Cygnus - Fallen

11 Verão, Romances e 7 º Ano


Notas iniciais
Em comemoração à primeira recomendação da fic, eu vou postar mais um capítulo!!! Agradeço à Ferbiet pela linda recomendação!!!! Abraços!!! E #PartiuLer

Pascal veio passar uma semana na minha casa. Minha mãe se apaixonou por ele e ficou super contente por eu ter um amigo. Já meu pai ameaçou castrá-lo se ele olhasse duas vezes para minha irmã.

– Draco! – ralhou minha mãe, quando Pascal se encolheu constrangido.

– Não venha com esse tom pra cima de mim, Rose. Ele é um Zabini! – resmungou meu pai – Cygnus, mantenha seu amigo longe de Virgo!

Virgo sorriu para Pascal e eu sabia que isso seria impossível. Como previ, Virgo e Pascal passaram a semana inteira se mastigando.

– Ela é só um bebezinho, papai. – resmunguei com indiferença, apesar de estar gargalhando por dentro.

Mas era simplesmente estranho ver meu melhor amigo e minha irmã daquele jeito.

E claro que Rose também veio passar uns dias com a gente, para a alegria de Scorpius. Precisei pegar o costume de bater em qualquer porta pelos menos umas três vezes antes de entrar. Detestava flagrar meus irmãos em seus momentos íntimos.

Virgo era muito mais comportada, mas ela era minha irmãzinha.

E eu não queria ver meu irmão e Rose nus em cima de uma mesa novamente. Aqueles dois pareciam dois coelhos... Mas quem era eu pra julgar?

Naquele verão, eu confessei a Pascal que teríamos o Torneio Tribruxo no nosso sétimo ano, mas avisei que se ele contasse para Virgo eu iria dedurá-los para meu pai.

– Tenho muito mais medo de você do que dele, cara. – riu Pascal, mas ele não abriu o bico.

Quando estávamos sozinhos, conversando, ficávamos imaginando como seriam as provas. Resolvi perguntar ao meu pai.

– Potter está na organização. Pergunte a ele. – disse meu pai sorrindo para mim – Traga aquela troféu para casa, Cygnus.

Pascal foi embora e nós fomos visitar meu tio Harry no aniversário dele. Foi quando recebi a melhor notícia daquele verão. E não estou falando do meu distintivo de monitor chefe.

– Como assim ele foi reprovado? Dá pra fazer isso? – zombou meu pai. – Oh, que dia glorioso. O filho mais velho do grande Harry Potter reprovou de ano. Nem Crabbe e Goyle conseguiram essa façanha!

– Draco! – ralhou minha mãe.

– Ele quebrou todos os recordes. Vai entrar pro Hall da Fama! – adicionei. James me olhou furioso. Enquanto Scorpius ria tanto que lágrimas saíam dos olhos dele.

– Está louco pra levar mais um soco, não é, Malfoy? – perguntou ele.

– Pegue sua varinha e vem, seu fracassado de merda.

– Cygnus Régulus Malfoy! – ralhou minha mãe.

– Rose. Cygnus tem idade pra resolver seus próprios problemas. – disse meu pai – O que acha, Potter. Seu filho contra o meu?

E então meu padrinho socou meu pai no rosto. Meu pai partiu para cima dele e nenhum dos dois se incomodou em sacar as varinhas. Minha mãe e tia Gina separaram os eles e Lily ficou com raiva de mim por eu ter zombado do irmão dela.

Ah, sim. Ela estava gostooooooooosa demais. Eu passei o dia inteiro a devorando com os olhos e lhe dando sorrisos safados, mas ela estava com raiva e não me deu bola.

– Cygnus, você pode parar de olhar as pernas da minha irmã? – perguntou Albus quando estávamos jantando (sim, meu padrinho ouviu).

– Ela que coloque uma calça. – respondi sorrindo para ela.

– Idiota. – resmungou a ruiva.

Ela se levantou e subiu as escadas. Olhei para a família dela. Tia Gina e meu padrinho me olhavam com reprovação, James com uma fúria sem limites. Meu pai achava graça e minha mãe parecia prestes a puxar minha orelha.

Lily voltou cinco minutos depois, com uma calça muito folgada, um casaco que parecia ser do meu padrinho, tênis, prendeu os cabelos de maneira desgrenhada e então voltou a se sentar para jantar.

