Código de conduta 2

38 E a vida tem que continuar...


Eram 06h40 da manhã e a equipe da funerária iria buscar o corpo do senhor Vegeta as 07h00. A capela já estava cheia de novo de amigos da família que vieram para a última despedida antes do corpo ser levado para o cemitério, o padre que realizava as missas estava fazendo algumas orações. Vegeta havia buscado a mãe, Bulma e Elita bem cedo como tinha combinado e estavam em pé ao lado do caixão se despedindo do homem que já jazia ali.

Bulma estava sentada em um banco mais atrás e estava sentindo um nó na garganta profundo. Laura chorava muito com o filho a consolando, a despedida ia ficando cada vez mais próxima e sabia que Vegeta também estava sofrendo, do jeito dele, mas estava e queria estar lá com ele, queria estar segurando a mão dele, dando apoio, mas sabia que ele não iria deixar, que ele inventaria alguma desculpa para ela ficar longe e aquela sensação era tão ruim que lhe fez sentir uma dor terrível nas tripas era como se alguém estivesse furando seu estômago com um canivete, a dor era tanta que lhe fez sentir falta de ar.

Bulma soluçou com vontade de chorar e sentiu aquele nó na garganta aumentar. O padre ainda rezava encomendando a alma do homem e ela se levantou, sentiu que as pernas estavam fracas e não sabia por que se sentiu assim de repente, foi para a frente da igreja e colocou as mãos no batente da porta na intenção de respirar um pouco de ar puro, puxava o ar com força para os pulmões, mas não estava adiantando parecia que suas vias aéreas estavam entupidas e o ar não queria entrar, sentiu tonturas e sua cabeça agora começou a girar e girar sem parar à medida que não conseguia mais focar em um ponto fixo, sentiu calafrios e as pernas enfraqueceram se apoiou com as duas mãos no batente da porta sentindo aquela tontura aumentar e que não estava mais no controle do próprio corpo, sua visão lhe abandonava junto com a consciência e não conseguiu mais se manter em pé, foi sentindo o chão cada vez mais próximo de seu rosto e desmaiou na porta da capela.

***

Bulma começou a acordar aos poucos sentindo uma pressão no seu braço direito, algo gelado lhe apertava e depois ia folgando aos poucos. Abriu os olhos piscando algumas vezes para se livrar da zonzeira na cabeça.

— Ela está acordando...

Alguém disse do seu lado.

— Graças a Deus! — alguém disse mais à frente.

Ela abriu os olhos por completo agora olhando quem estava do seu lado e reconheceu a vizinha enfermeira que tinha socorrido a mãe de Vegeta no outro dia, a mulher estava ajoelhada e aferia a sua pressão.

— Bulma, diz pra mim o que você tá sentindo? — a mulher perguntou enquanto a examinava. Bulma estava meio aérea não se lembrando direito do que aconteceu, sua última lembrança era de estar na porta da capela e de estar passando mal, se mexe e nota que estava deitada em um dos bancos na sacristia e tinha algo fofo e macio na sua cabeça. Olhou melhor em volta e viu Vegeta parado de frente para ela com as mãos no quadril e parecia preocupado.

— O que foi que aconteceu? — ela perguntou tentando se sentar e teve ajuda de alguém que estava atrás dela foi aí que percebeu que estava deitada sobre as pernas de Elita que lhe ajudou a sentar.

— Você desmaiou na porta da capela e trouxemos você para cá. — a vizinha respondeu, assim que se sentou Bulma sentiu uma dor terrível na cabeça que lhe deixou tonta.

— A minha cabeça parece que vai explodir...

— Não aperta muito, você bateu a cabeça quando caiu e criou um galozinho. – Gisele diz tirando o aparelho de seu braço.

— O que fez que ela desmaiasse? — Vegeta perguntou mantendo a mesma postura, mas apenas por fora e a mulher virou para Bulma após guardar o aparelho na maleta.

— Me diz Bulma quando foi a última vez que você comeu? — a mulher lhe fez uma pergunta simples, mas deu um nó na cabeça da garota que nem se lembrava da última vez que eu tinha comido.

— Eu não sei, eu não me lembro. – ela responde meio sem graça, tendo quase certeza que a última vez que comeu foi no café da manhã do dia anterior.

— Esse foi o motivo, você está fraca, está sem se alimentar a muitas horas sua pressão está muito baixa. – Gisele diz e Bulma olha pra Vegeta que passa a mão pelo cabelo.

