Cygnus - Fallen
18 O Baile, a Valsa, e de volta à Mansão
Notas iniciais
O baile
Eu e meus colegas chegamos em Hogwarts cobrindo o nossos rostos com o capuz. Apenas Dominique não tinha vindo. Katarina olhou ao redor e sorriu.
– Nossa... que saudades da escola.
– Sim. – riu Cerce – Vamos dar uma volta por ai. A gente se encontra depois, nas escadas.
Concordei e olhei ao redor até achar a mesa dos meus pais. A organização estava diferente da minha formatura. Na minha vez, os parentes ficavam sentados em vários bancos, enfileirados, de frente para o palanque e a pista de dança era do outro lado.
Mas na de Virgo, no lugar dos bancos, haviam mesas com cadeiras, para as famílias dos formandos. A decoração estava muito mais bonita e me perguntei se teria dedo da minha irmã nisso. Antes de achar a mesa da minha família, vi a dos Potter. Gina, James e Albus ali. Franzi o cenho me perguntando onde estaria meu padrinho.
Depois vi os Weasley. Apenas tio Rony e tia Hermione, com a mãe de tio Rony, a senhora Moira. Me perguntei pelo pai dele. Será que tinha morrido?
Continuei passeando os olhos pelas mesas e vi meu irmão. Caminhei a passos firmes até ele, sentindo uma súbita vontade de correr.
– O senhor está bem, pai? – escutei Scorpius perguntar.
– Eu não posso elogiar você, por um acaso? – perguntou meu pai, sempre impecavelmente elegante, com aquele tom de voz seco e firme.
– Você nunca me elogia. Quem sempre ganha elogios seus é a Virgo. Eu sou o filho que casou com a Weasley mestiça e o Cygnus é o filho desnaturado e nunca está presente. – Disse Scorpius.
Sorri e dei um pigarro quando cheguei perto o suficiente.
– Isso é um absurdo. Eu nunca perderia a formatura da minha irmãzinha. – Senti todos me olharem surpresos. Minha mãe levantou-se de uma vez e pulou para me abraçar, como qualquer mãe faria.
– Cygnus! – disse ela. A abracei de volta – Por onde você andou? Por que não escreveu? Eu senti tanta saudades!
– Desculpe, mamãe. – respondi dando tapinhas nas costas dela – Eu tenho vivido... intensamente... Foi meio difícil escrever.
Não era mentira. Eu não confiava no correio e temia que minhas cartas fossem interceptadas.
– E por que? – Perguntou minha mãe me soltando.
– Digamos que... Eu não posso voltar na Albânia. – respondi em tom de brincadeira. Sentei-me ao lado de Pascal e o olhei levemente surpreso – O que você está fazendo aqui?
– Eu e sua irmã estamos oficialmente juntos. – Disse Pascal com satisfação. Apenas dei de ombros.
– Eu sabia que papai iria ceder. Não sei porque ela criou tanto caso.
– E você, pra variar, sabia disso, e eu não... Mesmo você estando na Albânia.... – Resmungou meu pai.
– Ela é minha irmãzinha.
– É... Eu sei.
– Então... Está feliz por ela? – perguntei apoiando o queixo no punho, coçando meu cavanhaque.
– Sim. – Disse meu pai, parecendo satisfeito – Pascal é um bom rapaz. – Disse ele dando tapinhas nas costas de Pascal.
– Hum... E não vê problema por ele ser filho de mãe solteira, criado pelo avô, com um pai inconsequente, que quase roubou a mamãe de você, quando você era um idiota de quinze anos? Além do Sr. Zambini não estar entre as famílias do Diretório Puro Sangue?
– De que lado você está? – perguntou Pascal me olhando com censura.
– Seu pai finalmente entendeu que a felicidade dos filhos vem antes do que essas tradições idiotas, não é Draco? – perguntou minha mãe. Vi meu pai olhar para Virgo, que estava sentada ao lado das amigas da Sonserina, esperando ser chamada para discursar.
– É... Isso ai. – Murmurou ele vencido.
– Então vai parar de ser idiota e começar a tratar o Scorpius e a mulher dele melhor? – perguntei com um sorrisinho "a la Malfoy". Meu pai piscou e olhou para Scorpius, que parecia muito abalado com o que eu tinha dito. – Afinal a mulher dele é uma bruxa, filha de dois dos grandes nomes que ajudaram a derrotar o Lorde das Trevas... A mãe dela é uma bruxa fantástica e a Rose é uma excelente bruxa também. Ela era a monitora chefe. Sempre responsável e mesmo tendo engravidado muito jovem, arrumou um bom emprego no ministério, sem a ajuda de ninguém. – Scorpius me olhou piscando surpreso.
– Quem é você e o que fez com o meu irmão? – perguntou ele.
– Um Malfoy sempre põe a família em primeiro lugar. Já deveria ter aprendido isso. – respondi com indiferença – Agora cale a boca, porque a Virgo vai falar.
Virgo se levantou ao mesmo tempo que meus avós e Remo chegavam. Notei que ele estava de mãos dadas com Alexia Shafiq.
– Chegamos a tempo! Ufa! – riu meu avô se sentando ao lado de Scorpius – Cadê a coisinha linda do biso! – riu Sirius pegando um bebê ruivo. Só então me lembrei que Scorpius tinha tido um filho. Scorpius entregou o bebê a Sirius que a mordicou na bochecha. Então ele me olhou – Cygnus! Você voltou? Quando?
– Acabei de chegar. – respondi apertando a mão do meu avô e depois a de Remo.
– Se lembra da Alexia? – perguntou meu tio – Estamos noivos.
