Céu Selvagem
20 O mestre, o escudeiro e o jovem aprendiz
Notas iniciais
–Ela deve estar bem. Fique calma.
Eram as palavras de Yamamoto que cortavam o silêncio doloroso de Patrícia. Ela ficava recapitulando a cena em sua mente constantemente. Do seu momento feliz e em segundos, arrancados dela a força. Ela começou a analisar as lembranças e viu sua irmã com grandes cortes no rosto e nas mãos, parecia estar cansada e sozinha, presa naquele lugar, o que fazia a aflição de Patrícia aumentar.
Quando voltou a si, o rapaz estava sentando ao lado dela em um banco na sacada e segurando uma de suas mãos. Ela se aconchegou no ombro quente dele na tentativa de se acalmar.
–Patrícia, você está bem?
–Tentando ficar, Reborn.
O arcobaleno senta ao lado dela.
–Não é o melhor momento, mas, eu tenho uma curiosidade acerca de sua família.
–Qual?
–Como conseguiram estas habilidades?
–Já ouviu falar dos anciões?
–Não.
–São criaturas que detém de habilidades sobre-humanas e dizem que se você tiver sorte, eles lhe darão habilidades como as deles. Eles chamam estas pessoas de “Os eleitos”.
–Então, você e seus irmãos encontraram um destes anciões?
–Não. Foi o meu pai que descobriu a localização de um deles, o Ancião da criação. Os poderes são transmitidos geneticamente aos descentes.
–Incrível!- comenta Yamamoto.
–É por isso que achou que Tsuna fosse um ser mitológico. – afirmou Reborn.
–Eu não sabia que existem pessoas que nascem com poderes.= explica Patrícia.
–E existem mais anciões?
–Sim, mas estão escondidos. Eu não faço a menor ideia de como meu pai localizou um.
–Reborn, crianças, o Nono quer falar com vocês.
–Não acha que Adelina está mentindo?-indagou Jack, enquanto enrolava uma gaze em sua mão.
–Para mim ela sempre esteve. — respondeu Lorenzo afiando a espada. Ambos estavam sentados na grama, no campo de treinamento. Jack estranhou de Claudio não estar presente.
Jack ri.-Ela foi fútil demais ao falar sobre Cielo.
–Ela não se importa com ninguém, Jack. Fez aquilo apenas para te comover.
–Eu sei. Mas... Sem ofensa, mas também acho que mentiu sobre Basílio.
–Como assim?
–Você trabalha para a Vongola, mestre?
–Não, Jack. E não trabalho também para o Céu Selvagem. Eu sou apenas um “terceirizado” educando você.- ele fez o sinal das aspas com as mãos.
Lorenzo percebe a descrença de Jack em sua postura.
–Olhe...Há uma coisa que eu preciso conversar com a um bom tempo...Mas...Eu preciso confirmar se você é realmente quem diz ser.
–Nem eu sei quem eu sou.
Lorenzo ri.-Desculpe.
–É por isso que quer ver tanto o meu rosto, Mestre?- Lorenzo é pego de surpresa.- Sim, faz tempo que sei sobre isso. Não pense que não escuto as conversas suas com Claudio.
–Jack, espiar não é educado.
–Mas é “uma ótima forma para saber em que meio está e sobreviver nele”. Lembra?
–Eu te ensinei isso. Fui pego pelas minhas próprias lições. Acho que é isso que dizem quando o aluno começa a superar o mestre.
–Você e eu já nós conhecíamos antes do acidente?
–Conheci você quando tinha cinco anos de idade. Foi quando seu pai pediu para eu ser o seu mestre. A última vez que te vi, você devia ter uns dez anos.
–Você nunca tinha me contado sobre.
–Claudio sempre esteve por perto, não me sinto à vontade para comentar essas coisas. — Lorenzo encara o ar deixando o garoto curioso. Ele parecia estar refletindo. – Jack, eu nunca vim até aqui com o intuito de apenas treina-lo, minha missão principal é protegê-lo. E se qualquer coisa acontecer com você nesta batalha, eu não vou me perdoar.
