Cygnus - Fallen

19 A Batalha de Nurmengard, Guerra, Albânia e Draco Dormiens


Notas iniciais
Gente! A fic recebeu mais uma recomendação! Então vou postar mais um capítulo!!! E dessa vez tem um cap do Draco *0* Bem... vamos lá espero que gostem =D

A Batalha de Nurmengard

Não buscamos Dominique. Não houve tempo. Mas eu não seria estúpido a ponto de atacar Nurmengard sozinho. Enviei meu patrono para ela e mandei que ela convocasse mais aliados, todos aqueles que quisessem ajudar. Enquanto eu mandava o patrono, os outros revistavam a casa.

– Pra onde acha que levaram o seu pai? – perguntei depois de vasculharmos a casa.

– Para a prisão, imagino. Nurmengard... – respondeu Alzar, confirmando minhas suposições.

– Então vamos invadir o lugar.

– Só nós? Nunca vamos conseguir entrar! – lamentou Alzar.

– É claro que vamos... Provavelmente é uma armadilha... estarão esperando por nós... – soltei um suspiro – Precisamos de máscaras. Não é o momento para que nosso rosto fique conhecido. Ainda mais agora que o Ministro nos fez o elegante favor de mentir sobre minha idade...

– Quarenta anos... aiai... – riu Cerce pegando um pedaço de ferro. Ela o transfigurou e o deixou todo branco, com dois buracos para os olhos, um pro nariz e um desenho de uma boca grotescamente grande e risonha – Aqui está a minha máscara.

Alzar fez uma toda negra, com o buraco para os olhos e ela terminava em seus lábios, com hastes que lembravam dentes. Parecia a frente de uma caveira.

A de Katarina parecia a cara de uma harpia, combinava perfeitamente com seu rosto de rapina.

Os gêmeos fizeram máscaras iguais, cobriam o rosto inteiro, metade branco e metade preto. Para diferenciarem, eles desenharam uma linha para fazer a boca. Noah sorria e Leto o arco da boca era invertido, mostrando-se infeliz.

Fiz a minha com forma de caveira, também, e então fomos para o lugar mais próximo de Nurmengard.

Eu nunca tinha estado lá e achei o lugar realmente impressionante. Os muros eram altíssimos, maciços e negros. A noite parecia mais escura ali. Não havia lua ou estrelas, como se tivessem encantado o próprio céu para que fosse sempre escuro. Caminhamos decididos assim mesmo. Olhamos a enorme torre nos sentindo muito pequenos... Nurmengard ainda me dá calafrios... Estou numa cela, repleta de dementadores, mas a sensação que Nurmengard tinha era ainda mais assustadora. Azkaban te deixa deprimido, com a certeza de que nunca mais será feliz novamente.

Nurmengard faz com que você se sinta sem esperanças. Eu já tinha lido um livro trouxa sobre um homem que fez uma jornada ao inferno. Ele, antes de entrar leu as seguintes palavras: Deixai toda esperança, vós que entrais!

Era isso que Nurmengard parecia. O próprio inferno.

– Estamos indo para uma armadilha e estamos sem Dominique. – murmurou Noah – Deveríamos ao menos dar a volta e tentar encontrar algum ponto fraco...

– Não. O caminho mais rápido para a prisão é por essa estrada... Além do mais... Estão esperando por nós... Não vamos deixá-los esperando. – disse com excitação.

Katarina sorriu animada e seguimos a nos aproximar. Quando chegamos nos portões eu estiquei a mão e o Cajado de Slytherin apareceu. O apontei para a porta e ela se abriu de uma vez. Entramos e logo vimos os aurores. Eram muitos. Todos apontaram as varinhas, prontos para nos atacar.

Mas eu e meus Algozes usamos magias de proteção e quando eu o fiz com o cajado, vários dos atacantes foram arremessados para trás. Os duelos começaram e fomos abrindo caminho. Logo foram aparecendo mais pessoas. Gente indignada com a prisão de Sevla Anguis.

A batalha durou praticamente o resto da noite e quando o sol nasceu no horizonte, nós libertamos a família de Alzar, incluindo a irmã dele, de apenas treze anos, que também havia sido presa.

Eu estava exausto. Nunca tinha lutado tanto tempo com o cajado. Mas eu ainda não podia ir embora. Precisava passar um recado.

O Ministro da Magia pediu clemência, mas eu deixei Alzar cuidar dele. Fiquei assistindo, sentado num trono de pedra que eu mesmo talhei. Dominique, que já tinha voltado, sentada a minha direita, no braço do trono. Katarina no braço esquerdo. Os gêmeos de pé, um de cada lado e Cerce sentada no chão, entre as minhas pernas.

Alzar o torturou por um bom tempo. Quando eu achei o suficiente, me levantei. O fiz flutuar até a sacada. Os que vieram lutar pela família Anguis estavam lá fora, comemorando.

– Aqui está o covarde que prendeu uma família inocente. O que querem que eu faça com ele? – gritei. Estendi o punho, com o polegar esticado para o lado. A medida que as pessoas gritavam por morte, eu o abaixava. Logo a grande maioria me imitava.

– Não, por favor, Sinistro... Não me mate... – chorou o homem.

Eu me afastei e apontei a varinha. O fiz flutuar na minha frente e depois fiz com que me olhasse. Eu queria contemplar aquele momento. O momento em que a vida se esvai e só sobra a casca morta.

– Avada Kedavra!

Era lindo de se ver. Rápido, indolor e limpo. Muito mais do que aquele homem merecia.

Deixei o corpo dele cair e as pessoas aplaudiram.

– LIBERDADE! LIBERDADE! LIBERDADE! – gritavam elas.

– HOJE A VITÓRIA É NOSSA! – gritei erguendo o cajado com a mão esquerda. – Voltem para suas casas e descansem! A família Anguis está livre graças a vocês! Obrigado, meus amigos! Agora voltem para seus lares, para suas famílias e digam a eles que vocês acabaram de fazer história! Vamos mudar o mundo! JUNTOS!

Estiquei os braços e todos gritaram e aplaudiram. Me virei e voltei para dentro. Meu corpo doía por completo. Alguma coisa muito estranha estava acontecendo.

– Dominique, venha comigo. – disse a chamando para um lugar reservado. Quando entramos eu me permiti parecer fraco. Soltei o cajado e cambaleei. Dominique me segurou e me ajudou a sentar no chão.

– Cygnus? O que houve? – perguntou ela.

– Abusei do Cajado... – respondi tirando a máscara. Sentia o suor escorrer pelo meu corpo. Dominique me olhou assustada.