Pisquei surpreso para ela. Alexia estava muito bonita. Loira, dos olhos cor de amêndoa, com aquele nariz aristocrático...
– Toujours Pour. – disse sorrindo. Meu avô fez uma careta.
– Como se não bastasse ele cair na Sonserina... A noiva tinha que ser sangue puro. – resmungou ele.
Alexia deu uma risadinha desdenhosa e minha avó acertou meu avô na cabeça.
Minha irmã começou a falar e todos ficamos quietos a olhando. Mas meus olhos pareciam ter vida própria e começaram a passear pelos formandos, até que encontrei quem eu procurava. Ela usava um vestido de saia vermelho intenso, o corpete era da cor de sua pele e haviam flores da cor da saia nele. O efeito que dava era que a parte de cima eram apenas as flores. Ela estava linda, como sempre. Podia ver dali as sardas que eu tanto gostava.
Os dois anos que passamos separados fizeram bem a Lily. Ela tinha se tornado uma mulher muito bonita.
Olhei para Virgo. Ela usava um belo vestido verde escuro com detalhes negros. Seus cabelos estavam compridos e soltos, caindo platinados sobre suas costas, combinando perfeitamente com alguns detalhes prata que haviam no vestido. Ela também estava linda e Pascal olhava para ela completamente hipnotizado.
Depois de um discurso bem construído, todos ficaram de pé e aplaudiram.
– Harry ainda não voltou? – perguntou meu avô.
– Não. – murmurou minha mãe – Já tem uma semana que ele sumiu... Vai perder a valsa, desse jeito... Pobre Lily.
– O que houve com Harry? – perguntei curioso.
– Parece que tem um novo grupo de bruxos das trevas surgindo... Eles derrubaram o governo Albanês. – explicou Scorpius.
– Oh, sim... Eu estava lá. – disse dando de ombros – As coisas estão tão chatas aqui a ponto de Harry ter que ir cuidar de problemas em outro país?
– Queriam um especialista em comensais de morte. – explicou meu avô – O grupo é bem parecido.
– Hum...
– Cygnus. Você disse que não poderá voltar na Albânia, por que? – perguntou minha mãe me olhando com se eu fosse explodir a qualquer segundo.
– Eu posso ter arrumado uns bastardinhos por lá. – murmurei dando de ombros.
Remo engoliu uma risada e Scorpius deu um tapa no meu ombro, achando aquilo bacana. Mas minha mãe me olhou horrorizada e meu pai não parecia ter acreditado.
– Não acredito, Cygnus! Não pode fugir de uma responsabilidade dessas! – ralhou ela.
– O problema não eram os bastardinhos. Eram os pais das moças querendo me matar. Como se eu as tivesse pego a força. – resmunguei dando de ombros e meu pai riu parecendo cair na conversa.
– Acontece nas melhores famílias. – riu ele.
– Malfoy sempre serão nojentos... – resmungou meu avô olhando meu pai com reprovação e ele deu um dos sorrisos que o deixavam parecido com Scorpius. Um sorriso divertido e sacana.
– Eu provavelmente não vou querer saber, não é? – riu Scorpius.
– CYGNUS!
Me virei e senti Virgo pular em cima de mim.
– Olá, Virgo...
– Eu sabia que você ia vir! – disse ela sorridente. Depois se virou com um sorriso vitorioso no rosto para Scorpius – Me deve vinte galeões.
– Oh... você lembrou... – resmungou ele.
– E então, o que tem feito?
– Estudado criaturas mágicas entre outras coisas... Aprendi tanta coisa, participei de campeonatos de duelos e fui no Brasil... Excelente lugar. As pessoas fazem magia na frente dos trouxas, lá.
– Sério? – perguntou Virgo – Nossa...
– Claro... tem um tipo certo de magia que eles fazem, lugar e horário, mas ainda assim...
– Você vai me contar T-U-D-O depois, ouviu? – perguntou ela – Ah! Papai me deixou namorar o Pascal.
– Sim, eu fiquei sabendo... – ri com ela. Virgo me abraçou apertado.
– Ah, Cyg... senti tanta a sua falta... – ela se afastou um pouco – Lily também! Ela sempre vinha me perguntar se eu tinha notícias suas.
– Hum... – murmurei – Eu meio que estou comprometido.
– COM QUEM?! – perguntaram minha mãe e Remo. Ambos parecendo inflar de alegria.
– Eu disse “meio”... – resmunguei – Não é nada certo, mas talvez eu me case com Dominique daqui uns anos.
– Que? Outra Weasley? – perguntou Virgo e Rose corou ofendida.
– Qual o problema? – perguntou minha cunhada.
– Dominique é puro sangue. – eu disse como se aquilo fosse motivo para encerrar o assunto, mas meu avô olhou para minha avó.
– É Régulus sonhando com terras francesas novamente. – disse ele com um sorriso maroto. Minha avó Damasco apenas riu.
– Quem sabe? – perguntou ela.
Ficamos conversando mais um tempo. Virgo me contou que fechou a escola com dez N.I.E.M.s, como capitã do time da Sonserina, maior artilheira do ano, e com a taça das casas ganha para a Sonserina, assim como a Taça de Quadribol.
– Fechei minha vida escolar com chave de ouro. – riu ela.
Apertei a bochecha dela, orgulhoso.
Voltamos a conversar animadamente quando Damian apareceu para falar com ela (ele é padrinho dela).
– Adorei o discurso, querida. – parabenizou ele.
Toda hora eu desviava minha atenção da minha família. Vi meus companheiros passearem pelas mesas. Alzar era intimidador e olhava todos com desconfiança. Mas quem eu mais espiava, era Lily... Lily Potter...
