Código Secreto
16 Capítulo 16 - Apaixonados
Nota do Capítulo
Oi pessoas. Em função do Nyah não me permitir explicar nas notas iniciais tudo o que quero dizer, usarei esse espaço.
Capítulo até curto para o que eu pretendia (na verdade quase nada do que eu pretendia para o capítulo rs) só para sinalizar a minha volta a esta fic depois de um ano inteiro sem atualização.
Queria pedir desculpas aos leitores por essa demora, eu fiquei durante um bom tempo bloqueada com essa fanfic, não por não saber o que fazer com ela, pois eu já a tenho pronta em minha mente, mas estava com muita dificuldade para colocar no "papel", e isso me causou um grande desânimo com a história. Por isso a demora e por isso que, tão logo eu consegui escrever eu quis postar.
Queria fazer dois agradecimentos especiais: O primeiro para a Sheilinha que há muito tempo vem me cobrando (carinhosamente) a atualização dessa fanfic, e também por me ajudar a elucidar as ideias quando me bateu uma insegurança no decorrer do capítulo; E também a querida Vagabond que também vem me cobrando (carinhosamente ♥) desde sei lá quando rs, está ai o capítulo prometido no início do ano rs. Obrigada de coração, meninas.
A fic está entrando em sua reta final, não vou precisar quantos capítulo faltam porque eu sou péssima nisso, sempre erro rs, mas quer dizer que os fatos vão começar a se desenrolar mais rapidamente, os segredos serão revelados e tudo o mais.
E também, são uma da manha, estou com sono, por isso me perdoem se tiver algum erro muito feio, amanha eu vejo melhor rs. Sem mais delonga vamos a história. ^^
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HISTÓRIA
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Talvez devesse parar, deixa-lo ir e pensar nos seus próprios sentimentos, mas não pôde. Era mais forte que Ikki sentir aquele sabor em seus lábios, o fazendo querer mais e mais, apertando-o contra si.
E apenas o grito agudo de uma criança, que reconheceu ser seu filho, fez com que se separassem bruscamente.
– Ahhhhhhhhhhhh!!!! Papai!!!!!!!
– Shunnnnnnnnn!!!! –Ikki gritou de volta, correndo desesperadamente para o andar debaixo. Porém, o som do carro cantado pneu mostrava que era tarde demais, para desespero de Ikki.
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A gelada noite ficou ainda mais densa e sombria. Um silêncio reinava tão penetrante que até suas respirações pareciam retumbar como tambores em uma sala fechada. Ikki, Afrodite e Milo permaneciam em silêncio, varando a madrugada, com Hyoga a espreita, escondido dos policiais, observando tudo o que se seguiria dali em diante.
Já varava a madrugada, eram três da manha e o foco dos três era o telefone, embora a técnica alertasse que era uma vigília em vão. Mas Ikki era teimoso demais para arredar o pé. Em sua mente vinham as imagens do sequestro de seu filho e uma dor aguda se seguia ao grito de socorro de Shun. Nem mesmo se tentasse, conseguiria dormir aquela noite. O máximo que lhe permitia era tentar manter a calma e pensar racionalmente.
O que os sequestradores queriam não era Shun, e sim Hyoga. Isso era muito óbvio. Portanto, era bem provável que seu filho estivesse seguro enquanto estivessem com o adolescente. Mas, do mesmo modo que essa ideia lhe trazia certa segurança também lhe trazia certo desespero. Não abriria mão de Hyoga. Cumpriria sua palavra até o fim, nem que pra isso tivesse que sacrificar sua própria vida.
Mas, sabia que essa seria uma missão muito difícil. A mais difícil de toda a sua carreira. Resgatar Shun, proteger Hyoga e ainda identificar e prender o ‘chefe’ parecia loucura até mesmo para o valente e obstinado policial. O moreno respirou profundamente, uma angústia terrível se abatia sobre seu coração. Voltou seu olhar pela janela, sob os olhares atentos de seus amigos, tentando achar uma solução mais segura para todos.
E, naquele momento, as palavras de Afrodite naquela delegacia pareciam cravar como navalha na sua pele. Hyoga era um menino, um jovem problemático do qual não poderia ter se arriscado a coloca-lo em tão grave situação. Jamais se perdoaria se alguma coisa acontecesse ao jovem loiro. Isso não só acabaria com a vida do loiro, mas também com a sua.
