Cygnus - Fallen
8 Adeus Inocência, Natal e Abraxas Slytherin
Notas iniciais
Adeus inocência.
O dia das Bruxas chegou e com ele uma coruja. Scorpius suspirava olhando a mesa da Grifinória, mas quando viu a coruja, me olhou com curiosidade.
— O que é isso? – perguntou ele.
— Uma carta. – respondi guardando-a nas vestes. – Vai chamar Rose para ir com você para Hogsmeade?
— Eu já pedi. Ela disse que ia pensar no meu caso. – resmungou ele – Pra que ela está se fazendo de difícil?
— Porque você sempre foi um cretino com ela e merece isso. – respondi com indiferença, fazendo Remo rir.
— Ele tem razão. – disse meu tio.
Me levantei da mesa e Pascal veio comigo.
— Você vai pra Hogsmeade, Cyg? – perguntou ele.
— Acho que não. – respondi. Detestava Hogsmeade.
— Hum... Eu meio que tenho um encontro com uma aluna da Corvinal... Você não se importa... Importa?
O olhei e dei de ombros.
— Vai na fé.
— A gente se vê no banquete do dia das Bruxas, então. – riu ele.
— Certo.
Quando fiquei sozinho em um corredor, abri a carta e a li.
Hogsmeade, Endure. Dez horas. Ass.: D.W.
Respirei fundo sentindo-me nervoso. Sabia exatamente o que significava aquilo. Corri para o banheiro dos monitores e me arrumei mais apropriadamente. Mas depois comecei a me perguntar um monte de coisas. O que deveria fazer? Deveria levar alguma coisa? Dar um presente? Ela deveria ter avisado antes! Como arranjaria um presente? Ou será que seria ridículo presentear a garota.
Nunca me senti tão despreparado para alguma coisa quanto naquele dia. Corri para o salão comunal e comecei a fuçar nas minhas coisas até achar o que eu procurava. Um espelho redondo.
— Padrinho! Harry, está ai? – perguntei para o espelho. O rosto do meu padrinho apareceu e eu fiquei me sentindo ridículo. — Harry... Preciso de ajuda.
— O que aconteceu? Está tudo bem? – perguntou ele preocupado. – É um mago das trevas? Alguém está ferido?
— Não, Harry... Está tudo bem... Eu... – senti o rosto corar e Harry sorriu para mim, parecendo entender tudo.
— O que houve? É alguma garota? – perguntou Harry.
— Bem... É. – disse querendo jogar o espelho de volta no malão. – Ela... Ela quer que eu tire a virgindade dela e eu não sei o que fazer. – não foi difícil notar o quanto Harry se concentrava para não rir. – Isso é sério! Eu nunca estudei sobre isso!
— Bem... Draco não te contou sobre... Sobre...
— Meu pai me falou a teoria, sim! – respondi e Harry ficava cada vez mais vermelho a medida que tentava conter o riso. O admirei por isso, pois tinha total noção de quanto estava sendo ridículo. – Quais são as normas sociais relativas a isso? – perguntei.
— Normas sociais? — perguntou Harry – Bem... Você está namorando essa garota?
— Não... Mas é possível que eu faça isso.
— Bem... Então compre chocolates, seja gentil, faça elogios... O de sempre.
— Não há nada de diferente para essa... hum... ocasião?
— Chá de lua. Seria legal que você levasse... E... Saiba que a primeira vez de uma garota machuca, então tem que se controlar e ir devagar.
— Devagar... Ok... E o chá de lua... Chocolates e ser gentil... Acho que eu posso fazer isso...
— Posso saber quem é a sortuda?
— Depende... Só se jurar que não contar pra Gina.
— De jeito nenhum. Isso é só entre nós dois.
— Dominique...
— A filha do Gui?
— É.
Harry assoviou e riu.
— Não deixe que nenhum Weasley saiba disso... E nem seu irmão... E nem Remo. Céus... Não deixe Remo saber disso.
Você deve estar se perguntando o porque de eu estar contando isso, não é? Bem... Em breve vou confessar muitos crimes da minha parte. Coisas terríveis que fiz. Minha vida foi repleta de erros... Mas isso não significa que eu... Em algum momento da minha vida... Não tenha sido muito parecido com um garoto normal.
Eu tinha minhas inseguranças, meus medos. Eu ficava nervoso e preocupado. Eu sempre tentava ser frio e distante, mas não era inatingível. Eu era inteligente, mas tinha ciência de que não sabia de tudo. Eu confiava nos meus pais, mas não me sentia a vontade para conversar certas coisas com eles.
Eu era apenas um adolescente, apesar de tudo. Apesar dos meus desajustes e diferenças. E quando eu vi Dominique se despir na minha frente, fiquei tão nervoso quanto qualquer garoto ficaria no meu lugar.
Não teve amor. Não teve juras. Era simplesmente físico. Eu podia sentir aquela parte sombria do meu ser querer assumir, mas não tive coragem. Deixei que Dominique me guiasse. Eu estava tremendo, morrendo de medo de fazer algo errado, de ser ruim... E se ela não gostasse? E se eu não fosse bom justamente naquilo?
Quando ela me deitou na cama e começou a me beijar, eu seria capaz de trocar meu talento em magia por uma certeza de que faria aquilo ali direito. E quando finalmente começamos, eu notei que estava me preocupando a toa. Era só seguir o instinto. Depois de uma primeira tentativa terrível, que durara ridiculamente pouco, tentamos de novo e tudo ocorreu bem, como deveria ocorrer.
E quando finalmente estávamos satisfeitos, ficamos deitados na cama, conversando com uma naturalidade impressionante.
Eu não me apaixonei por ela e nem ela por mim. Mesmo durante o tempo em que namoramos. Mas não vou dizer que minha vida seguiu igual.
Contei para Helena, é claro. E ela ficou feliz por mim. Logo o colégio inteiro sabia que eu e Dominique estávamos juntos. Tínhamos nossas tarefas como monitores e eu estava fazendo doze matérias e ainda teria de encarar os N.O.M.s naquele ano (e ela os N.I.E.M.s). Meu tempo com ela não era muito, por tanto sempre que podia ficava com ela.
Apenas evitava olhar a mesa da Grifinória... Principalmente para Lily, que passara o quinto ano inteiro em silêncio. Respeitei isso, sabendo que em momento algum fui injusto com ela. Eu nunca a iludi. Mas não vou dizer que não sentia falta. Quando o grupo todo se reunia nos feriados, ou até mesmo na beira do lago, para se divertir, Lily não me adulava mais, não me dava mais atenção. Ela até mesmo arrumou um namoradinho do mesmo ano.
Mas Dominique me completava e naquele momento eu não precisei da atenção de Lily. Mesmo que a noite eu ficasse me lembrando daquele dia no porão, ou do beijo escondido na Toca, e o dia do visgo. Memórias inocentes, mas que me marcaram tanto... e eu não conseguia entender o porquê.
E quanto ao Barão? Ele finalmente começou a baixar a guarda, curioso em saber o que eu tanto conversava com Helena. Mas eu estava sempre com pressa e nunca tinha tempo para falar com ele. Minha vida estava uma loucura e eu estava sempre cansado. Não me daria ao luxo de conversar com ele despreparado.
Mas quando o natal chegou, eu vi meu momento chegar. Dominique ia visitar uns parentes na França e eu teria todo o recesso para falar com o Barão.
