Cupido Estúpido
14 Querida Madrinha
Notas iniciais
Aqui estou eu com mais uma one CE. Depois da espera de vocês, eu espero agradar.
Sim, estou me sentindo honrada em ser a primeira autora pós-volta e eu queria muito que vocês comentassem. Preciso saber se estou agradando para poder melhorar na próxima.
Então, é isso. Boa leitura etezinhos da Julia.

Querida Madrinha
Aquele sábado seria diferente nos Hamptons. As equipes de preparação da tradicional festa de Dia dos Namorados não se dirigiam para o clube da cidade, mas sim para a Mansão Mason onde o Casamento da Década aconteceria. A herdeira da fortuna mais desejada por todos os caçadores de dotes dos Estados Unidos, Johanna Mason, trocaria alianças com o corretor da bolsa e CEO da Mellark Enterprises, o jovem sedutor Peeta Mellark.
Apesar de toda a movimentação para organizar o casamento, o noivo não estava tão convicto quanto estava antes. Ele encarava o próprio reflexo no espelho sem saber o que pensar. A calça social preta, a blusa branca em baixo do colete prateado e a gravata borboleta faziam muito bem a Peeta realçando ainda mais os olhos azuis e os cabelos loiros ainda bagunçados. Apesar das dúvidas, ele tinha apenas uma certeza: independente da decisão que tomasse, ele machucaria alguém e essa certeza aumentava ainda mais o desejo de que Katniss Everdeen nunca tivesse reaparecido.
Johanna colocava lentamente as meias sete oitavos. Naqueles breves minutos de paz que tinha tudo parecia muito mais assustador e imprevisível. Tentando relaxar, ela ousou praticar as respirações que aprendera durante as intermináveis aulas de ioga que fora obrigada a frequentar.
Katniss olhava o jardim vendo todo o espetáculo sendo montado. O altar de madeira branca posicionado no meio do gramado e grandes bancos formando o caminho pelo qual a noiva passaria. Ela supostamente deveria deixar sua equipe de preparação arrumá-la em alguns minutos, mas a auto-tortura era muito mais relaxante do que uma massagem. O porquê de ela não ter contado a verdade para a amiga nem a própria sabia, mas no fundo qualquer um que olhasse para aqueles olhos cinzentos saberia que ela apenas achava que não tinha o direito de machucá-la.
Dois dias antes...
A morena de olhos cinzentos corria a sua frente rindo como uma criancinha.
- Anda Peeta. É só um morrinho.
- Kat... Espere por favor. — disse bufando.
- Venha me pegar então, bonitão. E eu serei sua.
Peeta acordou assustado. Fazia tempos que não tinha um sonho como aquele, ou sequer se lembrava dela, seu carma, seu demônio pessoal, seu amor de faculdade. Mas, definitivamente não era hora de pensar nisso. Virou a cabeça para o lado ainda deitado e o smoking pendurado na porta de seu guarda roupa desviou todos os outros pensamentos. Eu vou me casar daqui a alguns dias. Sorriu satisfeito. Tinha encontrado a mulher de sua vida justamente enquanto sua vida parecia ter voltado à parte de baixo da montanha russa: Johanna Mason, a policial mais sexy que já entrara por sua porta. Fechou os olhos novamente lembrando-se de quando viu a noiva pela primeira vez.
Ele bagunçou os cabelos mais uma vez e afrouxou a gravata sem se importar se pareceria um louco quando a polícia chegasse.
- Tem certeza Welch? Não há nenhuma possibilidade de você estar errado, e sei lá, isso for tudo um grande engano?
- Apostaria minha carreira nisso Sr. Mellark. Há um rombo enorme em nossos fundos e a única explicação para isso é que tem alguém te roubando. Tirando um pouco aqui, outro ali sem fazer muito alvoroço.
Roubado por um de seus próprios funcionários. Nem mesmo o pessimismo e toda a praga que ele esperava que seu pai jogasse em seu empreendimento o prepararam para aquilo.
- Mellark. — atendeu ao telefone no primeiro toque, ansioso para que algo tirasse aquela sensação ruim de seu peito.
- Senhor, a polícia já chegou. Posso mandá-los entrar?
- Claro, Debra.
