Cygnus - Fallen

12 Sentimentos, Primeira Etapa, Devaneios


Sentimentos

Assim que voltamos para Hogwarts, depois do recesso, precisei participar da cerimônia de pesagem das varinhas.

Alexandra Olivaras (neta do Olivaras que vendeu as varinhas de meus pais, padrinho, etc) avaliou nossas varinhas e eu dei minha primeira entrevista a uma repórter do Profeta Diário e depois por uma do Semanário das Bruxas.

– Você é um rapaz tão bonito. Queremos que esteja na capa da nossa edição do dia dos namorados! – explicou ela.

– É só daqui um mês. – respondi completamente envergonhado.

– Aaah. Mas é que queremos fazer uma super edição. Toda bruxa adolescente vai torcer por você e nós queremos fazer você ser ainda mais popular e é claro, lucrar com isso.

Era completamente embaraçoso.

– Você vai pousar para uma revista feminina? – perguntou Pascal enquanto Remo, Scorpius e Albus caiam na gargalhada.

– Eu NÃO vou fazer isso! – respondi completamente envergonhado.

– Está brincando, né? É claro que vai! – ralhou Virgo – Sem falar que... Lily é fã do Semanário das Bruxas. – riu Virgo. A olhei zangado.

– Não dou a mínima para o que Potter gosta. – resmunguei.

– Maninho. Todos nós sabemos que os irmãos Malfoy têm uma quedinha por ruivas. Não tente disfarçar. – bufei ainda assim decidido a não fazer aquilo. – Qualé, Cygnus. Você finalmente tem uma barriga tanquinho! Precisa imortalizar o momento.

– James vai se roer de raiva ao ver a irmã dele comprando uma revista com você na capa. HÁ! – riu Scorpius.

E aquele era o argumento certo pra me convencer.

Foi terrivelmente constrangedor assim mesmo. Tive que tirar fotos sem camisa, outras fingindo abrir as calças... Era sexualmente apelativo ao extremo. A bruxa me fez até furar a orelha para ajudar no meu look de bad boy. Mas disso eu vou admitir que eu gostei..

Além das fotos tive que responder um monte de perguntas ridículas como: qual sua cor favorita? Como é a garota ideal. Eu pretendia me casar? Como era ser um gênio, milionário, playboy?

– E alguma garota conquistou seu coração? Existe alguém especial, Cygnus?

– Existe uma garota especial. Mas não vou falar o nome dela, porque sou muito tímido. – respondi pensando no meu imenso fã clube. – Mas eu sei que ela sabe que é ela.

– Você acha que poderá trazer a taça para Hogwarts?

– Eu espero estar a altura do desafio. Mas garanto que estou praticando muito.

– Você quer mandar um recado para sua garota especial? Você acha que ela compraria o Semanário das Bruxas?

Pensei a respeito. Precisava ser algo bem generalizado.

– Eu espero que ela compre, é claro... – respondi para fazer a bruxa sorrir – Um recado para a minha garota especial? Hum... Que torça por mim, é claro. – respondi.

E depois disso eu transei com a repórter... Nem liguei por ela ter quase trinta anos. Foi uma experiência muito interessante, aliais. Eu era muito bom em levar os outros na lábia.

O Torneio teria quatro etapas. Cada escola proporia um desafio e a última etapa seria um mistério. Por Hogwarts estar sediando o evento, seria a primeira a propor o desafio. Eu não fazia a menor ideia do que seria, mas estava confiante de que me sairia bem.

Na primeira semana de Janeiro, escapei para o escritório e encontrei uma coisa muito interessante em cima da escrivaninha. Uma caixa de presente. Olhei o cartão e vi que era de Lily.

– Já que você fugiu, eu fui sozinha para a Câmara. Largue de ser covarde e destrua esse espelho. Assinado, Lílian Potter. – li sentindo-me desonrado... Eu tinha dado minha palavra como bruxo... Mas não cumpri.

Abri a caixa e encontrei um dente enorme ali. Do tamanho da minha mão. Suspirei segurando a presa e olhei para o espelho. Avancei com aquele dente nas mãos e me preparei para apunhalar aquilo, mas Helena gritou.

– Não faça isso! – disse ela alarmada – Se você atacar seu reflexo, irá morrer. Abraxas não queria que ninguém quebrasse isso... Por isso colocou numa parede de maneira que pudesse refletir toda a sala...

