Cygnus - Fallen
7 Verão, Cumplicidade e 5º Ano
Notas iniciais
Verão e cumplicidade
Não sei se já comentei sobre Rose Weasley aqui... Devo falar um pouco dela.
Ela era uma garota gorda, mandona, muito inteligente e dedicada. Um desastre no quadribol, apesar de amar o esporte e torcer para um time muito ruim – palavras do Scorpius. Eu não acompanho quadribol.
O senhor Weasley tinha o mesmo orgulho e jeito protetor com ela que o meu pai tinha com Virgo. Mas ao contrário de Virgo, Rose Weasley não se achava – perdoem-me a expressão trouxa – a última bolacha do pacote. Ela era uma garota humilde e gentil... Quando não implicavam com ela, sobre seu peso, seu time de quadribol, seus cabelos cheios e ruivos quero dizer... Se implicavam com ela, ela virava um monstrinho.
E ela era afilhada da minha mãe. E minha mãe era doida com ela. As duas saíam para fazer compras e conversar, e Virgo morria de ciúmes, porque Rose não tinha nenhum senso de estética. Ela usava roupas muito trouxas, e priorizava conforto à elegância.
Scorpius era um porre perto dela. Os dois viviam brigando todo o tempo e minha mãe sempre os olhava como se soubesse no que aquilo ia dar. Eu nunca tinha imaginado como a coisa entre eles iria mudar. Primeiro porque Rose não era realmente bonita e Scorpius era o garoto mais popular do ano com as garotas. Ele só pegava as mais belas de todas. Assim como eu, conseguira dar uns bons amassos em umas garotas mais velhas. Ele nunca tinha olhado para Rose. E vamos ser sinceros. Eu também não. Ninguém do sexo masculino com um pingo de bom gosto olharia para Rose e suas roupas folgadas para esconder o excesso de peso. As roupas trouxas e esquisitas e o olhar censurador que ela tinha... E eu nem mencionei a monocelha que ela tinha na cara... Ele gostava muito dela, como eu já tinha descoberto, mas nunca se interessou de verdade por achá-la muito feia.
Mas então, no final do verão, ela veio passar um final de semana com a gente. Meu pai tinha viajado a negócios e minha mãe estava se sentindo sozinha. Hugo veio também, é claro. Ele e Scorpius se trancaram no quarto para se divertir, sabe-se lá como e eu e Virgo ficamos olhando Rose preguiçosamente. Virgo então deixou claro que não colocaria sua reputação em risco ficando com alguém como Rose. Minha mãe ficou furiosa, mas não brigou com ela.
– Cygnus. Eu e você vamos sair com a Rose.
Eu preferiria tentar beijar Helena Ravenclaw. Mas dei de ombros e obedeci. Alguém tinha que ser o bom filho naquela casa.
Minha mãe deu um banho de loja em Rose Weasley. Gastou uma fortuna com roupas, joias, acessórios, poções e livros com feitiços estéticos.
– Só porque sua mãe não liga para isso, não quer dizer que você não precisa se cuidar. É uma adolescente e vai ser monitora! Como o Cygnus. Tem que estar mais apresentável. – disse minha mãe me entregando mais alguma sacola com qualquer coisa dentro.
Rose me olhou totalmente constrangida, mas eu fingi que não vi. Depois de uma torturante tarde de compras, minha mãe me mandou pra casa e disse que as duas voltariam ao anoitecer. Me recolhi para o escritório do meu pai e fiquei lendo sobre Herpo, o Sujo, e acabei perdendo a noção do tempo.
Já estava bem escuro quando saí do escritório. Coincidentemente, escutei meu irmão e Hugo saírem do quarto.
– Olá, monitor. Temos permissão para ir na cozinha comer alguma coisa? – perguntou Scorpius. Ele estava tentando me irritar por eu ter me tornado monitor...
Sério... Alguém teve alguma dúvida de que eu iria ser a pessoa a receber o distintivo?
Eu dei de ombros e então ouvimos alguém aparatar na sala de visitas. Logo ouvimos mamãe tagarelar com Rose, que parecia muito animada também.
– Olha... A sua namorada monitora chegou, Cyg. – provocou Scorpius.
– Vamos recebê-las. – murmurei, mas Scorpius fez cara de descaso e se jogou no sofá, para chamar um elfo.
– Eu vou comer antes que ela devore tudo o que temos na dispensa.
Hugo riu da piada e eu dei de ombros.
Foi quando nossa mãe apareceu com alguém.
