DDUGQP - As máscaras caem.
2 E quem sou eu? Prazer! O passado.
Notas iniciais

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Arregalei os olhos com surpresa e levei minha mão até minha boca sem conter meu espanto. Ali, haviam mais de quarenta pessoas esperando para que aparecêssemos. Entre elas, adolescentes e jornalistas. Fiquei estética como uma estátua viva. Priscila puxou-me trazendo-me de volta a sã consciência. Balancei a cabeça, ainda não acreditando no que meus olhos acabavam de ver.
‘’ Olá garotas, prazer em rever vocês! O quê acharam do meu contratempo? Vocês vão demorar um pouquinho ai, não? Isso é só uma parte e uma amostra do que eu sou capaz de fazer para acabar com vocês.
As vejo na segunda-feira. Com toda certeza, vocês iram saber quem eu sou assim que pisarem no colégio Hunter. Até lá.’’ – Li em voz alta, fazendo Anna soltar um grito de raiva.
– M.L.G
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Segunda-Feira,
Mansão da família King’s
New York : Manhattan, Bairro do upper east side
– Anny acorde você está atrasada para o primeiro dia de aula. – Uma voz masculina e conhecida ecoou em minha mente, fazendo-me abrir meus olhos.
Mas antes mesmo que eu pudesse fazer tal ato, senti meus lábios molharem e serem pressionados aos dele. Ah! E como aquilo foi maravilhoso... acordar com ele clamando pelo meu nome é uma ótima maneira de começar o meu dia... ou talvez não...
– Bravo! – Escutei alguém com tom de voz sonolento porém sarcástico, bater palmas em minha frente. – Então o famoso e nem um pouco estranho casal Renna está namorando? – Ironizou – Droga! Por quê eu tenho que ser sempre a última a saber de algo? – Completou.
Aquele jeito, a raiva da qual se expressou berante a mim, com certeza, só uma pessoa nesse mundo tem. Claramente esse jeito é inrreconhecivél, além do mais, lembro-me vagamente de nós duas acordadas até altas horas, fazendo a lista de todos que passaram pelo Hunter nos últimos anos com a sigla ‘’MLG.’’ Carina tinha a senha do banco de dados do colégio desde a época que era assistente da direção, antes mesmo de nos conhecermos. Foi assim que ela conseguiu entrar no mundo em que hoje domina. Não é segredo para ninguém que todos nós um dia já fomos fracassados, e pelo incrível que pareça até eu. Não sinto vergonha disso, meu passado faz parte de quem eu sou hoje em dia, devo a ele por ter me feito abrir os olhos para um novo universo.
– Não te devo nem uma satisfação. — Falei com o humor que sempre tenho a essas horas da manhã em um primeiro dia de aula, levantando-me em seguida da cama ainda um pouco torduada.
– Caso você esteja fraca da memória, eu sou sua melhor amiga e aquele ali que te beijou – Nesse momento ela apontou pra Renny – É o meu melhor amigo, então nunca se esqueça que por termos nos intitulado assim, eu devo saber muito bem de todas as coisas que você faz.
– Garotas, parem! Vocês ao menos já viram que horas são? – Renny manifestou-se, foi quando me dei conta de que o mesmo já estava uniformizado.
Olhei para o grande relógio pendurado em cima da minha penteadeira e assustei-me ao ver que já passavam das 8h40min da manhã. Carina por sua vez, não perdeu tempo, tirou do meu closet as roupas que trouxe para passar a noite, entre elas, o mais novo uniforme do Hunter College High e começou a correr em direção ao banheiro do quarto de hóspides. Revirei os olhos e me propus a ligar a minha banheira da suíte , deixando a água quente enche-lá.
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''Um quadro na parede de um amigo que você conhecia
O cheiro do café sentado em cima do fogão, sozinho
Você está apenas esperando o tempo passar por um segundo de cada vez,
Açúcar em uma tigela querida! Você quer?''
– Você vai usar um blazer vermelho ao invez do azul com o brasão da escola? – Carina questionou indignada – Anna, qual é a sua doença mental?
– Doença mental? – Gargalhei – Minha doença mental se chama senso do quão ridículo são esses uniformes! – Exclamou – e diferentemente de você eu não pago de boa moça – Completou
Ela deu de ombros fingindo não estar nem ai, se jogando em minha cama e suspirando. Noto que Carina está um tanto quanto distante e isso vem acontecendo basicamente desde a madrugada de ontem, quando chegamos até o centésimo nome na lista, uma tal de ''Maria Lissa Gallardo’’. Em minha opinião, não existem chances de ela ser quem procuramos, pelo simples fato de em sua ficha, constar que Maria Lissa é a segunda com mais notas altas acomuladas no último ano no colégio todo, só perdendo para a Carina. Ou seja, ela não passa de mais uma nerd qualquer que não merece nossa atenção e nem a nossa preocupação.
