Cygnus - Fallen

17 A Jornada - Rota das Trevas e a Ordem dos Algozes


Notas iniciais
Pra quem ama a Lily, desculpe. Ela não aparece por um bom tempo... =p Prestem muita atenção no Cygnus daqui pra frente. Em como a personalidade dele vai mudando! Hehehehe =D Ps.: Cerce Flint estudou com o Cygnus, ela já apareceu na fic antes =] Ela apareceu no capítulo em que Pascal e Virgo começam a se relacionar. ^^ Espero que gostem do capítulo. A fic vai ficando cada vez mais tensa daqui pra frente.

A jornada

Provavelmente você está se perguntando sobre o cajado de Slytherin, não é? Sim. Eu o levei comigo, mas não contei para Dominique o que ele era. O deixei enrolado em um pano com o brasão da família Malfoy, sem deixar que ele ficasse exposto e o coloquei preso nas costas. Andamos como mochileiros por um tempo, aproveitando os lugares escondidos e desertos para nos divertir. Por um tempo até esqueci o motivo de minha viagem. Mas ao chegarmos na Alemanha, decidimos que pegaríamos uma Chave Portal para viajar logo para Tirana, a capital da Albânia.

Conhecemos algumas bibliotecas antigas e muitos bruxos. Fizemos cursos de magia negra e rituais. Ficamos lá por três meses. No segundo mês Dominique descobriu que estava grávida, mas só me contou depois que tomou um abortivo. Isso em nada nos afetou. As magias negras que existiam lá eram voltadas para amaldiçoar objetos ou pessoas. Aprendi bastante sobre horcruxes lá e a ideia me fascinou bastante. Encontramos alguns remanescentes da família Slytherin – a linhagem masculina havia desaparecido, mas a feminina ainda andava por lá – e fizemos amizade com Alzar Anguis, um ofidioglota, que acabou vindo com a gente.

Depois da Albânia, fomos para o Egito e ficamos lá durante cinco meses. O Egito era realmente fascinante. A magia negra lá era inteiramente voltada para a necromancia. Se comunicar com os mortos, inferis, rituais de ressurreição temporária, torturas grotescas, onde a pessoa ficava presa num corpo morto, sem nunca conseguir desencarnar, tendo sua alma torturada pela eternidade, ou até que queimassem o corpo.

No Egito encontramos Cerce Flint. Ela era a monitora chefe quando eu estava no sexto ano. Nosso trio virou um quinteto quando ela e a prima dela – Katarina Avery – se juntaram a nós. Como eu era o mais rico e mais poderoso, era eu quem ditava tudo o que faríamos, mesmo que fosse o mais novo.

Estudamos muita coisa no Egito. Tinha tanto para aprender... Mas também nos divertimos absurdos. Entramos escondidos em um museu e enfeitiçamos os objetos que não deveriam ser tocados. No dia seguinte fomos como turistas e quando os trouxas entraram em desespero, com as cabeças inchando, reações alérgicas ou crises de vômito, tivemos várias crises de riso...

Ah... Os trouxas eram tão idiotas...

Ver os aurores desesperados tentando apagar as memórias dos trouxas e desesperados por causa de alguma coisa chamada internet, não sei se você conhece... O Egito certamente foi muito divertido.

Depois de estudar e praticar o dia inteiro, íamos para lugares de festas durante a noite. Experimentei várias drogas, trouxas ou não. Gostei muito de narciso, uma planta alucinógena, que usávamos para fazer uma espécie de cigarro. Precisava fumar muito para ter alucinações, no geral, ele só dava sensações divertidas, crises de riso, ou efeitos parecidos com os do álcool. Sempre terminava em sexo. Eu e Dominique, eu e Cerce, eu e Katarina... E elas com Alzar, ou entre elas, ou todos nós.

– Deveríamos colocar um nome no nosso grupinho. – sugeriu Katarina deitada no peito de Alzar. Eu estava sentado com Dominique em meu colo, a mordiscando no ombro.