— Você ao menos avisou o papai de que ficaria na escola, Cyg? – Perguntou Virgo.
— Vocês podem avisar por mim. – murmurei sentado em uma poltrona, estudando para os N.I.E.M.s para ajudar Dominique depois.
Meus irmãos argumentaram que meus pais não iam gostar, mas eu não liguei.
— Eu vou ficar em Hogwarts.
— Pode parar de ser um babaca? – perguntou Scorpius – Nossos pais estão há meses sem falar com a gente! É natal. O feriado mais família do ano!
O olhei friamente e Scorpius fechou a cara.
— Deixa o Cyg, Scorpius. Ele se entende com os nossos pais depois. – disse Virgo com superioridade. Ela me olhou um momento, mas então pegou sua bolsa e saiu. Scorpius fez o mesmo.
Esperei por horas e então peguei minha varinha. Rondei as masmorras por um tempo, separei dois casais fazendo coisas comprometedoras, e segui como se estivesse fazendo uma ronda. E então finalmente vi o Barão flutuando calmamente.
— Cyg. O que está fazendo aqui? – perguntou ele.
— Tarefas de monitor. – respondi calmamente – Minha vida está uma loucura.
— Eu notei. Nunca mais conversamos. Sinto falta das nossas conversas. – confessou o Barão.
— Eu também. – disse.
— Fiquei sabendo que arrumou uma namorada.
— Ela me dá mais trabalho do que minhas doze disciplinas juntas. – confessei, mas sorri o sorriso Malfoy para o Barão, que caiu na gargalhada.
— Eu imagino. Eu já a vi. É bem bonita, a garota.
— É. Sou muito sortudo. – disse. Olhei um corredor e vi dois alunos do segundo ano brincando com um frisbee dentado – Opa. Desculpem, mas esse artigo é proibido aqui na escola. Está apreendido.
— Ah, Cygnus! – lamentou o garoto, mas eu explodi o brinquedo.
— Vazem daqui. – ralhei com os garotos que saíram me xingando. Nem liguei e continuei andando, com o Barão me acompanhando – É chato ter que fazer isso, mas... Alguém tem que fazer... Mas mudando de assunto. – eu me virei para o Barão e eu notei um ar desconfiado da parte dele – Posso te pedir um conselho amoroso? Não tenho coragem pra ter esse tipo de conversa com meu pai... Ele é muito frio.
Na época eu não fazia ideia do quanto meu pai era devoto à minha mãe. Hoje eu invejo a relação deles. A última coisa que meu pai era com a minha mãe era ser frio. Minha mãe era loucamente apaixonada por ele. Mas eu pensava que o que meu pai sentia por ela era mais ou menos o que eu sentia por Dominique. Atração física. Eu sabia que eles tinham uma vida bem ativa no sentido... Bem... Não quero tocar nesse assunto. São meus pais e isso não tem nada a ver com a história. Por que comecei a falar disso?
Mas voltando...
O Barão me olhou com um sorrisinho.
— Se eu puder ajudar... Quando eu era vivo, eu costumava ser muito galanteador. – garantiu o fantasma. Parei de andar e olhei para ele.
— Eu... Bem... Ela quer que eu me apresente para o pai dela. Mas ela termina a escola esse ano, enquanto eu ainda tenho mais dois anos pela frente. Eu pensei em terminar com ela, mas ela insiste que podemos namorar à distância... – eu baguncei os cabelos. Aquilo era totalmente falso. Dominique já tinha deixado claro que no último dia de aula nós iríamos terminar e que ela não queria que eu fosse conversar com os pais dela. Nosso lance era na escola e só. – Você acha que isso daria certo?
O Barão cogitou por um momento e então disse.
— Eu duvido muito. Ela é muito bela. Você é bem apessoado. Não vão conseguir se manter fieis.
— É o que eu acho! – disse fingindo-me de zangado – Eu sou ciumento. Se eu souber de algum rolo da Dominique... – respirei fundo – Não sei se conseguiria manter a calma.
— Cuidado com isso, Cygnus. – murmurou o Barão. Eu o olhei me fazendo de desentendido. – Controle seus ciúmes, ou pode se arrepender.
— Eu sei. Eu sei... – murmurei cruzando os braços – Mas Barão... é foda. Ela é bonita demais. Tem sangue veela... Todo mundo fica olhando para ela, dando em cima dela comigo presente. Imagine como não vai ser quando eu não estiver mais por perto... – bufei fazendo-me de zangado – Eu sou um Malfoy. Não quero ser passado pra trás... Eu acabaria com a raça de qualquer um que ela ficasse pelas minhas costas. – eu o olhei com um olhar zangado – Eu sou um legilimens. Um bom. Eu saberia se ela pulasse a cerca.
— Cygnus, escute seu velho amigo Barão. Você não quer fazer isso. Não sabe o quão terrível isso pode acabar.
— Eu sei sim. Com alguém bem machucado. E se Dominique me traísse... – desviei o olhar, querendo parecer zangado – sobraria pra ela também.
O Barão tentou segurar meu ombro, mas logo nos afastamos. Eu o olhei e sorri, sentindo aquela sensação de gelo.
— Desculpe. Eu me esqueço às vezes. – riu ele – Cygnus. Me escute. Não deixe a raiva cegar suas ações. Eu sei como se sente. Eu sei como se é se sentir traído e eu sei o que é amar alguém que está longe...
— Está falando de Helena? – perguntei. O Barão consentiu. – É diferente. Ela não fugiu pra ficar com outro. E vocês não estavam juntos... Estavam? – perguntei o olhando – Eu não costumo falar com ela sobre isso... É um assunto... sensível.
O Barão me olhou longamente. Por um momento temi que ele fosse ir embora.
— Ela nunca contou como aconteceu?
— Eu já disse... É um assunto sensível. – disse suspirando – Não quis insistir nesse assunto doloroso pra ela. A única coisa que sei foi que você a matou quando tentou fazê-la voltar pra casa. Ela me contou isso quando eu tentei... Não fique zangado, ok? Eu era apenas um menininho.
— O que você fez?
— Eu achei que você gostasse dela então... Então eu fui conversar com ela, pra tentar... Te ajudar. Foi idiota, eu sei, não tem nada a ver comigo, mas... – eu fiz uma cara de culpado e o Barão deu uma risadinha.
— Está tudo bem, Cyg. Você não foi o primeiro a tentar isso e não vai ser o último.
— Não está com raiva por eu ter me metido?
— Não. Sou muito grato. – ele suspirou tristemente – Eu amava Helena. Ela era a mais bela mulher que eu já tinha visto. Mesmo antes de Salazar morrer, eu já era apaixonado por ela. Mas ela amava outro homem.
— Quem?
— Abraxas Slytherin. – respondeu o Barão. Ele me olhou nos olhos profundamente – E eu vou te dizer, Cygnus. Você é igualzinho a ele.
— Sou? – senti um arrepio me subir a espinha. Eu teria alguma relação com aquele bruxo? – Como ele era?
— Impressionante. O mais capaz de todos os filhos de Salazar. – respondeu o Barão – Mas tão cruel quanto os irmãos ou o pai.
— Ele era um bruxo das trevas?
— Era. Sempre achei que ele seria maior do que Salazar, mas... mas algo aconteceu...
— O que?