E naquele momento, sequer passava pela sua cabeça os sentimentos que pareciam tão vivos em seu coração. Nem poderia, a situação exigia o máximo de sua mente e espírito. O loiro, por sua vez, mantinha-se em silêncio apenas para esconder o imenso sentimento de culpa que o estava corroendo naquele momento. O pequeno Shun a quem aprendera a gostar agora estava nas mãos de bandidos perigosos e não precisava ser um gênio para saber que tudo aquilo era culpa dele. Se não estivesse ali, Shun estaria dormindo no colo do pai sem maiores problemas como qualquer criança deveria estar.
Tentava se manter forte, mas as lágrimas rolavam por sua face ante ao desespero. Não queria, de forma alguma, que outra pessoa pagasse por suas bobagens, ainda mais uma criança pequena e indefesa. E talvez, Camus tivesse razão. Ele só trazia desgraça e confusão para as pessoas que estavam por perto. Sua covardia o fez ficar ali e agora Shun pagava o preço. Além disso, sabia que se acontecesse algo com o menino, Ikki jamais o perdoaria. E com razão.
E todo aquele silêncio e espera parecia aumentar ainda mais o desespero e ansiedade do jovem loiro. Três horas haviam se passado desde que Shun fora levado e os policiais pareciam inertes, como se não soubessem o que fazer. É claro que, se Hyoga estivesse em condições de pensar com clareza, identificaria que os policiais sabiam o que estavam fazendo, mas naquele momento a única coisa que pensava era que eles simplesmente não sabiam o que fazer. Porque, o óbvio era entrega-lo aos bandidos e assim recuperar Shun.
E era o certo a se fazer, embora eles parecessem vacilantes. Compreendia-os, afinal, todos os planos haviam ido por água abaixo. Eles falharam na missão de prender o ‘chefe’ e ainda perderam um inocente. Mas, embora os policiais não soubessem o que fazer, Hyoga sabia muito bem. E deveria juntar coragem suficiente para fazer o que devia ser feito: Se entregar aos bandidos.
Alheios aos pensamentos do adolescente, Milo e Afrodite mantinham seus pensamentos cada qual com aquilo que lhes parecia mais urgente no momento. Afrodite não deixava de pensar em Carlo e no que ele havia dito no último encontro entre eles. Aquela súbita declaração de amor do italiano, totalmente fora de hora e pouco tempo antes de Shun ser sequestrado, parecia suspeito demais.
No entanto, não havia como Carlo ter conhecimento do paradeiro de Ikki, Shun e Hyoga. Tinha absoluta certeza que não fora seguido, bem como também sabia que Milo jamais deixaria ser seguido. Assim, aquilo não fazia sentido nenhum. Se Carlo soube, então foi por outros meios. Mas qual? Ikki mantinha aquela casa no mais absoluto sigilo.
E desde que o amigo chegou a casa nele não havia saído para longe. Os únicos que tinham contato com eles era ele próprio e o escorpiano. Contando as possibilidades, aquilo parecia ainda mais sem sentido. A menos que Hyoga tenha cometido algum deslize. Não, Ikki não iria cometer esse erro de permitir que o adolescente pudesse dar seu paradeiro.
– Eu só quero entender como eles conseguiram chegar até aqui... – Afrodite externou seus pensamentos de forma sussurrada. Não era propriamente uma pergunta, porque sabia que seus amigos também não saberiam responder. Foi quase como um pensamento alto, mas capaz de chamar um pouco a atenção dos outros dois para si.
Milo fitou o rosto do amigo pisciano, pensativo. Era um bom questionamento, e ao contrário do amigo pisciano, ele parecia muito menos crente no fato de Ikki ter impedido Hyoga de deixar alguma abertura. O loiro mais velho já tinha percebido que o moreno estremecia na presença do adolescente mesmo que tentasse esconder esse fato. Provavelmente o garoto telefonou para algum amigo ou até para Camus ou para Natássia.
Isso seria relativamente fácil de descobrir, porém observando atentamente a reação de Ikki, não acreditava que ele fosse dar qualquer chance de pensar a respeito. Naturalmente, o moreno havia perdido todo e qualquer raciocínio lógico depois de ver seu filho sendo sequestrado. Era natural e Milo não iria pedir para que agisse de modo contrário. Além disso, tinha também a informação estarrecedora que recebera de Camus.
