DRAMIONE - ENQUANTO O ANO NÃO ACABAR
2 Capítulo 2 - Recusa
DRACO
Segunda-feira, 16 de setembro de 1996
De todas as surpresas desagradáveis que haviam ocorrido nos últimos seis meses em sua vida, essa com certeza estava entre as piores. Se já não bastasse ser obrigado por sua mãe a fazer parte de um programa de estudos que Draco considerava inútil e idiota, ainda fora obrigado a fazer par com uma das pessoas de que menos gostava no mundo.
Narcisa, ciente da missão do filho de consertar o armário sumidouro e encontrar um meio de matar Alvo Dumbledore, ainda assim o obrigou a se inscrever na monitoria por conta de um medo maternal de que o garoto fosse prejudicado por conta de suas notas baixas do quinto ano, e que por isso fosse um ninguém na vida.
"Mas pra que diabos eu tenho que me inscrever nesse programa idiota se até o fim do período letivo aquela escola vai estar reduzida às cinzas? — gritara o garoto a época em que sua mãe o inscrevera — quando o Ministério da Mágia cair não irá mais existir essa besteira de N.O.M's e N.I.E.M's!"
"Draco querido — disse sua mãe com a voz baixa, tentando conter a tremedeira que tomara conta de seu corpo desde que o filho havia se tornado um comensal da morte — você não tem certeza disso... mesmo com a queda do Ministério possa ser que eles ainda mantenham as mesmas burocracias. Meu filho, por favor, eu não quero que você seja prejudicado... é uma oportunidade para você melhorar suas notas, você ainda é só uma criança... por favor filho... — disse com a voz começando a ficar embargada e os olhos a se encherem de lágrimas".
O garoto que não gostava de ver sua mãe naquele estado, por fim cedera. Cedera por amor e respeito a sua mãe, e também por ser ainda uma das poucas pessoas no mundo que lhe despertava sentimentos além de ódio e mágoa.
Era assim que ele se sentia nos últimos meses: um poço sem fundo de ódio, mágoa e frustração. O garoto já se esquecera da última vez em que havia dado um sorriso sincero. Desde que recebera a marca no braço e feito o rito de iniciação, parecia que o mundo ao seu redor perdera totalmente a cor e a graça.
Sentia que cada dia da sua existência desde então passara a ser somente isso... existir. Não se sentia mais como um indivíduo com desejos e sonhos próprios, e sim como um mero peão sem vida fazendo parte do um jogo do qual nunca havia dito que queria participar, e sim fora forçado pelo pai a trilhar esse caminho. Um caminho que até então o havia obrigado a fazer coisas das quais não se orgulhava e não gostava de lembrar. Por isso, o amor e admiração que sentia até então por Lúcio Malfoy dera espaço para sentimentos como mágoa e tristeza. Porém se recusava a dizer isso em voz alta com medo de que sofresse alguma represália, e a seu pai agora só destinava o silêncio, a pequena maneira que encontrou de se rebelar contra ele.
...
No lado oposto da biblioteca Draco Malfoy observou Hermione Granger enquanto o sorriso da garota sumia ao se deparar com as escolhas de duplas. Ainda sentia o gosto amargo na boca pela descoberta recente, e lutava para suprimir uma vontade de correr atrás da Professora Minerva e berrar com a velha sobre o mal entendido que tudo aquilo significava.
Contudo, só ficou ali, imóvel, tentando conter a cólera que ameaçava tomar conta de si. Pois, não gostava dos ataques de fúrias que vinham ocorrendo consigo com mais frequência nos últimos meses, de certo, modo ainda queria preservar uma parte de si que não fosse inteiramente ódio.
Mcgonagall se postou no meio do recinto, chamando a atenção de todos para si, exibindo um sorriso de satisfação nos lábios.
— Agora que os senhores já sabem quais são as duplas formadas, peço que escolham uma mesa disponível e se sentem — a professora abriu os braços em direção as mesas. Limpou a voz — creio que devam estar se perguntando qual o critério de escolha, e quero que saibam que o critério foi de acordo com os pontos altos e baixos de cada aluno, de forma que pudessem se complementar e ajudar um ao outro naquilo de que mais precisam. Mais uma vez, volto a repetir, as duplas já foram formadas e não há possibilidade de troca, uma vez que isso bagunçaria toda uma organização já feita. E com isso, por hoje creio que meu trabalho aqui já terminou... Podem começar — disse por fim, se afastando das mesas.
Como que se estivessem acordando de um devaneio, os alunos presentes na biblioteca começaram a caminhar em busca de mesas vagas. O Sonserino ainda se permitiu mais um momento antes de se por a andar, planejando uma forma de se ver livre da situação, e não havia forma, iria pedir que fosse retirado do programa no dia seguinte. Sua mãe teria que entender que ele se recusava a se sentar com uma sangue-ruim. Ela iria aceitar, querendo ou não, até porque o que pensaria Lúcio se soubesse que seu único filho sangue-puro estava se submetendo a tal situação?
Draco colocou em seu rosto o sorriso mais sarcástico e malicioso que conseguiu reunir e se dirigiu a uma mesa perto da porta de entrada do local. Sem que esperasse a aprovação de Hermione acerca da escolha de assentos, acomodou-se, sendo acompanhado logo em seguida pela garota.
— Mas que infeliz tragédia hein? Se já não bastasse ter que passar mais um ano nessa pocilga, ainda me deparo com essa situação — mostrou para a garota uma feição de desdém antes de continuar, se deliciando com cada palavra que diria a seguir — passar um ano estudando ao lado de uma sangue-ruim. Que pecado horrível eu devo ter cometido para receber esse castigo?
— Me poupe Malfoy. Você acha que eu gostaria de estar nessa situação tanto quanto você? Preferiria me jogar da torre de astronomia a ter que aguentar isso — Hermione estava vermelha da cabeça aos pés. Seu rosto era um misto de raiva e confusão.
— E por que não se joga? Isso facilitaria a vida de nós dois — Draco sorriu ao pensar na ideia.
— Eu me recuso a passar por isso durante todo o meu sexto ano, ou você...
— Relaxa Granger — interrompeu o rapaz — Nós não iremos precisar passar por isso, assim como você eu também me recuso. Vou falar com Mcgonagall amanhã. Não irei fazer essa monitoria idiota — e ao dizer isso se levantou da mesa, deixando para trás uma Hermione com a boca aberta e um ar de interrogação no olhar.
Draco se dirigiu a porta e sem que olhasse para trás deixou o local.
Fale com o autor