Da Penitência Ao Amor
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Capítulo 12
Sam ainda sentia-se tonto quando Michael e Adam apareceram. Seu irmão estava cambaleante, pelo visto até no voo os Arcanjos eram diferentes. Sam apoiou Adam pois o mesmo parecia a ponto de desmaiar.
– Pronto, já vai passar. – O Winchester sussurrou para o mais novo enquanto fazia círculos suaves em sua costa.
– Obrigado. – Adam falou baixinho enquanto sorria.
O Winchester olhou ao redor tentando se localizar, eles haviam surgido próximo a saída da cidade, a única coisa visível desta distancia eram as torres da igreja e o teto alto do posto de gasolina na esquina da rua em que estavam.
– Estou indo buscar o carro – Avisou Gabe já desaparecendo.
– Nunca vou me acostumar com isso. – Disse Adam olhando para o local onde o Trickster estava.
– Não é só você, Dean até hoje reclama do transporte anjo. – Sam falou sorrindo.
– Posso entender o porquê dele não gos... – Antes que Adam completasse sua sentença uma música estupidamente alta foi ouvida e logo em seguida Gabe apareceu num New Bettle numa cor verde berrante.
– Serio Gabe? – Sam não sabia o que era pior; a música pop ou o carro. – Dean teria uma sincope se visse isso.
– Não finja que meu carro te desagrada e entra logo aqui – Disse Gabe enquanto baixava os óculos escuros e o analisava descaradamente. Sam sentiu as bochechas corarem mas mesmo assim jogou a mochila no porta malas aberto e sentou-se no carona enquanto Adam e Michael foram para os bancos traseiros.
– Cara é impossível um carro desse tão pequeno não me deixar imprensado– Reclamou Sam. – Como minhas pernas cabem aqui? Tem algo de mojo anjo por que minha cabeça nem encosta no teto. O que você fez aqui?
– ah isso! Eu fiz umas modificações depois de assistir Harry Potter – Disse Gabe ostentando um enorme sorriso. – Sabia que você ia gostar!
– É realmente legal — Sam disse — Não imaginei que fosse possível este tipo de manipulação através de sua graça.
– E não é – retrucou Gabe. – Esta é uma mistura do meu dom pagão e minha graça. Assim eu pude criar essa belezinha.
– Acredito que nosso Pai o havia proibido de usar esses truques – Falou Michael.
– Toda ordem tem uma brecha irmão. – Disse o Trickster – Pai disse que eu não podia mais fazer nada pagão mas ele não falou nada das coisas já feitas.
– Faz sentido – intrometeu-se Adam.
– Está vendo Sammy- boy? Um Winchester que me entende. – Disse Gabe enquanto estacionava o carro na frente da igreja central. – Chegamos, espero que você saiba o que fazer, ele disse olhando o mais novo.
Adam olhou para o sino no alto da torre, seu coração apertou com a perspectiva de ver Elisabeth. Afinal fora seus dois meios irmãos ela era a única família que ele tinha. Tomando uma longa respiração ele abriu a porta e saiu do carro sendo logo seguido pelos demais ocupantes do veículo.
Sam deixou Adam e Michael irem na frente enquanto ele esperava Gabe sair do carro. Ele negaria solenemente se fosse preciso, mas a verdade é que não conseguia tirar os olhos do Trickster, tinha algo que estava sendo difícil de identificar mas que prendia sua atenção. No começo achava que era apenas a curiosidade de vê-lo num navio diferente, depois achou que era pela proximidade que os envolvia devido a presença dos filhos de Gabe mas agora enquanto analisava as pernas torneadas que o macacão jeans deixava à mostra, Sam não tinha tanta certeza.
– Sempre imaginei que o Dean era o descarado da família – Disse Gabe enquanto passava por Sam. – Estou começando a duvidar.
Sam estava constrangido por ter sido pego mas mesmo assim o acompanhou.
Já havia passado duas horas de uma conversa tensa entre Adam e a Madre superior quando o Pároco da igreja chegou. Era um homem idoso com um sorriso amistoso que logo cuidou de acalmar os ânimos dos presentes.
– Senhor Milligan, espero que entenda nossa situação. – Começou o idoso. – Elisabeth já está conosco a quatro anos e é difícil para todos que após esse tempo um familiar enfim tenha vindo por ela. Quando Rosalie faleceu nós tentamos entrar em contato com sua mãe e você mas a única coisa que soubemos foi sobre o desaparecimento de ambos.
– Minha mãe nunca foi encontrada e eu não consegui continuar sem ela depois disso. – Adam começou a repetir a mentira que ensaiaram. – Foi somente quando encontrei meus meios irmãos que consegui me estabilizar e voltar a ter uma vida estruturada.
– Eu entendo que a sua situação foi muito complicada. – Disse o padre. – Mas Elisabeth precisa de apoio emocional e estabilidade pois é de seu conhecimento que sua educação e desenvolvimento foi bastante abalado pela criação que recebeu.
– Eu sei que foi difícil para minha vó cuidar de um bebê sozinha. – Acrescentou Adam. — Mas acredito que meus irmãos e eu podemos cuidar de Elisabeth com a atenção que ela merece.
– Elisabeth aprendeu muito na congregação, hoje ela faz parte do coral. –Disse o sorridente padre. – Aprendeu a bordar e cozinhar com as nossas freiras, suas qualificações evoluíram muito nesses quatro anos, ela já não é mais uma criança por isso precisa ser inserida corretamente na sua rotina.
– Eu entendo suas preocupações mas acredito que o lugar dela é com a família.
– Claro mas acredito que isso seja escolha dela, por isso mesmo contra a vontade da irmã Claire eu quero que você e sua tia possam conversar. – O padre disse cautelosamente enquanto se levantava. – Espere aqui enquanto mando chama-la.
