DDUGQP - As máscaras caem.
20 O Adeus Ao Ensino Médio - Part II
Notas iniciais

ANTERIORMENTE EM DIÁRIO DE UMA GAROTA QUASE PERFEITA...
Carina correu para fora dali feito um furacão logo em seguida e sequer, despediu-se direito de Renny e Marcelly. Seu comportamento berante a suas desculpas sem fundamento para se retirar dali foi incômodo até para mim e para Renny que já estamos acostumados com jeito um tanto impulsivo e sem explicação que nossa ‘’rainha’’ tem, mas com toda certeza, mais algo se sobrevém de diferente hoje. Acredite, você não sabe o que é sentir que uma pessoa próxima está contra a parede e não poder fazer nada!
***
Agora.
Hunter College.
Pov’s Anna.
— Carina cadê você? Aconteceu alguma coisa? — Falei enquanto apertava rigorosamente o botão de mensagem gravada — Quando escutar isso aqui, corre imediatamente pro colégio, está todo mundo te procurando e eu estou começando a ficar preocupada. Beijinhos.
Ah, finalmente! Nunca imaginei que poderia chegar aqui, mesmo depois de tantas lutas, tantas glórias e derrotas com inúmeras complicações e obstáculos que necessitamos derrubar. Pois é! A grandiosa escada imperial a minha frente, aguarda-me, pois quando eu fizer o seu caminho de ida, não poderei mais voltar. É o fim da linha. É o fim da maior e melhor fase de minha vida. É enfim, o fim de tudo e o começo do mundo real. Mas a verdade, é que não estou encarando isso ainda, como um fim, pois o fim só será um fim quando essa noite acabar, o que acredito, que não acontecerá tão cedo...
Cada degrau contem um nome de um aluno que está prestes a se formar. Cada degrau contém a história de alguém, seus esforços e seus mais profundos e limpos, sonhos de vida. Porém, parece somente que há um espaço na escada em especial vazio, o último, lá no fundo, aquele destinado ao orador da turma, no caso, minha melhor amiga, minha irmã postiça, aquela que é meu anjo da guarda. E como todo anjo da guarda, ela me apóiou, me confortou, e me ajudou a crescer e a perceber que a garota a sete anos atrás que desceu por essa escada pela primeira vez, em seu primeiro dia de aula no solo deste colégio, poderia ser mais forte do que qualquer um, sem precisar fazer-se de vítima, dando um chega prá lá em suas dificúldades sejam elas familiares ou emocionais, para que, pudesse dominar cada corredor, cada aluno e cada pessoa aqui presente, com a palma da mão. Uns dizem, que somente sou quem sou, pois Carina conquistou tudo para mim, sem que eu precisasse mover uma palha sequer. Se eu dissesse que isto é mentira, bem... estaria claramente enganando ninguém mais ninguém menos, do que a mim própria. Devo sim agradecimentos a ela, talvez até maiores e mais pesados do que um elefante.
Se dependesse do destino não ter colocado-a em minha vida, lá estaria eu hoje em dia em Londres, provavélmente fingindo não ver quem de fato Cauanne é, namorando um cara que eu nunca seria capaz de amar verdadeiramente, e ao lado de minhas amigas de infância, as mesmas de sempre, Ashley, Alene, Becky e Marrie. De certo que Marrie estará ao meu lado hoje, porém não é como se eu estivesse na minha vida antiga, o que dou graças por não estar, afinal, minha vida se tornaria chata em algum momento se eu me fechasse e me reservasse somente ao meu mundinho e ao meu grupinho, sem me aventurar, sem conhecer gente que efetivamente se importasse com meus problemas, se estou bem ou não, ou se somente coloco um sorriso no rosto para disfarçar minhas lágrimas, minha tristeza. Então, já está mais do que na hora de admitir que Carina está presa a mim e eu estou presa a ela, em um elo que nem forças maiores a não ser do criador do universo, possam separar, mas acredito que se ele quisesse que isso acontecesse, teria o feito a muito tempo. Sendo assim, é inaceitável que a parte mais importante de mim que se liga a esse colégio não esteja aqui, no dia em que finalmente estarei livre para recomeçar.