Antes mesmo que ele pudesse por o telefone no gancho, um furacão entrou na sala.
- Boa tarde Sr. Mellark, eu sou a detetive Mason. — disse estendendo a mão em um gesto cordial.
Peeta estava pasmo. A detetive não aparentava mais do que 25 anos e era uma mulher bem atraente. Os cabelos pretos estavam cortados na altura dos ombros delineando seu rosto, o terninho parecia feito sob medida revelando todas as curvas do corpo dela — e puta merda, que curvas! — sem parecer vulgar e deixando claro que a autoridade ali era ela.
- Boa tarde — ele disse repetindo o gesto.- Sente-se por favor.
A detetive sentou-se na cadeira vazia em frente a ele ao lado de Welch.
- Bom Sr. Mellark, na sua ligação o Sr. disse que acredita que está sendo roubado.
- Por favor, me chame de Peeta. Sinto-me um velho quando me chamam de senhor.
- Todos os seus funcionários o chamam de senhor — disse curta e grossa. — Então, por que acha que está sendo roubado?
- Bom...
A mente de Peeta voltou para o presente com o toque de seu celular. Tateou a cômoda e atendeu sem nem mesmo olhar para o visor.
- Alô — disse com a voz ainda meio grogue.
- Amor, você já está na estrada? — a voz de Johanna invadiu seus ouvidos e ele se levantou em um pulo correndo para o banheiro.
- Ah... Não — disse culpado e ouviu a noiva bufar do outro lado da linha. — Joh, desculpe. Finnick me manteve na minha despedida de solteiro até às cinco horas da manhã.
- Seu irmão ainda vai te levar pro mau caminho — disse fingindo raiva o que fez Peeta rir. — Venha logo. Não vai ser nada agradável se o noivo chegar atrasado no próprio jantar de ensaio.
- Só vou tomar um banho rápido amor. Vejo você em algumas horas. Ich liebe.
- Também te amo.
Depois de um banho rápido, ele se vestiu, pegou o smoking e a mala e saiu de casa apressado. Já no carro, ele ligou para o irmão.
- Quem é o bastardo que está me ligando a essa hora? — atendeu ao telefone com raiva.
- Fin, sou eu. — Peeta sentiu o bufar raivoso do irmão — Johanna já ligou. Se você não sair agora, vai chegar atrasado.
- Porra! Sério?
- Sério. Passo aí em cinco minutos.
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- Por favor, antes de cumprimentar qualquer um, suba e tome um banho. Seu cheiro está ME deixando bêbado — Peeta disse assim que os portões da casa de veraneio dos Mason ficaram a vista.
- Sim, senhor.
Ele rolou os olhos fazendo Finnick rir.
- Relaxe cara. Jojo provavelmente vai achar graça da situação.
- Ao contrário do avô dela. O cara foi um soldado do terceiro reich.
Assim que Peeta parou o carro, Finnick saiu apresado. "Pelo menos o cabeça de vento me ouviu". Ele ainda tirava as malas do carro quando sentiu um braço em volta de sua cintura. Ele girou o corpo e ficou de frente para Johanna.
- Ainda bem que você chegou. Estava com saudades.
-Também estava. Como estão as coisas?
-Tudo está indo bem. Kat já chegou, as daminhas estão ensaiando e milagrosamente mamãe não está louca. Mas, eu acho que eu preciso de uma massagem. E eu adoraria que o meu futuro marido fizesse isso para mim. — disse com um sorriso malicioso no rosto.
Peeta riu e seguiu-a até o quarto. Quando chegaram à porta, ele a pegou no colo.
- Pare com isso. — ela disse rindo.
- Estou treinando para sábado. — disse entrando no quarto.
Peeta sentou-a na cama e se posicionou atrás dela. Tirou-lhe a blusa lentamente causando arrepios por onde sua mão passava e depois a jogou em um canto qualquer. Pôs o cabelo dela de lado e começou a massagear-lhe os ombros. Ela gemia baixinho, o que o fez sorrir.
Depois de algum tempo, ele abaixou a cabeça e sussurrou em seu ouvido:
- Tenho outra maneira de te fazer relaxar.
