Notas iniciais
''Tudo o que eu tenho de segurar é um telefone Sinta os mortos aqui Erguendo-se do chão de terra As noites de verão fazem você sentir-se sozinho Preciso arranjar novas companhias nessa cidade Justo quando eu achei que estava seguindo em frente Meus olhos encontraram um rapaz de coração partido Disse, "Eu acho que nós vamos nos dar bem" Disse, "Eu quero descobrir quem você é Ei, acredite em mim Porque eu acredito em você Eu preciso de um pouco de companhia O que você quer fazer? Eletricidade, você sente também? Ei, acredite em mim Porque eu acredito em você'' Desculpem a demora para postar! Leiam as notas finais. Narrado finalmente pela Anna. Dica de musíca: *https://www.youtube.com/watch?v=J9nDkSk7-Tg

''Cansada destas pessoas falando, cansada do barulho. Cansada de todas as câmeras piscando, de manter a pose. E agora meu pescoço está exposto, implorando por um punho à sua volta. Estou caminhando em direção ao castelo. Eles querem me fazer sua rainha e há um velho homem sentado no trono... dizendo que eu provavelmente não deveria ser tão má''
— Castle: Halsey

***

Carina me encarava como se quisesse tirar meu coração com suas próprias mãos enquanto saia apressadamente do banheiro sem querer ouvir minhas explicações. Thommas ( que por sinal tinha cortado seu cabelo)encontrava-se a espera dela na frente da sala da turma de filosofia e literatura americana moderna, matéria esta cuja é suplementar ao curso de literatura que ambos fazem juntos, no entanto, como sei que ele é mais velho e está no segundo ano, provavélmente deve estar apresentando a faculdade a ela, algo típico de alguém quando está afim dela e somente tal é incapaz de perceber, ao meu ver não vai demorar muito para que este tão belo garoto acabar expondo seus sentimentos, afinal recordo-me que foi exatamente dessa maneira que Pedro e Carina se apaixonaram. A princípio, tanto ela como eu achávamos que Thommas tinha uma leve queda por mim por conta do que acontecerá quando ele descobriu sobre a troca de identidades naquele bar, apesar disso, é um tanto obvio que Thomm se apaixonou pela Anna King’s que era Carina Monteiro.

Voltando a situação atual... eu por minha vez continuava parada no meio do corredor a procura de Renny, todavia estava impossibilitada de enxergar através de toda aquela multidão de alunos das outras escolas particulares da cidade de New York e que assim como eu, estavam tendo sua primeira experiência como calouros universitários, desta maneira, pode-se deduzir que não viam a hora daquele dia acabar, pois foi justamente isso que pensei quando coloquei meus pés na escadaria central e me dei conta de que nem ao menos minha melhor amiga do ensino médio e o homem do qual eu amo permaneceram do meu lado. Contudo não os culpo, culpo a mim mesma por ter os afastado e afastado-me consequentemente. Porém enfim, independentemente ou não se meus problemas familiares com Lissa afetaram minhas decisões quando se trata de Carina e de deixa-lá fora do que ocorreu, agora tenho certeza que a imagem que tenho dela desde o primeiro minuto em que nos cruzamos até hoje é verídica, de fato, Dianna e ela não são as mesmas pessoas. Me sinto uma completa idiota por pelo menos um instante ter chegado a pensar que Carina poderia estar novamente, mentindo para mim e desta vez quanto a sua dupla personalidade, ou seja, o seu alterego como escritora. Estou sinceramente envergonhada em estar de volta e apavorada por saber que terei que enfrentar a gangue inteira e me explicar não somente do porquê do meu sumiço, mas sim do porquê há duas Dianna’s... a do email que Carina disse ter recebido ''da verdadeira autora do livro'', e eu, que exclusivamente usei esta personalidade para tentar tirar meus suspeitos da lista.

