Da água para o champanhe! Sim! Champanhe!
4 Pré-Festa
Acordo do sonho toda suada e com fadiga, ao olhar em volta percebo que estou no meu quarto e que já está escuro lá fora, como vim parar aqui? Como se algo quisesse me responder, vejo o bilhete do meu pai.
'' Não se assuste querida, fui eu que te levou para o quarto, acho que dormir é mais confortável na cama não é mesmo, pode fazer o que bem entender, essa casa também é sua agora, sempre foi...
Pai te ama, bjs
Sr. Pedro''
Bom agora eu sei como vim parar aqui, resolvo tomar uma chuveirada e colocar meu pijama, meu sono sumiu, e são 02h05min da manhã então resolvo descer. Desço até a cozinha para tomar água com açúcar, achar o copo e a água foi fácil, mas cadê o açúcar? Procuro um pouco mais está difícil estou quase desistindo quando levo um susto ao ver meu pai em pé na porta da cozinha.
— Ai que susto pai! – Ele sorri
— Procurando algo?
— Sim o açúcar! – Ele vai até um armário e pega um pote de prata.
— Aqui! – E me entrega, faço minha água e tomo aos poucos – Aconteceu alguma coisa?
— Um sonho ruim – Diz sem mais detalhes.
— Quer falar sobre isso?
— Não pai obrigado, já estou me sentindo melhor, te vejo amanhã, boa noite.
— Boa noite querida – Ele beija minha testa e eu volto para o quarto.
Jogo-me na cama e o cansaço da viagem começa a tomar conta de mim, e o sono junto, só espero que não volte a ter sonhos como aqueles, pesadelos na verdade né, mas acabo caindo no sono assim mesmo, mas para minha sorte não tive mais sonho nenhum.
*.*.*
Toc, toc, toc, aí quero levantar agora não, toc, toc, toc, affs.
— Entra! – Grito totalmente de má vontade, era Rosana afinal.
— Bom dia Suzi – Ela sorri de orelha a orelha pelo visto o dia deve estar bom mesmo pra me acordar assim.
— Há, há, há, não é bom dia – Viro pro outro lado, tampo o rosto e tento voltar a dormi, mas Rosa e insistente vai até as cortinas e abre-as, a claridade rapidamente preenche o quarto.
— Vamos Suzi o dia está lindo, olha que é raro por aqui e seu pai espera pro café.
— Está bem Rosa você venceu – Levanto estico meu corpo que chaga a estalar — Bem só irei me arrumar pode ser?
— É claro, te esperarei aqui! – Nossa ela realmente é insistente.
Vou tomar um banho pra acordar, decido por uma roupa mais simples, um short jeans rasgado com uma regata rosa e chinelos, tinha resolvido não molhar o cabelo para ficar mais fácil de pentear. Quando volto pro quarto, Rosana já tinha arrumado minha roupa de cama, coisa que eu sempre faço.
— Vou ficar mal-acostumada Rosa, eu sei dobrar uma roupa de cama, eu posso fazer isso! – Isso está ficando ridículo já, daqui a pouco vão me chamar de patricinha mimada pelo papai rico.
— Eu sei que pode Suzi, mas um dos meus trabalhos é fazer isso, é ti mimar mesmo, ninguém está e julgando por isso.
— Você podia me deixar arrumar meu quarto pelo menos.
— Não senhora, eu concordei com o nome aí já é demais.
— Está bem, mas só por enquanto – Nunca me dou por vencida.
— Quer ajuda com o cabelo? – Ninguém nunca penteou meu cabelo além de mim, mas me parecia uma boa ideia já que ele estava muito grande.
— Quero sim.
Sentei-me na cadeira enquanto Rosana penteava meu cabelo, é uma sensação muito boa ter alguém mexendo no seu cabelo, após uns minutos Rosa termina.
— Está pronto – Ela sorri – Não pretende cortá-lo não né?
— Só as ponta, mas corto só as pontas, gosto dele grande – Meu cabelo é castanho liso que vai até minhas nádegas.
— Então vamos descer porque seu pai está esperando – Concordo.
