Código Secreto

11 Capítulo 11 - A Fuga


Notas iniciais
Gente.... =´( Eu to sem cara pra pedir desculpas pela imensa demora. Dessa vez eu bati todos os records!! Mas, como eu sempre digo, eu posso até atrasar, mas não abandono fanfic nenhuma! Quanto a isso não se preocupem ^^
Capítulo betado pela minha querida amiga Sayuri no Virgo ^^ Obrigada minha querida!! S2
Boa leitura, espero que gostem =D

– Porque você não pára de falar dos outros e vem aqui... ainda não matei minha saudade de você! – O pisciano pediu, ajoelhando-se na cama, sorridente, agarrando-o.



– Safado... acabei de tomar banho... – Gracejou, abraçando-o também.



– É?... Está com nojinho, é? – Dite empurrou seu homem para a cama, envolvendo-o com suas pernas, sentando em seu membro já desperto. – Pois eu vou te sujar todinho outra vez... – Sorriu o seu sorriso mais safado. Carlo não negou, sorrindo de volta e o abraçando para amá-lo uma vez mais, desejoso de saciar aquele desejo indomável que tomava conta de seu corpo toda vez que o encontrava.



–---------------------*----------------------------*-----------------------



Ainda mantinha os olhos fechados, embora desperto e sonolento. Hyoga já estava no sofá, apesar de dolorido, ainda confuso da noite anterior. Não se dera conta quando exatamente que pegou no sono, somente que estava muito cansado, física e emocionalmente, mas que encontrou alívio e proteção nos braços de Ikki.



– Tio Oga, tio oga! Acorda, tio Oga! – Ainda sequer tinha acordado e já ouvia o agitado menino chamando-o e sacudindo-o.



– Shun! – Reclamou, esfregando os olhos. O menino riu, travesso.



– Papai mandou você acordar!! – Ignorando o garoto, Hyoga sentou-se e olhou o relógio. Ainda eram oito da manha. Porque raios tinha que acordar tão cedo?!



Bom dia. – O moreno passou por eles, frio e distante, e aquilo soou estranho ao loiro. Ele parou perto do filho, que agora com os olhos mais despertos, pôde notar: Estava com uniforme escolar. Olhou para Ikki e sentiu-se incomodado pela frieza dos olhos que sequer o encaravam. Mas que diabos estava acontecendo? De madrugada eles tiveram uma longa conversa e Hyoga até sentiu que poderia contar com o moreno, como um verdadeiro amigo. Será que havia se enganado?



Bom dia... – Respondeu vacilante, receoso.



Eu vou levar o Shun para o colégio, depois vou para a delegacia. Em hipótese alguma abra essa porta ou saia de casa, aqui tem tudo o que precisa. Qualquer coisa me liga. – Aconselhou secamente.



Está bem... – Respondeu seco também. Não estava entendendo essa postura, ainda mais depois daquela noite. Ikki assentiu e pegou o filho pelas mãos, que acenava com as mãozinhas para o loiro, e o levou para o colégio deixando o loiro em casa, confuso.



Ele estava sonolento por ter acordado de forma abrupta, talvez por isso as ações do moreno parecessem ainda mais estranhas, deixando-o incomodado. O sofá chiou quando ele voltou a deitar-se de modo largado, fitando o teto, a sonolência cedendo lugar para certo inconformismo.



Obrigou-se a repassar detalhadamente todo o acontecido naquela noite, na esperança de encontrar uma resposta para a atitude do policial. Talvez algo que tivesse dito, ou talvez o fato de ter ficado escorado na porta de seu quarto tenha incomodado mais do que o moreno tivesse admitido.



Imerso em dúvidas, o loiro resolveu levantar-se e tomar um banho. O ato impensado da noite anterior corroendo-o e um constrangimento tomou conta de si como jamais imaginou que sentiria alguma vez em sua vida. Logo ele, sempre tão arredio, cheio de si, independente, sentindo-se frágil pela visível irritação de Ikki. Não que esperasse alguma atitude mais afetuosa, também não sabia muito bem como reagir diante daquela situação. Podia não sentir naquele momento, mas Ikki ainda era um estranho.



Suspirou confuso sentindo a água fria cair em sua pele e despertá-lo do sono, mas não da inquietação. Agora mais do que nunca acreditava que o policial não ficara satisfeito de perceber que ele passara boa parte da noite esgueirando seu sono e a do filho, a despeito de ter-lhe tratado de forma tão compreensiva de início.