– Cygnus. Você está sangrando! – disse ela.

Era verdade. Pela boca, orelha, olhos e nariz. Não era apenas suor que escorria pelo meu rosto.

– Ninguém deve saber. – eu disse.

– Certo.

– Vou aparatar para o Largo Grimmauld. – disse respirando aflito – Me ajude a...

– Não dá para aparatar daqui e estamos longe demais...

– Eu vou nos tirar daqui e você nos leva para lá.

– Não dá para aparatar... – repetiu ela, mas antes que ela terminasse, eu peguei o cajado e aparatei.

Pude sentir a magia do lugar querer me impedir. Parecia me segurar com firmeza, mas não conseguiu me deter. Saímos de lá e fomos parar numa floresta na Alemanha.

– Pronto... assume. – murmurei sentindo dor.

– Uau... Você nunca para de me impressionar... opa!

Eu me curvei e vomitei sangue. Muito sangue. Me segurei em Dominique e ela foi aparatando comigo, até estarmos próximos o suficiente para chegarmos no Largo Grimmauld. Abri a porta e caí no chão. Ela me fez flutuar até uma banheira e me ajudou a me lavar.

– Preciso que faça um favor pra mim. – eu disse fracamente.

– O que?

– E eu aviso que você não vai gostar.

– Apenas diga e eu faço, Cyg. – disse ela.

– Traga Lily... – eu respondi – E compre chá de lua...

– Está querendo que eu traga ela aqui pra você...

– Eu transei com ela ontem. – eu disse sentindo dor – E ela disse que só tomaria o chá de lua se eu voltasse. – respirei fundo – Mas você vai ser a mãe dos meus filhos. Não ela... Então...

Dominique sorriu travessa e concordou.

Fiquei deitado na banheira, sentindo muita dor por todo o corpo. Ouvi passos e me surpreendi por Dominique ter voltado tão depressa, mas não era Dominique.

Era Salazar.

– Você abusou hoje.

– Eu sei. – respondi – Mas valeu a pena.

Salazar sorriu para mim e se sentou na privada, para me encarar.

– Fiquei orgulhoso. Você fez um bom trabalho... Qual o próximo passo?

– Me recuperar... Não podem me ver fraco assim.

– Muito bem. – concordou ele – E o que vai fazer em relação a Lílian Potter?

– Isso é somente da minha conta.

Salazar concordou sorrindo maquiavélico.

– Muito bem... não vou julgar. Todo homem tem o direito de amar... Mas você sabe que ela vai ser um empecilho, não sabe? – eu concordei em silêncio – Eu sugiro que o quanto antes você for tomar os outros Ministérios, melhor. Temos que seguir lutando, meu jovem pupilo.

– Sim... – murmurei quase inconsciente.

Acabei desmaiando e acordei com Lily me sacudindo. Gritei de dor e a olhei.

– Vou deixar vocês dois conversarem. – disse Dominique.

– Dominique.

– Sim?

– Preciso que você... – gemi de dor mais uma vez – Preciso que você volte pra lá e ajude a organizar tudo. Você é a única que sabe usar um patrono... Ficarei esperando notícias.

– Vai deixar que eu organize?

– Eu já disse que confio em você. – respondi fazendo careta.

Ela sorriu para mim e saiu fechando a porta.

– Vocês estão juntos? – perguntou Lily me olhando com preocupação.

– Não... ainda não, mas...

– Ainda?

Eu suspirei.

– Meu pai passou o direito de primogênito de Scorpius pra mim. – eu disse – Sanctimonia Vicent Semper. – eu olhei para Lily – Eu amo você, Lílian... Amo demais, mas... Eu tenho uma obrigação com a minha casa... Eu sou o último filho do meu pai agora que Scorpius casou com uma mestiça.

– E quando foi isso?

– No casamento do meu irmão...

– E por que transou ontem comigo então? – perguntou ela, magoada.

– Porque eu não aguentei... eu tinha absoluta certeza de que tinha meus sentimentos sob controle... Mas então eu dancei com você e tudo desandou...

Ficamos em silêncio alguns segundos.

– Aquela valsa... mudou tudo e... ao mesmo tempo, não mudou nada... não é?

– Eu sinto muito, Lily...

– Quem te machucou desse jeito? – perguntou ela.

Suspirei e me levantei, saindo da banheira. Lily a esvaziou com um feitiço.

– Eu mesmo. – murmurei – Lílian... eu quero te contar tudo. Mas deve me prometer que vai guardar segredo.

– Você e seus segredos...

– O que eu posso fazer se confio em você? – ela suspirou – Posso acreditar que você não vai me trair? Posso confiar em você?

Ela se levantou e tirou a blusa. A minha serpente passeava pelo corpo dela de maneira sensual. Lily tocou a serpente, que continuou se movendo, serpenteando pelo busto e cintura dela.

– É claro. – ela tirou um frasco azul escuro do bolso de trás e o abriu. Quando ela o levou aos lábios, minha mão se moveu sozinha e segurou o pulso dela. – O que?

– Nada. – murmurei.

Ela me olhou com um sorrisinho.

– Não quer que eu tome?

– Você deveria tomar.

– Não foi o que eu perguntei.

– Mas foi o que eu respondi.

Lily soltou um muxoxo e bebeu a poção, fazendo careta.

– O que vai me contar?

E então eu contei tudo. Sem mentiras, ou eufemismos. Contei que eu era o Sinistro, que eu tinha matado o Ministro e expliquei o porquê de ter feito tudo aquilo. Olhei para minhas mãos e notei que o sangue nelas já estava na altura do pulso.

– Cyg... oh, Cyg... isso parece tudo tão horrível... Vai acabar tudo mal... – lamentou ela.

– Não, Lily. Você não vê? Eu estou construindo um futuro melhor para todos os bruxos.

– Você está matando e cometendo crimes, Cyg.

– Quando seu pai estava caçando as Horcruxes de Lorde Voldemort, ele também estava cometendo crimes... mas não deixou de ser certo, deixou?

– Mas... Cyg... eu... eu não sei... – lamentou ela.

Sorri mais uma vez e a abracei.

– Vai ficar tudo bem.

– Não vai! – lamentou ela me empurrando e me deixando sozinho do banheiro.

Me levantei e corri atrás dela. Ela estava na sala de estar, se abraçando. A serpente nos ombros dela, como se a estivesse abraçando também.

– O que foi? Por que está assim?

– Porque você vai casar com Dominique, vão ter seus bebês das trevas e você vai morrer tentando conquistar o mundo! – disse ela – E o que será de mim?

