Código Secreto

17 Capítulo 17 - A emboscada do escorpião


Ego leonino, era o que diria o amigo Afrodite. E talvez fosse exatamente isso o seu maior algoz naquela hora. Como um verdadeiro maltrapilho, um zumbi, ficou novamente parado espreitando o telefone a sua frente na esperança de que ligassem o mais rápido possível. Caso contrário assim que o sol abrisse sairia à busca de informações. Sua atenção agora voltada para o aparelho tentava desviar a atenção do garoto que parecia decidido a enlouquecê-lo.

O tempo passou e Ikki sequer percebeu quando foi que caiu no sono. Acordou completamente desajeitado com os primeiros raios de sol incomodando seus olhos, sentindo uma dor incomoda se abater sobre seus músculos maltratados. Mas nada disso o impediu de saltar do sofá quando inesperadamente o telefone tocou. Seu coração acelerou, mal teve tempo de pensar em qualquer coisa e já estava com o telefone em mãos.

Alô, senhor Ikki...

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No carro preto de Milo, a conversa cessara assim que chegaram ao destino. O escorpião contara tudo o que o ruivo revelara, inclusive sobre o fato de Kanon ser filho de um antigo inimigo da família Verseau. Parecia acaso demais para ser realmente mero acaso. Assim, concluíram que o ideal seria que se separassem em busca de mais informações.

Milo deixou Afrodite em sua casa para que realizasse as pesquisas e investigações que julgasse pertinente enquanto ele mesmo tinha seus planos. Acordaram que, assim que um deles tivesse alguma novidade, se encontrariam. Então, após sair da casa do pisciano, o policial se dirigiu até a casa do chefe, o delegado Kanon.

A ideia não era fazer uma visita ao chefe àquela hora da madrugada. Pelo contrário, o escorpião desejava manter-se anônimo apenas observando. Diante de tudo o que descobriu, tinha certeza que seria através dele que desatariam todo aquele caso. Então, com seu carro preto, estacionou estrategicamente posicionado próximo a casa do delegado. E esperou...

O veículo estava desligado, imerso no silêncio e na escuridão da noite. Milo encolheu-se um pouco no banco do motorista, de forma a ficar o mais confortável possível e ao mesmo tempo invisível a qualquer olhar curioso lançado ao carro. Suas mãos estavam apoiadas na parte inferior do volante, batucando os dedos de forma pouco paciente. Não era seu forte aquele tipo de vigília, mas tinha que ser ele a fazer. Paciência...

O tempo e o silêncio trouxeram para o loiro, memórias sobre o homem que agora vigiava de perto. Kanon era o delegado daquela circunscrição* antes de Milo chegar naquela região como policial e sempre fora muito bem quisto por todos. Era um homem de mãos de ferro, sempre demonstrando fervor no cumprimento de seus deveres. Para qualquer um que presenciasse o seu empenho, Kanon pareceria um profissional apaixonado pelo ofício. E nunca escondeu que encarava o trabalho como além do que um simples emprego, mas também como uma importante e imprescindível função social.

E, lembrando-se de tudo isso, era inacreditável para Milo pensar que seu chefe era um traidor. Que ele estivesse ao lado do ‘chefe’ encobrindo seus crimes junto a Polícia. Não poderia ser que ele tivesse mentido durante todos os cinco anos no qual convivera com ele junto a delegacia. Tinha que ter alguma explicação para aquilo e era isso o que iria descobrir.

O escorpião jamais esqueceria aquela sua primeira missão como policial sob comando do implacável delegado Kanon, justamente uma que envolvia o demorado processo de vigília. E o silêncio frio da madrugada deu vazão as suas lembranças.

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Flash Back

– Atenção, homens! Fiquem em absoluto silêncio, aguardem as minhas ordens! – Disse pelo rádio o único chefe de polícia que se envolvia efetivamente nas missões. Era madrugada, a hora perfeita para capturar aqueles homens que eram a escória da sociedade.

