Código Secreto
15 Capítulo 15 - O sequestro
– O que você descobriu? – Percebeu que ele queria desviar o assunto, e fingir que nada havia acontecido, e embora não fosse o que quisesse, ficou curioso diante de tais palavras.
– Esse homem que me traiu e fez da minha vida um inferno, teve dois filhos, gêmeos. – Disse com olhar assustados, procurando as fotos que havia encontrado, mostrando para Milo. – O delegado Kanon, ele é um dos filhos do homem que destruiu minha vida! – Confirmou para o policial que encarava incrédulo para a foto em suas mãos.
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Afrodite estava com a cabeça explodindo. Sua descoberta era terrível, e precisava reunir o máximo de provas possíveis antes que Kanon desconfiasse que sabia do seu envolvimento com o caso de Hyoga. Mas algo ainda mais preocupante lhe passava pela cabeça. Será que Kanon tinha algum envolvimento com a contratação de Carlo? O próprio italiano havia lhe procurado para avisar sobre seu novo trabalho, e se suas contas estivessem certas, teria sido o próprio delegado a contratar o assassino de aluguel. E sendo assim, seria ele mesmo o ‘chefe’.
O policial sentou-se em seu confortável sofá, aturdido com a possibilidade. Se fosse verdade, estava o tempo todo com o verdadeiro ‘chefe’ bem entre eles. Afrodite sentiu raiva ao pensar nisso, mas se controlou. Talvez se encontrasse a ligação entre os dois, pudesse esclarecer todos os fatos, livrar Hyoga da acusação que pairava sobre ele e ainda prender o verdadeiro ‘chefe’.
Respirou fundo, pensando num jeito de descobrir e conseguir as provas de que precisava. Era óbvio que nem um e nem outro lhe diriam espontaneamente, então precisava cavar essas provas. Mas como? Seus olhos correram para o telefone. Seria uma má ideia ligar para Carlo, como quem não quer nada? Como o velho amigo e amante?
Mordeu o lábio inferior, indeciso. Era uma situação complicada para si. Infelizmente, amava aquele homem. Sempre amou, desde que o conheceu pela primeira vez ainda adolescentes. Afrodite estava indeciso sobre sua vida profissional, como todo jovem. Mas sua veia mais sensível e artística o fazia tender a profissões que valorizassem essa área.
Porém, ainda naquela época, um grave incidente o fez mudar de ideia completamente.
Tinha por volta de 17 anos quando, voltando do colégio, se deparou com um grupo de arruaceiros. O bairro onde morava era humilde e perigoso, mas não esperava encontrar aquele grupo àquela hora da tarde. O sol brilhava forte no céu e não julgou ser perigoso andar por aquelas ruas desacompanhado — mesmo já tendo sido alertado de não o fazer.
O jovem era muito belo e tinha um estilo andrógeno. Desde muito cedo descobriu ser homossexual, e não escondia isso com seu jeito afetado de ser. Sofria muito preconceito, mas não mudava. Era uma pessoa de personalidade forte e decidida, seu jeito mais afeminado não impedia que impusesse um porte autoritário quando precisava.
Mas naquele momento, sua opção e temperamento quase o levaram a morte. O grupo tinha clara tendência homofóbica e assim que o avistaram começaram a provocá-lo. Inicialmente apenas queriam amedrontá-lo, insultá-lo. Porém, Afrodite não era de levar desaforo para casa e respondeu a altura às agressões verbais, embora estivesse em clara desvantagem. Tinha sido seu erro.
O grupo se irritou com a audácia do jovem andrógeno e começaram a atacá-lo. As agressões, antes verbais, passaram a ser físicas e violentas ao ponto de o adolescente pensar que não resistiria. Era um rapaz magrinho e frágil, até certo ponto. Não teria condições de resistir se continuassem. Até hoje, anos depois e com o corpo mais fortalecido pela Academia da Polícia, Afrodite carregava algumas marcas daquele episódio.
Já estava quase desfalecendo quando um rapaz apareceu. Afrodite nunca entendeu o por que o estranho havia se metido naquela história, mas ele o fez. Armado, Carlo atirou umas duas vezes para o alto, o que assustou o grupo de arruaceiros fazendo-os fugir. O adolescente ainda permaneceu no chão um tempo, confuso, quando Carlo o pegou em seus braços e o levou a um hospital.
E foi a partir dali que tudo começou entre eles. Rapidamente Afrodite se apaixonou pelo homem agressivo que salvara sua vida. Desde o começo sabia das tendências do italiano, mas o seu amor o cegou por um bom tempo. Foi por influência desse episódio que o adolescente resolveu fazer direito e entrar para a polícia. Queria aprender a se defender, como o novo amigo havia dito, mas queria fazê-lo do modo correto.
