Talvez não seja preciso explicar o quanto é ruim mudar de colégio. É ruim para se adaptar, para fazer amizades, para saber se a comida da cantina é boa.

É tudo ruim.

As gotas da chuva se espalhavam e escorriam pelo vidro da janela do carro de Clarisse, minha mãe, a caminho do colégio.

– Vai ser melhor pra você, Dan. — ela disse, notavelmente preocupada. Ela sabe o quanto é difícil pra mim fazer amizades. Perdi as contas de quantas vezes foi chamado de "antipático", "antissocial", "esquisito" e outros.

– É o que você sempre diz. Sempre. — eu disse

– Mas você sabe que-

– Não, mãe. — a interrompi — Eu não sei.

Ela suspirou alto e o resto do caminho ficamos calados.

*

Ao chegar no colégio, a parte de fora era bonita, arborizada, realmente agradável aos olhos. Porém, ao entrar vi que era muito diferente do que eu imaginava. Dentro era feio. Árvores secas, galhos finos e retorcidos. Parecia tudo sem-vida, tudo triste. Até o céu lá dentro parecia mudar. Tudo ficava cinza, até alguns adolescentes lá dentro eram pálidos.

Meus olhos correram pelo colégio estranho e pararam numa menina, de cabelos bem pretos, longos e repicados. Ela estava sentada num dos bancos do pátio, de costas pra mim. Andei um pouco até ficar num lugar onde eu conseguisse vê-la. Ela estava sentada à vontade, relaxada, com as pernas esticadas cruzadas na altura no tornozelo e braços apoiados sobre o encosto do banco. Os cabelos negros da menina cobriam os fones de ouvido ligados a seu iPod.


Eu, como não sou idiota, resolvi falar com ela, por que pelo menos eu teria alguém para passar o dia naquela estranha escola nova.

– O-oi — eu disse tímido com uma mão na nuca e a outra segurando a alça da mochila, no ombro.

– E aí. — a menina respondeu visivelmente não querendo conversa.

– Eu sou novo aqui... Qual o seu nome? — tentei puxar assunto.

– Maddeline. — ela disse rapidamente.

– Prazer, Maddeline. Sou Daniel.

– Oi, Daniel.

Sorri sem-graça.

– Maddeline, você poderia me ajudar a achar a minha classe? Eu não conheço nada e...

– Tá — me interrompeu. Ela bufou, se levantando e pegando a mochila. — Me segue — disse indo na frente, deixando seus cabelos balançarem com o vento forte.


Na metade do caminho ela esticou o braço, apontando com o dedo indicador uma espécie de campo, bem mais bonito que o resto do colégio. Tinha duas piscinas, algumas saunas, dois campos de futebol e um campo de tênis.


– Lá é onde os desocupados ficam depois do intervalo.

– E quanto tempo ele dura?

– Duas horas.

– Uau! Nos meus antigos colégios era apenas meia hora.

Ela me encarou por uns segundos me deixando sem graça e finalmente disse:

– Esse colégio é... diferente — falou deixando um ar de mistério.

*


– E aqui estão os seus horários — disse uma senhora nem tão velha e bastante sorridente — Por sorte, todos os seus horários hoje são na turma de Madd. — ela vibrou

– Que sorte — Maddeline bufou revirando os olhos.

– Maddeline! — A senhora a repreendeu.

– Está tudo bem, Srª Balire — eu disse

– Oh, por favor! — ela pôs uma mão no peito e revirou os olhos rindo — Me chame de Sophia!


– Claro — sorri — Sophia, — eu disse meio sem jeito — se não se importa, tenho que ir para a aula agora.

– Sim, é claro — ela levou uma mão a testa — Passe aqui no intervalo para pegar o resto de seus materiais. Agora vá, vá! — ela disse abanando as mãos na direção da porta.

Eu e Maddeline nos despedimos e saímos de sua sala.

Notas finais
espero que tenham gostado! comentem!