– Preciso tirar ele daqui para quebrá-lo?

– Está preso com um feitiço permanente... Não pode quebrar. – explicou ela.

Suspirei e coloquei o dente de volta na caixa. Depois saí e fui para o salão comunal da Grifinória. Se acordo com as regras, apesar de saber todas as senhas, eu não poderia entrar no salão, então precisei esperar que alguém aparecesse. Uma garotinha do primeiro ano chegou e eu pedi para que ela chamasse Lily para mim e dissesse que era urgente.

Lily apareceu minutos depois, me olhando com curiosidade.

– Não posso quebrar o espelho. – disse para ela. Ela sorriu com desdém.

– Por que não?

– Ele está amaldiçoado. – expliquei – Se atacarem o próprio reflexo, o dano é refletido. Se eu usar o dente do basilisco no espelho, ele vai furar a minha mão e eu morreria envenenado...

Lily colocou as mãos nos quadris.

– Oras! É só levar um antídoto.

– E se tiver mais algum efeito colateral? – eu perguntei – E se ele absorver minha alma? Aquilo está recheado de magia negra. Você mesmo disse. – suspirei – Vou esconder o espelho. Colocar um armário na frente dele e então ninguém mais vai olhar pra ele. Pode ser?

Lily me olhou com censura.

– Como quiser, Malfoy. – respondeu ela.

Virei o rosto, incomodado por ela me chamar pelo segundo nome.

– Desculpe por sempre desapontá-la, Potter. Não vou fazer você desperdiçar mais o seu tempo. – murmurei. Quis soar zangado, mas receio que não consegui. Soei quase triste.

– Não desculpo. Você é egoísta e mentiroso. Não tem palavra. Não é confiável. E obrigada por não querer mais desperdiçar o meu tempo. Foram pelo menos uns seis anos da minha vida jogados fora por sua causa.

– Do que está falando? – perguntei sem entender. Ela parecia furiosa.

– Você sabe muito bem, Malfoy. Agora some daqui. Não quero olhar pra você. Seu covarde.

– Covarde? Por que está me chamando de covarde?

– Porque você fugiu! Tem um ano que eu espero você vir comigo se livrar dessa coisa que está controlando você. Mas já que gosta mais dela do que de mim, eu não vou me dar mais ao trabalho de me preocupar. Pegue a sua namorada morta e brinquem mais de magia negra. Espero que morra, Malfoy.

– Talvez te faça esse favor, Potter. – murmurei magoado.

Me virei e notei havia um grupinho de alunos da Grifinória assistindo e rindo de mim. Bufei zangado e fui embora. Subi as escadas para a Torre da Corvinal e fiquei lá, sem entender o porquê de estar me sentindo magoado daquele jeito. Eu me importava tanto com ela assim? Fiquei sozinho tentando conjurar o meu patrono, mas não consegui. Só fiquei ainda mais frustrado.

Voltei para as masmorras, querendo entrar no salão comunal. Mas Lily estava ali. Sentada, olhando para a entrada secreta do salão. Albus estava com ela e eles conversavam. Dei meia volta e quis ir para o escritório, mas ela me encontraria lá também. Naquele momento eu só queria um lugar para me esconder.

Fui então para a torre de astronomia e fiquei lá. Deitei no chão, olhando para o céu estrelado. Estava um frio do cacete, mas não liguei. Ela não gostava mais de mim. Era simples assim. Queria não me sentir mal com aquilo, mas não consegui. Não entendia o que eu tinha feito de errado daquela vez.

Escutei a porta se abrir e me sentei. Mas não tinha ninguém. Imaginei que tivesse sido o vento e estava para voltar a me deitar quando Lily apareceu. Ela usava algum tipo de capa de invisibilidade.

– Cyg... – começou ela.

– Agora é Cyg? – perguntei chateado – O que você quer, Potter? Eu estou ocupado.

– Fazendo o que? – perguntou ela com um sorriso debochado. Ela estava rindo de mim do mesmo jeito que Virgo fazia com Pascal antes deles começarem a sair juntos.

Mas eu não era Pascal.

– Prometendo a mim mesmo nunca mais me apaixonar de novo. – respondi me levantando. Pretendia sair dali, mas ela me segurou.

– Do que está falando? Está apaixonado por mim, por um acaso? – perguntou ela parecendo feliz e cheia de expectativa.