Pouco tempo depois, quando Afrodite estava prestes a se formar na faculdade de direito, soube do primeiro assassinato de Carlo. Embora o amasse profundamente e mantivessem um relacionamento conturbado, o pisciano inclinou-se a denunciá-lo.
Porém o assassino logo o convenceu a silenciar. Ambos estavam na cama, depois de muita insistência por parte do italiano. E foi lá, quando já estavam saciados um do outro, que Carlo contou quem era sua vítima: Um pedófilo estuprador, cruel. Aquela situação deixou Afrodite perplexo. E as explicações de seu amor não o convenceram por completo, mas amenizavam a situação.
No fundo, Afrodite apenas tentava se enganar. Mas era terrivelmente difícil aceitar o fato de que Carlo era um assassino, embora ele matasse apenas a escória da sociedade. O dilema interno que vivia fez com que o romance esfriasse, embora houvesse amor. Mas o jovem estudante não suportava mais conviver com um homem que sujava suas mãos de sangue.
O tempo passou e Carlo seguiu seu caminho enquanto Afrodite alcançava seu sonho e se tornava membro da polícia de Tóquio. Ficava com Carlo esporadicamente, mas a dúvida sobre se devia denunciá-lo sempre o angustiava. A presença e o apoio dos amigos Ikki e Milo foram fundamentais para que não surtasse.
Nenhum dos dois policiais o criticaram, embora sempre alertassem que isso poderia ir longe demais. O fato das vítimas de Carlo não serem trabalhadores e pais de família contribuía para que os três fechassem os olhos, embora Afrodite soubesse que era apenas uma questão de tempo. Ninguém tinha um grande futuro com uma atividade como essa.
Desistiu de ligar, no entanto, ao perceber que não havia traçado nenhuma estratégia para falar com Carlo. E bem sabia que, àquela hora da noite, Carlo não devia estar no quarto de Hotel. E nem, obviamente, devia ter um celular para contato. Não conhecia homem mais furtivo do que ele.
E em meio a pensamentos, o policial notou uma iluminação diferente no lado de fora. Foi até a janela para ver o que era, embora já suspeitasse. Parecia que estava sendo levada a ela, como uma intuição de que alguém o observava. E era verdade. Para sua surpresa era Carlo que estava presente encostado no carro e fitando sua casa.
O coração de Afrodite disparou por vê-lo ali. Saiu rapidamente de sua casa para encontra-lo. Os olhos marcantes do italiano não desviavam dos seus, enquanto o policial se aproximada devagar.
- Carlo... – Murmurou ao chegar perto.
- Afrodite...–Chamou, pegando em suas mãos e o puxando delicadamente para um beijo lento e sensual. O policial ficou confuso, mas o coração falou mais alto e ele retribuiu ao beijo, e o abraçou. Dessa vez estava com uma sensação diferente, uma angústia, um pressentimento ruim.
- Carlo... O que faz aqui? – Ele perguntou, separando suas bocas quando o pressentimento se sobrepôs a saudade.
- Eu só vim pra dizer... Que te amo. Só isso... – O sorriso entristecido do italiano fez com que Afrodite estranhasse.
- O que está acontecendo? – Perguntou, preocupado.
- Nada do que já não aconteceu antes... – Sorriu de lado, sedutor. Havia nele um prazer mórbido naquilo que fazia. – Eu sei que não fui o herói que você quis, mas ainda assim, mesmo com esse meu jeito torto, eu o amo sim. Amo muito.
- Carlo... – Os olhos de Afrodite marejaram, mas ele se segurou para não chorar. – Você pode mudar seu destino. Sabe disso, eu posso te ajudar. Sabe o meu número, sabe onde me encontrar. Basta você querer!
- Ioso... – Sussurrou o italiano, dando-lhe mais um beijo apaixonado. Afrodite correspondeu novamente, tendo a nítida sensação de que aquele era o último beijo...
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Tanto Ikki quanto Hyoga entraram na casa em silêncio, o loiro levemente constrangido e perturbado pela cena que presenciou e principalmente pelas reações em seu corpo. Subiu para o quarto onde estava sem falar nada e ficou por lá, esperando que Ikki tomasse seu banho e finalmente lhe falasse as novidades que tinha.
Por outro lado, o policial estava indócil. Sabia que precisava conversar com o loiro, mas não sabia exatamente como. Não era burro para entender que as coisas já tinham fugido de seu controle, tanto na segurança do adolescente quanto no seu envolvimento. E pelo que observou a pouco, Hyoga também se sentia atraído por ele.