Desci atrás de Rosa que foi fazer alguma coisa então segui para a cozinha onde tinha uma mesa posta que mais parecia uma padaria ambulante porque tinha de tudo, tudo mesmo (tortas, torradas, pães de tudo que é tipo, chá, café, suco, biscoitos, simplesmente tudo), meu pai já estava sentado à minha espera.
— Bom dia querida – Ele sorri ao me ver – Dormiu bem?
— Bom dia pai, dormi sim e o senhor?
— Bem! Vamos comer?
— Mais é claro.
Comi muita coisa, nem eu sei como eu me mantenho em forma sem muito esforço, talvez eu seja a típica '' Magra de ruim'' bem é o que dizem por aí.
— Querida antes que eu esqueça novamente, a gerente de uma das lojas da Victoria Secrets irá trazer pra você os mais novos modelos de biquíni para você escolher.
— Mas – Essa não entendi – Pra que?
— E que eu me esqueci de avisar ontem, estava tão feliz que acabei esquecendo, mas bem irei dá uma festa na piscina aproveitar o tempo bom, uma festa de boas-vindas pra você – Ele diz todo empolgado, mas a ideia de ser na piscina não me agradou.
— Há pai é que...
— Filha você me prometeu, isso aqui não é nada, é para comemorar sua volta, tem muita gente feliz com isso, muita gente querendo te conhecer – Não queria quebrar o barato do meu pai, então vamos comemorar, mas é claro sem eu entrar na piscina.
— Está bem pai, vamos comemorar.
— Obrigado querida.
Logo após a campainha toca, mas provavelmente alguém já atendeu, e não deu outra Rosa já aparece.
— Sr. Guilbirti licença a Sra. Coutrin chegou.
— Leve ela ao quarto de Suzanne.
— Sim Sr. – E Rosa desaparece.
— Querida pode escolher o que quiser não se importe.
— Está bem pai – Acho meio duvidoso mais uma omissão não mata ninguém — Licença.
Subo para meu quarto, onde Rosana e uma Senhora de meia idade estão à minha espera, o clima entre as duas parece bastante tenso, sinto rancor no ar, assim que a Senhora me vê ela vem ao meu encontro e estende a mão onde eu a comprimento.
— Bom dia Srta. Guilbirti, sou Ana Coutrin, é um prazer está aqui – Essa mulher me parece bastante falsa.
— Bom dia – Respondo sem muita delonga.
— Suzanne se precisar de mim estarei lá em baixo é só chamar. – Eu sou horrível em tomar decisão sozinha.
— Fica Rosa, preciso de sua ajuda, te imploro – Rosa é jovem e parece ter bom gosto.
— Está bem então – Rosa se senta em uma das cadeiras no canto do quarto e observa.
— Bem – A Sra. Coutrin chama minha atenção – Eu trouxe as melhores peças da Victoria Secrets, tenho uns modelos exclusivos de nossa estilista para você – Ela estende vários modelos pela cama.
Observo todos nos mínimos detalhes, mas acabo em dúvida sobre cinco biquínis, o primeiro era branco tomara que caia com franja, o segundo tomara que caia preto com correntes douradas, o terceiro um maiô vermelho aberto com rendas brancas, o quarto um maiô branco com detalhes rasgados e o quinto era um biquíni vermelho de alça com laço muito bonitinho do lado.
— Gostei desses aqui – Separei eles em um canto.
— Realmente são muito lindos – Rosana concorda comigo.
— Só não sei qual escolher! – A dúvida estava me matando.
— Que tal todos? – Meu pai aparece na porta me dando um susto.
— Mas... – Meu pai adora me interromper, ele é louco esses biquínis são muito caros.
— Sem discutir mocinha! – Ele sorri – Posso me juntar a vocês?
— É claro.
Com a ajuda do meu pai e de Rosa escolhemos as cangas e saídas de praia foi super fácil e logo fechamos a compra.
— Fez ótimas escolhas Srta. Guilbirti, esses modelos são únicos sei que nossa estilista ficara contente por você ter os adquiridos – A vendedora diz.
— Eu sei que fiz – Sou simples e objetiva.