Mas ela continuava linda.

Claro, a ignorei por completo. Se ela queria ficar bancando a difícil, quem perdia era ela. Eu era muito convencido...

Depois do jantar, contei para meu padrinho que não conseguia mais fazer um patrono.

– Eu não sei o que aconteceu...

– Quando foi que você parou de conseguir? – perguntou ele interessado.

– Notei no natal. – respondi.

– Cygnus... Você está envolvido com Artes das Trevas? – perguntou ele.

– Não. – respondi tranquilamente.

– Uma vez eu perdi a habilidade de fazer meu patrono. Foi quando eu estava usando uma das Horcruxes de Voldemort... Se você não está metido com Artes das Trevas, então deve ser alguma trava psicológica.

Mas eu não consegui imaginar o que poderia ser.

– Meu pai me falou sobre o Torneio Tribruxo. – comentei – Você vai estar na organização?

– Sim. – respondeu ele – Você vai tentar entrar?

– É claro, Harry. – respondi me levantando – Espero ser selecionado. – caminhei até a estante dele e peguei um porta retratos que tinha ali. Era do casamento dele.

– Você e Lily...

– Ela me acha um babaca. – cortei de uma vez, devolvendo o retrato – E ela provavelmente tem razão.

– Sim. Provavelmente. – riu Harry. – Não implique com James... Ele está muito chateado por ter perdido o ano.

– Desculpe, Harry. Mas eu odeio James. – resmunguei.

– Eu odiava o seu pai, também... Ele era um nojento no colégio... Sua mãe era uma irmã pra mim e todas as vezes que eles brigavam eu tinha vontade de... – ele deu um soco na mesa.

– Padrinho... Você virou uma horcrux, não virou? – perguntei mudando de assunto – Como você fez para quebrar ela?

Harry me olhou curioso.

– Súbita mudança de assunto... Por que quer saber disso?

– Curiosidade. – respondi.

Harry se sentou mais confortavelmente em sua cadeira.

– Bem... eu deixei ele me matar. – respondeu Harry.

– Hum... Mas você está aqui.

– É. Eu sei. – riu Harry – Quando Voldemort lançou o feitiço contra mim, ele matou o pedaço da alma dele que havia em mim. Eu poderia ter morrido e atravessado para o outro lado, mas... Preferi voltar. Ainda tinha muito o que fazer. – ele se levantou e foi até o retrato de casamento dele – Eu precisava casar com Gina, ter meus filhos... – ele me olhou e sorriu – E tentar colocar um pouco de juízo nessa sua cabeça.

– Olha só quem está me julgando!

Hogwarts – ano 7

Eu sempre tentei controlar minhas emoções, sempre tentei manter minha máscara de indiferença – e na grande parte do tempo, eu sou muito bem sucedido.

Mas naquela viagem para Hogwarts, meu estômago parecia cheio de diabretes. Nossa mãe nos proibira de nos candidatar para o Torneio Tribruxo, mas tanto eu quanto Scorpius iríamos tentar.

– Você vai tentar também, Pascal? – perguntou Virgo de mãos dadas com ele.

– Não.

– Por que não? – perguntou ela, parecendo surpresa.

Pascal sorriu para ela.

– Olhe só para seus irmãos, Virgo... Que chance você acha que eu tenho?

Ela sorriu e concordou.

– Só Cygnus tem chances de vencer. – disse Virgo com autoridade.

– Sou muito mais corajoso que ele e eu não tenho medo de altura. – riu Scorpius. – Sem falar que sou mais bonito.

– Albus é muito inteligente, corajoso e habilidoso! – disse Lily. – E nenhum de vocês ganha de James em coragem, criatividade e habilidade de voo.

– Oh... Que medo do reprovado. – brincou Scorpius. Virgo e Pascal caíram na gargalhada. James desviou o olhar. Albus e Remo olharam com censura. Lily ficou furiosa.

– Cygnus. Você está bem? – perguntou Rose.

– Acho que é enxaqueca... – murmurei massageando a cabeça. Naqueles dias minha cabeça doía praticamente o tempo todo, mas às vezes eu tinha crises bem fortes.

Saí da cabine e fui para o corredor do trem. Fiquei observando a janela, olhando a paisagem passar. Vi meu reflexo pelo vidro, mas não havia nada de diferente...

