DDUGQP - As máscaras caem.
23 A outra Carina?
Notas iniciais

( Carina)
''Sigo imaginando encontros, desejados por vidas inteiras
Injusto não estarmos em algum lugar
Agindo errado por dias
Grande fuga, perca de noção do tempo e do espaço
Ela é um raio de esperança''
R U MINE? — Arctic Monkeys
***
O sol caiu no horizonte de Manhattan, ao longe, pela varanda de meu quarto, podia-se ver os inúmeros carros passando pela ponte suspensa sobre o rio East. As luzes da cidade, começavam a acender, dando vida a algo que antes, não tinha brilho próprio sobre a nevoa, por exemplo, de uma manhã fria. Bem, é mais justo dizer que a noite estava prestes a chegar junto a onda de calor que decidiu assolar-nos. Um copo de suco de laranja e gelo, acompanhava algumas gargalhadas sobre assuntos diversos a beira da piscina. Priscila e Marcelly davam um longo mergulho. Tereza, desatenta a sua volta, é empurrada pelas duas de roupa e celular na água, enquanto eu acompanhava tudo de cima e encarregava-me de colocar o som no último volume com ''Glad You Came’’, um hino de final de verão. Quando eu tinha por volta de 9 anos, a escutava durante essas despedidas que era acostumada a fazer todos os anos no High School, mas por conta de alguns fatores, nada do tipo acontecia desde a sexta série.
Eu vestia uma espécie de macacão florido, não pretendia acompanhar minhas amigas no banho de piscina. Embora estivesse quase fritando, minha intenção era somente curtir e relaxar da melhor forma, dançando da maneira que eu quisesse, sem reproduzir passos de videoclipes ou algo do gênero. Eu realmente amo fazer isso quando estou feliz. Sinto a necessidade de soltar essa energia de alguma maneira. Não posso dizer que as coisas não tem se acertado sem Anna, estaria mentindo. Nada de Cauanne, nada de mensagens anônimas e nem muito menos, vilões que surgem de bueiro para infernizar-me e tirar minha paz. O ar está limpo, bastava um suspiro para arrancar de mim um sorriso. Sou oficialmente uma universitária e não existe nada melhor do que ser maior de idade e dona do próprio nariz, sem ter minha mãe e principalmente meu pai, pegando no meu pé para que eu me comportasse. Por falar neles, nem preciso dizer que, ambos decidiram passar o final de semana na casa de meus avós paternos, pois os mesmos não andam muito bem de saúde. Já a chata da minha irmã mais velha...creio que, ela e o namorado estão viajando para a Argentina. Conclusão: Dia perfeito.
— Eu juro que se uma de vocês vadias idiotas, ou melhor...amigas da onça estiverem gravando isso, prometo que irei quebrar o celulares e não pagarei por outros — Avisei, colocando minha cabeça para fora da sacada.
Elas riram e balançaram os ombros como se não estivessem nem ai para minha repreensão. Decidi dessa maneira, ignora-lás e continuar a fazer o que eu fazia minutos atrás...me divertir como se não houvesse amanhã. Tereza e Marcelly por suas vezes, faziam competição de fôlego e Priscila, digitava alguma coisa a alguém que não identifiquei e que não me interessei muito em descobrir.
Meu notbook encontrava-se ligado e em estado de hibernação, ou melhor, a proteção de tela de bolha, fazia seu trabalho. A poucos dias ativei as notificações de minhas redes sociais pela área de trabalho, bem como as de meu email, para assim, tornar mais prático a visualização das mensagens que recebo, sem deixar passar nem sequer uma sem ser lida. Atentei-me por alguns instantes para o computador e mesmo com a música alta, pude escutar, o barulho que indicava que eu tinha uma nova notificação. Tentei não pensar naquilo, todavia, não foi uma única vez que o apito daquele negócio basicamente gritava em meu ouvido, tirando-me totalmente a vontade de continuar a deslizar ao som da melodia em meu carpete. Curiosa, sentei-me na escrivaninha e dirigi a flecha do mouse até o ícone do email e cliquei sobre ele. Confusa por não conhecer endereço do remetente, resolvo por fim, abri-ló.