– Filhos de Baco. – riu ela – O deus do vinho e das orgias.

Cerce começou a rir me abraçando por trás, seus seios no meu pescoço.

– Não que eu não aprove, mas... nunca seríamos realmente respeitados com um nome desses... – riu Cerce me beijando na orelha – Por exemplo... Comensais de Morte. Ninguém faz pouco desse nome. Ele impõe respeito.

– Deve ter a palavra Algozes. – sugeriu Alzar.

– O que acha, Cygnus? – perguntou Dominique.

– Que você podia rebolar mais um pouco.

– Você é um pervertido. – ralhou ela.

– Você está nua no meu colo, não dá pra pensar com a cabeça de cima desse jeito. –brinquei. Ela riu pra mim.

– Ok. Você tem um ponto... Mas vamos pensar com carinho nessa história do nome... E eu acho a palavra Algozes excelente!

Nesses cinco meses, arrumamos problemas com os aurores umas três vezes. Em duas delas foi muito tranquilo, mas a terceira realmente queriam nos levar presos. Ficamos cercados por quase trinta aurores. Então eu usei o Cajado de Slytherin.

No final, apenas eu e meus colegas estávamos de pé. Eu não matei ninguém, é claro. Mas isso não significava que eles se recuperariam completamente um dia.

Alzar reconheceu o Cajado imediatamente e ficou de joelhos na minha frente.

– Eu não sabia que isso que você sempre trazia era o Cajado... Você é o Herdeiro. – disse ele assombrado.

– Eu não sou o Herdeiro.

– Eu sabia que já tinha te visto. Você é Abraxas Slytherin, o guardião da Relíquia! Você voltou para nos guiar.

– Está errado. – eu respondi andando entre os corpos que eu havia derrotado – Eu não sou Abraxas. Eu derrotei Abraxas Slytherin e conquistei o Cajado para mim.

– Mas você o levou todo esse tempo, Cygnus... Você é o Herdeiro. É o legítimo dono do Cajado. Caso contrário estaria morto. – explicou Alzar – Eu, como descendente dos Slytherin, juro solenemente servi-lo.

Sorri satisfeito e olhei para minhas companheiras. Katarina olhava para mim com assombro, Cerce com orgulho e Dominique com fascínio.

Cerce se ajoelhou sorrindo.

– Eu sempre soube que você estava destinado à grandeza. Juro solenemente servi-lo.

– Eu também. Juro solenemente servi-lo! – disse Katarina, parecendo uma criança na véspera do natal. Ela tinha o cabelo da cor de vinho, os olhos muito verdes e uma cara de ave de rapina.

Olhei para Dominique, que cruzou os braços com um sorriso divertido.

– Não está mesmo achando que eu vou ficar de joelhos, está? – perguntou ela.

– Já ficou tantas vezes, vai criar caso agora? – provoquei sorrindo do mesmo jeito.

Ela caminhou felina até mim e puxou a gola da minha camisa.

– Eu não vou ficar de joelhos, queridinho... Mas vou estar sempre ao seu lado, por onde quer que você vá. – garantiu ela – Isso eu posso jurar.

Sorri e a puxei pela cintura. Então a beijei e saímos de lá sem deixar rastro.

Do Egito, fomos para Israel e lá juntei mais gente para se unir a nosso grupo de estudos: Noah e Leto Silver, irmãos de uma antiga linhagem pura bruxa. Ficamos menos de um mês por lá, melhorando nosso legilimens e falando o quanto os trouxas poderiam ser úteis, emprestando para nós seus conhecimentos tecnológicos.

Eu pensava, claro, em armas e nas poucas semanas que fiquei ali, pude ver como os trouxas faziam suas guerras. Era simplesmente assustador. E eu quis aquele poder para mim. Noah me explicou que apertando um botão, um trouxa podia soltar uma arma e destruir um país do outro lado do mundo. Eles podiam viajar a velocidades maiores que o som, podiam adoecer seus inimigos com criaturas minúsculas, que não podiam ser vistas a olho nu.

– Como Merlin e Morgana?