Num primeiro momento eu me perguntei quem era. Mas quando notei que era Rose Weasley, acho que nem eu fui capaz de disfarçar o choque.
Rose Weasley era linda de morrer... E céus, ela era gostosa. Eu a admirei sem nenhum pudor. Os cabelos estavam muito bonitos, com os cachos perfeitos formando uma bonita juba ao redor da cabeça dela. Ela usava uma blusa que deixava sua barriga reta e bonita para fora. Os seios eram de dar água na boca, enormes e redondos, e ela usava uma calça jeans que parecia ter sido pintada em suas pernas. Os olhos azuis do pai dela era bonitos e risonhos e a sobrancelha acaju dela era perfeitamente desenhada em seu rosto, lhe dando um ar travesso.
E ela tinha as mesmas sardas que eu tanto gostava em Lily. Jurei para mim mesmo que nunca subestimaria o futuro de uma gordinha.
– Rose? – escutei meu irmão falar, chocado. – Mãe? O que você fez com ela?
– Só me deu roupas novas e nós fomos no salão. – disse a menina como se o desafiasse a dizer que ela deveria ter feito mais alguma coisa.
– Mana. Você está linda!
– Obrigada, Hugo.
– Oh... Eu estou exausta. – disse minha mãe se esticando como um gato – Eu vou tomar um banho e depois relaxar no meu quarto. Obrigada por me fazer companhia o dia inteiro, querida.
– Que nada, dindinha. Eu adorei. – riu Rose amavelmente.
– Claro. Te fizeram deixar de ser o patinho feio pra virar um cisne! – riu Hugo. Eu imagino que era algum ditado trouxa.
Scorpius ainda a olhava completamente perplexo. Rose saiu para a cozinha e tanto eu quanto meu irmão demos uma boa olhada na bunda dela.
– Ei! – ralhou Hugo. Mas nem eu e nem Scorpius ligamos. Ele me olhou e sorriu.
– Eu vi primeiro! – disse antes de correr atrás dela.
Hugo, é claro, ficou indignado. Mais ainda quando Scorpius e Rose passaram a se agarrar pela casa. Hugo passou a ficar me seguindo, como um cão sem dono. Ele detestou o final de semana, mas provavelmente foi um dos mais importantes para o meu irmão, porque assim que Rose foi embora ele me procurou para dizer.
– Eu acho que estou apaixonado.
– Só porque passaram o final de semana se mastigando não quer dizer que esteja apaixonado! – ralhei com ele. Virgo achava o cúmulo.
– Scorp. Ela é mestiça. Você vai ser o líder da nossa casa. Não pode se envolver com ela! – ralhou Virgo, completamente indignada.
– Eu não ligo pra isso. Não ligo e nunca liguei. – disse ele – E podem acreditar... Eu vou namorar com Rose Weasley.
Ele não mentiu... Mas não acho que ele imaginou que iria se casar com ela também e ter três filhas, todas ruivas e sardentas.
Prometi a Scorp que não contaria aos nossos pais. Virgo, a muito contra gosto, também prometeu. Logo ele saiu do meu quarto, completamente satisfeito.
– Papai vai ficar danado da vida. – ralhou Virgo. Eu dei de ombros – Um filho apaixonado por uma mestiça traidora de sangue e o outro apaixonado por um fantasma!
– Oi? – perguntei para ela, surpreso. – De onde tirou isso?
– Um passarinho me contou. – disse Virgo com um sorriso satisfeito – Isso é esquisito até pra você, maninho!
– Não estou apaixonado por fantasma nenhum. – disse com indiferença.
– Então por que está sempre com ela? Até Pascal está sentindo a sua falta.
– E desde quando você e Pascal conversam?
– Normalmente quando você some e ele vai te procurar. O que você tanto quer com aquele fantasma?
– É segredo. – respondi.
– Mas está querendo algo com ela que não seja... Digamos... repulsivo? Nada com necromancia, espero. Sabe o que papai pensa desse tipo de coisa.
– Sabe de uma coisa? Eu vou te contar. – disse me sentando. Virgo veio saltitante, louca pela fofoca.
– O Barão Sangrento é apaixonado por ela. Eu quero fazer os dois... ficarem juntos.
– E eu sou a rainha da Inglaterra. – riu Virgo.
– Eu não terminei. – disse sem controlar meu rosto. Sorri para ela e Virgo se endireitou. – Eu quero descobrir um segredo do Barão Sangrento. Preciso conquistar a confiança dele. Por isso quero fazer com que a Dama Cinzenta e ele fiquem juntos.
