Código de conduta 2
55 A vingança é um prato que se come frio!
Vegeta ainda olhava para a médica em sua frente com os olhos arregalados e mais branco do que as paredes daquele hospital. Aquela mulher acabou de dizer que Bulma estava grávida?
— Ai merda! — Raditz passa a mão pelo cabelo ao ouvir.
— Do que é que você está falando mulher? — Vegeta pergunta, por que não consegue acreditar.
— Você não sabia? Eu sinto muito...
— Explica essa história direito! – ele sente seu coração ficar apertado, aquilo não poderia está acontecendo.
— Ela chegou aqui com uma hemorragia vaginal muito forte achamos que ela possa ter recebido uma pancada forte na região, mas ao examiná-la percebemos que ela tinha tido um aborto provocado pelo acidente e não teve nada que possamos fazer. O feto ainda não estava totalmente formado, acreditamos que ela estava entre quatro e cinco semanas de gestação... — a mulher explica e Vegeta tinha parado de ouvir quando ela disse ''aborto'' ficou pálido e por um momento achava que não estava respirando.
— Mais doutora nós não fazíamos ideia disso e acreditamos que nem a própria Bulma sabia. Ela passou por muita coisa nos últimos dias. – diz Raditz a mulher, também em choque.
— Eu entendo, e sinto muito mesmo ter que dar essa notícia assim, mas como disse ela já chegou aqui com o sangramento muito forte e não teve nada que possamos fazer.
— Mas como ela está? Ela já sabe?
— Não, ela está desacordada ainda, conseguimos conter a hemorragia e vai ficar tudo bem. – A medica responde e Raditz olha para Vegeta do seu lado que não tinha reação nenhuma e parecia que estava em choque, o homem nem se mexia.
— E por quanto tempo ela vai precisar ficar aqui? – Raditz pergunta.
— Alguns dias, precisamos monitorar ela principalmente por conta da pancada que ela teve na cabeça precisamos estar sempre examinando pra termos certeza que não terá nenhum dano grave.
— Entendo... E quando ela vai acordar?
— O sedativo que demos é forte, ela irá dormir por algumas horas, provavelmente só acorda a noite ou amanhã.
A mulher olha para os dois e pelas roupas deles era óbvio que eram policiais e estavam sujos de sangue.
— Vão pra casa, descansem um pouco, ela vai demorar pra acordar, mas tarde vocês voltam. – ela sugere, vendo que eles ficaram bem abalados com a notícia, principalmente o noivo da moça que nem se mexia.
— É, acho que vou levar meu amigo pra casa ele tá bem mal.
— Leva sim, uma notícia dessas não é nada fácil.
— Mas, por favor, nos avise quando ela acordar ou se acontecer qualquer coisa.
— Aviso sim não se preocupem, deixe os números de contato na ficha. Eu vou voltar lá pra dentro. — Emília sorri para eles e sai, Raditz passa na frente de Vegeta e começou a ficar preocupado com ele.
— Vegeta pelo amor de Deus fala alguma coisa!
— Ela... Ela estava grávida Raditz... – o homem murmura ainda em choque.
— Vegeta eu não sei nem o que dizer...
— Bulma estava esperando um filho meu...
— Eu sinto muito Vegeta... Senta um pouco. – Raditz puxa Vegeta pelo braço e o senta no banco, o homem não conseguia acreditar, aquilo não poderia ser verdade, Bulma estava grávida dele? Sua menina passou por todas aquelas coisas grávida e perdeu o bebê?
— Isso não pode está acontecendo! – Vegeta coloca as mãos no rosto tentando assimilar tudo aquilo, não poderia ser verdade.
Raditz sentiu seus olhos arderem, eles pareciam não ter paz, até quando eles sofreriam assim? Quando tudo parecia estar indo bem algo acontecia, eles não mereciam passar por mais esse baque. Massageou o ombro do amigo que estava com as mãos no rosto e os cotovelos apoiados nos joelhos, queria mostrar que estava ali com ele, que tudo ficaria bem apesar dele mesmo não acreditar nisso...