– Vocês estão prontas? – Questionou Renny, adentrando o quarto, fazendo eu e Carina soltarmos um grito de susto feito duas menininhas que fofocavam sobre algo que não poderia ser dito ou sair daquele ambiente.
Embora não estivéssemos fazendo nada, além de trocarmos olhares do tipo que sempre fazíamos quando algo nos encomodava meio ao silêncio, Renny soltou um típico ‘’ Atrapalho?’’ após observar que Carina não havia gostado de sua atitude de retornar ao quarto sem bater. A mesma por sua vez, nada disse, pegou sua bolsa Chanel preta e um tanto quanto pequena, descendo as escadas e indo em direção ao jardim. Renny e eu apenas a seguimos. O carro que nos levaria até nosso destino estava estacionado nos esperando, o motorista abriu a porta para nós, dando oportunidade para nos acomodarmos e em seguida, deu partida.
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– Carina, dá para me contar o quê está acontecendo? Por quê você está sendo rude? Eu te fiz algo? – Falei ao me despedir de Renny, que acabava de adentrar os portões do colégio. – Carina! – Chamei novamente desta vez segurando em seu braço, após não obter resposta.
Fui ignorada. Ignorada pela minha melhor amiga. Com toda certeza, isso é mais um coisa em que temos em comum. Ignoramos as pessoas quando estamos tentando lidar com o fato de que a verdade está perto de aparecer. Só resta descobrir que verdade é essa, por quê acredite, eu não tenho idéia do que se trata. Não desta vez..
– Você sabe o que está acontecendo! Poupe seus esforços para tentar entender o que se passa na minha cabeça agora. Nem você Anna, e nem ninguém é capaz de dominar minha mente. – Disse finalmente tentando se soltar, porém foi em vão, continuei apertando seu braço ainda mais forte do que antes.
Respirei fundo e encarei-a tomando coragem para dizer tudo o quê eu deveria ter dito ontem a noite, mas que todavia eu não disse.
– Eu sou um pouco de solidão, um pouco de negligência, uma plenitude de reclamações e defeitos, mas eu não posso evitar o fato de que todos podem ver nossas cicatrizes aqui nesta cidade. Eu sou o quê eu quero que você queira e o quê eu quero que você sinta. Mas é como se, não importe o quê eu faça eu não posso lhe convencer a simplesmente acreditar que isso é real. Então deixo acontecer. Te observo dando as costas como você sempre fez e sempre vai fazer, abaixando o rosto e fingindo que eu não estou, porém você sabe que eu estarei lá, por quê Carina, você é tudo o quê eu tenho. – Cuspi as palavras. – Por favor, eu te peço, não deixe ninguém e nem quem quer que seja MLG estragar o nosso último ano no ensino médio. Você sabe que eu estarei aqui, junto a você, pronta para derrubar essa vadia que tanto nos atormenta. Estamos juntas nessa... minha dor é sua dor.
Ela olhou para os lados sem saber se deveria acreditar em minhas palavras, ou se ao menos deveria acreditar em quem eu sou e em quem eu era antes de deixar essa cidade. Sua única e plena resposta foi balançar a cabeça em sinal positivo, desta maneira, concordando comigo.
Pov’s Renny.
Todos me olhavam de forma incrédula, parte do corredor onde eu me encontrava naquele instante parou para me fitar atentamente. Eu estava sozinho, deixei Anna e Carina a poucos minutos sozinhas para conversarem, por quê percebi o clima que tinha se formado. Como Pedro, Priscila e Marrie ficaram de estarem aqui quando chegarmos, não tive outra escolha a não ser ir atrás deles. Por sorte, avistei Pedro no meio do caminho usando sua jaqueta vermelha do time de futebol, do qual ele era capitão este ano. Nos cumprimentamos e nos dirigimos até nossos respectivos armários, que por pura coincidência eram lado a lado. Abri a porta do meu com pressa e de lá tirei os livros dos três primeiros períodos, ao coloca-lós em minha bolsa, a multidão abriu passagem para um grupo passar. Pedro e eu deduzimos então, que tratava-se de Anna, Carina, Priscila e Marrie. Mas nos enganamos. Do meio, surgiram três garotas, mas contudo uma se destacava, ela era morena com olhos verdes e sedutores, bem marcados com lápis de olho. Sim, infelizmente eu a conhecia de verões passados...
Seus cachos erão um pouco abaixo do ombro e ela usava saltos altos de cor vermelha, a mesma cor favorita de Carina. Por falar nela, bastou eu ter este pensamento, que novamente a multidão se abriu e agora sim, oficialmente a rainha estava de volta e provavélmente tinha problemas. Será possível existir um problema maior do quê o retorno do passado?
Pov’s Carina.