Lembrei-me tão vivamente da nossa primeira vez que senti o rosto corar.
Me obriguei a não olhá-la, mas logo me pegava a encarando, por mais que ela não tivesse me visto.
Como eu sentia falta dela...
So Close – Lily and Cygnus perspective
Eu deveria estar feliz, sei disso, mas era complicado. Como ficar feliz, sendo que meu pai tinha sumido? E se ele estivesse morto? Não conseguia imaginar minha vida sem ele... Ele era meu herói... Lembro que quando vi a carta dele no sapo de chocolate, quase tive um troço no coração... Quando ele saía para missões, minha mãe ficava angustiada. Claro, ela tentava não aparentar... Minha mãe é a mulher mais forte que eu conheço... Mas quando papai não estava em casa, parecia que tudo ficava escuro. Parecia que estávamos todos vulneráveis.
E lá estava eu, naquele vestido lindo, numa maquiagem linda, um penteado lindo, no dia da minha formatura... Com um olhar triste e perdido.
Meus irmão tentavam me alegrar, é claro. E minha mãe, como sempre, tentava ser suficiente. Mas não era a mesma coisa. Não sem meu pai.
E havia algo a mais...
A valsa.
Logo chegaria o momento de valsar e isso me causava calafrios.
Primeiro porque eu não sei dançar. Pobre do Apolo que teve que dançar comigo quando eu estava no quinto ano... Eu pisei tanto nos pés dele...
Mas principalmente porque eu não podia dançar com meus irmãos...
A valsa é a dança das despedidas... Ela simbolizaria que agora eu sou uma adulta e que não dependeria mais dos meus pais. É um adeus ao homem que me criou. Significaria que daquele momento em diante, eu poderia tocar minha vida sozinha...
E não havia nada mais azarado do que dançar a valsa com um irmão, se o pai ainda estivesse vivo... se eu já estivesse noiva, ou ao menos namorando alguém, era tranquilo... Seria me despedir de um estilo de vida para entrar em outro, mas eu estava completamente solteira.
E se você estiver namorando alguém, alguém vai estar encrencado.
Aquelas palavras do Cygnus vieram tão depressa que não pude evitá-las. Será que ele ainda pensava em mim? Ele veio me visitar antes de viajar... Mas parecia que estava apenas se despedindo do meu padrinho. Mal falou comigo...
Ele estava chateado com o Kevin. Tenho certeza.
Mas eu simplesmente não podia deixar o Cyg resolver aquilo... Ele mataria o Kevin... Já pensou a confusão que seria?
Ah, não... O momento da valsa chegou... Droga... o que eu vou fazer?
O que era pior? Não dançar ou dançar com um dos meus irmãos? O destino ama me pregar peças, não é? Ele podia me deixar em paz, só pra variar.
– Se quiser, Lily, eu danço com você. – murmurou James.
– Eu também, Lily. Sem problemas. – adicionou Albus.
Mas eu queria meu pai ou... Bem... a outra opção seria um pensamento insano... Dois anos sem ver Cygnus, praticamente... Ele não iria aparecer ali do nada, como um príncipe encantado, pronto para me salvar daquele problema.
– Senhores formandos. Vamos para a pista de dança, para a valsa. – disse a diretora McGonagall, para meu completo desespero.
Olha a que ponto cheguei... Sonhar com Cygnus vindo me salvar... imaginá-lo como um príncipe encantado... Eu realmente devo estar muito desespe...
– Quer que eu valse com você, Lílian?
Senti cada pelinho do meu corpo se arrepiar. Eu estava delirando tanto a ponto de ouvir coisas? Deveria estar alucinando... Oh... meu... deus... É o Cygnus.
– Cygnus? O que você tá fazendo aqui? – perguntei surpresa, chocada, perplexa. Ele sorriu daquele jeitinho irritante, mas que eu gostava tanto.
– É a formatura da minha irmã... E Sirius contou que seu pai ainda não voltou... Mas e aí? Quer dançar comigo? – perguntou ele calmamente. Céus, como ele é lindo. E aquele cavanhaque? Estava tão charmoso – Não somos noivos, mas... É melhor do que dançar com seus irmãos.
Olhei para Albus e James e eles sorriram pra mim, em concordância. Minha mãe sorriu e piscou pra mim. Ela sempre soube que eu era completamente apaixonada por aquele Malfoy idiota. Na verdade... isso nunca foi segredo pra ninguém... Com exceção do meu pai, que parecia nunca notar que eu ficava completamente abobalhada quando Cygnus olhava pra mim ou falava comigo.
Concordei então. Cygnus estendeu a mão para mim e eu segurei a mão dele. Eu deveria estar sonhando. Era isso. Um sonho. Ele não deveria estar ali... Não fazia absolutamente nenhum sentido.
Mas eu apertei a mão dele com força e ele realmente pareceu estar lá. Em carne e osso, me olhando com aquele desejo louco que ele sempre me olhava. Aqueles olhos cinzentos como uma manhã nublada me olhando, como se pudessem ver por debaixo do meu vestido.
Me perguntei se ele tinha notado o quanto eu estava diferente. Se ele notou que eu cresci alguns centímetros, que meu cabelo estava um pouco mais curto e bem cuidado, que meus seios finalmente tinham resolvido crescer de verdade, apesar de eu não ser peituda como Virgo...
Me perguntei se ele ainda gostava das minhas sardas e se ele pensara em mim naqueles dois anos... ainda não tinha dois anos, na verdade... Mas pareciam ser dez... Dez anos desde que ele me deitou naquele sofá, tão desesperado por mim quanto eu por ele.
