Cygnus - Fallen
20 Imprevistos e Preço em Sangue
Notas iniciais
Imprevistos
Passei nove meses na Albânia. Mandei aliados para os países que nos ameaçavam e quase depois de um ano formei a Liga Internacional Anti Sigilo. Grécia, Kosovo e Bulgária tinham se unido a mim. Eu estava em todos os jornais como um revolucionário.
Meu rosto, e os dos meus Algozes, sempre cobertos por suas máscaras. Dominique tinha feito a dela como a de uma arlequim. Minha máscara era prateada e a de Alzar completamente negra.
E as batalhas mantinham-se constantes. A Europa caindo contra nós, mas ninguém nunca sabia onde estávamos. Não podiam prender todos os que nos apoiavam. Estávamos cada vez mais populares.
Um ano depois de deixar minha casa, eu estava descansando na casa de um grande mestre de poções italiano – queríamos dominar a Itália agora, que já estava em guerra civil mágica por conta dos nossos ideais – quando Dominique saiu do banheiro.
Estávamos oficialmente juntos agora. Eu tinha até mandado uma foto minha e dela para meus pais falando que estávamos namorando. Íamos comemorar um mês de namoro e estávamos cogitando voltar para a Inglaterra por algumas semanas. As constantes batalhas estavam me consumindo demais. Eu via Salazar Slytherin todo o tempo e começara a fazer experiências com as armas trouxas. Queria estudá-las. Entender seu funcionamento.
Mas como eu disse, Dominique saiu do banheiro. Eu estava deitado na cama, seminu, com preguiça de levantar e ela se sentou ao meu lado.
– Cygnus... Tenho notícias. – murmurou ela.
– Diga.
Ela me estendeu o um frasco azul.
– Estou grávida de novo.
– Nunca vi chá de lua falhar tantas vezes quanto falha com você...
– Acredite, Cyg. Eu acho um saco. – resmungou ela – Eu falei com um curandeiro e ele disse que meu organismo criou resistência... É raro, mas acontece.
– E o que pretende fazer? – perguntei a olhando.
– Eu já tomei três chás abortivos, mas... – ela me olhou – Eles funcionam cada vez menos quanto mais a gente usa... Eu não acho que vou conseguir tirar esse.
Me sentei ao lado dela com um frio na barriga.
– Vamos ser pais, é o que está me dizendo?
– Isso depende de você. – disse ela me olhando – Eu posso criar sozinha se você quiser... ou... – ela pegou a minha varinha e me entregou – ou você dá um jeito.
– Quer que eu faça você abortar?
– Se você não quiser um bastardo...
– Está louca? Acha que eu sou um assassino de crianças? Eu não vou fazer você tirar!
– Então eu volto sozinha para a Inglaterra? – perguntou ela com muita calma – Ou vai me fazer a Sra. Malfoy?
Eu não estava preparado para aquilo. Não mesmo. Olhei para Dominique me sentindo perdido.
– Eu preciso pensar. – respondi.
Ela sorriu e concordou. Então me fez deitar em seu colo.
– Eu vou entender se não puder assumir agora. – ela murmurou – Estamos em guerra. Você precisa continuar. Estamos cada vez mais próximos de quebrar de vez a Lei de Sigilo... E então vamos poder construir um futuro fantástico para todos os bruxos que nasceram... – ela colocou minha mão na barriga dela – E para os que estão por vir...
– Dominique... – me sentei olhando para ela sorrindo – Não vou te deixar sozinha. É responsabilidade minha, também... – acariciei a barriga dela – Escolha um lugar.
– Um lugar? Pra que?
– Um que goste muito. Um pra nos casarmos. – eu disse sorrindo.
– Está me pedindo em casamento, Cygnus Malfoy?
– Estou. – respondi sorrindo.
Dominique se aproximou, para me beijar e alguém bateu na porta. Soltei um suspiro antes de me separar dela. Nos escondemos debaixo das cobertas e demos as mãos.
– Entre. – eu disse. Era Alzar.
– Mestre... Estão atacando os Giovanni. Mandei reforços, mas são muitos... E Harry Potter está lá.
– Harry Potter... – soltei um sussurro – Eu preferiria que ele não se metesse em assuntos internacionais, mas... – me virei para Dominique – Fique com ela, Alzar. A proteja com a sua vida. Se Harry Potter quer encontrar o Sinistro... Vou satisfazer a vontade dele.
Alzar sorriu, mas Dominique me puxou.
– Você vai matar o tio Harry?
