Cursed
2 Capítulo I: O Gosto Amargo Da Solidão
Bakugou era aquele típico estudante prodígio; ele tirava notas boas, era bom em luta, nos esportes e sempre era convocado pelo Conselho, mas devido a isso, seu ego e estupidez para com os outros era gritante. Muitos podem odiá-lo, no entanto, ficavam ao lado dele, aproveitando de sua popularidade, esperando que tivessem alguma oportunidade com o Conselho. Bakugou sabia disso, ele não era estúpido. Apenas, não contava que tudo que vai… volta.
Tinha avisado ao Conselho sobre o que ocorrera; obviamente, não foi muito lindo, não podia falar. Então, precisava se expressar de outra forma, e devido ao pequeno problema da maldição, seu estresse estava no limite. No fim, tudo o que lhes disseram, foi: descanse que tudo se resolverá, afinal, maldições podem ser quebradas. Em outras palavras: você foi amaldiçoado, resolva. Então, Katsuki se sentiu no direito de chegar na Instituição furioso, com as garras expandidas e apertando os próprios punhos, deixando sutis trilhas de seu sangue pelo caminho, onde todos poderiam ver.
Ninguém parecia querer se aventurar em questionar o mau humor do loiro, mas a curiosidade estava matando-os. Sabiam que Bakugou tinha sido convocado para mais uma missão do Conselho, como também, exterminar a Fada Negra, ex-membro. Todos estavam esperando para que o rapaz falasse sobre como tinha concluído mais uma missão, eles tinham o conhecimento de que fora finalizada tal tarefa. Então, o que tinha de errado?
Um tentou se aventurar em questioná-lo, animado, mas tudo o que recebeu foi um esbarrão, nem mesmo um rosnado. Se isso foi estranho para todos? Certamente. Por isso, outros tentaram questionar e tudo o que recebiam era o silêncio, e mesmo vendo que eram ignorados, continuavam, não importava se a veia em sua testa estava grossa, onde tudo nele vibrava em ódio; eles continuavam. E, no fim, Bakugou explodiu, empurrando um dos estudantes e quando estava prestes a berrar, nada saiu.
Pôs as mãos em sua garganta, rasgando sutilmente a própria pele que logo cicatrizou, novamente o pânico o atingiu. Todos ao seu redor, repararam. Um dos estudantes se aproximou, e questionou:
— O que houve com a sua voz? — Bakugou reparou a risada que escapou dele, assim como os outros tentavam segurar. Todos sabiam a extensão dos poderes de uma Fada Negra, logicamente Bakugou sofreu uma maldição e, pelo visto, uma que envolvia a sua voz. Oh, aquilo estava sendo divertido para eles.
— Está sem voz, campeão? — O tom de voz debochado de outro estudante, assim como os burburinhos que ouvia, zumbia em sua cabeça. Aquilo estava esmagando-o. Empurrou todos para longe e correu.
Saiu da Instituição e se transformou. Em sua forma de lobo sempre se sentia mais livre, como se qualquer peso que tivesse sido imposto sobre si, sumisse. Talvez, fosse naqueles momentos que parte de sua personalidade sumia também. Era apenas, Katsuki, um lobisomem.
O vento chicoteava seus pelos louros, quase brancos, conforme corria mais rápido; queria sumir. Quando o cansaço bateu, parou perto de uma árvore enorme, onde uma sombra agradável estava sobre seu caule, deitou-se ali, descansando. Sentia uma terrível dor no peito pelo ocorrido, não tinha se sentido daquela forma antes. Tanto o seu lobo quanto ele queriam grunhir devido ao incômodo que sentiam, mas nem um ruído saía de si, o que piorava ainda mais a situação.
Bakugou sempre soube que nenhum deles era seu amigo, mas nunca esperava algo daquele tipo; tantos burburinhos ao seu respeito, tantas risadas. Era horrível. E do nada um ódio subiu sobre si. Quando ele recuperasse a voz, porque ele ia, faria questão de mostrar para eles o que acontecia quando zombavam de si.
Bakugou tinha uma vontade estúpida de trazer a Fada de volta a vida para simplesmente voltar a matá-la, da forma mais lenta possível. Não soube dizer quanto tempo ficou ali, mas não queria retornar, seu lobo estava ferido; Katsuki sempre teve problemas em manter a harmonia com o lobo interno, eles eram tão diferentes, suas personalidades dessemelhantes. Era uma parte do loiro que nunca quis demonstrar, e evitava deixá-la sair.