Ainda o olhava sem acreditar direito que ele estava ali, sorrindo para mim. Por um momento esqueci até mesmo do meu pai. Senti a mão dele na minha cintura e eu me arrepiei toda. Me lembrei tão vivamente dele me acariciando nas cintura naquela noite no escritório secreto...
Mas eu te amo, Lily.
Disse o Cygnus da minha memória. Olhei nos olhos dele me perguntando quanto tempo eu iria aguentar olhar para ele sem beijá-lo.
Ele segurou minha mão sem despregar o olhar de mim.
A música começou e eu senti um enorme frio na barriga. Eu não sei dançar. Simplesmente não sei. Cygnus Malfoy estava ali, na minha frente, pronto para dançar a valsa comigo, como por um milagre e eu estava prestes a estragar tudo.
You're in my arms
And all the world is calm
The music playing on for only two
Ele balançou o corpo, querendo me mostrar o ritmo, mas eu não sabia nem mesmo seguir. Estava tão nervosa...
– Eu... Eu não sei dançar, Cygnus... – confessei. E eu sabia que ele dançava bem. Elegante como o patrono dele. Lembrava de vê-lo dançar com a Dama Cinzenta.
So close together
And when I'm with you
So close to feeling alive
– Confia em mim? – perguntou ele. O olhei e concordei em silêncio – Então feche os olhos. – sussurrou ele no meu ouvido. Eu estava tão próxima dele que podia sentir o coração dele bater.
Obedeci, confiando nele, respirando fundo. Ele moveu-se tão lentamente, me puxando com gentileza. Meus pés se moveram sozinhos, seguindo os dele. A mão dele na minha cintura, o rosto dele colado no meu, seus lábios em meu ouvido...
A life goes by
Romantic dreams will stop
So I bid mine goodbye and never knew
So close was waiting, waiting here with you
And now forever I know
O corpo de Lily colado no meu... Aquilo me deixava louco. A saudade que eu sentia dela parecia doer mais do que qualquer coisa que eu já tivesse experimentado. O perfume dela me deixava dormente. Por um momento me perguntei se estava sonhando... Se não iria abrir os olhos e notar que estava com Dominique, naquela estalagem, completamente atrasado para a formatura de Virgo... Mas era real... ela estava lá, comigo. Dançando ao ritmo da música.
All that I wanted to hold you
So close
Sim... certamente... Tudo o que eu mais queria era te abraçar... te sentir assim tão perto...
So close to reaching that famous happy end
Almost believing this was not pretend
Now you're beside me and look how far we've come
Cygnus me guiava com tanta facilidade que eu mesma me perguntei se eu sempre soubera dançar… talvez fosse porque meu lugar era ali… nos braços dele. Oh... Meu coração batia tão acelerado. Era tudo tão perfeito... Não havia ninguém no mundo com quem eu desejasse mais dançar aquela música...
So far we are so close
Sim… podíamos estar colados um no outro... Mas eu sabia que nossos universos eram completamente diferentes agora...
Eu sabia que por mais que ele estivesse perto...
Eu sabia que por mais que ela estivesse perto...
Nós estávamos extremamente longe um do outro...
E então a música ficou mais agitada. Olhei no fundo dos olhos dele e sorri feliz. Ele fez o mesmo e então me guiou pela pista. Era maravilhoso dançar com ele. Era maravilhoso sentir a mão dele em minha cintura. Era maravilhoso ver como ele me fazia parecer uma excelente dançarina.
Quase dois anos se passaram, mas meus sentimentos não mudaram nem um pouco...
Como poderiam mudar? Como? Por isso me deixei guiar, feliz, olhando-o nos olhos. Amando o sorriso que ele dava para mim, como se não houvesse outro lugar no mundo em que ele preferisse estar.
Não havia lugar que eu preferisse estar naquele momento. Como pude ficar tanto tempo longe daquela mulher? A segurei na cintura e a girei no ar, elegantemente, para depois voltar a dançar com ela.
Oh, Lily... Dois anos não fizeram meu amor por você apagar... Eu ainda amo você tão desesperadamente quanto nos tempos de colégio...
Oh, Cyg... Dois anos não foram o suficiente para te esquecer... Talvez nem duzentos anos sejam...
How could I face the faceless days
If I should lose you now?
A música ficou mais lenta e eu coloquei minhas mãos na cintura de Lily. A olhei nos olhos, completamente feliz por tê-la ali. Queria tanto beijá-la... Talvez fizesse isso... Talvez a beijasse agora e deixasse tudo para trás. Ela olhou nos meus olhos, parecendo feliz e eu soube que ela queria aquilo assim como eu.
Mas senti alguém cutucar meu ombro. Me virei e vi meu padrinho com um sorriso gentil.
– Obrigado por dançar com ela, Cyg, mas acho que posso assumir daqui...
Sorri para meu padrinho, feliz por Lily e por ele. Me virei para ela e a beijei na mão, em despedida. Ela me olhou como se não soubesse o que pensar.
Me afastei dela, indo em direção às escadas.
We're so close
To reaching that famous happy end
Almost believing this was not pretend
Let's go on dreaming for we know we are
– Cygnus... Tem aurores aqui... Talvez seja bom irmos embora. – disse Cerce para mim. Coloquei meu capuz e olhei uma última vez para Lily.
Vi Cygnus subir as escadas e algumas pessoas encapuzadas se reuniram a ele.
– Está tudo bem, Lily? – perguntou meu pai parecendo preocupado, enquanto andávamos desengonçados de um lado para o outro.