– Não. Claro que não. Eu gosto do Harry. – respondi calmamente.
Me levantei e me vesti. Coloquei meu uniforme, minhas luvas de duelo, o Cajado, a varinha e a máscara. Katarina me esperava fora do quarto, com os braços cruzados, as roupas de couro e aquele sorriso cruel que ela dava antes de lutar. Sua adaga amaldiçoada presa na coxa, a varinha presa na outra...
– Vamos, Ceifador Sinistro. – riu ela.
– Vamos, minha Algoz. Vamos salvar o rabo dos Giovanni.
O duelo acontecia dentro da mansão Giovanni, a família bruxa mais prestigiosa Italiana. Eles eram conhecidos no mundo inteiro por terem inventado a magia que permitia fazer os inferi. Todo o terreno da casa era protegido por aquelas criaturas e era de conhecimento geral que os inferi eram fracos contra fogo.
Talvez fosse por isso que a Mansão estava em chamas. Assim que eu e Katarina chegamos, perfurando as magias anti-aparatação, todos nos olharam surpresos. Usei um feitiço para mudar meu timbre de voz, como costumava fazer e falei.
– CHEGA.
Todos olharam para mim. Giovanni, aurores, algozes e simpatizantes da causa. Todos assombrados com minha presença.
Foi quando eu o vi. De pé, com a varinha em punho, me olhando com aqueles olhos determinados.
– Harry Potter... Senhores... temos uma celebridade entre nós. – caçoei. Meus algozes riram achando graça e os aurores olharam de mim para Harry.
Todos pensavam que Harry Potter tinha uma magia especial, que ele fosse especial... Mas ele não era. Era um bruxo acima da média, verdade, mas nada de grandioso. Ele derrotou Voldemort por ter muitos amigos mais capazes que ele o ajudando... Sem falar que ele deu muita sorte também.
Mas não seria assim comigo.
– O que acha, Sr. Potter? Um duelo entre eu e você?
– Entregue-se. – pediu meu padrinho.
– Nunca.
– Expelliarmus! – gritou ele, mas eu defendi o golpe.
– Seu famoso feitiço de desarme. Sua marca registrada. Quer ver qual é a minha marca registrada? – perguntei erguendo o Cajado. Controlei as chamas e as apaguei de uma vez, jogando-nos num completo breu.
Logo as varinhas começaram a brilhar, invocando luzes para iluminar o local, mas quando a visibilidade voltou, eu já estava há dois palmos de Harry.
– Sinistro... – rosnou ele erguendo a varinha.
– O que vai fazer, Potter? Vai me matar?
– Se necessário. Eu não gostaria de fazer isso, mas farei se não me der outra escolha.
– Prenda-me, se for capaz.
Ele era melhor do que eu imaginei que fosse, verdade seja dita. Ele era melhor que Apolo e isso era grande coisa.
Mas eu era absurdamente forte. Suas magias não eram tão fortes quanto as minhas e os escudos dele não eram capazes de bloquear meus feitiços. E mesmo que não estivesse lutando para matá-lo, ele não foi capaz de me subjulgar.
Logo meus Algozes foram virando o jogo, inspirados pela minha presença. E convenhamos, Katarina certamente fazia diferença. Depois de vários minutos, os aurores mais espertos começaram a fugir... mas não Harry. Harry Potter não fugia. Ele ficaria e lutaria até a morte se fosse preciso.
Logo todos tinham tombado, menos ele.
Meu padrinho ofegava, com a varinha na mão, os óculos com gotículas de suor, os cabelos pregados no rosto. Mas lá estava, de pé, com a varinha apontada pra mim.
– O que faremos com ele, Mestre? – perguntou Noah.
– Mais um exemplo? – perguntou Katarina pegando sua adaga.
– Não. Harry Potter não será ferido. – eu respondi – Me pediram para que eu não o machucasse... então eu não vou machucá-lo. Vá e diga a todos que o Sinistro não é um carniceiro.
– E o que você é? – perguntou meu padrinho.
– Um idealista. – respondi – Não vejo porque derramar sangue mágico sem bons motivos. – brandi a varinha e a de Harry voou para minha mão – Ele não nos é uma ameaça. – eu disse com convicção.
– Por que quer tanto acabar com a lei de Sigilo Trouxa? – perguntou Harry. Seus olhos fixos em mim.