Eram muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo e sequer tiveram tempo para conversarem e para revelar aquilo que parecia extremamente relevante. O fato de Kanon ser filho de um antigo inimigo da família Verseau, o tal prefeito traidor que Camus contara, parecia ter alguma ligação com aquela história. Mas, ainda faltavam muitas peças para fechar aquele quebra-cabeça.
Suspirou pesadamente. Precisava de tempo para pudessem conversar, trocarem ideia e talvez chegarem a alguma conclusão. Mas sabia que Ikki não iria sair daquela casa, acreditava piamente que logo receberia um recado dos sequestradores. Ikki não era alguém apto para uma conversa daquelas. E certo de que não adiantaria em nada os três ficarem ali plantados, decidiu que sairia. E levaria Afrodite consigo.
– Ikki... – Chamou a atenção do moreno, suspirando pesadamente. – Não acho que seja produtivo ficarmos os três aqui esperando essa ligação. Se não se incomodar, eu acho melhor eu e o Afrodite sairmos para procurar alguma pista. – O pisciano logo percebeu que Milo tinha alguma ideia em mente, ele era muito observador e sabia perceber as mudanças sutis de comportamento do amigo.
– Não... Acho que você tem razão. – O moreno disse, tentando a todo custo manter a calma, mas era difícil suplantar o pai para dar lugar ao policial.
– Não se preocupe tanto, sabemos que eles não querem o Shun... – Milo tentou confortar, percebendo o estado do amigo que bebia um copo de whisky atrás do outro.
– Sim, Ikki... E tente não beber tanto, meu amigo... – Dessa vez foi Afrodite quem pediu, recebendo uma negativa do amigo.
– Não se preocupe Afrodite, estou bem... – Era verdade que Ikki não tinha bebido o suficiente para ficar bêbado, mas o suficiente para mostrar que estava emocionalmente abalado.
Os três sabiam bem que o moreno havia se envolvido emocionalmente no caso, o que comprometia seu rendimento. Claro que não foi proposital, nem mesmo eles poderiam prever aquele desenrolar dos fatos. De qualquer forma, não poderiam continuar ali.
Assim, com o aval do amigo e dono da casa, Afrodite e Milo saíram. Ambos tinham muito que conversar e principalmente, o que revelar. Quando finalmente chegaram ao carro, com Milo ao volante, ambos se entreolharam preocupados.
– E então? O que você descobriu? – Afrodite perguntou, cruzando os braços enquanto Milo dava a partida. A história seria bem longa e começaria logo pela informação mais interessante que conseguiu com Camus, sobre a origem de Kanon. O amigo pisciano ficara perplexo com a notícia, mas sabia que muito mais ainda estava por vir e descobrir.
Já dentro da casa, sem nenhuma iluminação e no calar da madrugada, Ikki se mantinha inerte sentado no sofá, fitando o telefone fixamente. Agora, sem a companhia dos amigos, o moreno se permitia chorar, mesmo que silenciosamente, guardado pela solidão. Nunca antes havia sentido tamanha angústia e não era só pelo filho. Claro que estava imensamente preocupado com Shun, mas também estava preocupado com Hyoga.
Tantos fatos acontecendo de modo brusco e atropelado que o moreno mal conseguia processar tudo aquilo. E na sua mente a imagem das poucas horas anteriores, do beijo trocado com o adolescente, com o despertar daquele sentimento, da vontade de ter continuado e do conhecimento de quão errado era aquilo, e no quanto aquele desejo o havia feito vacilar e perder seu filho de vistas. Sentia-se culpado, pois não fosse aquele beijo talvez Shun estivesse seguro sob seus cuidados agora.
Provavelmente eram todos esses fatos que o estavam fazendo beber numa hora como aquela. Não estava bêbado, frisava para si mesmo, mas se perguntava se devia estar ali ou se devia ter seguido os amigos. Suspirou novamente, pesado. Claro que não iria correr o risco de sair de perto do loirinho, ainda mais agora que ele estava tão visado. Por outro lado, com Shun nas mãos eles não se colocariam num embate desnecessário.
