Cygnus - Fallen

26 Virgo Greengrass


Notas iniciais
Gentem...digam adeus aos capítulos felizes, cheios de um Cygnus sorridente e feliz, cheio de cenas engraçadas e descontraídas (apesar que o Draco nos garante um pouco de humor, afinal a princesinha dele está pra se casar...). O casamento de Virgo chegou e quem leu Sr. e Sra. Malfoy sabe que Cygnus foi preso pouco depois do casamento. Pois é... Azkaban está chegando. E com ela os maiores pesadelos de Cygnus... Mas antes de ser preso, vamos saber o que aconteceu, afinal, ele realmente queria deixar a guerra pra trás, não é? Preparem o coração... Com vocês... Em breve... Virgo Greengrass

Virgo Greengrass

– Acho que ouvi um barulho. – murmurou Cygnus.

– Certeza? – perguntei olhando-o muito indisposta de sair de cima dele. Mas quando a porta abriu foi confirmação.

Me joguei na cama puxando as cobertas e olhei desesperada.

– Meu deus. Vocês não vão desgrudar não? – ralhou Virgo – Você poderia parar de trepar com a minha madrinha um momento? Eu me caso hoje, sabia? Já adiei o casamento em uma semana por causa daquela espinha que apareceu no meu rosto, mas agora é certeza que eu caso hoje!

– Virgo... eu adoro você, mas se não der meia volta agora, a família Malfoy vai ficar conhecida por ter tragédias em seus casamentos. – ralhou Cygnus.

– Até parece. Vamos Lily. – riu Virgo. A olhei desamparada. – Oh, céus... vocês tem quinze minutos pra terminar isso ai!

– Obrigada, Virgo! Você é a melhor! – disse sorrindo.

– Quando vão contar pros outros? – perguntou ela cruzando os braços – Quero dizer... eu não aguento mais ficar inventando desculpas para os sumiços do Cygnus. Mamãe tá jurando que ele vai fugir a qualquer momento.

– Em breve vamos nos assumir. – Garantiu Cygnus.

Virgo revirou os olhos e deu de ombros, saindo e fechando a porta.

Lily

A vida estava deliciosa agora que Cygnus tinha voltado. Passávamos a noite sempre juntos, e elas eram sempre ótimas. Dormir nos braços de Cygnus era maravilhoso. Eu disse que ficaria a semana com os Malfoy, afinal eu era a madrinha do casamento mais espalhafatoso da história. E sempre que dava, Cygnus me roubava de Virgo...

Às vezes eu estava indo ao banheiro e ele me surpreendia. Se eu ficasse sozinha, ele parecia saber e vinha me beijar. E os beijos levavam aos toques, os toques a algo mais e quando eu me dava conta estávamos fazendo loucuras.

Cedo ou tarde alguém iria descobrir. Mas o perigo me deixava simplesmente ligada.

Mas nem sempre era apenas luxúria. Cygnus era bem carinhoso quando queria. Ele conjurava lírios para mim todos os dias e quando eu os pegava, eles viravam borboletas, luzes, passarinhos, etc. Cada dia era uma coisa nova. Quando íamos jantar, ele sempre sentava do meu lado e não se incomodava em disfarçar que estava me encarando. Vez ou outra, ele segurava minha mão por debaixo da mesa. Trocávamos um olhar constrangido e ficávamos assim um tempo.

Mas durante a tarde ele saía para resolver as coisas do casamento. Ele era o padrinho e tinha as responsabilidades dele.

Como a despedida de solteiro.

– Se você chegar aqui cheirando a outra mulher, eu castro você! – ralhei com ele um dia qualquer.

– Você não se livraria dele assim. – desafiou Cygnus. Ele era irritantemente convencido às vezes.

Mas meu momento favorito do dia era quando íamos ensaiar para a dança. Cygnus era meu parceiro e assim que Virgo descobriu que eu dançava muito mal, ela falou que Cygnus precisava me ensinar a valsar.

No final da semana eu estava muito melhor.

– Pra onde vocês vão, na despedida de solteiro? – perguntei preocupada. Cygnus estava com roupas trouxas e era simplesmente estranho vê-lo assim.

– Para um clube noturno.

– Não acredito que vai levar o noivo da sua irmã pra um lugar desses! – ralhei cruzando os braços.

– Oras... Que ele se despeça da putaria agora, para daqui pra frente ser só dela. – riu Cygnus – Você sabia que antigamente, era o pai da noiva quem levava o futuro genro para os bordéis?

– Está inventando isso.

– Não. É verdade. – disse ele. Mas eu não acreditei.

– Você não liga, Virgo? – perguntei pra ela no dia da despedida.

– Tradições são tradições. – riu ela – E Pascal merece, tadinho... Ele tem se segurado bastante. É possível que ele nem lembre mais como se faz. – ela me olhou um pouco constrangida – A sua primeira vez doeu muito?

– Não. – respondi me sentando – Cygnus foi bem legal. Me deixou bem a vontade... Eu fiquei com vergonha de ficar pelada, mas depois que ele me fez relaxar, foi tudo ótimo... – soltei um suspiro, amando saber mais sobre algum assunto do que Virgo – Não vou mentir. Não é a melhor sensação do mundo no começo, mas... Se é com alguém que você gosta... vale a pena. O início é mais difícil, mas depois vai ficando melhor, melhor e melhor. E quando você nota, está viciada por sexo!

– Entendi. – disse Virgo me olhando com atenção – O do Cygnus é grande?

– Eu não vou te responder isso! Ele é seu irmão!

– É porque o do Pascal é enorme! – disse Virgo parecendo alarmada – Eu já vi alguns na minha vida, mas o do Pascal é absurdo! Ele vai me partir ao meio!

– Bem... – disse rindo – Depois de um tempo você vai se amarrar. – garanti – E o Pascal costumava fazer bastante sucesso com o público feminino. Ele deveria ser competente... quero dizer... até você não deixar mais ele fazer. – disse rindo.

– Oh! Eu sabia que isso ia se voltar contra mim um dia! – lamentou ela.

– Como conseguiu ficar esse tempo todo sem transar? Vocês namoram há séculos!

– Eu sei... teve algumas vezes que eu quase cedi... – ela mordiscou o lábio – Mas era só olhar aquilo que me dava uma aflição, um medo... Credo!

Comecei a rir da cara dela.

– Pare de ser boba. Sexo é bom demais!

– Eu imagino. Você e o Cygnus parecem dois coelhos. – ralhou ela.

– O que fazer se a gente se ama?

– É verdade que ele pediu pra casar com você e você negou?

– Algumas vezes, sim... – respondi.

– O mundo dá voltas, heim? – riu Virgo – Mas pare de negar, ok? Ele gosta muito de você. – Virgo sorriu para mim e segurou minhas mãos – Eu nunca vi Cygnus tão feliz quanto nesses dias que você ficou aqui.

Sorri contente.

Depois deixei Virgo sozinha e fui procurar por Cygnus. O encontrei no jardim, onde os pavões albinos ficavam. Me aproximei e notei que ele estava tremendo de leve. Uma sensação de estar fazendo algo muito errado me tomou. Como se eu não devesse estar ali de jeito nenhum.

Afinal, Cygnus estava chorando...

Quis dar meia volta e ir embora, mas não consegui. Fiquei olhando sem saber o que fazer... deveria correr e abraçá-lo? Deveria fingir que não vi? Deveria perguntar se ele queria conversar? Eu nem sequer sabia o que era aquilo... Por que ele estava de joelhos, chorando ali?

Senti alguém tocar meu ombro e eu pulei de susto. Era o Sr. Malfoy. Ele colocou o dedo nos lábios, pedindo silêncio e me tirou dali. O segui sentindo um peso estranho no estômago. Entramos na mansão e eu me virei para o Sr. Malfoy.

– O que foi aquilo?

– Luto. – respondeu ele calmamente.

– Pelo que? – perguntei confusa.

O Sr. Malfoy olhou pela janela.

– Por Dominique e o bebê... – murmurou ele. Draco Malfoy soltou um suspiro, tocando o antebraço, onde havia uma tatuagem clara. A marca negra... – Algumas feridas nunca saram por completo... Algumas cicatrizes nunca se fecham... e por mais forte que a gente seja... – ele olhou pela janela e eu vi Cygnus curvado, se abraçando, chorando de se acabar — ... nem sempre conseguimos lutar contra perda... – Draco Malfoy ficou olhando Cygnus por um tempo. – Meu pai me contou, que quando ele estava em Azkaban, ele encontrou alguns escritos nas paredes... Havia um, que talvez fosse um poema, chamado "Perda", que ele gostou muito. Eram apenas três palavras, mas o autor as riscou, até que não se pudesse ler... Mas se você passasse os dedos na pedra, sentiria as palavras apagadas...

Olhei sem entender.

– Por que ele gostou disso? Não faz sentido.

– Porque ele entendeu completamente... – ele olhou pra mim e sorriu gentilmente — Você não pode ler "Perda"... Somente sentir. – olhamos juntos para Cygnus – E é o que ele está fazendo agora... – o Sr. Malfoy me olhou soltando um suspiro. Senti o olhar dele pousar sobre mim, como se ele me estudasse – Não parta o coração dele novamente. – murmurou ele, me fazendo corar – Eu não ligo se você é filha do Potter. Eu gostava de você. De verdade. Mas você me decepcionou. – ele me olhou com severidade.

E ao dizer isso, ele se virou e saiu, me deixando sozinha.

Corri para meu quarto, me sentindo envergonhada. O Sr. Malfoy nunca falara comigo com aquele tom... Bem... talvez no dia em que Cygnus me pediu em casamento, antes de voltar para a guerra...