E antes que ela pudesse sequer dizer algo, ele a empurrou na cama e começou a trilhar um caminho de beijos começando no lóbulo da orelha e descendo calmamente até o cós do micro-short que ela usava. Lentamente, ele abriu os botões e Johanna levantou o quadril para que ele conseguisse tirar a peça. Assim que esta se juntou a blusa em um canto do quarto, ele continuou os beijos na parte interna da coxa.
- Peeta... Por favor. — ela sibilou.
-Shhhhhh. Apenas relaxe.
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Peeta se olhava no espelho impaciente.
- Toc toc. Posso entrar Peeta?
- Claro Anne.
A garota entrou timidamente no quarto e andou até ficar ao lado dele.
- Como eu estou? – perguntou Peeta dando uma voltinha e parando de frente para ela.
- Sexy. Tome cuidado com Johanna, ou ela vai te atacar. Mas, eu vim aqui te falar que está na hora.
- Valeu cunhadinha.
Ele saiu do quarto e foi até as escadarias. Do alto ele conseguia ver a noiva em meio aos convidados. Ela conversava animadamente com outra morena.
- Aquela é a madrinha. Kat é a melhor amiga dela.
- Bom, me deixe ir conhecê-la.
Terminou de descer as escadas e foi ao encontro dela.
- Ei amor! — exclamou Johanna dando-lhe um selinho. — Quero te apresentar minha melhor amiga e madrinha. Peeta esta é a Katniss, Katniss esse é o meu noivo.
O choque manteve Peeta parado quando ela se virou e o encarou. Aqueles olhos cinzentos pareciam escaniá-lo e jogá-lo para o passado.
- Ka...Katniss? — balbuciou ainda pasmo.
- Peeta! Como você vai? — ela disse com um entusiasmo fingido.
- De onde vocês se conhecem? — Johanna perguntou surpresa.
- Peeta e eu nos conhecemos na faculdade. Ele dividia o quarto com um ex meu.
"Isso é o que eu chamo de eufemismo. EU era o namorado".
Os pensamentos de Peeta voltaram para aquele fatídico dia.
"Já passava das três da manha, mas o lual continuava lotado. Peeta e Katniss, porém, já tinham saído de lá há muito tempo e caminharam para longe da bagunça. A música era apenas um ruído agradável, um plano de fundo musical para o casal. Os dois estavam deitados na areia, a cabeça de Katniss no peito de Peeta, enquanto ele passava a mão pelo cabelo dela fazendo cafuné.
- Peeta, por que nós temos que nos contentar com o finito?
- Porque se alcançarmos o infinito, a vida fica sem graça. É a busca que nos faz lutar.
- Eu decidi lutar, Peeta — ela disse levantando a cabeça e encarando-o. — Lutar para alcançar o meu infinito.
- Kat, cuidado com o que você sonha. Você pode não conseguir alcançar.
- Eu já dei os primeiros passos — disse com os olhos brilhando. — Eu vou embora, Peeta.
- Para onde? — a voz dele transmitindo a decepção que ele sentia. A mão esquerda foi automaticamente para o bolso encontrando o anel. O pedido de casamento preso na garganta.
- Detroit. Ganhei um estágio na divisão de crimes cibernéticos de lá. Não vou perder essa oportunidade.
- E como nós ficamos?
- Não vai existir mais nós Peeta."
- Foi muito bom rever você Peeta.
- O mesmo da minha parte Katniss. — os olhos transmitindo toda a ironia que a voz não podia. — Joh sempre falava Kat, mas achei que era de Katherine. Nunca achei que seria você.
- Não quero atrapalhar o reencontro dos dois, mas nós temos que cumprimentar todos os convidados.
- Claro, vou ver se acho Gale no meio de toda essa gente – Katniss declarou e eles se afastaram, mas a mente de Peeta ainda continuava nela. Parecia um carma.
- Não sabia que ela tinha voltado a Boston. Achei que ainda estava em... Em... Qual é mesmo a cidade? – se fingiu de desentendido, mas na realidade ele nunca esquecera.
- Detroit. Ela voltou tem uns dois anos por causa de um caso. Se eu soubesse que vocês eram amigos, teria promovido o encontro de vocês.
- Não amigos. Conhecidos apenas.
- Bom, que tal nós esquecermos a Kat? Quero você agora. Essa roupa te deixa muito sexy.
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- Não chore, Kat. Por favor.