– Aaaah. Então tudo bem. – riu Virgo. – Bem... Ela não gosta dele? Tipo... Nem um pouquinho?
– Não.
– Por que?
– Porque foi ele quem a matou. – eu disse. Virgo esbugalhou os olhos.
– Tantos fantasmas no mundo para ele se apaixonar e ele escolhe logo a mulher que ele matou?
– Ele já era apaixonado quando a matou. Cheio de remorso, acabou se matando e decidiu carregar aquelas correntes para fazer penitência. – expliquei. Minha irmã se deitou na minha cama, colocando a mão na testa.
– Nossa. Que trágica história de amor.
– Por essas e outras que eu acho o amor superestimado. – disse me deitando ao lado de Virgo. Minha cabeça ao lado da dela.
– Você não gosta de ninguém, Cygnus?
– Eu não. Perda de tempo. – resmunguei. – Quer amor? Compra um cachorro.
Virgo se virou para me olhar nos olhos.
– Mas... Mas você não é gay não, né?
– O que?
– Eu vou continuar gostando de você maninho... mas é que eu tenho colegas que me dariam um rim para entrar nas suas calças. Meninos e meninas... Mas o fã clube feminino é maior.
– Eu tenho um fã clube?
– Tem. Minhas amigas gostam mais de você do que do Scorp... Com exceção da Héstia, claro... Mas e então... Com qual das minhas amiguinhas você ficaria?
– Com qualquer uma. – eu disse.
– Mesmo Lily?
– Disse qualquer uma, não disse?
– Mas é que Lily está apaixonada por você e ela é filha do seu padrinho.
– E?
Virgo abriu um enorme sorriso.
– Você não tem coração?
Me levantei e olhei para minha irmã.
– Está tentando me arranjar para Lily?
– Para minhas amigas no geral.
– Acha que eu sou seu garoto de programa?
– Como se você fosse achar ruim. Quero fazer de você minha moeda de influência. Vou vender tanto seu corpinho, quanto sua inteligência.
– Não prometo nada. – respondi.
E ela sorriu satisfeita para mim.
Hogwarts – ano 5
– Vão para uma cabine vazia, pelas barbas de Merlin! — resmungou Remo, quando Rose e Scorpius faziam aqueles sons esquisitos de quem está tentando engolir outra pessoa.
Rose ficou vermelha, mas Scorpius nem ligou. Apenas pegou a garota pela mão e a tirou dali.
– Quem diria que ela ficaria tão gostosa. – comentou Pascal.
– Ei! É a minha irmã! – ralhou Hugo.
– Eu não sou o único que a acha gostosa, não fui o primeiro a achá-la gostosa e nem serei o último a achá-la gostosa. Pare de ficar emburrado e fique feliz por ela! – riu Pascal. Cruzei os braços achando graça.
– Quando foi que ela deixou de ser gorda? – perguntou James.
– Há séculos. Ela só não é vaidosa. – respondeu Lily lendo alguma revista trouxa adolescente. Ela já estava de uniforme, e suas pernas brancas e compridas chamaram minha atenção. Albus notou e jogou uma bolinha de papel na minha cabeça.
– Pare de olhar as pernas da minha irmã. – ralhou ele. Lily baixou a revista e olhou para mim, corando muito.
– Eu não estava olhando, idiota. Eu estava distraído. – menti o olhando com indiferença.
Lily soltou um muxoxo e voltou a ler sua revista. Foi quando Dominique entrou.
– Olá, monitor da Sonserina. – riu ela fazendo uma pose sensual – Poderia me ajudar um momento?
– Sempre um prazer. – sorri me levantando. Desviei do pé de Lily (eu tenho certeza de que ela queria me fazer tropeçar) e fui para o corredor com Dominique.
Dominique era a monitora chefe e parecia muito satisfeita por isso. Conversamos um pouco olhando pela janela e eu resolvi que não perderia mais tempo. A beijei logo.
Eu tinha crescido bastante e agora já estava mais alto que ela.
– Esse ano eu vou tirar uma coisa sua. Quero que seja eu. – disse ela mordiscando minha orelha – E eu quero que seja meu primeiro também.
– Está falando de sexo?
– Estou. – confessou ela – Acredite ou não, eu sou virgem.
– É... – olhou a mente dele e se surpreendeu por ser verdade – Eu acredito em você, Dominique. Nunca duvidaria da minha garota favorita aqui em Hogwarts.