Meu pai paga a Sra. Coutrin e a guia até a saída, assim que ela se vai e Rosa guarda as compras. Mesmo eu pedindo para fazer isso.
— Já escolheu qual você vai usar? – Rosa me pergunta.
— Pior que não – Realmente não fazia ideia de qual usar.
— Que tal o branco, ele realça sua cor e seu corpo.
— Eu não acho – Pra mim eu tenho um corpo normal de toda brasileira.
— Vou te contar um segredo, as mulheres daqui morremos de inveja das brasileiras, você vai fazer maior sucesso por aqui acredite em mim, você tem belas curvas, um cabelo de dar inveja, é jovem, tem tudo pra bombar, você é linda acredite nisso – Fico totalmente sem graça no meio de tantos elogios.
— É... Obrigado – Foi à única coisa que saiu, mas algo está incomodando Rosa e eu tenho quase certeza de que foi a presença daquela mulher – O que foi Rosa?
— Não é nada não – Ela diz sem muita convicção.
— Você está muito estranha desde que aquela mulher chegou. Aconteceu alguma coisa?
— Não, eu apenas não gosto dela – Bem tenho que concorda.
— Vou te dizer também não, ela me parece ser muito falsa – Normalmente nunca me engano – Mas por que você não gosta dela?
— Um dia você saberá, agora vamos seu pai deve estar esperando.
Descemos em silêncio, essa casa tem muitos segredos, e isso está começando a me incomodar, qual o problema desse pessoal, mas não posso questionar muito também tenho os meus então me basta é respeitar. Meu pai estava voltando quando descemos.
— Já ia ao seu encontro Suzi – Meu pai diz – Querida vou ter que sair, mas é rapidinho não vou demorar qualquer coisa que precisar é só chamar a Rosana, tenho certeza que ela irá poder resolver.
— Está tudo bem pai, pode ir, tranquilo – Ele beija minha testa e sai – Rosa que horas são?
— São 11h15min – Está cedo o que posso fazer até lá?
— Que horas é essa tal festa?
— 14h30min, o pessoal já está aí fora organizando tudo — Passeio no jardim fora de cogitação, a já sei.
— Rosa peça a Janaina para levar um almoço pra mim 12h30min na sala de jogos, estarei lá.
— Peço sim! – Rosa se vai e eu sigo meu rumo para a sala de jogos.
Na sala de jogos decido por jogar residente evil seis, enquanto não tem nada pra fazer, primeira vez que jogo um jogo em 3D a cada novo zumbi do jogo eu levo um maldito susto e ria de mim mesma, o tempo passou rapidamente, Janaina aparece e deixa meu almoço, era risoto com suco de manga, acabo de comer e me dá uma sensação estranha, decido ir dar um passeio no jardim, após lavar a minha louça, como não havia ninguém na cozinha foi fácil lavar a louça, quando eu já estava secando a louça Janaina aparece.
— Srta. Suzanne não deveria ter feito meu trabalho.
— Que isso Janaina, se eu lavar a louça minha mão não cai não, só quis ajudar, você já tinha feito o almoço – Qual o problema do pessoal dessa casa.
— Se seu pai souber não vai gostar nada disso, é meu trabalho Srta. Eu gosto do que faço – Ela faz uma cara de quem comeu e não gostou.
— Meu pai não precisa saber, também gosto de ajudar, então se acostume e, por favor, me chame só de Suzi.
— Está bem mais só hoje em.
— Ok – Dou um beijo na bochecha dela e sigo para meu passeio no jardim.