— Tereza acabou de me ligar, temos novas notícias! — Exclamou Pedro, surgindo correndo , acompanhado de Marrie e Priscila — Ela disse que desde que Carina chegou do parque e desde a hora em que as duas se reuniram pra se arrumarem e Tereza saiu de lá, ninguém entrou ou saiu da mansão. Ou seja, ou tem algo de muito errado acontecendo lá dentro, ou Tereza e nós estamos ficando loucos em achar que a rainha da festa não se atrasaria pra fazer charme.
Suspirei pesadamente, revirando meus olhos, sentindo uma pitada de desespero e uma sensação de que algo estava errado dentro daquela casa. Carina não é de fazer essas frescuras de se atrasar e não informar ninguém de propósito, na realidade, isso é algo genuíno de ser feito por mim e pelo que me lembre, Carina usou minha identidade e minha personalidade assim como eu usei a dela, exclusivamente por uma única noite.
— Eu aposto na primeira opção — Falei séria, cruzando os braços e encarando Pedro para tentar dissumuladamente disfarçar minha ansiedade e nervosismo — Diga pro Renny e a Marcelly e principalmente pra Marcelly, ser utíl pelo menos uma vez nessa vidinha medíocre que ela leva e irem imediatamente ver o que aconteceu com a Carina! — Esbravejei — Eu prometo, não pego aquele diploma se ela não subir lá comigo!
— Agrh Anna... — Começou, Marrie um tanto quanto reciosa de suas próprias palavras — Eu não queria falar nada mais.... acho que você está meio atrasada... — avisou — os dois já saíram daqui faz tempo....
Pov’s Carina
— Onde eu estou? — Sussurei a mim própria, assim que abri meus olhos e me levantei do chão ainda atorduada. Minha cabeça latejava como se uma marreta estivesse dentro dela, ou como se uma guitarra tocasse no mais alto do sons, justamente bem ali, naquele local.
Claramente, eu conhecia aquele quarto em que eu me encontrava, até por que ele era meu, mas diferentemente do normal, o mesmo estava completamente desarrumado, para começar de minhas roupas, que pareciam ter despencado todas juntas do meu closet com um sopetão dado propositalmente, fazendo-as caírem no chão como se fossem nada mais nada menos que simples trapos de limpeza, o que é obvio que não eram. Logo mais, passei meus olhos pelo meu relógio de pulso de ouro que marcavam, exatas 8h30min, que acabou por fazer-me dar conta de que já estava usando meu maravilhoso vestido de formatura azul escuro, cuja Anna e eu, juntamente a Thomm, escolhemos hoje mais cedo.
Levei minha mão até a boca, na tentativa de conter meu espanto, não sabia o que fazer, estava quase atrasada e sozinha por algum motivo que não me recordo, como se algo tivesse me obrigado a esquecer de minha últimas embora, vastas horas de existência. Peguei minha bolsa e meu capelo e corri em direção a porta, calçando meus saltos altos dourados, porém, o que eu não imaginava é que a tal, localizava-se, trancada pelo lado de fora.
— Ah, não! Isso só pode ser brincadeira... — Esbravejei com ódio em minha voz.
Arrastei minha bolsa que estava em baixo de minha cama até mim, e vasculhei-a em busca de meu celular, infelizmente ele parecia ter evaporado. Fechei meus olhos, sentei-me no chão gelado. Apoiei minhas mãos entre meus joelhos e em seguida fiz a mesma coisa com minha cabeça. Algumas lágrimas quentes e cheias de arrependimento por algo que gritava dentro de mim escorreram. É assim que pretendo comemorar o fim do colegial? Perdendo a minha cerimônia de formatura? Será que, nem uma pessoa nesse mundo é preparado o suficiente para perceber o quanto essa noite é mais importante para mim do que para o restante dos meus colegas? Essa é minha noite, esse é meu último momento de brilhar. Pretendo levar as memórias deste dia, para o resto de minha vida... ah como eu quero contar aos meus filhos o quão louca eu era na idade deles! Tão teimosa e persistente sou, mas cá estou eu a espera de um milagre, e como sei que milagres não acontecem de um segundo para o outro, acho melhor eu dar o meu próprio jeito de sair daqui....