Ikki, Milo e Afrodite, cada um em seus postos estrategicamente posicionados, observavam e aguardavam ordens superiores para agir. Devidamente armados, eles acompanhavam os movimentos daquele grupo de arruaceiros enquanto se embebedavam, brindavam, e cometiam todo o tipo de ilegalidade sobre o pretexto de festa de rua. Os adolescentes farreiros, sabíamos, eram meros fantoches para dissimular o que realmente acontecia por lá. A paciência era imprescindível naqueles momentos, e Kanon parecia ter de sobra... E Ikki de menos.

Esperem... – Sussurrou baixo em nossos rádios assim que avistou o que parecia ser o homem que procurávamos. Havia suspeita de ele estar envolvido com tráfico de drogas, armas, além de corrupção de menores. Não se sabia, mas seria esse o ‘chefe’ a quem passaríamos os próximos anos procurando.

E quando parecia que logo ele revelaria sua identidade, um dos seus homens atirou e matou um garoto, um adolescente que estava no local, sem um motivo aparente. Ele fora morto na frente da equipe e para nós, iniciantes, aquilo afetou mais do que se esperava. E mesmo com a ordem de calma vinda do delegado, Ikki não se segurou e violou as ordens do chefe e avançou contra os homens.

Com tal fato e sem poder tomar outra atitude, os outros da equipe, sob as ordens de Kanon, tiveram que intervir para que Ikki não acabasse morto. E, mesmo com um dos seus homens agindo impulsivamente, Kanon conseguiu contornar a situação e resguardar a integridade de toda a equipe.

Fim do Flash Back

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Milo lembrou-se daquele episódio, um dos mais tensos de sua carreira. Eram novatos, ele e os amigos, e embora a experiência e o brilhantismo de Kanon tenha possibilitado que todos terminassem a missão com segurança, ainda assim não fora isso que impressionara o iniciante escorpião.

Já era de conhecimento de muitos o envolvimento amoroso entre o delegado Kanon e Ikki. O leonino era um ano veterano sobre Milo, e ainda era casado com Esmeralda quando se envolveu com o geminiano. E foi o relacionamento não tão secreto que fez todos acreditarem que o leonino não seria punido por ter desobedecido às ordens superiores e posto toda a equipe e a missão em risco.

Era fato consumado na mente da corporação quando todos foram pegos de surpresa com a suspensão de Ikki, confirmada pelo próprio delegado. Não se sabia ao certo se a decisão de puni-lo vinha de um cumprimento fiel das regras ou se era motivava pela boca do povo, para calar aqueles que duvidavam de sua ética. Mas o fato foi que depois disso Kanon passou a ser visto como o homem mais íntegro da corporação, mesmo que agora isso não se aplique tão ferrenhamente para si.

Além deste fato, muitos outros casos demonstravam a competência e o caráter do geminiano. E era impossível que um homem pudesse mudar assim, repentinamente. E também não era possível que este homem tivesse mentido nos seus atos por tanto tempo! Cada detalhe, cada olhar de repreensão ao ilícito, cada palavra firme de retidão, aquilo realmente era inacreditável!

Seus olhos cerraram um pouco, o tempo parecia se arrastar sem que algo acontecesse. Tudo estava silencioso e sem nenhum movimento. Talvez quando amanhecesse pudesse perceber algum movimento... E então notou uma pessoa caminhando apressado pela calçada da rua. Estava todo de preto e andava com impaciência, mas não conseguiu reconhecer por estar longe de seu carro.

Ajeitou-se melhor no banco do motorista e fitou mais atentamente a figura que caminhava apressado e parando na porta da casa do delegado. Foi nesse momento que o policial conseguiu identificar. Era Isaak, o tal amigo de Hyoga. E não poderia dizer que era uma surpresa porque no fundo sempre desconfiou do garoto. Talvez, tenha até sido ele o responsável pela descoberta do paradeiro de Ikki, Shun e Hyoga.