A olhei envergonhado e a abracei por trás.

– Desculpe, Lily... Mas... Eu preciso fazer isso... – ela soltou um soluço – Posso até me casar com Dominique e ter filhos com ela, Lily... – eu a fiz virar pra mim – Mas meu coração vai ser sempre seu...

– E do que isso vai me servir?

– O que quer que eu faça, Lily? É meu dever e eu não tenho outro irmão mais novo pra jogar a responsabilidade! – disse a olhando nos olhos.

– Isso é tão idiota. Quem liga pra pureza de sangue? Isso não significa nada.

– Significa sim. – respondi – Eu achava que era besteira, mas meu pai me mostrou que não é... é real, Lily... o poder e tudo o mais... é real...

– É loucura. Não significa nada. Tio Rony é puro sangue, mas tia Mione é melhor do que ele em tudo!

Ela simplesmente não entendia... Por que iria entender?

– Não vou tentar te explicar o que você não pode entender. – resmunguei a soltando. Me virei e peguei minhas calças para não ficar andando nu. – Bem... eu prometi voltar. Aqui estou eu. – me sentei no sofá – Vivo e inteiro. Mas logo vou precisar partir e agora você sabe o porquê.

– Você vai acabar se metendo em muita confusão.

– Eu sei. Mas eu vou mudar o mundo, Lily. Vou mudar o mundo.

Lily caminhou até mim e se sentou ao meu lado, colocando as pernas sobre meu colo. Aquilo me atiçou inteiro, apesar de eu saber que seria egoísmo da minha parte. Minha serpente desceu pela perna dela. Oh... era tão sexy.

– Quando pretende ir?

– Assim que me recuperar por inteiro. Não posso agir levianamente.

– Entendo. – ela voltou a se levantar, ficando de costas pra mim. Usava só um short jeans desfiado e o sutiã preto. Ela soltou os cabelos e me olhou sem se virar. Ela abriu o short e o tirou.

– Lily... Não acho que seja uma boa...

– Eu só quero me divertir. – disse ela – Pare de ficar se esquivando de mim! – disse ela se virando e tirando o sutiã.

– Lily... Você sabe que pode chegar alguém, não sabe?

– Eu não ligo. – disse ela tirando a calcinha.

Ela caminhou até mim e se sentou no meu colo. Como eu poderia resistir? Que homem resistiria?

Na primeira vez foi só sexo. Mas depois, quando estávamos colados e suados, deitados no sofá e eu comecei a beijá-la... Aquilo não foi só sexo. Eu nem pensei em mim... Só queria deixá-la feliz. Era o mínimo que eu podia fazer.

Dormi com ela ali no Largo Grimmauld e quando eu acordei no dia seguinte, ela já tinha ido embora. Fiquei deveras triste, desejando tê-la ali comigo, mas sabia que estava me torturando à toa. Lily jamais poderia ser minha. Prometi a mim mesmo que nunca mais transaria com ela.

Quando fiquei na frente do espelho, notei que ela tinha devolvido a minha tatuagem. Toquei a serpente e sorri. Parecia ter um pedaço de Lily comigo ali.

Guerra

Voltei pra casa e minha mãe quis saber por onde eu tinha andado.

– Mamãe, não faça perguntas das quais não vai gostar das respostas!

– Onde estão seus amigos? – perguntou meu pai.

– Voltaram para suas casas. – respondi.

– Teve um ataque ataque a Nurmengard! – cortou Virgo olhando o jornal – A família Anguis, que havia sido presa por conspirar contra o governo foi libertada depois de uma iniciativa popular comandada pelo Sinistro e seus algozes. – leu ela – O número de mortos beira a casa dos vinte, contando com o Ministro da Magia que tinha voltado ao cargo há poucos dias... – ela deu um assovio – Uau, heim.

– O Sinistro estava lá? – perguntei disfarçando.

– Aparentemente sim. – Disse Virgo com os olhos no jornal – Os aurores que sobreviveram afirmam que nunca viram um bruxo tão poderoso... E fizeram um desenho dele... Ele usava uma máscara. – disse ela me entregando o jornal.

Peguei uma maçã e a mordisquei admirando minha caricatura.

– Que coisa... Quando eu deixo o país, algo desse tipo acontece.

– O que quer dizer? Queria estar lutando aqui? – perguntou Virgo.

– É claro. É a família do Alzar... aposto que o antigo ministro ficou puto por ter sido deposto... Quis retaliação... olha só... aqui tá dizendo que prenderam até a irmã do Alzar... – joguei o jornal de volta para Virgo – E ela só tem treze anos.

Meus pais trocaram um olhar cauteloso e meu pai ficou de pé.

– Cygnus. Venha comigo. – disse ele. O olhei curioso.

– Pra onde?

– Ministério. – disse ele dando um beijo na têmpora da minha mãe.

– O que quer que eu...

– Apenas venha, Cygnus. – ralhou ele.

Soltei um suspiro e o segui.

Chegando lá, meu pai me apresentou para várias pessoas, sempre falando que eu era o filho mais velho.

– Pensei que o seu filho jogador fosse o mais velho. – murmurou uma bruxa de meia idade me lançando um olhar travesso.

– Não. Cygnus sempre foi o mais velho e responsável. – murmurou ele.

Depois de me exibir por ai, meu pai me levou para sua sala. Eu nunca tinha ido lá. Normalmente quem sempre ia com ele era Virgo. A primeira coisa que notei foi um porta retratos com uma foto do meu pai e da minha mãe. Deveriam ter seus quatorze ou quinze anos e minha mãe estava loira na foto.

Havia mais três retratos da minha sobrinha, um meu, um bem grande do meu pai e Scorpius e mais um de Virgo. Nas paredes havia uma foto da nossa família, no dia em que eu ganhei o Torneio Tribruxo, ao lado da Ordem de Merlin que meu pai tinha. Em cima de uma mesa de canto havia um desenho feioso de duas pessoas, um homem e uma menina. A legenda era de “melhor pai do mundo”.

Meu pai se sentou em sua cadeira e soltou um longo suspiro.

– Não gosto de ficar enrolando, Cygnus. Você está com esse grupo que se auto denominam “Algozes”.

– Não, apesar de simpatizar com a causa. – respondi convincente. Meu pai soltou um suspiro e me olhou com seus olhos astutos.

– Você andou trepando com a filha de Potter.

Não foi uma pergunta. O olhei surpreso.

– Que?

– Não minta. Eu sei que sim. – disse ele.

Desviei o olhar.

– É só sexo.