Escutei a porta do vagão abrir e Lily saiu.

– Está tudo bem? – perguntou ela.

Fechei meus olhos e neguei com a cabeça.

– Minha cabeça... Não para de doer... – resmunguei – Vou para a cabine dos monitores.

– Quer companhia?

– Não. – respondi – Eu vou tirar um cochilo. Quero ficar quieto e em silêncio. – murmurei. Lily me olhou com preocupação, mas então deu de ombros.

– Ok. ‘Té mais. – murmurou ela voltando a entrar na cabine.

Fui para a cabine dos monitores um pouco chateado. Uma parte de mim queria que ela insistisse em cuidar de mim. Talvez ela só estivesse se cansando de correr atrás de mim.

Deitei na cabine e sonhei que era Abraxas. Já tinha mais de ano que ele não tentava me controlar. Eu finalmente tinha perdido o medo dele. Finalmente tinha aprendido a ignorá-lo.

Quando acordei, o trem já diminuía a velocidade. Como já estava de uniforme, apenas me sentei esperando o trem chegar na escola. Estava ansioso como nunca. Fiquei balançando os pés, torcendo as mãos. Eu queria tanto participar do Torneio. Seria meu maior momento de glória até ali, mas não somente isso...

Seria uma escada para algum tipo de fama internacional. Isso poderia ser de grande ajuda no futuro... Certamente.

Saímos do trem e eu guiei os alunos junto de Rose – ela era a monitora chefe. Virgo vinha atrás de mim orgulhosa de seu distintivo de monitora. Scorpius comentava com Pascal que iria fazer testes muito difíceis para o time de quadribol, já que ele era o capitão.

– Sem fracassados no meu time. – disse ele – Aquela taça vai ser nossa.

Pascal concordou sorridente e animado.

Chegamos no colégio e eu fiz todos sentarem, mas logo estava cercado de pessoas, que vinham me parabenizar por meu distintivo. Amanda me deu um demorado beijo no rosto e disse que sempre soube que eu iria conseguir.

Yasmin se sentou ao meu lado e segurou minha mão por debaixo da mesa. Olhei para ela sussurrei em seu ouvido que estava com saudades dela. Ela sorriu para mim e se arrepiou quando a beijei no pescoço. Trocamos um olhar demorado e eu estava convencido de que iria levá-la para cama. Mas quando olhei para a mesa da Grifinória...

Lily estava conversando com um garoto do sexto ano, mais ou menos como eu conversava com Yasmin.

E então ele deu um beijo nela. Um beijo de língua.

Desviei o olhar, furioso. McGonagall abriu o banquete e todos comeram até não poder mais. Depois ela falou do Torneio Tribruxo. Todos ficaram numa imensa empolgação e a maioria ficou indignada quando ela falou que precisaria ser maior de idade para participar – principalmente os idiotas da Grifinória, que se julgavam bons o suficiente, mesmo estando no terceiro ou quarto ano.

A professora lembrou que pessoas morriam naquele Torneio e então pediu um minuto de silêncio por Cedrico Diggory, que morreu na época em que meus pais estavam no colégio.

O Torneio acontecia de cinco em cinco anos, cada vez em uma das escolas. Daquela vez seria Hogwarts quem iria sediar o evento. A última vez fora Beauxbatons, mas foi Durmstrang quem ganhou o troféu. A diretora nos olhou desejando que esse ano o Troféu viesse para Hogwarts. Prometi a mim mesmo que viria.

Ela explicou então como seriam os testes para decidir quem seria o campeão da escola. No dia das bruxas nossos convidados chegariam para nos visitar. Haveriam três provas para decidir o campeão de cada uma, um baile de natal para abrir o torneio e a primeira prova aconteceria em meados de Janeiro.

A primeira prova para decidir quem seriam os campeões seria uma prova escrita. Sorri contente e Scorpius sorriu também. Isso eliminaria metade da Grifinória. A segunda prova seria um exercício básico para avaliar o talento mágico dos candidato. Não bastava ser inteligente. Era necessário ser habilidoso. Eu e Scorpius sorrimos de novo, afinal, nós dois éramos excelentes duelistas. Estava cogitando que meu maior rival seria meu irmão, mas nem mesmo ele poderia me sobrepujar.

Mas então a professora falou a terceira etapa.

Um teste físico.