De repente, acaba de surgir uma percepção ampla e profunda de que, ainda não era a hora de desistir me rodeou. Por tantas vezes sobrevivi aos contratempos, aborrecimentos e inconvenientes que foram colocados em minha frente, para por a prova toda a minha experiência e minha inteligência, por que justamente agora, depois de quase ter sido morta, quase ter perdido meu namorado e minha melhor amiga, além de todos que amo, irei enfraquecer? É notório que isso não é digno e nem satisfátorio vindo de uma pessoa como eu. Garanto que, minha família e meus amigos, não ficariam nem um tanto orgulhosos de mim se soubessem que havia alguma coisa que eu pudesse fazer para chegar a tempo na cerimônia e eu meramente tivesse deixado isso de lado, ou não me esforçado o suficiente para dar meu jeito, como sempre faço.
Com este pensamento, tirei de meu closet, um cinto que lembro-me de ter comprado quando estava em Londres que contém uma fivela de ouro polido, arranquei-a e joguei-a como se jogasse um dardo em um alvo, no vidro da janela da varanda que por sorte, dava diretamente para a rua. Estilhaços se espalharam por todos os lados do quarto por conta da força e do impacto do metal contra o acrílico. Avistei na rua um carro de modelo Lexus LS 460 , cor branca. Subi em cima de uma cadeira e me debrucei no parapeito, gritando no tom mais alto que minhas cordas vocais pudessem alcançar. Assustadas, de dentro do veicúlo, surguem faces conhecidas, eram Tereza, Renny e Marcelly que e igualmente a mim anteriormente, berravam e clamavam meu nome. Renny tentava a todo custo abrir a porta central da casa, que parecia estar enterrada pelo lado de dentro.
— Força nunca foi seu forte Clark , saia — Ordenou Tereza , empurrando Renny no mesmo instante em que buscava uma chave dentre tantas outras em seu chaveiro — Prontinho! — Exclamou, virando a chave na maçaneta.
De imediato, minha residência foi invadida por passos atormentados no assoalho de madeira. Suspirei aliviada ao notar que Marcelly foi a primeira a subir as escadas apressadamente para tentar me destrancar, um pouco mais de tempo ali, e eu surtaria. Novamente, Tereza e Renny discutem para ver quem deveria abrir, e a chave mágica que surgiu do submundo deTereza, faz o seu trabalho por si só. Primeiramente abraçei Marcelly, para sucessivamente, agradecer imensamente a Tereza e Renny.
— O que vocês estão esperando? — Questionei, tomando fôlego — Vamos! Temos um diploma para pegar e eu um discurso pra declamar.
Pov’s Anna
Eu andei para lá e para cá feito uma barata atorduada milhões de vezes, mas Priscila e eu, rondamos o prédio inteiro e não encontramos um sinal de que Carina estava ou está por aqui. Não sei como proceder, estou sem sustentação e sem pretexto para estar aqui. Faltam desgastantes poucos minutos até o inicio da caminhada para o palco. Nada mais me restava para fazer a não ser sentar-me na cadeira do auditório da platéia ao lado de Arthur e de minha mãe. Lissa e Victor meu pai biológio, e que, até o presente momento não tinha demonstrado nem um interesse em fazer com que eu seja parte de sua família, reservaram propositalmente, lugares próximos a nós. Encostei minha cabeça no ombro de minha meia irmã, buscando um conforto e consolo, Lissa abraçou-me e Arthur, pela primeira vez em meus 18 anos como ser humano, beijou o topo de minha cabeça e sussurrou um curto ''Eu te amo, filha’’. Sorri fraco e retribui suas palavras. Foi quando, reparei, ali, parada no topo da escada dos formandos...ela, Cauanne me fitando, com uma expressão sínica no rosto por conta da cena que observava . Devolvi o olhar com a mesma intensidade, e então, notei pendurado em seu pescoço..o manto de Carina, alias o manto que deveria estar com ela. Comecei a juntar as peças, e sem demora, sabia exatamente o que tinha acontecido, e esperava ansiosamente que Carina, também soubesse.
Era a hora, a cordenadora chamou todos para ocupar seus devidos degraus, organizado por quantidade de notas altas e prestigío de cada estudate durante seus sete anos no Hunter. Cruzei os dedos e fiz uma oração baixa juntando forças. Olhei para a multidão de convidados, nem mesmo um assento restava sem ser ocupado, é... estava lotado.