— Eu não senti fome...

— Eu sei que em situações como essa é quase impossível ter fome, mas tem que comer pelo menos uma besteira, o corpo não aguenta tanto tempo sem nenhum nutriente, você passou mal porque está fraca precisa se alimentar. — A moça continua dizendo.

— A culpa foi minha eu devia ter prestado atenção nisso. – Vegeta diz.

— É só você se alimentar e vai ficar bem e não faça isso de novo. – ela sorri.

— Eu vou providenciar isso agora mesmo. – Vegeta torna a dizer, mas não esboça nenhuma reação.

— Onde está todo mundo? – Bulma pergunta agora notando que estavam apenas eles na sacristia.

— Já foram para o cemitério a funerária já veio buscar o corpo. – ele responde.

— Então vamos pra lá eu já estou bem.

— Não você não vai! – Vegeta diz no exato momento que a garota ia se levantar. _ Você está muito fraca pode passar mal de novo, eu vou pedir para alguém ficar aqui com você e te levar para comer alguma coisa. – completa e já tinha decidido.

— Eu posso ficar Vegeta se você quiser. — Elita se ofereceu. _ Eu não gosto muito dessa parte, enterros não é muito comigo, eu fico com a Bulma e levo ela para comer.

— Ótimo. – Vegeta aprova. _ Se puder fazer isso te agradeço muito Elita, eu não posso deixá-la aqui sozinha e também não posso ficar.

— Eu tô bem Vegeta, eu quero ir, só foi um mal-estar. — Bulma protestou.

— Não discute Bulma, eu tô dizendo que você não vai e ponto final! Eu não vou arriscar que você passe mal de novo, você vai ficar aqui com a Elita!

Bulma abre a boca para protestar, mas senti Elita alisar seu braço como se ela estivesse dizendo com aquele gesto para ela ter calma.

— Eu vou para o cemitério agora tá todo mundo me esperando. Elita fica com meu cartão Bulma sabe a senha, vão comer alguma coisa em algum lugar tem muitas lanchonetes aqui perto, vou ficar com o telefone ligado então qualquer coisa me liga.

— Pode deixar Vegeta não se preocupe. — ela pega o cartão que ele lhe entregava e Vegeta saiu sem ao menos dizer mais nada ou se despedir. Bulma se viu sozinha com Elita na sacristia e se levanta injuriada.

— Você viu Elita como ele tá me tratando?

— Fica calma Bulma não discuti com ele agora.

— Ele tá frio comigo nem olha na minha cara direito!

—Deixa pra você conversar sobre isso depois, pra ele também não tá sendo fácil ele está indo enterrar o pai dá um desconto.

— É eu sei...

— Vamos sair daqui eu estava mesmo querendo um motivo para não ir eu nunca gostei de enterros, mas também estava morrendo de medo de ficar aqui sozinha.

Bulma riu.

— Então eu acho que esse é seu motivo perfeito.

— Vamos procurar algum lugar para gente comer alguma coisa eu também confesso que tô morrendo de fome.

Elita segurou no braço de Bulma e as duas saíram da capela pela porta lateral da sacristia, ainda tinha algumas pessoas dentro do espaço inclusive funcionários da funerária que arrumavam as coisas e recolhiam tudo que foi cedido pela funerária para o velório. As duas atravessaram a rua e entraram na lanchonete mais próxima que ficava a apenas alguns metros dali. Bulma ainda sentia as pernas fracas, mas não tinha um pingo de fome. Se sentaram em cadeiras do lado de fora da lanchonete onde batia um sol gostoso para àquela hora.

Elita pediu a uma das funcionárias duas fatias grandes de uma torta salgada de frango cremoso e palmito Bulma precisava de sal no sangue para recuperar as forças e dois copos de suco de laranja. Quando a torta chegou Elita deu uma grande garfada aprovando o sabor, mas Bulma ainda ficou cutucando a torta com o garfo mostrando que não tinha intenção de comer.

— Bulma é melhor você comer se o Vegeta voltar e encontrar você com essa cara mais pálida que um defunto ele vai brigar é comigo!

— Ele tá me tratando mal desde que a gente chegou aqui. – A garota suspira.

— E o que foi mesmo que aconteceu entre vocês? Eu nunca vi o Vegeta desse jeito.