O jardim é magnífico, muito bem cuidado, podado, não tem uma flor se quer murcha, todas lindas e enormes com um belo aroma, sempre apreciei flores e ter um jardim na minha casa e o máximo, isso tudo parece um sonho onde a qualquer momento irei acordar e voltar pra aquele inferno na terra, espero que meus irmãos estejam bem, mas é capaz de estar sim, a implicância era comigo, tomara que Kai se saia bem com os afazeres domésticos, senão eu poderia arranjar um emprego por aqui e mandar o dinheiro pra eles pagarem uma diarista pelo menos. Do nada me vem na mente onde será que meu pai foi? É sábado não é, será algum problema na empresa? E ainda tem essa festa, festa está aí, uma coisa que eu nunca fui, minha mãe não me deixava sair pra nada, nada mesmo, em todas as festas que recebia convites era um não do tamanho do universo, então é minha primeira festa, e pior cheia de gente que faço a mínima ideia de quem seja, só espero que não seja essas patricinhas metidas à besta junto com playboyzinhos de quinta, será que vou me sair bem? Não quero sujar o nome do meu pai com minha má reputação, se fosse a onde eu morava tudo no simples eu estaria pouco me lixando como sempre fiz, nunca precisei da opinião de ninguém, mas agora minhas atitudes não afetam só a mim. Há quer saber chega de ficar se perguntando coisas de mais, como diz uma grande frase ''carpe diem''.
Continuo a caminhar no jardim até que avisto o jardineiro que se eu não me engano se chama Richard, a já sei tive uma ideia.
— Bom trabalho – Ele leva um susto, mas sorri ao me vê.
— Obrigado Srta. Suzanne. – Ele agradece meio envergonhado eu acho.
— De nada, só é a mais pura verdade as flores estão lindas – Ele sorri mais ainda – Poderia te pedir um favor?
— Mas é claro Srta.
— Poderia fazer um arranjo para pôr no meu quarto, ele está precisando de cores.
— Com muito prazer Srta.
— A, por favor, me chame de Suzi, não entendo o problema de vocês em toda hora ficar me chamando de Srta. o treco chato – Sério mesmo isso irrita e como irrita.
— Pode deixar Suzi – Ele sorri.
— Se me der licença – Peço educadamente, tenho que treinar para logo mais, porque ser muito educada não é minha praia.
— Toda.
Sigo para dentro de casa, e me dá uma vontade de ver um filme e quer saber é isso o que vou fazer, decido por ver um filme com um protagonista muito gato, se eu não me engano o nome do filme é ''Sem Saída''. O filme é maior doidera, mas é muito interessante, o problema do filme que ele nunca acaba de repente ouço passos, e que se surge meu pai, ele se senta ao meu lado.
— Não está na hora de se arrumar não mocinha?
— Mas já!
— Sim, já são 13h40min, e sei que vocês mulheres demoram um ano pra se arrumar – Ele sorri.
— Isso é preconceito pai, e o filme ainda não acabou – Quero ver o final do filme.
— Não é preconceito é a mais pura das verdades e eu posso ver o final com você depois se quiser.
— Está bem você venceu.
Levanto-me desligo o aparelho e sigo para meu quarto, agora o que irei usar nessa festa, bem eu sei que é na piscina, quer saber vou tomar banho primeiro depois escolho roupa, preparo meu banho, decido por lavar o cabelo só não sei qual produto usar tem um monte e tudo de marcas muitas boas, acabo por fazer uni-duni-te.
Após o banho, no closet decido por vestir o biquíni branco para ver como ficava no corpo, e como Rosana falou ficou ótimo, realçou minha cor e corpo, não está vulgar está tudo na medida certa, mas eu não vou ficar desfilando de biquíni a festa inteira, então escolho um vestido de saída de praia verde esmeralda lindo todo rendado na saia, que me caiu muito bem junto com minha rasteira verde em pedras.
Faço um make leve, não vou entrar na piscina mais é melhor prevenir então faço um make aprova d'água, meu cabelo está enrolado em uma toalha preciso secar ele, agora onde será quem tem um secador de cabelo? Procuro pelo quarto inteiro e nada acho, não é possível que não tenha um secador nessa casa! A já sei quem pode ter um e consequentemente me socorrer.
— Rosa – Grito do quarto.
Em menos de dois minutos Rosana aparece no quarto toda preocupada, como se algo muito sério tivesse acontecido.
— O que foi? O que aconteceu? Você está bem? – Não aguento a cara dela e caio na gargalhada, ela me olha totalmente complexa sem entender nada.
— Tem que ver a sua cara – Continuo rindo até que me acalmo – Pode ficar calma mulher, só queria saber se você tem algum secador de cabelo pra me emprestar.