Ainda um pouco atorduada e sentindo uma nova e leve sensação de mal presságio na boca do estomago, caminhei em direção ao teatro que localizava-se na parte exterior do campus, onde teria minha primeira disciplina no curso de teatro, sendo essa, a dramaturgia. Chegando lá deparei-me com vários futuros colegas de turma espalhados pelo ambiente apenas aguardando a chegada do professor que caso eu não me engane chama-se Sr. Benson. Pelo nome, já dá para perceber que ele com toda a certeza do mundo é um velhote que tem ídade o suficiente para ser meu avô, dizem que ele é um Deus das artes cênicas. Duvído e muito! O máximo que este novo professor poderá me ensinar que eu ainda não sei de como ser uma atriz é ser uma personagem boa e não uma vilã, o quê realmente será um desafio, já que eu respiro um ar de vadia futíl a todos que tem uma primeira impressão de quem é Anna King’s. Talvez, apenas talvez, exista uma mínima chance de que eu acabe gostando dele e ele de mim, ou não.

— Oh, eu acabei de ver a mais nova Gallardo? Quem diria você de volta a New York querida. Quanto tempo, acho que a última vez que nos vimos foi na nossa formatura! — Exclamou uma voz sentando-se na cadeira vaga ao meu lado. O timbre de tal voz me fez ter aquela típica sensação de já ter presenciado esse momento...um deja vu. O perfume daquele ser, um leve cheiro de coentro e tuberosa, características marcantes da fragância Hypnotic Poison do francês Christian Dior deixava tudo ainda mais evidente de quem era ela. Lembro como se fosse ontem nós duas escolhendo esse cheiro na Dior no centro de Londres — Não vou mentir e dizer que não fiquei inconformada por você e Carina terem conseguido sabotar meu plano, entretanto não estou mais brava, inclusive estou asteando a bandeira branca, o quê acha?

Respirei fundo e revirei os olhos enquanto contava até três para não virar um tapa na cara de Cauanne, do qual deixaria uma enorme marca vermelha com o formato da minha mão. Algumas fileiras de cadeiras á frente, próximo a porta central do teatro, avistei Marcelly que conversava calmamente com um grupo de meninas, duas delas eram loiras, o resto tinham madeixas castanho escuro que beirava a preto, diferentemente da cor das minhas. Cauanne ao captar minha contemplação desfocada, olhou com o canto dos olhos por cima de seus ombros, mexeu de leve com a cabeça e em alguns fios de cabelo, esbanjando um sorriso sínico que fazia com que as covinhas de suas bochechas aparecessem perfeitamente me levando a conclusão de que, qualquer pessoa que não a conhecesse tão bem quanto eu acreditaria piamente de que aquela garota é um anjo inocente, doce e fofo. Fitei-a com aflição e repulsa, mas não imaginava que ela iria retribuir duas vezes pior de uma maneira que chegou a assustar-me, era como se estranhamente também não quisesse estar ali comigo. Ficamos desta maneira, trocando olhares por vários minutos até que Marcelly notou nossa presença ali, realizei a quebra da ligação que se estabeleceu de alguma forma entre a ''British bad girl'' e eu para em seguida, disfarçar.

— Você é meu demônio interior e nós duas sabemos disso — Afirmei em um sussurro chegando próximo ao ouvido de Cauanne — Não vou pedir pra ir embora, muito pelo contrário, fique. A única condição é não me atrapalhar. Podemos até ser colegas normais, porém se ainda estiver interessada em querer minha amizade de novo eu precisarei confiar em você, tarefa essa que considero ser impraticável e utópica.

Ela assentiu, concordando com minhas palavras voltando sua completa atenção para o palco, espaço esse de onde surgiu um rapaz que batia palmas para chamar a atenção dos alunos, diria e chuto eu que com 1,70 de altura, loiro, trajando um modelito todo preto, exeto por sua camisa social que tinha um leve detalhe vermelho próximo aos botões em sua calça, suspensórios estavam presos, suas sombrancelhas não eram tão grossas, seu rosto não esbanjava expressão alguma, quanto a sua idade, 24 anos no máximo. A sala inteira se calou, virei para trás e vi quase todas as garotas babando e boquiabertas por tamanha beleza daquele homem. Juro, não demonstrei reação alguma, continuava fria e indiferente, mas no fundo, sorri satisfeita e de forma maliciosa por estar errada quanto a aparência do professor...definitivamente, eu fui com a cara dele! Me senti na 8 série de novo, esta foi a última vez que me recordo de ter sentido atração física por um educador, prevejo que isso não acabará bem.