For: CCMonteiroNY@goldmail.com
From: DianaRoyaltyCorporationIN45@godaddy.com
Assunto: You want to play with me C?
Humm, acho tão sensata e admiravél a sua capacidade de não deixar nada passar despercebido, não é alteza. Oh, desculpe? Posso te chamar assim?
Se você está lendo, é uma prova absurdamente inteligente de que você pensa incrivélmente como eu. Talvez não seja atoa que, nós duas escrevemos sobre Anna King’s. Corrija-me se eu estiver errada, entretanto tanto a personalidade dela como a sua, poderiam virar uma obra literária, não?
A vida de vocês, resume-se a um grande e fútil dilema ‘’ Será que somos amigas, ou não?’’ Ah Carina por favor não ache que estou gastando meu precioso tempo te escrevendo isso sem estar , rindo diretamente da sua cara, pode me chamar de vaca ou vagabunda, porém é irônicamente intrigante e sem nexo essa sua preocupação absurda com tudo relacionado a Anny. Saiba que a lealdade é um sentimento para poucos, e assim como você, me orgulho em possui-lá.
Certo, pararei de jogar na sua cara que por todos esses anos, estive bem mais por cima do que você pode imaginar, sei de muito mais coisa de que um dia, você já soube sobre Anna. Basicamente, crescemos juntas baby. Ela é minha irmã, não de sangue, mas a considero uma, afinal ela se tornou parte da minha fantasia de escritora alucinada. Eu a criei, eu transformei-a em um ícone, do mesmo modo que fiz com você. E olha como a vida é engraçada...você sou eu. Eu sou você, literalmente, obvio. Não somos as mesmas pessoas, nem aqui e nem do outro lado do Ocidente. Contudo, eu não sou a única que acha que essa mensagem poderia muito bem ter sido escrita por você, saiba assim que é precisamente essa a intenção, querida. Sério que justamente, você... a garota mais inteligente que conheço, acha mesmo que se livrou de problemas? Sinto te decepcionar, mas eles acabam de começar. O que você passou, foi somente e singularmente uma preparação para futuramente, descobrir quem eu sou. Não foi Cauanne, Maria Alice, Ágata, Laís ou qualquer outra ‘’malvadinha’’ que esteve por trás das desgraças em sua vida quase perfeita, e sim, eu. Prazer, pode me chamar de Diana e saiba... escrevi um livro sobre você, baseado em seu diário, te observo a anos, fui sorrateira, então não adianta tentar descobrir como tive acesso a suas páginas.. tive um trabalho tão árduo Carina...você mal imagina. Quero reconhecimento por ele, só o seu reconhecimento era o bastante para mim... saiba que por a sua falta integra de relevancia pelo meu projeto, te considero a maior egoísta que conheço e agora estou com muito ódio. Eu te juro, nunca quis espalhar as coisas horríveis que li. No entanto a sua amiguinha cutucou-me ao desenterrar meu livro da biblioteca municipal e despertou ainda mais a minha fúria por tê-lo lido. Ah, você não sabia, doce Carina? Anna está em NEW YORK e está se metendo onde não devia.. Surpresa? Eu não. Parece que sempre descubro as coisas antes de você!
É apenas um aviso, encontre-a antes que eu a encontre, faça-a parar de procurar por mim, ou as conseqüências serão bem maiores. Estive na escuridão e quero continuar assim. Não responda a esse email, não force uma coisa que não existe. Não quero uma amizade com você, meu interesse central é outro e em muito breve, terá noticias de mim..
Até logo,
– D.
— Carina? — Chamou e me chacoalhou repetitivamente, Tereza — Por que você está que nem uma múmia parada ai?