- Ah Gale. Eu sabia que não era uma boa ideia aceitar ser a madrinha.
- Eu fui contra desde o primeiro momento, você sabe disso. Mas, se você desistir agora, isso nunca terá um fim.
- Eu nunca imaginei que seria tão difícil revê-lo. Eu sei que foi minha culpa e eu mereço tudo, mas não sei se aguento.
Katniss soluçava agora. Todo arrependimento era como um tapa. Vê-lo feliz sem ela machucava tanto e definitivamente Katniss não sabia o que fazer em relação a isso.
- Você precisa conversar com ele. Deixar claro o porquê de você ter ido embora. Ele pode não te perdoar, mas isso vai te deixar mais calma. E se mesmo assim der errado, eu mesmo te levo embora daqui. Tudo bem?
- Tudo. — disse fungando.
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- Bom dia, Peeta.
- Bom dia, Katniss. Você sabe onde Joh está?
Apesar da cordialidade, Katniss podia sentir a amargura na voz.
- Ela voltou à cidade para finalizar os detalhes de amanhã.
- Ah claro.
- Posso conversar com você?
- Sobre...
- Por favor... — sussurrou um pedido.
- Tudo bem.
Peeta acompanhou Katniss até a área da piscina. Ela não falou nada no caminho, apenas olhava para os pés. Depois que ela sentou-se em uma namoradeira e encolheu os pés em posição fetal, começou a falar tão baixo que Peeta teve que aguçar os ouvidos para conseguir entender.
- Você deve me achar uma vadia.
Ele deu de ombros como se não se importasse com aquilo.
- Minha maior surpresa foi a facilidade com que você mentiu. E isso me faz perguntar o que você já escondeu de mim. Sempre soube que eu era o noivo?
- Sempre — ela disse sorrindo timidamente de lado. — Desde o primeiro dia, quando Johanna disse que iria sair com o namorado. Ao contrário do meu apelido, Peeta não é um nome muito comum. Mas, não foi por isso que eu te chamei aqui.
- Não? — ele perguntou meio surpreso e Katniss apenas balançou a cabeça de um lado para o outro. — Por que foi então?
- Quero saber tudo que acha de mim. Tudo que você queria me dizer desde o dia em que fui embora.
- Tudo? — ela fez que sim com a cabeça. — Bom, eu iria te pedir em casamento, Kat. Naquela noite. Eu estava com o anel no bolso. Mas, o que me deixou mais puto foi o fato de que daria pra fazer dar certo. Ou pelo menos tentar. Mas, você simplesmente desistiu. Por quê?
As lágrimas escorriam no rosto de Katniss. Ela nunca pensara que ele estava pra fazer a proposta. Ela tentou pensar em uma mentira convincente, mas a verdade a atormentava tanto que não conseguia pensar em nada muito convincente.
- Eu era muito ambiciosa. Eu me via no futuro como alguém influente, importante e acima de tudo eu não queria ser como a minha mãe que largou tudo pelo meu pai.
- Você me amava? Ou pelo menos gostava de mim?
- Nunca duvide do meu amor por você. Eu te amava mais do que eu podia suportar. E foi por isso que eu fui embora. Porque eu estava me tornando minha mãe, alguém que eu jurei que não seria.
- Nunca imaginei que você seria covarde a esse ponto. A Katniss que eu conheci não era. Só me diga mais uma coisa: por que você aceitou ser a madrinha? Seria muito mais fácil dizer não.
- Foi a maneira que eu arranjei de me punir por tudo que eu fiz, achar um encerramento para tudo. Saber que a sua felicidade é pelo seu casamento com outra dói, Peeta e eu sei que eu mereço. Minhas lágrimas naquele altar serão de tristeza.
- É muito egoísmo seu achar que a minha felicidade tem que depender de você.
- Não é a sua felicidade que me machuca. É o meu amor. Eu ainda o amo.
- Não sei se acredito em você.
Peeta deu as costas a Katniss que chorava copiosamente. Ela sempre fora ambiciosa, mas ele nunca imaginaria que ela iria tão longe. Tudo que ele queria era que aquela Katniss nunca tivesse ido embora.
“- Nome, por favor. — Peeta disse com uma voz automática.
- Katniss Everdeen.
