DDUGQP - As máscaras caem.
19 O Adeus Ao Ensino Médio - Part I
Notas iniciais
Anteriormente em DDUGQP...
Também é muito bom te ver, Anny! — Ironizou em uma gargalhada — Não gostei que vocês me deixaram de fora da reuniãozinha de hoje. Por isso, comprei cafés para nós três, temos uma missão antes da nossa grande noite — Espere... ela disse nossa? Cauanne pedirá para se formar conosco, tendo passado meramente meses estudando aqui? — Olha... eu sei que vocês duas não se despediram do ensino médio com estilo.. tipo, fazendo o que fazem de melhor, serem malvadinhas, como eu e não haverá geração futura capaz de superar a gente, fizemos história e agora que estamos deixando de ser adolescentes, temos que criar uma lembrança pra jogar na cara dos nossos filhos. Mas a questão que resta é, vão vir comigo, ou não?
***
1h30min ainda antes...
Arredores do Central Park
7h30min.
''Garota prima-dona, sim
Tudo o que eu sempre quis foi o mundo
Não posso evitar precisar de tudo
A vida da prima-dona, a ascensão, a queda
Você diz que sou meio difícil
Mas a culpa é sempre de outro alguém
Tenho você nas minhas mãos, bebê
Pode contar comigo para se comportar mal''
— Shhh, cale essa boca! — Ela fez sinal com as mãos, empurrando-me para trás de um canteiro de tulipas roxas — Você acha mesmo que eu estou do lado de Cauanne? Por favor, depois de tudo o que ela nos fez! — Começou e continuou a sussurrar, cruzei meus braços e esperei uma breve explicação — Certo, certo! Nós estamos pela primeira vez, um passo a frente dela. Eu sei exatamente o que fazer, mas preciso do numero de Marcelly, por favor Carina — Implorou com olhos de cachorrinho sem dono — Provavélmente ela ainda deve estar com as garotas na minha mansão, não é tão longe daqui e por isso em breve não teremos como impedir que ela venha aqui achando que vai se encontrar com Renny. Eu não quero humilha-lá. Como você disse.. Marcelly parece ser uma boa pessoa. Seria horrível nós acabarmos com a imagem dela bem no dia da formatura sem motivo nem um, porém... não seria tão maldoso assim se déssemos o troco na Cauanne, sabe? Estilo Kings/Monteiro como a gente costumava fazer no nono ano — Em sua frase final, Anna soltou um sorriso, fiz o mesmo ao me recordar de cada barbaridade que tinhamos feito, cada plano que tinhamos bolado e cada ameaça a cada segredo que sabíamos naquele colégio antes de brigarmos por causa de Pedro, e antes dela ir para Londres. Claro, nunca tivemos coragem o suficiente de contar nada do que descobríamos, mas era divertido ter a sensação de poder sobre as pessoas que imaginavam que seriamos idiotas a ponto de acreditarem que iríamos mesmo contar algo a alguém. — É questão de dignade, é a chance perfeita! É dessa chance que tanto falamos em Londres Carina! É essa chance que Marrie, eu e você esperamos desde aquele baile de Natal. É agora ou nunca. Estaremos somente chupando o veneno da cobra para fora e cuspindo literalmente na cara dela.
Era difícil admitir, mas Anna estava certa. Se Cauanne queria bancar novamente de ser a vilã, por que não roubarmos a cena? Só, nós duas, com a ajuda de nossos amigos, dos verdadeiros, obvio ou melhor daqueles, que durante esses anos todos estiveram ao nosso lado. Acredito que, somente alguns são dignos de terem nossa confiança e acredite, não quero me decepcionar com mais ninguém. Creio que posso já ter afirmado isso aqui antes mas o sentimento da traição, é a pior coisa que existe, dói mais do que uma facada nas costas, mais do que um tiro e mais do que qualquer coisa existente nesse mundo. Tudo bem... posso estar sendo um pouco exagerada e dramática, no entanto não estou mentindo, estou? Sendo assim, acho que posso abrir uma exceção e viver meu último momento como adolescente fazendo o que eu desejo a dois anos, ver Cauanne chorando, destruída e derrotada, pois baby, não existe pessoa incapaz de ser derrubada pelas suas maiores fraquezas, principalmente quando há mil ao meu lado, e ninguém para defender o inimigo.
Então, com esse pensamento, sem dizer absolutamente nada, deixei escapar de minha boca um riso irônico. Disquei o numero de Marcelly , e após algumas tocadas a mesma atendeu, coloquei no viva voz para que Anna e eu pudéssemos contar detalhadamente nosso plano e o que Cauanne queria fazer para detonar com Marcelly, fazendo a topar em participar no instante posterior. Todavia faltava apenas um detalhe! O mais fácil de ser resolvido. Busquei em minha lista telefônica um contato recente e apertei em ‘’ iniciar uma ligação imediatamente’’
— Alô? Thommi? Aqui é Carina Monteiro... isso tomamos um café hoje a tarde! Preciso da sua ajuda...daqui a pouco como você sabe é minha formatura e....
Pov’s Anna.
Logo após alguns longos e desgastantes minutos de espera, um casal apontou nas entrelinhas do parque, próximo a fonte... na verdade... um casal não e sim uma garota mais ou menos da minha altura de cabelo não muito comprido, olhos escuros, juntamente a um homem de madeixas castanho claro beirando a loiro que eu conhecia e muito bem... a fim de contas, eu havia as tocado inumêras vezes durantes momentos intimos de mais para serem ditos em voz alta. Não um tanto longe dali, podíamos avistar Cauanne sentada em uma das mesas de piquenique do parque juntamente a Thommas, o cara que deu em cima de Carina na noite passada quando ela ainda era morena e estava usando a minha identidade, sabíamos de fato que Cauanne não resistiria aos encantos de um rapaz mais velho e deixaria-se levar pelo calor do momento, esquecendo completamente de presenciar a cena de Renny e Marcelly.
