Código Secreto
10 Capítulo 10 - Amor proibido
Notas iniciais
– Devo agradecer a valiosa informação? – Perguntou, sendo o mais sugestivo possível. Tivera uma ideia do que fazer e talvez seu antigo amante pudesse ajudá-lo. Carlo riu.
– É claro, da forma que eu mais gosto. – Dite lambeu os lábios, provocante, e olhou para os lados antes se sussurrar.
– Dê-me um minuto. Preciso ir ao toilet. – Continuou com seu sorriso e saiu, provocando com seu andar, sabendo que era observado, mas seu pensamento estava em outro lugar. Precisava ligar para Ikki, então aproveitou o momento sozinho no banheiro para ligar para o parceiro.
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Toda vez que ele lhe tomava os lábios daquele jeito apaixonado sentia se derreter em seus braços, esquecendo-se de tudo. Sua mente vagava por um universo distante onde eles podiam se amar sem restrições, sem reserva. Dite se entregava a ele com o mesmo entusiasmo de quando se conheceram há muitos anos atrás, uma época doce em que nem Carlo era um assassino, nem ele era um policial.
Mas a realidade era dura para o seu coração e não podia esquecer-se de quem ele era: Um homem que enriquecia tirando a vida. Tentava justificar para si mesmo que seu amor só matava quem ele considerava bandido. Como se o italiano tivesse poder para julgar e condenar com a morte, ele aceitava ou não as encomendas de acordo com o histórico da vítima. Era uma maneira de tentar se justificar, ou se enganar, mas o fato é que Dite jamais conseguiu denunciar o amante.
Que fosse julgado moralmente equivocado por isso, não se importava tanto assim, principalmente porque desde o primeiro até o último, sem exceção, todas as vítimas de Carlo eram realmente integrantes da escória da sociedade. Assassinos, estupradores, traficantes, ladrões eram o seu alvo. Ele era um homem metódico, extremamente competente e muito eficaz, seus princípios o impediam de ir além com quem julgava não merecer a pena de morte.
O pisciano encerrou o beijo delicadamente ao lembrar-se do dia em que se conheceram. Quando viu aquele olhar, todo aquele brilho no olhar, a intensidade, sabia que ele seria o homem da sua vida e também a sua perdição.
– O que foi? – Carlo perguntou rente a boca do pisciano.
– Estava me lembrando do dia em que nos conhecemos... – Dite afastou-se sensualmente, caminhando pelo amplo quarto do hotel onde Carlo estava hospedado. O italiano sorriu sensualmente e o seguiu, retirando a própria camisa.
– Eu nunca vou esquecer a forma como me olhou naquele dia, uma coisa meio assustado, meio arrogante... – O italiano recordou-se, sussurrando as últimas palavras, abraçando-o por trás. O policial riu.
– Você se lembra da primeira coisa que me disse naquele dia? — Perguntou, virando-se de frente a ele, tocando-lhe o torso desnudo.
– Que você era a coisa mais linda que eu já tinha visto na vida...? – Brincou, fazendo-os rir.
– Não... Você me disse: Eu sou um justiceiro com sede de sangue... Lembra-se? – Perguntou novamente, olhando fundo nos olhos do italiano.
– Ah... Lembro-me sim! – Sorriu amplamente. – Mas o que é? Porque está recordando nosso passado? – Perguntou curioso. Dite não respondeu, ao contrário, apenas ficou encarando aquele expressivo olhar, tentando buscar as respostas que tanto temia. – O que...? Porque está me olhando desse jeito? – Carlo perguntou, sem entender onde o amado queria chegar.
– Estou procurando nos seus olhos se o justiceiro sedento de sangue que conheci anos atrás ainda está ai depois de todo esse tempo... – Eles ficaram alguns segundos em silêncio. Somente a ele concedia aprofundar-se tão livremente em sua alma de assassino.
– E encontrou? – Carlo perguntou, desafiando-o e abraçando-o ainda mais apertado contra o seu corpo.