— Eu não sei. – respondeu o Barão – Ele perdeu a vontade de viver, depois da guerra, eu acho. Estava sempre cabisbaixo. Casou com uma mulher qualquer, teve muitos filhos e então desapareceu, deixando sua fortuna e família para trás. Ninguém nunca mais ouviu falar dele.
— Ele morreu?
— Não. Não acho que morreu. – respondeu o Barão – Eu acho que ele tentou recuperar o Cajado... – ele me olhou com uma expressão de arrependimento.
— Oh... Nossa história termina aqui, não é? – perguntei sorrindo. Tentei fazer ser um simples sorriso. – Está tudo bem...
— Já ouviu falar no Escritório Secreto de Salazar Slytherin? – perguntou o Barão.
— Não. – respondi piscando – O que é isso?
— Salazar construiu três salas secretas em Hogwarts. O Salão Comunal da Sonserina, a Câmara Secreta e seu Escritório Secreto.
— Os outros fundadores não tinham um escritório também?
— Sim, mas não eram escondidos. Com o passar dos anos, viraram salas comuns... Mas o Escritório de Salazar prevaleceu escondido. Apenas eu e os filhos dele sabíamos da existência e localização desse local.
— Barão. Você vai me mostrar, né? – perguntei com entusiasmo – Não pode me falar uma coisa dessas só pra me fazer vontade!
O Barão sorriu e me deu as costas. Depois fez um aceno com a cabeça, pedindo que eu o seguisse.
Fomos até às masmorras de castigo, que nunca mais foram usadas. Havia em uma delas, uma mesa de pedra, onde deveriam ficar instrumentos para torturas. Ou sei lá... O Barão apontou para um desenho mínimo de uma serpente, num cantinho da mesa.
— Apenas um verdadeiro Slytherin pode abrir a passagem.
— Quem foi o último a conseguir? – perguntei animado.
— Nos últimos setecentos anos, apenas os membros da família Burke e Borgin usaram essa sala.
— Meu tio Damian?
— Sim. – respondeu o Barão.
Olhei para a mesa e passei o dedo pela marca em forma de serpente. Meu corpo vibrou e foi como se eu já tivesse feito aquilo antes. Eu sabia exatamente o que fazer. Peguei a varinha e furei o meu dedo. Depois sujei a marca com o meu sangue.
— Aperi. – A princípio nada aconteceu, mas depois a mesa se moveu, indo para trás, abrindo espaço para uma escada secreta – Lummus. – murmurei com o coração acelerado. Desci as escadas olhando para cada pedra coberta de musgo, cada rachadura na parede. Foi como tentar lembrar de um sonho. Aquela sensação de conhecer o lugar, mas os detalhes fugindo sempre. Parei de descer os degraus e juro que me vi continuando, com uma capa longa, carregando uma tocha. – Eu já vim aqui.
— Há muitos anos... – concordou o Barão. – Você queria trazê-la de volta.
— Helena. – murmurei voltando a descer os degraus.
O escritório estava imundo, cheio de artigos de artes das trevas, empoeirados, livros e roupas. Vi um armário familiar. Havia um igual na loja de Damian. Eu nunca tinha estado ali, mas sabia que o lugar estava diferente. Diferente do que eu me recordava. Haviam notas e painéis nas paredes. Os segurei com força e os arranquei. Fui transformando o lugar naquele que estava na minha memória. O monstro dentro mim louco de alegria. Foi quando eu vi o retrato.
Meu corpo inteiro estremeceu e eu o toquei. O quadro riu para mim.
— Olá, meu amor. – disse o retrato – Senti sua falta.
— Helena. – murmurei sentindo-me perdido. Recuei com a cabeça pesada. Me lembrei de uma vez tê-la chamado para fugir comigo, para longe. Para um esconderijo, na Albânia... Mas eu nunca tinha estado lá. Lembrei de pedir para que ela roubasse o diadema da mãe. Recuei com a cabeça pesada e cai no chão – O que é isso? – perguntei assustado. O monstro dentro de mim se revirando. Chegava a doer. Me levantei assustado e me virei. Havia um espelho ali, mas não era meu reflexo. Eu não era tão alto, eu não tinha barba, eu não estava usando aquelas roupas estranhas – Quem é você? – perguntei.
— Você sabe. – respondeu o homem. É claro que eu sabia. Mas eu fiquei com medo. Minha visão enturvou e eu precisei me concentrar para não desmaiar. – Me deixe no controle.
— Não. – disse desesperado. Corri para a saída e corri para fora daquele lugar. Mas a mesa tinha voltado para o lugar e eu me vi preso – Como eu saio? Como eu saio? – perguntei desesperado. Nunca tinha sentido tanto medo em toda minha vida. Soquei com tanta força a pedra que cortei o punho – Aperi! APERI!
A mesa voltou a abrir a passagem. Corri tendo absoluta certeza de que aquele homem ainda me seguia, querendo entrar em minha mente, querendo me controlar. Entrei no salão Comunal tremendo e fui para o dormitório.
Minha cabeça estava uma confusão, com as lembranças de Abraxas Slytherin em minha mente. Me vi matando, torturando. Me vi guerreando e gargalhando, com o sangue dos meus inimigos no meu rosto. Vi Helena de carne e osso nos meus braços, do mesmo modo como tinha Dominique. Quis chorar sem saber quem eu era.
— Eu sou um Malfoy. Meu nome é Cygnus Régulus Malfoy. Minha mãe é Rose Black Malfoy. Meu pai é... Salazar Slytherin, eu tenho quatro irmãos, uma irmã e uma imunda abortada que nasceu do mesmo buraco que eu... Merlin! – olhei para minhas mãos, sujas de sangue, feridas. Não consegui não chorar. Estava cavalgando, correndo atrás de uma trouxa, apontei minha varinha para ela e ela explodiu. Eu gargalhei com meus irmãos ao meu lado. – Eu não fiz isso! Não fiz! Nunca machuquei ninguém! – disse apertando a própria cabeça. Mas então me vi de pé, ao redor dos garotos mais velhos que eu. Depois vi meu pai, Salazar Slytherin falando que eu seria seu herdeiro, mesmo que fosse o garoto mais novo. Depois me vi beijando Helena... Oh, como amava o corpo quente dela. – Helena é um fantasma! – gritei desesperado. O monstro arranhando meu corpo por dentro. Tentei me lembrar de Dominique, mas ela sempre virava Helena. – Não! Eu não sou Abraxas. Não sou!
Me levantei e corri novamente, querendo me livrar daquelas cenas. Saí do salão comunal, com aquelas lembranças que não eram minhas. Me vi estuprando uma trouxa e depois taquei fogo nela e gargalhei ao ouvir seus gritos. Me vi duelando com o filho de Godric Gryffindor, Philipe. Me vi segurando meu filho e o desprezando, pois ele era loiro como minha esposa e não se parecia em nada com Helena.
Esbarrei com alguém depois de muito andar.
— Cygnus? Está tudo bem? Você está chorando?
A olhei assustado e todas aquelas lembranças sumiram. Do que ela tinha me chamado?
— O que... Quem é você? – perguntei perdido. O castelo estava diferente. E que roupas indecentes eram aquelas?
— Isso é algum tipo de brincadeira de mau gosto? – perguntou a menina, ruiva e sardenta. E então me lembrei do porão, me lembrei do visgo e da Toca e minha mente ficou tranquila novamente.
