Céu Obscuro
10 Esperança

O homem fungava frustrado pela presença do garoto em sua sala. Seu olhar árduo seguia a cada movimento seu, suas respirações já estavam sincronizadas e o limpar da garganta estava irritando o doutor. Aquela situação durou por longas duas horas.
—Eu já não mandei você ir embora? –disse o olhando de avesso.
—Estou esperando os seguranças que você ia chamar.
—Eu achei que tivesse bom senso.
—Eu sei que você é um ancião. Você tem uma energia estranha.
—Está usando drogas? Devia sair dessa vida é muito jovem para entender as consequências.
—Não utilizo esse tipo de toxinas em meu corpo.
—Qual é o seu problema?
—Eu que te pergunto. Você possuiu o poder de dar mais tempo para Sawada-san mas se recusa a faze-lo.
—Aquele garoto não possuiu mais jeito. Todos os amigos e parentes dele já estão conformados.
—Ele vai ter um irmão. Vai tirar o privilégio de o bebê conhecer seu irmão mais velho!?
—Não brinco com o destino.
—Não é o destino dele. –e Fabricio bate na mesa.
—Incrível a sua autoconfiança quanto a tal fato. Como chegou a conhecer estes tais anciões?
—Possuo uma fonte de informações privilegiadas.
—Pelo sua presença desigual com qualquer um por aqui, eu imagino.
—Então...Você está afirmando que é o Ancião da Cura?
—Nós nos escondemos na sociedade de várias formas. – disse ele retirando os óculos de lentes verdes revelando pupilas felinas amareladas.
—Achei que ficassem em templos, cavernas, entre outros.
—Alguns de nós adquirem este tipo de vida. O que quer de mim? Se for para salvar aquele garoto eu não posso.
—Sei de seus feitios e que não há possibilidade de você cura-lo. Então poderia me dizer a localização dos outros Anciões que podem purificar almas?
—Não diria a um humano. E pelo que eu sei, não cabe a você resolver. A Vindice já escolheu esta pessoa.
—Então o ajude! Por favor!
—Ele descobrirá com o tempo.
—Será tarde demais senhor.
—Jovem, a interferência de vocês já mudou o curso de muitos fatos, não serei eu a ajudar com tal ato. Aquele garoto não era para estar daquela forma, como afirmou.
—Mas se não impedirmos será pior.
—Não foi você mesmo que disse que possuiu uma fonte de informações privilegiadas?
—Infelizmente, minha fonte não tem tal conhecimento.
—Por isso está aqui mudando o curso da história?
—Linhas paralelas, senhor.
— A informação não poderá ser passada a você. Não permitirei que façam o mesmo que Byakuran.
—Se não tivermos estas informações, não podemos saber o que acontecerá sem Sawada-san. Então passe para Claudio, o homem que foi escolhido pela Vindice. Por favor, eu imploro. Sei muito bem das consequências.
O doutor o observa em silencio pensativo – Está tentando consertar os erros que não lhe cabem a resolver.
—Giustizia e Epifania não possuem tais objetivos. Acham que apenas eliminar e proteger resolverão os problemas. Eu e meu grupo acreditamos em uma terceira alternativa: salvação. Ela resolverá estas questões e as pessoas irão parar de sofrer. Famílias poderão se reencontrar, não haverá traições, vinganças...
—Podem ocorrer da mesma forma.
—Mas não através da corrupção do Sawada-san. Se Giustizia e Epifania conseguirem, será o fim de tudo graças ao egoísmo e sua visão limitada.
O médico arfou antes de soltar as palavras. – Você realmente é filho dele.
—Como você...
—Também tenho acesso a informações privilegiadas. Tudo bem, eu direi.
Mais tarde...O médico e Fabricio, disfarçado de enfermeiro, estavam no quarto de Tsuna. O garoto se aproximou do jovem Vongola e o observou detalhadamente deixando o Ancião curioso.
—O que foi?
—Apenas que ele parece ser uma pessoa tão gentil e agradável como diziam.
—Parece surpreso.
—De certa forma.
—Não perca tempo. Alcance a mão dele.