– Eu não sei... Meu amor por você confunde a minha visão. – Carlo riu sedutor.
– Está preocupado com o rapaz, não é? O tal de Hyoga... – Perguntou enquanto distribuía beijos e carícias pelo pescoço do policial.
– Ele é inocente, Carlo. Tenho certeza.
– Não é o que parece...
– Armaram contra o garoto, querem incriminá-lo. – Murmurou completamente entregue as carícias.
– Então não se preocupe. Você sabe que eu não mato inocentes...
– Mas você aceitou a encomenda... – Iria contra-argumentar, mas o italiano o impediu, colocando seus dedos nos lábios de Dite.
– Shiii... Deixa isso para depois, você sabe melhor do que ninguém que eu nunca erro o alvo. Mas agora, por favor... mata essa saudade que eu tenho do seu corpo, da sua pele, do seu cheiro, do seu toque. Quero que seja meu hoje, pesci... – Pediu enquanto depositava-o delicadamente na ampla cama do hotel. O pisciano arfou ao sentir o corpo dele sobre o seu.
– Sempre seu... – Declarou-se com os olhos fechados, entregue nos braços de seu amante.
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Preso naquela casa, isolado de tudo e todos, aliado a tensão de sentir-se caçado por bandidos e policiais sem perspectiva de sair dessa situação já estava enlouquecendo os nervos de Hyoga. A ansiedade estava explodindo em seu peito, fazendo seus pensamentos o angustiarem mais e mais, o impedindo de dormir.
Precisava ver sua mãe, que devia estar muito preocupada. Mas também, se o fizesse, corria um grande risco de ser preso e sem Ikki, suas chances de conseguir inocentar-se eram mínimas. Queria sair daquele lugar, ver seus amigos, respirar, espairecer, mas se o fizesse também corria o risco de ser pego. Queria resolver tudo logo de uma vez, mas não fazia nem ideia de como faria. Não sabia quem estava por trás desse esquema, quem era o tal do chefe e como iria encarar sozinho toda uma organização criminosa.
O único que poderia ajudá-lo seria Isaak. Apesar de não saber quem era o chefe, o amigo ficara de ver uma forma de entrar no fechado e seleto grupo da cúpula dos organizadores dos eventos que envolviam os ‘pegas’. Durante todo o dia, o loiro ficou tentado a ligar e marcar um encontro secreto com o amigo, mas não o fez. Ikki foi muito claro dizendo que ainda não era hora certa de agir.
Não, Hyoga não era um covarde, se era necessário agir para se livrar de todas as acusações injustas que pesavam sobre seus ombros, então ele agiria. Mas o policial, apesar de parecer experiente, estava inerte e nada falava. Os dias naquela casa se arrastavam e tinha a sensação de que estar ali parado em nada adiantaria. Achava que Ikki estava esperando por medo, ou talvez excesso de precaução, ou qualquer outro motivo, mas que era preciso agir logo antes que fosse tarde demais.
Mas então porque não procurou Isaak? Porque obedeceu ao moreno? Se pensava tudo isso, se tinha convicção de que era hora de procurar seu amigo, porque simplesmente não o fez? Seria medo ou o quê? E sua mãe? Porque hesitou em ligar para casa quando teve oportunidade? Quando o policial saiu e o deixou sozinho, poderia tê-lo feito, mas não. Obedeceu ao moreno, apesar de estar louco para procurar sua mãe.
A verdade é que talvez estivesse ficando louco e covarde diante de toda essa história. Estava colocando a sua vida nas mãos do policial, um homem que ele mal conhecia e toda vez que pensava nisso entrava em mais angustia e incertezas. Estava fazendo uma aposta arriscada confiando no moreno, mas como o próprio Ikki disse, ele não tinha opção e isso também o afligia.