Me deitei um pouco magoada e um pouco culpada...

Eu podia ter salvo Cygnus... Mas resolvi colocar meu orgulho em primeiro lugar... poderia ter feito isso em tantas outras situações, mas não naquela... Será que o que Remo me falou era verdade? Eu poderia ter feito Cygnus desistir da guerra aceitando o pedido de casamento dele antes?

As horas passaram e eu resolvi procurar Cygnus. Ele estava no quarto dele, terminando de colocar uma camiseta. Ele se virou para me olhar, mas não sorriu. Ele parecia simplesmente abatido.

– Olá, ruivinha. – murmurou ele.

– Vai sair?

– Despedida de solteiro. – respondeu ele dando de ombros – Não se preocupe. Não vou transar com ninguém. – garantiu ele. Mas eu não acreditei... Cygnus era tão safado... e a gente não estava realmente junto... ele era, oficialmente, solteiro.

– Pra onde vocês vão, na despedida de solteiro? – perguntei preocupada. Cygnus estava com roupas trouxas e era simplesmente estranho vê-lo assim.

– Para um clube noturno.

– Não acredito que vai levar o noivo da sua irmã pra um lugar desses! – ralhei cruzando os braços.

– Oras... Que ele se despeça da putaria agora, para daqui pra frente ser só dela. – riu Cygnus – Você sabia que antigamente, era o pai da noiva quem levava o futuro genro para os bordéis?

– Está inventando isso.

– Não. É verdade. – disse ele. Mas eu não acreditei.

– Cygnus...

– Hum? – perguntou ele me olhando com aqueles olhos cinzentos. Os mesmos olhos do Sr. Malfoy, mas muito mais calorosos...

– Eu sinto muito por Dominique e pelo bebê.

Ele me olhou parecendo surpreso. Mas então a expressão dele mudou para uma de constrangimento. O mesmo tipo de constrangimento de quando alguém comentava sobre a Semanário das Bruxas em que ele fora a capa. Mas então o rosto dele mudou de novo, para algo como choque...

– Você me viu mais cedo?

– Vi...

O rosto dele endureceu. Ele me encarou com frieza e então indiferença.

– Não era da sua conta.

– Eu sei que não, mas...

– Não fique me espionando.

– Eu não estava...

– E não me venha com falsas condolências. – rosnou ele se aproximando de mim. Por algum motivo ele parecera ficar muito zangado – Você não sente pelo que aconteceu. Aposto que ficou feliz, não é?

– O que? Do que está falan...

– Porque sem Dominique ou Leon, você poderia... – os olhos dele faiscaram vermelhos e eu me lembrei com vivacidade de quando ele estava possuído por Abraxas, no meu quinto ano. Estremeci involuntariamente e recuei sem conseguir parar de encará-lo. Ele estacou parando de falar e fechou os olhos – Desculpe... – murmurou ele mais brando – Me desculpe... é apenas estresse. – ele voltou a abrir os olhos e ele estavam novamente cinzentos. Ele se virou para sair, mas as pernas dele tremeram e ele caiu no chão.

– Cyg!

– Estou bem. – resmungou ele. Me abaixei para ajudá-lo a ficar de pé, mas assim que eu o segurei, ele me olhou furioso, com os olhos vermelhos novamente – NÃO TOQUE EM MIM!

O soltei assustada. Ele recuou, parecendo igualmente assustado. Ele se arrastou para longe de mim, me olhando surpreso.

– OK! – gritei, nervosa. Me levantei e rumei para a porta, mas Cygnus se levantou e me segurou.

– Desculpe... eu não sei o que deu em mim... – murmurou ele.

– Está sendo possuído de novo! – lamentei sem olhar para ele. Senti os dedos dele me apertarem de leve, nos braços.

– É apenas estresse. – insistiu ele.

– Não é, Cygnus. – disse me virando para encará-lo – Você precisa de ajuda!

– Não. Estou bem.

– Não está. – insisti.

– Estou sim. Pare de se preocupar comigo.

– Está mexendo com magia negra de novo, não é? Larga de ser burro, Cygnus! – ralhei.

– Oh... lá vem você com esses papinhos moralistas. – resmungou ele me olhando com indiferença.

– Sim. Alguém tem que botar juízo na sua cabeça. – disse zangada – Você deveria quebrar aquele cajado! Vamos pegar aquilo e...

Foi tão rápido que não consegui me defender. Apenas senti a mão de Cygnus apertar meu pescoço e me empurrar contra a parede.

– Nem fodendo, passarinho. – riu ele. Mas eu sabia que não era Cygnus. Não era. Não era... Ele nunca me chamava de “passarinho”. Senti uma onda de pânico me tomar. – Há quanto tempo, não? – mas então Cygnus tremeu e disse numa voz mais contida – Largue, Abraxas. Não é hora para isso. – Cygnus fez uma careta de descontentamento e me soltou – Até mais tarde, passarinho. – e então os olhos de Cygnus voltaram ao normal. Ele piscou e disse como se nada tivesse acontecido – Ainda não, Lily... E o cajado é indestrutível, de qualquer maneira. Os três fundadores tentaram destruí-lo, mas não conseguiram... o que foi? – perguntou ele me olhando parecendo confuso.

– N-nada... – murmurei, tremendo. Fui até ele e o abracei. Cygnus me abraçou de volta e me beijou carinhosamente na testa.

– Não se preocupe, ruivinha. Nós vamos ficar bem, ok? – perguntou ele me afagando na cabeça – Logo depois que a Virgo casar, eu vou parar a revolução e deixar as coisas seguirem o curso por si mesmas... E então eu vou voltar de uma vez por todas, ok? – perguntou ele com um sorriso sereno – O que foi? Você está tremendo.

– N-nada...

– Não minta pra mim, Lily. O que houve? Ficou chateada porque eu explodi agora a pouco? – perguntou me olhando com afeição – Me desculpe, ok?

– Claro. – murmurei.

Cygnus sorriu, levantando meu queixo, para que eu o olhasse nos olhos.

– Quando eu voltar, você vai casar comigo? – perguntou ele.

– Não. – respondi. Ele piscou confuso.

– Não? Mas... mas você disse... – ele me olhava sem entender.

– Você não... – eu deveria contar pra ele o que tinha acabado de acontecer, mas... e se ele ficasse zangado e ficasse possuído de novo? Quis insistir que ele deveria destruir aquele cajado... mas não tive coragem... nunca mais queria ficar sozinha com Abraxas Slytherin... – não acha melhor a gente esperar um pouco? Seria estranho aparecermos noivos de repente...

– Eu não ligo pra isso... – murmurou ele. Mas ele soltou um suspiro – Mas eu posso esperar. Vamos oficializar nosso relacionamento e nos casamos meses depois, ok? – Concordei em silêncio, ainda assustada, mas Cygnus sentiu que eu não estava bem. – O que houve, Lily?

– Cygnus... Você ainda fica possuído? – perguntei. Ele piscou e olhou surpreso.

– Eu... eu fiz alguma coisa? – perguntou ele. Apenas concordei – Desculpe... Eu te machuquei?

– Não, mas...

– O que eu fiz?

– Apertou meu pescoço quando eu disse que tinha que destruir aquele cajado... E me chamou de passarinho... – o olhei nos olhos – Você virou Abraxas de novo...

Ele me encarou em silêncio e concordou com a cabeça.

– Sinto muito... Não vai acontecer de novo.

– Como pode ter certeza? – perguntei aflita – Ah, Cygnus... conte para o meu pai... Peça ajuda... se livre daquele negócio...

Cygnus sorriu para mim.

– Não dá, Lily. Ainda não. Mas eu vou... Um dia.

– Por que não?

– Eu vou precisar dele ainda. Mas acalme-se, ok?

Alguém abriu a porta. Era Remo.

– Vamos? – perguntou ele com seu sorriso enorme.

– Sim. – respondeu Cygnus. Ele me olhou e me beijou na bochecha – Até amanhã, Lily.

Passei a noite num misto de preocupação, raiva (afinal, ele foi pra um clube noturno) e frustração. Passei boa parte da noite com Virgo, que não parecia estar preocupada com o que Pascal estivesse fazendo.

Cygnus chegou quase pela manhã, muito bêbado e fedendo a perfume barato. Ele correu para o banheiro e tomou um banho. Depois se deitou ao meu lado e me abraçou.

– Senti sua falta, ruivinha. – murmurou ele no meu ouvido. E então todas minhas preocupações e meus ciúmes morreram.

– Eu te amo, Cygnus... não me deixe nunca.

– Nunca. – disse ele sonolento no meu ouvido – Você é minha e eu sou seu...

E sorri para logo depois cair no sono.

Remo

– Escute aqui! – ralhou Virgo. Céus, como ela é irritante – Se você aparecer com essas suas drogas hoje eu juro que perco a paciência com você.

– Relaxa, Virgo. É só narciso. – disse sorrindo — As flores são ótimas para um chá que cura ressaca, enxaqueca. Vamos precisar disso pra depois e antes do casamento. Afinal, temos uma despedida de solteiro pra ir hoje.

– Eu sei muito bem que não vão usar a planta pra fazer chá, Remo. Não sou idiota. – ralhou ela.

Sorri com pouco caso, terminando de enrolar meu cigarro.

– Por que diz isso? – disse rindo com desdém, pegando meu isqueiro do Guns para acender o baseado.

Virgo rosnou zangada e saiu me deixando sozinho. Oh... Pascal era tão legal. Tomara que aquela mulherzinha não transforme ele num merda...