A olhei furioso e envergonhado. Então a empurrei com força derrubando-a no chão.

– Não fale comigo. Nunca mais. Nunca mais, ouviu? – perguntei furioso. – Sabe que eu não confio nas pessoas. Sabe que eu nunca deixo ninguém entrar. – disse colocando a mão no peito – Mas eu deixei você... Eu pensei que... – chutei um telescópio, completamente frustrado – Eu pensei em nós dois, mas você sempre brinca comigo, não é? Acha divertido, não é?

– Eu brinco com você? Você quem sempre faz pouco de mim!

– Eu faço pouco de você? – perguntei zangado. Sacudi a cabeça e então chutei outro telescópio. Estava tão zangado que quis chorar. Mas eu não me permitiria isso. Apenas saí de lá.

Quis sair correndo. Quis fugir dela. Mas ela me alcançou.

– Cyg, espera. Vamos conversar. – pediu ela.

– Não. Me deixe em paz. – rosnei pra ela.

– Não. Por favor, Cyg. Vamos conversar.

– É Malfoy pra você, Lílian Potter. – rosnei e a empurrei de novo, mas não tão forte a ponto de derrubá-la.

Ela segurou a minha capa e me abraçou.

– Por favor, Cyg. Por favor. – e então notei que ela estava chorando.

Mas isso só me deixou mais zangado.

– Me larga. ME LARGA! – rosnei.

– NÃO!

Segurei as mãos dela com força e a obriguei a me soltar. Ela veio para cima novamente e eu apontei a varinha.

– ME DEIXE EM PAZ! – gritei.

Ela escondeu o rosto com as mãos e começou a chorar.

– Me desculpe, Cyg!

– Não. Eu não desculpo! – respondi. Uma parte de mim quis gritar com ela, outra queria correr para longe – Vá embora!

Me virei e saí, vendo que um monte de gente assistia, completamente chocado. Abaixei o rosto e saí correndo. Estava completamente envergonhado e magoado. Corri para o salão comunal e entrei de uma vez.

Albus estava lá.

– Lily te achou?

– VÁ PRO INFERNO COM ESSA SUA IRMÃ. – gritei chateado e corri para as escadas dos dormitórios.

– É... Ela achou. – murmurou Scorpius.

Eu estava tão zangado. Segurei minha varinha e notei que ela soltava faíscas. A joguei em cima da cama e chutei algumas vezes o meu malão. Não conseguia entender o porquê daquilo. Estava tão furioso. Tão zangado...

Rolei na cama a noite toda, sem conseguir pregar o olho. No dia seguinte não estava com fome.

– Cyg... você precisa comer. – murmurou Virgo – Não pode ficar assim. A primeira etapa é daqui a alguns dias.

Eu não respondi. Não queria nem mesmo conversar. Na aula de duelos, eu estava tão furioso que acabei machucando duas pessoas e perdi pontos para a Sonserina.

– Só não te dou uma detenção porque acredito que está apenas nervoso com a aproximação da primeira etapa. – disse Madame Turner.

Mas eu não estava nervoso com aquilo. Eu estava simplesmente furioso. Furioso comigo mesmo.

Na hora do almoço ainda não conseguia comer. Nem no jantar e nem no dia seguinte.

– Por favor, Cygnus. Come alguma coisa. Qualquer coisa. Por mim. – choramingou Virgo.

Eu começava a sentir-me fraco, mas a fome simplesmente não vinha.

– Meu deus. O que foi que Lily falou pra você? – perguntou Albus.

– Cygnus. Se você não comer, eu vou acabar com a raça dela, ouviu? – ameaçou Virgo.

Me levantei de uma vez, mas a falta de comida me deixou tonto.

Então escutei a voz de Abraxas na minha mente. Ele pediu para que eu o deixasse sair.

– Foi Lílian Potter quem deixou o Cyg desse jeito? – perguntou Amanda.

– Foi. – respondeu Virgo – Ela partiu o coração do meu irmão em milhares de pedacinhos bem pequenos e depois pisou nos caquinhos. Ele está completamente deprimido. Não quer nem comer. – ela falava como se estivesse absurdamente triste. Mas eu sabia exatamente o que ela estava fazendo.

Eu me obriguei a comer um pouco, com medo de Abraxas. Ele nunca mais tinha aparecido. Não poderia deixá-lo assumir a minha mente.