Aquele nome tão diferente o fez levantar os olhos.
- É, eu sei que é um nome estranho. — ela disse rindo. — De acordo com meu pai, é uma flor.
Os olhos cinzentos impressionaram Peeta mais do que ele gostaria de admitir. Lá estava ele, fazendo inscrições para o clube de direito tentando fazer média com o professor, contando os minutos para que aquela entediante tarefa acabasse.
- A flor é tão bonita quanto a senhorita? — perguntou imitando os atores da década de cinquenta.
Katniss gargalhou.
- Não sei. Deve depender do ponto de vista, mas eu nunca vi uma.
- Aceitaria sair comigo? Garanto que seria puramente científico.
- Eu nem sei o seu nome — ela agora estava vermelha.
- Não seja por isso. Peeta Mellark. E agora?
- Ôôô casal! Dá pra parar de namorar? A fila tá grande e todo mundo aqui tem horário — a garota atrás de Katniss gritou.
- Então?
- Tudo bem — disse completamente sem graça"
"- Se eu soubesse que você cozinhava tão bem, eu teria te convidado para vir aqui em casa antes.
- Então você está dizendo que só está interessado na minha lasanha?
- Também — ele disse se aproximando do fogão e abraçando-a por trás — Mas, a visão de você apenas com a minha blusa é muito sexy.
Ele pôs o cabelo dela de lado e começou a beijar-lhe o pescoço fazendo Katniss se arrepiar toda.
- Isso não vale, você conhece o meu ponto fraco. — Desligou o fogão antes que queimasse alguma coisa e virou de frente para ele. — Agora você é um insensível — disse fazendo um bico.
- Eu não sou insensível. Acredite, quando se trata de Katniss Everdeen eu sou sensível a tudo."
"- Você estava praticamente se jogando em cima dele — Peeta disse após bater a porta do apartamento com força.
- Claro que não! Deixe de ser ridículo, nós estávamos dançando. Dan-çan-do! Nada, além disso.
- E se esfregar em um cara agora é dançar?
- Gale, acima de qualquer coisa, é meu amigo e é a única pessoa que você não tem motivo nenhum para ter ciúmes. Eu vou embora. Quando você tiver se controlado, você me liga. Eu detesto ciúmes, Peeta, e você sabe disso.
Ela deu as costas para ele morrendo de raiva. Será que ele não confiava nela? Ela o tinha chamado para dançar, quem não quis foi ele. Ela nunca dera motivos para duvidar dela. Bufou irritada.
- Katniss espera, por favor. Desculpa. Eu não queria surtar assim. Por favor, — disse pegando-a pelo braço e virando-a — fique.
Os olhos dele encaravam os dela arrependidos. Os saltos faziam com que ela ficasse da altura dele. Peeta passou os braços na cintura dela deixando os dois muito próximos, a boca dele quase encostando-se à dela.
- Eu sou louco por você, Srta. Everdeen. E eu prometo que vou me comportar.
Peeta abaixou a cabeça começando a mordiscar o pescoço dela. A mão dele foi abaixando lentamente até chegar a barra do vestido. Ele parou as mordidas como que perguntando se podia continuar. Peeta sabia que tinha sido um idiota e se ela não quisesse, ele não iria forçar a barra.
Katniss mumurrou algo indecifrável e tirou os scarpins deixando-os em um canto qualquer. Peeta continuou com as mordidas descendo lentamente até o vale dos seios, ao mesmo tempo em que levantava o vestido até o umbigo. Ele pegou na bunda dela e apertou-a sem dó.
- Você é minha, Kat, minha.
Ele pôs as pernas dela em volta da cintura e levou-a até o quarto. Sem nenhuma delicadeza, ele a jogou na cama e deu as costas.
- Aonde você vai? — perguntou ofegante.
- Não saia daí.
Katniss olhou para a porta durante algum tempo sem saber o que fazer. Ainda estava atônita quando ele voltou segurando um pote de sorvete de morango e o que ela achava ser uma corda de roupão. Colocou as duas coisas em cima da cômoda e abriu o guarda-roupa pegando uma gravata lá de dentro.
Peeta jogou a gravata em cima da cama e lentamente tirou a camisa, quase como em um show de strip tease, e os tênis ficando só com a calça jeans que deixava a barra da cueca preta aparecendo. Depois disso, ele pegou-a pela mão e a tirou da cama.