– Sim.

Levamos algum tempo atravessando o Oriente Médio e finalmente chegamos na Rússia através da Geórgia.

A magia negra na Rússia era voltada para o combate. Ficamos mais cinco meses lá. Haviam campeonatos de Duelistas e eu participei de todos, ganhando fama, prestígio e mais reconhecimento. Quando deixamos a Rússia, não havia um duelista que não conhecesse meu nome. Eu até apareci nos jornais algumas vezes, como o jovem prodígio duelista.

Os Russos não apoiavam a causa puro sangue e não incentivavam isso de jeito nenhum. Achavam grotesco e absurdo o fato de ficar casando primos todo o tempo em nome da pureza do sangue, e por isso passamos por algumas situações constrangedoras lá. Eu queria me mudar pra Rússia apesar disso. Havia um grande movimento para fazer com que a magia fosse mostrada para os trouxas.

Porém, o imperador Russo tinha filosofias mais conservadoras e costumava encerrar as manifestações mandando seus aurores azararem quem defendesse que os trouxas deveriam saber a verdade.

Por fim, fomos ao Brasil. Levamos um mês inteiro apenas para chegar lá. Havia muita coisa para aprender ali e ficamos mais quatro meses sabendo que não seria tempo o suficiente para aprender tudo o que queríamos.

Estudamos magias indígenas, africanas e mais uma mescla de magias do mundo inteiro. Era tanta coisa para aprender que mesmo que eu ficasse por lá durante cinquenta anos, acho que não aprenderia tudo. Mas os rituais que vimos lá eram incríveis. A necromancia não era proibida lá. Na verdade, era... Mas ninguém parecia se importar com isso. E muitos trouxas frequentavam esses rituais, pagando os bruxos por seus serviços.

Era o sonho. Mas em matéria de magias para batalha, ou misturar armas trouxas com magia... Isso não.

Claro... Algumas pessoas faziam isso. Mas não era uma prática comum.

Nesse tempo todo, eu sempre pensava em Lily, mesmo quando estava dormindo entre os corpos quentes das minhas seguidoras. Perguntava se ela se lembrava de mim, se ela sentia minha falta como eu sentia dela...

Recebi várias cartas de Scorpius, de Pascal, de meus pais, de Virgo e até mesmo de Lily. Mas as de Lily eu nunca li. Dominique as jogava fora assim que chegavam. Eu nunca a repreendi. Eu precisava tirar Lílian Potter da minha mente.

Scorpius me mandou várias fotos de sua filhinha, Narcisa II, que se aparecia em absolutamente em nada com a minha avó. Ela era ruiva, sardenta, com o nariz comprido dos Weasley. Do meu irmão, só tinha os olhos cinzentos e enormes.

Eu sempre que podia escrevia para Scorpius e raramente para meu pai, apenas para falar onde eu estava. Ele disse para minha mãe que eu tinha ido viajar para estudo, mas se ele falasse os lugares por onde eu estava indo, ela saberia exatamente o que eu estava estudando e ficaria furiosa.

No Brasil, eu e meus colegas fizemos uma tatuagem em um lugar do corpo. Optamos por uma foice, já que éramos Algozes. Mas o cabo da foice era o Cajado de Slytherin. E em homenagem a Voldemort, que querendo ou não, foi o último grande bruxo das trevas, enfeitiçamos nossas tatuagens para funcionar como as dos comensais. Tatuei a minha na batata da perna.

Aprendemos a fazer outras tatuagens legais no Brasil. Tatuei uma serpente na minha perna e ela subia pelo meu corpo, como se enroscasse em mim. Quando eu ficava sem camisa, o efeito era bem legal e Dominique jurava ouvir a tatuagem silvar quando a serpente subia até meu pescoço.

Com o tempo, descobri que tinha virado ofidioglota também. Acredito que porque eu estava usando o cajado com frequência. Meu legilimens estava absurdo de forte. E Cerce e Katarina viviam me pedindo para sacanear com os trouxas. Eu os fazia se contorcer e gritar, falar a língua das cobras e etc. Sempre juntava um monte de gente, usando religião para me expulsar, mas obviamente era inútil.