O Torneio Tribruxo exigia um preparo físico excepcional e por isso os candidatos precisariam estar preparados fisicamente. Senti um frio na barriga. Eu era um terrível atleta.

– CYGNUS ESTÁ FORA! EU TENHO UMA CHANCE! – gritou Remo e a escola começou a gargalhar enquanto eu ficava mudo e amuado. Eu nunca passaria num exame físico. Eu era um garoto magricela e sem preparo algum.

Quando voltamos para o Salão Comunal, eu estava furioso. Mandei todo mundo pra cama e não deixei que ninguém fizesse festa ou jogos. Fiquei zangado, sentado no sofá e dispensei até Yasmin.

No dia seguinte, ainda muito cedo, Pascal me acordou.

– Quantas horas? – perguntei.

– Quatro e meia. Levanta. Vai se arrumar.

– Está maluco? Me arrumar pra que?

Pascal estava sem camisa. Ele era forte e musculoso. Tinha um corpo de dar inveja a qualquer um. Ele flexionou os braços e depois bateu na própria barriga tanquinho.

– Eu vou treinar você. Vamos. Levanta.

– Me treinar?

– Quer ser o campeão de Hogwarts ou não quer? – perguntou ele.

Dei um sorriso genuíno para ele e me levantei. Me arrumei achando que Pascal era o cara mais legal do mundo, mas quando voltamos para o café da manhã eu o odiava profundamente.

Ele era extremamente irritante e me obrigava a fazer exercícios que eu simplesmente não conseguia. Ele até me botou para nadar no lago!

Eu acordava desanimado todos os dias, mas Pascal não me deixava desistir. No final de Setembro, Scorpius começou a treinar comigo também, mas isso só me desanimou, pois eu vi que estava muito atrás dele.

Os treinos começaram a ser de manhã cedo e depois do jantar. A professora Turner nos deu permissão para treinar a noite no campo de quadribol e eu finalmente comecei a ver resultado.

No dia das bruxas eu me olhei no espelho e notei que tinha músculos – nada comparado a Pascal ou Scorpius, mas ainda assim fiquei muito feliz.

Os alunos da Beauxbatons vieram numa carruagem gigante e os da Durmstrang chegaram pelo lago, num navio. A maior parte da Durmstrang veio se sentar na nossa mesa e eu não deixei de reparar numa garota esquisita que tinha um moicano colorido. E ela tinha uma namorada, que era simplesmente linda.

A Beauxbatons tinha apenas um aluno homem. Todos os outros candidatos eram mulheres e a maioria era muito bonita.

– Como está o seu francês, meu último amigo solteiro? – perguntou Remo se aproximando de mim (Albus namorava uma menina da Corvinal do sexto ano).

– Eu posso pedir pra algumas delas me ajudar com o francês.

– Ótimo. – riu ele socando meu punho de leve.

Os treinos começaram a ficar cada vez mais puxados. Remo e Albus agora treinavam com a gente e as garotas vinham para assistir o quão medíocre eu era perto dos outros. Mas eu estava muito melhor do que quando comecei. Éramos a Comitiva Sonserina. E a maioria das garotas soltava suspiros quando tirávamos as camisas para nos exercitar.

Em novembro eu gabaritei o teste escrito. Depois destruí no teste prático. Os diretores das outras escolas me olharam assombrados enquanto McGonagall me olhava com profundo orgulho e um sorriso de satisfação parecido com o que ela dava a James depois de todos os jogos da Grifinória.

Em dezembro, precisei comprar uniformes novos, pois os meus estavam apertados. As minhas colegas falavam que eu estava lindo. Eu acredito nelas. O garoto magricela tinha desaparecido e eu era um homem agora. Deixei até a barba crescer de leve, cobrindo todo o meu maxilar. Meus cabelos estavam começando a ficar compridos, enquanto os de Scorpius e Remo chegavam na metade das costas. Era meio que moda, ficar com os cabelos compridos.

E quando o dia do exame físico chegou, fiquei feliz em constatar que eu estava mais forte que Albus, pelo menos.

Não vou falar que meu desempenho foi brilhante, mas não foi um completo fiasco também. Scorpius, Remo e James foram muito melhores do que eu, mas eu não fui tão mal e tirei uma boa nota.