Nunca tinha passado tanto tempo com Cygnus quanto naquela semana. Rodamos o mundo atrás de um lugar legal para a despedida de solteiro. Mas Cygnus tem nojo de trouxas – não vou julgar... – e eu não gostei dos estabelecimentos da família do pai do Pascal.

– Ele está acostumado com isso, Cygnus. Tem que ser chocante, diferente! – expliquei para ele.

– E precisa ser um lugar trouxa pra isso?

– Vamos apenas dar uma olhada, ok?

Cygnus fez careta, mas depois de eu insistir pra porra, a ele concordou.

Olhamos uns três lugares e por fim achamos um bem legal. O lugar fazia revista em todos que entravam, pois era extremamente proibido entrar com armas de fogo ali – e eu sei que Cygnus tem trauma delas. Depois de encher muito o saco do Cygnus, ele finalmente cedeu a contra gosto.

No dia da despedida, eu me arrumei com roupas trouxas e fui procurar o Cygnus. Ele estava no quarto, com Lily, pra variar. Os dois estavam sempre juntos. Eu imagino que logo teremos outro Malfoy se casando... Bom pra ele.

– Vamos? – disse sorrindo animado.

– Sim. – respondeu Cygnus sem muita empolgação. Ele olhou para Lily e a beijou na bochecha – Até amanhã, Lily.

Saímos do quarto e eu o cutuquei com o cotovelo.

– Pra quê essa timidez? Beijinho na bochecha? – Ele deu de ombros, parecendo triste. – Iiiih... brigou com ela, foi? – perguntei.

– Não. – respondeu Cygnus.

– Por que essa cara?

– Não é nada. – respondeu ele com aquele ar indiferente que ele normalmente tinha quando não estava bêbado, chapado ou quando Lily não estava.

– Bem... trate de parecer animado. Nós estamos indo para uma despedida de solteiro, sabe?

Ele concordou em silêncio e eu soltei um muxoxo pela falta de entusiasmo dele. Fomos para a casa do Pascal. Scorpius e Albus já estavam lá. Fomos para o estabelecimento juntos e animados – com exceção do Cygnus, que parecia estar indo para a forca -, eu enfeiticei o segurança pra gente poder entrar com nossas varinhas – Cygnus olhava para os lados com desconfiança, como se temesse que alguém fosse se levantar e começar a atirar loucamente a qualquer momento.

Fomos até as mesas que reservamos e nos acomodamos. Pedi uma rodada de cerveja trouxa e comecei a montar o baseado de narciso.

– É nessa mesa que tem um tolo prestes a se casar? — perguntou uma linda loira trouxa.

Pascal concordou em silêncio e Scorpius deu uns tapinhas nas costas dele.

– É esse jovem aqui. – riu Scorpius.

A loira subiu no palco que tinha na nossa frente, com um daquele postes para pole dance.

– Vamos começar com o show então? – perguntou ela piscando.

A mulher parecia não ter ossos na coluna. Ela movia-se como uma serpente, olhando-nos com um ar maroto e sensual ao extremo. Nossa cerveja chegou e começamos a beber, olhando a dança da mulher. Depois de alguns minutos, ela desceu do palco e começou a dançar na frente de Pascal.

– Uhuuul! – gritou Scorpius, animado.

A loira pegou Pascal pela camisa e sorriu.

– Vamos para a sua dança particular? – perguntou ela puxando o noivo.

– O que eu faço? – perguntou ele, confuso, baixinho, passando por nós.

Começamos a rir e logo mais mulheres apareceram. Elas dançavam na nossa frente, se sentavam ao nosso lado, passavam as mãos por nossos corpos e depois perguntavam se estávamos interessados no programa. Scorpius parecia desesperado para ir, mas enfrentava seu próprio dilema moral.

Albus foi o primeiro a ir. Cygnus olhava as mulheres com asco, pois eram trouxas. Eu não perdi muito tempo e logo deixei os irmãos Malfoy sozinhos, para me divertir com uma prostituta qualquer.

Quando eu voltei, Albus já estava lá de volta e Cygnus tinha desaparecido. Scorpius tomava cerveja, e fumava o narciso, apreciando as danças, pois era o que se permitia fazer. Rose realmente laçara o meu amigo-sobrinho...

– Cadê o Cygnus? – perguntei me sentando e começando a fazer outro baseado.

– Saiu com uma bruxa. – respondeu Scorpius.

– Uma bruxa? – perguntei – Aqui?

– Sim. – respondeu Scorpius – Acho que eles se conheciam. – Scorpius franziu a testa – Ela não me era estranha também. – adicionou ele – Ruiva, olhos verdes, cabelos compridos e lisos... uma cicatriz no olho... cara de assassina dos infernos... – riu Scorpius.

Concordei em silêncio, não gostando daquilo.

– Eu vou procurar o Cygnus. – murmurei me levantando.

Caminhei entre as mesas, passando a língua pela seda, para enrolar o baseado. Perguntei para algumas pessoas se elas tinham visto Cygnus ou a mulher misteriosa. Fui seguindo as pistas até chegar no andar de cima, que era onde as mulheres faziam os programas propriamente ditos. Cruzei um corredor e escutei a voz do Cygnus.

– Não posso voltar agora. – respondeu ele – E eu acho que vocês não precisam mais de mim, de qualquer maneira... Depois do casamento da minha irmã, eu vou voltar, coordenar o que eu achar estritamente necessário e então vocês estarão por conta própria.

– Está nos deixando por causa daquela garota, não é? – perguntou uma voz feminina.

– Sim. – respondeu ele – Mas não só por ela. Eu não aguento mais. Vou acabar morrendo. – explicou ele – O Cajado está exigindo demais de mim. Meu corpo não está mais aguentando... – murmurou ele.

– Sim. Nós notamos que estava ficando mais fraco. – murmurou a mulher – Estávamos preocupados. Sua cama sempre estava suja de sangue, sempre ouvíamos gritos do seu quarto... Por isso eu e Cerce fazíamos aquela massagem que você pedia, mas nós sabíamos que cedo ou tarde nem aquilo iria ajudar...

– Sim. Estou entrando em colapso.

– Escute, Cygnus. Eu entendo. De verdade. – murmurou a mulher – Eu vou falar com os outros. Ninguém mais lutou tão bravamente pela causa quanto você. Ninguém sangrou tanto quanto você e ninguém mais sofreu tanto quanto você. – ela fez uma pausa – Eu não vejo motivos para você não se retirar. Eu entendo.

– Obrigado, Kat.

– Obrigada a você, Cygnus... Mas me diga... o que veio fazer num lugar desses?

– Despedida de solteiro do meu cunhado.

– Mas aqui está cheio de trouxas!

– Eu sei. Mas insistiram que queriam vir aqui... o que eu posso fazer?

– O que foi? Que cara é essa?

– Estou... estou sentindo cheiro de... – Cygnus apareceu, me olhando surpreso – narciso.

– Olá, sobrinho. Estava te procurando. – disse sorrindo. Todas as minhas suspeitas se confirmando... Ele era mesmo um Algoz. – Não vai me apresentar sua amiga?

– Estava me escutando conversar? – perguntou Cygnus avançando contra mim. Seus olhos brilharam vermelhos e eu senti meus pelos eriçarem. Nunca tinha sentido medo de Cygnus, mas naquele momento, minha vontade foi de sair correndo.

– Acabei escutando uma coisa ou outra, mas nada que me deixasse impressionado. – respondi – Eu sempre soube que você era um Algoz. Se os outros nunca notaram é por serem cegos demais a seu respeito.

– Devemos matá-lo? – perguntou a mulher.

– É, Cygnus... Vai me matar? – perguntei com um sorriso – Pense bem. Vai estar matando não somente seu tio, como seu amigo e o varão da família Black. Meu pai não vai fazer outro filho a essa altura do campeonato.

Cygnus colocou a varinha no meu queixo, mas eu o encarei fingindo não sentir medo. Talvez eu estivesse doido... Dizem que todos os Black são loucos...

– Suma daqui e não diga a ninguém sobre o que escutou. – rosnou Cygnus.

Traguei meu narciso, o olhando com insolência.

Todos os Black são loucos.

Os Black nunca erram um feitiço.

TOUJOURS POUR.

Saquei a varinha e desarmei Cygnus. Ele me olhou surpreso. A ruiva sacou a varinha dela também, mas eu a desarmei antes que ela soltasse algum feitiço. Olhei os dois com um sorrisinho desdenhoso.

– Você é bom, Cygnus, mas eu não me subestimaria no seu lugar. Nunca mais me ameace de novo e nem ouse me dar ordens. Eu não sou um dos seus fanzinhos retardados. Eu sou um Black, eu sou seu parente. Respeito é bom e eu gosto.

Cygnus me olhou furioso, mas ele era um completo banal sem a varinha. Conjurei a varinha dos dois e as devolvi. Então me virei para ir embora. Fiquei me perguntando se ele iria me azarar pelas costas. Quando terminei de descer as escadas, caí de joelhos, tremendo. Um medo irracional tinha me tomado, mas eu tinha segurado a barra. Mantido a pose. Fechei o punho tentando parar de tremer e traguei meu narciso novamente, tentando me acalmar.

No que meu sobrinho estava se tornando? O que raios foi aquilo com os olhos dele? Minha mãe fora uma comensal de morte e ela descreveu o tal do Voldemort pra mim algumas vezes... Olhar Cygnus foi como imaginar o monstro que assombrava os sonhos da minha mãe... Não somente os olhos do meu amigo tinham mudado. Todo o rosto dele parecera mais acinzentado e mais ofídico. Cygnus estava mexendo com magia negra da pesada... só podia ser isso.

Olhei para Scorpius. Ele ria ao lado de Albus. Deveria contar?