E era justamente isso que o incomodava ainda mais. Pensar nas razões para Ikki ter agido daquela forma, e das razões que sua mente nublada encontrava, aquela que mais parecia encaixar-se a realidade era terrivelmente constrangedora. E sempre que repassava as feições do moreno naquela noite, mais aquela justificativa parecia correta: Pena. Sim, Hyoga parecia cada vez mais convencido de que o policial tivera pena dele naquele momento de fragilidade e isso o irritou profundamente.



Tanto que seus pés marcaram forte o piso do apartamento com força, enquanto arrumava suas próprias coisas e vestia-se de modo qualquer. Sabia dos riscos, sabia que estava sendo incriminado, sabia que era um foragido da policia e que pôr os pés fora daquele lugar seria como se entregar de bandeja para os bandidos. Mas o sangue fervendo nas veias lhe impedia de pensar em quão arriscada era sua atitude. A única coisa que ele queria era pegar as suas coisas e fugir. Ir para bem longe daquele homem que ludibriou seus sentimentos.



–----------------------*--------------------------*------------------------------



A manha correu agitada na delegacia, mas tanto Ikki quanto Milo não se deram conta. E ambos por motivos semelhantes.



– Relaxa, cara! Todo mundo já teve essa fase de adolescente rebelde e problemático! – Milo comentou depois de uma longa conversa com o moreno, mas sabia que não tiraria aquelas rugas de preocupação da face do amigo tão cedo.



– O Afrodite ainda não chegou? – O leonino perguntou, sério e pensativo.



– Ele deu uma passada aqui mais cedo, pegou uns papéis e saiu de novo. Acho que ele encontrou alguma coisa. – O loiro respondeu, deixando o parceiro em silêncio. – Ikki? – Chamou. Conhecia-o bem para saber que tinha algo mais o inquietando.



– Precisamos resolver isso o quanto antes. Não gosto dessa história do Máscara ter sido contratado para matar o Hyoga.



– Sim, mas confirma nossas suspeitas. – Ikki mirou o amigo, que continuou. – Hyoga se tornou um arquivo vivo. Ele tem algo que eles querem e que precisamos conseguir. – As palavras de Milo fizeram o moreno massagear as próprias têmporas, sentindo o cerco se fechar. Não conseguia ver modos de fazer com que Hyoga chegasse ao chefe sem colocá-lo num alto risco de morte.



– E como foi com o Camus?



– Difícil... – O loiro suspirou, lembrando-se da noite passada. – Eu acho que tem algo muito grave nessa família, mas eu não sei. A Natássia é uma boa mulher, mas está totalmente perdida nessa história. O Camus... eu não sei o que pensar dele.



– Por quê? Do que desconfia?



– De nada, ainda. Quer dizer, nada que envolva esse caso do Hyoga. Talvez seja um problema de família que tenha impulsionado Hyoga para esse caminho. Quanto mais conheço a família dele, mais Hyoga me parece um mero adolescente rebelde fazendo merda... Não condiz em nada com a documentação que temos.



– É, eu também acho isso... – Na verdade, o moreno já entrara naquela delegacia com essa desconfiança. Aquele incidente com Hyoga lhe deixou claro que o loiro não passava de um inocente pego para ser laranja. E um adolescente marcado de uma dor profunda que ele não via há muito tempo em alguém. Algo que achou semelhante a si mesmo, em seus tempos de juventude. Mas não acreditava que ele tivesse passado por coisas como as que passou. Não, era outra coisa que mexia com ele.



– Ikki! Milo! Preciso falar com vocês. – Como sempre costumava fazer, o delegado Kanon simplesmente abriu a porta da sala do policial e interrompendo o que quer que estivessem falando, chamou os seus homens para uma conversa. Os amigos se entreolharam ante a urgência da voz do delegado, antes de rumarem junto ao chefe de modo preocupado até a sala dele.



– Aconteceu alguma coisa? – Ikki perguntou, maquiando a preocupação. Observou-o sentar em sua cadeira e procurar alguns papéis um tanto compulsivamente. Franziu o cenho, nunca tivera visto Kanon tão nervoso.



– Na verdade, a pergunta deveria ser o que ‘não’ aconteceu, não é Ikki? – Retrucou de forma irônica, deixando o leonino ainda mais desconfiado. – A peça central do caso que procuramos há anos circulando por ai sabe lá Deus onde, e vocês aqui de papo... Bom, mas alguém pelo menos anda trabalhando. No caso, eu!