Mas no dia seguinte a retaliação começou. Lily virou a inimiga número um da Sonserina. Toda hora alguém tentava azará-la, toda hora ela era enviada para a Ala Hospitalar. Não podia mais andar sozinha pra lugar nenhum.

– Mande essas suas fãs malucas deixarem a minha irmã em paz. – disse Albus.

Eu concordei e pedi.

– Não machuque Potter... Foi uma lição dura, mas eu precisava dela. – eu disse ensaiadamente para as garotas que estavam com raiva dela – Mas agora eu sou livre para deixá-la pra trás...

Eu poderia ter traçado várias garotas com isso, mas eu não quis. Beijei algumas e só. Eu estava sem ânimo. Meu desempenho em duelos até diminuiu. Mas eu não queria ver ninguém. Não queria falar com ninguém. Sempre ia para o dormitório querendo ficar sozinho, fingindo que estava com muita dor de cabeça. Algumas vezes fugia para a Ala Hospitalar onde o Sr. Fungus não deixava ninguém vir me incomodar.

Primeira etapa

No dia quinze de Janeiro, a professora Turner me levou com uma chave portal para uma floresta. A primeira etapa era encontrar o castelo, atravessando a Floresta Proibida. Quanto menos tempo e quanto menos ferido estivesse o campeão, mais pontos ele ganharia.

Eu deveria esperar o rojão explodir três vezes para entrar.

– Você está bem, Cygnus? – perguntou ela. Madame Turner era minha professora favorita e eu era o aluno favorito dela.

– Não. – respondi pra ela.

– Essa fofoca de que você está apaixonado por Lílian Potter e que ela partiu seu coração tem fundamento? – Me reservei ao direito de permanecer calado. A professora apertou minhas bochechas. Ela já estava quase um palmo mais baixa que eu – Esqueça seus problemas pessoais agora e se concentre, ok? Essa floresta é perigosa. – ela olhou para a orla da floresta – Seja lá o que está te perturbando, deixe para trás, ok?

– Ok. – murmurei.

Esperei mais cinco minutos até o primeiro rojão explodir. Saquei minha varinha e mirei a floresta. O segundo rojão explodiu.

– Boa sorte, Cygnus.

O terceiro explodiu e eu corri para a orla. O primeiro desafio foi que logo ficou bem escuro. Achei que correr seria muito descuido da minha parte. Caminhei pela floresta me perguntando o que teria ali. Já tinha escutado que existiam até mesmo lobisomens morando nela, mas eu achava isso bastante improvável. Estava andando há uns vinte minutos quando escutei um barulho de galope. Imaginei que era um unicórnio, mas uma flecha passou por minha cabeça, por um fio.

Um centauro vermelho apareceu e apontou seu arco.

– Saia. – rosnou ele.

Não pensei duas vezes e o desarmei com a varinha. Depois o estuporei. Foi muito fácil, mas se aparecessem mais deles, poderia me meter em sérios problemas. Continuei avançando, com os ouvidos atentos, quando eu me deparei com um cervo. Ele olhou para mim e então correu.

– Avada kedavra.

O bicho caiu no chão morto. Era a primeira vez que eu usava aquela maldição e isso me deixou um pouco mais excitado. Apontei a varinha para o bicho e arranquei uma perna dele com um feitiço qualquer.

Você deve estar confuso, eu sei... Eu esqueci de comentar uma coisa importante. Desculpem. Vocês se lembram das carruagens que levam os alunos para o castelo? Elas são puxadas por testrálios. Aqueles cavalos alados reptilianos que só podem ser vistos por quem já viu a morte.

Eu já tinha visto a morte duas vezes. A primeira foi com aquela mulher trouxa e a segunda com o meu avô.

Era isso que eu queria cortando o cervo.

Fiquei atento, tendo plena consciência de que o cheiro da carne e do sangue poderia atrair outras coisas. De fato, tive que matar duas acromântulas antes que o primeiro testrálio aparecesse. Ofereci a perna para ele e enquanto ele comia, transfigurei minha capa em uma rédea. Coloquei a rédea nele e então fiquei uns cinco minutos respirando fundo.

Como vocês provavelmente se lembram, eu tinha pânico de altura.

Depois de me convencer a fazer aquilo, eu subi no testrálio e bati os calcanhares nele.