Mas a ordem de Cygnus estava bem fresca em minha mente. Não abusaria da sorte novamente. Fui para junto dos outros e me contentei em ficar muito bêbado e chapado, olhando as mulheres dançarem pra nós.

Sr. Malfoy

Sai do banheiro um pouco irritado. Mais uma ruga no meu rosto. Eu estava envelhecendo... continuava lindo, é verdade... mas a juventude insistia em dar sinais de que tinha desaparecido. Eu era um senhor... Mas bem... já tinha mais de quarenta anos... Eu ainda estava muito bem para minha idade...

Mas minha esposa estava muito melhor. O sangue veela fazia com que ela demorasse mais para envelhecer. Porém, de uns anos pra cá, ela estava sempre tão preocupada, que eu temia que aquela ruga na testa dela nunca mais fosse sair. Ela ia acabar que nem o retrato da avó dela, no Largo Grimmauld...

Rose estava de pé, olhando pela janela.

– O que foi, Rose?

– Cygnus e Scorpius ainda não voltaram... está tão tarde...

– E nem vão voltar por agora. Só devem chegar depois do sol.

– Mas e o casamento?

– Por isso que o casamento é a noite, Rose. – disse sorrindo.

Me aproximei dela, para beijá-la no ombro.

– Estou preocupada...

– Com o que?

– Eu não sei... mas estou com um pressentimento ruim...

– Oh, pare com isso. – disse sorrindo e fazendo-a se virar para mim – Deixe os garotos serem garotos.

– Draco, eu falo sério. – lamentou Rose.

– Eu também. Deixe pra lá e relaxe, ok? – perguntei a beijando na testa – Vem cá, esposinha. – murmurei desamarrando o robe dela.

– Draco, você só pensa nisso? – perguntou Rose franzindo a testa e afastando minhas mãos – A última vez que senti isso, foi em relação ao torneio tribruxo.

– Que Cygnus venceu.

– Não sem antes matar umas cinco pessoas.

Senti um frio me subir a espinha.

– Não foi culpa dele. – eu disse com firmeza.

– Mas, Draco...

– Cygnus é grande o suficiente para se cuidar sozinho. – insisti.

– Mas...

– Pare com isso, Rose. Seus filhos cresceram. – ralhei com ela – Pare de ficar se preocupando com eles o tempo todo. – a puxei pela cintura com gentileza – Vai ficar tudo bem. Estou dizendo. – disse sorrindo para ela – Amanhã Virgo se casa... E em breve será Cygnus.

– Com quem? A única pessoa com quem ele teve alguma coisa...

– Você não notou que ele está apaixonado? – perguntei.

– Por quem? Ana Paz?

– Lílian Potter. – respondi – Estão sempre se agarrando, sempre fugindo um para o quarto do outro... – beijei minha esposa na testa – Se ele não se cuidar, vamos ganhar mais um neto em breve.

– Como eu não fiquei sabendo disso? – perguntou Rose – Cygnus e Lily? – ela sorriu, e eu me alegrei em ver que aquela ruga na testa dela não era permanente – Isso é maravilhoso. Harry já sabe?

– Acho que não... mas não vamos nos meter... sabe como o Cygnus é.

– Sim... – concordou Rose com um sorriso no rosto. Ela me olhou levantando as sobrancelhas, adquirindo um arzinho travesso – Já parou pra pensar que nossos três filhos vão acabar com os filhos dos três garotos que você menos gostava na escola?

– Deve ser meu carma se voltando contra mim. – resmunguei acariciando a cintura fina da minha esposa – Mas o que importa é a felicidade deles... meu orgulho vem depois disso.

– Que bom... – murmurou Rose ficando na ponta dos pés. A beijei com carinho, respirando o perfume dela.

A levei para a cama, a beijando com desejo. Tantos anos e eu seguia apaixonado por aquela mulher. Tantos anos e ainda ficava duro só de beijá-la. Tantos anos e ainda me impressionava com o quanto ela era perfeita pra mim. Tão linda, tão sexy, tão pura...

Eu tinha uma postura para manter. De frio e distante. Calculista e astuto... mas com Rose eu podia ser o garoto que ainda vivia em mim. Eu podia ser aquele mesmo Draco Malfoy, da época da escola. Ela me fazia me sentir um adolescente.

Céus, como ela me fazia feliz.

Depois de longos minutos de prazer, ela deitou no meu braço e ficou a me acariciar no peito.

– Espero que nossos filhos sejam felizes como eu e você. – murmurei.

– Eu também. – respondeu minha esposinha.

– Eu te amo, Sra. Malfoy. – disse sorrindo a beijando na testa.

– Eu também te amo, Sr. Malfoy.

Cygnus

My darling, I don't ever want you to leave me, my darling...

You and me were meant to be together, my darling...

And if I cannot have you, no one can, you're my darling...

Cause I possess your soul, your mind, your heart and your body...

As trouxas ficaram se esfregando em mim, se insinuando, querendo que eu pagasse pelo serviço que elas queriam me oferecer. Mas eu neguei tudo. O cheiro de perfume barato me enojava e tudo o que eu queria era voltar pra casa. Para Lily.

Só voltamos quase pela manhã. Corri para o banheiro, tomar um banho. Deixei a água cair pelo meu corpo sentindo-me mal. Eu queria correr até o Largo Grimmauld e pegar o cajado. Sabia que ele estava lá. Sabia que ele estava escondido e seguro.

Mas parecia que eu estava viciado nele. Meus braços tremiam de ansiedade. Eu sentia uma dor quase física, pela distância que eu estava dele.

Saí do banho e fui para a cama com Lily. A abracei apertado, respirando o perfume gostoso dela.

– Senti sua falta, ruivinha. – murmurei no ouvido dela.

– Eu te amo, Cygnus... não me deixe nunca.

– Nunca. – disse meio sonolento ainda no ouvido dela – Você é minha e eu sou seu...

Logo notei que ela dormia. Mas eu não consegui dormir. Eu estava com sono e cansado, mas eu estava ligado. Encostei meu quadril na bunda de Lily e passei a acariciá-la nas coxas, mas ela estava dormindo de vez. Suspirei desanimado. Teria que esperar ela acordar.

Dormi com ela, como sempre. Sonhei que estava no jardim e que um garotinho brincava com os pavões, tentando pegá-los. Dominique ria ao meu lado amando os passinhos desengonçados de Leon.

– Deveríamos ter mais um. – disse ela.

– Claro. – concordei sorrindo, orgulhoso do meu primogênito.

Mas então o sorriso de Dominique morreu e ela apontou para os pavões. Tinha um buraco lá e Leon caiu lá dentro. Pulei a cerca, indo correndo até ele, mas quando cheguei, só encontrei uma caixa. A lápide fria com os nomes de Leon e Dominique. Me virei e vi que não havia ninguém ali. Eu estava sozinho.

Eu amava Lily... mas seria capaz de qualquer coisa para ter Dominique e Leon de volta.

– Mas existe algo que você pode fazer.

Me virei e vi Salazar.

– O que?

– Traga-os de volta.

– Não. Eles estão mortos.

– Eu também. Mas cá estou eu.

Abri os olhos e me vi deitado ao lado de Lily. Me afastei dela, me sentando. Saí do quarto, me sentindo deprimido e fui até o jardim. Me ajoelhei na frente da lápide de Leon. Aquele aperto maldito no peito.

Queria voltar para minhas miragens. Meu mundo de sonhos. Onde eu passava o tempo com Dominique e Leon...

– Me perdoe, Leon... – murmurei – Eu não te protegi... eu não protegi a sua mãe... eu não fiz coisa alguma...

My darling, I don't ever want you to leave me, my darling...

Me abracei, sentindo-me um completo fracasso. Eles tinham morrido do meu lado. Nos meus braços. Soltei um soluço involuntário. Eu os queria de volta, mesmo que isso significasse perder Lily. Mesmo que isso significasse voltar para guerra e viver o resto dos meus dias como o Sinistro...

Mas esse conhecimento estava fora do meu alcance...

Mas então me ocorreu que talvez não estivesse... Talvez a chave para aquilo estivesse em Azkaban, nas celas que eu não tinha aberto... onde os Lestrange seguiam confinados...

You and me were meant to be together, my darling...

– Cygnus. – pisquei e me virei. Era minha mãe. Ela se sentou ao meu lado e olhou para a lápide – Eu sei como se sente. – murmurou ela.

– Não sabe. – murmurei – Foi minha culpa... eu não fiz nada para salvá-los...

Minha mãe suspirou.

– Quando eu tinha dezessete anos, antes de me casar... quando estávamos caçando as horcruxes... – ela soltou um suspiro – Eu e seu pai nos encontramos escondidos algumas vezes. Mas então aconteceu tanta coisa e paramos de nos falar. – ela suspirou segurando minha mão – Passamos por momentos difíceis... Ficamos sem comida por um tempo... mas finalmente tínhamos conseguido uma horcrux... mas ela mexia com a gente. Nos enfraquecia, nos deixava irritados... então revezávamos para ficar com ela. Só que além da horcrux, eu ainda estava sob efeito do Encantamento de Heros... a horcrux me afetava mais do que os outros... – minha mãe soltou um suspiro – Eu reclamava da comida que Hermione fazia, pois eu sempre passava mal com ela... E eu estava numa pilha de nervos... Foi quando me ocorreu, que talvez... aquilo tudo que acontecia comigo tivesse um outro motivo... só então notei que já havia tempo que eu não menstruava. E eu sentia dor. Muita dor. Quando averiguei e tive certeza que eu estava grávida, eu abortei... – ela passou as mãos pela minha – abortei porque fiquei carregando aquela horcrux. Eu matei meu bebê, Cygnus... eu sempre me culpei por não ter notado antes... sempre me senti culpada por ter perdido o bebê... é por isso que eu digo, eu te entendo.