— Ele tá com raiva de mim. – ela suspira de novo.

— Vegeta com raiva de você? Então a briga de vocês foi séria hein? – Elita da mais uma garfada na torta, estava curiosa.

— Mas a culpa foi minha... Sempre é... Eu acho que se não fosse à morte do senhor Vegeta ele nem iria me manter por perto.

— Não diz isso Bulma, o Vegeta te ama!

— Mas ele não tá nem aí pra mim ele... nem olha na minha cara direito com certeza iria preferir que eu não estivesse aqui!

— Pois eu tenho certeza que não, ele ficou todo preocupado quando você desmaiou. As pessoas começaram a gritar que uma moça tinha desmaiado na porta da igreja e eu e o Raditz vimos você primeiro e ele veio correndo quando viu que era você, pegou você dos braços do Raditz e ficou muito preocupado queria te levar para o hospital e tudo, mas aí aquela vizinha que é enfermeira disse para levarmos você até a sacristia que ela iria te examinar.

Bulma suspirou mais uma vez e continuou cutucando a torta.

— Come logo, faz um esforço você não pode ficar fraca assim.

Bulma sabia que Elita tinha razão então começou a comer devagar, alguns minutos depois o celular de Elita começou a tocar e ela sorriu pra Bulma ao ver o nome Vegeta no visor.

— Olha, seu policial ligando... Alô?

— Oi Elita, sou eu. Cadê a Bulma? Onde vocês estão?

— Oi Vegeta! Estamos lanchando numa lanchonete na rua da capela.

— Ótimo! E a Bulma está comendo?

— Ela tá tentando...

— Não a deixa sair daí sem comer por favor. – ele pede.

— Não se preocupe, nem que eu tenha que virar ela de cabeça para baixo, mas ela vai comer tudo!

— Obrigada, você pode anotar um endereço?

— Claro, deixa eu só pegar um papel. — Elita abriu a bolsa de grife para pegar uma caneta e um bloquinho de papel. _ pode falar.

— É o endereço da casa da minha mãe. 1005, Burnside St. Quando vocês terminarem pega um táxi aí e vão para lá, pode pagar a corrida no meu cartão, debaixo do jarro grande do lado da porta tem uma chave reserva entra e fica com Bulma lá assim que terminarmos aqui eu e o Raditz vamos encontrar vocês.

— Tá bom Vegeta pode deixar, você quer falar com a Bulma?

— Não... eu ligo depois, já estão começando a sepultar o corpo só liguei para saber como ela está.

— Tudo bem então qualquer coisa pode me ligar.

Vegeta desligou e Bulma suspirou mais uma vez.

— Tá vendo Bulma, ele ligou para saber como você está!

— Mas nem quis falar comigo!

— Ele disse que era porque já estavam sepultando o corpo do pai dele, disse para depois que terminamos irmos lá para casa da mãe dele e esperar por ele e o Raditz lá.

— Eu queria estar lá com ele. – a garota bufa.

— Mas ele prefere que você fique aqui, ele está preocupado acredite, agora coma tudo você só sai daqui quando comer essa fatia de torta todinha!

Bulma sorri e continua comendo pouco a pouco, pensava que até que não era tão ruim ter Elita por perto ela era divertida e não parava de falar estava sempre emendando um assunto no outro e nisso ela se parecia tanto com Chichi, se as duas fossem parentes não se pareceriam tanto. Depois que comeram as duas pegaram um táxi ali em frente mesmo, Elita mostrou ao taxista o endereço da casa da mãe de Vegeta que não ficava muito longe dali, apenas umas duas ruas acima.

Chegaram à casa grande de fachada amarela com muitos jarros de flores coloridas na sacada e no pátio. Elita se ateve ao jarro grande e marrom de girassóis que ficava ao lado da porta a chave reserva estava debaixo dele como Vegeta havia dito e entraram. Agora que era dia Elita pode reparar melhor a casa.

— Nossa, a mãe do Vegeta tem uma casa bonita, não é? – Elita comenta.

— Tem mesmo. – Bulma se joga no sofá sem forças para nada.

— Ontem à noite não deu para reparar direito, você vinha muito aqui?

— Na verdade não. – ela responde e Elita foi abrir as duas janelas da sala para entrar ventilação. _ Eu vim umas três vezes quando criança, Vegeta não tinha uma relação muito boa com os pais dele.