— Do que você me chamou? – perguntei desesperado. Ela me olhou assustada.
— Cygnus! Está tudo bem? Te acertaram um feitiço confundus?
E então lembrei o nome daquela linda garotinha. Sorri aliviado para Lily e a abracei, finalmente com a mente em ordem.
— AH, Lily. É você. Você. – disse aliviado. Então a olhei feliz e a beijei. Senti o corpo dela se eriçar todo. Não liguei. A empurrei contra a parede e a beijei. Mas de verdade. Um beijo de língua. A apertando contra meu corpo. Não liguei nem um pouco por ela só ter treze anos e ser apenas uma garotinha.
Senti as mãos dela me abraçarem também e então aquilo ficou completamente errado. A empurrei assustado.
— Desculpe, Lily. Eu não estou bem.
— Não? – perguntou ela me olhando confusa.
— Me leve para a Ala Hospitalar. Alguém me azarou pelas costas. – menti – Me perdoe, por favor. Eu não queria te beijar.
Ela me olhou um pouco magoada, mas me puxou pela mão. Contei aquela mentira para Madame Pomfrey, e ela me deu algumas poções. Lily quis ir embora, mas eu a segurei.
— O que houve? Vai pedir segredo sobre isso também? – perguntou ela zangada – Até onde eu sei, você está transando com a minha prima Dominique, não é?
— Obrigado. – murmurei assustado.
— Pelo que?
— Eu... Eu não posso te contar... Mas você me salvou. Obrigado. – murmurei.
Ela espiou para ver se estávamos sozinhos e então se aproximou me olhando com aqueles olhos castanhos. Ela parecia preocupada comigo.
— Cygnus. Você está mexendo com as Artes das Trevas, não é? – perguntou ela. – Eu sou sensível a isso... Eu consigo sentir... você está impregnado.
— Eu não sei. – disse para ela me deitando – Estava fazendo minha ronda e então... Minha mente ficou doida. Fiquei achando que era outra pessoa. Uma pessoa muito ruim.
— Quem? – perguntou ela – Achou que era Voldemort?
— Não. – respondi – Mas fiquei com medo assim mesmo... De desaparecer...
— Medo? Mas você é a pessoa mais corajosa que eu conheço! — disse ela segurando a minha mão. Eu sorri para ela agradecido e tirei uma mecha de seus cabelos ruivos de seu rosto.
— Então não me conhece.
— Conheço sim! Conheço melhor do que qualquer um. – disse ela. Eu sorri de novo e apertei a mão dela.
— Obrigado.
— Ainda está com medo? Já se lembrou quem você é?
— Me lembrei... Mas estou... estou preocupado. Eu não sei o que aconteceu... Quando minha visão ficou escura e eu comecei a me lembrar de coisas que eu não fiz... Foi assustador... – confessei. Lily colocou a mão no meu rosto e sorriu – Se ficar tudo escuro de novo e...
— Não precisa ter medo do escuro, Cyg. Não se estiver comigo.
Lembrei de quando eu disse isso pra ela, quando ficamos presos no porão. Sorri para ela, tendo vontade de beijá-la de novo, mas não me atrevi. Ela merecia algo melhor do que essa coisa corrompida que eu sou.
— Não vou ter, Lily. Não enquanto estiver comigo.
— Vou sempre estar com você. – prometeu ela.
Quando Madame Pomfrey voltou para ver se eu estava melhor, eu já tinha ido embora com Lily. Ficamos na beira do lago. Ele estava congelado e Lily queria me ensinar a patinar. Levei vários tombos e descobri que era tão ruim naquilo quanto em cima de uma vassoura. Mas as risadas da minha garota favorita fizeram cada tombo valer a pena...
Passei o dia inteiro com ela, com medo de me afastar dela e então Abraxas aparecer para me possuir novamente.
— Meu irmão disse que você faz um patrono corpóreo. É verdade? – perguntou Lily.
— Sim, quer ver? – perguntei para ela pegando a varinha. Estávamos sentados na beira do lago, abraçados por conta do frio. Já tínhamos feito três bonecos de neve e estávamos gelados. Lily conjurou algumas chamas azuis e estávamos juntos nos aquecendo nelas.
— Quero!
Brandi a varinha, pensando no beijo que tinha dado nela naquele mesmo dia e o cisne prateado saiu da minha varinha, voando elegantemente.
— Bonito, né? – perguntei.
— Lindo! Um cisne! Igual a constelação do seu signo! – disse ela aplaudindo – Me ensina a fazer? – perguntou ela.
— É bem difícil. – disse.
— Eu sou bem esperta! — disse Lily sorrindo para mim. Céus, como eu queria beijá-la de novo. Deveria estar ficando doido.
Expliquei para ela e ela me olhava prestando atenção. Então começou a tentar, mas apenas uma névoa saía da varinha dela.
— Eu vou conseguir! Você vai ver! – disse ela quando voltávamos para o castelo, para o jantar. Fomos juntos para o Salão e quando entramos, eu olhei para a mesa da Sonserina. – Com medo? Quer que eu vá com você?
— Seu irmão vai brigar comigo. – murmurei – Obrigado pelo dia, Lily.
Ela suspirou e pegou uma mecha de cabelos e os cortou com um feitiço, para depois me entregar.
— Assim vou estar sempre com você. – disse ela – E você vai sempre saber quem é. – disse ela sorridente – Meu futuro marido.
— Metida. – eu disse aceitando.
— É verdade! Não vou te perder pra Dominique. – disse ela ficando nas pontas dos pés para me beijar no rosto. – Até mais. Te vejo amanhã, no natal! É bom que me leve para Hogsmeade, viu? – perguntou ela.
Sorri e concordei em silêncio. Fui para a mesa da Sonserina, sem sentir mais medo. Prendi os cabelos acaju com uma fita e então os coloquei no bolso. Poucos alunos da Sonserina tinham ficado para o natal. Albus era um deles e me fuzilava com os olhos. Pascal também tinha voltado pra casa e então éramos só nós dois do quinto ano, já que meu tio ia passar o natal em casa também.
— O que está olhando? – perguntei com pouco caso.
— Eu avisei pra ficar longe da minha irmã. – ralhou Albus. Suspirei e o olhei.
— Me desculpe. – Albus piscou surpreso – Mas é que eu gosto muito dela. É minha melhor amiga.
— Ela não te vê só como amigo!
— Mas ela tem até um namorado agora! – argumentei. Albus sorriu pra mim.
— Você realmente gosta dela!
— Sim! Como amiga!
Ele me deu um tapinha no ombro.
— Então, ok. – disse ele – Só não vá partir o coração dela.
Olhei para a mesa da Grifinória e Lily olhou pra mim no mesmo momento.
— Ok. – prometi mais pra mim mesmo do que para Albus.
Depois de tudo isso, você provavelmente pensaria que eu nunca mais tentaria entrar naquele lugar, não é? Mas eu não resisti... Era tentador demais para mim. E se eu não conseguisse lidar com Abraxas Slytherin, nunca conseguiria o Cajado. Ele também tinha tentado, não tinha?
Então, naquela mesma noite, eu estava de pé ao lado da mesa, olhando para aquele símbolo de serpente, tão parecido com os broches que seu pai usava em reuniões formais.
