Da corte ao Altar
4 Capítulo 4
— Não creio que você seja o tipo de Anthony – disse Lucy enciumada.
— Bem, como você é amiga dele, deve saber por qual tipo de mulher ele mais gosta. Posso ser qualquer uma. Diga-me Lucy, o que ele gosta em uma mulher? – Antes de Lucy responder Alina continuou. – Melhor: diga-me o que ele não gosta. Todas sabemos o que os homens realmente gostam nas mulheres – ela sorriu maliciosa.
— Alina! – Penélope repreendeu.
— Bem, ele não gosta de mulheres oferecidas. – bem nessa hora Anthony olhou para elas e sorriu para Lucy.
— Ora, não é o que parece. Ele sorriu para mim. – Alina deu um tchauzinho e Anthony começou a caminhar na direção das jovens. – Ele está vindo. Tenho certeza que ele me convidará para dançar.
— Senhoritas.
— Milorde. – elas fizeram uma mesura.
— Que agradável noite.
— Perfeita para uma dança – Alina disse, Anthony olhou para Lucy e ela deu de ombros.
— De fato. Uma lástima desperdiçar a noite sem dançar. – Lucy tentou se manter sem expressões pois não queria denunciar o ciúmes que sentia de Alina.
— Senhorita Albuquerque, me concede a honra de uma dança? – Aline estava prestes a responder quando Anthony estendeu a mão para Penélope. O choque foi visível no rosto de Alina e Lucy teve que morder a língua para não rir.
— Eu? Tem certeza? – a pobre Penélope não se dava o crédito.
— Ora, por que não? – Anthony sorriu de lado e Lucy se derreteu com o cavalheirismo dele. Penélope pegou a mão de Anthony e seguiram para o centro onde dançaram e trocaram poucas palavras.
— É óbvio que ele só fez isso por pena – disse Alina.
— É mesmo? Não me parece tão óbvio assim – respondeu Lucy.
— A mancha. Ele sabia que ninguém convidaria Penélope e o fez por pena.
— Ah pelo amor de Deus Alina. – Lucy a abandonou e foi para outro ponto do salão.
Lucy sabia que Alina não fazia por mal. Foi criada assim embora fosse infinitamente diferente de Penélope. Entretanto todos sabiam que as chances de conseguir um casamento mais promissor eram mais favoráveis à Alina. Com a pele branca como a neve e os cabelos louros cacheados, ela impressionava e encantava por sua beleza. Penélope não poderia ser considerada feia, entretanto tinha uns quilinhos a mais, e seu cabelo e olhos pretos tão comuns não a faziam se destacar. Sempre a comparavam com Alina, e Lucy se entristecia muito com isso. Sabia que Penélope só seria vista e reconhecida quando Alina se casasse, mas ela era mais nova que Penélope e ainda não havia sido apresentada, as chances de Penélope ser uma solteirona estavam cada vez maiores.
Anthony, mesmo inconsciente, foi um herói hoje. A forma como tratou Penélope fez Lucy admirá-lo ainda mais. Lucy não era inocente e gostou da forma como Alina foi ignorada por ele. Lucy ficou com a sensação de Anthony fazia aquilo mais por ela do que pela própria Penélope, mas ainda assim ficou feliz pela amiga. Dançar com um St. Clair significava muito na alta sociedade, talvez assim as pessoas começassem a reparar mais em Penélope e Lucy se sentiu muito grata a ele.
Gratidão.
Admiração.
Por que só agora Lucy começaram a reparar nesses sentimentos por Anthony se eles sempre estiveram lá?
Na manhã seguinte quando Lucy desceu para tomar café da manhã viu a agitação de seu pai à mesa enquanto sua mãe ouvia – ou fingia que ouvia – atentamente suas palavras. Geralmente as refeições na Mansão Kress eram silenciosas e ninguém discorria sobre nenhum assunto que não fosse sobre o café de forma que enquanto descia as escadas, Lucy soube que havia algo de muito errado.
— Isso com certeza trará forte impacto em todas as esferas na Inglaterra. O palácio está em polvorosa.