— Bom Dia, classe — Comprimentou, colocando suas mãos no bolso e andando de um lado para o outro — Eu sou o Sr. Benson, mas dispenso formalidades, podem me chamar pelo meu primeiro nome, Louis. Irei dar aulas a vocês de dramaturgia — Alertou — Hoje eu irei conhecer cada um de vocês por meio dos personagens da famosa peça de William Shakespeare, Rei Lear, todos vocês a conhecem ou pelo menos já leram a respeito, não é? .Veremos se serão bons o suficiente para deixar a personalidade de vocês transparecer junto ao personagem, quero a essência de cada um presente aqui! Irei avalia-lós para futuramente começarmos um projeto extraordinário que tenho em mente — Falou e tomou pausa para continuar — Escolherei a dedo, aleatoriamente quem começará o teste...deixe-me ver...você, sim você mesma! Na terceira fileira, parece perfeita pra interpretar Cordélia a filha mais nova e preferida do rei Lear. O quê acha? Suba e se apresente.

Todos começaram a me olhar apreensivos, menos Cauanne que parecia se divertir com a situação. Uma pitada de nervosimo assolou-me pelo fato de ser a primeira escolhida a entrar em cena. Sem deixar isso transparecer, desfilei até a escada do palco, aceitando o desafio. Pedi uns minutos para que eu pudesse me familiarizar com o texto e com o espaço disponível para mim. Toquei de leve nas cortinas avermelhadas, parecendo sentir a energia delas. Sr.Benson, ou melhor...Louis, acomodava-se em meu lugar na platéia. Deixei minhas pálpebras se fecharem e limpei a mente, escutei a voz do professor questionando meu nome, respondi-o severamente, não ousei levantar meu olhar na direção dele. Aguardando o sinal para que eu pudesse começar, novamente escutei sua voz, desta vez chamava por Marcelly para ser Regane e Cauanne a Goneril, as duas outras filhas do rei. Ótimo! Terei que contracenar justamente com essas duas imbecís que me atrapalham tanto na vida real como na profissional, poderia ser pior?

Não se demorou muito depois que todas se acomodaram no palco e se apresentaram para que o restante das pessoas presentes se calasse. Louis parecia esperar mais de mim do que das duas outras, tentei encontrar um motivo para aquilo, contudo, preferi focar em minhas falas

— Jóias do nosso pai, estou aqui com estes olhos úmidos, prestes a deixar-lás, ora sabíamos que aconteceria. Eu vos conheço, mas como irmã não quero dar o nome verdadeiro de vossas faltas todas. Cuidai do nosso pai, entrego-o a vossos peitos que os próprios méritos proclamam — Comecei. Cada palavra do texto parecia ser uma musíca dançando em minha boca. Eram espontâneas e surgiam a medida com que eu gesticulava com as mãos, isso fez com que o Sr. Benson sorrisse e cruzasse os braços — No entanto, ai! Se em sua graça me encontrasse, talvez melhor asilo lhe mostrasse. Assim, adeus a ambas!

— Ah pobre Cornélia! Não queiras ensinar nossos deveres — Contextou Marcelly, encorporando a personagem de corpo e alma, tão quanto eu.

— Procurai agradar vosso marido que com esmola vos pegou da sorte. Revelastes caráter obstinado; digna, portanto, sois de vosso fado! — Exclamou Cauanne na estilo de Goneril.

— O tempo há de mostrar quem tem malícia, que a vergonha é o castigo da estultícia. Passai bem — Finalizei, dando as costas e saindo de cena.

Aplausos e assobios ecoaram, o professor batia palmas em pé e gritava ''Bravo’’ sem parar. Cauanne, Marcelly e eu nos entreolhamos com sorrisos e vitoriosas. Arrisquei-me a piscar para Louis e agradecer pela chance, mas não imaginava que ele fose retribuir. Depois disso não havia mais duvídas, de que ele me conhecia de algum lugar e sabia sobre meu talento em encenar. Estralei meus dedos e ocupei meu lugar cantando em minha cabeça a melodia que tanto definia o momento, chama-se Castle e é da Halsey.