A porta da casa se abriu para o mais novo e ele entrou. O policial olhou ao redor, procurando se tinha mais alguém observando aquela cena além dele, mas a rua estava deserta. Conferiu a hora em seu relógio de pulso. Já era quase quatro da manha, o que aquele garoto iria querer com Kanon ainda mais naquele horário? Aquele encontro indicava claramente que havia alguma relação mais próxima entre os dois, precisava descobrir o que era.

O escorpião estava prestes a sair do carro quando seu celular tocou. No visor do aparelho aparecia o nome de Camus. Estranhou aquela ligação, mas atendeu.

– Alô? Camus?

– Oi Milo. Desculpa estar te ligando a essa hora! Mas eu precisava falar com você e é urgente!

– Tudo bem, Camus. Mas o que aconteceu? Você está bem? – Perguntou preocupado.

Eu estou bem, mas... – O ruivo vacilou. – Você poderia vir aqui em casa? Agora?

Agora? – Insistiu Milo, que não queria sair de sua vigília que considerava muito importante. – É que agora estou numa missão...

– Sim, Milo! Venha agora! É muito importante!

– Aconteceu alguma coisa?

– Sim, aconteceu. Mas não posso falar por telefone. Por favor! – O policial demorou a responder aquele pedido. O ruivo parecia angustiado, parecia ser importante realmente. Mas ao mesmo tempo aquela missão também era. Fitou mais uma vez a casa do seu chefe e respirou fundo. – Está certo, estou indo agora mesmo.

Decidiu-se. Diante de tudo o que acontecera nas últimas horas, era improvável que Isaak saísse de lá por agora. Já tinha uma desconfiança muito forte da ligação entre aqueles dois então era provável que esperariam o desenrolar dos fatos com os sequestradores. E por outro lado, Camus não iria ligar naquele horário se não fosse realmente importante.

Assim, seguiu rápido para a casa de Camus. Tentou ligar para o amigo Afrodite, sem sucesso. E com Ikki, porém a ligação só dava ocupado, o que preocupou ainda mais o amigo escorpião. Entretanto, seguiria o primeiro plano e seguiria para a casa do ruivo.

Quando chegou foi logo recepcionado por Natássia, que já havia recebido alta do hospital. Entrou na casa e se surpreendeu com mais uma presença chorosa na sala de estar da família Verseau. Reconheceu a garota após algum tempo. O cabelo curtíssimo e preto o fez desconfiar, já que ela tinha outro visual quando a conheceu. Mas, o que mais estranhou foi o modo como ela estava abatida. E aparentava ter chorado bastante.

– Ainda bem que você chegou! – Camus proferiu assim que viu o loiro.

O que está acontecendo?– Perguntou fitando a jovem chorosa.

– Vem aqui... – Camus pediu para que o policial o seguisse até outro cômodo enquanto a filha cuidava da menina.

Ela apareceu já tem mais de três horas, em pânico! – Camus começou a dizer enquanto pegava uma bebida para si e para Milo sem nem perguntar se outro queria. Milo observava o quanto o ruivo estava tenso evidenciada com aquela tentava se controlar. – Você sabe exatamente onde ele está, não é? Sabe onde está Hyoga.

A pergunta foi direta e incisiva, quase uma afirmação. O modo que aquele homem o encarava demonstrava um sentimento novo, desconhecido até então para um loiro que já se sabia acostumado a investigar aquele olhar e reconhecer cada sentimento que se passava naquele coração já bastante sofrido.

Camus... – Hesitou a dar uma resposta para ele, desviando o olhar receoso de acabar vacilando. O mais velho pareceu perceber e deixou os copos na mesa e se aproximou, numa postura que exigia uma resposta.

– Natássia é mãe dele! E está sofrendo demais com essa ausência, mas o pior é não saber como ele está. O senhor tem filhos?

– Por favor, me chame de Milo...

– Ok... Você tem filhos, Milo?

