Céu Obscuro
9 O enfraquecer da chama

Afundar-se nas profundezas do sono parece livrar-nos de todos os problemas, como se os sonhos fossem a visita a um mundo desejado e paralelo. Os medos aparecem em formas de pesadelo e o cansaço transforma as horas em minutos.
Dizem que observar pessoas dormindo pode ser sinônimo de tranquilidade e comoção, ao menos, se o cansaço vier de uma enfermidade. Era as reflexões que o jovem rapaz fazia ao observar o pálido garoto dormindo ao meio da tarde. Tomou uma das gélidas mãos e observou o fraco sinal em sua palma, acompanhando as linhas com o dedo indicador. Envolveu com suas duas mãos quentes, fechou os olhos e fez a magia funcionar. Entrou vagarosamente na mente do jovem Vongola e foi tomado pela inesperada escuridão, apenas enxergando lá no fundo dois garotos ao chão. Voltou ao muito reagiu com espasmos e foi acudido por Leonardo.
—O que houve!?
—A situação dele está pior do que eu imaginava. Merda! Precisávamos de um Ancião agora! Droga Tsuna. Eu lhe avisei!!! – falava com o jovem.
—Não grite! Ele está dormindo. – Leonardo disse ao colocar uma mão no ombro do jovem. Este recusou em um movimento e moveu os pés em direção a porta. – Onde vai?
—Procurar ajuda!
***
—Então?
—A situação está péssima. Masao troque de lugar comigo! Preciso procurar o Ancião.
— As garotas que estão fazendo isso. Fique em sua posição. – e desligou. Fabricio quase jogou o celular por impulso na parede, soltou um longo suspiro.
—Dia difícil?
Fabricio olhou rapidamente para a origem da voz. Era o médico de óculos de lentes verdes, um dos donos do hospital. Desde que o rapaz havia chegado, o homem o encarava e sorria modo inescrutável quando se encontravam, atos que estavam irritando o rapaz.
—Mais ou menos. – respondeu.
—Não acha que está muito tempo por aqui?
—Eu andei dormindo um pouco, estou descansado.
—Desculpe, acho que falhei em minhas intenções. Eu quis dizer você não está com ninguém, retorne de onde veio. – e saiu andando e Fabricio seguiu com os olhos até ele desaparecer pela porta do quarto de Tsuna.
Médico o observa repousando.
—Como suspeitava, lutou contra a noite e a força está quase se extinguindo. Ninguém lhe avisou sobre os perigos garoto? Poderia viver muito tempo com a noite lhe invadindo. Tão jovem...E por mais que esteja enfrentando as consequências, continua a lutar contra ela inutilmente. Humanos. – e saiu do quarto entrando em sua sala.
A porta se abre rapidamente e se fecha do mesmo modo. Era Fabricio. O doutor apenas o observa e bufa.
—Eu não mandei você ir embora garoto?
—Então você é o Ancião da Cura!?
O médico observa por longos segundos o jovem.- O quê!?
—Não me engana. É o ancião que desceu a muito tempo no Japão.
—Garoto não deve estar dormindo o suficiente.
—Você notou que não estou com ninguém e disse para retornar de onde vim.
—É obvio que percebi. Vi-lhe todo este tempo sentado sozinho sem interagir com qualquer pessoa. É um estranho e com certeza não será bem vindo em meu hospital.
—Você sabia que a alma de Sawada-san foi invadida pela noite!
O médico ri sarcasticamente. – Então isso é seu? –ele mostra um pequeno aparelho preto.
—O comunicador!
—Nunca mais coloque isso no quarto dos meus pacientes!- e ele esmaga em suas mãos o aparelho. Agora saia!
—Não sem você ajudar Sawada-san! Eu sei que é um ancião!
—O que lhe faz crer nisso?