Adam estava muito nervoso, já havia passado seis anos que ele não via sua tia e sua tensão só aumentava já que além de tudo o padre pediu para que Sam e Michael saíssem da sala para que eles pudessem conversar em particular. Era angustiante para o Winchester mais novo não ter a presença calmante do arcanjo com a qual ele estava ligado.
O som fraco de batidas na porta levou seus olhos diretamente para a jovem que estava parada na mesma. Ele reconheceria os olhos azuis de Lizzie em qualquer lugar mesmo que ela agora fosse uma mulher crescida, o tom fosco de seus olhos nunca passaria despercebidos para ele.
– Lizzie. – Adam sussurrou e ao ouvir sua voz a jovem começou a chorar convulsivamente fazendo com que ele se levantasse e a envolvesse num abraço apertado. – Eu sinto muito... Sinto muito... Não quis te deixar... Eu não pude ficar.
Durante vários minutos ambos choraram abraçados, Elisabeth tateava seu rosto com uma mão e segurava em sua camisa firmemente com a outra.
– Graças a Deus... Eu quase não acreditei... Pensei que estava sozinha no mundo. – A jovem balbuciava.
– Xii... Eu estou aqui. – Adam dizia enquanto passava a mão pelos cabelos cor de mogno de sua tia. – Eu nunca mais vou te deixar.
– Tive tanto medo... Primeiro você e Kate sumiram, depois... Mamãe se foi.... – Elisabeth soluçava em meio as palavras.
– Já passou. – Adam a puxou delicadamente para uma cadeira. – Você nunca mais vai ficar só, Eu prometo!
Adam passou as próximas horas contando a sua tia a história que Bobby e Sam haviam criado para explicar seu desaparecimento, e por mais que odiasse mentir assim para Elisabeth, ele sabia que seria melhor para ela nunca saber sobre os anjos ou qualquer coisa sobrenatural.
– Vim para que você soubesse que eu estava vivo e bem. – Adam acrescentou. – Mas eu também vim porque queria que você fosse viver em Kansas comigo e com meus irmãos.
– Eu... não sei... É tudo tão repentino.
– Quero que você pense sobre isso, analise suas opções já que a Madre superior disse que você iria fazer os votos eu não quero te impedir de nada mas gostaria que você pensasse muito, depois decida e me avise pois eu e meu irmão estamos com mais dois amigos aqui e só iremos embora quando você decidir.
– Obrigada Adam. – A garota apertou as mãos de seu sobrinho. – Eu quero muito ficar com você mas eu preciso pensar no que eu realmente quero para poder dizer.
– Tudo bem Lizzie, este aqui é o número do meu celular – Ele puxou o cartão do bolso. – Quero que ligue quando decidir.
– Obrigada.
– Eu preciso ir, mas estarei esperando por sua resposta. – Ele deu um beijo em sua testa e saiu.
Adam ficou surpreso quando na manhã seguinte o Pároco ligou afirmando que Elisabeth havia decidido ir embora com sua família. Adam ficou exultante em saber que sua tia iria viver com eles. Claro que a tensão também era grande afinal todos no Burker teriam que ter cuidado com o que falavam ou faziam na presença da jovem.
– Até que enfim! Eu não aguentava mais ficar sem fazer nada. – Reclamou Gabe.
– Do que estais reclamando? – Perguntou Michael. – Quase não ficou conosco.
– Não se preocupe. – Sam disse de onde estava arrumando sua mochila. – Isso é só drama.
– Você magoa meus sentimentos com este desprezo Sammy. – Disse Gabe.
– Tenho certeza que você sobrevive. – O mais alto disse para o arcanjo e logo em seguida olhou seu irmão. – Já estamos prontos e você?
– Pronto, um pouco ansioso mas tudo bem. – Adam disse.
– Vai dar tudo certo não se preocupe.
– Obrigada irmão.
A viagem de volta ao Kansas seria de quatorze horas mas com Gabe no volante Sam acreditava que seria bem menos, o problema era que tanto Adam quanto Elisabeth não tinham o costume de passar horas sentado num carro e isso acreditava Sam com certeza os obrigaria a passar a noite em um hotel na estrada. O que o Winchester não contava é que Gabe não tinha muita paciência para esperar.
– Tem um restaurante a alguns quilômetros à frente e como são quase 20:00 h, acho que seria uma boa que parássemos. – Disse Sam.
– Como quiser. – Gabe estava no limite do mau humor.
Quando o jantar havia terminado e todos cinco voltavam para o carro Gabe pôs seu plano em pratica ao parar na frente de Lizzie e tocando sua testa para fazê-la dormir.
– Perdeu o juízo de vez? – Reclamou Sam ao aparar Elisabeth.
– Você quer perder mais tempo na estrada sendo que posso dirigir durante toda noite fazendo que cheguemos antes das cinco da manhã.
– E como diabos vamos explicar para ela o surto súbito de sono? – Perguntou Adam.
– Eu altero esses poucos minutos e faço ela acreditar que dormiu depois que entrou no carro. – Respondeu Gabe.
– Será que você podia fazer o mesmo por mim? – Adam pediu timidamente. – Eu nunca passei tantas horas num carro.
– Não fique preocupado eu mesmo faço isso. – Disse Michael já tocando na testa do mais jovem, e amparando-o quando o mesmo dormiu.
Sam olhou para os lados tentando verificar se alguém os tinha visto.
– Pronto Sammy agora seremos só você e eu.
– Não me chame de Sammy e depois seu irmão está aqui e ele não dorme. – Sam disse e logo em seguida gargalhou ao ver o olhar decepcionado de Gabe.
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