Você foi, foi, foi embora; eu te vi desaparecer
Tudo o que resta é um fantasma de você
Agora estamos despedaçadas, sempre estivemos...
– Ela cresceu cada semente que eu cresci. Ela sabe sobre tudo o que eu conheço e talvez um pouco mais. Os nossos sonhos, eles sempre coincidem. Os nossos arcos, sempre estão firmemente amarrados. Oh, Abelha Rainha, eu sempre fico feliz em vê-la. – Sorriu. – Desculpe! Roubei essa frase de alguém? – Ironizou jogando piscadelas para Anna que se manteve calada e tentava lançar seu olhar penetrante, mas aquilo parecia não funcionar com a ladra das frases.
Eu quase não acredito que eu e ela estamos frente a frente novamente. Estou frente a frente com o meu passado! Aqui, berante a todos os alunos do meu colégio, vejo e sinto todas as lembranças de um fim quase trágico retornando a minha mente. Mais dia ou menos dia, eu sabia que ela voltaria. Voltaria para fazer-me lembrar que escondo da minha melhor amiga, o maior segredo que sei.
Todos mudam, menos ela. Desde a primeira mensagem eu sabia. Desde o primeiro segundo, MLG já tinha identidade e ela não fez questão de esconder isso.
O meu medo é tão evidente que preferi não acreditar no obvio. Não é medo dela; MLG É inofensiva quando eu estou por perto. Mas tenho medo do quê ela pode fazer se Anna e eu nos separarmos. Para ela, é mais fácil pegar a mais fraca primeiro. Por mais que Anna seja Anna, é evidente que é bem mais frágil que eu. Isso se torna um dos motivos que me faz querer protege-lá.
– Maria Lissa Gallardo. Que surpresa! Como se eu fosse idiota o suficênte para não perceber que quem estava por trás dessa palhaçada era você. Só alguém feito uma Gallardo pode ser tão baixa. – Rebati, enquanto Anna ainda tentava processar a situação.
– Vejo que a trouxe com você. Isso sim é uma surpresa. Vocês juntas, depois do que você prometeu quando eu sai da sua vida. – Lissa se mantinha com os braços cruzados. – Eu odeio pessoas que não cumprem com suas promessas Carina. E vejo que você a vida toda cobrou isso de Anna, mas você própria nunca foi capaz de manter sua palavra por muito tempo. Eu acho que isso responde o por quê eu estou aqui. – Concluiu.
A multidão de alunos começou a colocar corda na briga. Boa parte cochichava e a outra parte gritava. O colégio inteiro parou para ver o confronto entre as duas maiores galinhas da história de New York. Gritos ecoavam e só pararam quando eu fiz sinal com a mão para que todos se calassem.
– Lissa, se você acha que veio aqui para pegar o meu lugar, ou me afastar de quem já mais deveria ter ido embora, fique ciente que você está querendo uma guerra. E como todos aqui sabemos, Carina Monteiro não sai de uma guerra se não for vitoriosa.
Ela caiu no riso zombateiro.
– Queen C, eu sei que você é. Sei quem é você de verdade e é exatamente por isso que não faz sentido você ter arriscado tudo só para ficar perto dela. – Falou.
Anna abria e fechava a boca varias vezes, buscando algo para acrescentar. É! Ela é Anna King’s, sempre tem uma resposta na ponta da língua para tudo.
– Olha Lissa, eu não sei quem é você e eu realmente não quero saber. Mas, amizade é rara, amigos serão amigos, eles seguram sua mão e não se afastam só por quê outros querem. Vejo que você sente inveja porque Carina e eu somos unidas. Vou sentir te decepcionar, se nem eu fui capaz de acabar com o elo que nós temos, porque uma mera e fútil garota vai conseguir? Abra os olhos! Olhe para si própria. Quem é você? Desculpe se eu não faço a mínima idéia dos motivos para uma completa idiota estar fazendo esse tipo de ceninha na frente de toda essa gente. Eu posso ter ficado fora de New York por algum tempo mas eu e Carina sempre seremos quem dita as regras por aqui. – Em sua frase final, Anna virou sem dó nem piedade um tapa no lado direito da face de Maria Lissa, fazendo quem assistia a briga fazer um alvoroso só.
Ódio. Magoas. Mentiras. Segredos. Destruição. Nada mudou e nem vai mudar. Desfile sem cantar vitória. Opps! Acho que não deu para sair de cena sem ser punida dessa vez Anna! Isso vale para todas nós.
– Chega! – Uma voz arfou no fim do corredor. Aquele timbre me soava familiar. Eu rezei para que quando eu me virasse, não me lembrasse de que nada acabou, na verdade, só estava começando.
– Senhorita Monteiro, Senhorita King’s, Senhorita Gallardo, NA MINHA SALA, AGORA MESMO!
Continua...
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