- Vire-se.
Katniss se virou ficando de costas para ele.
- Você vai fazer o que eu acho que vai?
Ele não falou nada, apenas desceu o zíper do vestido. Lentamente, ele subiu a mão até o fecho do sutiã e abriu-o, deixando que ele caísse no chão junto com o vestido. Saindo de perto dela, ele foi até a cama, pegou a gravata e voltou para trás dela, vendando-a, o que a fez ofegar.
-Peeta...
- Sempre quis fazer isso com você — disse rindo e eliminando a tensão do quarto. — Agora Kat, eu vou te mostrar os meus verdadeiros talentos.
Ele a pegou no colo, a pôs delicadamente na cama e levantou os braços dela de modo que eles encostassem na cabeceira. Pegando a corda do roupão, ele amarrou as mãos dela ali com força.
- Fique bem esticada Kat. É mais prazeroso quando os pés não estão amarrados.
Peeta abriu o pote de sorvete e pôs uma bola entre os seios dela. O frio fez com que a pele dela arrepiasse. Enquanto o sorvete derretia, ele começou a chupar o seio dela.
- Onde você aprendeu isso? — perguntou com a voz esganiçada. O sorvete deixando a pele sensível e aumentando a sensação do erótico, do desconhecido.
- Minha irmã é sexóloga — disse tirando a boca dos seios, mas a mão ainda massageando-os. — Um dia, ela comentou sobre um paciente que tinha tendências masoquistas. De acordo com ela, ele adorava sorvete. Mas, esqueça isso, Kat. Apenas pense no seu corpo.
Ele abaixou a cabeça e começou a lamber o sorvete que agora escorria por todo o corpo dela. Depois, ele foi colocando várias bolas ao longo da barriga dela parando na beirada da calcinha.
Katniss agora respirava com dificuldade o que fez Peeta sorrir. Começando por baixo, ele voltou lambendo o sorvete, aproveitando para dar mordidas.
Depois que terminou de lamber, Peeta voltou a atenção para a parte de baixo. Sem esforço nenhum, ele rasgou a calcinha de renda preta e com o dedão massageava o clitóris. Katniss gemia baixinho, controlando-se ao máximo, o que fez com que ele intensificasse a massagem. Provocando-a ainda mais, ele a penetrou com dois dedos, o que a fez soltar um grito. Ele sentia que ela estava próxima do orgasmo e por isso ele tirou os dedos dela.
- Eu não acredito que você vai me deixar assim, Mellark — disse com a voz rouca.
Peeta tirou a gravata dos olhos dela e encarou-a.
- Você quer que eu continue, Kat? — perguntou malicioso recebendo um aceno de cabeça em resposta — Acho que não. Provocar você é muito melhor.
Ele puxou o lábio dela ao mesmo tempo em que forçava a sua ereção contra ela. Katniss puxou a corda tentando se soltar em vão.
- Peeta Mellark! Se você não fizer o que você tem que fazer, assim que você me soltar eu vou para um bar pegar o primeiro homem que eu ver e fazer sexo com ele até cansar.
- Nunca mais diga isso! — disse autoritário.
Ele impulsionou o corpo para frente e desamarrou as mãos dela. Pegando-o desprevenido, ela pôs as pernas na cintura dele e girou o corpo ficando por cima.
- Estou cansada de brincar, Mellark.
Ela desceu o corpo e desabotoou a calça descendo-a com pressa junto com a cueca.
- Se você não é capaz de fazer de verdade, deixa que eu faço.
Katniss desceu com tudo, descontando toda a raiva que sentia dele ali o que fez ambos gemerem.
- Isso Kat, rápido!
Ela continuou se movimentando rápido, controlando-se para não gemer enquanto Peeta não se importava em ser silencioso.
Quando ela percebeu que ele estava quase gozando, ela parou o movimento.
- Vingança, meu bem — disse após receber um olhar maldoso.
Ele inverteu as posições prensando-a contra a cama e começando a movimentar sem pensar em ser delicado ou romântico; puramente carnal.