– Não... – Ficaram em silêncio por um tempo, encarando-os um ao outro.

– Então não sabe a dor que é ver um filho sofrer... Sumido, ou não saber o que acontece... Ou...

– Camus, eu sei...

– Não, não sabe...

– Sim, eu sei, mas é complicado. É uma operação secreta! É pra sua segurança e a de todos! Já disse isso antes! – As palavras saíram sem que tivesse controle, fechando os olhos ao perceber os sentimentos que residiam naquele ímpeto de se fazer entender, quando a técnica exigia distanciamento. Não poderia, nem se quisesse recriminar Ikki, pois havia cometido o mesmo erro com o avô de Hyoga.

Então, admite que você sabe onde ele está! – Virou-se para o policial revoltado.

Sim, eu sei! Mas não posso dizer, entendeu? É pra sua segurança e dele também! Qual parte você não entendeu? – Explodiu com um pouco de raiva, aproximando-se dele ainda mais, fitando diretamente seus olhos, para sussurrar, não queria ser ouvido, especialmente por Natássia. – Ele está bem, ele está bem! Mas não posso dizer nada além disso, entendeu? – O ruivo permaneceu estático, com a mesma expressão séria e estranhamente fria que teve desde que o escorpião chegou.

Não entendo. Eu confidenciei a respeito de minha vida coisas que jamais disse a ninguém... E não foi para você brincar de gato e rato com o meu neto! – Milo respirou fundo e revirou os olhos. Acharia graça daquilo, em outra ocasião, é claro. Era a primeira vez que ouvira o outro chamar Hyoga de neto. Mas naquele momento apenas queria fazê-lo entender.

– Escuta... Ele está com o Ikki. Está escondido porque... Não sabemos em quem confiar. Estamos investigando.

– Pode confiar em mim...

– Eu sei, mas não posso. O Shun, filho do Ikki, foi sequestrado.

– O que? – Aquela informação solta fez o ruivo se perder na conversa.

O filho pequeno do policial Ikki estava com eles, escondidos, ninguém sabia. Mas, aparentemente alguém descobriu e sequestrou o menino.

Céus! Mas... Como esse tal de Ikki deixou uma criança pequena...

– É uma longa história, Camus. Eu só quero que entenda, que quanto mais pessoas souberem onde eles estão é pior. Podem usar vocês para rastrearem eles. Aliás, Hyoga não ligou para vocês?

– Não! Claro que não!

– Tem certeza? Nem para a Natássia?

– Não! Se ele tivesse ligado ela teria me contado. Tenho certeza! – Milo respirou fundo. Se o loirinho não ligou para a mãe então...

E aquela jovem? Ela recebeu uma ligação do Hyoga?

– Não... – Camus respirou fundo e voltou a pegar sua bebida. – Era o que eu ia dizer. Ela é a Eire, uma namoradinha do Hyoga há muito tempo. Ela chegou aqui chorando muito, dizendo que precisava conversar. Que tinha algo importante a dizer sobre Hyoga.

– E o que ela disse?

– Milo... Ela disse que estava com Isaak quando ouviu uma ligação estranha entre ele e outra pessoa que ela não sabe dizer quem é. Disse que tinha se escondido para ouvir a conversa e que ouvi bem quando ele disse: “Não! Você prometeu que ele não ia morrer. Não deixe Hyoga morrer!”, e então ele desligou o telefone e saiu correndo.Milo franziu o cenho.

– Como? – E surpreendentemente aquilo que incialmente começava a fazer sentido, dava uma reviravolta e voltavam a estaca zero. O escorpião se irritou, colocando as mãos na cintura e encarando o ruivo com raiva. – Tem certeza disso, Camus?

Tenho! A menina chegou aqui num estado que só vendo. Dizendo que Isaak tinha algo a ver com o sumiço do Hyoga e nos contou isso que ouviu. – É claro que o mais velho percebeu a alteração de humor no policial e estranhou. – Por que está assim? Não era para ter contado?