So close
– Está tudo bem, Cyg? – perguntou Alzar.
So close
– Sim, papai. – era o que eu podia responder...
– Sim, vamos… – respondi me virando.
And still…
so far
Mas era mentira...
De volta a Mansão
O baile de formatura de Virgo encheu minha mente de dúvidas. Quem eu era? Entrei no escritório dos retratos e fechei a porta.
– Quem sou eu? – aquela pergunta me atormentava. Eu não sabia o que pensar.
Eu era Cygnus Malfoy... O segundo filho a nascer e herdeiro daquele império... O descendente dos Malfoy – a casa mais rica e poderosa da Grã Bretanha – e dos Black – a casa mais antiga e nobre.
Olhei os retratos desesperado.
– Me digam! Quem sou eu?
Eu queria poder, eu queria lutar, eu queria conquistar. Impor minhas ideias, ser importante, temido e respeitado. Olhei minhas mãos. Estavam ainda mais manchadas de sangue. A mancha estava ficando cada vez maior, cada vez que eu machucava mais gente... Apesar disso eu era o único a ver o sangue...
Eu queria ser o maior bruxo de todos os tempos. Eu queria que as pessoas temessem falar o meu nome. Queria construir um mundo novo e melhor...
Mas ao mesmo tempo, queria pedir Lily em casamento, queria amá-la, queria filhos, uma família... Como Scorpius tinha agora... Eu queria ser comum...
– QUEM SOU EU?
Eu era o herdeiro da família. O peso de gerações em minhas costas.
Eu era um bruxo das trevas procurado. Eu era revolucionário. Eu tinha matado, eu tinha tramado, eu tinha humilhado...
E eu era afilhado do maior auror da atualidade.
– PAREM DE FICAR ME OLHANDO EM SILÊNCIO!
Coloquei as mãos na cabeça. Eu não sabia o que fazer.
– Quer saber quem você é? – levantei o olhar e vi Salazar Slytherin. Parecia um fantasma, mas não era acinzentado... – Você é o futuro, Cygnus. Você vai ser aquele que vai salvar o mundo bruxo...
– Eu não vou matar trouxas.
– Eu sei que não. Mas concorda que não precisamos misturar nosso sangue com os deles, não é? Mas usá-los para um bem maior? Por que não? Eles são limitados onde nós não somos e eles são fantásticos nas nossas limitações. Use-os.
Fechei os olhos com força e então voltei a olhar. Era o Cajado de Shytherin. Ele parecia menor, mais como uma bengala elegante. Estava flutuando na minha frente. Fui até ela e a segurei com firmeza. E então tive certeza do que eu precisava fazer.
Deixei o escritório e voltei para a sala, onde minha família conversava animadamente. Virgo, assim que soube que eu tinha voltado pra casa, quis ir embora. Ela estava grudada comigo. Eu senti muita falta dela e não me importei.
Porém, quando Harry chegou com a família, eu senti um calafrio dos infernos.
Meus amigos estavam hospedados na minha casa – menos Dominique, que tinha ido ver os pais e o irmão. Meu pai estava tendo uma longa conversa com Alzar e Noah. Cerce e Katarina conversavam com Virgo, contando sobre o quanto eu era um exímio duelista. Leto estava conversando com Rose e Scorpius, pois assistira meu irmão jogar uma vez e jurou que nunca tinha visto nada igual.
Eu apenas observava calado, de mãos dadas com minha mãe, que me olhava apaixonadamente.
Eu estava muito contente e satisfeito comigo mesmo, ainda pensando em Lily, quando ela chegou com o pai.
Nos olhamos longamente. Meu coração batia acelerado como nunca.
– Cygnus. – olhei meu padrinho e notei que ele sorria pra mim – Obrigado por começar a valsa por mim. – disse ele.
– É claro... Uma formanda não pode perder sua valsa. – murmurei voltando a olhar Lily. Ela sorriu pra mim e eu sorri de volta.
A tensão entre nós era imensa. Virgo me beliscou discretamente e eu desviei o olhar de Lily.
– Todos nós queremos saber, Cygnus... O que andou fazendo? – perguntou James com um sorrisinho desdenhoso – Andou aprendendo as Artes das Trevas?
Minha mãe olhou feio para James, mas foi meu padrinho quem falou.
– Ignore o James. Ele só está zangado porque você dança melhor do que ele. – riu ele se sentando numa poltrona – Rony já deve estar vindo, Rose. Espero que não se importe.
– Claro que não. – riu minha mãe segurando a minha mão. – Conte-nos, Cygnus. O que andou fazendo?
– Viajei pela Europa. Conheci o Egito. Lugar fascinante.
– Foi lá que nos reencontramos. – disse Cerce com um sorriso amigável. Katarina estava de pé, encostada na parede, com os braços cruzados, olhando fixamente para meu padrinho – Eu e minha prima estávamos lá para estudar poções.
– Os egípcios são mestres de poções há milhares de anos. – murmurou Katarina com um sorrisinho cruel – Conseguimos um bom certificado por lá.
– Sim. – concordou Cerce – Mas Cygnus era o melhor da turma, como sempre. – riu ela.
– Poções costumava ser minha matéria favorita na escola... Eu queria ter visitado o Egito depois que nos formamos, mas com a guerra... – murmurou minha avó Damasco. Remo e Alexia estavam abraçados, de pé, próximos a ela e se olharam, como se cogitassem a ideia.
– Depois fui estudar os trouxas. –continuei com um sorriso. Achei importante falar que passei um tempo no Oriente Médio, pois ele não fazia parte da Rota das Artes das Trevas – Apesar da hesitação inicial dos meus amigos aqui. – adicionei olhando para Katarina.