Eu e meus Algozes apenas ríamos, achando tudo simplesmente hilário.

Em meados de Maio, voltamos para a Albânia e eu comecei a juntar mais e mais bruxos, para que me apoiassem no movimento Liberdade da Magia. Começou com pouca gente... Umas trinta. Mas uma semana depois tinha quase cem bruxos se tumultuando para me ouvir discursar. Mas o governo Albanês não gostou nada daquilo, principalmente porque muitos saíam de lá e começavam a fazer demonstrações em prol da Liberdade da Magia.

Os aurores começaram com repreensões e multas. Depois falaram que mandariam para a prisão qualquer um que fizesse demonstrações de magia na rua.

Eu estava na casa de Alzar, quando os homens da lei apareceram. Eles me proibiram de continuar com aqueles discursos, pois eu estava atrapalhando a paz.

– Eu seguirei falando pra quem quiser ouvir. Ou você pretende me impedir? – perguntei insolente. Alzar, Noah, Leto, Katarina, Cerce e Dominique sorrindo atrás de mim. Todos prontos para lutar ao meu lado.

– Nós iremos levá-lo preso. – disse o auror intimidado. Ele saiu da casa e eu fiz sinal para meus colegas.

Saímos atrás dele e eu apontei o cajado para cima para soltar faíscas. O céu ficou pintado de fagulhas coloridas, que formavam as palavras “Magic is Real”. Vi várias pessoas apontando para o céu, espantadas e curiosas, tirando fotos e comentando.

O auror me olhou zangado e sacou a varinha. Eu sorri e saquei a minha, mantendo o cajado na mão esquerda enquanto brandia a varinha com a direita.

Olhei o auror com diversão.

– Esse é o hilário momento em que você tenta me prender! – disse sorrindo.

– Entregue-se, Algoz! – disse o auror.

– Ou?

– Ou serei forçado a duelar com você. É apenas um moleque!

– Ouviram, gente? Ele acha que eu sou apenas um moleque... – meus colegas começaram a rir, zombando da ignorância do auror – Bem... Por que você não me mostra o que é capaz de fazer?

Meus Algozes riam atrás de mim, achando graça.

O auror me atacou, mas eu defendi com facilidade. Ele me atacou de novo e de novo. Mas nem chegou perto de me fazer cócegas.

– Vamos, homem da lei. Sei que pode fazer melhor do que isso. – provoquei. O auror seguiu me atacando, mas ele não lutava melhor nem mesmo que Apolo. Com facilidade eu o desarmei e ele me olhou assustado – Aqui, tente de novo. – murmurei fazendo a varinha flutuar até ele. Ele me atacou mais uma vez e eu o desarmei de novo.

Entreguei a varinha para ele mais umas três vezes até ele se dar por vencido. Ele tentou ir embora, mas minha sede de sangue tinha ficado presa por tempo demais.

– Alzar... Eu acho que precisamos de um exemplo... Do que acontece com quem nos ameaça...

Alzar sorriu e concordou, mas quem atacou foi Katarina.

– Crucio! – O homem gritou e eu olhei para Katarina. Ela sorria achando divertido os gritos do homem. Na verdade era bem engraçado a cara que ele fazia e o modo como ele se contorcia. Ficamos rindo e logo apareceram mais aurores. – Oba. Mais gente pra brincar. – riu Katarina, com seus olhos verdes de rapina.

Duelamos contra os aurores durante alguns minutos, mas estávamos tão treinados, tão afiados, que nem mesmo um de nós se machucou.

– Precisamos criar um feitiço igual ao de Voldemort. Pra falar que estávamos aqui. – riu Cerce. Mas Katarina foi contra.

– Não somos como Voldemort. Não pensamos igual a ele. Ele só queria destruir. Nós queremos construir... – ela me olhou com os olhos inflamados e se acocorou na frente do auror que tentou nos dar voz de prisão – Mas eu concordo que temos que ter nossa marca.