– O que quer dizer? – Milo perguntou antes que Kanon lhe mostrasse o ofício que tinha acabado de chegar por fax, entregando o papel nas mãos de Ikki com um sorriso irônico do rosto.



– Eu, caro Milo. Eu ando realmente trabalhando nesse caso e andei espalhando homens meus pela cidade.



– Olheiros... – O moreno balbuciou assustado ao ver o que continha o papel. O escorpião pegou para ver a foto, sem entender e voltou a fitar o olhar assustado de Ikki.



– Sim, olheiros, já que oficialmente não posso pedir uma equipe dentro de aeroportos e rodoviárias ou perderia o caso para os federais... – Kanon suspirou e ergueu-se da sua confortável cadeira, começando um ansioso movimento de andar lado a outro, com os braços cruzados sobre o peito. – E nem vou dizer que foi surpresa o fato de ver o rapaz que você alega ser inocente tentando fugir com uma loira não tão misteriosa assim. O que só confirma que esse sequestro aqui não passou de uma armação perpetrada pelo próprio!



As palavras de Kanon invadiam os ouvidos de Ikki, mas a raiva que explodia em si impedia que processasse direito. Seus olhos fixavam na foto que mostrava Hyoga junto de Eire numa rodoviária, e pelo horário, significava que ele o tinha desobedecido e fugido de casa.



Os olhos cruzaram com os de Milo, confuso e irritado, antes de mirar o delegado voltar a sentar-se na cadeira.



– Ainda vai sustentar a inocência dele? – Perguntou, fitando Ikki nos olhos significativamente. Os policiais ficaram em silêncio ante a pergunta do delegado. Não podiam negar que diante dos fatos que ele tinha, era impossível não desconfiar de Hyoga. Não havia o que dizer.



– E está pensando em mandar equipe para lá? – Milo perguntou.



– Sim, eu já fiz isso... – Suspirou levando as mãos a têmpora, massageando.



– Porque não falou comigo antes, Kanon!? Eu estou no caso... – Mas a raiva de Ikki foi cortada pelo delegado.



– Porque eu quero uma equipe que faça o serviço sem escândalo, Ikki. E vamos combinar que você não é a pessoa mais discreta do mundo! – Ouviu-o bufar, mas continuou, ignorando a irritação do moreno. – Não podemos fazer estardalhaço, se esse garoto morre, vai ser impossível conter o problema e os federais vão vir pra cima da gente! E ai, meus caros! Adeus corporação! – Kanon sentenciou, fitando com atenção o olhar extremamente raivoso lançado por Ikki.



Já tinha notado há um tempo que o envolvimento do policial no caso Hyoga, especialmente depois que ele fora encontrado e interrogado. Era nítido em como Ikki lidava passionalmente em tudo o que se relacionava ao rapaz, e sempre julgou ser o desejo inflamado de pegar o quanto antes o ‘chefe’. Mas o arder dos olhos do Amamiya lhe mostravam bem mais do que o desejo que tão bem conhecia e até compartilhava, o que era estranho, a julgar que os dois tenham se encontrado apenas uma vez. A menos que...



– Ikki... – Kanon iria se pronunciar para externar sua desconfiança, mas o policial simplesmente se ergueu a passos firmes, proferindo:



– Eu vou até lá. – Não era um pedido, era um aviso. E estava pouco se lixando se Kanon autorizaria ou não.



– Espere, Ikki. Eu já mandei... Ikki! – O delegado gritou exasperado ao ver o moreno simplesmente lhe dar as costas e sair da sala, acompanhado de Milo, que estava numa postura complacente demais. Eles foram atravessando o mar de gente, com um único foco. Precisavam alcançar Hyoga antes da equipe de Kanon, precisava ser rápido.



– Ikki, você tem certeza...? – Milo perguntou, ainda seguindo os passos do amigo e ouvindo os protestos e as ameaças do delegado ao longo da delegacia, fazendo que os colegas de profissão os encarassem assustados. Mas não era isso o que lhe preocupava. Estava realmente preocupado era com o desenrolar dos fatos que estavam sem sombra de dúvida saindo do controle dos dois.



– Tenho. Eu não vou deixá-lo morrer, Milo. Prometi que o protegeria e o farei mesmo contra a vontade dele! – Pronunciou determinado antes de entrar no carro.