–Fala isso por que Adelina não me quer vivo?-Lorenzo arregala os olhos. -É, eu vi Claudio pedindo para você me proteger. Está claro que ela quer o lugar de chefe permanente na família. Minha amnesia é controlada, não posso ver o meu próprio rosto, não posso saber da minha mãe ou do mundo, sou apenas um peão no plano dela e nada mais.
–Não pode ver seu próprio rosto? Que absurdo é este?
–Todas as vezes que tentei ver o meu reflexo, eu tinha aquelas crises e desmaiava.
–Eu vou te libertar Jack!
–Me libertar para o quê? — falava Jack exaltado.- Perdi minhas memórias, meu pai, minha irmã tem medo de mim, meu único amigo sumiu e minha mãe sequer uma vez veio me visitar. Ela nunca falou nada do que aconteceu e parece escrever as cartas tão rápidas, apenas por obrigação.
–Você não perdeu nada, Jack. Está enganado.- Lorenzo o segura pelos ombros.
–Me prove.
–Apenas quando tiver provas de quem você é.
–Tss!- ele tira as mãos de Lorenzo.- Apenas desculpas novamente.
–Então existem masmorras embaixo da mansão do Céu Selvagem?-indagava Gokudera.
–Sim. Presumo que ambos estejam nelas.-Afirma Basilio.
–Não consegue confirmar com o seu chefe sobre?- indaga Yamamoto.
–Temo que descubra a minha ligação, enviarei um de meus capangas para ir avisa-lo pessoalmente.
–A alguma forma de acessar estas masmorras sem sermos vistos?- indaga Reborn.
Basílio tamborilou os dedos na mesa por breve segundos.
–Infelizmente, eu não conheço nenhuma além da principal.
–O que!? Como não conhece?-indagava Ryohei.- Aquela casa não é da sua família? Isso está extremamente errado.
–Céu Selvagem possuiu um prédio de negócios em Florença. São onde fazemos as reuniões e administração de recursos. Eu trabalhava lá, apenas fui para a mansão para auxiliar o meu mestre e a família, já que tivermos uma grande perda no pessoal.
–Quem é este homem que se referente a mestre?-indaga Nono.
–Foi meu antigo professor. É o homem que treina o filho da família. Havia mais alunos dele dentro da mansão, mas morreram no acidente. Eram os únicos que obedeciam totalmente ao nosso ex-chefe.
–Quem está lá agora?- novamente o Nono.
–A maioria são subordinados de Adelina. Apesar de que todos deveriam obedecer ao nosso antigo chefe, segundo que eu soube, ela conseguiu conquistar a obediência deles em troca de dinheiro. Claudio, o seu irmão Patrícia, foi um deles.
–Meu irmão não possuiu a planta da mansão?
–Por que ele?
–Segundo que me contou, ele é o cachorrinho predileto da Adelina.
Basílio parecia refletir sobre a hipótese.
–Vocês possuem algum método para que chamadas não sejam rastreadas?
Nono apenas sorri satisfeito.
–Planta da mansão?
–Sim mestre.
–Hum... Bem, se está planta não está com Claudio, com certeza vai estar com Adelina. Vou tentar encontra-la.
–Estarei enviando um capanga para o serviço.
–Não Basílio. Adelina cercou tudo por aqui. Está apenas aguardando a invasão da Vongola.
–Já havíamos imaginado que ela estava preparada.
–O que a Vongola está esperando? Com certeza a força de ataque da família supera brincando a Céu Selvagem.
–Por que eles estão na vantagem, Mestre. Possuem o décimo.
–O quê!? Mas Adelina informou que Cielo havia sido capturado. Jack estava certo, ela havia mentido. Basílio resolverei este problema até hoje. Mesmo sem planta, tentarei achar uma forma alternativa de adentrar a mansão.
–Obrigada mestre.