– Nunca gostei de trouxas. Pode começar a me julgar. – riu ela com pouco caso.
– Mas foi interessante. Conheci Leto e Noah em Israel. Ficamos pouco tempo por lá e então fomos para o Brasil.
– E Alzar? – perguntou meu pai.
– Eu e Cygnus nos conhecemos num bar. – respondeu ele calmamente – No Brasil. Mas eu sou Albanês. Sou descendente da família Slytherin, por parte de mãe.
– Mesmo? – perguntou meu pai com os olhos faiscando. Minha mãe olhou com leve interesse, mas tia Gina revirou os olhos.
– Passamos a maior parte lá no Brasil. – continuei.
– Pegamos uma praia. – adicionou Cerce que estava mesmo bronzeada. – Menos o Cygnus que parecia alérgico ao sol.
– Prefiro climas mais amenos. – murmurei. – E quando Alzar disse que iria voltar pra casa, todos fomos com ele. Ficamos hospedados lá, até o dia de voltar pra cá.
– Então devem ter visto o golpe, não é? – perguntou meu padrinho me olhando com interesse. – Quando derrubaram o ministro.
– Sim... Os Algozes. – murmurou minha mãe. Katarina e Alzar trocaram um sorrisinho travesso enquanto eu preferia que eles se fizessem de inocentes.
– Sim. Nós vimos o que aconteceu. Eu assisti o discurso de renúncia do Ministro. – eu disse tranquilamente. Não estava mentindo.
– Ele não renunciou. Foi derrubado. Ameaçado. – retrucou Harry.
– A situação dele estava insustentável. – disse Alzar – Ele era um corrupto, falastrão e opressor. A população foi completamente a favor. Meu pai entrou no lugar dele, mas foi deposto por pressão internacional.
Todos olharam para Alzar, que estava enchendo o copo do meu pai. Meu pai o olhou com astúcia e sorriu, provavelmente gostando de eu ter um amigo influente assim.
– Eu fiquei sabendo. Achei lamentável. – disse meu pai brindando com Alzar – As pessoas chamam esse grupo de Algozes, mas... até onde eu vi, eles não me pareciam ruins... Não perseguiam trouxas, não faziam torturas... Apenas eram contra a lei de sigilo.
– Sim. Eu gostei bastante das ideias deles. – disse com um sorriso, me perguntando se meu pai desconfiava que eu era o líder desse grupo.
– Qual a novidade? Cygnus gostando de bruxos das trevas. – riu Scorpius.
– Não vejo porque devem ser chamado de bruxos das trevas só porque lutam por liberdade. – ralhou Cerce.
– Sabe que outro bruxo começou lutando por liberdade, querida? Lorde Voldemort. E olha só o que virou. – riu meu pai – Por isso imagino que você está no caso, não é? Potter?
Harry ainda olhava desconfiado para Alzar, mas se virou para meu pai pra responder.
– Sim. – respondeu ele – O nosso ministro tem medo que outro bruxo das trevas surja. Um ainda pior que Voldemort. O Sinistro aparentemente é ainda mais poderoso que Voldemort... Ou é o que os aurores de lá falaram.
– Sinistro? – perguntei.
– É o líder deles. – explicou Harry – Quem cruza o caminho dele é amaldiçoado. Os seguidores deles causam feridas que nunca cicatrizam... É terrível.
– Minha nossa, papai... E você prendeu esse cara? – perguntou Lily.
– Não. Temos apenas um retrato falado que o Ministro deu. – respondeu Harry. Eu e meus colegas trocamos um olhar cauteloso – Cabelos escuros, olhos vermelhos, uns quarenta anos...
– Quarenta? – perguntou Cerce.
– Sim. Um bruxo poderoso, que está seduzindo bruxos de todas as idades para seus ideais. – concordou Harry.
Tentei não cair na gargalhada. O ministro e seus aurores certamente não queriam falar que estavam apanhando de recém formados. Mas falar que eu tinha quarenta anos... Isso era demais.
– Cyg. – chamou Katarina – Pode me levar para o meu quarto. Estou exausta...
– Eu também vou encerrar a noite. – murmurou Alzar.
– Mesmo? – perguntou meu pai franzindo a testa – Bem... chegaram hoje de viagem. A Mansão Malfoy é toda de vocês. – disse ele – Cygnus, você pode guiar seus amigos?
– Claro. – respondi.
– Você também deveria descansar, meu amor. Deve ter tido um dia longo. – disse minha mãe com ternura. Mas então ela olhou para minha mão – O que é isso?
– O que? – perguntei.
– Alguma coisa se mexeu na sua mão! – disse ela.
– Oh. É a minha tatuagem.
– Então o Semanário não mentiu! – riu Rose arrancando risadas de Lily e Virgo – Você tem uma tatuagem!
– Eu fiz no Brasil. Ela se mexe pelo meu corpo.
– Uou. – disse Remo se soltando de Alexia – Deixa eu ver!
– Quer que eu fique pelado aqui e agora? – perguntei olhando de relance para Lily. Ela corou e desviou o olhar com um sorrisinho.
– Você sente ela andar? É o que? – perguntou meu avô, igualmente curioso.
– Uma serpente. – disse Cerce – E às vezes ela silva.
– Não silva. É impressão de vocês. – eu disse sorrindo.
– Ah, Cygnus! Mostra ai! – pediu Rose.
Olhei para meu pai, que parecia igualmente curioso.
– Bem... ok.
