O destino estava traçado e o caminho era claro. Uma união entre os Kress e os St. Clair mudaria toda a estrutura de governo da Inglaterra e ninguém, abaixo do rei, teria tantos poderes quanto eles. Um pena que nem Lucy nem Anthony pensavam nisso. Ambos aspiravam outras coisas. Anthony fez um acordo com o pai de que só aceitaria o casamento na condição de que a união com Lucy não fosse estabelecida apenas por interesses políticos.

Entretanto, Anthony era o melhor amigo do Príncipe Max e o mesmo já havia confidenciado que assim que assumisse como rei da Inglaterra teria Anthony como um de seus conselheiros. De fato no futuro ninguém teria tantos poderes como eles. Anthony em breve partiria para a universidade e Lucy se dedicaria aos estudos para se tornar uma condessa respeitável, o que na humilde opinião de Anthony era desnecessário. Ela já tinha todo o necessário para ser a mais bela condessa que existiu na história da Inglaterra. Quando ele regressasse, eles se casariam, selando por fim o acordo que foi firmado por seus pais.

Quando se sentou no banco de madeira a espera de Lucy, Anthony pensava em como tudo aquilo era injusto. Eles nunca tiveram a oportunidade de fugir desse acordo. Nunca tiveram a oportunidade de realmente participarem da temporada e viver toda a magia da corte.

Isso para um homem era totalmente dispensável, a maioria deles odiava a temporada. Mas era em Lucy que ele pensava. Ele nasceu e foi criado para aquela mulher, nunca disse que a amava como mulher pois nunca a teve dessa forma, mas como uma companheira, parceira de vida, uma melhor amiga e fiel confidente... Puxa, amava Lucy com todas as suas forças. Foi com base nisso que decidiu ter com ela uma conversa séria.

Seus pais já eram muito ricos, não precisavam comprometer todo o destino deles para ampliar suas riquezas. Anthony abominava a ganancia e tinha Lucy em grande estima de forma que estava convicto de que o melhor a se fazer era deixa-la livre para fazer suas escolhas. Quando Lucy surgiu na escuridão, iluminada apenas pela luz do luar, seu coração se apertou com a decisão que havia tomado. Seria muito fácil amar e ser marido de uma mulher como ela. Mas ele sabia que amar também era dar liberdade e ele devia isso a ela.

— Não podemos demorar. – Lucy disse – Lady Bennet acaba de derrubar seu ponche na Srta. Albuquerque.

— Qual delas?

— Penélope.

— Meu Deus, ela deve estar surtando – Anthony revirou os olhos – Adoraria ver essa cena.

— Ela é uma boa pessoa, no fundo.

— Bem no fundo – Lucy se sentou ao lado dele.

— Aqui estou. Você me pareceu preocupado lá dentro. Aconteceu alguma coisa?

— Sim. Fui aprovado na Universidade. Viajo em seis meses.

— Ah, puxa Anthony – ela pulou ao lado dele e envolveu seu pescoço em um abraço apertado – estou tão feliz por você. Tenho certeza que vai obter muito êxito na universidade.

— Espero que sim. – ela tentou se afastar, mas Anthony manteve os braços dela ao volta dele. O perfume de flor de lis que ele aprendeu a gostar o deixou absorto.

— Você sabe o que vem agora?

— Muito estudo e um futuro brilhante pela frente. – Lucy sabia a que ele se referia, mas preferiu focar na novidade a ter que encarar o destino que tinha pela frente.

— Você tem tanta fé em mim – Anthony deixou que ela se afastasse com um suspiro.

— E não era pra ter? Você é incrível. Seu pai deve estar muito orgulhoso.

— Ah ele está – disse ele se lembrando de que o pai havia dito que a universidade apenas atrasaria o casamento e isso poderia atrapalhar os planos dele.

— Tem mais alguma coisa né?! Você não me engana.

— Alguém no mundo consegue enganar você?

— Não – Lucy sorriu orgulhosa.

— Em breve seu pai deve apresenta-la a sociedade, eu vou cortejá-la e dentro de algumas semanas propor casamento. Mas não acho que isso seja justo conosco.

— Mas é o que devemos fazer.

— Não posso me casar com você e deixa-la em Londres por dois anos Lucy. Não poderá me acompanhar e vai ficar muito sozinha.

— Ah. – Lucy refletiu. – O que sugere? Adiar os planos de nossos pais?

— Não pode ficar dois anos recusando pedidos que certamente receberá para ser chamada de solteirona no futuro.

— Eu não me importo com isso, e de qualquer forma, vamos nos casar então vai ficar tudo bem – ela sorriu.

— É isso que você quer Lucy?

— Como assim? Não estou te entendendo.

— Você realmente quer se casar comigo? – Anthony perguntou, mas teve medo da resposta. Lucy vacilou um sorriso.

— Você não quer?

— Eu perguntei primeiro.

— Aonde está o seu cavalheirismo Sr. St. Clair? – ela brincou.

— Eu quero, mas só se você quiser. Eu tenho pensado e cheguei à conclusão que nós não podemos ser obrigados a cumprir um acordo que não fizemos. Estamos falando de uma coisa muito séria, é uma vida a ser construída, juntos. – Anthony desenhou círculos no punho coberto pela luva de Lucy e ela tentou se concentrar mais no que ele falava do que no que ela sentia com o toque. – Não sei se gostaria de me casar por obrigação. – Lucy retirou o punho de suas mãos. – Não me entenda mal.

— Como quer que eu entenda? Você está me rejeitando.

— Não. Eu jamais faria isso. Acho que não me expressei direito.

— Acho melhor eu entrar e ver se Penélope está bem.

— Quem se importa com Penélope? Você quer fugir – Lucy odiava quando Anthony era direto assim.

— Muita presunção da sua parte pensar que sabe o que eu quero não acha?

— Desculpe-me, não foi minha intenção ofendê-la. Posso tentar explica-la de outra forma? – ela assentiu – Você é uma mulher admirável, qualquer homem do mundo que tenha a honra de toma-la como esposa não precisará de mais nenhuma riqueza – ela corou e isso deu confiança para Anthony continuar – mas você merece se casar por amor, com alguém que te ame e te valorize, e que você considere digno o suficiente para merecer seu amor. Eu não estou certo se estou nessa posição. Não sei se mereço tamanha honra.

— Você também merece o mesmo. Mas não podemos quebrar o acordo de nossos pais. E pra ser sincera, passei toda a minha vida acreditando que ia me casar com você, nunca pensei em como seria se não nos casássemos.

— Eu também nunca pensei. Mas deveríamos ter opções. Oportunidades.

— O que sugere?

— Sugiro não cumprir o acordo.