Cursed

3 Capítulo II: Aceitando A Ajuda Do Vampiro


O que tinha se tornado dias, desde que Shinso tinha ido atrás de Bakugou, tornou-se semanas, até chegar três meses. O Conselho, de certa forma, não gostou da decisão do vampiro em não querer ajudá-lo ou persuadi-lo para aceitar a sua ajuda, mas eles não poderiam dizer muita coisa. Afinal, Shinso era um dos membros que tomavam as decisões, ele era respeitado e considerado sábio já que está no Conselho há 5 gerações, enquanto que os outros se aposentaram, ele permaneceu. Então, ele tinha o direito de dar a sentença final sem que alguém o contrariasse.

Uma coisa que Shinso aprendeu na sua vida inteira era que se alguém não quisesse a sua ajuda, não a force. Se fosse em outra ocasião, onde alguém estivesse sofrendo ou algo do gênero, ele ajudaria, mas gente como Bakugou; egoísta, donos da razão que não aceitam ajuda devido ao ego, ele preferia fazer a pessoa sofrer até que ela se tocasse que precisava de ajuda. Foi justamente isso que fez com Bakugou. Hitoshi iria ajudá-lo, mas primeiro queria fazê-lo enxergar que sua atitude grosseira não faria alguém aproximar-se de si.

Por isso, naquela manhã, ficou surpreso em escutar sua porta da frente ser arranhada. Sorriu de canto sabendo exatamente quem era. Ele tinha demorado para vir, em sua opinião, já deveria ter imaginado ao ler a ficha dele que devido a sua personalidade ele não cederia facilmente. Apesar de que na ficha o Conselho ressaltava que Bakugou parecia ter conflitos com o lobo interno, algo que chamou a sua atenção; se eles não estão na mesma sintonia, como era a personalidade do seu lobo?

Quando abriu a porta, seus olhos logo olharam para à criatura… completamente imunda. Suspirou baixinho, perguntando-se internamente por que ele não foi para a casa dele e banhou-se antes, tinha que vir na sua casa todo sujo? Ele até mesmo via gravetos enroscados nos pelos do lobo. Suspirou novamente não crendo naquilo que via.

— Entre — resmungou, abrindo um pouco mais a porta, deixando Bakugou entrar, tanto com a cabeça e a orelhas baixas. Fechou os olhos ao respirar fundo e fechou a porta. Cruzou os braços e permaneceu encarando o lobo.

Durante o período que ficou na floresta, Bakugou teve muito o que pensar. Engolir todo o seu orgulho para pedir ajuda, apesar de que naquele momento ele ainda permanecia em conflito com os próprios sentimentos. Afinal, ninguém muda sua personalidade da noite para o dia; mas era um começo.

Shinso permaneceu encarando Bakugou por longos minutos. Suspirou novamente e apontou para o seu banheiro.

— Tome um banho — ordenou —, vou deixar roupas para você na porta. — E como não poderia resmungar, Bakugou seguiu na direção apontada, por mais que estivesse ainda nervoso com a atual situação, seu lobo estava alegre por estar ali com o vampiro, fazendo questão de ir contra os sentimentos do loiro e balançar o rabo.

Shinso ignorou a contradição de sentimentos que percebeu e foi atrás de roupas para o outro. Deixando em frente a porta do banheiro, dobradas no chão e seguindo logo depois para a cozinha, sabendo que o lobisomem estaria morrendo de fome. Já imaginava a dor de cabeça que sentiria ao tentar ajudá-lo; uma pessoa tão orgulhosa como ele não daria o braço a torcer facilmente, passaram-se três meses e ainda tinha relutância... já dava para notar que ele era teimoso feito uma mula.

Conforme cozinhava uma refeição bem reforçada para o outro, estava atento escutando-o no banho, assim como ele abriu a porta e a fechou rapidamente quando pegou a roupa; escutava o coração a mil dele. Agradecia por não ser um lobisomem e conseguir sentir os sinais químicos que a pessoa liberava, tinha certeza que sua casa estava infestada da raiva dele. Soltou uma sutil risada, balançando a cabeça. Virou-se para trás e o viu ali sentado na banqueta de sua cozinha, desviando o olhar para a parede enquanto mantinha os braços cruzados sobre a copa.

— Aqui. — Colocou o prato na frente dele. — Coma tudo — ditou, estreitando os olhos conforme Bakugou estreitava os seus. Sorriu irônico em ver que ele não queria aceitar as suas ordens, mas notava que ele cederia. Afinal, estava com fome.

Cedendo, Bakugou começou a comer quando sua barriga começou a roncar, ficando com o rosto vermelho, mas ignorando o olhar atento do vampiro, apesar de que seu lobo estava vibrando. “Qual a porra do seu problema?”, questionava-se mentalmente para o lobo.

— Como a maldição foi de uma Fada é mais fácil de reverter, se fosse uma bruxa seria um pouco mais complicado. — Elevou a sobrancelha quando o loiro lhe fitou raivoso. — O quê? Está irritado em saber que ter a sua voz de volta é fácil?! — Sorriu venenoso, não se intimidando quando o outro mostrou suas presas. Aproximou-se de Katsuki até seus narizes estarem quase se tocando. Bakugou ficou nervoso e seu lobo… tímido. — Mesmo a maldição sendo fácil de quebrar, devido a sua personalidade ela se torna difícil. Parabéns, Katsuki, sua arrogância se tornou a sua inimiga! — E afastou, deixando o lobo do loiro triste.

Bakugou apertou o punho com força. Ele não precisava que o vampiro jogasse a verdade na sua cara; estava ciente. Desviou o olhar com certo ressentimento, algo que não passou despercebido pelo vampiro que acabou suspirando.

— Olha — chamou —, não sei como você está se sentindo, mas, acredite, você já fez um grande passo vindo até aqui. Se aceitar a minha ajuda, sua voz irá retornar, mas para isso terá que engolir o seu orgulho, tudo bem?

Bakugou balançou a cabeça, tirando um sorriso de canto do arroxeado, fazendo com que o lobo vibrasse.

— Certo, então vamos começar desde o início. — E com a sua velocidade, pegou um bloco de notas e uma caneta para o loiro. — Me diga exatamente o que ela proferiu.