E todas essas coisas se acumulavam no coração e na mente confusa do jovem loiro, servindo de combustível a uma perigosa mistura. Sentindo-se sufocado, Hyoga ergueu-se do sofá e começou a andar de um lado para o outro na sala, nervoso. Os pensamentos começaram a vagar sem controle por sua cabeça, desnorteando-o. Ele precisava desabafar, falar, conversar com alguém, precisava pôr pra fora tudo o que estava sentindo, não estava mais agüentando guardar aquela angustia para si. Foi instintivo quando olhou na direção do quarto do moreno e perceber uma luz fraca vindo do ambiente.
Novamente hesitou, porque da última vez que foi até o quarto do policial, voltou irritado, engolindo um sermão que julgava ser completamente desnecessário. Mas se ficasse ali acabaria enlouquecendo. Então, com passos vagarosos, caminhou até o quarto. Parou silenciosamente um pouco antes da porta, ouvindo a voz grossa do moreno. Ele estava contando uma história para Shun dormir e apenas a luz de um abajur iluminava a cama onde estavam.
– Os cavaleiros correram depressa, pois eles não tinham tempo a perder. Precisavam encontrar a poção que poderia salvar a vida da princesa, ou ela nunca mais acordaria de seu profundo sono... – Ouviu na voz de Ikki. Discretamente, o loiro inclinou a cabeça para poder ver a cena, deparando-se com o moreno deitado em sua cama, com o pequeno Shun apoiado em seu peito, encarando seu pai com muito interesse. Era uma cena linda que Hyoga só tinha visto em filmes e novelas açucaradas.
– E eles chegaram a tempo, papai? – O menino perguntou, curioso.
– Sim, mas a poderosa poção estava escondida dentro de uma caverna úmida e escura, um lugar muito assustador...
– E eles não ficaram com medo?
– Eles estavam com muito medo, mas se eles não entrassem, como salvariam a bela princesa? – O pai perguntou. O menino, temeroso, respondeu.
– Eu não entraria... – Ikki riu carinhoso, e Hyoga o acompanhou num sorriso silencioso. O adolescente desviou o olhar da cena, em seu silêncio, prestava atenção nas palavras do moreno, que agora eram tão ternas quanto só um pai amoroso poderia proferir.
– Não entraria nem para salvar o seu pai? – Ikki perguntou, instigando o menino. Shun calou-se por um tempo, decidindo-se.
– Só pelo meu papai... – Os três riram.
– Sabe filho, ter medo é normal, todos nós temos medo de alguma coisa na vida, mas o importante é encarar os nossos medos pelas pessoas que nós amamos. É isso o que nos transforma em verdadeiros cavaleiros, superar os nossos medos... Eu também teria medo de entrar na caverna, mas por você eu enfrentaria até a mais assustadora de todas. – Disse e beijou carinhosamente a testa do menino, que sorriu feliz, aninhando-se no peito de seu pai.
Hyoga sorriu mais uma vez e escorregou pela parede, sentando-se no chão, continuando a ouvir a historia de ninar. As palavras carregadas de um amor tão paternal o comoveu, porque era a primeira vez que as ouvia como se fosse para si. Em muitos momentos vira atos de carinho de pai para filho entre amigos e seus pais, mas era a primeira vez que isso era tão nítido e verdadeiro. O amor de Ikki por Shun era tamanho que era quase palpável. Ele era doce, carinhoso, gentil, acolhedor, tão reconfortante que Hyoga se permitiu fechar os olhos e imaginar estar ali, deitado ao lado deles. Por um breve momento, o loiro sentiu inveja de Shun, pelo pai maravilhoso que o menino tinha e que ele nunca pudera conhecer.
A comparação foi inevitável. Nunca recebera nem um décimo desse carinho por parte de Camus. E seu pai, seu verdadeiro pai, esse era um monstro que estava morto e no inferno. As lágrimas inconscientemente molharam o rosto do adolescente, emocionado, silencioso, escondido, como se ouvir e sentir aquele carinho fosse proibido a ele. Não podia revelar-se, não podia mostrar-se, devia manter-se escondido, na escuridão, observando de longe aqueles que sentiam o conforto e o calor da luz. Ao menos isso o destino o permitiu: Poder ver e ouvir, pelo menos uma vez, o que significava e o que era um verdadeiro amor paternal. E como estava feliz por isso.