— Você quer me matar do coração né?
— Ainda não! No momento só quero o sacador mesmo, não vou pisar lá fora com essa juba – Não vou mesmo.
— Está bem, vou trazer o secador, já volto – Ela sai e volta rapidamente — Quer ajuda?
— É quero sim – Eu me sento e ela seca e penteia meu cabelo.
Após alguns minutos no mínimo uns 15min, e meu cabelo estava pronto, ele estava lindo estava ondulado até o final das costas.
— Pronto – Diz Rosa – Está muito linda vai arrasar hoje.
— Tomara né – Realmente espero que sim.
— Bem vou terminar de ver o que falta lá em baixo, você já passou protetor?
— Vou passar mais tarde – Fala sério, esse sol não se compara nem um pouco com o do Brasil, e olha que aqui e raro fazer sol assim, tenho mais que aproveitar.
— Ok, vou indo então te vejo lá em baixo – E Rosa some pela porta a fora.
Sento-me na cama, ainda faltam alguns minutos para a ''festa'' começar oficialmente, jogo-me na cama e ali fico comparando a minha vida de agora com a de alguns meses atrás, gente que reviravolta, eu podia jurar que meu pai era feio e pobre, mas não ligava só queria um pai, aí descubro que meu pai até que é bonitinho e provavelmente podre de rico, e pior vou ter que me acostumar com isso. É eu sei muita gente queria está no meu lugar, mas só porque meu pai possa ter dinheiro, não quer dizer que eu não vá ter problemas, que eu não possa ser infeliz, todas as classes sócias têm problemas. Agora me pergunto como eu uma garota toda rebelde, acostumada com a simplicidade vai se acostumar a isso, gente não consigo nem dobrar a roupa de cama que eu usei isso é radical demais para quem dava faxina em casa todos os dias, vou acabar me tornando sedentária. Preciso de algo que me de coragem pra sair desse quarto, literalmente estou com medo dessa festa.
Tenho uma ideia me levanto eu vou até o closet pegar a mala que ainda não desfiz, abro e acabo encontrando um monte de coisas, até o maldito envelope pardo escrito 'provas' de que tanto quero esquecer, tento focar mais no meu objetivo, passo pelas fotos, pelas cartas e finalmente acho minha agenda onde está anotado meu e-mail que Kai me ensinou a fazer e mexer, saio do closet vou direto ao notebook e assim que me conecto ao e-mail percebo que só tem uma mensagem na minha caixa de entrada que por sinal é dos meus irmãos, acho que Dani nem vai me escrever tão cedo, pois vim embora sem avisar nem me despedir dele, e Grace deve ter se esquecido do e-mail já que só fica nas redes sócias agora.
''Suzi,
Estamos escrevendo só pra saber se você está bem, estamos preocupados, no dia em que você foi embora Seth chorou a noite toda, tentei acalmá-lo é claro, mas fica difícil sem saber porque você se foi, sei que na hora certa você irá contar pra gente, enquanto isso vou proteger o Seth das maluquices da mamãe. Pode deixar, fique tranquila. Queremos que você seja muito feliz, você merece.Estamos com saudade, bjs maninha, te amamos.
Kai e Seth''
Acabo chorando por eles, por mim, por medo, saudade, carinho, esperança, sei que tenho que responder esse e-mail, mas tenho que parar de chorar, tenho que tranquilizá-los, então limpo minhas lágrimas e agradeço por minha maquiagem ser aprova d'água.
''Kai,
Também estou com saudade mesmo sendo poucos dias, não quero nem pensar como vai ser daqui a um tempo, mas eu realmente estou bem, minha vida aqui é ótima mais do que você possa imaginar, não precisa se preocupar, só cuide do Seth por mim, não o deixe sofrer na mão dela ele é apenas uma criança, qualquer coisa me avisa que darei um jeito de ajudar vocês. Amo muito vocês, bjs Suzanne''
Respiro fundo, mas acabo entrando em crise de choro, talvez eu esteja chorando tudo o que não pude chorar lá, sei que não posso contar nada a ninguém, o que só aumenta minha dor, preciso desabafar isso está me matando por dentro, isso não deve acontecer só comigo, Deus deve ter me escolhido pra sofrer na infância, ou qualquer outra coisa do tipo. Mas agora esses é meu presente, o meu amanhã está tão diferente do que pensei, quando quis passar minha guarda para o meu pai biológico, não tinha pensando em me mudar para outro país, ficar longe dos meus irmãos, da escola, ou ficar rica, nunca tinha pensado tão alto. Alguém bate na porta e rapidamente limpo minhas lágrimas.