– Meus caros Algozes... Harry Potter está interessado no que andamos fazendo... – eu olhei ao redor, mas tudo estava caindo aos pedaços – Mas receio que aqui não é o lugar apropriado para falar... – estendi a mão para ele. Ele me olhou desconfiado, mas aceitou o aperto. Ele fez uma careta e levou a mão livre à testa enquanto eu aparatava para um campo ali perto.
Harry caiu na relva e se arrastou para longe, sem parar de me encarar, massageando a cicatriz.
– Quem é você? – Perguntou ele.
– Eu? Eu sou o Sinistro.
– Você... você é Tom Riddle? Tem alguma coisa relacionada a ele?
– Sim... pode-se dizer que sim. – respondi. Harry ficou de pé e eu devolvi a varinha dele – Mais alguma dúvida?
– Por que não me matou?
– Porque eu quero que você entenda. – respondi – As pessoas me chamam de Sinistro... Eu apenas me apropriei do nome... Mas eu não sou cruel, eu não mato para me divertir. Eu faço o que tem de ser feito, para atingir meu objetivo. Nada mais do que isso.
– E que objetivo é esse? Por que quer que os trouxas saibam de nós? Eles estão bem sem a nossa magia.
– Sim. Não discordo nesse ponto. Mas é um crime tão terrível desejar que nós, bruxos, fiquemos ainda melhor? Os trouxas podem ser úteis, Harry Potter. Vivemos na idade média se comparados aos trouxas. Deixamos que nossa magia nos tornasse acomodados... e agora que a magia está ficando cada vez menor...
– Por que está ficando menor?
– Eu simplesmente sei. – respondi – Eu fui capaz de ver o passado, Harry Potter... Quando não nos misturávamos com os trouxas. Quando todos nos preocupávamos em manter a pureza do sangue...
– Oh... Você é a favor da causa sangue puro! – disse ele num tom acusador.
– Eu não disse isso. Mas sim... Eu acho que o sangue puro tem um poder místico incompreendido... esquecido, com o passar das gerações. Precisávamos nos misturar com os trouxas, é verdade. Caso contrário desapareceríamos... mas pagamos o preço... A verdade é essa. E o preço foi a magia, em um modo geral, diminuir. Com algumas exceções, como Grindewald, eu, Dumbledore, Voldemort... Mas sim, a magia está desaparecendo, estamos ficando cada vez mais incompetentes... e talvez os trouxas tenham tecnologia para descobrir o porquê... Daqui há algumas gerações talvez seja possível reverter o processo... Mas só quando trabalharmos juntos. É esse o futuro que eu busco. Bruxos e trouxas, caminhando lado a lado, ajudando-se. – olhei minhas mãos, sujas até o antebraço, de sangue – Mas é claro... o preço em sangue começa a aumentar mais e mais, pois os conservadores bruxos não aceitam que a época de vivermos escondidos terminou. – olhei para ele. – Junte-se a mim, Harry Potter.
– Você é mau. – respondeu Harry – Eu nunca lutaria ao seu lado.
– Não existe bem ou mau, Harry Potter... Apenas poder. Poder puro e absoluto. Existem os fortes que o abraçam e os fracos, que têm medo de conquistá-lo. O que você é? Forte ou fraco?
– Voldemort me falou isso uma vez, há muitos anos.
– Bem... havia alguma sabedoria em Voldemort...
– Cada vez mais me convence que não devo segui-lo.
– Como quiser, Potter... Mas não vou te matar. Prometi a uma fã sua que não o faria... Mas eu sou excelente em quebrar promessas... Por isso... fique fora do meu caminho.
E então aparatei, deixando-o sozinho.
Preço em sangue
Eu estava mudando. Me transformando naquilo que eu desprezava, só estava sendo lento. Mas a gota d’água estava por vir.
Acordava todos os dias com Dominique, abraçado a ela, vendo a barriga dela crescer. Comprei para ela um colar bonito, de ouro. Ela me obrigou a ir com ela fazer o enxoval do bebê, apesar de não sabermos o sexo ainda – mas ela tinha certeza de que seria um menino.
Eu gostei muito de um parzinho de sapatos muito pequenos, vermelhos. Os comprei e ela os detestou, mas assim que viu que eu fiquei chateado, ela sorriu e os comprou.
– Se você gostou, ele vai usar. – disse ela com autoridade. – Tenho certeza de que você vai ser um paizão. – riu ela. Eu fiquei corado sem saber como reagir e ela sorriu para mim, me abraçando – Obrigada, Cygnus... Eu te amo demais. Nós dois te amamos. – disse ela colocando minha mão em sua barriga – Tenho certeza que vamos ser uma família muito feliz e que ficaremos unidos pra sempre.