O moreno entrou no chuveiro para banhar-se e também relaxar. Era um homem adulto e não um adolescente com os hormônios a flor da pele. Precisava se controlar e conversar com Hyoga sobre aquela difícil situação. Terminou seu rápido banho, vestiu-se, respirou fundo, desencavou seu profissionalismo de dentro de si e foi ter uma conversa com o loiro.
O adolescente estava apoiado na janela, fitando a paisagem enquanto mil pensamentos vagavam sua mente e esperava pelo moreno. Seu corpo já estava adormecido, e por um momento pensou que aquilo tivesse sido apenas uma impressão. Uma ilusão, ou estivesse apenas tentando se enganar.
Aquilo nunca havia acontecido consigo. Hyoga não era gay, nem bi, nunca havia se interessado por homens, então aquilo não podia ser real. Devia ser algum tipo de carência. Alguma coisa nesse sentido. Era a única explicação razoável para o que estava sentindo. Depois de todo aquele acontecimento, o adolescente já não aguentava mais. Estava surtando, com saudades de casa, da mãe, e por incrível que pareça, até do chato do Camus.
Estava tão angustiado e ansioso que começou a andar de um lado para o outro. E então fitou o telefone, e lembrou-se de Isaak. Precisava falar com ele, estava preocupado com o amigo. Com a prisão, não soube o que aconteceu com ele, nem se foi pego pela polícia. Nunca iria se perdoar se acontecesse aos amigos por sua culpa.
Embora soubesse que Ikki não queria que falasse ao telefone, a preocupação fora maior. Seria rápido, ligaria para o amigo e logo desligaria. Não falaria onde estava. Só precisava saber onde ele estava. Pegou o telefone e discou para o amigo.
- Isaak?
- Hyoga! Hyoga! Onde você está?! Está tudo bem? – A preocupação e aflição do amigo o deixou comovido.
- Estou bem Isaak. Está tudo bem. Eu não posso falar muito, eu só queria saber se está tudo bem com você, e com a Eire.
- Sim, está tudo bem. A Eire ficou muito nervosa, mas eu consegui leva-la para um lugar seguro. Mas agora estamos preocupados com você. Fale, Hyoga! Onde você está?
- Eu não posso dizer, meu amigo. Eu também não sei direito, mas está tudo bem. Estou bem e vai ficar tudo bem. Só liguei pra saber se estava tudo bem com você.
- Hyoga... você não pode ficar sozinho! Estão atrás de você!
- Eu sei, eu sei... Mas estou bem, não se preocupe. Eu vou ter que desligar. Toma cuidado.
- Ok, mas qualquer coisa me liga meu amigo!
- Valeu.
Desligou. Passou as mãos pelos cabelos, tenso, confuso e ansioso para que tudo aquilo acabasse de uma vez! E foi nesse momento que Ikki apareceu no seu quarto. O adolescente se assustou pela surpresa, sua mente estava longe, mas rapidamente se recompôs. Finalmente ele daria respostas e soluções para aquela história. Era o que esperava.
O moreno, no entanto, não estava com as respostas que Hyoga queria. Na verdade, Ikki estava mergulhado em dúvidas, a maioria envolvendo sua crescente hesitação em expor o adolescente. É claro que estava ali para protegê-lo, mas sabia que a operação traria alguns riscos a Hyoga, mas o policial não estava mais disposto a arriscar a vida do protegido. Não depois do susto que passou com sua fuga.
- Você não vai falar nada? – Ansioso, o loiro perguntou ao ver que ele simplesmente entrou e ficou encarando-o sem nada dizer.
- Nossas investigações avançaram um pouco, Hyoga. – Começou a dizer, firme, analítico quanto as reações do protegido. – Não seria seguro dizer nomes para você, mas já temos um novo caminho a seguir de agora em diante.
- O que quer dizer com isso? – Perguntou, sem entender muito bem o que ele queria dizer.
- Quero dizer que as investigações avançaram e tomaram um rumo inesperado. – O policial sentou na cama, ignorando a apreensão do loiro, suspirando pesadamente.– Existem pessoas mais perigosas do que imaginávamos nesse caso. Pessoas poderosas que, se descobrirem o que estou fazendo, podem acabar com minha vida e carreira. Além das de Milo e Afrodite... – Desabafou, sem imaginar que suas palavras tivesse tamanho peso para Hyoga.