– Não! É claro que devia ter contado, devia... – Disse, virando-se de costas, pensativo.

– Então por que está assim?

– Não é nada... A que se preocupar. – Disse, tentando recuperar o fôlego e o lado profissional.

Milo. – Chamou com a voz serena de quem não acreditava e que esperava uma resposta, não do policial, mas de alguém que se tornou próximo. O policial encarou o mais velho e naquele olhar encontrou mais do que o avô de um protegido da polícia, mas um amigo, um parceiro... Alguém que admirava mais do que deveria.

– Eu só... Essa informação vai de encontro a minha linha de raciocínio. – Comentou como se contasse a um amigo uma informação que não devia passar a ninguém. Passou as mãos no cabelo, nervoso. A técnica gritava para sair dali, pois a presença do ruivo mexia consigo de um modo que simplesmente não conseguia controlar. E nesse momento pensou em Ikki e no quão difícil devia estar sendo para o amigo.

Como assim? Que linha de raciocínio você tinha? — Milo hesitou um pouco antes, mas acabou por dizer.

Estava trabalhando na hipótese de Isaak ter algum envolvimento com quem estamos procurando... O verdadeiro culpado... – Percebeu que o ruivo ficara bastante surpreso com aquilo. – São apenas indícios.

– Olha, eu conheço o Isaak desde que ele era pequeno e... Bom, tudo bem que ele descambou para uma turminha que só faz besteira na vida, é irresponsável, inconsequente, mas tenho certeza que bandido mesmo ele não é.

– Tudo bem, era só uma hipótese que estávamos trabalhando... – Apoiou-se na mesa, pensando que mais do que uma hipótese, era a mais forte que tinha. E com essa nova informação, tudo parecia perder o sentido e o faziam voltar ao nada. – Eu posso falar com ela? Com essa menina, Eire?

– Se você não se incomodar em esperar, demos um calmante forte a ela, pelo tempo já deve estar descansando... – Disse, se apoiando na mesa ao lado do policial.

Ok... – Respondeu, cruzando os braços e tamborilando os dedos na própria pele, pensando. O silêncio entre eles não foi proposital, pois na cabeça de Milo só se passava que aquela história não combinava com um Isaak agindo por trás de Kanon. E aquela visita na madrugada? Tinha alguma coisa que não combinava. E o pior é que não tinham nada além destas informações.

– Você não tem outra hipótese para trabalhar, não é? – Camus proferiu calmamente após longos minutos em total silêncio, enquanto novamente oferecia um copo de whisky para o policial, agora seu amigo. Milo o fitou, mas não respondeu, seu silêncio respondia por si. – Tudo bem, às vezes temos dias ruins.

– É que não creio que a minha hipótese esteja realmente muito longe da realidade. Só não... Estou conseguindo ligar os pontos. – Disse, aceitando o copo da bebida e bebendo um pouco.

Novamente o silêncio se fez presente entre eles. Camus não sabia como ajudar, havia dado todas as informações de que dispunha. E Milo também não tinha mais o que fazer ali. Provavelmente a jovem dormiria um bom tempo. Talvez devesse voltar à vigília, ou tentar contato novamente com o amigo Afrodite para ver se ele teve mais sucesso, no entanto, sua atenção foi levada a outro ponto.

Num canto daquele cômodo tinha uma foto de Camus com uma bela loira, que não era sua filha, embora fossem parecidas. Milo foi até a foto e a pegou na mão, e o ruivo o seguiu com o olhar.

– Mãe da Natássia? – O escorpião perguntou enquanto observava que realmente a russa era belíssima e parecia ser muito elegante e fina.

– Sim, é a minha esposa Irina. – Camus respondeu naturalmente e se aproximou de Milo, observando a foto nas mãos do policial. – Tão linda... – Suspirou saudoso e só então notara que o escorpiano estava a olhar fixamente para si. Estranhou. – O que foi?