Minha mãe me beijou na testa.

– Então concorda que foi culpa minha...

– Não. Mas entendo a sua dor... – respondeu minha mãe. – Entre... Não fique perdendo tempo com os mortos, querido, quando os vivos precisam de você. – ela sorriu para mim – Vá descansar. Você chegou muito tarde ontem, não é? Precisa dormir. – ela soltou um suspiro me afagando no rosto – Quer uma poção para dormir sem sonhar?

– Por favor. – pedi.

– Certo. Eu tenho pronta. – ela pegou a varinha e a balançou. Um fraquinho apareceu e ela me ofereceu – Descanse.

Voltei para meu quarto e notei que Lily ainda dormia. Me sentei no chão, olhando-a dormir. Minha cabeça estava uma confusão...

Foi quando escutei a voz de Dominique. Ela cantarolava. Me levantei, a procurando com os olhos. Vinha do lado de fora do quarto. Caminhei apurando os ouvidos. Queria vê-la desesperadamente.

And if I cannot have you, no one can, you're my darling...

– Cadê você? Cadê?

Entrei num escritório e olhei a lareira. As chamas brilhavam verdes. Apenas entrei e senti o corpo rodar. Saltei para fora e me vi no Largo Grimmauld. Subi as escadas, ainda ouvindo a voz dela. Foi quando ouvi uma risada de criança. Sorri feliz e corri para o quarto que fora de Régulus. Lá estava Dominique, brincando com Leon. Ele gargalhava sempre que ela soprava em sua barriga.

Ela se levantou e sorriu, olhando pra mim.

– Olá, querido. – murmurou ela – Senti sua falta nesses dias...

Ela estava morta.

Ele estava morto.

Baixei o rosto e caí de joelhos, fechando os olhos.

– Pare de me torturar, por favor. – pedi.

– Te torturar? Quando eu te torturei?

– Você está morta, Dominique. – eu disse voltando a olhá-la. Ela caminhou até mim e se ajoelhou ao meu lado.

– Eu pareço morta pra você?

– Você levou dois tiros e morreu. Pare de me assombrar! – pedi – Eu vou ficar com Lily.

Ela sorriu pra mim de um jeito sinistro.

– Parar de te assombrar, Cygnus? – perguntou ela se aproximando – Você nos ama. Não vamos deixar você sozinho. Nunca. Fomos feitos um pro outro. Eu te entendo como ninguém mais te entende. Eu te completo. Eu te amo. Você é meu. E se eu não posso te ter, ninguém mais terá, querido. Pois eu possuo a sua alma, sua mente, seu coração e seu corpo, querido. – eu senti as mãos dela no meu rosto.

– Não.

– Mas é a verdade. – disse uma voz masculina. Olhei para o lado, para o espelho. Lá estava Abraxas, me encarando com o mesmo sorriso de Dominique. Ele estava encostado no espelho, como se estivesse tentando sair, mas o vidro o impedisse.

– Não... você não está aqui. Eu matei você. – eu disse o olhando horrorizado enquanto Dominique segurava meu rosto.

– Eu não estou no espelho, Cygnus. Estou dentro de você. – então não era mais Abraxas. Era meu reflexo – Deixe-me te guiar, querido. – riu ele.

Me livrei das mãos de Dominique e soquei o espelho, partindo-o em pedaços. Me virei com a mão sangrando. Dominique e Abraxas me olhavam com o mesmo sorriso, um ao lado do outro, na minha frente.

– Me deixem em paz...

– Nunca, querido. – respondeu Dominique.

– Bem que eu te disse, querido... Todos os Black são loucos. Você está pirando. – riu Régulus Black.

– Parem... parem... – pedi sacudindo a cabeça, voltando a cair de joelhos. Olhei para um dos cacos de vidro e o segurei. Olhei para os três, que seguiam me olhando. Peguei o vidro e cortei o pulso, mas para meu horror, a pele se regenerou imediatamente. – Estou vivo... Ainda estou vivo...

– Assim como nós. – riu Dominique – Você não pode matar um espírito, Cygnus, por mais que tente.

– Você vendeu sua alma para nós, lembra, querido? – perguntou Abraxas Slytherin. – Na escola.

– Você quis ser o mais poderoso. Você quis poder imensurável, você quis nações se rendendo de joelhos, você quis matá-los, você quis o sangue, Cygnus. – riu Salazar Slytherin – Era isso que você queria para sua vida, não era, querido?

– Não... – murmurei – Não era o que eu queria para minha vida.

– Você queria mudar o mundo. Você está conseguindo, querido. – riu Dominique.

Apertei minha cabeça me curvando.

– ME DEIXEM EM PAZ, POR FAVOR... ME DEIXEM EM PAZ!

– Quem é você? – perguntou uma voz. Pisquei e levantei meu rosto. Era meu avô Lúcio.

– Eu sou Cygnus Malfoy.

Eles balançaram a cabeça em negativa.

– Quem é você? – perguntou Dominique.

– Eu sou Cygnus Malfoy. – repeti, mas eles negaram com a cabeça.

– Quem é você? – perguntou Abraxas.

– EU JÁ DISSE! SOU CYGNUS MALFOY!

Eles negaram em silêncio.

– Quem é você? – perguntou Régulus.

– Me deixem em paz, por favor... – disse desesperado – Eu sou apenas Cygnus Malfoy.

Eles negaram novamente. Eu sabia o que eles queriam que eu respondesse.

– Quem é você? – perguntou Salazar.

– Não... eu não vou voltar. Não vou... – disse me encolhendo no chão.

– QUEM É VOCÊ!

– ME DEIXEM EM PAZ!

– Você sou eu. – respondeu outra voz. Parecia muito com a voz de Scorpius. Levantei meu rosto e vi o Sinistro. Ele tirou a máscara e eu me vi ali – E eu sou você.

– Não.

– Sim. Eu possuo sua alma, Cygnus. Eu possuo sua mente e seu coração... E eu vou possuir o seu corpo. Esteja preparado. Eu vou vir por você no casamento. Assim que terminar.

– Não.

– Eu vou matar o garoto em você.

– Não.

– E seremos pra sempre um.

– NÃO!

– Até mais tarde, Cygnus.

E então ele sumiu. Todos eles.

Me levantei, tremendo e olhei para a cama. Os sapatinhos vermelhos que eu comprara para Leon estavam ali.

– ME DEIXE EM PAZ!

Corri daquele quarto. Fugi do Largo Grimmauld e voltei para a Mansão Malfoy. Ele viria me buscar depois do casamento... eu estava com tanto medo... A enorme mansão me pressionava para baixo. Me sentia sufocado.

Cause I possess your soul, your mind, your heart and your body...

Então fugi de lá.

Corri para a casa do meu padrinho. Gina abriu a porta e me olhou surpresa.

– Cygnus? O que houve? Aconteceu alguma coisa? – perguntou ela.

– H-Harry está? – estava completamente em pânico, o coração acelerado, as mãos suando, geladas, trêmulas...

– Não. Ele está no trabalho... o que aconteceu?

– Eu posso esperar por ele aqui? – perguntei.

– É claro...

Ela abriu a porta e eu passei por ela. Corri pelos corredores e entrei no porão, onde James me prendera com Lily muitos anos atrás. Me sentei encolhido ali, no escuro e fiquei muito quieto. Minutos depois, Lily apareceu. Ela me olhou confusa.

– O que está fazendo? – perguntou ela com a voz doce, mas eu desviei o olhar, envergonhado. Ainda estava morrendo de medo...

– Onde está o Harry?

– Ele está vindo... o que houve?

– Eu quero falar com ele. – respondi.

Lily se sentou do meu lado e soltou um suspiro.

– Eu morria de medo daqui quando era criança. – murmurou ela – Mas depois do dia em que James me prendeu aqui com você... eu criei uma certa afeição por esse lugar. – ela encostou a cabeça no meu ombro – Eu ficava me lembrando de como você foi legal comigo. Quando disse que eu não precisava ter medo do escuro enquanto você estivesse comigo. – Lily pegou a varinha e conjurou seu patrono. O beija-flor voou ao meu redor, batendo as asas com velocidade – Aquele dia foi meu pensamento feliz para fazer meu patrono, sabia? – perguntou ela – Você está no escuro, Cygnus. – ela segurou minha mão – Mas não se preocupe. Não tenha medo, ok? Eu estou aqui com você.

A olhei e sorri, sentindo-me muito grato.

– Você sempre foi meu pensamento feliz...

– E você o meu. – sussurrou ela.

– Eu te amo tanto, Lily... – murmurei – Obrigado por nunca desistir de mim...

Ela sorriu para mim e a porta do porão se abriu. Harry apareceu e me olhou parecendo preocupado. Lily soltou um suspiro e me beijou no rosto.

– Vou deixar vocês conversarem. – disse ela.

Lily se levantou e saiu. Harry me olhou preocupado.

– Gina me mandou uma mensagem falando que você precisava falar comigo. – disse ele parecendo levemente irritado – Eu estava muito ocupado. Espero que seja importante.

Eu concordei.

– Tio... Eu encontrei o Sinistro. – murmurei.

Harry me olhou chocado e se sentou ao meu lado.

– O que?

– Ele disse que vai vir me buscar, depois do casamento de Virgo... – eu olhei para Harry, sentindo-me completamente desesperado – Ele apareceu na minha mente... Tio... eu acho que... eu acho que estou ficando louco... – eu desviei o olhar dele e mostrei minhas mãos – Vê? Não param de tremer...