Ela sorriu satisfeita e me puxou pela gola da camisa.
– Pois então preste atenção. Eu escolho o onde e quando, ok? E nós dois vamos fazer isso. Quero que seja com você.
– Será um prazer, mas... por que?
– Porque eu confio em você. Me sinto confortável ao seu lado... E a gente tá de rolo há tanto tempo... Eu até namoraria você, se você me pedisse.
– Já me considera maduro o suficiente?
– Já.
– Ok, um dia eu te peço em namoro. Mas eu escolho o onde e o quando.
Ela sorriu se divertindo.
– Você é muito divertido, Cygnus. A garota que conseguir derreter esse seu coração de gelo vai ser muito feliz.
– Do que está falando? – perguntei me fazendo de desentendido.
– Eu te conheço, Cygnus. Eu sei o monstrinho que você é. Mas não tenho medo. – riu ela – Não pense que estou tentando mudar você, porque gosto de você assim. Malvado. – Dominique me lambeu do pescoço até a orelha e então sussurrou – Mas eu sei que você não ama nada e nem ninguém. Sei que você é um sadista cruel... Mas eu gosto.
Nunca desejei Dominique mais do que naquele momento.
Meu avô Sirius e meu avô Lúcio um dia conversaram sobre Bellatrix e Voldemort. Como eles tinham um caso estranho, onde havia desejo e nem um pingo de sentimento. O que ela sentia por ele era uma veneração doentia e ele a desejava e admirava por sua loucura, beleza e filosofia. Mas não havia amor.
Era isso o que eu sentia por Dominique. E ela sabia e não ligava. Ela queria que fosse daquele jeito mesmo. Acho que ela foi o mais próximo que eu tive de um primeiro amor. Ou talvez foi Lily... Eu não sei. O que eu sinto por Lily é tão...
Mas deixe isso pra lá. Estou divagando de novo.
Quando voltei para a cabine, Lily me fuzilou com os olhos e saiu me batendo com o ombro.
Não me importei e peguei minhas coisas. Mas Albus me segurou, querendo conversar comigo. Não queria ter aquela conversa. Não mesmo. Mas não tive como fugir. Todos saíram sem olhar para mim e eu soube que todos sabiam do que se tratava.
– Não magoe minha irmã, Cygnus.
– Como eu estaria magoando a sua irmã?
– Você sabe que ela ama você.
– Sei e já falei com ela a respeito. Eu não gosto dela desse jeito.
– Então não fique olhando para ela daquele jeito, não fique a adulando e nem sendo legal com ela. Você fica dando esperanças...
– Se Lily vive num mundo imaginário onde eu dou esperanças para ela, isso não é culpa minha. – respondi friamente – Vocês sempre viram o que não existia da minha parte por ela. Eu não gosto da sua irmã desse jeito. Nunca gostei e nunca vou gostar.
Albus me empurrou com força contra a parede da cabine.
– Espero que viva o suficiente pra se arrepender. Fique longe da minha irmã. Bem longe. Não fale com ela, não olhe pra ela. Você entendeu? – perguntou ele sacando a varinha
– Ou o que, Albus? Vai querer duelar comigo? – perguntei sacando a minha. Senti algo dentro de mim se agitar, desejando que eu atacasse. Albus me olhou sem medo. Os mesmos olhos verdes e destemidos do meu padrinho.
– Eu não tenho medo de você, Cygnus. – rosnou Albus.
Gargalhei dele e o joguei contra o vidro com um feitiço. O desarmei com facilidade e o grudei no teto. Depois o deixei cair. Ao ouvir o baque, o fiz grudar no teto novamente e então o joguei no chão.
– Está bom assim, ou quer mais? — perguntei achando graça. Nunca tinha me sentido tão bem.
– Você é louco. – rosnou Albus ficando de pé. O grudei contra a parede e apontei minha varinha para o pescoço dele.
Suspirei e o curei onde ele tinha ficado visivelmente machucado.
– Você é um Sonserino, então haja como um. Não entre em batalhas que não pode ganhar. – disse apertando a bochecha dele com o sorriso-Malfoy. Depois o liberei do feitiço e sai da cabine, deixando-o sozinho.
Não me olhe assim. Eu disse desde o começo que não era um garoto bonzinho. Eu estou preso, não estou? Eu matei, eu torturei. E eu gostei de fazer isso. E aquela brincadeirinha com Albus despertou algo ainda mais sombrio em mim. Algo que foi ficando cada vez mais difícil de conter...
Fale com o autor