– Por que fala dela desse modo? Como se ela ainda estivesse viva? – Camus surpreendeu-se com aquela pergunta e demorou um pouco para responder.

Porque ela está viva... No meu coração. – Respondeu com sinceridade, porém, pela primeira vez, a frase dita para o amigo o fez sentir-se estranho, com um nó no pescoço sem razão aparentemente para o ruivo.

Por outro lado, aquela afirmação atingiu Milo como um soco no estômago. Ele não esperava aquilo, ou tinha esperança de que... Tivesse chances com o homem a sua frente.

Você ainda a ama? Mesmo depois de vinte anos?

– Que pergunta é essa agora, Milo!? – Camus, desconcertado, tentou fugir. Milo, por outro lado, voltou a fitar a foto.

Já tem quase vinte anos que ela morreu, já está na hora de você superar...

– Não tem como superar, ela morreu... Na minha frente...

– Eu sei Camus, mas... O que digo é que você precisa seguir sua vida, entende? – Colocou a foto na mesa novamente e se voltou para ele. – Você não teve culpa do que aconteceu.

– Eu sei... – Camus sorriu discreto. – Deixe isso pra lá, você tem muito que pensar e resolver.

– Não deixo porque me preocupo com você. Demais. – Camus fixou o olhar no dele quando ouviu aquela resposta, e sentiu uma conexão forte. Uma conexão que ele só havia sentido uma única vez, com Irina. O escorpião também percebeu aquela conexão, aquela troca de olhares que dizia mais do que a boca do ruivo poderia confidenciar, sua mão livre foi direto ao rosto de Camus. – Eu quero que fique bem.

– Milo... – Tentou escapar, mas não encontrou palavras para dizer. Percebendo aquele momento, o loiro aproveitou para deixar o copo na mesa junto à foto e levar a outra mão no rosto que tentava fugir discretamente.

– Por que está negando o que sentimos? – Aproximou o rosto até que sua testa encostasse na dele, eram da mesma altura, e seus olhos muito próximo do dele fitava-o na tentativa de não os deixar fugir.

– Não estou negando nada... O que está dizendo? — O ruivo ainda resistia, levando a mão ao pulso dele para afastá-lo, sem muita convicção e certeza. O loiro, ao contrário, certo que era correspondido, aproveitou a pequena distância entre os rostos e o beijou.

A resistência durou apenas alguns segundos antes que Camus se entregasse a um desejo reprimido há muito tempo. Abraçou o homem mais novo pelo pescoço, trazendo-o mais para si, desejoso. Havia muito tempo que Camus não se entregava a um beijo e sequer se lembrava como que era aquilo.

Milo percebeu e até gostou do modo luxurioso como fora beijado, um fogo que o consumiu na mesma medida, abraçando-o forte e colando seu corpo no dele, empurrando-o contra uma parede próxima, sentindo a pele alva queimar contra a sua. As bocas se separaram, mas não os olhos. O escorpião pôde notar ali o enorme desejo que Camus sentia, a vontade ensandecida de continuar e ir além, mas ao mesmo tempo certo descontentamento.

Tentou desanuviar o que viu, estava já excitado o que era incrível, não era um adolescente que se excitava com um simples beijo. Mas aquilo era diferente. Atacou o pescoço alvo do francês enquanto encaixava uma perna entre as dele, esfregando a ereção contra a do outro e arrancando um gemido tímido do outro.

Milo... Eu... Eu não posso... Não posso trair... Minha esposa... – Suplicou ofegante, não conseguindo esconder o desejo e a excitação que subitamente tomou conta de seu corpo.

– Isso não é traição, Camus. Onde quer que ela esteja, vai estar feliz por ver você feliz... – Disse enquanto as mãos acariciavam o cabelo ruivo. O olhar era doce ao mesmo tempo em que era feroz. Não precisou de muito mais incentivo após um novo beijo trocado. Seu corpo incendiava-se e era difícil raciocinar.