– Não me faça rir. – disse ele – Eu te vi dançando na formatura, Cygnus. – ele suspirou – Não julgo você... Ela é uma garota bonita. Muito amável... – ele soltou outro suspiro – Você sabe que somos parte do Diretório Puro sangue... Mas houveram exceções... de casamentos com mestiços na nossa família.

– Do que está falando?

– Lúcio Malfoy I tentou se casar com a rainha Elizabeth, que era mestiça. – explicou meu pai calmamente – Foi um escândalo, porque ela não quis e reza a lenda que ele a azarou para que não quisesse nunca se casar. Não existiam poções do amor naquela época. – explicou meu pai pegando um dos retratos da minha sobrinha – Belic Malfoy se casou com uma mestiça em meados do século XVIII. Ela era uma princesa espanhola. E o avô do meu avô, Abraxas, se casou com uma mulher, cuja mãe era mestiça também. Ela era uma Gaunt. Deserdada, é claro... Mas com o sangue de Salazar Slytherin nas veias.

– Por que está me contando isso? – perguntei confuso.

– Porque você não precisa se casar com Dominique Weasley se não quiser. – respondeu ele – Eu preferiria que se casasse com ela, é claro. Mas... se você ama a filha do Potter...

– Eu vou me casar com Dominique. – cortei com autoridade – Eu já a pedi em casamento... Deve acontecer em um ano... dois, no máximo.

Meu pai soltou um suspiro.

– Os Potter são a família mais importante da atualidade, pense nisso. – disse meu pai – Mas a escolha é sua... – Desviei o olhar e concordei. – Cygnus... O que pretende fazer agora? – perguntou meu pai.

– Quero viajar um tempo com Dominique... – respondi – aproveitar um pouco antes de... de me casar.

Meu pai me fitou com os olhos cinzentos dele e concordou.

– Como quiser... Quando resolver por os pés no chão, eu te indicarei ao ministro. – disse ele – Logo estará com uma boa profissão aqui, ou prefere outra coisa? Você falou uma vez que se sentiria desperdiçado num cargo burocrático.

– Sim... Mas ainda não me decidi. Quando eu estiver oficialmente noivo de Dominique, eu aviso você. Arrumo um emprego de verdade e então...

– Eu e sua mãe sairemos da mansão. – cortou ele. O olhei surpreso – Você será o novo dono do lugar e eu passarei minhas responsabilidades para você. O nosso cofre, a casa e o título de cabeça da família. – disse meu pai – Mas não se case sem pensar direito, Cygnus. É uma decisão pra vida inteira.

– Pai...

Ele me olhou com seus olhos cinzentos.

– O que?

– Como soube que a mamãe era... a pessoa certa? Quero dizer... Eu não sei como escolher. Dominique é a resposta óbvia, mas...

– Mas?

– Lily... – eu franzi a testa – Não... Não posso me casar com Lily... Dominique atende melhor às minhas expectativas... – murmurei. Dominique me entendia de um jeito que Lily nunca entenderia – Lily é só uma garotinha boba...

– Uma garotinha boba? – repetiu meu pai com aquele sorriso que certamente pertencia ao meu irmão – Uma garotinha boba... Eu pensava que sua mãe era uma garotinha boba. – riu ele – Até que eu comecei a namorar Pansy Parkinson... Sua mãe tinha aquela filosofia chata de que era necessário casar virgem... – ele sorriu novamente, parecendo ficar muitos anos mais jovem – Eu estava subindo pelas paredes, quando eu e sua mãe terminamos e eu fiquei com Pansy Parkinson... Oh... o sexo era ótimo. Não só com ela. Eu não me sentia na obrigação de ser exclusivo... transei com metade das garotas do meu ano... – ele jogou os cabelos para trás – inclusive uma lésbica...

– Uou! Você traçou uma lésbica?

– Duas. Mas isso não vem ao caso. – disse ele com um sorriso satisfeito – Depois de trepar feito um coelho eu me dei conta de uma coisa.

– O que?

– Não é com quem você quer passar a sexta a noite que você deve se importar, Cygnus... Mas com quem quer passar o final de semana inteiro... e o resto da semana depois. – Ele soltou um suspiro e pegou seu relógio de bolso para abri-lo – Eu quase perdi sua mãe porque achei que ela era uma menina bobinha, que não evoluía comigo... Eu tive sorte de estar ligado a ela por um feitiço ou provavelmente você não estaria aqui hoje. Ela teria se casado com Zabini, eu acho... Ou talvez o Weasley, não sei...

– Weasley? O Sr. Weasley? Pai do Hugo e da Rose?

– Por que acha que o nome da sua cunhada é Rose, seu bobinho? Acha que é em prol da amizade deles? Potter e Weasley são melhores amigos, mas nenhum dos filhos de Ronald Weasley se chama Harry. – Meu pai me olhou com um sorrisinho – Mas não vou ficar aqui contando sobre a minha vida amorosa com a sua mãe. Seria uma história grande demais e eu precisaria de pelo menos 88 capítulos para falar... o ponto é... – ele se virou para me encarar – Não se precipite e não tenha pressa. Se você não está seguro do que quer fazer, não faça. Eu ainda sou jovem, sua mãe também... Aproveite a sua juventude, se é o que quer fazer. Ninguém vai te julgar por isso. Mas não escolha uma esposa que depois só vai te dar preguiça. Não vai poder se livrar dela como algo descartável... Ela será sua senhora. Alguém que te apoie quando você precisar de apoio ou brigue com você quando você precisar de uma bronca... Procure uma esposa e não uma escrava que concorde com tudo o que você diz. Você terá elfos domésticos pra isso... E pra concluir esse papo chato... – meu pai segurou meu braço e o apertou com força. – Não vire escravo de outro homem só porque ele é poderoso. Aceite esse conselho de mim. Eu vi meu pai definhar servindo Lorde Voldemort. Não quero ver meu filho desperdiçar a vida seguindo os ideais utópicos de um homem de máscara.

Ele me soltou e ficou de pé.

– Ele usa máscara por um bom motivo. – murmurei – E eu prefiro lutar por uma utopia a ficar sentado aceitando as coisas como elas são, mesmo que não me agradem.

– Você é jovem, pode pensar isso. – disse meu pai – Mas lembre-se que não vai ser jovem pra sempre. Um dia pode ser que seus filhos respondam por seus atos. Bem ou mal.

Despedidas

Lá estava eu, olhando a porta da casa dos Potter. A chuva caía pesada na minha cabeça. Eu precisava partir o quanto antes. Tinha tanta coisa pra fazer... Mas não poderia partir sem me despedir dela. Mas aquela chuva pesada me parecia simplesmente agourenta. Principalmente por causa do que eu queria fazer... do que eu iria pedir...