Ser antigo pupilo termina a ligação. Lorenzo começou a elaborar o plano para alcançar o novo objetivo, energizado pela raiva e repulsa daquela mulher. Como ela pode enganar Jack apenas para que luta-se contra a Vongola?
Mas o homem havia esquecido que naquele lugar as paredes, portas, enfim, tinham ouvidos apurados do seu jovem aprendiz. Assim que Jack percebeu seu mestre ao telefone, rastejou atrás da porta e escutou a conversa.
“Planta da mansão?”. –pensou e saiu rapidamente do local. – “O mestre cogitou de Claudio estar com a planta, então só tenho que apenas invadir o seu quarto”.
Jack havia lembrado que Claudio estava colado com Adelina desde a invasão da Vongola no monastério. Invadir o quarto dele seria algo fácil de se fazer, com as técnicas de arrombamento que Lorenzo havia ensinado a ele. Segundo o mestre, Jack só deveria usa-las caso fica-se preso em algum local ou fosse algemado. – “Mas isso é para um bem maior!”. – Pensou.
O quarto do rapaz ficava um andar abaixo do seu e como era de manhã, ninguém deveria estar nos quartos. Apressou-se e usou os corredores mais vazios da casa até chegar ao local. Sondou o corredor quando chegou no topo da escada: estava limpo. Caminhou tão silenciosamente que nem mesmo ele escutava seus próprios passos e finalmente chegou à porta. Sondou pela fechadura e novamente, estava limpo. Em um gesto rápido, sacou as ferramentas e em outro gesto, elas já estavam na fechadura. Quando passou cinco minutos, o garoto estava arrependido de não ter treinado melhor essas habilidades. Demorou mais cinco minutos até o garoto ouvir o barulho que lhe causou alivio, a porta havia sido arrombada.
A fechou rapidamente e observou o lugar, era um belo, organizado e espaçoso quarto, muito bem decorado em tons verdes e vinhos. Os móveis eram de materiais finos e ornamentados e no ar exalava um agradável perfume feminino familiar. Diante da porta estava uma pequena estante de livros, mas não havia muitos. Jack olhou rapidamente todos os cinco livros e não havia nada demais. Ao seu lado direito, havia algumas poltronas e uma porta que parecia ser do Toalete. Na outra extremidade da parede possuía outra porta aberta, onde Jack imaginou ser o quarto.
Adentrou e o cheiro estava mais forte naquele cômodo. Viu uma espaçosa cama de casal, uma escrivaninha e outra porta que deveria dar acesso ao closet. Jack foi direto para a escrivaninha, por ser um dos locais mais óbvios para alguém guardar uma planta. Ela possuía seis gavetas chaveadas, que foram mais fáceis para Jack abri-las do que a porta, mas seu trabalho foi em vão ao descobrir que cinco delas estavam vazias e uma estava apenas com algumas canetas, envelopes e papéis de cartas em branco.
Decepcionado com sua busca, ele sentou na cadeira e observou o que havia sob a escrivaninha: duas canetas, três envelopes de cartas, mas estas estavam com remetentes que lhe chamaram a atenção, era de Londres. Alguns papéis e um vidro de perfume rosado. Tomou um dos papeis em mãos, havia pequenas gotas ainda molhadas pelo papel, e algumas linhas escritas:
Inglaterra, Londres...
Meu querido filho Jack,
Logo irá completar um ano desde que você foi para o Céu Selvagem e ainda não tive a chance de visita-lo. Ando muito ocupada no meu escritório, mas logo pedirei férias e ficarei alguns dias com você. Boa sorte.
Beijos,
Natalie
Jack havia entendido o porque aquela fragrância era tão familiar, era o perfume que ficava nas cartas de sua mãe. Ele pegou os outros papeis que estavam em cima da mesa e viu que eram rascunhos daquela mesma carta. A decepção o abateu de forma significante: não precisa ser nenhum gênio para ver que era Claudio que escrevia as cartas se passando pela mãe dele. As letras eram idênticas!