No dia dez de Dezembro apenas dez nomes estavam aptos a serem campeões de Hogwarts. Meu nome entre eles e fiquei surpreso ao ver que o de James também. Nos olhamos com rivalidade e eu me perguntei como seria feito agora.

A professora pediu que escrevêssemos nossos nomes num pedaço de pergaminho e colocássemos no Cálice de Fogo. Mas ela avisou que tivéssemos certeza de que queríamos mesmo participar, pois uma vez selecionado, o campeão não poderia voltar atrás.

Coloquei meu nome no Cálice, assim como Remo e Scorpius, os outros candidatos da Sonserina. James, Rose e mais um candidato da Grifinória nos imitaram. Dois alunos da Corvinal e dois da Lufa-Lufa.

No dia seguinte o cálice selecionou a garota de moicano da Durmstrang, o único garoto da Beauxbatons...

Quando ele foi escolher o nome do Campeão de Hogwarts, senti que poderia vomitar de ansiedade, apesar de estar com minha máscara de indiferença. O Cálice de Fogo cuspiu um pergaminho e a McGonagall leu o nome com um sorriso satisfeito no rosto.

– Cygnus Malfoy. – sorri satisfeito, mas Scorpius gritou de alegria ao meu lado.

– É O MEU IRMÃO! EU SABIA! EU SABIA! – nunca teria imaginado que ele ficaria tão feliz por mim... a vida é uma caixinha de surpresas, não?

Scorpius e Pascal me colocaram nos ombros enquanto a mesa da Sonserina gritava meu nome. Levantei os braços, animado e os outros dois campeões me olharam com um sorriso desafiador.

Agora eu tinha um problema em mente. Eu precisava arrumar alguém para ir no baile comigo, já que eu teria que abrir a festa por ser um dos campeões. Mas só tinha uma garota com quem eu realmente queria ir. Só que ela não estava falando comigo.

– Lily. Qualé. Não pode ficar com raiva de mim pra sempre! – resmunguei muito próximo do natal e consequentemente do baile.

– Por que não chama as sirigaitas que ficam te seguindo pela escola inteira? – perguntou ela me olhando feio.

– Porque eu quero ir com você e não com elas. – respondi com simplicidade. Ela deu um sorrisinho desdenhoso do qual eu não gostei nem um pouco.

– Sinto muito por você, mas eu não vou ser seu par. – ela sacudiu os cabelos – Eu vou com o campeão da Beauxbatons. – adicionou ela com um sorriso triunfante.

– Você não estava com aquele garoto da Grifinória? – perguntei franzindo a testa, tendo absoluta certeza de que mataria o campeão da Beauxbatons se tivesse chance.

– Quem? O Maison? – ela perguntou, mas depois sorriu – Não... A gente terminou tem tempo. – ela me deu as costas – Agora com sua licença.

A observei se afastar. Tinha levado o fora da minha vida.

– Você precisa arrumar um par, Cyg. O que está esperando? – perguntou Scorpius dias depois.

– Eu não quero ir pra esse baile idiota. – resmunguei.

– Mas você precisa ir. É o campeão de Hogwarts! – disse Pascal.

Mas se Lily não queria ir comigo...

No dia seguinte, no jantar, quando os fantasmas apareceram flutuando sobre nossas cabeças, notei que os convidados olhavam fascinados.

– Não tem fantasmas na Durmstrang? – perguntei para a namorada da campeã da Durmstrang.

– Não.

– Não tem fantasmas na Beauxbatons? – perguntei para uma aluna francesa, enquanto voltava a me vestir ao lado dela, no banheiro dos monitores, algumas horas depois.

– Não... Serr uma pena. Son ton bonitos. – respondeu ela.

Então voltei a subir a torre da Corvinal. Conjurei uma harpa e a encantei para tocar. Logo Helena apareceu e me olhou sem saber como me chamar.

Sorri para ela e fiz uma mesura.

– Olá, Helena.

– Quanto tempo... – murmurou ela me olhando com receio.

– Tempo demais. – concordei.

– O que quer?

– Te pedir um favor. – respondi sorrindo. Ela fez uma cara de desaprovação.

– Desaparece por meses e agora vem me pedir um favor?

– Sim. – respondi ainda sorrindo. Tinha até me esquecido o quanto ela era bonita – Você quer ser meu par no baile?

Ela ficou opaca.

– Cygnus. Eu estou morta.