– O que vai fazer, Kat? – perguntou Dominique quando Katarina sacou uma adaga que ela mesma amaldiçoou. Para fazer um ferimento provocado por ela cicatrizar, tinha que se fazer um poderoso contrafeitiço que apenas eu e ela conhecíamos.

– Um desenho. – riu ela. – Afinal, Cygnus queria dar um exemplo, não é?

Nos aproximamos e vimos que ela desenhou a nossa foice no braço do auror.

Nos levantamos e saímos dali tranquilamente.

Depois desse dia, a rotina de batalha era exatamente isso. Rotina. Todos os dias mais idiotas vinham tentando nos prender e cada dia havia mais gente ao nosso lado gritando por liberdade. Cada dia mais estávamos derrubando os homens da lei e causando assombro por onde passávamos.

Sempre havia alguém a nos oferecer um teto e a querer conversar comigo. Todos estavam assombrados com minha inteligência e talento. E eu estava sempre disposto a ensinar quem quisesse comigo aprender.

– Eu concordo com tudo o que vocês lutam. – disse um senhor idoso que olhava para sua neta de oito anos. Dominique fazia um penteado bonito nela, enquanto a menina pintava as unhas de Katarina – Meu filho, quando tinha uns quatro anos, transbordava magia. Uns trouxas idiotas viram ele mudando a cor das flores do nosso jardim e vieram falar que ele era do diabo. Bateram tanto no meu filho que ele quebrou o braço. Minha esposa ficou furiosa e azarou os moleques e os pais deles quando eles vieram reclamar... ela morreu em Nurmengard, quatro anos depois... Durou muito, até. – ele cuspiu no chão – Eu odeio os trouxas. Odeio. São uns ignorantes, porcos, imundos e limitados... Mas isso é culpa nossa que até hoje não explicou pra esses inúteis que magia existe.

Escutei atentamente, percebendo a notável semelhança com o que tinha acontecido com a família Dumbledore.

– Os trouxas são inferiores em alguns pontos, concordo. Mas podem ser úteis... – murmurei girando o cajado de Slytherin entre meus dedos.

Algumas semanas depois, meu rosto estava estampado nos quatro cantos. Eu era um criminoso procurado, assim como meus Algozes. Katarina achou simplesmente hilário e pegou um dos cartazes de procurada e guardou de recordação. Mas Dominique não gostou.

– Meus pais vão entender tudo errado... – lamentou ela – Precisamos dar um jeito nisso, Cygnus. Não podemos continuar lutando contra os aurores. Temos que fazer algo de verdade.

– Como o que? Dar um golpe no Ministério e nos conclamar governantes? – perguntou Alzar com desdém. Olhei para ele achando a ideia excelente.

– Seu pai é influente no Ministério, Alzar, não é? – perguntei.

– Sim. Ele faz parte da Corte dos Bruxos. Concorreu uma vez a Ministro, mas não ganhou por muito pouco.

– Avise-o que iremos visitá-lo e que ele receberá outra chance de se tornar Ministro da Magia. – avisei.

Uma semana depois liderei um ataque ao Ministério. Cercamos o prédio e o deixamos inaparatável. Depois foi entrar e abrir caminho até o ministro. Nossos espiões já tinham bloqueado as lareiras e rendido o ministro. Mas eu quis me apresentar a ele. Então abri caminho, me exibindo, é claro, até o homem.

Quando finalmente o vi, ele ficou chocado.

– Quantos anos você tem? É apenas um garoto.

– Dezenove. – ri para ele me sentando e conjurando um hidromel – Vamos beber? – ele olhou para a garrafa com desconfiança. Bebi o primeiro copo e depois servi mais dois – Vamos, ministro. Se eu o quisesse morto, você estaria morto. Por que eu iria querer te envenenar agora?

– Eu não sei como vocês, bruxos das trevas, pensam.