A raiva começou a tomar conta do jovem garoto e aquela inquietude pareceu aumentar. Jack amassou a carta em suas mãos sem pensar, jogou o vidro de perfume no chão e tinha a vontade de fazer Claudio engolir todas aquelas cartas.
–Como ele pode me enganar!? Eu não acredito!!!
Jack avistou o closet do rapaz, lembrou-se do seu verdadeiro objetivo e correu vasculhar. A única coisa que desejava era achar a planta e que ela lhe mostra-se uma forma de fugir daquela mansão.
Ele entrou e começou a arrancar as roupas dos cabines e jogava violentamente no chão, fez o mesmo com calçados, chapéus e o que encontra-se pela frente.
–Jack, o que está fazendo?
Ele parou no mesmo instante ao ouvir a voz de Claudio. Esperava encontrar o rapaz furioso, mas ao virar-se, viu em sua face a expressão de pena pelo garoto. O rapaz segurava em mãos, a carta e os rascunhos amassados.
–Não era para você ter visto isso...Me desculpe...Foi a forma que eu achei para não sentir-se solitário. Para sentir-se amado.
–Eu nunca me senti amado lendo essas cartas, mas eu tinha esperanças que minha mãe se lembrasse de mim. Ela realmente não se importa comigo.
–Ela ama você.
–Por que ela nunca me escreveu então?
–Ela não pode.
–Não me diga que...
–Ela está viva e bem, mas não pode entrar em contato com você. Ordens de Adelina.
Jack ajoelha-se e soca o chão.- Eu não suporto mais! Quero sair daqui! Apenas isso.
Claudio ajoelha-se diante dele e coloca uma de suas mãos no ombro do garoto.- Aguente apenas mais um pouco.
–NÃO! CHEGA! Não aguento mais esses prazos.
“Parece minha irmã falando”.- pensa Claudio.
–Então vamos tira-lo daqui!
–Lorenzo!? O que faz no meu quarto?
–Apenas vindo para a pequena reunião.
–Você pode me tirar daqui, mestre?
–Claudio, o que acha de colocarmos nosso acordo em ação?
–Adelina vai perceber se você dois saírem agora. Precisam esperar a invasão da Vongola.
–Como tem certeza que eles irão invadir?-indaga Lorenzo.
–Adelina conseguiu fazer algo que vai atraí-los para cá.- Claudio olha para o garoto.- Quando você estiver longe o suficiente Jack, meus poderes não irão funcionar e suas memórias voltaram. Será um processo doloroso, mas terá Lorenzo para ajuda-lo. Eu recomendaria vocês irem para um local nada obvio.
–Já tenho algo em mente.- responde Lorenzo.
–Ótimo.
–Esta mansão possuiu algum tipo de passagem alternativa para não sermos vistos?- indaga Lorenzo.
–Ouvi dizer que existem alguns túneis no subsolo, perfeitos para escapar.
–Eu vou vasculhar então.- afirma Lorenzo.
–Não seria mais fácil com uma planta da casa?- argumenta Jack com segundas intenções.
–Esse lugar é muito antigo. Duvido que ainda exista.
–Então teremos que vasculharmos nós mesmos. Vamos Jack.- fala Lorenzo.
Claudio encara Lorenzo e o mesmo entende o recado. Havia algo que ele queria lhe falar.
–Eu tenho algumas ideais de locais. Com certeza no antigo quarto do seu pai deve ter alguma saída secreta.
–Então começarei por lá. — e o garoto sai correndo.
–O que veio fazer no meu quarto?
–Precisava falar com você sobre a fuga.
Claudio o encara.- Então por que Jack estava revirando o meu quarto?
–Eu não sei.
–Temos um acordo Lorenzo e se quebra-lo, nem direi o que acontecerá a você.
–Ele ainda está de pé.
–Outra coisa...Parece que minha energia não foi o suficiente para purificar a alma dele, ela apenas criou uma barreira.
–Ele estava sendo corrompido novamente?