O ancião tomou a mão dele nas suas. Uma energia azul saiu delas e se arrastavam pela pele de Tsuna fazendo arabescos.
“Tsuna.” –dizia o homem mentalmente. –“Deixe-me entrar”.
Nos sonhos do garoto ele conseguiu ouvir a voz do homem e sua versão boa o indagou.
—Quem é você?
“A pessoa que pode ajuda-lo a se levantar e a proteger quem ama.”
—Não... Se eu levantar ele também irá. –ele se referia ao seu lado obscuro.
“Junte forças e descubra como derrota-lo. Mas por hora se levante. Baixe suas barreiras e aceite minha ajuda.”
—A-a-aceite...-dizia o lado obscuro...-Me es-escute pelo menos... dessa vez...
—Não posso! As pessoas irão sofrer.
—Pare de ser idiota!-dizia o outro Tsuna juntando suas forças.
“Você precisa de uma motivação, certo?”
—Nada irá me motivar. Está tudo decidido.
“Tem certeza? Tenho uma noticia para você. Terá um irmão”.
—O quê!? –dizem os dois lados juntos.
“Sua mãe acaba de descobrir que está grávida novamente. Você terá um irmão. Quer realmente tirar o privilégio da criança não conhecer o irmão mais velho?“
—Se é realmente verdade, ele ficará melhor sem minha presença. Eu posso deixa-lo em perigo.
“Você tem noção que se você não estiver presente há possibilidade dele ter que assumir seu lugar na Vongola?”
—Não! Nunca deixaria que outra pessoa assumisse os mesmos riscos!
“Sim, apenas uma criança inocente que pela sua falta de motivação e confiança, será obrigada a adentrar em um mundo violento.”
—Vai mesmo querer que outro assuma o nosso lugar de direito depois de tudo que passamos? –dizia o lado obscuro.
—Não me interessa assumir ou não, eu não posso permitir que o meu pai faça o mesmo com esta criança.
“Abaixe suas barreiras e me deixe ajuda-lo a impedir que este futuro terrível se realize”.
O lado obscuro deixa as barreiras abertas e observa o lado iluminado. Por fim, ele também baixa as barreiras e o Ancião se materializa diante deles. Tomando a mão de cada um nas suas, ele envolve com sua energia azulada ambos os lados. A sala começa a se reconstruir primeiramente pelo chão, paredes e janelas, Tsuna é tomado pela vida e energia que aquele homem possuía.
—A feição dele e seus sinais vitais melhoraram. –comentou Fabricio.
—Está feito. Com a minha energia ele conseguirá se recuperar daqui a alguns dias. Darei a noticia ao meu sócio. Vamos!
—Sawada-san. –Tsuna estava com os olhos semi abertos e vê um pouco embaçado as feições de Fabricio. — Eu jurei e juro novamente que irei encontrar uma forma de sua alma ser purificada.
—Vamos Fabricio!
—Estou indo.
Na saída do quarto, Fabricio se esbarra em Reborn que o olha atentamente e o jovem percebe, ficando nervoso mesmo estando com a máscara cobrindo a boca e o nariz.
—Ei garoto! Eu te conheço? –indaga Reborn.
—Hã não senhor.
—Você parece familiar.
—Ele é enfermeiro daqui. Obviamente é familiar para você. Vamos.
—Você não é muito jovem para ser enfermeiro?
—Perdão, mas temos outras coisas fazer se me permite. Vamos garoto!
Assim que vira o corredor o doutor o segura pelo ombro. -O que houve com você!? Não é um hitman? Como pode congelar perto do arcobaleno?
—Fiquei com medo que ele me reconhecesse.
—Como ele te reconheceria?
—Pergunte para as suas fontes. E a propósito, ainda sou um hitman em treinamento. Posso cometer alguns deslizes.
Na sede da Epifania, Kenjiro chutava e quebrava vários móveis do seu quarto, sentando por fim cansado em sua cama.
—O que o chefe diria se visse tudo isso?
—Senhor! –ele se levanta.
—Sei que está frustrado, mas não desconte nos móveis.