- Acabar com sua vida... – Murmurou inaudível, sentindo seus olhos arderem. Sentiu uma fraqueza nas pernas no momento em que ouviu aquela frase, e sentou na cama ao lado de Ikki, que permanecia apoiado nas próprias pernas como se estivesse entristecido. Algo estava errado, concluiu Hyoga.
Toda a pouca confiança que o loiro sentia se esvaiu por completo, sentindo certo desespero, mas era algo tão desnorteador que o adolescente não teve reação. Como se tivesse em choque pela confirmação de que, de fato, era uma pessoa que só trazia destruição e o mal. Devia ter o sangue podre de seu pai, aquele monstro! Só isso poderia explicar porque todos que se aproximavam tinham suas vidas destruídas, ou pelo menos ameaçadas.
No entanto, não era o que queria. Não! Por todos os Deuses, se soubesse que traria tantos problemas para a vida de Ikki, de Isaak, de Camus, de sua mãe Natássia, se soubesse que carregava essa espécie de maldição sobre si que levava sempre tristeza e problemas para todos que o cercam, se soubesse de tudo isso, jamais teria permanecido ao lado delas.
Talvez tivesse sido egoísmo de sua parte ao se deixar levar por Ikki. Estava tão desesperado que sequer pensou nos problemas que traria para a vida do policial. Precisava de sua ajuda e não pensou em mais ninguém. Sofreria indo para a cadeia, mas pelo menos não destruiria a vida de mais ninguém. Já bastava ser um fardo para sua mãe e para Camus.
Tentando controlar as lágrimas, o orgulho, o medo, os sentimentos intensos e misturados, o loiro se conformou. Aquela história não poderia continuar daquele jeito. Não poderia ser egoísta a esse ponto. Amava-os, cada um a sua maneira. Talvez até fosse melhor pôr um fim a isso tudo, pondo fim a sua própria vida. Só que até pra isso era covarde. Um maldito covarde amaldiçoado!
- Eu não quero estragar sua vida... – Disse, num tom fraco de voz, chamando a atenção de Ikki. O policial então voltou seus olhos para o adolescente, e percebeu o semblante sombrio, carregado de tristeza, fazendo seu coração se apertar no peito.
- Ei, você não está estragando minha vida! A culpa disso tudo não é sua! – Disse, erguendo o rosto do loiro para que fitasse em seus olhos. – Você está me entendendo? Os verdadeiros bandidos estão usando seu nome para manter-se no anonimato. Você é inocente. Estou aqui porque quero proteger você! – O loiro, fragilizado, emocionou-se e não se conteve ao abraçar novamente o moreno. Era bom ouvir aquilo, mais do que o próprio Ikki poderia imaginar naquele momento. E a única reação do policial foi retribuir o abraço, ainda confuso e sem jeito pelas reações do adolescente, visivelmente abalado, tremia e tentava segurar o choro.
E em meio a tentativa de acalmar e explicar toda a situação para Hyoga, Ikki não percebeu a movimentação no lado de fora da casa. Um novo carro preto movimentava-se lenta e silenciosamente. O homem dentro do carro passava furtivo, não querendo ser visto, enquanto armava sua armadilha.
Notando que apenas a luz do anda de cima da casa estava acesa, e que o lugar estava praticamente deserto, propício ao que pretendia.
Desceu do carro e ficou cercando a casa com passos e olhares, calculando minuciosamente suainvestida. Quando considerou oportuno, entrou furtivamente dentro da casa, encontrando um menino deitado no sofá. Com o mínimo de barulho possível, aproximou-se da criança que dormia profundamente.
Sem perceber a movimentação extremamente perigosa no andar debaixo, Ikki e Hyoga continuavam a conversa tensa. O loiro estava mais calmo, mas ainda confuso com as palavras do policial.
- Ikki, quando é que eu vou agir? – Perguntou, percebendo que nenhuma das palavras do moreno envolviam o projeto inicial de que entrasse no seio do grupo criminoso.
- Ainda não é a hora, Hyoga... – Disse, desviando o olhar. – Não o colocarei lá dentro até ter certeza de que não arriscarei sua vida.
- Então, isso nunca irá acontecer! – O loiro ficou ainda mais confuso. – Eu nunca estarei seguro perto deles.
- Sim, eu sei, mas...
- Não há outra saída e nem o melhor momento. Ainda mais agora que você descobriu esse cara ainda mais poderoso! Tem um assassino profissional na minha cola! Não vai demorar muito pra ele me achar! Eu não tenho tempo a perder!
- Calma Hyoga! Eu sei de tudo isso, mas não podemos nos precipitar.