Sorri para ela a acariciando na barriga. Eu tinha me afeiçoado absurdos com a barriga dela. Sempre que podia queria tocá-la, beijá-la acariciá-la. Nem me reconhecia. Eu amava Lily, mas o amor que eu sentia pelo bebê que Dominique carregava era maior que qualquer coisa que eu já tinha sentido...
Ela escolheu se casar em umas ilhas gregas e eu concordei. Não quis avisar minha família e nem ela a dela. Queríamos apenas alguns poucos conhecidos. Seria bem reservado e simples e eu gostei que fosse assim.
Alzar seria meu padrinho e eu me senti mal com isso... A ideia de não ser Scorpius ou Pascal me fazia lamentar... Mas Alzar estava sendo meu braço direito e ele ficou muito feliz por ser meu padrinho de casamento.
Eu estava levemente nervoso por estar me casando. A ideia de ser para sempre apenas eu e Dominique me era esquisita. Mas eu estava preparado para aceitar a responsabilidade daquilo. Contratei um homem para realizar o Rito e ficamos de nos casar ao por do sol. Meus Algozes estavam todos lá, menos Katarina, que tinha se atrasado. Noah entraria com Dominique e quando a noite chegasse ela seria minha e eu dela, para sempre, até o fim de nossas vidas.
Me senti culpado por pensar em Lily durante todo o dia, mas guardei aquilo pra mim. Escrevi uma carta ao meu pai, avisando que ele seria avô novamente e que quando ele recebesse aquela carta, eu provavelmente estaria casado. A guardei na gaveta do hotel onde estávamos hospedados e então fui para o lugar onde iríamos nos casar.
Quando estava indo, com Alzar, notamos que alguns trouxas estavam brigando e meu amigo me contou que a Grécia passava por uma crise econômica e que os trouxas também estavam em uma guerra civil.
– Quanto antes sairmos daqui, melhor... Sabe-se lá quando os trouxas vão usar aquelas armas... – murmurou ele e eu notei o medo em sua voz.
Apenas concordei e fui para o lugar marcado. Era próximo ao natal. Me lembro disso...
As lembranças da cerimônia não me são muito claras... Eu sei que foi naquele dia que eu mudei. Mudei de vez...
A família de Alzar estava lá e quando Dominique veio andando até mim, com um vestido simples e uma grinalda de flores nos cabelos, eu sorri contente. A barriga redonda dela era completamente visível. Minha família estava ali, vindo para mim. O bebê nasceria em meados de maio, talvez antes.
Lembro-me que Katarina estava atrasada, mas nem liguei. Só me importei com Dominique naquele momento, me convencendo de que eu poderia ser feliz ao lado de outra mulher que não Lily... Dominique me entendia de um modo que nem mesmo Lílian Potter era capaz de me entender. E ela não me via como seu mestre, mas como um aliado. Ela merecia governar ao meu lado, fosse o que fosse que eu viesse a conquistar. Eu faria dela uma rainha, se ela me pedisse aquilo.
Ela abraçou meu braço com um sorriso completamente feliz em seu rosto e o Rito começou. Porém, mal ele começou a fazer seu discurso, ouvimos dois barulhos altos, de doer no tímpano e tanto eu quanto Dominique saltamos de susto. Olhei ao redor e escutei um gemido.
– Cyg... – Olhei Dominique e notei o medo no rosto dela. A mão na barriga, com uma mancha vermelha começando a aparecer ali e outra no peito, crescendo ambas com velocidade. Eu reconheci aquele som. Já o tinha escutado antes. E eu também reconheci aquelas feridas. Era o mesmo som e as mesmas feridas daquela noite em que eu andara sozinho por Godric’s Hollow... Quando vi aquela trouxa morrer.
– DOMINIQUE!
Depois daquilo foi uma confusão. Apareceram homens de todos os lados, meus algozes começaram a duelar. Mas eu estava em choque. Dominique me olhava assustada. A deitei no chão, vendo o quanto ela tremia, me olhando com muito medo.
Ela era da Grifinória... nunca a tinha visto com medo de coisa alguma. Mas agora ela segurava minha mão, tremendo, assustada, suja de sangue.
– M-me a-ajude... – gemeu ela.
– Meu Deus... Dominique...
– CYGNUS! PRECISAMOS DE AJUDA! – gritou Cerce.
– Cyg... o bebê... Cyg...
E a respiração dela parou. O aperto dela afrouxou e ela virou o rosto com uma lágrima escorrendo por seu rosto.