–Sim. Se eu não o tivesse impedido, essa barreira teria quebrado e não faço ideia do que teria acontecido. Mas posso te afirmar que essa bagunça no meu quarto foi ele que fez.
–Nunca o imaginei fazendo isso.- afirmou ao observar a situação.- É a influência dos seus poderes que estão transformando ele nisso?
–A alma dos indivíduos podem ser corrompidas de várias formas, meus poderes são uma delas. – Claudio senta na sua cama. -O fato é que Jack está sem memórias em um ambiente estranho e sendo apunhalado de várias formas. Essa energia se acumula e o corrompe. Eu sinceramente tenho medo do que esse garoto possa fazer se lutar contra a Vongola, tenho quase certeza que a barreira se quebrará e ele possa fazer coisas que irá se arrepender. Aí Adelina poderá ter argumentos para fazer o que bem entender com ele.
–Não vou deixar isso acontecer.
–Isso vai ser uma promessa! E Lorenzo, existe uma passagem na lavanderia, atrás da máquina mais antiga de lá. Terá que arrastar a máquina e verá um puxador. A parede se abre e dará acesso as escadas que te levarão a uma rede de túneis. Para achar alguma saída, é só achar alguma corrente de ar.
–E aonde essas saídas podem dar?
–Apenas sei que uma será no bosque ao lado do monastério. Não falei perto do Jack temendo que ele fugisse antes da hora.
–É a coisa certa a fazer. Tem alguma noção de quanto tempo levará a Vongola para nos atacar?
–Acredito que será amanhã.
–Eu vou preparar o que iremos precisar para a viagem.
Minutos mais tarde, Lorenzo estava em seu quarto ao celular.
–Basílio, eu sei descobri como vocês entrarem.
Na sala de Adelina.
–E então Claudio, deu a pista para ele?
–Sim e já enviei ordens para armar a armadilha.
–E Lorenzo realmente confiou em você?
–Falei de forma convincente.
–Meu garoto. – ela dá um selinho nele. – Será um perfeito braço direito!
–O que eu não faço por você?- Claudio realmente sentiu o esforço que fazia para fingir de contente pelo plano. Desde a conversa com Lorenzo, ele realmente está repensando tudo em sua vida.
Mais tarde, no quarto do ex-chefe.
–Jack!
–Claudio?- o garoto respondeu baixo. Parecia que estava embaixo da cama. O rapaz abaixou-se e lá estava ele.
–E aí já achou a entrada?
–Ainda não, mas acho que estou perto. Eu sinto isso.
Claudio ri. – Mais ou menos. Venha aqui!
Ele leva o garoto até uma parede comum aparentemente, com alguns ornamentos em madeira como o resto do quarto. Ele girou uma peça de madeira e uma passagem se revelou.
–Você teve sorte. Eu lembrei onde ela ficava.
–Eu nem tinha pensado nas paredes.
Claudio ri. – Você vai usar essa passagem, está bem? Ela sai em um lago aqui perto da mansão.
–Quando eu sair, irei resgatar Cielo da Vongola.
–Se recupere primeiro. O retorno das memórias será um processo difícil e aí você o resgata.
–Se você diz.
“É bom ver novamente o brilho esperançoso nos olhos dele”.
Ao redor da mansão do Céu Selvagem, havia o quartel estratégico da Vongola montado e disfarçado.
–Entrarei eu e os guardiões pelo túnel e iremos até as masmorras?- indagou Tsuna.
–Não achamos seguro Patrícia ir.- afirma Reborn.
–Reborn, se eu ficar muito longe do meu clone, ele desaparece! Ainda mais com a possibilidade dele ter que usar sua energia para lutar.
–Eu sei que está preocupada com sua irmã mas...
–Não é só com ela, mas com todos vocês, Yamamoto! Eu quero e preciso ir, por favor!
–Tsuna e Yamamoto protegerão Patrícia então.- ordena Reborn.
–Ok!- os dois respondem.
–Todos estão com os seus comunicadores?- pergunta Giannini.
Todos afirmam.