Toquei a campainha e logo abriram a porta.

– Cygnus! O que está fazendo ai? – perguntou tia Gina.

– Lily? Lily está? – perguntei.

Ela sorriu para mim e concordou.

– Entre. Eu vou chamá-la.

– Eu estou com um pouco de pressa... Vou viajar de novo. – murmurei.

– Tudo bem, mas entre. Saia da chuva. Ou pretende ficar ai?

Entrei constrangido com o barulho que meus sapatos faziam. Saquei a varinha e comecei a me secar, enquanto Gina chamava Lily pra mim. Quando minha ruivinha apareceu, eu sorri constrangido.

– Oi, Cyg. – murmurou ela muito politicamente.

– Olá... Eu... eu vim me despedir... – murmurei.

– Lily. Por que não leva Cygnus lá pra cima e pega umas roupas secas pra ele? – perguntou tia Gina – Eu estou terminando de fazer o jantar. Harry viajou de novo, James está com o time de quadribol e Albus está viajando para ver a turnê do Papa Doc... Vou adorar ter mais alguém para jantar.

– Mas... – comecei.

– Nada de “mas”. Você fica pra jantar. Vá lá trocar de roupa antes que fique doente! Talvez seja uma boa até tomar um banho. – disse ela com autoridade.

Lily voltou a subir as escadas e fez um sinal com a cabeça para que eu a seguisse. Fui obedientemente atrás dela. Lily me levou para seu quarto, que estava mais ou menos como eu me lembrava, mas com menos coisas nas paredes, e saiu para pegar roupas pra mim.

Tirei a capa, a camisa, os sapatos e as meias, ficando só de calças e Lily apareceu com roupas secas. Ela as jogou em cima da cama e saiu batendo a porta. Tirei o resto da roupa e me troquei, então abri a porta.

– Está com raiva de mim? – perguntei.

– Não. – respondeu ela voltando a entrar no quarto. Ela pegou a varinha e apontou para minhas roupas, que saíram voando pela janela.

– Hum... por que fez isso?

– As mandei pro lavabo. Minha mãe vai lavar pra você.

– Ok.

– O que você quer? – perguntou ela.

– Eu vou voltar para a Albânia... ficarei um tempo lá e depois...

– Eu não quero saber dos seus planos de dominação global. – Ralhou ela se sentando na cama. Concordei em silêncio.

– Ok... Eu só vim para me despedir de você e...

– Eu não vou transar com você. – disse ela.

– Eu não vim atrás disso... Eu só quis me despedir. – resmunguei ofendido. Lily me encarou e jogou os cabelos para trás.

– Então não quer transar comigo? – perguntou ela arqueando uma sobrancelha. Respirei fundo me perguntando se era algum tipo de teste.

– Eu sempre quero, mas meu objetivo não é esse. – respondi – Lily... Se eu te pedisse em casamento, você aceitaria? Mesmo eu sendo o que eu sou?

– Só se você largasse tudo. – disse ela – Eu quero um marido, não um imperador do mal.

– Ok... – murmurei me sentando ao lado dela.

Ficamos naquele silêncio por algum tempo.

– Não quero que case com Dominique. – disse ela.

– Não quero me casar com Dominique. – respondi. Ela me olhou confusa, mas depois fez careta.

– Mas vai fazer isso pela família... – resmungou ela.

– Bem... Não necessariamente... Existem outras boas candidatas. – murmurei.

– Oh! Vai fazer entrevista agora? – perguntou ela.

Dei uma risadinha.

– Sabia que a família Potter é a mais prestigiada da atualidade? – perguntei para ela. Lily piscou pra mim, surpresa – Eu me casaria com você, se aceitar que eu vou fazer o que precisar para alcançar meus objetivos.

– Me poupe. Eu não vou me casar com você! Acha que é só estalar os dedos que eu vou me desmanchar aos seus pés? – perguntou ela se levantando.

– O que aconteceu com você? – perguntei – O que eu posso ter feito de errado dessa vez? – me levantei e fui até ela – Vamos lá. Brigue comigo.

– Oh! Pare de drama, Cygnus. Eu só não gosto quando você fica agindo assim... Como se eu fosse um cão sedento por um osso. Se você só veio aqui se despedir, eu digo boa viagem e adeus. – disse ela abrindo a porta.

A olhei sem entender.

– Como quiser... nunca quis incomodar. – murmurei. Saí do quarto dela e desci as escadas. Gina estava cozinhando qualquer coisa, mas se interrompeu quando me viu na porta.

– Opa! Volte já aqui, rapazinho.

– Eu agradeço, Sra. Potter... mas sua filha está na TPM ou qualquer coisa assim... É melhor eu ir embora.

– Cygnus. Se vocês não estão se entendendo volte lá e faça ela entender, oras. Até parece que não sabe lidar com uma mulher! – ralhou ela vindo até mim.

– Desculpe, o que? – perguntei levemente ofendido. Até onde eu sabia, eu lidava bem até demais com as mulheres.

– Sabe quantas vezes Harry teve que me pedir em namoro até que eu resolvesse aceitar depois que ele foi embora para salvar o mundo, me deixando pra trás? Algumas mulheres precisam que vocês insistam. Precisam saber o quanto se importam.

– Hum... Sra. Potter... Acho que entendeu errado... – murmurei um pouco sem graça – Eu não vim aqui pedir sua filha em...

– Oh... Então era só sexo casual? – perguntou ela com um sorrisinho travesso, muito parecido com o de Lily. Senti meus cabelos se arrepiarem e meu rosto corar furiosamente.

– Hum... que... como... hum?

– Se não gosta dela, então ela é apenas mais um buraco no seu cinto?

– Hum... que? Eu...? – fiquei movendo a boca sem conseguir falar coisa alguma e Gina riu ainda mais de mim.

– É sempre tão articulado assim? – perguntou ela.

– Senhora Potter... Eu... Eu não sei do que... do que está falando... digo... Eu? Lily... Assim ... não... certamente... quero dizer... – ela seguiu rindo da minha cara e eu suspirei vencido – Quem te contou isso?

– Lily me contou isso. – respondeu ela. Um frio me subiu a espinha.

– E... e Harry sabe?

– Achei melhor ele não saber que tinha um Malfoy transando com a filhinha dele, até mesmo debaixo do mesmo teto em que ele estava. – respondeu Gina, mas não havia censura na voz dela. – Vá lá e converse com ela, Cygnus. Ela gosta de você. De verdade. – ela voltou para o fogão – E já aviso logo. Se tentar sair antes do jantar, vou ficar furiosa. Você não quer me ver furiosa. Não mesmo.