Alguns minutos depois ele se levanta. Vegeta ainda estava em silêncio e sabia que estava processando tudo aquilo. Pega dois copos plásticos na recepção e vai para o bebedouro beber um copo d'água e enche o outro copo pra Vegeta, queria que ali tivesse uma boa dose de whisky achava que Vegeta iria gostar mais, foi até o amigo que ainda nem se mexia.
— Toma Vegeta. – diz e ele levanta a cabeça agora. _ Queria poder te oferecer uma boa dose de whisky, mas infelizmente é o que tem.
— Isso tudo parece um pesadelo Raditz. – ele aceita a água, mas ainda não bebe.
— Eu queria poder te dizer alguma coisa, mas eu ainda tô pasmo e não sei o que dizer.
— Ela estava esperando um filho meu Raditz, ela passou por tudo aquilo esperando um filho meu... – Vegeta bebe a água, mas sente ela ficar engasgada na garganta queria mesmo que aquela fosse a dose do whisky mais forte do mundo.
— Vocês nunca desconfiaram de nada? A médica disse que ela estava de 4 a 5 semanas.
— Não, eu nunca desconfiei... ela sempre tomou as pílulas do jeito certo, nunca falhava, mas aí todas aquelas merdas foram acontecendo com a gente e...
— Mas será que ela não sabia? Talvez ela não te contou por medo de você pensar que não era seu.
— Eu nunca pensaria isso Raditz, nunca!
— É e pensando bem não acho que ela teria se arriscado tanto sabendo que estava grávida.
— Eu nunca pensei em filhos, você sabe disso, mas com ela era diferente Raditz, eu queria tudo com ela. Eu... – ele olha o amigo sem saber como processar tudo aquilo.
— Mas vocês ainda podem ter, esse não é o fim, Bulma é jovem ainda e você também, vão poder ter quantos filhos vocês quiserem.
— Eu não sei como ela vai reagir quando souber...
— Mas você vai estar do lado dela e vão passar por mais essa juntos.
— Meu Deus que pesadelo! – ele volta a colocar as mãos no rosto tentando respirar.
— Vegeta vamos lá pra casa, você toma um banho, come alguma coisa, descansa...
— Eu não vou sair daqui!
— Não vai adiantar você ficar aqui agora, a médica disse que ela vai demorar a acordar, e não é melhor você ir trocar essa roupa? Ela não vai gostar de ver você assim todo sujo de sangue e eu também vou pegar umas roupas que a Elita tá separando pra ela. – Vegeta suspira. _ Vamos, mais tarde eu trago você de volta.
— Tá bom Raditz, você tem razão.
— Eu sempre tenho! – Raditz brinca para tentar amenizar o clima, não sabia como os dois iriam superar mais aquele baque cruel do destino. Os dois se levantam e antes de irem embora passam na recepção e deixam os telefones deles na ficha dela, Raditz leva o amigo pra casa dele, Vegeta estava ficando lá até resolver a situação da casa dele, ele ainda não tinha tido cabeça para procurar um perito, estava resolvendo uma coisa de cada vez. Vegeta passou o caminho inteiro em silêncio, com a cabeça encostada no banco e olhava pela janela, Raditz o deixou assim, sabia que ele precisava pensar toda aquela situação não estava sendo nada fácil.
Cerca de 1 hora depois chegaram à capital Raditz leva Vegeta para sua casa, pega uma roupa limpa pra ele no guarda roupa e o deixa no banho e vai dá um pulo na delegacia ver como estava às coisas até voltarem para o hospital.