— Sabia que voltaria. – escutei o Barão vindo através da parede.
— Eu preciso descobrir o que aconteceu comigo. – expliquei para o Barão – Você acha que se eu descer... eu não vou ser capaz de voltar?
— Eu não sei... Mestre Abraxas sempre me disse que voltaria... – disse o Barão – Eu prometi a Ravenclaw que não deixaria, mas... – ele suspirou – Minha lealdade pertence aos Slytherin... Eu já trai minha família uma vez, não vou fazer de novo...
— Você matou Helena Ravenclaw... Ela tinha fugido comigo. – murmurei com rancor na voz.
— Ela não fugiu com você. Fugiu com Abraxas. – retrucou o Barão.
— Que diferença faz? – perguntei furioso.
— Me diga você, Cygnus.
Desviei o olhar, aflito. Fiquei quase dez minutos, parado ali, olhando aquela mesa até me decidir. Mordi meu dedo com força, abrindo um talho ali e então sujei a mesa com sangue. Depois disse a senha – Aperi.
A mesa se afastou e eu desci, sentindo o Barão ao meu lado. Logo estava de volta no escritório. A bagunça que eu tinha feito ainda estava ali. Olhei ao redor e vi o quadro e o espelho. Abraxas olhava pra mim.
— Sabia que voltaria, menino. – disse ele.
— Por que? Por que eu vi tudo aquilo? Qual sua relação comigo? Por que nos parecemos tanto? Eu não entendo.
Abraxas sorriu para mim e apontou para uma cadeira, querendo que eu me sentasse.
— Olá, Barão, seu maldito. Já faz algumas décadas que você não vem aqui. Espero que ainda sofra por ter matado minha Helena. – olhei para o retrato e vi que a moça olhava com repulsa para o Barão.
— Eu vim aqui pedir que deixe o garoto em paz. – disse o Barão.
— Eu não fui atrás dele, fui? – riu Abraxas.
— Não... Mas o guiou até aqui. – disse o Barão – Você não vai voltar. Você nunca mais estará com Helena novamente, Abraxas.
— Você não sabe nada sobre isso. – riu Abraxas.
— Eu sei. Desista e deixe o garoto.
— Ele deseja saber, não deseja, garoto? Você deseja mais do que qualquer coisa.
Olhei para o espelho concordando que as semelhanças eram assustadoras. Olhar para Abraxas Slytherin era o mesmo que me ver como sou hoje.
— Onde está o cajado? Você o encontrou? – perguntei.
— Sim. Eu o encontrei. – respondeu ele – É ainda melhor do que todas as histórias sobre ele, Cygnus.
Arrepiei-me ao ouvir o reflexo chamar o meu nome.
— Que espelho é esse, Barão? – perguntei, mas foi Abraxas quem respondeu.
— Eu o criei. Há séculos atrás. Guardei nele todas as minhas memórias e apenas aquele que fosse digno poderia me ver. Gerações de Burkes e Borgins se sentam aqui, tentando me ver, querendo descobrir meus segredos, mas você foi o primeiro a me ver há mais de duzentos anos. Nem mesmo Helena pode me ver aqui. Mas você pode... E devo dizer... Valeu a pena esperar... Você parece perfeito.
— Para que? – perguntei.
— Para libertar nosso pai e limpar o mundo.
— Limpar o mundo? Sinto desapontá-lo, mas não me interesso em matar trouxas e nem ligo para pureza de sangue. – disse com o olhar mais desafiador que pude dar.
— O que deseja, então? – perguntou ele.
Ignorei completamente o Barão.
— O cajado. – respondi.
— Para que?
— Eu não sei. Mas é o que eu quero. Desde criança.
— É o seu destino encontrar o Cajado. É seu destino, Cygnus, erguer o mundo bruxo para infinitas glórias. – disse Abraxas.
— Não vou matar ninguém. Eu não sou como você.
— Você é exatamente como eu. – discordou ele. – Ou se esqueceu da trouxa que você viu morrer? Você gostou, não gostou? De vê-la morrer? E ainda guardou um espólio para você. Aquele anel que provavelmente era para alguém importante para ela...
— Pare. É diferente. – eu disse sentindo o corpo tremer – Não fui em quem a matou. Não havia nada que eu pudesse fazer para ajudá-la!
— Não quis que ela te tocasse. Sentiu nojo e depois prazer quando a vida dela se apagou. Não foi assim?
Senti o corpo tremer e vi o Barão Sangrento me olhar, surpreso. Escondi o rosto com as mãos, fingindo-me de envergonhado.
— Isso é verdade, Cyg?
— Não! – menti. Abraxas riu de seu espelho.
— Você será o maior bruxo da atualidade, Cygnus... sua família serve os Slytherin há muito tempo. Não é mesmo, Barão? — Levantei meu olhar para o barão e notei que ele olhava sem expressão para Abraxas. – Oh... Você nunca contou a ele? O porquê de estar sempre seguindo os Malfoy. Como é ver os descendentes do seu irmão prevalecerem no mundo enquanto você morreu de desgosto, por ter matado a mulher que amava... E que nunca te amou, devo adicionar. – ele riu maldosamente – Seguia Helena pela escola quando eram vivos. Estudou com meu pai, foi meu colega de sala... – Abraxas cuspiu no chão, de desgosto – Sabia que eu amava Helena. Sabia que era a única pessoa com quem eu já me importei um dia... Mais ou menos como a sua Lily, Cygnus. Como você ficaria se tirassem de você a única coisa pura que você tem na vida?
Olhei para Abraxas e vi dor no olhar dele.
— Não sei do que está falando. – disse com medo.
— Eu nunca tocaria na sua Lily, Cygnus. Por que acha que eu recuei quando você a encontrou? – perguntou ele – Você lembra de quando o fantasma de Helena disse que eu não me casei com ela por achar minhas mãos sujas demais? Ela não mentiu e nem eu. E você entende isso perfeitamente. Você sabe que não é como os outros, não sabe? Sempre soube que era diferente. Por isso você a deseja e ao mesmo tempo a afasta. Como fez na Toca... Você a avisou para ficar longe...
— Como sabe disso? – perguntei assustado, sentindo meu peito doer de tão rápido que meu coração batia.
— Eu sei de tudo o que você sabe, Cygnus. Eu sempre soube. E em breve eu te ensinarei tudo o que eu sei.
Me levantei querendo sair dali, mas as paredes do escritório pareceram escorrer, como tinta e tudo ficou escuro.
Quando abri os olhos, não estava em Hogwarts. Estava em uma floresta. Numa cabana. Vi Abraxas ali, andando de um lado para o outro.
— Onde estou? – perguntei, mas ele não me respondeu. Olhei ao redor e senti medo. Coloquei a mão no meu bolso e apertei os cabelos de Lily, sabendo que aquilo era ridículo.
A porta abriu e Abraxas levantou o olhar para uma pessoa que entrava, encapuzada.
— Helena! – dissemos juntos.
— Abraxas... – murmurou ela.
Então entendi. Estava nas memórias dele, mas não era simples assim. Eu podia sentir o que ele sentia, pois assim que ele abraçou a mulher, o medo que eu senti se transformou em alívio e quando ele a beijou, se transformou em desejo.
— Tive medo que não fosse conseguir. – disse ele. – Achei que não conseguiria fugir, ou que não ia querer fugir...