Virei em sua direção, ainda com um olhar espantado e minha face, um tanto incrédula. Minha boca, levemente aberta, indicando surpresa, fez com que Tereza, fitasse a tela e como eu não tinha tido coragem o suficiente de fechar a janela com o escrito ali, ela sem hesitar, leu-o. Após isso, passeou suas mãos pelas suas mechas castanho escuro, cruzou os braços e continuou em silêncio absoluto, contemplando o chão, esperando qualquer explicação vinda de mim. Marcelly e Priscila também não demoraram para adentrar o quarto e perceber o clima que pairava pelo ar do ambiente. Tereza apontará para o email. Agora, as três sabiam...infelizmente. Pareciam estarem tão pessimistas quanto eu, tentando insuportavélmente encontrar uma resposta apropriada. As palavras sumiram, um choque sem fim parecia ter nos envolvido. Quer dizer então, que Anna esteve durante as férias inteiras em New York escondida? E por que não me disse que tinha encontrado esse livro? Talvez tenha pensado que, eu o escrevi? Impossível. Tem de haver algum mal entendido! Diana? Como assim? Nunca conheci ninguém com esse nome e muito menos com esse sobrenome. Não tem o por quê alguma desconhecida exclusivamente dedicaria parte de sua vida a escrever sobre mim e Anna? A não ser que, quem escreverá isso seja uma de nós.
— Foi só eu ou, o final desse nome me soa um tanto familiar?— Manifestou-se, Marcelly.
Todas balançaram a cabeça em sinal positivo.
— Responderia muito bem o por quê dela ter dado um sumiço vulgo desaparecimento definitivo. Durou muito mais do que das outras vezes e responderia também o fato de Anna ter resistido a tentação de te dar um telefonema que fosse — Disse Priscila, apontando para mim — Vocês sabem que sempre que ela some, acaba dando um jeito de voltar a atenção da cidade inteira pra ela. Por que dessa vez, não aconteceu isso? Quer queira ou não, Anna sempre se importará com New York e com você, Carina. Ela nasceu aqui, essa cidade é tão dela como sua — Continuou — Garotas...sinto cheiro de mistério!
Levantei-me e comecei a andar em círculos pelo quarto com as mãos na cintura, impaciente e nervosa. Tentando pensar em uma conexão entre Anna e Diana. Será que ela seria tão burra ou ingênua para dar tão na cara assim de que a email era dela? Não me parece algo que tenha sido feito para ser desmascarado. Diana deixou claro que, quer sua identidade em sigilo. Obviamente, nada disso faz sentido. Se fosse um ataque sucedido por parte de uma King’s, seria bem mais elaborado, conheço a assinatura dos planos de Anna de longe, e esse não me parece ter sido bolado por minha melhor amiga.
— E se, Diana queria fazer-nos pensar que é quem achamos que é? E se, esse não for um nome verdadeiro? Tipo, uma segunda identidade? Bom... se a gente não impedir a publicação oficial desse livro, muitas pessoas vão se machucar. Basicamente é a reprise do seu diário Carina. Eu o li, lembra-se? Arrependo-me. Me parece que Diana não entende a gravidade da situação, isso pode ser considerado plágio! — Exclamou, Tereza.
Respirei fundo, tentando conter minha aversão e minha ira ao me dar conta de que uma copia dos meus pensamentos mais profundos, rolava em algum canto de New York, provavélmente sendo motivo de piada.
— O problema não é esse. Ela tem sim noção de onde está se metendo e é exatamente por isso que não vai se revelar tão cedo. Se Diana acha que irei ficar aqui parada de braços atados enquanto sou ameaçada por alguém que mal conheço, está bem enganada. É redodamente improvável que não tenha algum registro de existência dessa menina na face da terra. Com certeza ela deixou escapar uma informaçãozinha que seja. Não importa quanto tempo irei passar procurando por esse deslize, mas eu irei achar, sei até a quem recorrer.
Marcelly e eu nos entreolhamos sorrindo. Só existe uma pessoa que é capacitado para nos ajudar. O garoto observador, que não deixa nem um detalhe passar despercebido, aquele que descobriu antes de mim, que Anna tinha feito uma aposta pela disputa do trono das adolescentes em Londres quando me conheceu. Ele, somente ele.
— Renny? — Tereza questiona
— Renny — Afirmei
Continua...
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