– Me poupe, ministro. Somos todos bruxos das trevas. Qualquer um que queira estudar as Artes das Trevas vem para a Albânia. Não vamos ser hipócritas. – eu levantei o copo – À sua saúde.

– O que você quer?

– Eu quero que renuncie. – respondi.

– Ou o que?

– Ou... Está vendo aquela belíssima ruiva ali? – apontei para Katarina que sorriu com crueldade – Eu vou deixar você nas mãos dela... Acredite, Ministro... Você não vai querer isso... Não mesmo.

Katarina jogou os cabelos para trás. Ela era ameaçadoramente bela. Todas minhas companheiras eram. Dominique era linda de morrer, Cerce também era. Leto era morena dos olhos muito azuis, que pareciam brilhar. Os cabelos cor de mel e um rostinho de anjo. Cerce era loira, com os cabelos muito cacheados, os olhos verdes como os da prima...

– O que vão fazer quando eu renunciar? – perguntou o ministro.

– Indicar pessoas mais... apropriadas... aos cargos certos. – respondi calmamente – E então?

Ao anoitecer o Ministério era todo meu. O pai de Alzar era o novo ministro da magia e apenas os que me apoiavam foram indicados para os cargos mais importantes.

Na semana seguinte, Itália, Kosovo, Montenegro e, principalmente, Bulgária nos mandaram avisos de que, caso continuássemos com nossas atividades que desrespeitavam as leis bruxas mundiais de sigilo dos trouxa, haveria uma aliança internacional para nos caçar.

– O que vamos fazer, Cygnus? Não podemos lutar contra o mundo inteiro! – lamentou Cerce – Somos fortes, mas ainda somos poucos...

– Vamos nos retirar, por enquanto. – disse – Mas vamos espalhar ainda mais nossos ideais. Não dá para revolucionar o mundo da noite para o dia.

– Então por que tomamos o Ministério? – perguntou Alzar.

– Não é crime querer defender um ideal. Seu pai foi indicado pela Corte dos Bruxos e por uma massa de pessoas. E o Ministro renunciou. Seu pai está a salvo e será o símbolo de liberdade daqui. Ele vai continuar nosso trabalho por debaixo dos panos, enquanto visitamos esses países que estão vindo nos ameaçar.

– Faremos com eles o que fizemos aqui? – perguntou Katarina.

– Sim. Mas agora de maneira mais secreta. Já mostramos a que viemos. – expliquei – E quando chegar o momento, atacaremos de uma vez, pelo menos oito Ministérios... Com isso vai ser um impacto grande o suficiente. – eu joguei um galeão na fonte que havia no jardim de Alzar e fiquei olhando as ondas se alastrarem – E logo o movimento vai se espalhar, como essas ondas, sem que ninguém possa evitar.

– Mestre Cygnus! – gritou uma voz infantil. Olhei e vi a irmã de Alzar, a pequena Agni, de apenas treze anos. Ela vinha correndo com um envelope nas mãos – Isso acabou de chegar! É para o senhor!

Peguei a carta, curioso e sorri. Era de Virgo, me avisando que se eu não aparecesse em sua formatura, ela iria me matar dolorosamente.

– Quem é esse menina que está te ameaçando? – perguntou Katarina quando eu coloquei a carta na mesa.

– Minha irmãzinha. – disse sorrindo – Eu vou voltar para casa, meus amigos... Está na hora de rever minha família... – eu soltei um suspiro – Já faz dois anos que eu fui embora...

– Se você vai, eu irei com você. – disse Alzar. Sorri para ele e concordei.

– Claro. Vocês serão bem vindos na minha casa.

Noah sorriu pra mim e olhou para Leto, que parecia feliz também.

– Oh. Vamos visitar os Malfoy. – disse ela animada.

– Sim, sim... Iremos todos rever a família. – riu Katarina – Voltar as origens, recuperar as energias e então voltar ao trabalho.

Voltamos discretamente para a Inglaterra, sem querer chamar muita atenção. Eu tinha conseguido alguma reputação, apesar de não ser tão grande assim. As pessoas só me chamavam de O Algoz. Nunca entendi o porquê, já que eu ainda não tinha matado tanta gente assim... Apenas uns quatro ou cinco aurores, no calor da batalha. Mas o nome pegou e não havia nada que eu pudesse fazer.

