Céu Azul
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Chegamos a mansão onde seria lido o testamento e vejo que os empregados estão ocupados com seus afazeres, mas não tanto para não nos olharem e cumprimentarem quando nos veêm.
— Querida, acredito que você tenha que entrar sozinha, mas se quiser eu vou junto. – Minha mãe diz quando para o carro na entrada principal.
—Fique tranquila mãe, meu carro está aqui, e também Amara está aqui para qualquer infortúnio. Eu ficarei bem. – Digo olhando para a porta e perguntando dentro de mim se realmente ficaria.
—Bom, estarei na floricultura, mas qualquer coisa me ligue e venho na mesma hora.
—Não se preocupe mãe. Nos vemos depois. – Digo e viro para ela para dar um beijo em seu rosto. Abro a porta e me coloco em pé fechando a mesma.
—Te amo filha. – Ouço minha mãe e só consigo respirar fundo e seguir em frente para que ela conseguisse sair com o carro.
Ela ainda buzina saindo pelos portões, mas minha visão está fixa naquela porta.
—Senhora, é bom vê-la. – Carlos diz e o vejo parado ao meu lado me dando um susto. – Sinto muito, acredito que isso seja algo que vá ocorrer sempre. – Ele diz e me da um sorriso lembrando de todas as vezes que ele chegava e eu me assustava por ser desligada ou ele ser muito silencioso, nunca chegamos em um consenso.
— É bom te ver Carlos. – Digo e dou um sorriso fraco em sua direção. – Amara chegou?
—Sim senhora, ela está lá dentro esperando-a. – Ele diz e me olha profundamente. – Não temos nos visto muito, na verdade, bom, não nos vimos depois, de tudo, você sabe. – Ele se perde nas palavras, como eu nunca tinha visto, já que ele era tão confiante em seu falar, mas vejo que isso se deve a emoção que sente. – Eu quero dizer que sinto muito por tudo, e o que a senhora precisar, pode ter certeza que estarei ao seu lado.
Por um momento tudo que eu queria era que fosse só mais um dia comum onde ele estaria inquieto com a bagunça ao redor, ou fazendo comentários tão sérios mas sarcásticos sobre qualquer coisa cotidiana, e não ali vendo-o tão emotivo e não sabendo o que falar para ajuda-lo, sendo que eu nem conseguia me ajudar.
— Obrigada. – é a única coisa que sai e em um tom tão baixo que não sei se ele compreende, mas logo vejo que sim quando ele acena com a cabeça e pega minha mão me oferecendo um aperto do jeito que eu sabia que era pra mostrar que estava ali.
Aceno de volta e então tomo folego sabendo que era hora de entrar. Ele me da espaço e então tomo a direção da escadaria para entrar na casa.
Ao entrar vejo que todos olhos se voltam para mim, e então faço o que tinha que fazer.
Ergo minha cabeça, adoto uma postura reta e olho ao redor como se desafiasse cada olhar que estivesse em minha direção.
Encontro o olhar de Amara e então a ouço dizer o que tantos ali aguardavam.
— Bom, parece que todos estão aqui, devemos começar a ler o testamente do Senhor Carmeron.
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