Os autofalantes se encheram repentinamente com uma pitada de Margareth para a abertura da noite, minha fatídica madrasta e diretora do colégio
— Senhores pais ou responsáveis...é com imenso prazer, que estou aqui no dia de hoje para prestigiar meus jovens formandos de 2015 que dão por encerrada sua jornada em nossa instituição de ensino. Acredito que os alunos do terceiro ano, gostariam de dar algumas palavrinhas aqui, então...em nome deles chamo Cauanne DiLewis, que está substituindo Carina Monteiro, a oradora oficial....
— Como? — Uma voz surgiu no microfone, a atenção da platéia voltou-se para a entrada do auditório, corri meus olhos para a mesma direção, sorri involuntáriamente e assim fiquei. Eu sabia! — Desculpe pelo atraso senhora Margareth...mas não é mais necessário uma substituição, pois a garota que vocês estão vendo ai em cima meus caros, me trancou no meu quarto próprio para que ela pudesse assumir o meu lugar.. mas bizarrisces a parte.
Pov’s Carina
Todos pareciam surpresos, alguns até estavam boquiabertos. Marrie, Pedro, Priscila, Renny e Marcelly nos entreolhamos vitoriosos, fiz questão de fingir que não sabia que Anna estava ali, por que se eu a olhasse, era capaz de que alguém deduzisse que aquilo tudo foi armação nossa. Mas para a minha sorte, foi questão de milésimos de segundos, até a platéia soltar uma gargalhada berante a situação, encarando como uma brincadeira, uma irônia, que garanto que foi exatamente a idéia que eu queria passar, por que, se eu efitivamente fosse armar uma cena, não seria na frente da elite da cidade e da imprensa que está cobrindo o evento. Quanto a Cauanne, ela retirou-se envergonhada e fuzilando de ódio.
Uma melodia do The Strokes, se não me engane, chama-se What Ever Happened? tema da formatura, começou a tomar conta do ambiente e ficava cada vez mais alta, a medida que eu subia os degrais da escada de formandos que abriram passagem, talvez pela última vez. Quando pousei a ponta do meu salto dourado no degrau com o nome de Anna , ela repetiu para mim um trecho da canção: ''Wanna be beside her. She wanna be admired’’ cuja tradução é: ‘Eu quero estar ao lado dela, ahh.. ela quer ser admirada.’’, deduzi assim, que ela falava de nós duas.
— Boa Noite...acho que muitos de vocês já devem me conhecer, não é? E se não conhecem, prazer, meu nome é Carina Monteiro — Falei e me apresentei, ao tomar meu posto atrás do palanque — Primeiramente, gostaria de dizer que eu nem sei ao certo por que fui escolhida dentre tantas outras pessoas para representar os formandos, nunca entendi essa atração que New York tem para com as garotas do Hunter e em especial para o meu circulo social. A mídia influente tem uma espécie de sede para descobrir celebridades e novos talentos vindos de escolas particulares caras desta cidade que chega até a me assustar, em razão disso, adolescentes no geral, mundo a fora, desejam ter o poder de dominar uma geração, criam sonhos malucos...planos alucinógenos para tentar derrubar a rainha, todavia o que a maioria das garotas da minha idade, ou até mais novas na sabem, é que o poder é autodestruitivo e de nada vale se você criar uma legião de fãs se você não é bem resolvido consigo mesmo. Sucesso não trás felicidade, sei disso por experiência própria, no meu caso, o sucesso trouxe minha ruína e nada é diferente com outros indivíduos que sempre estão sendo marcados nos meios de comunicação, principalmente nos jornais e nas colunas sociais. Não importa o quanto você tente, o sucesso depende da sorte e do destino — Margareth balançava a cabeça concordando com tudo com um meio sorriso no rosto, parecia estar adorando aquilo, Cauanne que estava em um canto isolado e fora de foco, parou para refletir, sem saber que eu pudia a ver. Senti pena dela e nada mais que pena. — E estou cansada de um sucesso comprado, quero ser eu mesma, conseguir as coisas por mérito, ser normal, crescer e deixar essas pequenas babozeiras de sonhos adolescentes para trás. Não vou negar, todas as vezes que passo pelos corredores deste colégio, e vejo aquela multidão se abrir para mim, a sensação que tenho, é de estar no centro do universo, é de ser um Deus, e levarei comigo esta sensação como uma experiência de vida, mas chega de brincar de Deus! Está na hora de encarar a realidade. Está na hora de manter os pés no chão. Estes anos foram maravilhosos, conheci tantas pessoas, me apaixonei, criei ligações, tracei minha carreira, e agora quero construir um caráter de verdade, por isso, não pretendo fazer faculdade em New York, irei me reiventar e desejo igualmente tudo em dobro para meus colegas de classe. Sejam todos muito bem vindos ao fim do começo do resto de suas vidas!