—Nós falhamos senhor. O chefe confiou tanto em nós, somos mais fortes que a Giustizia e fracassamos mesmo assim. Malditos! – ele soca a parede. –O que será de nós?
—Acalme-se. Tsuna ainda está vivo.
—E se usássemos o ancião da água?
—Não sabemos a localização dele.
—O chefe disse que deve fazer uns cem anos desde que ele elegeu alguém. Então ele ainda deve estar no mesmo local.
—Como pretende levar Tsuna para fora do país? O Ancião nunca que virá de boa vontade até ele.
—Temos que convencer a Vongola ou apenas o raptamos. Não temos tempo a perder.
No quarto do hospital novamente, os pais de Tsuna, Reborn e o outro doutor o observavam esperançosos.
—Isso é sério doutor?
—Aconteceu um milagre. A condição dele melhorou absurdamente, mas ficará alguns dias em observação.
—Meus deus! – Nana toma as mãos do filho. –Eu rezei tanto!!!
Fabricio chega em casa exausto, afinal foram longos dias frequentando o hospital e vigiando Sawada-san. Antes de subir as escadas, sentiu um leve tapa nas costas.
—Meus parabéns! Está cansado? –disse Masao.
—Com certeza. Preciso de um banho imediatamente.
—Vá primeiro para a sala do mapa, a algo a sua espera.
Com a curiosidade maior que o cansaço, se dirigiu para a sala com o mapa. Ao adentrar sentiu uma aura familiar, virou-se rapidamente para a poltrona perto da janela. Havia um vulto masculino e o crepúsculo do final da tarde não auxiliava para que o rosto fica-se nítido.
—Tio?
—Olá moleque!-cumprimentou o homem indicando para que ele senta-se na poltrona a sua frente.
—Você realmente veio! –disse enquanto sentava-se. -Falou com Lavina? Ela pergunta de você e da tia todos os dias.
—Sim e a coloquei para dormir.
—E meu pai? –indagou temeroso.
—Está um pouco melhor. Consciente e traçando as próprias metas de nosso objetivo. Apesar de não falar nada, sei que sente sua falta, pois vive olhando a foto de vocês. Sua mãe o visita todos os dias e não sai de seu lado. Pergunta de você sempre que me vê.
—Sinto falta deles.
—Está fazendo um ótimo trabalho, Fabricio. Eles estão orgulhosos.
—Ótimo trabalho? Soube do estado que Sawada-san chegou?
—Sim e não foi culpa sua. Conseguiu consertar a situação, mesmo que temporariamente. Nossos irmãos estão procurando os anciões que você localizou e estão auxiliando Claudio às escuras.
—E Jack? Ele é tão potencialmente perigoso como Sawada-san!
—Tomaremos as medidas para ele posteriormente.
—Como está o campo de batalha?
—Os dois líderes rivais estão sumidos. Parece que não foi somente seu pai que ficou gravemente ferido naquela ocasião. Masao me mostrou seu relatório da noite que Sawada-san entrou em colapso. Fabio fugiu por um portal.
—Em desespero ele fugiu. Notou finalmente que Sawada-san era mais forte. Aquela noite, Giustizia se apresentou e atacou em peso, mas não contava com os aliados da Vongola. Epifania se uniu a eles aquela noite, porcos!!! –esmurrou o braço do sofá. — Vongola precisa saber a verdade.
—Sem mais interferências. A propósito, seu pai lhe enviou uma carta.
—Meu pai enviando cartas? Não sei quando foi à última que recebi.
O homem grunhiu um riso. –Leia atentamente as instruções na mesma. –ele se levanta da poltrona e caminha em direção à porta.
—Já está indo?
—Sim, tenho muitas coisas para fazer. Boa sorte pirralho!
—Obrigado tio.
—Há propósito, coloquei no seu mapa a localização de um dos anciões para investigação. Até mais.
—Sério!? Valeu!
Ele vai até o mapa. –Ancião dos dragões!? Tio, mas essa será uma grande interferência. Você não tem medo das consequências? –ele perguntava a si mesmo em voz alta.
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