— Nossa, deve ter sido difícil. – Elita abre as janelas e senta ao lado dela.

— Foi mesmo... Até um ano atrás ele e o pai nem se falavam e hoje ele está aqui enterrando ele...

— A vida às vezes é injusta, não é?

— Com certeza... Eu vou ligar pra Chichi, eu não falei com ela hoje ela deve estar esperando notícias.

— Tá bom, eu vou ao banheiro e já volto. — ela se levantou para procurar o banheiro e Bulma pegou o celular da bolsa tinha muitas mensagens de Sam, mas ignorou e foi direto no número de Chichi e ligou para a morena.

***

Cerca de uma hora e meia depois as duas perceberam a movimentação de carros parando em frente à casa. Elita olhou pela janela e viu que eram Vegeta, Raditz e Laura que voltavam do enterro.

— Eles já voltaram! – diz a Bulma e vê que junto com o carro de Vegeta e o de Raditz tinha outros carros com certeza de amigos da família, mas eles não entraram logo, ficaram na porta conversando com algumas pessoas que saiam dos carros.

Bulma sentiu dor de cabeça e como se diziam por aquela região ''seu galo já começava a cantar''. Elita encontrou uma bolsa de gelo dentro do congelador e levou para ela colocar em cima do galo para diminuir o inchaço.

A casa de repente se encheu de gente novamente de amigos e vizinhos, mais cheio que o velório era a casa do falecido depois dele. Vegeta entrou em casa acompanhado de várias outras pessoas que lhe cumprimentava o tempo inteiro e diziam palavras de conforto, metade daquelas pessoas ele nunca tinha ouvido falar, mas era educado com todos. Viu Bulma sentada no sofá com a bolsa de gelo na cabeça e foi até ela, apesar das coisas estarem estranhas estava preocupado.

— Bulma, você tá melhor? – ele se aproxima, sentando ao lado dela.

— Humhum.

— Deixa-me ver isso. — ele afastou a bolsa de gelo e colocou a mão no galo que tinha se formado atrás da cabeça dela e fez uma careta ao perceber que era um caroço grande.

— Tá doendo muito?

— Um pouco...

— Eu vou pedir pra Gisele dá uma olhada nisso, você tá sentindo sono, vontade de vomitar?

— Só sono.

— Não dorme ta, ela veio junto conosco, mas não sei onde ela tá eu vou procurar ela e pedi para ela dar uma olhada nisso tá bom?

Bulma assente com a cabeça e Vegeta se levantou e a deixou sentada no sofá de novo, as vizinhas amigas da mãe de Vegeta tomaram conta da casa, era incrível como a solidariedade se apossava naquelas situações todo mundo ajudava como podia e se oferecia para ajudar a família do falecido, pois ainda estava todo mundo muito abalado e em todo canto que se olhava tinha alguém fazendo algo. Bulma viu uma mulher regando as várias plantas da senhora Laura que tinha espalhadas pela casa e outras vizinhas estavam na cozinha fazendo o almoço. Bulma queria conversar um pouco com a senhora Laura, mas a mulher sumiu na casa, iria esperar que todos fossem embora para falar com ela tinha muita gente lá para ela dividir as atenções. Ficou sentada com Elita no sofá quando Raditz se aproximou e se ajoelhou para falar com ela.

— Oi Bulma, como você está?

— Eu tô bem Ditz, é só o galo que tá cantando. — Bulma força um sorriso para amenizar a situação.

— Tá muito feio? Deixa-me ver. — Bulma tirou a bolsa de gelo e Raditz colocou a mão e fez a mesma careta que Vegeta tinha feito.

— Caramba, isso tá muito grande, não é melhor levar você pro hospital?

— O Vegeta tá procurando a Gisele, aquela vizinha enfermeira. — respondeu colocando a bolsa de novo.

— Isso tá feio, era melhor levar você no médico, mas chegou um monte de gente aí que nem o Vegeta sabe quem é não tão deixando ele nem respirar.

— Casa depois de enterro é sempre assim lota de gente que nem se sabe quem é! — Elita comentou.

— Mas você tá bem mesmo? Diz para mim e não mente!

— Eu tô bem Ditz, tô falando sério. – ela sorri de novo.

— Nossa quando eu vi você caída no chão daquela igreja meu coração parou de bater sabia?

— Não exagera Ditz!