– E daí? Eu preciso abrir o baile, dançando com alguém. Ninguém melhor que minha professora de dança, não é? – perguntei.

– Não posso te tocar, Cygnus. Como vamos dançar?

Mas ela sorria. Me aproximei dela e coloquei o braço ao redor de sua cintura. Levantei a outra mão e ela colocou a dela ao lado da minha. A olhei nos olhos e então dançamos juntos. Nos primeiros segundos meus braços ficaram gelados sempre que ela me tocava, mas depois de alguns minutos conseguimos nos ajustar.

– Dança comigo, Helena? – sussurrei para ela.

Ela me olhou confusa.

– Mas...

– Vamos ser Helena Ravenclaw e Abraxas Slytherin mais uma vez. – murmurei. Ela me olhou surpresa. Fechei os olhos e me aproximei dela.

Quando os lábios gelados e imateriais dela tocaram os meus, tudo ficou estranho. Quando abri meus olhos estava naquela cabana, e ela estava viva na minha frente. Mas não durou. Assim que ela se afastou, voltei a Hogwarts e ela estava chocada.

– Desculpe-me. Desculpe-me. – pediu ela.

Sorri para ela.

– Foi culpa minha... não resisti.

– Oh, Cyg... Eu estou morta. Não posso fazer isso.

– Só uma dança. Só uma. – pedi. – Estarei te esperando lá. Se não vier me ajudar, vou fazer papel de idiota.

– Mas... Cyg...

E então eu sorri e fui embora. Tinha certeza de que ela viria.

Todos queriam saber quem era o meu par, mas eu fiz segredo. Queria que fosse algo que chocasse a todos. No dia do baile me arrumei e deixei apenas o cavanhaque no meu rosto. Gostei de como ficou. Estava ainda mais parecido com Abraxas. Descemos para o salão e as perguntas continuaram.

– Com quem ele está?

– Quem é o par dele?

– Acho que é a Lyssandra, da Corvinal.

– Não... É Potter, da Grifinória. Eu vi os dois juntos.

– Mas ela não vai com o cara da Beauxbatons?

– Eu queria que o Cygnus fosse comigo...

Caminhei pelo salão e nos sentamos para o banquete. Eu ainda sozinho, mas muito tranquilo. Comi como se não houvesse nada de estranho e fiquei conversando com Nymeria (a campeã da Durmstrang) e Ariana, sua namorada. Ambas eram muito divertidas. No final do banquete a diretora McGonagall veio me puxar num canto.

– Onde está o seu par, Cygnus? Vocês precisam abrir a dança.

– Ela já deve estar chegando. – garanti.

A diretora me olhou preocupada, com medo que eu envergonhasse a escola. Mas eu sorri marotamente. Quando nos chamaram para começar a dança, fui sozinho para o salão. Todos olhavam para mim confusos, incluindo Lily, que parecia preocupada. O par dela, no entanto, me olhava com profundo deboche.

– Campeões. Peguem seus pares. – disse alguém.

Foi quando a vi. Ela veio flutuando elegantemente na minha geração. O salão estava em profundo silêncio. A música começou a tocar e Helena parou na minha frente.

– Comecei a me preocupar. – murmurei sorrindo. Mas era mentira.

– Eu não iria te deixar passar essa vergonha. – sorriu ela.

E então eu dancei com o fantasma da Corvinal. Deu tudo certo e todos aplaudiram a minha excentricidade, principalmente os alunos da Corvinal, que sabiam o quanto Helena era solitária e introvertida. A ideia era dançar apenas uma música, mas aquilo me era tão nostálgico que dançamos todas as músicas lentas que tocaram.

Quando as músicas mais agitadas e atuais começaram a tocar, fiz uma mesura para ela, agradecendo e então lhe ofereci meu braço. Ela fingiu abraçá-lo e saímos do salão. Eu tremia de frio e meus braços estavam doendo horrores, mas nem liguei. Me despedi dela nas escadas e então fui para as masmorras completamente satisfeito.

Mas não para o Salão Comunal. Eu fui para o escritório de Slytherin. Desci as escadas e então me sentei no pequeno sofá. Conversei um pouco com o quadro de Helena e então olhei o armário que levava para a loja do tio Damian.

Estava para ir para lá, beber alguma coisa quente, quando escutei passos. Me levantei sacando a varinha e olhei na direção das escadas.