Alheio ao drama do loiro na porta de seu quarto, Ikki continuava com a história para ninar Shun. O menino era agitado e era difícil essa arte de colocá-lo para dormir, mas com um pouco de paciência e tempo o menino acabou adormecendo. Essa era uma das poucas atividades da qual tinha paciência para fazer, porque lhe trazia muito prazer. Era um momento único e que, sabia muito bem, era muito importante na vida e no homem em que seu filho se tornaria um dia. Fazia por Shun tudo o que nunca teve, amava-o o tanto que nunca foi amado, para que Shun seja no futuro alguém melhor do que ele foi.
Mas por todas as circunstâncias, não conseguia relaxar para curtir esse momento tanto quanto sempre curtiu. Estava muito preocupado com Hyoga, planejara realizar o encontro dele com o amigo Isaak no dia seguinte, mas depois da ligação de Afrodite contando sobre Carlo, resolveu adiar esse encontro. Já conhecia o assassino de aluguel e o seu talento para descobrir e eliminar suas vitimas. Não podia arriscar a segurança de Hyoga e nem de seu filho.
Precisava protegê-los, por isso era preciso agir com passos muito bem calculados e frios. Porém, esse definitivamente não era o seu estilo. Estava acostumado ao movimento, a ação, e esse trabalho de formiguinha, como dizia Afrodite, o testava em todos os seus limites. Aquele caso estava sendo o mais difícil de sua carreira, por ter que encarar um inimigo feroz e aterrorizante: Ele mesmo. Era um trabalho árduo, mas que precisava cumprir. Prometera a Hyoga que faria o que estivesse ao seu alcance para protegê-lo, e assim o faria.
Shun já dormia quando Ikki o acomodou melhor na cama e se levantou. Queria tomar um banho, comer alguma coisa, tentar relaxar. O dia seguinte seria um crucial, importantes decisões seriam tomadas e precisava estar inteiro. Foi até o banheiro, mas o que viu no caminho o deixou atônito. Mesmo com a iluminação fraca, viu que Hyoga estava todo encolhido, parecia estar dormindo no chão, na porta de seu quarto. Essa cena apertou seu coração. O adolescente parecia um menino de rua, largado, encolhido, com medo, com frio. Mas o que ele estava fazendo ali, daquele jeito? Pensou Ikki enquanto agachava-se um pouco, tocando no braço do loiro delicadamente, para acordá-lo.
– Hyoga...? – Chamou baixinho, para não assustá-lo. O adolescente abriu os olhos devagar, um pouco desnorteado. – O que está fazendo dormindo aqui no chão? – O loiro ouviu e finalmente despertou, sentindo-se envergonhado por ter sido flagrado. Mas como ele foi pegar no sono?
– Ahh... eu... eu... – Estava imensamente sem graça e corado, esfregava uma das mãos no rosto, não sabia o que dizer. – Eu vim falar com você, mas... você estava ocupado e... desculpe, eu não quis atrapalhar vocês. – Disse o que lhe veio a mente e ameaçou fugir dos olhos do moreno, tentou se erguer e voltar para a sala, esquecer aquele flagra terrível, mas Ikki o segurou.
– Espere. Você não me atrapalhou em nada. Eu só estranhei vê-lo aqui, mas está tudo bem. – Ficaram em silêncio alguns segundos, com Ikki tentando entender aquela situação estranha e Hyoga tentando fugir daquele olhar do moreno.Observou também que o adolescente tinha chorado, o que aumentou ainda mais aquele mistério. – Então, sobre o que queria conversar? – Perguntou direto.Hyoga mirou os olhos do moreno e ainda podia ver o mesmo pai carinhoso que ouvira instantes atrás e isso o deixou estranhamente confortável, seguro.