— Entra! – Era Rosana.
— Só vim avisar que já tem convidados aí já.
— Está bem, mas não sei se vou descer agora não – Ainda estou muito abalada e isso meu deu uma vontade, já sei – Rosa ainda tem pudim de ontem aí? Preciso de doce urgentemente – De repente Rosa começa a rir – Esta essa não entendi! Qual é a graça?
— Apenas imaginei você gorda de tanto comer, ia ficar engraçada. – Rosana me responde ainda rindo.
— Pra mim isso não tem graça – Não vejo graça em pessoas gorda.
— Na minha imaginação tem – Ela rir – Imagina você gorda tentando descer as escadas com maior cuidado pra não sair rolando – E continua a rir.
— Ridícula! – Ataco um travesseiro nela, que revida – A então é guerra?
— Sim! – Rosa responde.
Estávamos fazendo uma guerra de travesseiro, eu me acabava de tanto rir até alguém tossir na porta, e esse alguém no caso era meu pai, Rosa fica vermelha igual um tomate e agora quem rir da cara dela sou eu.
— Desculpe Sr. Pedro, perdão, é melhor me retirar – Rosana sai correndo pela porta, e meu pai faz uma cara de quem não entendeu nada.
— Está vendo pai, encabulou a menina e ainda acabou com a brincadeira – Jogo o travesseiro nele.
— Desculpe querida só vim ver o motivo das risadas que eu ouvi.
— Está perdoado.
— Há que bom – Ele sorri – Bem-querida eu estou descendo para receber os convidados você vem? – Meu parecia que ia pro Havaí bermuda bege e uma blusa de botões toda colorida.
— Vou mais tarde pai, pode ser?
— Pode filha – Ele beija minha testa e se vai.
Com esse silêncio consigo pensar melhor, acho melhor responder os e-mails dos meus irmãos. Vou a varanda observar, todos me pareciam muitos refinados, realmente tinham alguns adolescentes, acabo por entrar em surto, estou com medo, anseio talvez, além de essa ser minha primeira festa, as pessoas podem não gostar de mim, pois sou estrangeira ou qualquer outra coisa estúpida, e ainda posso fazer alguma coisa errada e pagar um baita de um mico, nessa suposta recepção de boas-vindas. Mas em que furada fui me meter. Mas que saber de uma coisa não vou deixar de ser o que eu sempre fui pra agradar quem não conheço, nem a ninguém, desde quando preciso de opinião dos outros pra alguma coisa ''Se Deus não agradou a todos porque eu teria''.
Após alguns minutos de reflexão decido sair do quarto, saio mais determinada do que nunca, e é claro me sentindo top com minha roupa exclusiva, essa sensação é nova mais vou te dizer estou adorando. Ao descer vejo Rosa que parece angustiada com alguma coisa, e ao me vê corre em minha direção.
— Finalmente – Me sinto mal, estou tonta, me sentindo fraca, o que é isso, acabo me segurando na mão de Rosa pra não cair – Você está bem?
— Estou – Foi só passageiro eu acho.
— Tem certeza?
— Tenho Rosa, foi só uma tontura passageira, deve ser o nervosismo do momento, relaxa aí – Esse povo é escaldado.
— Ata, então vamos – Ela me puxa pela mão.
— Vamos a onde?
— Seu pai está te procurando.
— Eu posso encontrá-lo sozinha?
— Tem certeza?
— É claro – Digo, mas não tenho muita, porém irei assim mesmo. — Boa sorte então.
— Obrigado.
Que comece a festa então!
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