DDUGQP - As máscaras caem.
24 O demónio está mais perto do que você imagina!
Notas iniciais
'' Me desculpe por ter te derrubado. Bem, nesses dias eu tentei e ultimamente eu tendi a mentir. Eu meio que achei que fosse um mistério, e então eu pensei que não era para ser. Mas a chuva não cairá para nós dois, o sol não brilhará em nós dois. Acredite em mim quando eu digo que eu não tinha outra escolha’’
Amsterdam : Imagine Dragons.
***
Zonas escuras e profundas, rosto cansado, olhos... que procuram fechar-se a cada instante. Há papeis espalhados pelo quarto, cartas, cadernos, roupas e demais pertences pessoais ao meu redor. Um aspecto incrivélmente horrível, aniquila-me por inteira, o ar pesado, deixa-me sufocada e irritada. A cama, levemente desarrumada, com o notebook sobre a mesma, indica uma possível insônia, ou que, claramente passei a noite em claro procurando qualquer coisa que fazesse valer apena alguém querer detalhar minha vida completa, publicar e ainda por cima, não divulgar isso. Sabe aquele tipo de pessoa que simplesmente sente a necessidade de não parar até conseguir o que quer? Não sei se isso se tornou ao longo desse tempo meio evidente, porém eu sou assim, desafio meus limites. Crio minhas próprias regras, e não importa quem irei machucar para atingir meus objetivos, não importa quantas amizades ou quantos relacionamentos irei destruir ou se, irei me auto destruir, a vitória, basta para serem uma recompensa a meus sacrifício e sofrimento. Toda ação tem sua consequênca isso é fato. É como se o universo criasse um tipo enigmático de regra que torna impossívemente impossível alguém sair ileso depois de ter cometido uma completa desonra a sua própria espécie. Sim, eu estou falando de traição. Se Diana julga-se tão leal a quem quer que seja, por que então não finalmente se mostra e conta a nós quem é seu verdeiro alvo? Por que tanto mistério atrás de um s livro que, a pressupor-se, contém histórias que estou cansada de saber? É um simples diário. São meus pensamentos, meus segredos, minha alma, nunca a escondi para ninguém e não vai ser agora que irei esconder. Diferente dela, sou corajosa suficientemente para olhar nos olhos dos meus personagens e dizer ‘’ Você é minha inspiração. Está em meus pensamentos e em tudo o que vejo. É minha base. Eu sou uma escritora de verdade e eu não preciso de pano preto ou um alter ego para definir quem eu sou. Obrigada por fazer parte da minha ficção.’’ É tão difícil assim? Acredite, para mim, não parece. Qual é o sentido em se escrever e guardar tudo para você? A escrita é uma forma de desabafo, não nego. Entretando, na primeira vez que ousar citar nomes reais em uma folha de papel, é melhor ter em mente de que, deverás ser um livro aberto. Não amasse-o e rasgue. Estará rasgando seus próprios sentimentos e então, dando direito para mais alguém fazer o mesmo. Sabe aquela típica frase’’ Todo escritor tem sua dor?’’. Pura e integra realidade, meus caros!. Na linha do tempo, marcada cronológicamente, não importa se foi nos anos 70, 80, ou na ídade da pedra, em todas as épocas, desde o surgimento do mundo, o homem tenta assiduamente encontrar uma forma saudável de dizer ao próximo como é que se sente em reação a ações que acontecem no dia a dia, para comunicar-se. Não é crime. Faz bem. Ajuda a superar, principalmente. Já se questionou porquê as pessoas sentem a necessidade de liberar o que há dentro delas? Não é pra se mostrar e dizer o quanto tem talento ou é egocêntrico o suficiente para dizer o que pensa e sim, para mostrar aos demais que vergonha deveria ser algo a ser considerado a desaparecer.
— Bom Dia, coruja — Sussurrou Pedro, ligando as luzes, clareando o ambiente, fazendo-me quase ficar cega, a luz de meu celular não parecia mais tão intensa agora. Em uma de suas mãos, uma xícara de bolhinhas brancas e vermelhas uma bebida quente . — Não me diga que estava ansiosa de mais até para conseguir ter uma boa noite de sono, amor?
Cocei os meus olhos, que por sinal ardiam, soltei meu cabelo do coque que eu tinha feito á pouco. Suspirei profundamente. Pedro estendeu a xícara em minha direção, agarrei-a e dei um longo gole, pois assim como eu, ele sabe muito bem o quanto amo essa bebida.
— As garotas e Renny já acordaram? — Questionei — Ou melhor, tem mais alguém a além de nós acordado nessa casa? Você sabe que depois de Cauanne ter me prendido na formatura aqui e sumido assim como Anna, qualquer barulho me deixa a espreita. Nem um segurança é palho o suficiente pra essas duas.
É meio inconveniente e inresponsavél da minha parte convidar meu namorado e mais quatro de meus melhores amigos para passarem a noite comigo quando ninguém da minha família está em New York ou em Manhattan, qualquer pai normal não permitiria isso, todavia como eu já disse, sou maior de idade e tenho a confiança de meus progênitos, não é atoa que em breve, serei a dona do império Monteiro.