Fiquei dez minutos gritando sem parar, agarrado no pescoço dele. Vergonhoso, eu sei. Mas ao menos fui o primeiro a chegar e sem nenhum arranhão. Concluí a prova em trinta e oito minutos e ganhei nota máxima, para o desagrado dos diretores de Durmstrang e Beauxbatons.

Nymeria chegou trinta minutos depois de mim, com um corte feio no rosto, o braço quebrado e mancando. Apolo, o campeão da Beauxbatons chegou dez minutos depois dela, só que apenas com um corte no rosto e os joelhos ralados. Isso me colocou na liderança.

A festa na Sonserina foi extremamente animada.

– Meu deus... Nunca tinha visto você gritar daquele jeito. – Riu Scorpius.

– Eu nunca mais quero voar na minha vida. – resmunguei aborrecido.

– Que isso, maninho. Só tem uma coisa que é melhor do que voar. – riu Scorpius pulando em cima do sofá. Ele começou a mover os quadris pra frente e pra trás e todos caíram na gargalhada. Até eu acabei sorrindo.

– Anime-se, cara. Essa festa é pra você. – disse Pascal me oferecendo um copo de hidromel – Aqui. Com os cumprimentos de Medeia Borgin.

A última vez que eu tinha bebido foi no natal em que eu dormi de mãos dadas com Lily.

Aceitei o copo assim mesmo, mas prometi a mim mesmo que não iria ficar bêbado. Na metade da festa, Albus me chamou num canto.

– Lily queria muito falar com você. Estaria disposto? – perguntou ele. Não foi aquele tom cheio de censura que Albus normalmente usava para falar comigo. Parecia que ele me pedia um favor, que sabia que eu não iria querer fazer. Soltei um suspiro, sentindo um aperto no peito, mas concordei – Sabe por que ficou tão chateado? – perguntou Albus.

– Não. – respondi – Me diga você.

– Porque você colocou Lily num pedestal. Ela não é perfeita, Cyg. É humana como eu e você e passível a erros... – ele tirou os óculos para coçar os olhos – Tente ser legal com ela... Lily ficou realmente muito triste com... com seja lá o que aconteceu entre vocês... – ele suspirou e colocou o óculos de volta no rosto – Ela está do lado de fora.

– Ok.

Saí do salão com aquela sensação esquisita. Lily estava encostada na parede oposta à saída do salão comunal. Ela me olhou com os olhos tristes e eu a olhei sem saber exatamente o que estava sentindo naquele momento.

– Oi... – murmurou ela.

– Olá. – respondi secamente.

– Bem... Eu queria te parabenizar... Você... hum... foi muito corajoso... – ela tentou sorrir – Eu sei que você tem medo de altura.

– Obrigado. – respondi no mesmo tom.

Lily suspirou e se aproximou um passo.

– Me desculpe, Cyg... Eu... eu estava zangada e falei um monte de coisas que você não precisava e nem merecia ouvir... – desviei o olhar do dela – Eu... Eu sinto a sua falta. – murmurou ela – Obrigada por fazer aquelas meninas pararem de me atacar. – eu apenas concordei em silêncio. Lily se aproximou mais um passo e eu recuei, me afastando dela. Lembro que ela me olhou ainda mais triste e eu me senti horrível, mas não mudei minha postura. Eu não queria olhá-la nos olhos. Estava muito chateado com ela e comigo mesmo. Lílian Potter era um lembrete constante de que eu não deveria me envolver demais com ninguém... Caso contrário, só iria me magoar. – Cyg. Olhe pra mim. – pediu ela, mas eu não o fiz. – Por favor, Cyg. – sussurrou ela. Eu acabei fungando, ainda zangado e envergonhado. – Por todo o ouro do Gringotes, Cygnus. Olhe pra mim. Fale comigo. Por favor. O que quer que eu faça?

– Eu quero que me deixe em paz. – respondi secamente – Olhar pra você dói. Falar com você dói... – respondi sem encará-la. Sentia meus olhos encherem-se de água. Aquela fúria cega me tomando de novo – Se era só isso que você queria falar...

– Eu amo você, Cygnus. – chorou ela. – Por favor, não me trate assim.

Eu fechei os olhos amargurado.

– Não me procure mais, por favor. Eu não quero mais magoar você ou me magoar. – respondi. Lily andou até mim e segurou meu braço, mas eu o puxei com firmeza – Não.