– Eu... só queria conversar com alguém. – Respondeu sinceramente, num fio de voz, envergonhado. – Desculpe, sei que parece ridículo... –Disse ainda mais encabulado, desviando o olhar, mas Ikki o cortou:
– Não é ridículo... – O moreno respondeu simplesmente, fazendo o loiro franzir e cenho, voltando a encará-lo, confuso. Percebendo isso, o policial respirou fundo, sentou ao seu lado e emendou: — O que você está sentindo é perfeitamente normal, Hyoga. Sei que para você está sendo difícil ficar aqui dentro, numa casa desconhecida, com uma família desconhecida, sem seus amigos, sem sua família, sem ninguém para conversar, sozinho, enquanto está sendo terrivelmente incriminado lá fora. Pode parecer que não vejo, mas eu sei, entendo que está sendo difícil. Você é jovem, bonito, atraente, está no auge da sua energia, ficar aqui dentro é como enjaular uma fera... Eu entendo. Então, não fique envergonhado quando quiser me procurar para conversar. Pelo contrário. – Disse, sendo o mais sincero possível. O loiro ficou calado, ouvindo aquelas palavras que faziam sentido, aliviando o seu constrangimento pelo flagra e confortando-o por perceber o quanto o moreno o entendia.
– É... bem, é que você quase não fala nada sobre o que está acontecendo... Então... – Hyoga externou sua dúvida.
– Eu sei... mas é que para mim também não está sendo fácil... Eu sou assim mesmo, meio carrancudo, meio calado, meio ogro. Olha, eu não sou muito bom com as palavras, isso está sendo um desafio para mim também, mas estou tentando fazer isso da melhor forma para nós dois. Receber você na minha casa, assim... eu moro sozinho há muito tempo e me acostumei a isso, então recebê-lo assim... Você precisa me ajudar nisso também, entende? – Tentou explicar, sentindo que mesmo esforçando-se ainda pecava por não conseguir se expressar muito bem. Hyoga o encarava sério e atento.
– Eu entendo... – Não precisava de muito para perceber que Ikki não era a pessoa mais sociável e articulada do mundo. Ele definitivamente não sabia como lidar com as outras pessoas e isso o aliviou, porque ele próprio também não era. Talvez não tivesse a mesma dificuldade que Ikki tinha, mas certamente não era tão diferente dele a ponto de não entendê-lo.
– Hyoga, presta atenção. Eu quero que você me veja mais do que como um policial que está cuidando do seu caso. Quero você mais perto de mim, quero que me veja como amigo, eu quero ser seu amigo, Hyoga. – O moreno continuou a dizer, mirando na pouca iluminação os olhos claros do loiro. Hyoga calou-se por uns segundos, processando o que acabara de ouvir.
– Por quê? Por que quer ser meu amigo? – Aquela última frase soou muito estranha para o adolescente. Amigos, eles!? Por que um cara como Ikki, com família, amigos, uma profissão legal, um apartamento próprio, iria querer amizade com um garoto problemático como ele? O que ele queria dizer com isso?
– Porque... – O moreno começou a dizer, encarando os belos olhos que procuravam respostas, mas a principio não as encontrou. Naquele instante a resposta mais óbvia seria a necessidade do elo a ser estabelecido, a parceria necessária para o sucesso do trabalho, mas essa não era a resposta certa a pergunta feita pelo adolescente, não era a resposta que seu coração queria dar a ele e foi nesse instante que Ikki percebeu que estava muito encrencado. — Porque é importante para a missão. Quero que confie em mim. – O policial respondeu, vacilante. Estava sendo muito sincero com o garoto até aquele momento, até aquela desconcertante pergunta. É claro, precisava estabelecer um elo de confiança para que o loiro não cometesse nenhum erro que fosse prejudicial à missão. Isso não era mentira. E se fossem amigos, isso ajudaria. Essa era a resposta mais adequada, a razão para querer essa aproximação com Hyoga.