Quando menos percebeu, adormeceu ali. Não sabia se tinha passado minutos, horas ou se já era outro dia — quando ficava em forma de lobo, perdia a noção de tempo —, mas sabia que alguém estava se aproximando. Atiçou as orelhas abrindo os olhos de supetão, ficando em alerta. Cheirou o ar e o odor característico, mas extremamente leve e quase imperceptível, chamou a sua atenção; era de morte, apenas o cheiro de baunilha fazia mais destaque. De forma inconsciente seu lobo vibrou, queria rosnar por causa disso, pois sabia que quem quer que fosse, seu lobo adorou o indivíduo.
Sabia que ser sobrenatural era. Praticamente, um dos únicos que carregava o cheiro de morte consigo: vampiros. Rolou os olhos em saber que seu lobo vibrou por causa dessa criatura. E tudo apenas piorou quando o viu; cabelos roxos, completamente bagunçados, olhos da mesma cor, um brinco em sua orelha direita, além de ter um piercing na sobrancelha. Não o conhecia, nunca tinha o visto na Instituição e isso o fez ficar ainda mais em alerta, se não fosse seu lobo gemendo de felicidade. Ficou frustrado por causa disso.
— Finalmente te encontrei — pronunciou o vampiro, ainda desconhecido para o lobisomem —, Bakugou Katsuki. Eu sou Shinsou Hitoshi, e trabalho no Conselho. — Suas orelhas se atiçaram assim como seu rabo.
Então, ele é do Conselho, era o que pensava. Por leves segundos uma enorme felicidade bateu sobre si, mas logo ficou com raiva novamente. Primeiro, o Conselho praticamente o manda se virar, e agora mandam um vampiro para ajudá-lo? Queria rir.
Necessitava tanto gritar com aquele ser, descontar suas frustrações em cima dele, porém não conseguia; o que tornava tudo pior. Shinsou permanecia encarando-o, como se soubesse exatamente o que se passava na cabeça dele. O Conselho lhe avisou que Bakugou era um tanto quanto arisco, e provavelmente deveria forçá-lo a aceitar sua ajuda, algo que o vampiro não ficou nem um pouco animado, mas como foi um pedido do Conselho, ele fez. Afinal, eles não queriam perder um ótimo candidato por causa de uma maldição.
Hitoshi sabia que quebrar a maldição de uma fada poderia ser complicado, mas não tanto quanto a de uma bruxa, essas sim eram complicadas de se quebrar dependendo de como fora feita. Para ajudar o lobisomem, apenas precisava saber o que a Fada Negra tinha proferido, mas pelo visto seria difícil. Suspirou brevemente, aproximando um pouco mais do lobisomem.
— Vamos até a sua casa onde poderá voltar a forma humana, e vestir-se adequadamente — ditou, cruzando os braços. O arroxeado cerrou os olhos ao ver que o lobo a sua frente estava ficando cada vez mais arisco, sabia o que iria acontecer no próximo segundo: fuga.
O loiro correu o mais longe possível do vampiro, sabia que ele poderia lhe alcançar, mas duvidava que o outro iria querer ajudá-lo. Estava aceitando que ninguém iria querer acudi-lo, apesar de que possivelmente o vampiro fizesse apenas pelo fato de ter sido mandado pelo Conselho, não porque queria.
O que o lobisomem não contava, era que Shinsou não iria atrás de si, tudo o que o vampiro fez foi retornar para o Conselho e simplesmente dizer que não valia a pena ajudá-lo, pois o rapaz não queria ser ajudado.
No fim, Bakugou ficou vários dias na floresta em sua forma de lobo, sozinho. Nos primeiros dias ficou dividido entre a calmaria e o desespero, mas, agora, sentia-se desolado. Estava no fundo de uma caverna, protegendo-se da forte chuva que caía. Tanto ele quanto o seu lobo queriam ganir. O loiro poderia voltar a forma humana, retornar para o conforto de sua casa, mas tinha medo, pois, sabia que no momento em que se transformasse, tudo o que estava se acumulando dentro de si, ao longo daqueles dias, iria sair.
E Katsuki odiava chorar.
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