— Logo tão cedo meu pai? – Lucy perguntou ao chegar, sua mãe fez cara feia para seus modos rudes – Bom dia – fez uma mesura se desculpando com a mãe.
— Não sabe o que houve no palácio na madrugada minha querida.
— Então me conte – disse ela se servindo de café.
— Invadiram o palácio ontem à noite e o rei sofreu um atentado.
— Verdade?
— E acaso sou homem de mentir? É verdade minha filha. Aproveitaram que a guarda estava comprometida e o fizeram depois que o Príncipe George chegou ao baile dos Lancaster.
— E o rei está bem?
— Não se sabe ao certo. Às más línguas dizem que ele foi gravemente ferido, mas está vivo. Não se pode confiar em tudo o que dizem, mas até que o palácio divulgue uma nota oficial tudo é valido.
— Pobre rei. E quanto às Princesas e a Rainha?
— Bem, não é novidade para ninguém que a Rainha Stephenie está acamada de gripe. Disseram que ela está com os dias contados, na hora do atentado estava repousando em sua suíte e não sofreu nada. A pequena Princesa Mia estava com ela. Já a Princesa Angelina não estava no palácio, mas ninguém sabe onde ela esteve.
Embora mantivesse uma postura austera e rígida, a verdade é que Nathan Kress, conde de Bragança, adorava um mexerico. Ele sabia de cada coisa que se passava em Londres, seja por sua influência ou por sua habilidade impressionante de cativar e conseguir informações, não havia no reino homem mais sabido que ele. Lucy reconhecia que o pai era um verdadeiro perigo, todavia sabia que isso era de fato determinante para se manter o status que ocupavam.
Enquanto apreciava os ovos e bacon do café da manhã, Lucy imaginou que Anthony estivesse ao lado do príncipe George o auxiliando e prestando apoio. Eles eram amigos de longa data e nunca deixaram que a posição que ocupavam no reino interferisse no relacionamento deles. Lucy admirava essa qualidade em Anthony, ele era o mesmo com todos, não importava se falava com um nobre ou um plebeu.
— Milorde – disse Félix, o mordomo da mansão Kress desde antes de Lucy nascer – o Conde St. Clair está aqui para uma visita.
— Assim tão cedo? – reclamou Anastácia.
— Não existe cedo numa ocasião como está. – disse Nathan ao se levantar.
— Félix – chamou Lucy quando o mordomo ia saindo.
— Sim senhorita.
— Anthony veio também?
— Sim, assim como a condessa, mãe dele. – dito isso, ele se retirou.
— Teremos que ir fazer sala. – disse Anastácia limpando os lábios. – Seu pai vai se enfiar na biblioteca com o conde, não podemos deixa-los sozinhos.
— A senhora permite que eu passeie com Anthony?
— Sua dama de companhia ainda não chegou.
— E se não sairmos da propriedade?
— Sabe que não gosto disso Lucy. Não quero que fique falada.
— Ninguém vai ver, garanto. Podemos ir à estufa.
— E ficar sozinha com um homem? De jeito nenhum.
Lucy não insistiu, sabia o quanto sua mãe era irredutível quanto à etiqueta e aos bons modos e costumes, portanto ela respirou fundo e já se preparava para se levantar e ir até a sala de estar onde ela e sua mãe encontrariam Anthony e sua mãe, Lady Catherine St. Clair. Provavelmente conversariam sobre os preparativos para o casamento dos filhos e na educação de Lucy para se tornar uma condessa. Anthony não gostaria da conversa e daria um jeito de se retirar. Ela já viu esse filme. Em seus 17 anos, aquela cena se repetiu mais vezes que Lucy conseguiria contar. Talvez o ocorrido no palácio mude o assunto entre as condessas, essa era a esperança de Lucy.
Entretanto, quando chegaram à sala de estar, Félix informou que as condessas eram aguardadas na biblioteca para conversarem com seus maridos, de forma que inesperadamente, Lucy e Anthony ficaram a sós, obviamente com a porta aberta.
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