– Ah, entendi. – O adolescente, por sua vez, não conseguiu entender o sentimento de frustração que sentiu com a resposta do moreno. Talvez esperasse algo mais, algo como ser importante o suficiente para merecer ser amigo de alguém tão especial como Ikki. Mas não, iludiu-se achando que isso era possível, Ikki apenas queria sua amizade para que o obedecesse prontamente as suas ordens, em nome da missão que salvaria sua vida. Deveria estar feliz por isso, afinal Ikki se mostrava cada dia mais confiável. Mas o sentimento que o assolava era decepção, por mais confuso que esse sentimento pudesse ser...
O moreno percebeu a frustração no modo como Hyoga desviou o olhar e se remexeu, desconfortável, e ficou se perguntando quais as chances dele estar sentindo o mesmo que ele. Desviou o olhar para o outro lado, como se também quisesse fugir do jovem loiro. O melhor a fazer naquele momento era enterrar qualquer possibilidade de sentimento entre eles. Ikki era um profissional e Hyoga o suspeito do caso, a própria vítima, um adolescente. Não seria ético. Além disso, Hyoga tinha uma namorada, da idade dele... Isso nunca iria dar certo. Sim, o melhor era abafar qualquer sentimento que pudesse nascer ali.
– Ikki, eu posso te pedir uma coisa? – Hyoga arriscou depois de alguns minutos, mudando de assunto.
– Claro. – O moreno sorriu gentil.
– Eu sei que você disse que é perigoso, mas eu estou mesmo muito preocupado com a minha mãe. Eu fico pensando em como ela está, sozinha com Camus, que deve ta fazendo a minha caveira pra ela... – Disse com a voz carregada de mágoa. – Ela deve ta preocupada, eu queria muito que você fosse lá, falar com ela... Por favor, é muito importante para mim! – Pediu, olhando nos olhos do moreno, que se calou por alguns segundos antes de decidir-se.
– Ok, Hyoga. O Milo foi hoje falar com sua mãe e seu avô, mas prometo que amanha mesmo eu vou falar com ela, vou ver o que posso fazer. Não posso dizer onde você está, mas vejo o que posso fazer. – Ikki respondeu, fazendo Hyoga sorrir.
– Obrigado! – Agradeceu, aliviado, e num impulso, abraçou o moreno.Ikki ficou sem reação por alguns instantes, surpreso pela atitude inesperada do adolescente, mas acabou acolhendo-o em seus braços. Apesar de incerto e confuso com seus próprios sentimentos, estava aliviado. Agora sim, depois de quatro dias de convivência intensa e até turbulenta, sentia que conseguira a confiança do rebelde adolescente. Mais um passo decisivo na caminhada em busca de inocência de Hyoga.
– Ikki? – O loiro chamou depois de um tempo abraçados.
– O que?
– O que estamos esperando? Porque procurar logo o Isaak para tentar resolver essa situação de uma vez? – Perguntou, afastando-se para encará-lo.
– Eu só estou esperando uma confirmação de Afrodite.
– Confirmação de que? – O loiro perguntou.Ikki hesitou, não queria assustá-lo ainda mais com a história de Carlo.
– Parece que ele encontrou alguém que pode nos dar alguma informação a quem Isaak deve procurar... – Resolveu omitir a informação sobre Carlo.
– E quando ele vai passar essa informação?
– Amanha bem cedo... Sei que a vontade é sair e resolver tudo de uma vez, mas tenha paciência. É preciso estratégia para não colocar os pés pelas mãos. – Hyoga concordou. Pelo menos agora sabia que tinham uma estratégia e isso o deixava menos ansioso. Só faltava esperar a informação de Afrodite para começar a agir, quem sabe no dia seguinte mesmo.
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Eles ainda estavam abraçados, agarrados, apreciando o momento letárgico do pós-gozo. Dite estava deitado sobre o peito de Carlo, que subia e descia compassadamente, tentando recuperar a fôlego.