Concordei, ainda muito vermelho e voltei a subir as escadas. Soltei um suspiro e dei algumas batidinhas na porta dela.

– Lily... abra a porta, por favor.

– Não. Vá embora.

Respirei fundo.

– Por favor, Lily. Seja razoável... abra a porta.

– Não.

– Lily... – murmurei encostando a testa na porta, arranhando a madeira com o dedo – Lily... vamos ficar bem, por favor... não quero ir embora com a gente assim... – ela ficou em silêncio – Lily... vamos... o que eu preciso fazer? Me diz...

A porta se abriu de uma vez e ela me encarou parecendo zangada.

– Desista dessa viagem ridícula! Desses ideais ridículos!

– Lily, não posso desistir deles! Tem um monte de gente contando comigo!

– Eu passei a vida inteira contando com você. Por que nunca me escolhe? – perguntou ela – É bem como você avisou, não é? Se eu não deixasse de ser tolinha você só ia brincar comigo. Bem. Cansei de ser tolinha e de ser apenas mais um brinquedinho na sua mão.

– Lily! Você nunca foi um brin...

– Fui sim! Todas as vezes que a gente transou, você fez questão de me destratar depois. De me lembrar que não éramos absolutamente nada. Toda vez que eu me permitia me aproximar de você, você se metia com aqueles seus amigos idiotas, aquelas meninas retardadas que não deixavam você sequer olhar pra mim! Depois viajou com Dominique e Cerce... e Katarina e Leto. Deve ter sido uma orgia, não é? – perguntou ela me olhando feio.

– Lily...

– E quando a gente volta, você dança comigo... Me dá aquele momento perfeito... e então transa comigo, pra depois ir matar pessoas! E ainda tem a cara de pau de mandar Dominique vir me buscar...

– Eu não tinha como...

– ... e pra completar, ainda fala que vai se casar com ela! Que ela vai ser a mãe dos seus filhos... Sua mãe sabe o que você anda fazendo? Que você anda matando, torturando e fazendo magia negra?

– Só contei pra você, Lily...

– Seu papaizinho sabe que andou fodendo uma mestiça? Ou melhor... uma sangue ruim? – perguntou ela zangada.

– Sabe. – respondi – Ele sabe que eu... eu e você... – murmurei desconfortável.

– Oh. E o que ele fez? Te pendurou pelos calcanhares nas suas masmorras?

– Ele falou que eu deveria repensar meu casamento com Dominique.

– E sujar a gloriosa dinastia Malfoy? Ou eu sou exceção por meu pai ser Harry Potter? É por isso que está aqui? Porque papai te deu autorização para foder a sangue ruim de nome famoso?

– Pare de falar isso. – ralhei – Você fala como se meu pai fosse um monstro! Ele não é.

– Tem razão. Apesar de tudo o seu pai é um herói. O único monstro aqui é você. Mais de vinte mortos na sua brincadeira em Nurmengard! Uma execução pública feita pelo Sinistro em pessoa. Saiu no jornal, Cyg!

– Lily, pare, por favor!

– De que? De mostrar o quão horrível você está sendo?

Abri a porta de uma vez e entrei no quarto dela. Ela recuou, mas sem parecer assustada. Me encarava como se me desafiasse.

– De querer fazer com que eu desista de tudo aquilo que eu sempre sonhei. Estou lutando por uma causa!

– Uma causa sangrenta!

– Por um bem maior. – adicionei.

– Sabe de quem era esse lema? Grindelwald. – disse ela – É nele que quer se transformar? Quer ter o mesmo fim? Morto numa cela fedida e suja de uma prisão?

– Sabe qual é o fim que eu quero ter? – perguntei furioso avançando contra ela – Eu quero quebrar a lei de sigilo trouxa. Quero que eles saibam. Quero caminhar ao lado deles, de mãos dadas, construindo um futuro melhor para todos. Sem segredos e sem mentiras. Porque esse tipo de pensamento influencia no preconceito de sangue. Se começarmos a ver, de verdade, os trouxas como nossos iguais, ninguém mais vai se importar com pureza de sangue. E se um dia meu filho, um maldito Malfoy, virar pra mim e falar que está apaixonado por uma trouxa, eu vou virar e falar: ok! – Lily já estava encostada na parede quando eu terminei de falar aquilo – É isso que eu quero, Lily e é por isso que eu luto... E eu queria que você me esperasse... Eu queria me casar com você. É a única pessoa que eu amei na vida. – murmurei mais brando, colocando minha mão sobre seu rosto – Mas não vou pedir pra você me esperar se...

– E eu não vou. – disse ela tirando minha mão do seu rosto e dando as costas pra mim – Eu não quero nada com um bruxo das trevas. Vá embora. – sussurrou ela.

Soltei um suspiro.

– Se eu for agora, Lily... eu não volto mais. – murmurei.

– Por que? – perguntou ela sem se virar.

– Porque sem você, eu não terei mais um motivo pra voltar... eu vou ficar por lá. Casarei, como é esperado de mim, com uma puro sangue. Terei meu varão e talvez volte quando ele tiver idade pra ir para Hogwarts... ou talvez eu o coloque na Durmstrang e não volte mais para a Inglaterra. É isso que quer? – ela ficou em silêncio, de costas para mim – Por favor, Lily. Me responda.

– Não. Não é o que eu quero. – disse ela se virando, com o rosto cheio de lágrimas – Eu quero você aqui, comigo, sem magia negra, sem cajado, sem revolução. Quero que case comigo, sem se importar com a droga do meu sangue ou sobrenome e então quando acharmos o momento a gente tem filhos. É isso o que eu quero. Mas... você não pode me dar isso, não é? – perguntou ela – Porque... tem pessoas esperando por você. Esperando que você volte para mais chacina.

Ficamos nos encarando por um momento e então eu suspirei.

– É isso então? Acabou?

– Por que? Meu discurso te aborrece?

– Não estou falando do seu discurso. Estou falando de nós.

– Nunca existiu um “nós”, Cygnus.

– Pra mim existiu. – respondi. Peguei minha varinha e conjurei uma caixinha. A coloquei em cima da mesa e então fui até a janela – Peça desculpas para sua mãe por mim. Não vou ficar pro jantar.

E então aparatei de lá, deixando a aliança de noivado pra trás, junto com qualquer esperança de me casar com ela um dia.

Cheguei em casa e meu pai me olhou com expectativa. Apenas neguei em silêncio e saí para meu quarto.