Naquele momento, nenhum deles conseguia se controlar e gemiam alto. Depois de mais algumas estocadas, os dois chegaram ao orgasmo e Peeta desmontou ao lado dela, ambas as respirações ofegantes.
- Acho que deveríamos brigar mais vezes. Porque esse sexo...
Katniss gargalhou.
- Bom, eu acho que deveríamos fazer sexo como esse mais vezes, em qualquer circunstâncias. E com certeza, você deve pegar mais dicas com a sua irmã.
- Acredite eu já tive várias aulas com ela.
- E eu estou doida para ser sua aluna — disse subindo em cima dele."
"- Cuidado, Kat, tem um buraco aqui. — Peeta disse fazendo-a desviar.
- Tudo seria mais fácil se você não tivesse me vendado. Por favor, Peeta, onde você está me levando?
- Estou te levando para um passeio. Nós vamos fazer um piquenique. Só que ele vai ser em um lugar muito especial para mim.
- Isso não é justo! — disse como uma menininha mimada.
- A vida não é justa, apressadinha. Mas, nós acabamos de chegar. Sente aqui. Agora vire um pouquinho para a direita. Isso, perfeito.
- Posso tirar a venda agora?
- Pode.
Katniss tirou a venda e se deparou com uma das vistas mais lindas que já tinha visto. Ao invés do céu poluído e dos arranha-céus nova-iorquinos, ela encarava um tapete de flores brancas pequenas que ela nunca tinha visto.
- Peeta... O que é isso?
- Isso Kat, são katniss. Várias delas. Quando nos conhecemos, você disse que nunca tinha visto uma. E eu cheguei a conclusão de que, apesar de lindas, — ele pegou uma florzinha e colocou no cabelo dela — elas não chegam aos seus pés.
- Meu Deus, eu estou sem palavras. Eu... Eu nunca...
Ele pegou a mochila e abriu-a tirando lá de dentro duas placas de vidro e entre elas uma flor.
- Essa é para sempre.
Lágrimas escorriam pelo rosto de Katniss.
- Ei, ei, ei não chore, flor. Era pra você ficar feliz.
- Mas, eu estou feliz. — disse com a voz embargada — Eu só não esperava por nada parecido.
- Eu te amo, Kat.
- Mesmo quando eu viro uma louca?
- Principalmente quando você vira uma louca. — disse rindo.
- Mesmo se eu te contar algo que vai mudar nossas vidas?
Peeta olhou para Kat durante algum tempo. Um olhar de preocupação passou por seu rosto.
- Você está doente?
Ela riu por entre as lágrimas.
- Não Peeta. Eu estou grávida.
- Grá-grá-vida? — ela fez que sim com a cabeça e ele ficou pálido.
- Me desculpa, por favor, eu sei que foi minha culpa, o antibiótico deve ter cortado o efeito do anticoncepcional. Burra, burra, burra! — disse abaixando a cabeça e pondo-a entre os joelhos.
- Katniss, para! Levanta a cabeça e olha pra mim — ele pôs a mão no queixo dela e a fez olhar nos olhos dele. — Sabe qual é o meu maior sonho? — ela fez que não com a cabeça. — Meu maior sonho é ter uma família grande, cheia de filhos. Claro que eu não esperava começar agora, mas essas coisas não dá pra escolher. Se esse bebezinho tiver que vir agora, ele será a coisinha mais amada desse mundo.
Ele a abraçou com força enquanto ela chorava molhando a camisa dele.
- Você não sabe o medo que eu estava de te contar.
- Eu amo você, Kat. Você e essa mini-Katniss que vai vir.
- Eu também amo você, mas não se esqueça que pode ser um mini-Peeta."
O sol já estava a pino e Peeta ainda andava sem rumo pelos jardins da mansão. As palavras de Katniss ainda estavam pertubando-o. Quanto mais ele pensava, mais ele tinha certeza de que não deveria tê-la ouvido.
Ele sentou em um dos milhares bancos de madeira e ficou encarando a paisagem. Não soube por quanto tempo ficou assim pensando em nada. Não percebeu nem mesmo quando Gale sentou ao seu lado.
- Sua noiva está te procurando. Não se preocupe, eu disse a ela que você estava escrevendo seus votos.
- Obrigado. Você e Kat são amigos certo?
- Desde criança.