Carina tirou da bolsa uma câmera fotográfica que sempre carregou consigo desde a época em que nos conhecemos. Lentamente e sorrateiramente fomos nos aproximando arrastando nossos esqueletos por de trás dos carvalhos até estarmos perto o bastante, para a lente, ou seja ‘’ os olhos’’ da maquina poder capturar a conversa de Cauanne e Thommas em forma de vídeo. Ao conseguirmos o que queríamos, Carina saiu de onde estávamos escondidas tentei traze-lá de volta mas minha tentativa foi em vão, percebi assim que a câmera continuava ligada mesmo depois do fora que Thommas acabava de dar em Cauanne. Renny e Marcelly vieram ao nosso encontro. Sem aviso prévio risadas estridentes ecoaram, era a minha, a de Marcelly.
— Bu! — Exclamei surgindo na retaguarda de Cauanne, fazendo-a pular do banco dando-lhe um leve susto — Em termos simples, eu digo: Sorria vagabunda! Você está sendo filmada — Berrei, e voltei a gargalhar por causa da a expressão de fúria que começava a surgir em seu rosto — Me parece que o jogo virou, não é mesmo? Nós vencemos.
Realmente eu tinha razão! Essa foi a melhor sensação de dever cumprido do qual já senti. Nada pode deixar esse dia mais perfeito.
Pov’s Carina.
Estranhamente e de repente, minha cabeça começou a latejar e algumas coisas a girar ...como se eu estivesse sobre efeito de alguma droga ou bebida, aquela sensação era exatamente idêntica aquela que eu senti na noite passada. Parei por alguns segundos encostando-me sobre o tronco de uma das árvores, estava prestes a desmaiar quando fui invadida por um turbilhão de emoções que não sei ao certo descrever, em partes acredito que era um ódio sem motivo, em outras confusão com uma pitada de insegurança. Mas porque? Já mais me senti tão insegura e cheia de pressentimentos deste jeito. É como se algo estivesse errado, ou será somente um aviso para que eu não fique assim tão aliviada de termos dado uma lição em Cauanne? Pode ser que, eu esteja sentindo tudo o que ela está sentindo agora por conta da culpa de ter feito o mal estar caindo sobre mim, recebendo o dobro. Mas ai me questiono, que mal eu fiz? Somente protegi Marcelly do inimigo e não o contrário. O motivo pelo qual eu tenha resolvido fazer somente o bem sem olhar a quem desconheço, só sei que precisava provar algo a mim mesma de que mudei e sou capaz o suficiente de resistir as minhas maiores tentações. Ou talvez, o motivo não seja esse de ‘’ fazer o bem sem olhar a quem’’, talvez o que senti quando vi Marcelly pela primeira vez tenha influenciado nessa decisão, foi alguma coisa parecida quando de longe, avistei Anna sentada na sala de espera da empresa do meu pai em 2008 quando nos conhecemos, o mesmo pensamento me corroeu, o mesmo sentimento que me reduziu a pó de que embora a maioria das pessoas tivesse uma idéia errada daquela garota, eu podia ver que havia mais do que simplesmente raiva de si própria, havia sim, uma pessoa que poderia se tornar boa o suficiente para ficar escondida por medo do que os outros iam penar, e assim, Anna deve-se orgulhar em ter passado da garotinha frágil que aparentava ser e se tornado essa mulher tão forte e independente sem ao menos precisar de minha ajuda, já que minha obrigação era essa. Sinto, que devo ajudar Marcelly também a se tornar esforçada e dedicada igualmente a minha melhor amiga, pois assim como fui provavélmente ‘’o anjo salvador de Anna’’ que a protegeu por todo esse tempo, é minha missão ser do mesmo modo, o de Marcelly.
— C, você está bem? — Questionou Anna, passando a mão e estralando os dedos na frente do meu rosto, fazendo-me voltar istantaniamente a realidade.
Fiz sinal positivo com a cabeça. Avistei a fita da câmera em uma das mãos dela e coloquei-a em minha bolsa.
— Sim... — Menti, em razão de não querer preocupa-lá com a minha saúde — Preciso ir para a casa! Tenho que me preparar para falar perante quase toda New York e me arrumar, e preciso fazer isso sozinha! Você sabe como eu sou com essas coisas, se eu não ficar calma o suficiente, nada acaba saindo — Enfatizei dando, sem deixa-lá interromper ou perguntar mais algo — Te encontro no Hunter College daqui a pouco.
Pov’s Anna
Carina correu para fora dali feito um furacão logo em seguida e sequer, despediu-se direito de Renny e Marcelly. Seu comportamento berante a suas desculpas sem fundamento para se retirar dali foi incômodo até para mim e para Renny que já estamos acostumados com jeito um tanto impulsivo e sem explicação que nossa ‘’rainha’’ tem, mas com toda certeza, mais algo se sobrevém de diferente hoje e prefiro nem saber, afinal pelo que conheço Carina, se eu insistisse no assunto, estragaríamos nosso dia que só nos trouxe alegrias até agora. Será que, isso continuará por mais quanto tempo? Acredite, você não sabe o que é sentir que uma pessoa próxima está contra a parede e não poder fazer nada! Se tem uma coisa que aprendi nesses anos todos morando em NY, é que quando a calmaria se assola, é por que a próxima bomba está prestes a explodir, e desta vez vira de ninguém mais ninguém menos que uma Monteiro. {...}
Continua...
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