Abri a camisa, olhando para Lily, amando o jeito como ela corava. Me perguntava se ela estava lembrando das outras vezes em que eu tirara a roupa perto dela. Terminei de desabotoar e a serpente apareceu, deslizando pelo meu abdômen, subindo para meu peito.
– Merlin. É a coisa mais irada que eu já vi. Vou fazer uma também! Brasil, você disse? – perguntou Remo.
– Será que dá para encantar a moto que eu tenho na batata pra fazer ela andar? – perguntou meu avô para minha avó. Ela riu para ele achando graça do entusiasmo do marido e do filho.
– Doeu, Cyg? – perguntou minha mãe olhando com atenção – Nossa. Ficou muito legal. Ela anda pelo corpo inteiro?
– Doeu um pouco, mas não muito. E ela anda por quase todo o corpo. Não passa do meu pescoço. – respondi – E não vai em alguns outros lugares também, adicionei antes que Remo fizesse piadinhas. Ele já estava com a boca aberta, mas sorriu sabendo que demorara muito para falar o que quer que fosse.
– Ficou legal mesmo. – disse Lily se aproximando. Senti a mão dela na minha barriga, quando ela tocou a minha tatuagem e eu arrepiei-me inteiro. – O desenho ficou lindo. Olha só os detalhes... e o jeito como ela se mexe... – ela murmurou com um sorriso, passando os dedos levemente pela minha pele. Segurei a mão dela, respirando fundo e ela sorriu travessa pra mim.
– Está fazendo cócegas. – disse. Mas não eram cócegas...
– Opa. Desculpe. Não sabia que tinha a pele tão sensível.
– Oh. Mas ele tem. Quando era um bebê tinha alergia a tudo. – riu minha mãe.
– Sra. Malfoy. É claro que amanhã você vai nos mostrar todas as fotos de quando o Cygnus era um bebê, não é? – perguntou Cerce. Minha mãe sorriu marota.
– Oh. Ele era tão lindinho! Tenho toneladas de fotos.
Olhei furioso para Cerce, que apenas riu.
– Podemos mostrar aquelas do Semanário das Bruxas também. – provocou meu pai. Olhei para ele horrorizado e todo mundo caiu na gargalhada.
– Você apareceu no Semanário das Bruxas? – perguntou Katarina.
– Você não sabia? Ele fez um ensaio sensual pra revista. – disse James – Todas as garotas piraram. Lily comprou todas as edições.
– Amanda Selwyn transformou a capa num pôster e colou permanentemente no dormitório. – riu Alexia.
– Vocês poderiam esquecer sobre esse fatídico dia em que eu pousei para essa revista? – perguntei zangado.
– De jeito nenhum. Vou me lembrar pra sempre... – riu Scorpius.
– Principalmente aquela em que você está abrindo as calças com cara de “vou te comer”. – concordou Rose. Todos caíram na gargalhada.
– Céus... eu preciso por as mãos nessa revista! – riu Cerce.
– Vamos todos dormir? – perguntei zangado.
Mas os Weasley chegaram em seguida.
– Oh. Você realmente voltou! – disse tia Hermione vindo me abraçar. – Por que está semi... Minha nossa! – disse ela pulando para trás quando a minha tatuagem abriu a boca para ela, exibindo as presas. E sim, era verdade... Ela silvava...
– Legal! – disse Hugo. O Sr. Weasley olhou para minha barriga, mas minha serpente voltou a se esconder, descendo para minhas pernas.
– O que raios é isso? – perguntou ele.
– É a tatuagem que mexe do Cyg. Legal, né? – perguntou Rose – Acho que vou fazer uma em mim. Vamos para o Brasil, amor? Em lua de mel.
– O que você quiser. – disse Scorpius a beijando no rosto.
Conversamos um pouco e eu fui levando meus amigos para os quartos. Alzar e Katarina decidiram dormir juntos. Mas Cerce e os irmãos Silver dormiram cada um em um quarto. Eu estava indo para o meu quando vi Lily.
Nos olhamos longamente, até que ela veio correndo. Ela pulou em meus braços e eu a puxei com firmeza.
– Céus, como eu estava louco pra te agarrar. – sussurrei no ouvido dela. – Vem cá.
Ela me seguiu, escondendo um sorriso com as mãos. A levei para o escritório dos retratos e a coloquei em cima da mesa.
– Não, aqui não. Tem muita gente assistindo.
– Eles não vão contar pra ninguém! — disse a beijando desesperadamente no pescoço.
– Ah, não... Por favor, Cyg... tem quase dois anos que a gente não se vê. Não quero que seja assim...
Senti meu corpo todo estremecer, mas concordei. Era Lily, afinal. Não era só mais uma foda. Achei que ia ficar louco antes de chegar no meu quarto. Ela rindo de mim por eu estar completamente “armado”, se é que me entende.
Quando finalmente fechei a porta do meu quarto e o tranquei, rasguei o vestido dela, de tão absoluto desespero que eu estava para fazer aquilo. Ela não ligou, mas assim que estava nu com ela na cama, ela me pediu para parar.
– Calma. Por favor... – pediu ela.
– O que houve? – perguntei sem entender.
– Vai com calma... Você ainda... ainda é você né? Não é... aquele outro...
– Achei que sabia notar a diferença...
– É que... Você está tão estranho.
– Você quer romance. – induzi. Ela corou e desviou o olhar. – Tudo bem... – Me levantei e fui até meu piano. O enfeiticei até que ele começasse a tocar “So Close”, a música que dançamos na formatura – Melhor?
Ela se sentou e sorriu pra mim.
– Eu ainda amo você. – murmurou ela. Eu sorri e me deitei ao lado dela. A abracei e a beijei carinhosamente e então ela se deixou levar.