Aquela solidão e vazio da madrugada não estavam lhe fazendo nada bem. Se continuasse ali, sentado alimentando todos aqueles pensamentos confusos, iria acabar ficando louco. O policial passou a caminhar lado a outro, sem saber que no andar de cima, Hyoga também estava inquieto, e por motivos semelhantes.
E como num estalo o policial se lembra de que havia mais alguém na casa e decide ir ver como o loirinho estava. Seus pés o arrastaram até o andar de cima, observando que tudo estava no mais absoluto silêncio. Talvez ele já estivesse dormindo, mas seria estranho devido aos últimos acontecimentos. Encaminhou-se até o quarto e em sua mente pensava no que o jovem estaria pensando, mas não encontrar com aquela cena.
Hyoga estava em pé encarando a sua mochila arrumada sobre a cama. Seu semblante o denunciava, ele havia chorado bastante, mas agora parecia sereno, talvez conformado com a situação. E é claro que o moreno percebeu o que indicava aquela cena. O loiro o encarou e tentou disfarçar o indisfarçável em seus olhos, sabendo que receberia resistência quanto a sua ideia.
– O que é isso? – O moreno perguntou já sem paciência, mas tentando se acalmar e se manter frio diante daquilo. Não estava acreditando que Hyoga estava pensando em fugir. Não, de novo. Não, depois de tudo o que conversaram. Não, depois de tudo o que aconteceu entre eles. Não acreditava que iam recomeçar tudo aquilo de novo.
– Ikki... – O rapaz suspirou pesadamente, entristecido. Na verdade, havia demorado muito mais do que havia pensado só para arrumar as suas coisas. Pensava em sair sem ser visto. Mas, como já devia saber, fraquejou muitas vezes. Estava sendo covarde, mesmo tendo convicção de que era o certo a fazer. Queria ter saído sem ter essa conversa com o policial, não que ele não merecesse ouvir o que tinha a dizer, mas queria evitar toda essa discussão que certamente teriam. – Eu sinto muito, mas... É o certo a se fazer...
– Certo a se fazer? Certo a se fazer? – Aquele definitivamente não era um bom momento para isso, o policial já não era paciente por natureza, e naquela situação, seu pavio ficava ainda mais curto. – Posso saber como você chegou a essa conclusão tão estúpida? — Perguntou extremamente raivoso batendo a porta do quarto com força.
– O Shun... Não é certo que ele tenha que pagar por mim, Ikki. É a mim que eles querem! E Shun é apenas uma criança! É o seu filho!! Não é justo que ele pague por mim! – Hyoga também gritou com ele o que lhe parecia ser o óbvio.
– Ah! Ok. Está certo nesse ponto. Mas, me diga: Você acha mesmo que se entregando eles vão devolver o Shun? Acha mesmo isso?!– O adolescente ficou em silêncio. Na verdade, era exatamente isso o que estava pensando, porque era a ele que queriam e não Shun. Então, não tinham porque ficar com o menino. Mas, a certeza e a ironia usada por Ikki fez o loirinho duvidar disso.
– Eles não têm porque ficar... com ele... Não teria lógica... – O loirinho abaixou a cabeça, confuso. Era a lógica, ou não? E o moreno observando aquelas feições confusas e perdidas, percebeu o quão infantil ele era. O problema era que realmente não tinha paciência para aquilo. Não tinha paciência com crianças que se faziam de adulto.
– A lógica? E qual é a lógica desses bandidos, Hyoga? – Perguntou num sussurro fraco, realmente cansado. Até porque já tiveram, inúmeras vezes em tão pouco tempo, conversas sobre esse mesmo ponto. A confiança que, mesmo depois de tudo o que fez por ele, parecia ainda não existir. Uma confiança que era imprescindível, e que não importava o que fizesse, Hyoga jamais teria. – São bandidos, pessoas de má índole, sem escrúpulos. Não dá pra se falar de lógica quando se trata com pessoas desse tipo. – Explicou, como se explicasse uma simples conta de somar a uma criança, mas completamente desmotivado.
E o adolescente percebera a mudança na postura do policial. Parecia que ele havia... Desistido de si. E aquela sensação era horrível, mais do que poderia pensar que fosse. Sentiu um vazio estranho no peito, mas não disse uma única palavra, deixando que os fios loiros encobrissem seu rosto e sua dor.