– Cygnus...

– Eu não quero matar ninguém, tio... eu não quero deixar minha família. Eu não quero ser um algoz... – eu apertei minha cabeça – Mas... mas eu não consigo mais fugir dele... ele está sempre me perseguindo, sempre tentando me controlar... eu não aguento mais... acho... acho que eu estou louco...

Afinal... dizem que todos os Black são loucos...

– Calma, Cygnus. – disse meu padrinho me abraçando. Era como se eu fosse um garotinho... o garotinho que Scorpius foi: chorão e assustado. Eu sempre achara Scorpius irritante por ser daquele jeito. Quão patético eu era naquele momento? Um homem feito. Um adulto... chorando no ombro do meu padrinho, completamente em pânico.

– Não deixe ele me levar, tio. Eu não quero ir... eu não quero. Eu não quero...

Senti o abraço de Harry apertar.

– Nada de ruim vai acontecer com você, Cygnus. Eu prometo.

Mas o que ele poderia fazer?

Sra. Malfoy

Apertei a mão de Draco com força. Ele olhava para Harry, completamente chocado.

– Tem certeza? – perguntou ele.

– Sim. Fonte segura. Parece que ele vai invadir a festa.

– Virgo vai ter um chilique. – riu Draco e eu o encarei chocada.

– Draco! Isso não é engraçado! – ralhei zangada. Ele deu uma tossidinha e disfarçou.

– Tem razão... não é. – murmurou ele – Hum... Creio que meu filho não é mais suspeito então, não é?

– Eu nunca achei que fosse, Draco. – ralhou Harry.

– Você tem algum tato, mas alguns de seus amigos não. – riu Draco com desdém – Eu quero o Ministério em peso aqui. Se alguma coisa acontecer ao meu filho por incompetência de vocês...

– Eu sugiro que a gente realoque Cygnus. O deixe escondido.

– Onde ele está agora? – perguntei com uma ponta de pânico.

– Está na mansão. Lily está com ele. Ele está muito abalado.

– Oh. Que bom que ele não está sozinho. – riu Draco virando o rosto, provavelmente para que Harry não visse seu sorriso.

– Você... hum... não vê problema em deixar os dois sozinhos, Harry? – perguntei.

– Não. – respondeu ele franzindo a testa – Por que teria? Eles são amigos.

Draco teve uma crise de tosse e se virou. Precisei respirar muito fundo para não rir. Quem era eu pra julgar afinal? Se Draco não tivesse me contado, eu também não desconfiaria dos dois.

– Tem razão... Então... como vamos fazer?

– Eu pensei... e se o casamento de Virgo fosse em Hogwarts?

– Hogwarts? – perguntei.

– O casamento será aqui. – negou Draco com convicção – E se você quiser mudar alguma coisa, eu me recuso a avisá-la. Será sua responsabilidade.

Harry fez uma careta.

– Prefiro duelar contra o Sinistro de novo a avisar Virgo. Mande Damian falar com ela.

– É mais fácil Virgo matar Cygnus pra impedir que alguma coisa aconteça no casamento dela. – murmurou Draco – Traga todos os seus aurores, a Ordem da Fênix, todo mundo... e os deixe sob aviso. Não vou permitir que nada aconteça ao meu filho. Ele não vai deixar a mansão. – disse Draco.

– Sim. Vou chamar a AD, também. – murmurei – Eles não vão hesitar em nos ajudar.

– Querem que a festa seja aqui mesmo? – perguntou Harry.

– Sem dúvidas. Não vou estragar o dia de Virgo. Pascal é um auror. Vamos mentir e dizer que a ordem dos aurores veio por ele. – sugeriu Draco.

– Dá pra fazer isso... Vamos avisar o noivo? – perguntou Harry.

Eu e Draco demos uma risadinha.

– De jeito nenhum. – eu disse.

– Pascal é um frouxo. Ele não vai aguentar manter isso em segredo de Virgo. – explicou Draco – Mas vou avisar Scorpius.

– E os Weasley. – adicionei. Draco concordou.

– Acho que temos muitas corujas para enviar. – murmurou meu marido.

– Patronos. Nada de corujas. – cortou Harry. – Ou ele pode saber...

– Que ele fique sabendo que estamos preparados para ele. – disse Draco.

Harry soltou um suspiro, sem se convencer, mas concordou.

– Acho melhor algum de vocês falar com o Cygnus... ele... ele estava muito abalado...

Olhei para Draco.

– Acho melhor você. – disse ele.

– Certo...

Me levantei e fui para o quarto dele. Virgo e Lily saíam de lá. Lily muito corada e Virgo um pouco irritada.

– Não deveria estar no spa, querida?

– Estava esperando minha madrinha terminar de...

– Oh, cale a boca! – riu Lily. Sorri para ela.

– Terminar de cuidar de Cygnus, imagino? – perguntei com um sorriso. Virgo olhou para Lily, que corou igualzinho a todos os outros Weasley.

– É. Isso mesmo. – riu Virgo puxando Lily pela mão.

Achei saudável bater antes de entrar. Esperei alguns segundos e escutei a voz de Cygnus.

– Entre.

Abri a porta e ele me olhou.

– Olá, meu amor. Podemos conversar? – perguntei amavelmente.

Cygnus estava muito vermelho. Ele concordou terminando de colocar a camisa. Tive um relance de sua tatuagem de serpente passeando por suas costelas.

– Claro...

– Harry falou com a gente.

Ele encolheu e concordou em silêncio se sentando na cama.

– Eu imaginei...

– Vamos abrir um pouco as janelas? – perguntei e ele corou novamente – Está um cheiro de adolescente suado aqui. – disse abrindo as janelas e as cortinas. Então me virei para ele e me sentei ao seu lado, não querendo pensar no que ele estivera fazendo com a filhinha de Harry naquela cama – Então. Conte-me o que aconteceu.

– Ele quer que eu lute pela causa dele. Mas eu não quero. Então ele disse que viria me buscar. Basicamente é isso.

– Quando ele te disse isso?

– Eu estava no Largo Grimmauld... Ele entrou na minha mente.

– O que estava fazendo lá?

– Eu gosto de lá. – murmurou Cygnus – Eu adoro aquela casa.

Sorri para ele. Dos meus três filhos, ele era o que mais se parecia comigo. Era um perfeito Black...

– Lá é realmente maravilhoso... – disse sorrindo – Não fique preocupado, Cygnus. Nós vamos proteger você. Ninguém vai vir te roubar de nós.

Ele deu um meio sorriso e me abraçou. Sorri acanhada, pois ele nunca era de abraçar as pessoas por iniciativa própria. Lílian Potter estava mudando meu menino...

– Obrigado, mãe.

– E Cygnus...

– O que?

– Nada de arrumar um filho antes do casamento... Harry ficaria muito chateado.

Ele me olhou horrorizado.

– Como você...?

– Ora, Cygnus. É tão óbvio. Está um cheiro de sexo aqui nesse quarto... Ou você estava traçando a sua irmã ou a Lílian. Eu espero que seja a Lílian!

Ele corou absurdos.

– Oh... constrangedor... desculpe...

– Não é como se você fosse o primeiro a trazer a namorada aqui para fazer esse tipo de coisa. Scorpius e Rose eram dois coelhos também. – disse sorrindo – Seu pai me contou que você queria se casar com ela...

– Ela me deu um fora. – murmurou ele.

– Bem... talvez fosse a hora de pedir de novo.

Ele deu um sorriso feliz pra mim.

– Ela é demais, não é?

– Qualquer garota que te faça sorrir assim, Cygnus, terá minha aprovação. – disse para ele. Ele sorriu de novo.

– Só você e ela me fazem sorrir assim.

O abracei apertado e ele me abraçou de volta.

– Bem... eu vou ajudar a Virgo. Você vai ficar bem?

– Vou. Não se preocupe. – disse ele.

– E quanto a Ana Paz?

– Quem? – perguntou ele – Ah! A Ana... bem... ela dançou. – riu Cygnus.

– Achei que estava apaixonado por ela. – disse sorrindo.

– Mãe... não me coloque em situações complicadas. – riu Cygnus.

– Ok, ok... Até mais tarde. Vá dormir um pouco.

– Certo. – murmurou ele pegando o frasco que eu tinha dado a ele mais cedo.

Então saí e o deixei descansar.

Harry Potter

Olhei Cygnus e senti um aperto no peito. Ele olhava para os lados, como se esperasse que apareceria alguém, do nada, para levá-lo embora. Toda hora ele parecia assustado, estava sempre torcendo as mãos, e notei que ele nunca ficava sozinho.

Virgo Greengrass e o marido estavam sempre com ele, alheios ao que poderia acontecer. Scorpius também estava sempre perto dele, assim como Remo e Albus. Os três olhando com desconfiança para os lados, sempre com a varinha a curto alcance.

Cygnus estava seguro. Nada aconteceria com ele.

Observei Lily chamá-lo para dançar, mas ele não quis. Só que Lily nunca aceitava um “não” como resposta e então, logo Cygnus dançava com ela. Sorri observando minha caçula. Ela era mesmo um anjinho... Queria ajudar Cygnus a relaxar e a curtir a festa...

Mas a cada minuto que passava, tanto eu quanto a maioria das pessoas, ficávamos mais e mais apreensivos.

Não duvidei por um segundo sequer quando Cygnus disse que o Sinistro queria recrutá-lo. Como não? Cygnus tinha um currículo impressionante e era um Black e um Malfoy... Qualquer líder da causa puro sangue iria desejá-lo, é claro. Era simplesmente óbvio.