— Eu nunca desistiria de você, querido. – disse ela voltando a beijar Abraxas. Mas não entendia... Helena tinha dito a ele que tinha se declarado para ele depois de morta... aquilo não fazia sentido. Um dos dois estava mentindo... – Eu amo você, Abraxas.
E então o desejo voltou a ser medo e depois vergonha.
— Helena... Me desculpe. Eu já disse...
— Eu sei que disse e eu disse que não me importo.
— Mas eu sim. Não quero colocá-la em perigo. Os outros herdeiros vão vir atrás de nós. Você precisa fugir.
— Não vou fugir. Meu lugar é com você. – insistiu Helena.
Então fiquei feliz e preocupado. Vi os dois se beijarem e as coisas esquentarem.
— Vá embora, Helena, ou vou te desgraçar. – pediu Abraxas tirando o vestido dela. Me lembrei imediatamente do que tinha dito para Lily na Toca: Você é uma boa menina e eu não quero sacanear você, mas se insistir em ser tolinha, é o que vai acontecer.
— Me desgrace, Abraxas. Assim ninguém vai poder me separar de você. – pediu Helena.
Foi estranho ver aquilo. Muito mais sentir aquilo. Nunca sentira aquilo transando com Dominique. O sexo com ela era delicioso, mas o que Abraxas sentia era novo. Quando os dois terminaram, me senti culpado, mas extremamente feliz. Feliz de um jeito que nunca tinha me sentido antes. Aquilo era amor. Tive certeza de que era. Como que lendo minha mente, Abraxas disse.
— Helena, minha doce Helena. Eu te amo demais. Nunca mais vou deixar que tirem você de mim. Vamos ser felizes juntos. Eu prometo.
Helena sorriu para ele e então me senti puxado dali.
Pisquei e me encontrei deitado na minha cama. Meu corpo todo doía terrivelmente. Me sentei e senti alguma coisa se desgrudar de mim. Olhei assustado para o lado e vi uma garota da Corvinal, do sétimo ano...
Pulei da cama de susto e notei que estava como vim ao mundo. Pelado e sujo de sangue. A garota da Corvinal acordou e me olhou. Depois olhou para si mesmo e gritou assustada.
— O que houve? – perguntou ela.
— Eu não sei. – respondi – O que está fazendo na minha cama? – perguntei pra ela.
Ela olhou para os lados e então ela começou a chorar.
— Você me azarou! Me obrigou a fazer isso!
— Eu não! – disse assustado. Saí de perto dela, procurando as minhas roupas e encontrei Albus me olhando friamente. – O que aconteceu?
— Vocês dois pareciam dois cachorros. Passaram o dia todo grudados ai... Sendo que você combinou com Lily que a levaria pra Hogsmeade... e se eu não me engano, você está namorando a minha prima Dominique. Em outras palavras, você é pior que o Scorpius.
— Eu não me lembro.... Que dia é hoje? – perguntei.
— Dia vinte e seis de dezembro. – respondeu Albus – Andou bebendo ou fumou narciso demais?
A garota da Corvinal saiu vestida e olhou para Albus.
— Eu não queria nada disso!
— Queria sim! – resmungou Albus zangado – Quando eu entrei no quarto ontem a tarde, você estava cavalgando nele.
— Não! Eu não fiz isso! – negou ela – Ele me azarou! Ele me obrigou.
— Eu não fiz nada disso! – disse com desespero. Vesti minhas calças e saí do dormitório. Nem me preocupei em botar uma camisa. Corri para o escritório, entrei pela passagem secreta e procurei pelo espelho. Abraxas estava lá, apenas de calças, com um sorriso satisfeito – O que fez com aquela garota? – perguntei enfurecido.
— Eu? Eu não posso sair daqui, lembra? O que VOCÊ fez com aquela garota?
— Eu não... Eu não me lembro... Você me controlou por um dia inteiro?
— Sim... fiquei duzentos anos sem uma foda, Cygnus. Eu realmente precisava disso. Espero que Dominique não se importe.
Fiquei furioso e peguei uma cadeira e joguei contra o espelho. Mas a cadeira entrou dentro dele, como se fosse água e Abraxas a pegou para se sentar.
Ele me olhou com o mesmo sorriso desdenhoso que eu fazia tão bem.
— Nunca mais faça isso. Esse corpo é meu! – respondi furioso.
— Deixe-me tomar o controle quando estiver transando com a sua namorada e eu posso pensar no seu caso. – riu ele se jogando contra o espelho. Parecia que ele estava preso do outro lado do vidro – Você é meu, Cygnus. Quanto antes começarmos a trabalhar juntos, melhor.
— Eu não vou fazer isso!
— Você vai. Cedo ou tarde. Não se preocupe. Lembre-se. A próxima foda com Dominique é minha ou então... – Abraxas sorriu e o espelho se tornou algo negro.
Me sentei num canto, me sentindo sujo. Estava com as pernas sujas de sangue... Me lembrei do dia que tinha tirado a virgindade de Dominique. Me levantei e fui procurando por ingredientes ali. Achei um caldeirão velho que serviria perfeitamente. Comecei a preparar o chá de lua, sentindo as costas arderem. Logo notei que estavam arranhadas. Oh... Tinha que curar aquilo antes que Dominique voltasse... Mas ela ia saber... não ia? Albus não iria guardar segredo... E o que ela iria pensar? Deveria contar para ela?
Gostava de Dominique, apesar de não ser, nem de longe, o que Abraxas sentia por Helena. Olhei para o quadro dela e ela sorriu gentilmente.
— O que andou aprontando, Abraxas? – perguntou ela gentilmente.
— EU NÃO SOU ABRAXAS. MEU NOME É CYGNUS! — gritei descontrolado. Precisei recomeçar a poção umas duas vezes antes de conseguir fazer corretamente.
Depois saí daquela sala e procurei por aquela garota da Corvinal, cujo nome eu nem mesmo sabia. Quando a encontrei, ela estava sentada em um corredor, chorando. Sentei ao lado dela e lhe ofereci o frasco.
— Beba.
— O que é isso? – perguntou ela. A olhei indiferente.
— Chá de lua.
— Nós realmente fizemos aquilo, não fizemos? – perguntou ela pegando o frasco com as mãos trêmulas.
— Eu não sei. Parece que sim, mas... Mas eu juro que não me lembro. – disse segurando minha cabeça.
— Eu começo a me lembrar... E... Potter tem razão... eu quis... Eu... Quis... – disse ela chorando. – Você jura que não me azarou?
— Sim. Eu estou com Dominique. Eu não sou infiel. – murmurei constrangido.
— Oh... meu corpo está todo dolorido. – murmurou ela depois de beber a poção. – Parece que fui pisoteada...
— Estou todo arranhado. – lamentei.
— Sim... Parece que estava lutando com um amasso... – riu ela sacando a varinha e me curando.
— Me desculpe, mas... Eu nem sei o seu nome. – murmurei fazendo careta. Ela secou outra lágrima.
— Me chamo Ariadne. Ariadne Conner. – disse ela – E eu estou com a sua mão tatuada na minha bunda.
— Céus... Me perdoe. – murmurei a olhando completamente envergonhado.
— Bem... Eu meio que pedi pra você me bater. – disse ela igualmente envergonhada.
— Podemos fingir que isso nunca aconteceu? – perguntei. Ela me olhou com os olhos chorosos.