– O que houve? – escutei Virgo perguntar, mas meu pai não respondeu.

Entrei no meu quarto e fui para o banheiro tirando aquelas roupas. Tomei um banho e chorei um pouco de desgosto, decepção, não sei. Mas quando saí, eu já estava pronto para o que viria em seguida.

Ou ao menos era o que eu pensava...

Albânia

– Como assim você vai embora de novo? – perguntou minha mãe – O que aconteceu?

– Lílian Potter... ela aconteceu. – respondi.

– O que ela fez? – perguntou minha mãe.

– OH! VOCÊ LEVOU UM FORA! – riu Scorpius, mas minha cara de mágoa o fez se calar – Eita... É sério... Você realmente gostava dela?

– Adeus. – murmurei.

– Cygnus. Espere. Quando você volta? – perguntou minha mãe segurando a minha mão.

– Eu não sei se volto. – respondi.

– Como assim, não sabe? Você precisa voltar! É o herdeiro da casa! – ralhou Virgo.

Olhei para meu pai, que soltou um suspiro e andou até mim. Ele pegou a minha mochila e colocou no ombro.

– Vamos, Cygnus. Eu vou com você até a Central das Chaves.

O olhei grato, mas minha mãe se colocou entre nós.

– Não! Ele não pode ir embora de novo por causa de uma mulher! – ralhou minha mãe.

– Mãe... Por favor. Eu quero ir continuar meus estudos.

– O que você quer tanto estudar na Albânia? Magia negra? – ralhou ela.

– Sim. – respondi – E poções e participar do movimento contra a lei de sigilo.

Ela me olhou como se não estivesse acreditando no que tinha escutado.

– Vai participar daquilo? Virou uma guerra civil!

– Eu sei. – respondi – E eu vou para participar. Não sei se vou lutar ativamente, mas... Mas quero ver no que vai dar. Isso pode ser vantajoso para nós no futuro. Vou esperar para ver quem está ganhando e então...

– Então vai lutar uma guerra! – ralhou minha mãe.

– Sim.

– Uma que não tem nada com você!

– Meus amigos estão lutando. – eu disse zangado – Eu vou ir, mamãe. Não tente me impedir.

Minha mãe veio até mim e me segurou.

– Escute aqui, garoto. Eu te proíbo, ouviu?

– Rose. – disse meu pai. Eles trocaram um olhar cheio de significado – Deixe. Nós vivemos nossas vidas e nossas batalhas... É a vez deles.

– Por que ele não pode fazer como o Scorpius? – perguntou ela.

– Nunca pensei que escutaria alguém dessa casa falar isso... – riu Scorpius para a esposa, que segurou uma risadinha.

– Porque ele não é como Scorpius, assim como eu não sou como meu pai, ou você como a sua mãe... ou seu pai como Régulus, ou você como Remo. – disse meu pai. Ele me olhou e me deu um sorriso quase triste – Vamos, Cygnus.

Aparatamos para o Beco Diagonal e fui com ele para a Central das Chaves. Paguei a passagem e meu pai me devolveu a mochila.

– Obrigado, pai. – murmurei. Ele concordou e apontou para um banco.

– Vem comigo... Temos alguns minutos antes da chave ativar.

– Ok.

–--

Nunquam titillandus Draco dormiens

Nenhum pai deveria ter um filho favorito, mas eu tinha.

Todos iriam supor que era Virgo, mas na verdade era Scorpius. Ele era o filho com quem eu mais discutia, era ele quem levava detenções o tempo inteiro, ele andava desarrumado e até pareceu tentado a ir para a Grifinória – ai, meu coração...

E eu sei que isso é errado. Mas eu o amava mais do que a Cygnus ou Virgo.

Porque ele era o que eu deveria ter sido. Eu via nele o Draco Malfoy que eu deveria ter sido na adolescência. Eu sempre fiz tudo o que meus pais esperavam que eu fizesse. E isso me estragou por muito tempo. Se não fosse por Rose, eu acredito que teria me perdido em desespero. Se eu fosse mais como Scorpius era, eu não teria voltado pra casa com a minha mãe, depois do quinto ano. Eu teria falado com Dumbledore, pedido ajuda e ido com ela, do Expresso Hogwarts, para qualquer lugar seguro.

Mas eu fui o garoto que tomou todas as decisões erradas...

E no dia da formatura, quando eu o vi de mãos dadas com Rose Weasley, eu fiquei feliz por ele. Mas foi tudo rápido demais e eu perdi a cabeça. Era namoro, noivado e então gravidez. Eu não estava preparado para ser avô.

E quando Hermione Granger pediu para que eu não fizesse um casamento espalhafatoso, eu fiquei furioso. Meu filho merecia um casamento tão grandioso quanto o meu fora. Mas nem ela e nem Weasley queriam. Queriam que fosse uma cerimônia simples e discreta.

Scorpius não entendeu a princípio. Rose, minha esposa, ficou furiosa comigo, pois achou que era simples e puramente retaliação. Por isso eu chamei Scorpius e conversei com ele. Disse que os Weasley não queriam nada muito chamativo e ele entendeu. Ou eu achei que ele tinha entendido...

Eu ia comprar uma casa para ele. Eu queria oferecer tudo de bom e do melhor para eles. Eu gostava da menina. Ainda gosto. Ela se parece tanto com a minha esposa em personalidade... era como ver minha história se repetindo, só que sem Encantamento de Heros para deixar tudo doentio e complicado.

Mas então Scorpius negou a minha ajuda e pediu ajuda a Sirius.

Eu fiquei furioso, magoado. Mas ele explicou.

Ele iria devolver centavo por centavo do que pedira para Sirius. Sirius cresceu sozinho e teve que enfrentar dificuldades. Ele cobraria aquilo do neto. Mas Scorpius sabia que eu nunca iria aceitar o dinheiro suado dele.

Ele não queria depender de mim. E mais. Ele não queria herdar a Mansão e o Cofre.

– Eu quero ser livre, pai... Por favor... Eu sei que é egoísmo da minha parte, mas... Não exija isso de mim. Eu não quero e não me sinto a altura.

Ele me explicou tudo o que ele sentia e eu não pude obrigá-lo a mudar de ideia. Então precisei voltar os olhos para Cygnus.

Eu nunca quis que Cygnus levasse a família porque sabia que ele era exatamente como todos os outros Malfoy... Scorpius finalmente poderia limpar toda a sujeira do nosso nome. Todos os pecados que tínhamos... Poderíamos ser uma família respeitada e querida. E eu sempre tive certeza que Cygnus não conseguiria fazer aquilo. Ele era sombrio.