Mas era apenas Lily. Ela olhou para mim, surpresa.

– Que lugar é esse? – perguntou ela.

A olhei completamente perplexo.

– Como entrou aqui?

– Eu te segui.

– Mas como moveu a mesa?

– Sou ofidioglota, lembra? – perguntou ela – É como abrir a Câmara Secreta. Aliais... você não cumpriu com a sua palavra.

A devorei com os olhos. Ela estava linda demais naquele vestido preto de festa.

– Eu me esqueci... você não me lembrou...

– É aquele o espelho? – perguntou ela indo na direção dele.

– Sim. Não chegue muito perto.

Mas ela me ignorou e analisou o espelho com os olhos.

– Ele está repleto de magia negra... Você vem muito aqui?

Eu a olhei e concordei, voltando a me sentar no sofá.

– Sim. É um lugar onde eu posso ficar sozinho. – murmurei.

– Não tão sozinho. – ela respondeu apontando para o quadro de Helena.

Helena olhou para mim.

– Quem é esse garota, Abraxas?

– Ele não é... – começou Lily.

– É a garota do Cygnus. – respondi tranquilamente.

– A que ele gostava? – perguntou ela. Ela tinha entrado na minha brincadeira.

– Sim. – respondi com indiferença. Mas estava rindo por dentro. Lily me olhou assustada.

– Pare com isso. Não tem graça. – ralhou Lily.

A olhei novamente.

– Pra onde acha que eu fui quando eu deixei o espelho? Cygnus te contou, não contou? – perguntei me passando por Abraxas.

– Não tem graça, Cyg! – ralhou Lily.

Eu sorri para ela.

– Não consegui te enganar mesmo?

– Eu conheço você, seu idiota. Eu sei quando é você. – mas Lily sorriu – Então você gosta de mim, é? – perguntou ela.

– Ele ama você. – respondeu Helena.

– Amar? – perguntei com uma careta – Amar é muito forte. Eu gosto dela. – olhei para Lily de novo – Mas gosto muito. – sorri para a ruiva – Vem cá, vem, Lily.

Lílian Potter me encarou longamente.

– Vem comigo para a câmara secreta. – pediu ela.

– Lily. Eu já disse. Não tem mais nada ali... Eu estou livre dele.

– Não está. – insistiu ela. – Por favor... vem comigo.

Suspirei e concordei. Me levantei e fui com ela para fora do escritório. Estávamos chegando na escada que levava para o segundo andar, quando o campeão da Beauxbatons chegou.

– Lílian. Por onde andou? – perguntou ele com um inglês perfeito.

– Ah... Oi, Philipe. – riu ela – Eu só...

– Pode ir. – murmurei para ela. – Vamos outro dia. Vai curtir o baile.

Sorri para Lily e apertei a bochecha dela.

– Mas... Cyg...

– Eu não vou fugir, Lily.

Ela suspirou parecendo enfrentar um dilema. Eu facilitei para ela e me virei para ir no salão comunal.

Mas no dia seguinte eu fugi para casa, para passar o recesso de Natal.

Minha mãe estava furiosa, é claro.

“Eu disse que não queria vocês nesse torneio! Bruxos melhores do que vocês já morreram nele!” rosnou minha mãe.

“Cite três.” Riu meu pai com deboche “Não vai falar que Cedrico era melhor que Cygnus, porque ele não era.” Disse ele.

“Isso não vem ao caso. Não tem como ele desistir, Harry?”

“Não. Uma vez escolhido ele precisa participar.” Respondeu meu padrinho que tinha passado para deixar um presente pra mim e pra minha mãe.

Olhei minha mãe se sentar com algo parecido com pânico.

“Estou com um péssimo pressentimento quanto a isso.” Resmungou ela.

Na hora eu tive certeza que era apenas uma mãe se preocupando com o filho e não dei bola... Mas sabem de uma coisa? Se você tiver uma mãe, que descende de uma família de videntes famosos e ela tiver um pressentimento ruim quanto a alguma coisa que você for fazer... Vai por mim... Não faça.

Notas finais
Espero que gostem!! Cygnus ficando delicinha! Hehehehehe Preparem o coração pro Torneio Tribruxo! E até sexta =D beijosss E mais uma vez, obrigada pela recomendação! =D