–Certo, esses relógios que eu dei para cada um são localizadores e ele grava rotas para vocês não se perderam. Essas rotas são passadas automaticamente para mim e assim poderei auxilia-los melhor.
–Incrível Giannini!- elogia Tsuna.
–Ora décimo, eu faço parte de sua equipe, preciso ser útil. As roupas pretas que estão usando são para camuflagem.
Todos estavam vestindo uma calça e jaquetas que pareciam de moletom, nas cores pretas. Além de camuflagem, possuíam maior resistência a possíveis danos que os usuários poderiam sofrer. No lado esquerdo na jaqueta havia um símbolo, na qual era uma lanterna e câmera disfarçadas. O plano iria se iniciar ao cair da noite.
–Cielo...Cielo...
O jovem garoto escuta ao longe a voz feminina familiar lhe chamando. Seu corpo estava pesado e parecia ter dormido há dias. Suas pálpebras abriram preguiçosamente e demorou a ter uma visão clara de onde estava.
–Cielo? Acordou?
O garoto conseguiu abrir os olhos e foçar sua visão ao que estava sua frente. Eram grades maciças e ao longe estava uma garota loira.
–Marcella?
–Que bom. Você finalmente acordou!
–Eu te falei. A droga que deram para nos fazer dormir é muito forte.- falou outra voz feminina.
Cielo terminou de despertar e ter noção do lugar onde se encontrava. Ele estava deitado em uma cama toda branca. O lugar era pequeno e as paredes eram de tijolos pintados de cor mármore. Havia uma pequena janela apenas de grades e a porta de acesso era uma parede inteira de grades, com uma pequena porta eletrificada.
–Isso é uma prisão?-indagou Cielo levantando-se.
–Parece uma masmorra moderna e limpa. — afirmou Marcella.
–Até agora eu não vi nenhum rato.- falou a outra voz feminino em tom de brincadeira.
Cielo aproximou-se da grade na parte que não se encontrava eletrificada. A sua frente conseguiu ver três celas, e uma delas estava Marcella. No lado esquerdo havia mais duas celas, e em uma delas encontrava-se uma bela mulher, algumas décadas mais velha que ele. Ela era alta, cabelos castanhos claros longos e ondulados. Vestia uma saia preta social até os joelhos, uma blusa de mangas curtas branca e um sapato de salto alto azul. Havia algumas pulseiras em seu pulso.
–Olá, Cielo estou certa?
–Sim, mas meu nome verdadeiro é Sawada Tsunayoshi. Mas eu prefiro Cielo.
–Você é japonês?
–Acredito que sim.
–Acredita?
–Ele está com amnesia. – explica Marcella.
–Oh, sinto muito.
–Tudo bem, eu já me acostumei. — ele diz sorrindo.
–Prazer Cielo, meu nome é Natalie.
–Prazer. A quanto tempo você está presa aqui?
–Não sei dizer, quando eu acordei, vocês já estavam aqui.
–Acho que fazem talvez dois dias que estamos aqui.- afirma Marcella.
–Por que veio para cá?-indaga Cielo.
–Me prometeram que eu poderia ver uma pessoa e quando vi, eu estava aqui.
A conversa se interrompe quando os três escutam barulho no que parecia ser uma porta de metal, seguido de passos.
–Ora, ora, ora, parece que os seus convidados acordaram, Fernando. – Afirma Sabrina.
–E eu dei uma droga bem forte para eles. — responde um rapaz alto encapuzado. Cielo conseguiu ver o sorrido de sarcasmo na face dele.
–Magno, Sandra, traga as nossas convidadas. – grita Sabrina.
–Não me dê ordens. — retruca Sandra.
–Ela é a nossa chefe, Sandra.- explica Magno.
–Para mim é a minha irmã.
Sandra estava com uma garota nos braços e Magno estava com mais duas em cada ombro. Largaram as três em casa cela e foram embora junto com Fernando.
As três convidadas que o trio trouxe, simplesmente eram Kyoko, Haru e Hana.
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