Vegeta entra no banheiro e se olha no espelho, se vendo sujo de sangue, do sangue de Bulma e também se misturava ao sangue de seu filho. Seu filho... Meu deus ele teria um filho, ele estava crescendo dentro da mulher que era o amor da sua vida, e ele foi impedido de crescer, de nascer por causa de um bandido sem escrúpulos, sua menina correu todos os perigos, enfrentou um bandido sozinha, passou por todos os perrengues e tudo isso com o filho dele no ventre, aquilo era tão injusto que chegava ser cruel. Tirou a roupa jogando em um canto e ligou o chuveiro, entrou debaixo da água molhando os cabelos deixando ela lavar todo aquele sangue e escorrer para o ralo, ficou parado em baixo da água e sentiu suas próprias lágrimas se misturarem aos jatos de água que caia, ele estava desolado, a visão do acidente, dela dentro daquele carro enquanto ele capotava não saia da sua cabeça, o pânico que sentiu em tirar ela machucada do carro, das palavras dela antes de perder a consciência, da médica dizer que ela tinha perdido um bebê que ele nem fazia ideia que existia... Porque aquilo estava acontecendo com eles? Será que nunca sairiam daquela montanha russa? Ele chora, pois não sabe o que fazer, pela primeira vez fica sem ação, a raiva e a dor se mistura ao sentimento de culpa de não ter conseguido protegê-los, dela ter passado por tudo aquilo grávida e não poder ter feito nada e não sabia como iria contar aquilo pra ela, sabia que Bulma sonhava em ter uma família e contar que por alguns instantes ela teve isso, mas que foi arrancado dela chegava a ser cruel.
Tomou um banho longo e se vestiu com a roupa que Raditz deixou pra ele no quarto, o amigo era alguns centímetros mais alto, mas as roupas ficaram boas, tinham quase o mesmo corpo. Foi pra sala e colocou seu celular para carregar na tomada ao lado do sofá, o aparelho começa vibrar sem parar mostrando que tinha muitas mensagens chegando, mas ele não consegue responder, seu corpo estava pesado, sua mente se negava a assimilar todos os acontecimentos e ainda não sabia como iria encarar Bulma naquele hospital. Ligou a televisão e sentou um pouco a fim de descansar por algumas horas. A notícia da prisão de Freeza e de todo o seu esquema estava em todos os noticiários, só se falava disso na tv.
— ''Voltamos agora com mais notícias sobre a prisão do deputado Thomas Freeza que foi preso essa manhã acusado de tráfico de drogas e armas em quase 7 estados, assassinato e sequestro e que foi pego em flagrante em um galpão fora da cidade tentando fugir e com ele estava uma estudante de 19 anos que não teve seu nome divulgado, a adolescente estava sendo mantida refém, pelo filho do deputado o também estudante Samuel Freeza, que com a chegada da polícia tentou fugir com a garota de carro, mas por conta da estrada completamente enlameada por conta das fortes chuvas o jovem perdeu o controle do carro e este capotou vários metros em uma ribanceira na estrada que liga o bosque de Álamos a cidade costeira de North Bend. No acidente a jovem ficou gravemente ferida e o rapaz infelizmente não conseguiu sair do carro e morreu carbonizado na explosão do veículo. Freeza saiu agora pouco do hospital Providence willamette Falls onde precisou passar por uma cirurgia para a retirada de uma bala que estava alojada em sua coxa direita, ele está sendo levado agora para a delegacia para prestar esclarecimentos e ainda hoje será levado para o presídio federal onde ficara em uma prisão especial até o julgamento. Os restos mortais do seu filho, está no IML da cidade e será mandado para Portland onde a mãe dele o aguarda para as cerimônias fúnebres. Freeza se mantém calado até o momento e seu advogado o doutor Antônio Paragus já o espera na delegacia. Voltamos a qualquer momento com mais informações!"
Encerra a jornalista que fazia a cobertura daquele caso.
Vegeta desliga a televisão, não queria mais ficar vendo aquilo pelo menos não tinham falado o nome de Bulma, tinha pedido para que não divulgassem o nome dela não queria expor a garota mais do que ela estava exposta.
...