Depois disso não me lembro de nada. Apenas de estar abraçado com Dominique, chorando de desespero. Meus algozes me olhando com pesar, inclusive Katarina que me entregava uma arma trouxa amaldiçoada. E ao nosso redor, trinta aurores, ou o que sobrou deles.
Levamos Dominique de lá e fomos para um lugar vazio. Apenas eu, meus algozes e um homem, que Katarina trazia. Ela tinha um corte feio no rosto, Noah também. Na verdade, todos estávamos feridos de certa maneira.
Estava de joelhos, o corpo sem vida de Dominique nos meus braços. Uma fúria cega me dominou. Eu a coloquei no chão com delicadeza e me levantei.
– O que houve? – perguntei num sussurro.
Katarina se adiantou, com o rosto ensanguentado e começou a chorar. Eu nunca a tinha visto chorar e nunca imaginei que veria um dia. Às vezes pensava que ela era mais cruel do que eu... Mas naquele momento ela parecia inconsolável.
– Foi minha culpa... eu devia ter previsto... eu vi aquele trouxa chegar... Mas eu não sabia o que ele estava fazendo...
Não era justo eu ficar com raiva dela, mas eu não estava são. A olhei com ódio e saquei a varinha apontando pra ela.
– Crucio!
Ela caiu no chão, se contorcendo e gritando com desespero, mas eu não me abalei. Segui a torturando até que Alzar levantou meu braço.
– Calma, Cyg!
– NÃO ME TOQUE!
– Cyg. Espere... – murmurou Cerce se ajoelhando ao lado da prima, que choramingava – Deixe ela explicar...
– Explique. – rosnei – EXPLIQUE! Explique onde você estava? DIGA!
Ela me olhou com remorso, mas se levantou.
– Me perdoe, meu mestre... Eu... eu quis agradar... Eu fui no banco trocar meu dinheiro por dinheiro trouxa e comprei esse negócio. – disse ela tirando uma câmara da bolsa – Eu queria filmar o casamento... Pensei que podíamos mandar para seus pais, já que eles não estariam presentes... – explicou ela – Por isso eu atrasei e quando cheguei, fiquei mais atrás, gravando tudo. – ela respirou fundo e olhou para o trouxa, que eu ainda não entendia o que estava fazendo ali – Foi quando eu vi esse homem! Ele segurava aquele negócio de ferro. Mas eu não entendo nada de coisas trouxas... achei que ele ia tirar uma foto de vocês... fui burra... Só quando eu vi o sangue nas costas de Dominique que eu entendi o que tinha acontecido.
– Era dele aquela pistola. – disse Noah apontando para a arma no chão.
– Sim. Eu fui atrás do desgraçado e então voltei para ajudar vocês. Não sei quem eram aquelas pessoas nem como nos acharam... – murmurou Katarina com pesar, olhando para Dominique.
– Eu reconheci um deles. – disse Alzar – Costumava trabalhar no ministério. Ele é sobrinho do ministro que você matou, Cygnus.
Cerce se levantou e foi até o trouxa, que estava amarrado e amordaçado.
Ela tirou a mordaça e o estapeou.
– Por que matou Dominique? – perguntou ela, furiosa.
– Um homem me pagou com moedas de ouro... Mas eu não queria matar a mulher. O alvo era ele! – disse o homem com desespero, olhando pra mim.
– Quanto? – perguntei furioso.
– O... o que?
– QUANTO CUSTOU A VIDA DELA? – gritei. O homem encolheu – Katarina, vê quantos galeões esse desgraçado tem.
Ela foi até ele e o revistou. Tirou toda a roupa dele e por fim encontrou as moedas. Ela as contou e rosnou.
– DEZ! DEZ GALEÕES! – gritou ela enfurecida – VOCÊ MATOU DOMINIQUE POR DEZ GALEÕES! – ela sacou a varinha – Crucio!
Os gritos dele foram música para meus ouvidos. Eu estava abismado. Que tipo de pessoa mata alguém por míseros dez galeões? O que são dez galeões? Absolutamente nada! Na verdade... quem mata alguém por dinheiro? Como alguém podia ser mesquinho a esse ponto?
– Tire-o da minha frente. Me esperem lá no outro quarto. Eu quero ficar sozinho... Não façam mais nada com ele... por enquanto.
Meus Algozes me obedeceram e eu me sentei ao lado de Dominique. Coloquei a mão em sua barriga e a alisei. Meu sentimento de perda era muito maior do que aquele que eu senti quando meu avô se foi... Muito pior.