Então ela me empurrou. Depois me socou no peito de novo, de novo e de novo, chorando baixinho. Segurei os braços dela e ela me olhou zangada.

– Por favor... Vamos ao menos ser amigos?

– Não.

– Você já me magoou e eu te perdoei. Mais de uma vez. Isso não é justo.

Eu a olhei zangado e a empurrei contra a parede.

– Põe uma coisa nessa sua cabeça. Eu não sou como você, ou como seus amigos. Eu não sou legal. Eu sou um cretino filho da puta. Um maldito sem escrúpulos. Eu não vou perdoar você e eu não vou amar você. Não do jeito que você quer. Desiste de mim. Me deixe em paz. Você nunca vai entender o que é ser eu. Nunca. E eu nunca vou mudar por sua causa. Nunca. Nós dois somos o maior erro que eu ou você poderíamos inventar.

– Por que? Por que você faz isso com você mesmo? É aquele espelho! Eu sei que é!

– Não é o espelho, Lílian. Pare de querer arrumar justificativas para o meu comportamento. Eu sou assim, entende isso!

– Eu não acredito nisso. Eu sei quem você é.

– E quem sou eu? – perguntei zangado.

– Você é o garoto que cuidou de mim quando meu irmão me prendeu no sótão. – respondeu ela – Que contou historinhas para que eu não tivesse medo. Você é o garoto que brincava comigo quando ninguém mais queria. Que nunca sorria pra ninguém, só pra mim. É o garoto mais doce que eu já conheci... O garoto que me beijou embaixo daquela árvore, na Toca, só porque eu queria ser beijada. O primeiro garoto que falou que eu não preciso ter vergonha da minha aparência. Você é o garoto que veio pedir a minha ajuda quando estava com medo. Você me ajudou com as matérias quando eu estava com dificuldade. Ficou querendo me beijar quando estava bêbado... E foi o primeiro garoto com quem eu já dormi... – ela afastou as lágrimas do rosto – Cyg... Você é cruel e frio com todo mundo, mas comigo nunca foi. Por favor não seja agora. Por favor. Vamos ser amigos. Pelo menos isso.

– Pare, Lily. – pedi com um nó na garganta.

– Não... eu não vou parar. Eu quero resolver isso. – disse ela com determinação.

A olhei com frieza e saquei a varinha. Então conjurei o amuleto que ela tinha feito pra mim, com os cabelos dela. Não era um amuleto, na verdade, mas eu o via como tal.

– Não há nada para resolver. – respondi jogando os cabelos dela no chão, para depois queimá-los com um feitiço – Agora, Potter... Eu tenho uma festa pra ir.

– SEU IDIOTA! – gritou ela aos prantos. Então ela me deu as costas e foi embora.

Tive uma súbita vontade de correr atrás dela e pedir desculpas. Mas não o fiz. Peguei aquele sentimento confuso e o guardei dentro de mim e voltei para a festa. Mas eu não queria comemorar... Eu só queria me deitar e me desprezar ainda mais.

Um breve devaneio

Janeiro se passou rapidamente e logo fevereiro chegou e com ele a edição do dia dos namorados do Semanário das bruxas. Assim que chegou a revista, Virgo deu um grito.

– O que foi? – perguntou Pascal pulando na cadeira, de susto.

– Olhe que foto mais... LINDA – disse ela mostrando a revista.

Eu espero que você não tenha aquela porcaria. A foto da capa era a minha fazendo cara de... Sei lá... sem camisa e abrindo o botão da calça. Assim que eu vi aquilo eu peguei minha varinha para destruir a revista. Eu tinha me esquecido completamente dela.

– OMG! – gritou Yasmin – Cygnus. Você está muito sexy nessa foto.

– Pelo amor de Deus... Queime isso. – eu disse zangado.

Scorpius pegou a revista e subiu em cima da mesa.

– Olhe só pra isso! – gritou ele.

– Scorpius, eu mato você. – eu rosnei para ele subindo atrás, mas ele foi mais rápido.

– Vejamos aqui! – riu ele enquanto Remo me segurava morrendo de rir. Até Pascal estava rindo – Qual a sua cor favorita? Vermelho. – Scorpius me lançou um sorriso sacana – Como os cabelos de Lily, imagino? – perguntou ele.

– Me solta, Remo!