– Espera! – O loiro determinou dando a volta no carro e sentando-se no banco traseiro. – Você sabe que terá uma equipe altamente treinada do Kanon, além dos homens do ‘chefe’ que o estão perseguindo. Isso se tivermos a sorte de não encontrar Máscara por lá. O garoto assinou a sentença de morte saindo da sua casa, Ikki. Você tem certeza que quer ir lá? Sozinho?! — Indagou, extremamente realista. É claro que acompanharia o amigo na missão se assim optasse, mas tinha que falar aquilo, e confirmar...



– Eu vou salvá-lo... – Ikki pronunciou num tom baixo e certeiro, fazendo Milo negar com a cabeça.



– Merda Ikki... você se apaixonou! – Concluiu, mas o moreno não lhe deu ouvidos, dirigindo com fúria para a rodoviária onde o russo estaria.



–-----------------------------------*-----------------------------*-------------------------



Em pé em frente ao balcão de uma lanchonete perto da rodoviária, Hyoga fazia um rápido lanche ao lado de Eire enquanto esperava a chegada de Isaak. A primeira pessoa para quem ligou assim que deixou o apartamento de Ikki, o amigo a quem confiava e o único que poderia ajudá-lo a fugir da cidade naquele momento.



Pensou em procurar sua mãe, mas ficou receoso quanto a Camus. Era fato que o avô iria denunciá-lo para a polícia, não o deixaria fugir, e ainda maldizendo-o mais algumas vezes por ser quem é.



– Mas você não vai nem ligar para a sua mãe? – A loira perguntou, sussurrando. Quando recebeu o telefonema de Hyoga, ficara toda feliz, mas a preocupação se sobrepôs quando ele disse que precisava fugir, pedindo-lhe para avisar a sua mãe que estava tudo bem e que em breve retornaria. Ela, preocupada, decidiu que iria encontrá-lo na rodoviária. Rapidamente vestiu uma calça jeans e uma camisetinha branca, o mais discreta possível, prendendo o cabelo num rabo de cavalo alto, enquanto se dirigia as pressas para se encontrar com Hyoga.



– Só vou ligar quando estiver longe dessa cidade... – Respondeu, olhando de soslaio para os lados. A desconfiança do loiro fez Eire ficar incomodada. Ele estava agindo como quem realmente tivesse culpa de alguma coisa.



– Hyoga, me fala a verdade. Tudo isso que estão falando de você... – Ela iria perguntar, mas acabou calando-se. Não, ele não seria capaz dessas coisas, mas talvez tivesse algum envolvimento menor.



– Eu não acredito que você está me perguntando isso! – Ele a fitou, ofendido.



– Desculpa Hyoga, mas é que... essa situação, essa fuga...



– Eu tenho que fugir, me incriminaram e eu não tenho como provar minha inocência! – Proferiu angustiado.



Sem mais o que dizer, a moça ficou calada, somente o fitando. A angustia e o nervosismo era palpável em Hyoga, sentindo-se perdido e fazendo com que ela também se sentisse perdida diante da situação, sem saber como ajudá-lo. Agora, a única coisa a fazer era esperar que Isaak aparecesse com o dinheiro para a fuga, e esperar que nada atrapalhasse o plano deles.



Sabia que era injusto com Eire colocá-la naquela situação. Ikki o avisou que homens perigosos estavam na sua cola, e que se o encontrassem, poderia parar na cadeia ou pior, poderia ser assassinado. E com ela ali, ao seu lado, certamente teria o mesmo caminho. Engoliu em seco diante desse fato, mas também não poderia desperdiçar a ajuda de seus amigos. Se não contasse com eles, estaria efetivamente sozinho.



Não demorou tanto, realmente, para que Isaak aparecesse, um pouco afobado. A pressa em conseguir o dinheiro com Hagen, e correr o mais discretamente possível até onde estavam os amigos, além do perigo que, ele sim, conhecia muito bem, deixando todos os seus sentidos em alerta.



– Até que enfim... – Hyoga murmurou, vendo o amigo se aproximar. – Conseguiu? – Perguntou, aflito. O jovem de cabelos verdes respirou fundo e entregou um pacote num envelope.



– Está aqui... – Entregou, olhando para os lados. – Para onde você vai? – Perguntou, fitando o amigo nos olhos.



– Eu não sei ainda... – Murmurou, sentindo o nervosismo revirar sua barriga. – Eu só quero ir pra bem longe!