- Eu não posso mais esperar, Ikki! Não tenho mais tempo! A qualquer momento vão me achar. E se você não puder me proteger? E se não conseguir....?
- Eu vou proteger você, Hyoga. Eu vou. – Ikki falou, erguendo-se bruscamente e encarando o loiro, que não se intimidou e se ergueu também, o fitando.
- Mas e se não conseguir...? Estamos correndo contra o tempo! A qualquer momento vão nos achar! – O policial ouvia as palavras do adolescente e não podia discordar. Ele estava completamente certo, ainda mais se Kanon for mesmo o ‘chefe’. Não havia mais tempo para esperar. Tinha que ser agora...
Mas não queria arriscar. Simplesmente não tinha coragem de arriscar a vida de Hyoga, já que ainda não tinha o controle da situação. No começo, embora não fosse a atitude mais correta, Ikki aceitava os riscos naturais de uma ação como essa. Sempre esteve presente para garantir a segurança do loiro, porém essa segurança não era 100% eficaz. Ainda mais tendo tão poucas informações sobre o ‘chefe’.
- Eu não quero. – O moreno proferiu, deixando o adolescente sem palavras.
- Não quer...?
- Não quero, e não posso... – Disse novamente, agora de forma mais carinhosa, levando seus dedos numa delicada carícia na face do adolescente. – Não posso arriscar você.
- Mas... Você tinha dito... – O coração do loiro disparou, ficou sem reação diante daquilo. Até queria processar todas aquelas palavras e gestos, sua própria reação. Mas sua mente travou naquele momento, ele só conseguia ouvir e fitar as atitudes do moreno.
- Eu sei o que eu disse, mas isso foi antes. Hoje eu não posso permitir que você se arrisque. Por isso venho evitando. Quando você fugiu... – Os olhos do moreno se fecharam ante a lembrança. – Não vou passar por isso de novo. Não quero que corra riscos.
Hyoga engoliu em seco. Não era preciso dizer mais nada, sabia bem o que ele estava dizendo, embora não tivesse dito expressamente. E isso o chocou de certa forma. Talvez nem tanto aquela declaração, mas sua própria reação diante dela. Sentia um misto de felicidade e confusão, seu coração pedia uma coisa, mas sua mente lhe falava outra. E só conseguia externar aquele susto.
Um susto que estava visível em seus olhos, em seus lábios entreabertos, puxando o ar com força. Lindo, pensou o moreno. Aquele era um caminho sem volta, bem sabia disso. O problema é que já estava trilhando aquele caminho a mais tempo do que poderia imaginar. E também não desejava mais voltar atrás. Ainda mais depois das reações de Hyoga, que demonstrava claramente que era correspondido em seus desejos.
O policial então, pela primeira vez desde que conheceu Hyoga, se permitiu deixar levar pelo coração. Deixou-se levar pelos seus sentimentos, deixando de lado o profissionalismo, e atendendo ao desejo de tomar aqueles lábios convidativos.
E foi o que fez, ao aproximar-se devagar e notar que ele não o rejeitara. Com as duas mãos, segurou delicadamente o rosto do adolescente e aproximou seus lábios ao dele, num roçar lento, mas seguro. Estava apenas experimentando o terreno perigoso que era a vida e o coração de Hyoga.
Inerte, o loiro sentia-se quase desfalecendo diante daquele ato. Se estivesse em seu juízo perfeito, talvez rejeitasse aquele contato íntimo, mas não. Ao contrário, apenas fechou os olhos num claro indício de permissão.
E Ikki não perdeu tempo ao prosseguir, diante da aceitação do loiro. Envolveu-o em seus braços e aprofundou o beijo, começando devagar, explorando o gosto e a textura da boca de Hyoga enquanto sentia-o tenso.
Por um lado, sentia seu desejo despontando entre as pernas indicando que o loiro o queria, embora nervoso. Por outro, sabia que talvez essa fosse uma experiência completamente nova e inusitada para o adolescente e isso o estivesse deixando confuso.
Talvez devesse parar, deixa-lo ir e pensar nos seus próprios sentimentos, mas não pôde. Era mais forte que Ikki sentir aquele sabor em seus lábios, o fazendo querer mais e mais, apertando-o contra si.
E apenas o grito agudo de uma criança, que reconheceu ser seu filho, fez com que se separassem bruscamente.
- Ahhhhhhhhhhhh!!!! Papai!!!!!!!
- Shunnnnnnnnn!!!! – Ikki gritou de volta, correndo desesperadamente para o andar debaixo. Porém, o som do carro cantado pneu mostrava que era tarde demais, para desespero de Ikki.
Continua...
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