— Srta. King’s, Srta. Parmani e Srta.DiLewis, vocês foram perfeitas juntas! Há uma química entre todas que enriquece cada vez mais cada uma das personagens, a questão da rivalidade entre irmãs principalmente. Não preciso ver mais nem um ensaio, acho que temos o elenco feminino desta peça pronta. Estão de parabéns — Manifestou-se Sr. Benson. — Certo classe, por hoje é só. Estou despensados, menos você Srta.King’s, poderíamos dar uma palavrinha?

Arregalhei os olhos surpresa. Cauanne tocou levemente meu ombro e sussurrou um curto ‘’ boa sorte’’ agradeci seca, pois suas tentativas de mostrar que não é mais a inimiga estão sendo totalmente falhas e em vão. Aguardei o teatro esvazear-se e o ambiente ser tomado pelo silêncio, caminhei pelo meio das cadeiras do teatro, passeando minhas mãos nas da veirada rapídamente, fascinada e imaginando que um dia poderia estar lá em cima com milhares de pessoas me assistindo aqui em baixo. Louis analisava cada parte de mim, desde o molde do meu rosto aos meus saltos.

— Olhe, Srta. Anna, em todos esses anos desde que me formei em teatro, nunca já mais encontrei uma garota que vive como se fosse uma personagem igual a você. Você não precisa de nada disso aqui, tem dois pais extremamente ricos e até pouco tempo atrás tinha a nação de adolescentes de Manhattan aos seus pés, porquê faz tanta questão de ser adorada e tão boa no que faz?

Bati os saltos na madeira com força três vezes, veslubrei o chão, fiz um bico torto

— Então eu estava certa. Me conhece das colunas sociais! Aposto que deve ter pedido ao reitor da universidade minha ficha também. Se você fez isso, cada palavra, cada ato e cada anotação ali é verdadeira e eu não nego, Cauanne e eu somos amigas sim, desde pequenas e é por isso que você encontra tanta química entre a gente e Marcelly. Sr. Benson, quero que saiba que pra mim é tudo passado! Eu estou aqui para recomeçar, eu cresci, não sou mais adolescente. Só quero que aceite a maneira que sou agora e sim, eu estou buscando sua adoração porquê pra ser sincera, tem algo á mais em você que eu ainda vou descobrir.

Continua...

Notas finais
Eu sei que eu esse capítulo ficou bem fraquinho, no entanto é proposital. Não tem nada sobre Diana porquê é do ponto de vista da Anna e ela ainda não está por dentro de todas as coisas que aconteceram e do quê estava escrito no email que Diana enviou a Carina, afinal a mesma não comentou muito a respeito. Sobre o final do capítulo anterior, ficou claro que Anna não é a escritora do livro, pois a mesma diz só ter usado a identidade para enviar o bilhete e o pacote naquela manhã, para assim poder descobrir se Diana e Carina eram a mesma pessoa. Sendo assim, fiquem tranquilos. Já que estou falando de( #Canna Shipper de amizade de Carina e Anna) elas estão esse tempo afastadas mesmo, porquê Anna não quer dar explicações de onde esteve no verão, embora Carina saiba quem uma hora Anna vai se cansar de esconder isso e irá acabar contando igualmente fez com todos os outros segredos, ela só está dando espaço para que a melhor amiga acabe por sentir falta dela e queira desabafar pra enfim contar de uma vez tudo o quê rolou no Caribe com Lissa. Enquanto isso, Cauanne se aproveita para poder reconquistar a ex melhor amiga. Deixo claro que as falas de Anna encenando Cornélia bem como os personagens de Cauanne e Marcelly foram retiradas do primeiro ato da peça Rei Lear portanto não é de minha autoria e sim do maravilhoso e admirado William Shakespeare, XX, Até o próximo capítulo. - MRSC