Alguns minutos depois Raditz voltou trazendo comida que comprou num restaurante próximo, estava faminto, nem se lembrava a última vez que tinha comido e Vegeta também. Colocou as sacolas na mesa e foi tomar um banho rápido, Elita estava indo pra lá levando algumas roupas que arrumou para Bulma, ele estava exausto aquele dia tinha sido cansativo e parecia piorar a cada segundo. Veste uma roupa limpa e quando volta pra cozinha vê Vegeta dormindo sentado no sofá, não o acordou sabia que ele também estava exausto, tinha passado por muitas coisas nos últimos 3 dias coisas demais para um homem só suportar. Puxou uma cobertinha que usava para cobrir as pernas quando ficava até tarde ali assistindo filmes e cobriu o amigo, deixou ele descansar um pouco, ainda faltava muito para anoitecer e eles poderem voltar ao hospital. Logo Elita chegou e ele fez um gesto pra ela não fazer barulho e foram conversar no quarto...
***
Vegeta acorda quase 18:00 horas e nota que tinha cochilado no sofá, seu pescoço estava dolorido e briga com Raditz por ter lhe deixado dormir tanto, mas não nega que aquelas horinhas deixaram seu corpo mais descansado, ele não pregava os olhos desde o dia em que Bulma sumiu e não sabia como ainda estava se aguentando em pé. Queria voltar pro hospital e esperar Bulma acordar, mas Raditz só o deixou sair depois que ele comesse, além de não dormir ele também não comia e tinha guardado comida pra ele no forno e esquentou no micro ondas colocou seu amigo teimoso na mesa e o fez comer, ainda teria uma barra pra enfrentar e precisaria está forte só depois de comer que o levou de volta ao hospital.
Quando chegaram ao hospital já se passava das 19:00 foram a recepção para pegar alguma informação de Bulma quando viram a médica dela vindo e ela os viu ali.
— Ah, que bom que chegaram, já ia ligar pra vocês.
— O que aconteceu? – Vegeta pergunta.
— Sua namorada acordou a cerca de 1 hora, estava muito confusa e uma das enfermeiras acabou contando sobre o bebê sem querer, ela tá nervosa e chamando você o tempo todo.
— Droga! Me leva até ela.
— Eu vou ficar aqui! – Raditz diz, a médica guia Vegeta até a emergência e o segurança abre a porta pra eles, o leva pelos corredores até o leito de Bulma e lhe mostra a porta do quarto, ele se aproxima lentamente sentindo seu coração cavalgar dentro do peito, pois já era capaz de ouvir o choro dela, ''droga!'' ele pensou, ''não era pra ela saber assim!'' Fica na porta e vê Bulma sentada na cama com as mãos no rosto e ela chorava muito, tinha curativos por todo o corpo, nos braços, no rosto e pescoço e uma faixa enrolada na cabeça, seu coração se cortou ao vê-la e soube naquela hora que ela não sabia da gravidez, se aproximou com um nó na garganta e viu uma enfermeira ao lado da cama dela com uma seringa na mão.
— Ei Bulma, amor eu tô aqui. – ela tira as mãos do rosto e olha pra ele e chora mais, Vegeta sente o nó na garganta aumentar e seu coração se corta ainda mais ao vê-la cheia de curativos e com manchas roxas no rosto, os olhos pareciam duas cachoeiras azuis de tanto que chorava ela o abraça com força puxando sua jaqueta e ele aperta os olhos tentando não chorar junto, sabia que precisava ser forte, por ela, aperta os olhos, pois não seria nada fácil. Coloca a cabeça dela em seu peito e a abraça, mas sem força, ela também tinha machucado as costelas e deveria estar sentindo dor e sabia que ela não poderia ficar naquele estado.
— Vegeta... Eu não sabia... Eu não sabia... – ela soluça encharcando a jaqueta dele de lágrimas.
— Eu sei meu amor, eu sei...
— Eu... Eu perdi nosso bebê... – ela chorava muito, e ele sentia a agonia dela, a tristeza dela e não queria vê-la assim, nunca suportou vê-la assim.
— Vai ficar tudo bem meu amor, fica calma, você não pode ficar nervosa assim.
— Se eu soubesse... Se eu soubesse... Não teria ido embora... – ela soluçava e seu corpo inteiro tremia.