– Eu estou chocado... – escutei a voz de Salazar. Ele caminhava ao redor de mim, enquanto eu olhava Dominique... nunca mais veria seu sorriso debochado, nunca mais ouviria sua voz melodiosa, ou suas piadinhas baixas... Nunca mais sentiria seus lábio e nunca mais ficaria assistindo ela passar loções na barriga e cantarolando feliz para nosso filho... – Eu sempre soube que os trouxas eram ruins... mas a esse ponto? Matar alguém por dinheiro? – um filete de sangue escorria pela bochecha dela. Tirei um lenço das vestes e o limpei – É por isso que eu digo, Cygnus... Não devemos nos misturar com essa gente... – tirei uma mecha dos cabelos dela de seu rosto, com as mãos trêmulas – Eles são um perigo... Eles podem intoxicar nossa cultura... Já pensou como você seria visado? Se eles matam por dez galeões, o que fariam para botar a mão nos milhões que sua família tem?
– Pare... – pedi fechando os olhos, encostando minha testa na de Dominique.
– Eu te avisei, Cygnus... Eu te alertei sobre os trouxas... Eles são perigosos... Mas você tinha razão sobre a tecnologia deles... Eles podem nos matar agora... Eles podem ser perigosos assassinos...
– Por favor... só pare... – murmurei com um aperto no peito. Eu queria aquela criança. Eu queria tanto aquele bebê...
– Eles mataram seu sangue, Cygnus... É esse o valor que os trouxas dão a sua família. – ele chutou as moedas no chão – Dez galeões...
– Meu deus...
– Vingue-se, Cygnus... – Dominique morta – É o mínimo que você pode fazer. – meu filho morto, na minha frente – Vingue-se. – por um trouxa... – Mate-os. – os trouxas que eu queria melhorar... ajudar... proteger... – Cace-os. – por míseros dez galeões... – Não deixe que eles saibam o que é segurança... – daria todo o meu ouro do Gringotes só para tê-los de volta... – E dê uma amostra da sua dor para cada um que se colocar no seu caminho.
Levantei meu olhar para Salazar. Respirei fundo e então me levantei. Salazar virou meu cajado e eu abri a porta. Olhei o trouxa com ódio.
– Sua idiota! Por que fez isso? – choramingava Cerce – Nunca mais vai sair!
Olhei para Katarina. Ela tinha o punhal nas mãos. O corte que ela tinha no rosto ainda maior e mais feio. Vinha de sua testa, passava pelo olho e terminava na bochecha.
– Será um lembrete para mim... Eu nunca mais vou confiar num trouxa. – rosnou ela – Eu sinto muito, Cygnus... Mas eu não vou lutar por eles nunca mais.
– Nem eu. – rosnei olhando para o homem – Katarina. Torture essa maldito até que o cérebro dele escorra pelas orelhas.
Ela não sorriu. Acho que estava tão frustrada e angustiada que nem mesmo fazer aquilo a divertiu. O homem logo gritava por causa da maldição de Katarina. Eu me uni a ela e depois Alzar, depois Cerce e depois os gêmeos.
Os gritos dele eram música para o nossos ouvidos, mas depois de quase uma hora, ele já não era mais capaz de gritar. Ele babava e resmungava coisas sem sentido. Mas não era o suficiente. A dor da perda ainda estava lá.
– Quantos trouxas são necessários para compensar a morte de Dominique e meu filho?
– Não existem trouxas o suficiente. – rosnou Noah. – Mas podemos tentar.
– Vamos lá. Ponham suas máscaras...
E então eu virei o Sinistro.
O que antes era um ideal de luta por liberdade, virou verdadeiramente uma chacina. Naquela noite eu devo ter matado uns cem trouxas e mais um bocado de bruxos que tentaram me impedir.
Quando já amanhecia e nós voltamos para o esconderijo, eu cremei Dominique, lhe dando um funeral digno. Depois coloquei suas cinzas numa jarra.
– O que vai fazer? – perguntou Cerce.
– Me dê a câmera. – pedi a Katarina. Ela concordou em imediato – Contem o que aconteceu... Noah... dá um jeito de fazer uma cópia dessa gravação... – de nós, Noah era o mais acostumado a lidar com parafernalha trouxa.
– Sim, mestre.
– Vamos mostrar ao mundo o que acontece quando se luta por eles...
– O que vai fazer, mestre? – perguntou Leto.
– Vou levar Dominique pra casa.
[n.a.- Dominique]
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