As mãos de Camus tomaram vida própria ao se arrastarem pelo corpo do policial e encontrarem as nádegas durinhas, onde apertou com vontade. Sua mente inundou-se com a imagem daquela parte especial do corpo do mais novo. A imagem de senti-lo, de possuí-lo com vigor aumentou sua excitação a um nível insuportável. Milo sorriu entre o beijo, percebendo a intenção do outro.

Aquele não era um momento para romance. Não estava pensando nisso. Na verdade, sequer estavam pensando. O beijo cessou e logo as mãos começavam a desafivelar a calça um do outro, um olhando nos olhos do outro, a respiração dificultosa provando todo aquele clima quente que os assaltou em meio à madrugada. Era irresistível.

Camus rapidamente agachou a calça e cueca do loiro e o empurrou contra a mesa, fazendo-o sentar. A mão foi direto no membro, fazendo Milo gemer rouco. Camus gostou daquilo, gostou de ver a reação daquele policial lindo gemer com seu toque. Beijou-o no pescoço e mordeu com vontade.

– Não sei o que viu em mim... Mas seja lá o que for, darei meu melhor... – Sussurrou no ouvido do outro, causando-lhe arrepios. Virou-o de costas para si, vendo aquela parte do corpo do mais novo que lhe causou maior animação. Milo sorriu. Como ele era bobo!

Dê o seu melhor Camus, me dê!– Incentivou, inclinando ainda mais o corpo, deixando o ruivo louco de desejo. As mãos voltaram para aquela carne durinha e arredondada, um dedo penetrou devagar e começou um vai e vem. Uma preparação desajeitada, porque estavam loucos de tesão e não queriam perder tempo. E Milo provou isso. – Não precisa disso, vem logo... – Sussurrou levando Camus a beira da loucura.

Não queria machuca-lo e a verdade é que nunca tinha feito aquilo. Não era um ignorante no assunto, mas também não tinha experiência. Porém, se ele dizia que devia seguir, não seria ele a contrariá-lo. Lambuzou de saliva o próprio membro e começou a penetrá-lo devagar.

– Hnn... Ahh... – A dor foi razoável, mas Milo suportava bem. Era apertado demais, mais do que gostaria de início. E ele era volumoso, gostoso. Apertou com força a própria mão, tentando se acostumar com aquele tamanho em seu interior.

– Ahhh Milo... – Era inenarrável o prazer que sentia ao possuir o corpo jovem do loiro. Ele era gostoso demais. Não tinha outra palavra. Suas mãos apertavam com força a cintura do policial, tentando se controlar, se segurar um pouco.

Os gemidos se seguiram, tornando a missão do ruivo de se manter no controle quase impossível. Começou a estocar com força, incentivado com os gemidos e pedidos sexys do amante, que sentia dor, mas também um prazer que muito poucas vezes havia sentido.

– Mais... Mais... – Foi o que Camus ouviu, pedido esse que foi atendido prontamente, estocando cada vez mas forte e rápido, levando sua mão até o membro do outro, estimulando-o no mesmo ritmo das estocadas.

O prazer revelado após o desejo reprimido veio inesperado e arrebatador, impossível que eles se controlassem. E o ápice desse sentimento também veio rápido, inesperado e intenso. A sensação é que iriam se fundir, que quase mais unidos pudessem estar melhor seria, sentimento que propiciou a Camus explodir bem dentro do amante Milo.

O policial chegou ao ápice no mesmo instante que o amante, tombou na mesa com o ruivo em suas costas. O torpor e felicidade do momento não o fazendo perceber a ligação insistente em seu celular.

Continua...

Notas finais
N/A: Hnn A coisa esquentou, hein? rs Eu disse que seria mais rápido e como podem ver, pode parecer que ficou mais confuso ainda, mas na verdade é o contrário hahahahaha xD *Circunscrição é uma divisão administrativa, militar, delimita um espaço de competência. Espero que tenham curtido! ^^ Até o próximo!