— Olha pra mim Bulma. – ele segura o rosto da garota com as mãos olhando dentro daqueles azuis que tanto amava e fez um esforço absurdo para não chorar. _ Eu também fiquei muito triste, você estava carregando um filho meu, mas nada do que aconteceu é culpa sua.
— É culpa minha sim... Por minha culpa eu o perdi, eu... Eu devia ter percebido que ela estava aqui dentro de mim... — ela chorava, as lágrimas não paravam de cair e tremia muito.
— Não é, não é sua culpa, olha pra mim, ele ainda estava muito pequeno, não dava pra notar e você ainda é jovem, vai poder ter quantos filhos quiser e eu espero que você ainda me ame o suficiente para que eu seja o pai de todos eles. – Bulma chora com mais força só de ouvi-lo falar.
— Você... Não tá com raiva?
— Claro que não, eu estou orgulhoso de você, por tudo o que você passou sozinha, eu tô muito orgulhoso.
— Eu... Eu só quis proteger você...
— Meu amor se você soubesse o quanto eu senti sua falta... – a abraçou de novo, ela não conseguia parar de chorar e ver o sofrimento dela estava deixando Vegeta nervoso ela não merecia está passando por aquilo.
— Há quanto tempo ela está assim? – ele pergunta pra enfermeira.
— Desde que acordou, eu acabei contando do bebê sem querer, me desculpe eu não fazia ideia que ela não sabia que estava grávida.
— Tudo bem, ela iria ter que saber de qualquer jeito...
— Eu preparei um calmante pra ela, mas ela não me deixa aplicar.
— Isso vai fazê-la dormir?
— Vai sim.
— Pode aplicar. – ele diz abraçando Bulma, sem deixar ela perceber o que a enfermeira iria fazer, sabia que ela não podia ficar assim, ela precisava se recuperar, se é que isso seria possível.
A enfermeira se aproxima pegando a mangueira do soro de Bulma e espeta a agulha nela aplicando o calmante diretamente na veia da moça, Vegeta continua abraçado a ela sentindo seu coração apertado em vê-la assim e poucos minutos depois percebe que ela vai se acalmando aos poucos e para de chorar, ele a deita na cama e alisa o rosto machucado estava doendo nele ver sua menina machucada assim, cheia de hematomas, ela só fungava e parecia estar mais calma, o coração volta a bater no ritmo normal, sente que ela segura sua mão e aos poucos começa adormecer. Bulma estava usando um daqueles macacões de um hospital e uma das pernas estava enfaixada, Vegeta senti um calafrio aquilo não iria ficar assim não iria deixar por isso mesmo ela não merecia está passando por isso, ela não merecia ter passado por tudo aquilo grávida era muita maldade. Bulma era só uma garota cheia de sonhos que nunca via maldade em ninguém que tinha um coração do tamanho do mundo e não merecia que tivessem brincado com a vida dela assim. A cadeia era pouco pra aquele homem e a culpa era toda dele.
Deixou Bulma aos cuidados da enfermeira e saiu do quarto seus olhos faiscavam estava com ódio e iria deixar que ele dominasse porque naquele momento não conseguia ser diferente. Voltou pra recepção e Raditz estava sentado esperando por ele, mas se levantou quando viu o amigo se aproximando.
— Vegeta, como Bulma esta?
— Eu preciso da sua ajuda! – Vegeta dispara sem responder à pergunta dele.
— Claro, mas o que foi que aconteceu?
— Me leva de volta pra capital!
Vegeta diz e sai, Raditz ainda ficou parado no mesmo lugar sem entender, mas aí foi atrás de Vegeta.
— Vegeta espera, porque vamos voltar agora?
Vegeta para no meio do caminho e olha para Raditz muito, muito sério.
— Você está sempre dizendo que eu posso contar com você para qualquer coisa, eu posso mesmo?
— Mas é claro que pode Vegeta!