— Acho melhor você descer para descobrir — Afirmou.
Nos entreolhamos. Calcei os sapatos e peguei na mão dele, puxando-o para fora do quarto e, escada a baixo. Passamos pela cozinha e copa e nos embrenhamos na sala. Para a minha surpresa, sentada em minha poltrona estava Tereza, ao seu lado, Renny, e no sofá Marcelly e Priscila, pareciam exessivamente e igualmente preocupados com algo. Antes mesmo de começar a enxe-lós de perguntas do por que estarem todos acordados as oito da manhã de uma segunda feira, percebi um pacote marrom estranho enderaçado a mim, em cima da mesa de canto próximo ao espelho, ao lado de vaso decorativo africano. Apalpei-o e apanhei-o, rasgando o embrulho. Anexado a parte de cima da caixa, existia um envelope branco com um bilhete dentro:
''Desculpe, te acordei? Oh, como sou mal educada! Foi necessário! Sei que em primeiros dias de aula você mal consegue passar das sete sem acordar. Reconhece isto que te mandei? Cuide com carinho, é o único exemplar. Venha me encontrar na Columbia! Onde você estiver, também estarei. Beijos.
— Diana Royalty
Fitei aquilo por instantes, era ele...o livro dela. Fechei os olhos e serrei meus punhos. Joguei tanto o pacote como o bilhete no chão com raiva. Meus amigos assistiam meu surto psicodélico de camarote com temor.
— Meu Deus, por favor! Me faça entender o que ela quer de mim de uma vez por todas! Eu vou ficar louca. Será que ela quer me ver louca? — Gritei o mais alto que pude. Minha voz ecou pela casa inteira. Pedro abraçou-me e permitiu que eu depositasse em seu pijama, algumas lágrimas de puro desepero.
***
1h00 depois.
Ainda mansão dos Monteiro.
Pov’s Renny.
É oficial. Carina, está entrando em crise e não há nada que possamos fazer.Um banho quente e água com açúcar não irá resolver nossos problemas. Me parece que, Diana conseguiu o que queria, arruinar o dia de Carina, com prazer e sem remorso por isso. O que a fez mudar de idéia sobre se manter afastada, na escuridão e toda aquela babozeira no email ontem? Como se já não bastasse termos o caso Diana em aberto, ainda precisamos descobrir onde é que Anna e Lissa se meteram, afinal é quando mais precisamos delas, que elas resolvem sumir. Seria isso somente coincidência? Um pouco surreal de mais para mim. Anna é a única que pode acalmar a melhor amiga. É do abraço dela que Carina precisa. Exclusivamente ela é capaz de acalmar a fera e colocar na cabeça dela que, precisamos de um pouco mais de tempo e informações para começar nossa caçada por Diana. As vezes, quando paro para tentar encaixar as peças, chego a acreditar que Anna não volta pra casa porquê sabe e muito bem o que a aguarda por aqui, ou está tentando encontrar um jeito de contornar a situação ela mesma. A conhecendo como conheço, aposto nessa última opção. Sinto-me como se eu estivesse com as mãos amarradas, impossibilitado de ajudar Carina a descobrir a verdade. Não suporto vê-lá assim, tão desorientada e sem fé na própria essência, quase como se tivesse esquecido quem é e o quanto lutou consigo mesma e com terceiros para estar onde está. Nunca nestes anos de amizade, tive a oportunidade de presenciar tamanhos pensamentos de fracasso vindos de alguém que sempre teve os adolescentes de New York na palma de sua pequena mão. A parte difícil nisso tudo, é não saber se Diana é real ou não, ou se é outro alguém que está jogando com a gente e melhor ainda, do que Cauanne no ano passado, em Londres.
— Você tem certeza de que não quer que eu ligue para o reitor da universidade e diga que você na está se sentindo disposta para comparecer as aulas hoje? Não é meio arriscado sair por ai com uma maníaca, doida para arrancar seu coro? Se é que me entende... — Alertei.
Tereza e Priscila balançaram a cabeça, concordando com o que eu tinha dito anteriormente. Marcelly parecia desanimada ou inconformada com os eventos recentes, assim como Pedro. Não era o primeiro dia que Carina planejava desde o ensino fundamental, não discordo que ela tem uma incrível capacidade de acrescentar coisas malucas e sem nexo em seus planos do futuro, no entanto imaginava que pelo menos estaríamos todos juntos e felizes, tiraríamos fotos com nossos pais e choraríamos não de tristeza, mas sim de alegria. Prova de que, quando as coisas são muito desejadas e se anseia de mais por elas, ou acaba sendo um sucesso, ou a maior probabilidade é que tudo seja um completo desastre, como agora.
— Eu ficarei bem, R. Nada que uma boa dose de literatura não resolva. Além do mais, estarão lá comigo. Podemos não estar fazendo o mesmo curso, mas é bom saber que tenho vocês ao meu lado e bem... no mesmo prédio que eu! — Respondeu e exclamou.