Mas me assustava o quanto Cygnus estava assombrado, amedrontado, com a ideia de o Sinistro aparecer... Eu já vira Cygnus duelar... ele era absolutamente incrível... Lembrei de quando ele voltara no natal seguinte à morte de Dominique. Completamente intoxicado, envenenado de magia negra. Mais do que nunca desejei prender aquele desgraçado do Sinistro. Um covarde lunático que se escondia atrás de uma máscara...

– Acho que você vai ser o próximo. – riu Rony ao meu lado. O olhei confuso.

– O próximo? A que?

– A ter um Malfoy a mais na família. – riu ele apontando para Lily e Cygnus.

– Nada a ver, Rony. – disse com convicção – Eles são apenas amigos.

– Eu achava que Rose e Scorpius eram apenas amigos também... olha no que deu. Meu segundo neto está pra nascer.

– É diferente... – insisti – Eu já conversei com Lily e com Cygnus. Eles são apenas amigos.

– Acho melhor se preparar, Harry... para surpresas. – riu Rony. O olhei com um sorriso.

– Eu não me importaria se Lily e Cygnus namorassem.

– Não? Ele é doido. Scorpius tem a personalidade da Rose, mas aquele ali é um ovo podre.

– Não... eu discordo. – disse olhando Cygnus, que dançava com elegância com Lily – Eu amo aquele garoto...

– Sério?

– Muito sério. – respondi – Ele é apenas muito tímido, mas é um bom menino... Lily o admira muito.

– Sim. Fiquei sabendo que ela comprou todas as revistas em que ele era a capa.

– Ela sempre comprou todas as edições do Seminário, com ou sem Cygnus na capa. – respondi entre os dentes.

Rony deu de ombros.

– Como quiser, Harry. Mas depois não diga que ninguém te avisou.

– Scorpius é legal com Rose?

– Muito. – respondeu Rony a contra gosto – Digo... eu fico aliviado que ele seja... mas é chato ter que ouvir Hermione dizer que avisou sobre ele ser legal... – Rony soltou outro suspiro – Ele ganha bem como jogador profissional. Ele mima a Rose de todos os jeitos... É realmente um bom marido. Um pai dedicado... Ciça é apaixonada por ele... – Rony deixou escapar um sorriso – E ele me disse que vai assinar com os Chudley Cannons, na próxima temporada, aceitando receber menos que o usual, só para ajudar o time... Já faz anos que não temos um apanhador decente... Ele torce pras Harpias, mas não pode entrar no time, então...

– É... – murmurei aliviado por o assunto ter virado quadribol – James está indo bem também... Não tanto quanto Scorpius, como Malfoy gosta de me lembrar, mas está indo bem. Vai jogar num time Irlandês na próxima temporada.

– Ele vai jogar na liga Irlandesa? – perguntou Rony assombrado. Ele soltou um assovio – Bom pra ele. Não é pra qualquer um...

– Não. – concordei orgulhoso – E Albus conseguiu um emprego no Departamento de Comércio...

– Ele demorou pra começar a trabalhar, não?

– Sim. Ele quis curtir a vida um pouco... Eu não discuti. – olhei novamente para Lily, que dançava com Cygnus ainda – Mas Lily, que sempre disse que queria ser uma auror, parece ter desistido.

– Também... o namorado dela é um tremendo bruxo das trevas. – riu Rony.

– Oh, cale a boca. – ralhei – Ele não é um bruxo das trevas e eles não são namorados.

Rony ficou rindo de mim, escondendo a boca com as mãos.

– Pooootter!

Senti alguém pular em cima de mim, e fiquei completamente desconcertado ao ver que era Draco.

– O que você quer, Malfoy? – perguntou Rony, fechando a cara. Mas Draco passou o braço pelos ombros do ruivo também.

– Weasley... minha filhinha se casou... – lamentou ele, completamente bêbado – E foi com o filho do meu maior rival no amor... – murmurou ele com um sorriso embriagado – Mais ou menos que nem você se sentiu quando meu filho se casou com a sua Rose...

Rony ficou vermelho.

– Oh, cale a bo...

– Shhhhi! – chiou Draco – Eu não quero brigar... como você aceitou isso? Estou tentando ficar feliz, mas eu não consigo. – resmungou Draco – Quero dizer... Ele nem é um Greengrass de verdade. Como vou dormir tranquilo sabendo que minha filhinha se casou com o filho daquele idiota? – perguntou Draco, ainda com o braço nos ombros de Rony, falando completamente enrolado – Olhe só pra nós... Somos família... quem diria! Há! – ele deu uma risadinha – Quero dizer... a gente se odiava, vocês lembram?

– Por que usou tempo passado nesse verbo? – perguntou Rony.

– Oh, pare com esse drama. – riu Draco – Potter, você já viu a minha neta...? – ele olhou para Rony e sorriu novamente – Digo, NOSSA neta, não é Weasley? – Draco deu um sorriso satisfeito – Oh... ela é tão esperta. – riu ele – Parece até o Cygnus... Você já ouviu ela falando vovô? É a coisinha mais linda... não é, Weasley?

– O que colocaram na bebida dele? – perguntou Rony olhando para Draco com asco. Eu não conseguia parar de rir.

– Oh... E imagine como serão os nossos netos, Potter. – riu Draco – O romance está no ar... Meus dois filhos vão passar o resto da vida traçando as filhas de vocês dois... – ele deu um sorriso satisfeito – Estou tão feliz por ser eu.

– Cale a boca, Malfoy! – ralhamos eu e Rony.

– Oh, parem com isso. Somos amigos agora, não é? – riu Draco com desdém – Tipo, suuuuper amigos. – disse ele abraçando Rony – Você é até padrinho do meu filho... – riu ele ainda bêbado voltando-se para mim – E a sua filha! – disse ele se voltando para Rony novamente – Ela é maravilhosa. Você a criou bem, Weasley... ou talvez o crédito seja de Hermione... Ela é tudo de bom. Espero que a sua filha também seja, Potter.

– Sério! O que colocaram na bebida dele? – perguntou Rony – Como pretende dormir sabendo que o filho de Zabini vai traçar a sua filhinha inocente, Malfoy?

– Mais ou menos como você ficava quando eu dormia com a Rose na escola... – respondeu Draco – Temos que aceitar, não é? – perguntou Draco com um sorrisinho debochado. Rony fechou a cara, desconcertado.

– Você meio que pediu por essa, Rony. – disse sorrindo. Ele fechou ainda mais a cara.

– Eu odeio ele. – resmungou Rony, com Draco ainda pendurado em seu ombro.

– Weasley, posso te perguntar uma coisa? – perguntou Draco.

– Eu tenho escolha?

– Até onde você e Rose chegaram?

– Você não quer saber. – respondeu Rony com malícia. Draco soltou um suspiro.

– Ok, eu não quero mesmo. – resmungou ele.

Ficamos conversando por um bom tempo, até que foi ficando cada vez mais tarde. Passei o olhar pelos convidados e não encontrei Cygnus.

– Onde está o Cyg? – perguntei.

– Deve estar se atracando com alguém por ai. – respondeu Malfoy e eu fiquei feliz por ele não ter metido Lily naquela frase.

– Precisamos achá-lo. – disse com urgência.

Eu e Rony fomos procurar por Cygnus enquanto Malfoy nos seguia, ainda muito bêbado. Encontramos Cygnus no jardim dos pavões. Eu estava para ir dar uma bronca nele por ele ter sumido de vista, quando Draco me segurou.

– Não. – murmurou ele.

– Por que não? Ele tem que voltar. – eu disse sem paciência.

– Ali é o túmulo do filho dele. Deixe o Cygnus. – insistiu Draco, parecendo muito sóbrio – Vamos ficar observando de longe.

Concordei em silêncio e me afastei. Quando estávamos relativamente longe, notei que Rony não tinha vindo. Ele estava falando com Cygnus. Draco o olhou zangado e eu curioso. Rony deu uns tapinhas nas costas de Cygnus e então voltou para onde nós estávamos.

– Ele escreveu Dominique Malfoy no túmulo. – murmurou Rony. Ele soltou um suspiro – Ela era minha sobrinha...

Draco concordou em silêncio e não reclamou. Cygnus veio até nós e sorriu.

– Obrigado, por tudo... – murmurou ele – Estou exausto... vou tirar um cochilo lá no sofá, ok?

– Por que não vai pro seu quarto? – perguntou Rony.

– Não quero ficar sozinho. – respondeu Cygnus desviando o olhar e encolhendo os ombros.

– Chame Lily pra ir com você. – brincou Draco.

Cygnus o olhou zangado.

– Pare com essa infantilidade. Não é engraçado. – ralhou ele, mas Draco apenas riu achando graça.

Cygnus me olhou constrangido e então saiu para dentro da mansão.

Fiquei observando da janela, enquanto Cygnus se deitava no sofá. Logo Gina apareceu e começou a discutir sobre quadribol com Draco – os dois sempre tinham longas conversas sobre as táticas de jogo do time deles, as Harpias. Eu e Rony ficamos batendo papo e logo Hermione chegou com um sorrisinho divertido.

– O que foi, Mione?

– Draco, já viu quem está dançando com a sua esposa?

Olhamos e vimos Blair Zabini dançando com Rose alguma música lenta. Olhamos todos para ele. Todo mundo sabia que Draco era um ciumento neurótico. Ele ficou vermelho e estreitou os olhos. Ele provavelmente iria tirar satisfações quando Virgo chegou.

– Papai! Dance uma comigo. – exigiu ela.

– Agora não, querida.

– Como assim, agora não? – ralhou Virgo puxando Draco pela mão – Agora sim!

Draco soltou um muxoxo e foi com a filha.

– Draco foi completamente domesticado. – riu Mione.