— Então eu preciso de ajuda em uma coisa e, por favor, não me julga! — diz e volta para o carro do amigo que estava estacionado próximo dali, Raditz não entendi nada, mas decide não perguntar agora. Vegeta saiu da sala com uma cara que parecia que queria matar um e mal sabe ele que essa será a intenção.
***
Freeza tomou banho no banheiro da sua cela especial que era de acordo ao seu nível de escolaridade e a função que exercia no governo e se vestiu com uma de suas roupas que já havia sido levadas para lá. Era um quarto pequeno, mas bem confortável, tinha televisão, um sofá, geladeira e uma cama. Se sentou um pouco no sofá, evitou ligar a televisão, pois sabia que seu rosto estaria estampado em todos os jornais tudo tinha dado errado e ele não fazia ideia de como sair daquela situação. Ficou perdido por um tempo pensando no filho apesar de ter sido um pai rude e rigoroso amava seu filho e estava sofrendo, do seu jeito. Sam era um garoto tão jovem, cheio de vida... Tentava não deixar que os sentimentos lhe dominassem, não poderia se permitir sentir dor, ou culpa, esses sentimentos lhe destruiriam.
Se levantou e foi para o quarto queria dormir e esquecer aquele dia, pois o próximo seria ainda pior. Foi pegar uma coberta no pequeno guarda-roupa quando ouviu que a porta de seu quarto tinha sido aberta e um policial que entrou:
— Freeza você tem visita! – diz o homem na porta do cômodo que era o quarto.
— Visita há essa hora? Eu não quero receber ninguém.
— Você precisa vir!
Freeza estranha o recebimento daquela visita àquela hora, não era mais permitido visitas nesse horário no presídio, mas mesmo assim segue o policial que tranca seu quarto novamente, ele não é o algemado, o policial desce alguns lances de escada com ele saindo daquele andar de celas especiais, estava curioso com aquela visita e imagina ser algum dos seus aliados, pois logicamente aquele era o melhor horário para se conversar sem levantar nenhuma suspeita. O policial o levou para uma sala na ala oeste e o deixou sentado na cadeira e saiu deixando a porta aberta. Segundos depois um outro homem entrou e Freeza o encarou bem, pois o conhecia, era o policial Vegeta.
...
Vegeta entra na sala encarando o homem que estava sentado sua raiva só aumentou quando olhou para ele e se lembrou de tudo o que passou nos últimos três piores dias da sua vida e ao ver sua menina daquele jeito no hospital por causa dele, só havia um culpado de tudo e ele estava ali bem na sua frente e olhava pra ele formando um sorriso cínico nos lábios. Vegeta sempre imaginou como seria aquele encontro, como seria esta cara a cara com aquele homem e se Freeza soubesse o que estava passando na cabeça dele agora não estaria sorrindo pra ele assim.
Vegeta fecha a porta lentamente e se aproxima:
— Boa noite Vegeta! Eu achei que nunca fossemos conversar assim, cara a cara. — Freeza diz sem se intimidar com a presença do homem, mas não nega estar surpreso.
— Como estão tratando você aqui? – Vegeta pergunta dissimulado cada átomo do seu corpo grita de ódio por aquele homem.
— Muito bem até, o quarto é até confortável.
— Infelizmente não posso mandar você para um lugar pior, você tem nível superior, é deputado federal tem direito a regalias.
— Veio chutar cachorro morto Vegeta?
— Você não parece estar sofrendo! — Vegeta puxa uma cadeira a arrastando para o meio da sala e se senta distante de Freeza. _ Para alguém que perdeu um filho! — ele cruza as pernas e encara o homem.
— Eu amava o meu filho, do meu jeito!
— Sabe Freeza eu também perdi um filho hoje e eu nem tive a chance de vê-lo crescer na barriga da mulher que eu amo, de vê-lo nascer, de vê-lo dizer suas primeiras palavras e de ensinar a ele o que é certo ou errado.
— Do que você está falando? – ele levanta umas das sobrancelhas e nota a raiva nas palavras de Vegeta.
— Será que não consegue adivinhar?
Freeza pensa por um segundo e fica surpreso.
— A garota estava grávida?!
