Céu Azul

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Ei, August, Cristina e Amara. Já temos personagens representados, porém, no começo nos falta algo importante... Detalhes. De cada historia individual e acima de tudo o contexto de tudo. Então presta atenção nos detalhes meus caros. E vamos lá, segue o capítulo.

—Você deveria mesmo começar a procurar por férias, você está ranzinza essa semana toda. – August estava andando ao meu lado enquanto eu bufava de mais um comentário que ele soltava sobre o meu humor.

—Eu estava em casa, na minha cama e com o meu pijama, e acima de tudo, ninguém estava na minha orelha me enchendo o saco, você que quis ir lá atrapalhar isso, aguente. – Digo e nem ao menos olho em sua direção.

—Qual é Cris, você sabe que não gosto quando você começa a se isolar, isso nunca te traz momentos bons, e acima de tudo, estávamos a um mês sem sair. – Ele diz e pega minha mão colocando em seu braço me fazendo andar mais perto dele.

Realmente nossas vidas estavam corridas, eu na editora, me desdobrando em um milhão para ajudar eu chefe no novo escritor sendo lançado e ele na sua empresa querendo aumentar o plano de marketing de um dos clientes.

—Eu sei, desculpe. –Digo respirando fundo e encostando minha cabeça em seu braço enquanto seguimos em direção ao cinema. – Eu só estou cansada, e você sabe que fico ranzinza, mas vou tentar me segurar, prometo.

—Eu te amo independente de você ser chata ou não, afinal, você normalmente é chata. – Ele diz isso enquanto nos para no corredor e vira em minha direção. – Você é meu pingente favorito, querida. – Ele diz isso com um sorriso divertido em seu rosto e pegando meu rosto em suas mãos para me dar um beijo em minha testa.

—Você pode ser tão irritante quando quer. –Desde sempre August brinca com a nossa diferença de tamanho, não que seja tanta, afinal, saltos altos estão ai para isso. – Eu não sou um simples pingente menino. – digo o abraçando e beliscando perto de uma costela.

—Claro que não querida, você é o pingente, um daqueles que é o necessário para dar o significado a jóia em si. – Meu abraço é retribuído enquanto ele da outro beijo em minha cabeça.

— Eu sei, eu sou o que te da sentido, afinal, se você é assim agora que tem minha companhia, relatos me dizem que você era bem pior quando estava sozinho e sem minha luz por ai. – Digo o empurrando e pegando sua mão para irmos comprar nossos ingressos.

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— Cris? Querida temos que ir, o advogado marcou a leitura para daqui a pouco. – Minha mãe diz enquanto entra no meu quarto.

—Eu sei mãe, já estou terminando, encontro você lá embaixo, pode ser? – Digo sem olhar para ela, não querendo encontrar seus olhos preocupados em minha direção e fingindo estar atenta a imagem que o espelho reflete.

—Claro querida, se precisar de ajuda estou na sala. – Ela diz e ouço um suspiro, mas logo ouço também seus passos se retirando do quarto.

Sinto meu corpo pesado, como se algo o movesse mas eu não tivesse força para tal coisa.

Me atento a imagem no espelho e posso ver que minha imagem está impecável, se fosse a alguns anos atrás e alguém me falasse que estaria em um vestido tão perfeito ao meu corpo, com saltos, maquiagem e cabelo perfeitos em plena manhã eu claramente iria rir e dizer que alguém teria que me abduzir, mas agora olhando bem, parece que essa que eu olho nem sou eu.

Mas se eu olhar atentamente, nos pequenos detalhes, como por exemplo meu lábio inferior que eu sempre achei cheio demais, ou quem sabe nos olhos que mesmo que a maquiagem esconda mostra seus sinais de cansaço, por mais que as olheiras não sejam visíveis, ou quem sabe no brilho no fundo do meu olhar... não. É isso que me faz duvidar de ser realmente aquela de um mês atrás, o tal brilho que todos diziam ser de alguém astuta e pronta para se levantar no meio de uma fornalha, esse brilho jaz em alguma realidade antiga, porque até ele me deixou.

Passo as mãos no vestido respirando fundo, limpando e desamassando o que nem existe, e vejo o brilho do anel em meu dedo anelar.

Sinto o formato dele e por um momento sinto meu peito pesando mais do que todo o meu corpo e nada vem, mas ainda assim, é como se algo me sufocasse de dentro para fora.

Como uma mão invisível apertando meu peito e fechando a saída de ar dos meus pulmões, nada vem, nem lagrimas nem gritos, só a vontade de tirar o que quer que esteja obstruindo e fazendo tanto peso dentro de mim saia, como ser salva de algo que nem eu sei o que é.

Ouço um barulho e então ouço passos chegando perto de mim.

—Filha. Cris. Cuidado, não se mexa você pode se cortar. – Ouço a voz da minha mãe de longe mas não consigo entender do que ela fala. Sinto suas mãos me puxando para trás e então é como se algo me puxasse de volta.

Olho para ela e vejo lagrimas em seu rosto.

—Minha menina. – Ela segura meu rosto e não entendo o que causou esse momento que a fez se emocionar. Fico olhando para seus olhos como que perdida e então ela respira fundo. – Vamos, vamos descer, quando voltarmos eu limpo isso, sim?

Fico sem entender o que tinha de ser limpo e então me solto de suas mãos e olho ao redor, quando me deparo com o espelho trincado e com alguns pedaços no chão, então procuro o que teria causado isso e vejo um porta jóia jogado por ali perto.

—Tudo bem querida, eu limpo depois, é muita coisa eu sei. – Olho para minha mãe e entendo que eu fiz aquilo.

—Me desculpe mãe, eu não sei o que aconteceu. –Digo mas minha voz sai baixa.

—Tudo bem querida, vem, vamos descer.

Notas finais
Parece que nossa Cris está abalada. Para quem esta acompanhando nossa histórias terão capítulos de flashbacks, e não serão sinalizados, então fiquem atentos ao contexto da história. Quero que cada um possa viver os momentos como ela estava vivendo. Presente e Passado juntos. No próximo capítulo vai ser o desenrolar de quem é o testamento, e ai segue o motivo de tudo isso. Se estão gostando deixa o comentário e eu solto o capítulo assim puder.