– Filhas costumam fazer isso com os pais. – riu Gina. A olhei perguntando se ela me incluía naquela – Onde está Lily?

– Não sei... – murmurei – a última vez que eu a vi, ela estava dançando.

Procurei rapidamente por Lily, mas não a achei do lado de fora. Entrei na mansão e a encontrei com Remo. Os dois me lançaram um olhar culpado.

– Tio Harry. – riu Remo.

– O que estavam fazendo? – perguntei. Respirei fundo e olhei zangado para os dois – Narciso!

– Afe, tio... eu estava puxando mesmo, ok? Não conte pra minha mãe.

– Eu não estava, papai. – murmurou Lily – Eu estava mandando ele parar de fumar esse treco.

– Sim, estraga prazeres. – resmungou Remo.

– Pra fora, vocês dois. – ralhei.

– Estamos vigiando o Cygnus, Harry. – disse Remo.

– Louco de narciso? Não vai vigiar ninguém assim. Vai sair atacando a sombra de alguém, jurando que é o Sinistro.

– Seria divertido, mas não. – riu Remo – Eu não to chapadão, Harry. – ralhou Remo – E pare de tratar a gente que nem criança! – resmungou ele.

– Então pare de agir que nem criança e comece a agir com responsabilidade. Narciso derrete o cérebro!

– Meu pai fuma há anos e nunca aconteceu nada de ruim com ele.

Bem... Sirius não era realmente um exemplo de responsabilidade.

– Eu vou deixar vocês dois conversarem. – riu Lily.

Fiquei tentando colocar algum tipo de responsabilidade na cabeça de Remo, mas logo desisti. Aquele ali era cabeça dura igual ao pai...

Cygnus estava deitado no sofá, quando desisti de Remo. Lily cochilava na poltrona ao lado dele. Meu afilhado olhava para ela, achando graça de como ela dormia toda encolhida. Ele se levantou e a pegou no colo com cuidado. Ele me olhou e sorriu.

– Vou levá-la pro quarto. Virgo não deixou a Lily descansar essa semana.

– Eu imagino. – disse sorrindo.

Observei Cygnus levar Lily escadas a cima e senti uma pontadinha de ciúmes no meu peito. Repeti pra mim mesmo que eles eram apenas amigos. Todos estavam comentando... será que havia mesmo um romance e só eu não tinha notado?

Voltei para a festa e puxei Gina num canto.

– Lily e Cygnus estão... juntos? – perguntei.

Gina me olhou parecendo surpresa.

– Por que? Você viu os dois? – perguntou Gina.

– Não, mas... eles são próximos e todo mundo está fazendo piadinhas e comentários...

– Todo mundo quem?

– Bem... Rony e Draco. – Gina me olhou com um sorriso descrente – Tem razão... estou imaginando coisas.

– Bem, senhor, Potter... Quer me chamar pra dançar?

– Ah, Gina... sabe que eu sou um desastre dançando.

– Dançou comigo durante anos e eu nunca reclamei, não é?

Soltei um suspiro e concordei.

Me permiti relaxar um pouco. Dancei um pouco com Gina, bebi um pouco com Rose, Rony e Hermione, discuti um pouco com Draco... o de sempre.

Os convidados começavam a ir embora, desejando felicidades aos noivos.

– Onde está Cygnus? – perguntei para Rose.

Ela trocou um olhar com Draco.

– Acho que ele foi dormir. – respondeu Draco – Ele não estava se sentindo muito bem.

– Eu vou averiguar.

– Eu vou mandar Scorpius fazer isso. – disse Draco.

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– Eu vou averiguar. Eu estou comandando a segurança, Draco. É meu trabalho.

Draco olhou para Rose de novo e ela deu de ombros.

– Sua conta e risco, Harry. – disse ela.

– O que quer dizer com isso?

– Nada. – riu Draco – Eu vou com você.

Caminhamos em silêncio, rapidamente para o quarto de Cygnus. Draco bateu na porta e a abriu, mas apenas Lily dormia ali. Draco passeou os olhos pelo quarto e olhou pela suíte. Depois voltou e negou com a cabeça.

– Talvez esteja em outro quarto por ter deixado Lily aqui. – deduzi. Draco concordou em silêncio.

– Vamos olhar o antigo quarto do Scorpius.

Mas apenas a filha do Rony estava lá. Rose II, com a imensa barriga, já prestes a ter o segundo filho de Scorpius.

Eu e Draco saímos de fininho sem querer acordá-la.

A cada porta que abríamos, meu peito apertava mais um pouco.

– Cacete. Onde ele se meteu? – ralhou Draco. Cruzamos o corredor e fomos para o escritório de Draco, o cheio de retratos.

Cygnus estava lá, sentado no sofá.

– CYGNUS! Eu deixei claro que você não deveria sair de perto de mim! – ralhei.

– Algo está errado. – disse Draco correndo até o rapaz. Cygnus parecia estar em algum tipo de transe. Ele suava horrores, os olhos estavam completamente brancos, a respiração acelerada, descompassada. Draco sacou a varinha – Legilimens!

Observei, completamente chocado, Draco ser jogado para trás por uma força invisível. Ele pressionou a cabeça com as mãos e gritou.

– Draco! – corri até ele e ele me olhou arfando.

– Ajude Cygnus. – disse ele parecendo em pânico.

– O que houve?

– O Sinistro, está na mente dele. Eu vi. – disse Draco em pânico. Ele se levantou – Ele está vindo...

Ouvimos um estalo alto, como o de alguém quando aparata. Nos viramos e o vimos. Ele se virou para nós. Saquei a varinha esperando que o feitiço de alarme soasse, mas não aconteceu.

– Expelliarmus. – gritei apontando para ele, mas o feitiço o atravessou e acertou Cygnus atrás dele. A varinha de Cygnus voou para longe e eu olhei o Sinistro sem entender. Minha cicatriz ardeu com intensidade.

– Harry Potter... Em breve teremos nosso duelo final. – sussurrou ele. Mas a voz dele estava diferente. Lembrava terrivelmente a de Voldemort. Aquela voz silvada... – E eu não terei piedade de você.

– DEIXE O MEU FILHO EM PAZ! – rosnou Draco apontando a varinha – Estupefaça!

Mais uma vez o feitiço atravessou e foi Cygnus quem caiu no chão, estuporado.

– Lutar, é inútil. – sussurrou o Sinistro.

A varinha de Cygnus veio flutuando e o Sinistro a pegou. Ele nos deu as costas, e se abaixou ao lado de Cygnus. Draco se desesperou e se jogou contra ele. Suas mãos pareceram atravessá-lo.

Draco gritou mais uma vez, seus cabelos ficando de pé, houve uma explosão e tudo ficou escuro. Pisquei tentando voltar a enxergar. A luz voltou e apenas Draco estava ali, deitado no chão. Corri até ele e o sacudi.

– Draco! – murmurei. Foi quando notei que o loiro não respirava. Olhei para a parede e notei um quadro novo, que surgia – Não... Draco! – coloquei a orelha no peito dele. Sem batimento – Não, não, não... – Coloquei minhas mãos no peito dele e pressionei com ritmo – Vamos, Draco. Não faz isso, não faz isso. – continuei com a massagem cardíaca e então assoprei na boca dele – Vamos, Draco... cacete! – continuei a tentar ressuscitá-lo, quando Rose apareceu.

Minha irmã de consideração olhou de mim para ele e adquiriu aquele ar que ela sempre adquiria quando estava para salvar a vida de alguém. Ela sacou a varinha me empurrou com gentileza, começando a murmurar feitiços. Quase um minuto angustiante depois, Draco respirou fundo, começando a tossir. Rose o abraçou assustada.

– Draco... oh, Draco... não me assuste assim.

– Ele levou o Cygnus... – lamentou Draco abraçando Rose – Ele levou o nosso filho...

Me levantei sentindo o peso de fracassar.

– Harry vai achá-lo. – disse Rose com confiança. Uma confiança que nem mesmo eu sentia.

– Eu não consegui impedir... eu tentei... mas não consegui salvar o Cygnus... – lamentou Draco. O olhei sentindo-me ainda pior – Foi culpa minha... eu não consegui salvar o nosso filho... O Sinistro o levou... ele o levou, Rose...

Nunca tinha visto Malfoy falar daquele jeito e aquilo pareceu deixar tudo ainda pior.

Saí do escritório e me encostei na parede. Tirei a carteira do bolso e tirei uma foto de lá. Eu sentado, com Cygnus no meu colo, quando ele tinha uns cinco anos, num passeio que fizemos ao zoológico. Ele adorou os cisnes, mas Scorpius queria ver os animais perigosos. Cygnus ficou com vergonha de falar que queria alimentar os cisnes, então eu o levei, só nós dois, para jogar migalhas de pão para as aves. Ele ficou tão feliz naquele dia...

– Desculpe, Cyg... eu falhei com você. – murmurei para a foto do meu afilhado.

Eu amava aquele garoto...

[n.a. — Cygnus/Abraxas]

Notas finais
Pois é... O pesadelo começa de verdade agora! Terminei a semana com um capítulo imenso e os próximos capítulos serão ainda mais intensos... O capítulo sobre Azkaban está super pesado... Tem um mês que eu terminei essa fic, mas eu sempre edito mais uma parte, adicionando mais coisas... Ficou bem sombrio... Mas bem... é Azkaban... Não dá pra ser um mundo cor de rosa, certo? Acho que vou postar o próximo capítulo no Domingo. Mas só se tiver pelo menos uns 5 comentários =3 É isso! Comentem! Bjusss Ps.: na parte do Cygnus, a música é do Eminem (My Darling)