—Anciões promovem mudanças significativas nos locais! Eu procurei por coisas bizarras, mas meu pai sempre disse que o obvio é sempre ignorado. Pesquisando as taxas de saúde do país, desta cidade aumentou absurdamente e rapidamente desde que este hospital foi implantado.
—Claro nossos serviços...
—Não! As pessoas dificilmente ficam doentes nesta cidade! Não queira me enganar. Você é o Ancião da cura se passando por doutor! Você tem uma energia estranha.
—Saia da minha sala ou pedirei aos seguranças para expulsa-lo do hospital.
—Mas...
—Saia!!!
—Velhote infeliz. –e Fabricio sai fechando a porta brutalmente.
Algumas horas depois o médico de Tsuna chama o pais do garoto com os resultados em mãos dos exames, estes eram nada favoráveis. Nana chorava descontrolavelmente causando vômitos e tonturas, Iemitsu estava com os coração saindo pela garganta culpo-se a todo momento por ter colocado o filho na vida da máfia. Claudio estava desesperado atrás de algum milagre para achar alguma pista de um ancião, com ajuda de vários membros das famílias aliadas.
Giustizia conseguiu infiltrar-se e adquirido as novas novidades que fizeram seus membros sorrirem satisfeitos. Não precisariam fazer mais nada pois o destino estava escrito para o garoto apenas aguardando seu triunfo. Com o grupo quieto, Epifania tentava caça-los de todas as formas possíveis vingativos pelos resultados desfavoráveis. A motivação dos guardiões e amigos de Tsuna se esvaiam junto a sua vida. E assim os dias se arrastavam.
Nana segurava a mão do filho com os olhos vermelhos, algumas lágrimas escorriam pelas bochechas. Kyoko o observava em pé ao seu lado, sua esperança ardia fervente de que ele se levantaria. Iemitsu andava de um lado para o outro no corredor com as ligações a suas fontes tentando o possível para recuperar seu filho. Os guardiões estavam cabisbaixos nas poltronas ao lado de fora. Yamamoto apenas se levantou ao ouvir a voz e sotaque familiares se aproximando, a garota correu e o abraçou forte.
—Patricia!? Mas você...
—Eu não podia abandona-los nesta situação. Como ele está?
—Mal...
—Aquela desgraçada da Adelina. Se ela não o tivesse corrompido.
—Onde ele está? Quero ve-lo!!!
—Jack-kun? –indagou Reborn.
Jack e Patricia entraram rapidamente no quarto do amigo e espantaram pela sua aparência frágil enquanto ele dormia, seu coração se apertou em agonia.
—Ei! Tsuna. Não desista! Você é um dos caras mais fortes que eu conheço.
—Eu sei que você é realmente destemido. Conseguirá sair dessa.
—Obrigada. –agradeceu Nana.
—Vamos crianças. Deixe ele descansar. –disse Leonardo os retirando dali. Iemitsu entrou logo em seguida.
—O que você tanto andar naquele corredor?
—Atrás de uma esperança. –ele abraçou Nana.
—Tsu-kun precisa sobreviver.
—Não podemos ficar sem ele.
—Não só por isso mas... Como ele irá conhece-lo.
—Conhecer quem?
—Então, sabe as tonturas e os vômitos? A principio achei que era o nervosismo, o doutor insistiu que eu fizesse um teste de sangue mesmo assim e...
—E...
Ela se levantou e colocou a mão na barriga. –Eu estou grávida. Tsuna vai ter um irmãozinho ou irmãzinha e eu quero que eles se conheçam. –ela começa a chorar novamente.
Iemitsu entre o choque e o pesar a abraça. –E ele vai conhecê-lo. Ouviu Tsuna? Você vai ter um irmão.
Fabricio que ouviu tudo pelo novo comunicador sentiu lágrimas rolarem pelo rosto.
—O que houve?
— Masao, temos que salva-lo. Precisamos encontrar o ancião. –disse o garoto em meio ao choro.
O doutor de óculos verdes apenas observava o garoto de longe.
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