— É claro que eu exagero, não só eu fiquei preocupado, mas todo mundo ficou inclusive o Vegeta!

— Como foi lá Ditz, no enterro? – ela o olha parando de sorrir.

— Foi muito triste, a dona Laura passou mal de novo teve que ser amparada ela também não deveria ter ido, foi bom você não ir o Vegeta tá muito mal, nem sei como ele ta conseguindo dar conta de resolver tantas coisas sozinho.

— Ele não tá me deixando aproximar, não me deixa nem conversar com ele.

— Ele está daquele jeito dele, que por fora parece que nada está acontecendo, mas por dentro está desmoronando você o conhece melhor do que eu.

— Ele não quer me deixar ficar perto dele.

— Não é verdade, ele só tá confuso, aconteceram coisas demais em intervalos curtos demais, ele não tá sabendo por onde começar a pensar só dá um tempo para ele, por que não tá sendo fácil nenhuma dessas situações.

— Também não está sendo pra mim Ditz, eu queria poder fazer alguma coisa, dizer alguma coisa, confortar ele de algum jeito, eu tô me sentindo uma inútil aqui!

— Você conhece o Vegeta Bulma, você sabe como a cabeça dele funciona só tenha paciência. Eu conversei muito com ele ontem à noite e sei como ele está se sentindo espera a casa se esvaziar, todo mundo ir embora.

— Eu tô dizendo isso para ela o dia todo! — Elita comentou.

— Deixa o luto dele passar e vocês vão conseguir resolver tudo isso.

— Eu não queria que nada disso acontecesse.

— Eu sei que não, mas aconteceu, e quem está errado ou não agora não importa. — ele sorriu pra garota e depois segurou na mão da namorada de forma carinhosa. _ Meu bem depois do almoço nós voltamos pra Oregon tá bom?

— Tá bom amor.

— Vocês já vão hoje?

— Já, não podemos demorar muito e eu tô cheio de pendências da delegacia.

— E eu também deixei a loja sozinha. – completa Elita.

— Você sabe quando o Vegeta vai querer ir embora?

— Eu não sei, mas acho que vocês ainda vão ficar mais um ou dois dias, parece que o advogado do senhor Vegeta vai vir aqui hoje à noite conversar com vocês.

— O advogado? Por quê?

— Acho que tem algo a ver com o inventário do senhor Vegeta, eu não entendo muito bem sobre essas coisas, Vegeta vai saber te explicar melhor. Vocês querem alguma coisa da cozinha? Vou procurar um café e depois eu venho ficar com vocês um pouco.

— Eu não quero nada. – Bulma responde.

— Traz um café pra mim amor. – Elita aceita.

Raditz se levantou e também sumiu pela casa, algumas pessoas vinham falar com Bulma, pessoas que estavam na igreja quando ela desmaiou vinham lhe perguntar se ele estava bem, se precisava de alguma coisa. Ela continuou sentada no sofá não queria admitir, mas ainda estava sentindo as pernas meio moles então preferiu ficar sentada. O tempo ia passando, Elita tinha se levantado um pouco e viu que ela conversava com algumas vizinhas a mulher era fácil de fazer amizade olhou para seu lado esquerdo e viu Vegeta se aproximando.

— Deixa-me ver Bulma. — ela tirou a bolsa já quase descongelada da cabeça e Vegeta colocou a mão no galo de novo. _ A Gisele tá no quarto com a minha mãe, mas ela me pediu para te dar isso. — disse mostrando a Bulma uma cartela de comprimidos para dor.

— O que aconteceu com a sua mãe?

— Ela tá bem, é só à pressão dela que ta baixa demais, mas já tá tudo bem, beba isso. — Vegeta colocou um comprimido na mão de Bulma e lhe entregou um copo com água. _ Ela pediu para quê ficássemos olhando o caroço e se até o final do dia ele não diminuir eu levo você no médico para fazermos uma tomografia, pediu para te perguntar se você tá sentindo enjoo ou alguma tontura?

— Não eu não tô sentindo nada disso é só dor de cabeça.

— Tá bom, se você começar a sentir alguma dessas coisas me avise, eu trouxe esse travesseiro para você se escorar melhor. – disse e ajeita um travesseiro no braço do sofá para Bulma deitar. _ Uma das amigas da minha mãe está fazendo almoço quando elas terminarem eu faço um prato pra você.

