DRAMIONE - ENQUANTO O ANO NÃO ACABAR

3 Capítulo 3 - Dúvidas Surgem


HERMIONE

Segunda-feira, 16 de setembro de 1996

— E ele o que?! — exclamou Rony levando à boca uma porção generosa de torta de carne.

— É isso mesmo Rony. Ele simplesmente levantou e saiu, fazendo a gente tomar a primeira falta do ano — suspirou Hermione enquanto brincava com uma ervilha solitária em seu prato.

— E vos auchea issi kiuim? — o rapaz de cabelos ruivos olhava espantado para a garota, enquanto demonstrava dificuldade em engolir a comida.

— Meu Merlin Rony! Engole primeiro antes de falar qualquer coisa — Hermione já começara a se irritar com o Weasley.

— O que ele quis dizer Mione — aprontou-se Harry — é que não tem porque você achar isso ruim. Estamos falando de Draco Malfoy aqui sabe.

Os três se encontravam sentados a mesa da Grifinória, desfrutando do jantar.

Após a saída repentina de Draco Malfoy da biblioteca, Hermione Granger passara o restante do tempo olhando para seus livros e pergaminhos pensando em uma solução para o problema que havia surgido. Temia perder seus pontos extras, mas não sabia o que fazer. Não sentia a mínima vontade de passar um ano letivo inteiro gastando horas de sua vida sentada estudando ao lado do garoto sonserino. E pelo que havia percebido, o rapaz não iria fazer o mesmo. Por isso, mesmo que Mcgonagall houvesse dito que não haveria forma de trocar as duplas, a menina decidira que no dia seguinte iria até a sala da professora ter uma conversa sobre o assunto.

— Você deveria agradecer por ele ter feito as honrarias primeiro e dar no pé — disse Rony Weasley enquanto limpava a boca com as costas da mão — O Malfoy só iria te trazer problemas. Você sabe que ele não é flor que se cheire. Tá vendo porque eu e Harry não nos inscrevemos nisso. Isso não dá certo, eu te disse.

— Não sabia que o Malfoy era tão burro a ponto de precisar de monitoria — brincou Harry, lançando um olhar divertido até a outra ponta do Salão Principal, onde se encontrava disposta a mesa da Sonserina.

— É só olhar pra cara dele pra perceber que ele tapado igual uma porta — gargalhou Ronald, atraindo o olhar de grifinórios curiosos para si.

— Eu sei meninos... — Granger suspirou — Mas estamos falando de pontuação extra, eu não posso me arriscar a perder isso.

— Ah, qual é? — grunhiu Rony — você tem uma das melhores notas do nosso ano, e tá dizendo que tá preocupada com uns pontinhos bestas. Me faça o favor Hermione, você não precisa disso — a irritação tomou conta de seu rosto, tornando as sardas do menino ruivo ainda mais visíveis.

Ronald Weasley contrariado pela resposta da garota voltou a atenção a seu prato, dando por assunto encerrado de sua parte.

— Mione, concordo com o Rony. Acho que você deveria ao menos tentar falar com a Professora Mcgonagall. Não confio no Malfoy e em nada relacionado a ele, e acho que você deveria fazer o mesmo — Harry olhou para a garota com preocupação estampada no rosto. Em seus olhos ainda era possível observar a tristeza ocasionada pela perda do padrinho.

— Eu sei Harry...

Com um último suspiro, Hermione se virou a fim de observar a mesa decorada com cores verdes. Sem que percebesse seu olhar repousou em um garoto de cabelos louros quase brancos. O mesmo retribuiu o olhar da garota, e levantou uma sobrancelha em resposta.

...

Ao final do jantar, perto da hora de se recolherem, alguns alunos foram na direção dos banheiros a fim de fazer suas rotinas de higiene antes de irem se deitar, enquanto outros seguiram direto para seus salões comunais. Harry e Rony se despediram de Hermione, e se dirigiram para o Salão da Grifinória, já Hermione pegou a direção oposta e foi a caminho do banheiro feminino pouco usado do andar de cima, em busca de tomar um bom banho em paz para lavar o dia exaustivo que fora aquele.

A garota apressou o passo e distraidamente passou a subir escadas a fim de chegar ao seu destino. Até que sentiu algo chocar-se contra si, batendo a testa em algo duro.

— Ai meu cotovelo! Olha por onde... — o rapaz se deteve, observando a cena.

Draco Malfoy conteve um sorriso. Massageando o cotovelo, aproximou-se da garota de cabelos castanhos que pressionava a testa em sinal de dor.

— Ora ora se não é a sabe-tudo. Acho que deveria pedir emprestado os óculos do seu amiguinho Potter, já que pelo visto parece enxergar tão ruim quanto ele — riu diante da piada que ele mesmo havia feito — por acaso está me seguindo Granger? Virou minha admiradora?

Hermione massageou mais uma vez a testa dolorida. Recuperando o equilíbrio e respirando para manter a calma, disse, por fim:

— Vá a merda Malfoy — o rapaz deixou o queixo cair, surpreso ante o xingamento — vá a merda com as suas piadinhas de mal gosto. A última coisa que eu queria era ti ver. Queria que você sumisse do mundo e parasse de arruinar minha vida.

— Além de sabe-tudo também é boca suja, quem diria hein...

— Você nem deveria estar aqui! Se já não bastasse ter que te ver na monitoria, ainda tenho que vê-lo por essas bandas! — apontou Hermione, notando que Draco estava sozinho — o Salão Comunal da Sonserina é para o outro lado.

Malfoy engoliu em seco, deixando um rápido reflexo de preocupação passar pelo rosto.

— O que eu faço aqui sua sangue-ruim não é da sua conta — disse se aproximando da menina, falando um pouco mais alto que um sussurro — o castelo é livre para andarmos onde quisermos.

— Ai que você se engana, aqui tem regr...

— Tá, tá, tá... Eu sei — o garoto balançou a mão em sinal de dispensa — não precisa recitar o manual de regras inteiro de Hogwarts pra mim.

O rosto de Hermione enrubesceu. Olhou para o lado para disfarçar a pontada de vergonha que a atingira.

— Seu rosto fica mais engraçado ainda quando fica com vergonha — sorriu, se esquecendo por um segundo da raiva que sentia por ela. Demonstrando curiosidade acerca da aparência de Hermione Granger, se aproximou mais a fim de observar melhor as feições da garota.

Com seu rosto agora em chamas por conta do gesto, Hermione deu um passo em falso para trás e tropeçou nos próprios pés começando uma queda lenta de costas.

Draco através de seus reflexos segurou o braço da bruxa evitando que a mesma caísse. A única coisa que evitava com que Hermione Granger não batesse com as costas direto no chão era a mão do rapaz loiro que apertava o punho da garota de cabelos cacheados, parando a queda.

Por um segundo Draco deixou perpassar um sinal de confusão em sua face, e notando o que acabara de fazer soltou o punho de Hermione. O rapaz virou o rosto em sinal de vergonha.

—Ai, seu... — grunhiu Hermione que agora se encontrava no chão, se preparando para berrar com o sonserino.

— Amanhã eu vou falar com Mcgonagall — pigarreou, retomando a compostura — vou desfazer esse mal entendido e espero nunca mais ter que olhar nessa sua cara feia.

E sem dizer mais nada tomou outro rumo, sumindo logo em seguida.

Hermione ainda sem saber o que acabara de acontecer ficou ali no chão por mais alguns segundos. Observou o corredor vazio e sem salas e indagou para si o que o jovem rapaz fazia naquele lado do castelo aquela hora da noite.