Na verdade, eu não queria fazer nada a respeito. Enquanto eu não tivesse vencido aquela guerra, eu não queriam que associassem o que eu estava fazendo com o nome da minha família.

Nos estalamos em Hogsmeade e eu fui em uma loja qualquer para comprar trajes a rigor. Dominique foi comigo me ajudar a escolher uma roupa.

– Não vai ir? – perguntei.

– Não. – disse ela com convicção – Vou direto para casa, ver meus pais e meu irmão...

– Ele já se formou, não é?

– Sim. – respondeu ela – Está noivo da filha do nosso professor de herbologia.

– O professor Longbottom?

– Sim. – respondeu ela.

Sorri contente por pelo menos um varão da família Weasley seguir puro sangue.

Depois de comprar a minha roupa, fomos para a estalagem onde perdemos a virgindade. Tomei um banho por lá mesmo e aproveitei um pouco de Dominique. Quando eu estava limpo, me olhei no espelho e decidi que era hora de tirar aquela barba.

– Deixe-me fazer pra você. – pediu ela.

Me sentei em uma cadeira, apenas de toalha e ela veio com a espuma. Ela se sentou no meu colo e muito meticulosamente fez minha barba, deixando um cavanhaque elegante.

– Obrigado. Ficou ótimo.

Ela me olhou com um sorriso e a serpente tatuada no meu corpo subiu pela minha barriga.

– Tia Rose vai ficar louca da vida quando ver isso... – riu Dominique.

– Meu pai não vai gostar... Minha mãe provavelmente vai achar legal... Acredite ou não, minha mãe é meio rebelde.

– É... não acredito. – riu Dominique – Escute, agora que só estamos nós dois, eu quero que me prometa uma coisa.

– Diga.

– Eu já abortei três filhos seus. – disse ela colocando minha mão em sua barriga perfeitamente lisa. A olhei espantado, pois ela só me contara sobre um aborto.

– Por que não toma o chá de lua?

– Eu estava tomando, mas nem sempre funciona, ok?

– E como sabe que eram meus?

– Porque eu nunca transei com o Alzar, ou com o Noah. – respondeu ela acariciando meus cabelos – Me prometa que um dia vai dizer pra mim que eu não preciso mais tirar.

– Quer que eu prometa que teremos filhos? Sabe que eu não quero me casar...

– Eu sei que não... Mas... – ela me beijou nos lábios de maneira carinhosa. Eu já nem lembrava como era beijar daquele jeito... – Mas eu nunca esqueci você... E não estou falando daquele seu lado malvado... Estou falando de você, Cygnus Régulus Malfoy.

– Dominique, eu...

– Eu vou seguir você pra onde for, Cygnus. Eu vou lutar por você, matar por você e sofrer por você... Não só porque eu te amo, mas porque eu acredito no que você fala. Eu acredito... Eu acho que você vai transformar o mundo num lugar melhor...

– Dominique, eu não sei...

– Eu sou sangue puro. – disse ela me olhando nos olhos – Você pode falar o que quiser sobre trouxas ou sobre a causa puro sangue. Mas eu sei que você se importa com isso. Eu sei. Então... Então quando chegar o momento, por favor, me escolha. Porque eu amo você.

Segurei Dominique com firmeza.

– Você é a pessoa que eu mais confio, Dominique. Se chegar o dia de eu me casar e ter filhos... – eu coloquei minha mão no rosto dela – Escolherei você.

Não. Não era mentira e não, eu não estava apaixonado e muito menos a amava. Mas eu tinha uma obrigação com todos aqueles retratos no escritório.

Notas finais
Eeeita... Gente. Eu estou L-O-U-C-A para postar o prõximo capítulo, porque, de todas as fics que eu já escrevi, de todos os manuscritos que eu fiz... acho que eu nunca escrevi algo tão