– Nossa! Você é um furacão! – O italiano comentou, rindo. Afrodite sorriu satisfeito, mas nada disse. Estava com saudade do seu homem, queria apreciar cada segundo do corpo e do cheiro dele. – Sabe o que seria uma delícia, agora? Um banho bem gostoso! – Comentou, abraçando e rolando na cama, ficando por cima. – Você quer?
– Não, quero curtir um pouco mais o seu cheiro em mim... – Sorriu sedutoramente, puxando-o para um beijo lento e sensual.
– Já disse que você está muito gostoso? – Pergunto o moreno, apertando vigorosamente a bunda de Dite, que riu.
– Já, mas eu não canso de ouvir... – Sorriu, roubando-lhe um rápido beijo. Carlo sorriu mordendo o lóbulo da orelha, sussurrando:
– Gostoso... – Sorriu divertido com o arrepio que provocou no pisciano. Distribuiu alguns beijos pelo rosto do amante enquanto ia se afastando, erguendo-se da cama.
– Tem certeza que não quer vir comigo? – Carlo sorriu, provocando, indo para o banheiro e expondo seu belo corpo ao pisciano.
– Hunnn... – Afrodite ronronou sorrindo, manhoso, enrolando-se no lençol da cama, fechando os olhos preguiçosamente. O italiano riu e foi até o seu banheiro.
– Sabe que por mim você ficaria até amanha, mas não será possível... – Gritou assim que ligou o chuveiro, antes de entrar na ducha. Dite se levantou da cama, indo até onde estava o homem que o amara instantes antes. Escorou-se na porta do banheiro, olhando-o enquanto banhava-se.
– Sim, eu sei... Sempre soube. – Sorriu melancólico.
– Não faça assim... – O italiano riu, ensaboando-se.Afrodite suspirou discretamente, o encarando por um momento, sem nada dizer voltou para o quarto.
O pisciano deu uma boa olhada no quarto. Duvidava que ele tivesse algo ali que o comprometesse, mas ao menos pensava encontrar nas suas coisas algo que indicasse quem o procurou. Um nome, uma foto, qualquer coisa já estaria satisfeito. Começou a procurar pelo quarto, tentando ser o mais silencioso possível.
– E como vai o meu muito amigo Milo? Estou com saudade daquele grego burro... – O italiano perguntou ironicamente, ainda no banho. Dite riu, mas continuou procurando pelas gavetas das cômodas.
– Ele está do jeito que você já sabe... E não acho que ele esteja com saudade de você. – Sorriu ao encontrar numa das gavetas a foto de Hyoga. No verso, o nome e algumas informações sobre o adolescente. Na mesma gaveta, encontrou um caderninho com alguns nomes. Um em especial lhe chamou a atenção: Cassius Mirah. O mesmo nome que Hyoga disse ser o responsável pelas apostas.
– Está brincando?! Aquele cara é meu fã, só não é capaz de admitir... – Deu uma sonora gargalhada. — Já conseguiu se livrar daquele traste que ele chama de namorado? – Riu jocoso.
– Há muito tempo que ele não está mais com o Valentine. – Respondeu sem dar-lhe muita atenção. Procurou na sua bolsa papel e caneta, anotando as informações que encontrou rapidamente, para logo depois devolver o caderninho à gaveta, voltando para a cama ao ouvir que ele desligara o chuveiro.
– Já não era sem tempo... – Carlo disse voltando para o quarto enquanto enxugava-se.
– Porque você não pára de falar dos outros e vem aqui... ainda não matei minha saudade de você! – O pisciano pediu, ajoelhando-se na cama, sorridente, agarrando-o.
– Safado... acabei de tomar banho... – Gracejou, abraçando-o também.
– É?... Está com nojinho, é? – Dite empurrou seu homem para a cama, envolvendo-o com suas pernas, sentando em seu membro já desperto. – Pois eu vou te sujar todinho outra vez... – Sorriu o seu sorriso mais safado. Carlo não negou, sorrindo de volta e o abraçando para amá-lo uma vez mais, desejoso de saciar aquele desejo indomável que tomava conta de seu corpo toda vez que o encontrava.
Continua...
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