Da Penitência Ao Amor
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Capítulo 11
Dean estava voltando para o Burke. Ele havia ido ao High School que ficava na cidade vizinha para matricular Amy. Embora a diretora tenha negado a vaga pois as provas iriam começar em três dias o que resultaria no atraso da jovem. Dean percebeu que a mulher por volta dos quarenta anos não levava aliança na mão esquerda e como bom aproveitador de oportunidades que era, não foi difícil usar seu charme para convencer a diretora de que Amy era inteligente e aplicada o suficiente para completar as tarefas e não tirar notas ruins.
Ele estava ansioso para voltar antes que Castiel acordasse no entanto preferiu parar na lanchonete para comprar a torta que o pequeno gostava. Dean caminhava pelo estacionamento quando lembrou de poucos minutos atrás, quando ainda estava na sala da diretora, era interessante lembrar que apesar da idade a mulher havia corada e gaguejado como uma colegial em seu primeiro flerte. No entanto isso o fez perceber que sua filha estava na idade dos namoricos e isso o fez ranger os dentes, nem por cima do seu cadáver alguém iria flertar com Amy, sua filha iria ser como Sam e só estudar para sua formação e se seus planos dessem certo, com trinta anos ela conheceria um bom homem com quem casaria ou melhor ela viraria freira e nunca se aproximaria de um cara, sim com certeza essa era a melhor opção.
– Em que posso ajuda-lo senhor? – Perguntou a jovem atendente. Dean já estava pronta para dar uma de suas infames cantadas quando olhou para a pequena garota de olhos azuis e embora não soubesse o motivo algo o fez recuar.
– Duas tortas, uma de maçã e outra de mirtilo. – Ele sorriu gentil.
A moça logo trouxe seu pedido e em pouco mais de quinze minutos ele já estava entrando no Burke. Para a surpresa de Dean, a maior parte dos moradores já estavam acordados e reunidos na sala de estar.
– Que foi? – Ele perguntou quando percebeu a tensão instalada no cômodo.
– Adam acordou com lembranças de sua vida antes da jaula. – Respondeu Sam.
– O que você lembra? – O mais velho Winchester perguntou enquanto deixava a sacola em cima da mesa de centro.
– Acredito que de tudo mas principalmente sobre Lizzie – Adam respondeu, ele estava sentado no sofá entre Michael e Lúcifer.
– Quem? – Dean perguntou.
– Elisabeth...
– Cara eu sinto muito, se ela era sua namorada, mas já passaram cinco anos – Dean logo interrompeu.
– Seria bom se você me deixasse falar. – Retrucou o mais jovem. – Elisabeth é minha tia.
Dean já ia voltar a falar mas Adam preferiu explicar tudo antes que seu irmão continuasse sua inquisição.
– Quando minha vó descobriu sobre a gravidez de minha mãe, ela a expulsou de casa pois não queria em seu teto um “fruto do pecado”. Somente quando eu tinha dezessete anos que conheci minha vó, pois a mesma estava doente e queria nos ver – Adam estava tenso ao contar sua história – Ela estava criando uma menina de mais de doze anos. Lizzie viveu com minha avó depois que a mãe morreu no parto.
Adam olhou para seus irmãos enquanto pensava em como falar aquilo para eles.
– Minha vó tinha câncer e não tinha muito tempo de vida, ela fez tratamento nos anos que seguiram mas um mês antes... – Ele mal podia pensar naquilo. – Minha mãe e eu... Nós...
– Tudo bem Adam. Não precisa falar. – disse Sam de seu lugar.
– Lizzie precisa de mim – O garoto acrescentou – Preciso busca-la.
– Cara sua tia deve estar bem...
– Você não entende. – Adam interrompeu Dean. – Lizzie é deficiente visual.
– Olha Adam, eu entendo que você esteja preocupado. – Disse Sam. – Mas ter qualquer tipo de deficiência não impede ninguém de viver.
– Sei disso... Mas minha vó não a criou para ser independente. – O Winchester mais jovem adicionou. – Ela nunca nem estudou em uma escola, minha vó a ensinava em casa.
– Balls! – Bobby exclamou.
– Precisamos busca-la – Disse Sam.
– Você tem ideia de onde ela possa estar? – Perguntou Bobby.
– Isso eu posso responder – Intrometeu-se Raphael aparecendo quase em cima de Sam e ganhando um arquear de sobrancelha da parte de Gabe. — Pai disse-me que a jovem está morando numa igreja católica em Wilder, Minnesota. – O Arcanjo disse e logo em seguida desapareceu.
– Parece que você perdeu seu posto de garota de recados irmã! – Lúcifer olhava debochadamente para Gabe.
Uma hora havia passado quando enfim foi decidido quem iria para Minnesota encontrar Elisabeth. Era obvio que Dean havia reclamado sobre o plano, mas cuidar de Castiel e Amy o tornava impossibilitado de ir, o que deixou para Sam o dever de acompanhar Adam e Michael, já que Bobby preferiu ficar e Lúcifer se recusou a sair do Burke.
– Tem certeza que não nos acompanhará irmão? – Michael já havia feito esta pergunta a Lúcifer diversas vezes.
– De jeito nenhum que vou sair daqui e usar uma invenção idealizada por um “ser humano” – Retrucou a MorningStar.
– Serio Luci! – Gabe disse exasperado – Andar de carro não vai mata-lo.
– Estou ciente disso – disse Lúcifer – Mas não tenho motivos para estar fazendo isso ou qualquer outra coisa que não queira.
– Pronto – Adam anunciou quando surgiu na sala.
– Ótimo, estarei levando Sam, para que Mike possa levar Adam sem problemas! – Dizendo isso Gabriel estalou os dedos e desapareceu junto ao seu encargo.
– Irmão...
– Nos vemos em breve! – Lúcifer disse interrompendo mais uma das insistências de Michael.
Vendo que seu irmão não mudaria de ideia Michael segurou o ombro de Adam e sumiu, assim que se viu sozinho na sala o Arcanjo Caído sorriu, voltou-se para a televisão e continuou a assistir o filme que chamava-se O Advogado do Diabo.
Num dos quartos do Burke Dean estava sentado numa cadeira de frente para a cama em que Castiel repousava. O pequeno anjo dormia por quase dezoito horas e Dean começava a se preocupar em como seria sua reação quando ao acordar descobrir que havia envelhecido quatro anos.
– Pai? – Amy chamou – Charlie está fazendo o almoço, o senhor prefere macarrão com queijo ou ao molho branco?
Dean levantou e passou a mão nos cabelos de Castiel antes de sorrir para sua filha.
– Tenho certeza que o de queijo é melhor mas que tal irmos ver como Charlie faz o molho branco? – O Winchester abraçou Amy enquanto iam para a cozinha.
– Claro pai eu vou adorar! – Disse a garota sorrindo para a nova rotina familiar que sempre foi seu sonho.
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