
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