— Foi minha primeira vez... – murmurou ela.
— Eu sei... Estava sujo de sangue... Ainda estou, na verdade. Nossa... Isso é muito embaraçoso. – resmunguei olhando para o outro lado.
— Você pode pedir para que Potter não conte pra ninguém? – perguntou a garota.
— Sim. Vou falar com ele.
— Muito obrigada... E... Cygnus... – murmurou ela. A olhei para esperar o que ela iria dizer. Mas ela me beijou nos lábios. A puxei pela cintura e a deitei no chão. Pude ouvir a risada de Abraxas na minha mente. Me afastei dela – Desculpe... Não sei o que deu em mim.
— Eu preciso ir. – murmurei me levantando.
Saí correndo de lá, voltei para o meu quarto, fiz as malas e fui para a estação. Peguei o expresso, ainda me sentindo sujo. Olhei pelo reflexo do vidro e vi Abraxas sentado na minha frente. Olhei para o banco, mas não tinha ninguém ali. Ele estava só no reflexo. Então eu entendi. Ele estaria sempre ali.
Desci na estação King’s Cross e peguei o Noitibus para Whiltshare. Evitei a todo custo olhar para os vidros.
Depois de um tempo me vi em casa. Meu porto seguro. A gloriosa Mansão Malfoy. Caminhei a passos rápidos e então entrei em casa. Meu pai quem me recebeu e me olhou friamente.
— O que raios você pensa que está fazendo? – ralhou ele – Por que não voltou pra casa com seus irmãos?
Por um momento quis abraçá-lo e pedir ajuda. Quis chorar e falar que estava com medo. Falar que talvez tivesse usado meu dom com legilimens para estuprar uma garota. Que estava sendo possuído e que às vezes perdia o controle sobre mim mesmo.
— Eu... – respirei fundo, sentindo-me estranho.
— O que houve, filho? – perguntou meu pai com a voz mais suave – Cyg? Cyg?
Depois disso ficou tudo escuro e só me lembro de acordar no quarto de Virgo no meio da madrugada. Minha irmã era muito bonita e vaidosa. Seu quarto tinha um grande espelho e eu vi Abraxas olhar para ela, com um sorriso safado.
— Sua irmã é linda. Muito linda. – riu ele.
Caí no chão, de susto. Me arrastei para longe dela, enojado. Mas ainda conseguia ver Abraxas rindo pra mim.
— Não toque na minha irmã. – pedi desesperado.
— Podemos fazer isso funcionar, Cygnus. Eu posso ser tudo o que você sempre sonhou ou posso ser seu pior pesadelo. Como vai ser?
Saí de lá, assustado e corri para a cozinha. Minhas mãos tremiam mais do que nunca.
— Cygnus. Você está bem? – me virei e vi minha mãe.
Scorpius sempre foi mais apegado ao meu pai, apesar de todas as brigas que eles tinham. Mas eu sempre fui mais apegado a ela. Corri até ela e a abracei.
— Estou melhor. Quanto tempo eu apaguei?
— Apagar? Você não apagou... Do que está falando? – perguntou ela afagando meus cabelos.
Eu não tinha apagado, então isso significava que ele me controlara.
— Acho que tive um pesadelo... – murmurei. Minha mãe seguiu me abraçando e me fazendo carinho na cabeça;
— Tem algo errado, meu amor? Tem algo que você queira conversar?
Céus... Tinha tantas coisas.
— Não. Não é nada.
— Por que não veio pra casa com seus irmãos?
— Briguei com o Scorpius... – menti. Mas tenho certeza que ela sabia que era mentira.
— Bem... Estamos no meio da noite. Volte para sua cama. – disse minha mãe – Durma um pouco.
Concordei com medo de dormir e acordar com Virgo... Ou sabe-se lá com quem. Fui para meu quarto e me olhei no espelho. Vi Abraxas sentado atrás de mim.
— Que quarto bonito que você tem, Cygnus.
— O que você quer de mim? – perguntei vencido.
— Agora estamos conversando... – riu ele – Eu quero voltar para o seu mundo, com o meu corpo... E quero que você traga Helena também.
— Necromancia... Vocês morreram há muito tempo... Não existe nada que eu possa fazer. – disse olhando-o através do espelho.
— É claro que há. Você só tem que me escutar. Peça ajuda para o Barão. Ele vai falar como achar o Cajado.
— Você já o encontrou. Por que precisa que eu fale com o Barão?
— Porque só ele sabe como pegar o Cajado. Acredite, eu tentei durante muito tempo. Tentei tanto que morri. Sem a ajuda do Barão, você terá o mesmo destino.
— O Barão não vai ajudar. – murmurei.
— Então vamos nos divertir bastante juntos. – riu Abraxas.
Depois disso, meu ano foi um pesadelo. Pedi para meu pai me ensinar Oclumência, pois pensei que isso manteria Abraxas longe da minha mente, mas não adiantou.
Quando o recesso terminou e eu voltei pra escola, estava num medo sem fim de ver Dominique. Esperava que ela terminasse comigo. Só podia torcer por isso. Mas quando estava fazendo minhas rondas como monitor, ela me encontrou.
— Está me evitando, Cygnus? – perguntou ela.
— Não. – menti – Por que te evitaria?
— Por que você pode estar gostando de Lily! – respondeu Dominique.
— Não. Ela é só uma garotinha! – murmurei. Dominique me empurrou contra a parede e olhou nos meus olhos.
— Você não está pensando em me trocar por aquela pirralha, está?
— Não. De jeito nenhum.
Ela sorriu satisfeita.
— Ótimo. Vem. – disse ela me puxando. Logo me vi no banheiro dos monitores. Dominique trancou a porta e me beijou desafivelando o meu cinto – Eu estava com saudades. – murmurou ela.
— Ãhn... Dominique... Espere... – murmurei sentindo Abraxas querendo tomar conta da minha mente.
— O que? – perguntou ela, me olhando feio.
Olhei para o espelho e eu vi Abraxas ali.
— Não é nada. Vem.
Antes ela do que a minha irmã...
Deixei Abraxas tomar conta e passei por aquela humilhação sem fim. Parecia que eu estava preso no espelho enquanto Abraxas traçava minha namorada. Quis tapar os ouvidos e fechar os olhos, mas isso me fazia ver e ouvir pelo meu corpo. Mesmo que não fosse eu quem o controlasse.
Abraxas era muito mais violento do que eu. Ele falava coisas que eu nunca diria e queria coisas que eu não queria. E Dominique as aceitou todas. Não sabia se era o legilimens ou se ela realmente queria. Ele a mordia e a arranhava, a estapeava, a xingava e ela pedia sempre por mais, como ele queria que ela fizesse.
Mas eu cheguei no meu limite e consegui voltar ao controle, expulsá-lo. Empurrei Dominique para longe e cai no chão, tremendo. Ela pareceu acordar de um transe e me olhou assustada.
— Desculpe. – disse me encolhendo – Merlin. Perdoe-me, Dominique.
— O... O que foi isso? – perguntou ela.
— Eu... eu perdi o controle. – murmurei. Dominique veio engatinhando até mim e me beijou.
— Agora é você mesmo? – perguntou ela.
— Sou eu. – respirei a olhando. Ela sorriu para mim.
— Isso foi bem louco. Não parecia ser você e eu não parecia eu mesma. Você entrou na minha mente e me controlou.