Ela não queria que fosse tão impessoal, imagino...
Ficamos muito tempo no meu quarto, matando a saudade um do outro. O que tinha acontecido naqueles dois anos agora parecia extremamente distante de mim. Eu estava tão acostumado com a putaria, me desculpe o baixo calão, que aquela noite com Lily começou bastante desengonçada. Eu não sabia o que podia fazer ou falar.
Mas quando ela começou a falar que me amava, tudo pareceu fazer sentido.
– Não me deixe... nunca mais. – pediu ela abraçada comigo.
Não respondi, pois sabia que em breve eu teria que deixá-la pra trás mais uma vez.
Ela realmente pareceu gostar da minha tatuagem. Ficava tentando me morder no local onde a serpente ficava. Eu adorava as mordidas dela. Não eram dolorosas, eram bem carinhosas, até. Tudo em Lily era gentil e doce.
– Se eu ficar colada em você o suficiente, será que ela vem pra mim? – perguntou Lily.
– Podemos fazer um teste. – eu ri colocando ela sentada no meu colo. Coloquei minhas duas mãos, uma em cada seio dela e a serpente foi para meu braço direito e então para o seio dela.
– Oh... Faz cócegas. Dá pra sentir ela andando – riu Lily. A serpente deu a volta nela e então voltou pelo outro braço.
– É... Parece que ela vai pra você.
– Você pode largar meus seios agora.
– Certeza? – perguntei sorrindo.
Foi quando alguém tentou abrir a porta. Lily pulou para fora do meu colo e se cobriu envergonhada. Vi a fechadura brilhar e Katarina apareceu. Ela estava só com roupas de baixo.
– Mestre Cygnus, Alzar recebeu... Opa... – riu ela.
– Sabe o significado de uma porta trancada, Kat? – perguntei zangado.
– Oh, desculpe. Achei que fosse Cerce. – disse ela. A olhei zangado – Ops... era segredo?
– Saia agora. – rosnei. Ela sorriu divertida e eu jurei que ela não ia rir durante um bom tempo depois que eu cuidasse dela.
– Ok, mas... Eu só vim avisar que os aurores invadiram a casa de Alzar e prenderam todos. – disse ela – O que devo falar para o Alzar? Ele quer voltar ainda hoje.
Me levantei da cama, irado. Como ousaram atacar a casa dos Angui?
– Acorde os outros. – eu disse. Katarina concordou e saiu. Me virei para Lily, que me olhava zangada.
– O que foi isso? Por que ela te chamou de mestre? E como assim ela achou que você estava com a Cerce?
Passei a mão pelo rosto, sem saber como explicar tudo para ela... Tinha acabado de deixar tudo ainda mais complicado. Me arrependi então de ter levado Lily para a cama.
– Desculpe, Lily... Eu vou ter que ir.
– O que? Mas acabou de voltar!
– Eu sei... É complicado... Você não ouviu? Prenderam o pai do Alzar. – murmurei.
– Ele deve ter feito algo de errado!
– Sim, ele fez mesmo... Ele escondeu o Sinistro. – respondi.
– Aquele bruxo das trevas?
– Sim. – respondeu Cygnus. – E não.
– Como assim?
– Ele não é mal. Ele luta por liberdade e...
– Você está trabalhando pra ele com seus novos amigos? São todos Algozes? – perguntou ela, zangada.
Desviei o olhar e concordei.
– É. Somos todos Algozes.
– Você está matando pessoas!
– Estou me defendendo e defendendo os meus amigos. – respondi – Eu sempre disse que faria isso. Por que está tão surpresa?
– Não vá, Cygnus. Por favor. – pediu ela. Ela se levantou, minha coberta caindo deixando-a exposta – Fique aqui comigo.
– Não me peça isso, Lily. Não posso deixar meu amigo pra trás. – murmurei. Eles lutaram por mim. Eu precisava fazer alguma coisa.
– Por favor. – insistiu Lily me abraçando. A apertei contra mim, confuso.
– Eu não posso ficar... mas vou voltar assim que possível. Eu prometo. – disse antes de beijá-la na testa.
– Você vai acabar morrendo, Cyg.
– Não seja boba, Lily. Não nasceu o bruxo que vai ser capaz de me matar.
– E se... e se... você tiver de lutar com o meu pai?
Meu estômago se contorceu.
– Eu juro que vou deixá-lo ileso.
– Você nunca cumpriu uma promessa que tenha me feito. – ralhou ela.
Sorri para ela.
– Eu tenho um bom talento para quebrar promessas, é verdade. – segurei a mão dela minha serpente foi para o corpo dela – Não vou machucar seu pai e vou voltar para pegar minha tatuagem de volta, ok?
Lily olhou minha serpente enroscar-se ao redor de sua cintura. Ela a tocou de leve e a cobra não se moveu.
– Vai mesmo deixá-la comigo?
– Vou... Assim vai sempre ter um pouco de mim em você... – eu disse a acariciando na barriga, onde a cabeça da cobra estava – Um pouco da minha magia em você...
Lily segurou a minha mão, em sua barriga.
– Eu não vou tomar o chá de lua. – disse ela.
– Que?
– Então não demore para me trazer, ou então... – ela sorriu – Vai ter mais do que só sua magia em mim quando voltar.
– Lily... – eu suspirei. – Ok. Temos um acordo.
Ela sorriu e nos beijamos por mais alguns minutos. Então eu voltei a me vestir e saí. Meus colegas já me esperavam. Alzar pegou uma argola do tamanho de uma goles da mochila e então ativou a chave portal, nos levando de lá.
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