Uma salma de palmas ecoou, assobios e flashes de câmeras quase me deixaram cega ou surda. Meu pai, minha irmã, minha mãe, meus avós e boa parte da minha família estava presente e aplaudiam de pé, com clara fascinação estampada em seus rostos, dei um forte abraço em cada um deles, quando desci com o diploma em mãos. Após isso, a cerimônia iniciou-se por completa. O nome de Priscila foi chamado em seguida, o de Renny, Pedro, Marrie e pelo incrível que pareça o de Cauanne também, conforme meus amigos iam descendo, iam juntando-se a mim, se mantendo de braços dados. Quanto mais os nomes iam sendo chamados, mais a escada esvaziava, até que somente restou Anna ali.
— Pois bem.. deixe me ver... — Disse Margareth pensativa — Olha só? É isso mesmo? Os diplomas acabaram — Gargalhou em tom brincalhão. Anna arregalou os olhos e ficou vermelha de vergonha, não sabendo em que buraco enfiar a cara — Mentira Anna — O auditório iniciou um burburinho de risadas, era impossível não rir da expressão de desespero dela e de alivio ao mesmo tempo. Margareth continuou — Venha receber o que por direito é seu Srta. King’s e meus parabéns.
{...}
Pouco tempo depois.
Frente do colégio Hunter
O baile já rolava no salão de festas, todos se divertiam, bebiam, curtiam, dançavam músicas antigas e com letras fofas, eu por minha vez, sai um pouco dali para tomar um ar e poder processar aquilo e descansar meus pés da pista de dança.
— Até que enfim te achei! — Pronunciou-se, tocando em meu braço — Por que será que eu tinha certeza absoluta de que você estaria aqui, remoendo a primeira vez em que pisamos nessa calçada? E aproposito, achei seu discurso comovente, pensei que você ia só subir lá e dizer o quanto é adorada, rica e essas coisas. Mas parece que me enganei...
Fiquei em silêncio, ela respeitou-me e continuou quieta, sem dizer nem mais uma palavra que fosse, tirou do bolso de seu sobretudo uma caixinha vermelha e abriu-a, dando em minhas mãos. Era um anel de ouro com a inicial do meu nome gravada, brilhava vigorosamente, levei minha mão até a boca, fiquei assustada e maravilhada com a beleza daquela peça.
''Pare de girar ao redor do mundo
Parece que o céu está caindo
Não posso inspirar, eu não posso expirar
Tenho medo de que eu possa afogar
Não posso permanecer boiando...''
— É pra mim? — Perguntei, mesmo sabendo a resposta.
Anna assentiu e apontou para a própria mão. Havia em seu dedo indicador, um anel idêntico com ela, a única diferença é que o dela, continha a letra ''A’’ na superfície. Anna tirou o meu da caixa, e fez as honras de coloca-ló em meu dedo.
— É um presente. É pra quando...você sabe...estiver em Connecticut e nunca se esquecer de mim. Você vai pra Yale, é tão sua cara! Eu já deveria saber que nos separaríamos, foi por isso que você estava evitando falar no assunto.
''Este é apenas um jogo perverso
Será que vai lavar com a próxima chuva
Não pode desistir,
Eu estou tentando duramente, não é suficiente
Atiro-me ao desconhecido...''
— Me desculpe....
Estou perseguindo a luz solar
Há outra onda crescente
Outra tempestade pra lutar
Venha e me leve
Eu sou apenas uma pedra pulando
Para sempre é muito tempo
Para estar andando em uma linha fina...
Continua...
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