E eu sempre quis tirá-lo daquela escuridão. Proibi Damian de vender mais livros e dar mais informações para ele sobre magia negra. Quis mostrar para ele que o mundo pode ser desafiador de maneira saudável, por isso quis que ele participasse do Torneio Tribruxo. Mas aquilo acabou voltando-se contra nós...

Desde pequeno, eu vi que meu filho tinha potencial para ser maligno como nem eu, ou meu pai, ou até mesmo meu avô tivemos. Ele era insensível, apático,cruel e frio.

Mas eu vi uma luz. Primeiro não dei muita importância, ignorei. Mas em um natal em que os Potter estavam passando na mansão, eu vi Lílian Potter chutar Cygnus na canela e gritar com ele. Mas logo eles estavam muito quietos olhando pra cima. Foi quando eu vi o visgo... Não sei se foi Cygnus ou Lílian quem fez o visgo nascer, mas foi um dos dois... E então eu vi meu filho beijar a menina no rosto três vezes e abraçá-la.

Sorri e saí de lá.

E depois, no natal quando meu pai faleceu, eu tive certeza. Os dois passaram a noite juntos, eu sei que sim. Não sei o que aconteceu entre eles, no entanto. E eu não estava no espírito de descobrir...

Mas quando eu notei, no casamento de Scorpius, que ele estava com Dominique, fiquei confuso. Por um momento cogitei esperar para passar a responsabilidade da nossa família pra ele. Mas Cygnus precisava se preparar. Ele precisava amadurecer de vez. Mas acho que foi demais pra ele... ele não estava preparado para aquilo...

Por isso concordei de imediato que ele fosse viajar e viver por conta própria um tempo. Ele precisava mesmo desse tempo para pensar em si mesmo...

E quando eu o vi dançar com Lílian Potter quando ele voltou, eu sorri feliz pelo meu filho, pois tinha certeza que ele tinha encontrado aquilo que ele merecia.

Mas o idiota do Potter, cego e lerdo como é, atrapalhou tudo...

Mas eu chamei Cygnus pra conversar assim mesmo. Eu precisava fazê-lo entender, que Lílian Potter era a decisão correta. Mas não o iria obrigar. Eu queria que fosse a decisão dele. Ele precisava escolher. Eu não tomaria decisões por ele, assim como nunca tomei as decisões por Scorpius ou por Virgo.

Então ele me pediu a chave do nosso cofre e eu fui com ele para o Gringotes. Ele pegou um anel antigo e bonito da nossa família e eu tive certeza de que ele tinha tomado uma decisão...

Mas Lílian Potter partiu o coração dele.

Agora eu estava lá, sentado ao lado dele, esperando ele partir... Desejando desesperadamente abraçá-lo e dizer que tudo ia ficar bem, que ele sempre teria a família dele com ele. Quis pedir para que ele não fizesse nada estúpido, que não lutasse numa guerra se tivesse a opção de cair fora.

Eu queria dizer o quanto todos o amávamos e o quanto nos preocupávamos com ele. O quanto olhávamos a cadeira onde ele costumava se sentar, sentindo um vazio no peito quando ele foi embora pela primeira vez. Apenas imaginando como ele poderia estar...

Eu queria pedir que ele não fosse, queria trancá-lo na mansão, queria colocá-lo de castigo, protegê-lo... Mas eu não poderia fazer isso. Ficamos sentados naquele maldito banco, em silêncio. Sabia que ele tinha muitas coisas que queria falar. Muitas coisas entaladas na garganta... e sabia perfeitamente bem que ele não as falaria... Não comigo.

– Eu tenho muito orgulho de você, Cygnus... – disse quebrando, finalmente, o silêncio – Eu sinto muito pelo o que aconteceu.

Ele me olhou com aquele jeito durão e indiferente dele. Scorpius sempre foi um menino chorão. Virgo também, porque eu sempre a mimei demais... Mas Cygnus nunca chorava. Nem quando era criança, nem quando Scorpius batia nele quando eram muito pequenos. Ele sempre tinha aquele olhar frio e distante.

Mas naquele momento eu vi os olhos dele encherem-se de água. Ele os levantou, olhando pra cima, numa batalha silenciosa para não deixar suas frustrações escorrerem por suas bochechas. Ele entrelaçou os dedos das mãos com força e soltou um soluço.

Coloquei minha mão no ombro dele e lhe dei uns tapinhas.

– Eu nunca acerto com ela. – disse ele –Talvez não seja pra ser...

– Eu errei muito com sua mãe também... Dê tempo ao tempo.

– Ela merece melhor...

– Então melhore.

– Mas ai vou ter que deixar de ser quem eu sou... – murmurou ele coçando os olhos. Um rastro úmido ficou no rosto dele.

– Então é uma questão de ver o que é mais importante. Não dá pra arrumar um meio termo entre o que você quer e o que ela quer?

– Não...

Soltei um suspiro.

– Sinto muito, meu filho... – disse simplesmente.

Voltamos a ficar em silêncio, olhando o grande relógio da estação. Quando deu nove horas, Cygnus se levantou. Fui com ele até o portal coletivo. Umas vinte pessoas estavam lá também. Puxei Cygnus com força e o abracei, sentindo um aperto no peito.

– Obrigado por tudo, pai...

– Se cuida, filho... – murmurei com os olhos cheios de água. Dei mais alguns tapinhas nas costas dele.

Ele colocou a mochila no ombro e se segurou no carrossel. A chave portal começou a ativar e eu acenei em despedida.

– CYGNUS! – me sobressaltei e me virei. Lá estava a ruivinha – Espere! CYGNUS! – ela vinha abrindo caminho com dificuldade. E quando finalmente chegou, ele já tinha ido embora.

Ela me olhou e me abraçou de uma vez chorando desesperadamente. Me soltei dela e a olhei com desgosto, sentindo-me traído por ela.

– Não venha procurar apoio em mim. Ele foi embora por sua causa. – rosnei zangado. Então me virei e fui embora, desejando nada menos do que o colo da minha esposa... Mais um filho meu que ia embora...

Cada vez mais éramos apenas eu e ela... Estava tão acostumado a sermos cinco, que a ideia de voltarmos a ser apenas dois era assustadora...

Talvez fosse por isso que a mãe do Weasley não parava de parir crianças...

Notas finais
E ai? Cygnus queria casar e a Lily deu um fora nele D= E o Cyg volta pra guerra, cada vez mais destruído ='( O próximo capítulo eh mt tenso e triste >< Espero que tenham gostado! Comentem, ok? Beijos