– Porque não vai para a casa de campo do Hagen...? – Eire sugeriu. A casa ficava numa montanha e ficava bem afastada da cidade, era um lugar seguro.



– Não, não quero envolvê-los mais nessa história... Eu vou pegar um ônibus para o lugar mais distante que tiver e depois eu me viro por lá... – Os amigos concordaram, sem ter muito o que fazer por Hyoga. Especialmente Eire, que nada sabia do que estava acontecendo.



– Você me liga quando chegar? – Ela perguntou, fitando-o preocupada.



– Ligo sim... e fala com a minha mãe. – O loiro pediu, desconfortável, massageando a nuca. – Diz que eu vou ficar bem e que... um dia eu volto para explicar o que aconteceu.



– Está bem, eu falo. – A jovem disse, abraçando o loiro apertado. Ele devolveu o abraço, sentindo um imenso desconforto. Quando se separaram, Isaak chamou Hyoga para uma conversa, mais afastada, distante de Eire.



– Eu fiz aquilo que me pediu... – Isaak falou, olhando pelos lados, desconfiado, antes de continuar. – E eu descobri que o Cassius toda última sexta feira vai até o clube Milennius entregar os valores do mês das apostas, e que ele entrega esse valor para um homem que ele chama de “Senhor G”. – Sussurrou as palavras bem baixinho para que ninguém pudesse ouvi-los.



– Clube Milennius... – Hyoga murmurou, pensativo.



– Sim, todas as noites de sexta têm algum evento por lá, eu acho que eles usam isso para se encontrarem, sei lá, mas pode ser que o tal chefe esteja lá, não é?



– Como você conseguiu essa informação? – Hyoga perguntou, pensativo, lembrando-se imediatamente de Ikki. Isaak ficou desconfortável, hesitou em sua resposta e voltou a olhar de um lado para o outro.



– Eu falei com o Cassius. Sondei o que ele sabia do seu caso, e alguns amigos em comum. Foi assim que descobri.



– E o que ele sabe de mim? – Hyoga perguntou.



– Ele disse que ficou chocado quando soube que você estava sendo acusado daquelas coisas, mas que não podia se meter, dizer que você não era o dono do carro. Ele não quer se comprometer.



– Ele tem medo... – Hyoga concluiu.



– Foi o que pareceu, mas se tem um jeito de você chegar lá, entrar nesse clube, falar com alguém importante, esse alguém é o Cassius. Eu acho que ele sabe de alguma coisa, mas tem medo... Eu não sei bem do quê. Ele não quis me dizer... – Isaak concluiu, deixando o loiro pensativo. Sim, se quisesse provar sua liberdade, devia ir até esse evento, até Cassius, mas não sabia exatamente o que procurar, e novamente lembrou-se de Ikki. Certamente o policial saberia o que fazer. Mas se procurasse novamente o moreno, teria que desistir de sua fuga, mas não queria. Bufou.



– Eu não posso contra eles, se o Cassius tem medo eles realmente são muito perigosos. – O loiro concluiu, resignado. Isaak mordeu o lábio inferior, pensativo.



– Vai insistir na fuga?



– Eu não tenho outra escolha, Isaak. Não vou encará-los sozinho!



– Está certo, está certo! Mas liga para dizer pra onde você foi, certo?



– Está bem! Eu ligo! – Diz, dando um abraço apertado no amigo. Depois foi até Eire e se despediu da loira, que se mostrava bastante aflita. Depois, respirou fundo e foi para dentro de um ônibus que levava para o interior do estado. Ele colocou sua mochila no bagageiro pessoal acima de seu banco e sentou, fitando atentamente a janela. Suspirou novamente, triste. Não queria ter que fugir, especialmente depois que Ikki entrou em sua vida. Com ele, por um momento pensou que poderia sair daquela situação, mas não. Estava só atrapalhando a sua vida, incomodando, e já estava farto de ser um peso na vida das pessoas. Sua mãe, Camus, Ikki, todos... Ele sempre era um fardo para todos.



Imerso em pensamentos, não percebeu a movimentação na rodoviária. Policiais chegavam ao local procurando o jovem foragido, Hyoga. E numa ação calculada, esperaram que ele entrasse no ônibus para agir. Lá dentro, ele não teria como fugir. E foi com susto que Hyoga ouviu seu nome ser chamado, e notar aqueles policiais bem a sua frente. Sentiu o sangue gelar, estava perdido.



Continua...