Pela primeira vez nesta manhã, cada um de nós esbanjou um sorriso, merecido. Com isso, Pedro abriu a porta com detalhes vitorianos e deu passagem para a namorada, seguindo do resto de nós.
Subimos no carro, dei partida. Pegamos a E 79th St e viramos até a Madison, onde o transito estava consideravelmente pequeno para o início de uma semana. Tinhamos descidido ir pelo trajeto mais curto pela 85th St que corta o Central Park , seguimos pela W 86th St. Dobramos a Amsterdam Ave, ali tivemos que aguardar alguns minutos o sinal se abrir, pulando do vermelho para o verde, o quê parecia demorar uma eternidade. Não se demorou muito até estacionarmos na frente da universidade. Após Carina colocar seus pés no calçamento branco e marrom e em formato de quadrados correu até a enorme estátua de mármore negro, localizada bem no meio do pátio e da enorme escadaria que dava acesso a recepção, subiu em cima dela, abrindo os braços e deixando o vento voar em suas madeixas cor de mel. Ninguém de nós a impediu, ela precisava daquilo, daquele momento.
Observei a minha volta. Os calouros dominavam o campus. Grupos de alunos sentados, rindo no gramado, conhecendo uns aos outros, professores de terno e gravata passando, uns encarando-nos, obviamente, ignoramos, estávamos maravilhados de mais com o tamanho da área da faculdade para nos importarmos com que as pessoas achariam. Parecíamos ser a única ‘’panelinha’’ do ensino médio que se manteve unida e na mesma cidade. . Aqui, não é como no colégio, as pessoas não fazem fila para Carina e nem abrem espaço para a mesma, muitos na verdade, não se derão conta de quem somos ainda, felizmente.
Pov’s Carina
É tudo novo de mais para mim. Um novo mundo, onde eu posso ser quem quiser e não apenas ''a rainha’’ e sem nada que crie obstáculos para que eu seja quem eu realmente sou. É hora de libertar-me, mostrar porquê estou aqui, para que vim e meu potêncial.
— Renny engenharia civil. Priscila psicólogia. Tereza biologia. Pedro, administração. Eu, literatura e Marcelly, teatro. Quem diria em? — Falei — Acho que está na hora de cada um ir procurar sua sala. Já sabem, qualquer movimento suspeito, me liguem — Conclui dando ‘’tchauzinho com as mãos e subindo os degraus.
Cada um tomou seu rumo, esperei-os no topo da escada e assisti-os indo para direções diferentes. Foi quando o vi, justamente sentado no sofá na secretária , usando uma camisa jeens azul, uma calça escura, segurando um livro de capa branca e totalmente desatento a realidade, provavélmente viajando em sua leitura.
— Jack Kerouac? — Perguntei, sentando-me ao seu lado. Ele riu e assentiu com a cabeça — Oh , eu adoro os livros dele. Li quase todos, minha refêrencia em matéria de literatura norte-americana. Aproposito, estava me esperando ou o que ?
Era Thommas o garoto da noite da troca de identidades. Eu sabia que o viria aqui, cedo ou tarde.
— Pense o que quiser, senhorita — Rebateu, ainda com um sorriso estampado em seus lábios, de orelha a orelha.
Lancei um olhar maldoso e fiz uma expressão argumentativa, cruzando as pernas e apoiando meu cotovelo em minha coxa, jogando levemente meu cabelo para trás. Daquele angulo, já poderia ver os corredores, acompanhei esse pensamento e resolvi dar uma espiadinha, péssima idéia. Assustei-me e quase fui ao chão, boquiaberta ao notar quem era a pessoa que fechava o armário de número 14. Thommi focou-se nela também, não precisava dizer mais nada a ele para que soubesse o que eu iria fazer. Caminhei em sua direção, respirei fundo e desfilei em cima de meus saltos, batendo-os com força no chão. Puxei-a pelo braço impossibilitando-a de soltar-se e dizer absolutamente uma sequer palavra. Arrastei-a até o banheiro mesmo contra sua vontade, tranquei a porta e desabei minha raiva sobre aquele ser.
— Sua vagabunda! Onde é que você se meteu esse tempo todo? Por que não me telefonou o verão inteiro e do nada decidiu virar uma universitária normal em NEW YORK justamente na minha faculdade? Quem é Diana e por quê é que você teve que dar um jeito de encontrar aquele maldito livro? Essa maluca pisicopata metida a escritora dramática está me perseguindo por sua causa — Parei, respirei, tomei fôlego. Recebi o silêncio. — E eu juro que se você não falar nada em cinco segundos dou um tapa na sua cara ANNA KHETERINNE KINGS! — Berrei.
— Uooh! Calma, nervozinha. É só eu ficar longe de você que sua vida desmorona e você perde o controle? — Ironizou em um sorriso — Ué? Você sabe quem é Diana e a sete anos. Me sinto ofendida — disse, cruzando os braços — por que querida, ela está exatamente em sua frente.
Continua...
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