— Não precisa, eu comi muito lá na lanchonete...

— Eu não quero saber você vai comer sim, está fraca porque não se alimentou direito eu devia ter prestado mais atenção nisso, eu também não como desde ontem, mas eu já estou acostumado com isso você não!

— O Ditz disse que vai vir um advogado aqui hoje.

— É o advogado do meu pai ele vai abrir o inventário dele.

— Mas tem que ser hoje?

— Essas coisas são melhores se feitas algumas horas após o enterro para evitar problemas.

— E depois sua mãe vai voltar para Oregon com a gente?

— Tô tentando convencer ela de ficar apenas uns dias lá em casa, mas ela não quer, prefere ficar aqui com as lembranças dela, mas depois com calma eu volto a falar sobre isso com ela. Agora deita um pouco eu vou pedir pra Elita ficar de olho em você, chegaram uns amigos do meu pai que vieram de longe e estão o tempo todo falando comigo, mas depois eu volto para ver como você tá.

— Tá bom.

Vegeta se afastou e sumiu pela casa de novo logo e Elita voltou com duas xícaras na mão.

— Bulma você tem que beber isso, é chá de limão, uma delícia.

Bulma se sentou melhor no sofá para receber a xícara quente da mão de Elita o cheiro era muito bom, assoprou um pouco o líquido e deu uma golada generosa, realmente o gosto era melhor ainda.

— É mesmo, é muito bom.

— Eu sei que não é a melhor hora para isso, mas eu já comprei um monte desse chá aqui com aquela senhorinha ali. – Elita aponta para uma senhora de amarelo que acena para ela. _ Ela é comerciante na região e tem uma loja de chás, comprei umas 20 caixas e ela mandou o filho ir buscar. Já é a terceira xícara que eu tomo.

— Que bom, pelo menos você tá fazendo amizades. – ela assopra mais um pouco para beber.

— Você também estaria fazendo se não estivesse tão borocochô!

— Hoje o dia não está nem um pouco fácil para mim.

— Você ainda não me contou por que você e o Vegeta estão estranhos assim?

— É ele que tá estranho comigo quase nem olha na minha cara!

— E tem alguma coisa a ver com esse Sam que te liga toda hora?

— Você já percebeu?

— Percebi que alguém chamado Sam te liga e você rejeita a ligação. – ela não sabia se deveria ser tão direta.

— Era meu amigo, nos conhecemos na faculdade e estávamos sempre juntos.

— Já entendi... Ele era um amigo, mas não queria só isso?

— Ele disse que é afim de mim e me beijou na porta da faculdade.

— Sério? Que cara louco e corajoso! Imagino que o Vegeta descobriu, você contou pra ele?

— Nem teve tempo, ele ouviu uma conversa minha e desde então me trata como se eu fosse uma estranha.

— Putz! Tá explicado porque ele tá assim.

— Ele acha que eu o traí.

— O Vegeta te conhece Bulma ele sabe que você não fez por mal só não consegue admitir agora a cabeça dele deve tá muito confusa. Mas... Você gosta desse tal de Sam?

— Mas porque é que todo mundo me pergunta isso? – ela agora se zanga.

— Ué, só para saber!

— Mas é claro que não, eu nunca nem olhei pro Sam dessa forma eu sempre o vi como um amigo e ele sempre soube o quanto eu sou apaixonada pelo Vegeta ele se aproveitou de uma situação!

— Olha, conhecendo o Vegeta pelo pouco que eu conheço me admira esse Sam ainda está vivo! — Elita sorriu enquanto tomava seu chá e viu Bulma fechar a cara pra ela. _ Mas não se preocupa, Vegeta vai falar com você na hora certa deixa só a cabeça dele voltar ao normal.

— Sabe que as vezes eu penso que o Vegeta seria muito melhor sem mim, eu trago muito mais problema pra ele do que qualquer outra coisa.

— Ai Bulma! Que coisa horrível de se dizer!

— E eu tô mentindo? Qualquer um com certeza pensa assim, que o Vegeta deveria ter sido só meu tutor legal mesmo, que nunca deveria ter se envolvido comigo!

— Para de falar bobagem, ele com certeza não pensa assim. Essa pancada que você levou ta é mexendo com a sua cabeça.

Bulma fecha a cara e continua tomando o chá, sente seus olhos arderem porque não consegue parar de pensar nisso e de se sentir mal com isso...

...