— Me perdoe...
— Não... Eu gostei. – disse ela sorrindo – Sinceramente, Cygnus... Tava ficando sem graça. Mas agora... Faça mais vezes. Eu não ligo! – disse ela se sentando no meu colo. Gemi ao senti-la rebolar – Eu disse que gosto de você malvado.
— Você é maluca. – murmurei para ela.
— Sou. Sou completamente doida. – riu ela rebolando. – Não quero que sempre seja assim, mas de vez em quando pode ser...
No final do semestre, quase sempre quem assumia era Abraxas. Eu tentava fazer como Abraxas fazia, mas ela sempre notava a diferença.
Foi quando ela começou a falar que me amava. Mas eu sabia que era mentira. Ela não me amava. Ela amava Abraxas e eu fiquei furioso com isso.
Terminei com ela, me sentindo completamente humilhado. Mais ela não queria desistir de nós – e quando digo nós, quero dizer nossa relação à três.
Dominique ficava me seguindo pelos corredores, pedindo para reatar, choramingando irritantemente.
— Por favor, Cygnus. Eu amo você. – choramingava ela.
— Chega, Dominique. Eu não aguento mais. Eu não quero mais falar com você, eu não quero ver a sua cara. Eu quero que me deixe em paz! – eu não estava pensado direito. Estava com o ego mais do que ferido.
Depois disso corri para o escritório, decidido a me livrar de Abraxas, para sempre. Ele me olhava debochado, do seu espelho.
— Não acredito que terminou com a nossa namorada sem pedir a minha opinião. – riu ele para mim, com um ar zombeteiro – Só porque eu sou melhor na cama que você... Não sabia que era ciumento e invejoso assim.
— Vá pro inferno. Cansei de você. – resmunguei olhando ao redor. Foi quando eu vi. A solução para os meus problemas. Numa escrivaninha, num pote verde. – Veneno... – Olhei para Abraxas, que me olhava receoso – Você nunca mais vai me controlar.
— Você não teria coragem... – murmurou ele.
— Quer apostar? – perguntei abrindo o frasco. Abraxas me olhou com os olhos esbugalhados e eu tentei tomar o veneno. Senti aquela criatura tentar tomar minha mente, mas consegui expulsá-lo. Mas logo ele tentou de novo.
— Menino! Não faça isso! Por favor! – pediu a Helena do retrato.
Ficamos naquela briga pelo controle do meu corpo. Caí de joelhos e vi um chumaço de cabelos acaju. Segurei os cabelos de Lily e fechei os olhos, me lembrando de Lily. Não precisa ter medo do escuro, Cyg. Não se estiver comigo.
— Adeus, Lily... – murmurei. E então consegui beber o frasco.
— NÃO! – gritou Abraxas – Seu idiota!
Coloquei as mãos no meu pescoço, sentindo tudo queimar dentro de mim. Não conseguia respirar e logo comecei a tremer e notei que um dos armários estava se abrindo. Foi a última coisa que vi antes de desmaiar.
Acordei na Borgin&Burke, com Tio Damian estalando os dedos na frente dos meus olhos.
— Cyg? Acorda, Cyg. No que estava pensando? Tentou se matar? – ralhou ele.
Me sentei desesperado.
— Por que não estou morto? – perguntei.
— Eu vi o que você bebeu. Sorte que eu tinha um antídoto fácil. Quase não deu tempo de te salvar.
— Seu idiota! – lamentei escondendo o rosto. Tinha medo de levantar meus olhos e ver Abraxas me olhando pelo reflexo de qualquer coisa – Devia ter me deixado morrer!
— Do que está falando?
— Como conseguiu entrar lá? – perguntei zangado, olhando para meus pés.
— Como VOCÊ conseguiu entrar lá. O Barão te contou ou você achou sozinho?
Eu ainda respirava acelerado, sentindo o pescoço e o estômago doerem.
— Ele me contou.
— Raios... – Tio Damian colocou a mão no meu ombro – Você o viu no espelho?
— Você sabe sobre ele? – perguntei assustado. Tio Damian concordou.
— Qualquer Burke e qualquer Borgin sabe. – respondeu ele – É uma lenda passada de geração em geração... Sempre sonhamos em ser premiados em vê-lo...
— Sonham em vê-lo? – perguntei furioso, levantando o olhar pela primeira vez.
— Uau. – murmurou Damian – Que tipo de magia negra você tem feito?
— Nenhuma. – respondi – Meu interesse é puramente teórico.
Tio Damian pegou um espelho e apontou para mim, mas eu escondi o rosto.
— O que foi?
— Não. Não aponte isso pra mim! – rosnei enfurecido.
— Só queria mostrar seus olhos. Estão vermelhos... não estão mais. – murmurou ele me olhando preocupadamente – Cygnus... Precisamos contar isso pro seu pai e pro seu avô.
— Não. Não vamos falar sobre isso. – rosnei.
Me obriguei a olhar meu reflexo, mas só vi a mim mesmo.
— Mas... Cygnus.
— Eu disse que não! – rosnei novamente. Me levantei, sentindo-me fraco. Cocei os olhos e tentei encontrar Abraxas... mas não o senti. Me perguntei se teria me livrado dele. Uma parte de mim quis acreditar nisso, mas a mais racional duvidava. Ele estava com medo. Medo que eu tentasse me matar de novo. Nada mais do que isso. – Como eu volto para a escola? – perguntei.
Damian me olhou preocupado.
— Não procure pelo cajado. Se afaste das Artes das Trevas, Cygnus... Você não tem cabeça pra isso.
— Não estou envolvido com artes das trevas. – resmunguei. – Elas quem vieram atrás de mim... – disse. Olhei para Damian – Como posso quebrar aquele espelho, Damian?
— O espelho de Abraxas Slytherin?
— Você sabe sobre ele? – perguntei surpreso.
— Claro. – respondeu Damian se sentando em uma cadeira, para acender um cigarro. Aceitei um quando ele me ofereceu.
— Conte-me.
— Só se concordar comigo em falar com o seu pai.
— Eu não posso. – respondi.
— Então não vou te falar.
— Ele tentou me controlar, Damian. Eu preciso saber como quebrar aquela coisa.
— O espelho?
— O próprio Abraxas... Ele quer o meu corpo. Ele quer que eu faça coisas... me ameaçou... Ele conseguiu tomar o controle do meu corpo. Estuprou uma garota em Hogwarts... Usou legilimens para fazer a garota acreditar que ela queria... Depois me fez ir ao quarto da minha irmã e sugeriu que se eu não fizesse o que ele queria, ele iria fazer o mesmo com ela. – expliquei enojado – Eu preciso saber, tio... eu preciso me livrar disso.
Damian me olhava de modo sombrio.
— Você é ofidioglota, Cygnus?
— Não. – respondi.
Damian desviou o olhar.
— Só pra saber.
— Como eu quebro o espelho?
— Eu não sei, Cygnus. – respondeu Damian – Você precisa de ajuda.
— Estaria colocando mais pessoas em risco. – murmurei. Tirei algumas moedas do bolso e as joguei para ele – Me arrume poções de força de vontade.
— Certo... Mas você sabe que elas viciam e ficam cada vez menos potentes, não é?
— Sei. Só preciso me controlar o suficiente para descobrir como quebrar aquela coisa...
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