– Qual a outra pergunta... – meu irmãozinho querido voltou a olhar a revista – Como é a garota ideal? Resposta... Preparem-se, meninas...

Mas Virgo usou um feitiço convocatório e tirou a revista de Scorpius.

– Vê se cresce. Isso tudo é inveja porque Cygnus está na capa da revista e você não?

– Isso é ridículo! – riu Scorpius.

Remo finalmente me soltou e eu pendurei Scorpius no lustre.

E a resposta para a pergunta, se eu não me engano, era: “aquela que está disposta a gostar de mim apesar de eu não ser perfeito, eu acho... As pessoas acham que eu sou perfeito, mas eu não sou.”

Sim... Exatamente como Lily fazia...

Depois daquilo, as provocações só cresceram. Mas minha popularidade com as garotas realmente cresceu muito. A monitora do sexto ano da Lufa-Lufa colou uma foto minha no caderno. Toda hora aquela maldita revista chegava de novo e de novo. Tiveram que fazer uma edição extra com mais fotos para atender a demanda feminina. Era um pesadelo sem fim.

Um dia eu estava indo para o dormitório feminino para uma aventurinha quando notei que alguém tinha aumentado a foto da capa e feito ela de pôster.

– Quem... fez... isso? – perguntei para... eu acho que era Yasmin... Ou Amanda... sei lá.

– Foi fulana de tal. Essa foto ficou tãaaao sexy.

Eu estava prestes a azarar o primeiro que eu visse com aquela revista quando Pascal me cutucou e apontou para uma cena cômica.

– Não tem graça, James! Devolve a minha revista! – era Lily tentando recuperar sua edição do semanário, que James tinha tomado.

– Maninha. Isso não faz bem pra você. Vai derreter seu cérebro.

– Não estou olhando as fotos do Cygnus! Estava olhando outras coisas! – ralhou ela imensamente corada.

Fui até os dois e tomei a revista de James.

– Cinco pontos a menos para Grifinória, Potter. – ralhei com James. Ele me olhou feio. Devolvi a revista para Lily como se não a conhecesse – Não fique implicando com os alunos mais novos só porque você é o mais velho da escola.

Falei isso muito sério, contendo a vontade de sorrir, mas foi o suficiente. James tentou me bater, mas eu consegui desviar dele.

– Eu te mato, Malfoy. – rosnou James.

– Quer perder mais pontos, Potter? – perguntei pegando a varinha. James apontou a dele pra mim. – Me dá um motivo, vai? Me dê um bom motivo.

– Deixe James em paz! – ralhou Lily. Eu a olhei zangado.

– Ele quem...

Mas James se aproveitou que eu tinha me distraído, olhando para Lily e me atacou, me desarmando. Lá estava eu, sem minha varinha, olhando para James Potter.

– James, pare! – gritou Lily.

– Se me atacar, vai ser expulso, Potter. – alertei – Você já está bastante encrencado só por ter atacado o monitor chefe.

– Você me provocou primeiro. – defendeu-se ele, furioso. – Mas eu não sou covarde. – ele largou a varinha e partiu pra cima de mim. Mas antes que ele chegasse, Pascal o acertou no queixo com tanta força que ele desmontou no chão.

– Pegue alguém do seu tamanho, Potter. – ralhou Pascal. – Vamos, Cygnus. Esse povo da Grifinória é tudo mal agradecido. – ralhou ele olhando com desdém para Lily.

Ela corou novamente e desviou o olhar. Me abaixei e peguei minha varinha. Eu ia sair, mas me abaixei ao lado de Potter.

– Escute, James... não vou descontar mais pontos e nem vou falar sobre esse incidente com os professores. – então eu sorri para ele, que me encarava ainda meio zonzo – Mas se você sair mais um dedinho da linha, eu vou mandar uma carta para a sua mamãe, contando o que você anda aprontando. Ok? – Pascal riu com desdém e eu saí com ele completamente satisfeito – Belo soco, aliais. – disse para ele quando deixamos James e Lily pra trás.

Ele sorriu e beijou o punho.

– Obrigado.

Notas finais
Aiaiaiai... Esses dois... suahsuahsuahsua Espero que tenham gostado!! =D O próximo capítulo vai ser muito tenso D= Se tiver recomendações, posto ainda hoje (=P) Caso contrário, até Quarta! Comentem, ok? Bjuks