— Estava, mas nem mesmo ela sabia, mas você e seu filho fizeram questão de tirar ele de mim! – Vegeta cospe, a forma sínica que Freeza o olhava estava lhe dando náuseas.
— Eu sinto muito, não fazia ideia disso.
— E teria feito alguma diferença pra você?
— Olho por olho, dente por dente Vegeta! Você também matou meu filho.
— Quem matou o seu filho foi você! — Vegeta grita e se levanta derrubando a cadeira. _ Você o matou com a sua falta de escrúpulos, sua falta de caráter, você matou seu filho porque foi incapaz de ser um pai pra ele!
— Eu não quero mais continuar tendo essa conversa!
— Mas vai ouvir! Porque você tirou tudo de mim! Fez a minha mulher ir embora para dar ela de presente pro seu filho como se ela fosse um objeto sem valor, como se a vida dela não importasse, você é um doente!
— Eu sou um sobrevivente Vegeta!
— Você não faz ideia de como eu tô me sentindo, não faz ideia de como é imaginar a mulher que você ama passando por tudo aquilo estando grávida e você não saber de nada, você não faz ideia do que passa pela minha cabeça agora enquanto eu tô aqui olhando pra você!
Vegeta o olha com tanta raiva, tanto desprezo que sente sua mão começar a tremer.
— Eu não me arrependo de nada, quer dizer, me arrependo de não ter tentado convencer você a trabalhar comigo, meus negócios teriam deslanchado com você ao meu lado.
Freeza coloca uma perna sobre a outra e sorri para ele.
— E o que faz você pensar que eu teria aceitado?
— Todo homem tem seu preço Vegeta, e eu encontraria o seu!
— Está enganado! — Vegeta tira sua pistola da cintura e coloca sobre a mesa. Freeza a encara, mas não demonstra nenhuma reação. _ Eu jamais me venderia pra você, você não me conhece Freeza.
— Tenho que admitir, eu subestimei você Vegeta, não é à toa que está aqui depois de três emboscadas minhas.
— Pode mexer comigo quantas vezes você quiser, mas você mexeu com ela e isso eu não vou perdoar nunca! Sabe qual é a pior parte de toda essa história? Ter que dizer pra ela que vai ficar tudo bem quando nem eu mesmo acredito nisso!
— E o que você quer que eu faça Vegeta? Que eu volte no tempo?
— Não! O que eu quero é que você não tenha mais a chance de machucar ninguém, que você pague por tudo que fez, por todas as famílias que você destruiu com esse seu egoísmo, que você pague pelo que fez com ela, ela não merecia, ela era só uma garota que teve a vida destruída por um lunático como você e eu vou fazer você pagar nem que eu tenha que ir para o próprio inferno por causa disso...
...
Raditz estava do lado de fora esperando Vegeta o homem tinha ido até ali sem dizer nada e estava meio apreensivo. Vegeta estava com aquela cara de quando estava com ódio de alguém e tinha medo do amigo fazer uma besteira. Eles conseguiram aquela visita fora de hora e completamente sigilosa com a ajuda do diretor do presídio estadual Percival ele era muito amigo de Vegeta e conseguiu aquele encontro com ele e o deputado sem que ninguém soubesse e Raditz tentou convencê-lo a não falar com ele agora, sabia que Vegeta estava com raiva do homem e estava ali para acertar as contas, mas tinha medo que ele se complicasse ainda mais. Não via à hora de Vegeta sair daquela sala queria ser uma formiga para saber o que estava acontecendo lá dentro e de repente um som encheu o ar.
Pow!
Raditz arregalou os olhos ao ouvir o som de um tiro que saiu de dentro da sala e depois viu Vegeta saindo da mesma guardando a pistola dele na cintura.
— Vamos Raditz, já fiz o que eu queria!
Vegeta passa por ele sem dizer mais nada, o homem continua estacado no mesmo lugar sem reação, olha para o lado direito vendo policiais entrando na sala e engole em seco.
— Puta merda Vegeta! O que foi que você fez?
...
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