E um silêncio cortante e frio se abateu sobre os dois. Como se um grande abismo tivesse se formado entre eles, cada um se mantinha com suas próprias decepções, sua própria dor. Era também verdade que ambos desejavam passar por aquela situação difícil. Principalmente para o adolescente que ainda se sentia culpado pelo que acontecera com o filho do policial. Mesmo que as palavras de Ikki tenham surtido efeito, ainda não tinha certeza. A conversa deixou ainda mais confuso e indeciso, como se fosse possível. O moreno, por outro lado, cansara de tantas discussões sempre pelo mesmo motivo. Naquele mesmo dia tinham discutido sobre isso e tinha achado que convencera o loiro a ficar ao seu lado.
Porém, o que se via é que Hyoga não confiava nele. E não importava o que fizesse, o adolescente parecia determinado a não confiar em si, mesmo depois de tudo o que tinha feito por ele. Simplesmente, não poderia fazer nada pelo jovem se ele mesmo não colaborava. Era imprescindível que estivessem em uníssono no mesmo ideal, para que alcançassem o sucesso daquela operação. Confiança que parecia cada vez mais distante para o moreno.
– Eu não vou te impedir, Hyoga. – Foi o que o policial disse, ao final. Se mesmo depois de tudo o que havia feito, ainda não conseguira a confiança do loirinho, não havia mais nada a ser feito. Observou que o adolescente o fitou incrédulo com o que acabara de dizer. – Eu não vou impedir... – Proferiu mais uma vez antes de deixar o quarto, despedaçado, fracassado.
Hyoga ficou estático, sem reação, incrédulo. De todas as reações possíveis, essa era a mais improvável. E então, aquelas palavras carregadas de decepção vindas do moreno afetaram profundamente o coração do já fragilizado Hyoga, e então, vendo-se sozinho, ele desabou. Porque nada mais fazia sentido, ou fazia. O fato era que sempre fazia tudo errado, era todo errado e decepcionara a pessoa que mais acreditou em si, a pessoa que lutou por si, a pessoa mais importante em sua vida e não poderia fazer nada para mudar.
Andando pelo andar de baixo meio desnorteado estava Ikki, numa situação nem um pouco diferente da do adolescente no quarto. O policial experimentava uma sensação que conheceu apenas uma única vez em sua vida: A do fracasso. É claro que em seu trabalho já havia se sentido assim inúmeras vezes em função de casos não resolvidos. Mas, naquele caso não era apenas um caso a mais na sua mesa. Envolvia sua família e seu coração.
Desabou, enfim, no sofá da sala, sentindo-se física e emocionalmente exausto. E naquele momento, não era mais possível esconder de si mesmo o sentimento que nutria por aquele loiro arredio e tão difícil. Estava apaixonado, por mais errado que fosse, era o que sentia e não poderia negar isso, não para si mesmo.
Aquele sentimento de decepção foi muito maior do que seria o razoável, muito maior do que realmente queria. Não deveria exigir tanto assim daquele garoto, afinal, ele era um garoto. Mas, por outro lado, esperava mesmo que ele confiasse um pouco mais e parasse de tentar fugir. Isso o irritava sobremaneira, mas ele era maior de idade e poderia fazer o que bem entendesse, mesmo que isso fizesse com que Ikki se rasgasse por dentro tamanha a incompetência para cumprir a promessa que fez ao adolescente.
Ego leonino, era o que diria o amigo Afrodite. E talvez fosse exatamente isso o seu maior algoz naquela hora. Como um verdadeiro maltrapilho, um zumbi, ficou novamente parado espreitando o telefone a sua frente na esperança de que ligassem o mais rápido possível. Caso contrário assim que o sol abrisse sairia à busca de informações. Sua atenção agora voltada para o aparelho tentava desviar a atenção do garoto que parecia decidido a enlouquecê-lo.
O tempo passou e Ikki sequer percebeu quando foi que caiu no sono. Acordou completamente desajeitado com os primeiros raios de sol incomodando seus olhos, sentindo uma dor incomoda se abater sobre seus músculos maltratados. Mas nada disso o impediu de saltar do sofá quando inesperadamente o telefone tocou. Seu coração acelerou, mal teve tempo de pensar em qualquer coisa e já estava com o telefone em mãos.
– Alô, senhor Ikki....
Continua...
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