- Como ela foi capaz de mudar tanto? — perguntou irritado, mexendo no cabelo.
- Catnip é a mesma desde sempre — respondeu confuso.
- Então, como eu me deixei enganar? A Katniss que eu conheci era doce, sensível, corajosa, mas a que acabou de conversar comigo é fria, egoísta, covarde.
- Pelo visto, você não a perdoou.
- Perdoá-la pelo quê? Por ter me abandonado? Por ter me feito de idiota?
- Ela tinha um motivo...
- Que motivo excelente! — exclamou interrompendo-o. — Não querer se tornar como a mãe.
- Foi isso que ela te falou? — perguntou assustado. — Eu não acredito que ela mentiu, não acredito — mumurou.
- Sobre o que ela mentiu, Gale? — perguntou gritando.
- Sobre tudo — disse irritado. — Pergunte a ela a verdade e se ela vier com esse papinho de novo, eu mesmo te conto.
- Onde ela está?
- No quarto.
Peeta saiu correndo até a mansão. Por que ela tinha mentido?
Chegando a casa, ele entrou pela cozinha e subiu correndo as escadas sem se importar com a voz de Johanna o chamando. Quando encontrou o quarto de Katniss, entrou de súbto e bateu a porta com força trancando-a logo em seguida.
Katniss virou lentamente, nem mesmo se assustando.
- O que você quer? — perguntou calma, apesar dos olhos vermelhos indicarem que ela havia chorado.
Peeta bagunçava os cabelos cada vez mais nervoso.
- Eu estava acreditando que você era uma vadia Kat, eu não queria nem olhar na sua cara. Mas então, Gale veio falar comigo. O que eu quero de você, é a verdade. Pelo menos uma vez me diga a verdade.
Katniss caminhou até a cama e sentou-se.
- Tudo começou naquela semana em que você viajou — ela começou e ele ficou pálido percebendo onde ela queria chegar. — Eu estava sozinha e tive desejo de tomar sorvete de graviola. Eu peguei o carro e fui até uma sorveteria do outro lado da cidade. Quando eu estava voltando, eu bati o carro.
- Aonde você quer chegar com isso? Nós dois sabemos o que aconteceu — ele disse com lágrimas nos olhos.
- Não Peeta, você não sabe o que aconteceu. Eu perdi muito mais do que o nosso filho naquela noite. Quando eu cheguei ao hospital, eu estava com hemorragia interna e os médicos me avisaram que eu tinha grandes chances de abortar. Eu implorei a eles que tentassem salvar o meu bebê, mas eles não conseguiram. Por causa da minha insistência, a hemorragia atingiu níveis incontroláveis e eles tiveram que retirar meu útero.
Peeta chorava de verdade agora. A dor daquela noite, quando soube do aborto, voltando com toda a intensidade. Ao contrário dele, Katniss não derramava uma lágrima. A dor daquela noite a muito tinha se tornado parte dela.
- Eu não posso mais ter filhos Peeta, nunca mais. Quando a médica me contou, eu a fiz prometer que não contaria a ninguém. Eu me sentia tão incompleta. Depois de dois dias no hospital você chegou e ficava me dizendo que nós teríamos mais filhos, que se dependesse de você nossa casa seria cheia.
- Você tinha que ter me contado. Eu estava te magoando sem saber.
- Por favor, não se culpe. Quando eu recebi aquela proposta de estágio, eu vi a desculpa perfeita para te libertar do peso morto que eu era. Eu sabia que comigo, você nunca seria completamente feliz. Se eu fosse embora sem nenhuma explicação, você iria me esquecer depois de um tempo e poderia ser feliz. Quando eu voltei para Nova York eu dizia a mim mesma que era uma cidade grande e que eu nunca iria te encontrar. Mas então, logo no primeiro dia, eu conheci a Johanna e gostei dela. Foi então que ela me disse que tinha um namorado, Peeta Mellark. Nós nos tornamos amigas, mas toda vez que ela tentava marcar um encontro, eu arranjava uma desculpa. Eu só não pude recusar o pedido dela de que eu fosse madrinha.
Peeta andou até a cama e se sentou ao lado de Katniss.
- Você sabe que deveria ter me contado. Eu nunca teria te abandonado. Nós poderíamos ter adotado, usado uma barriga de aluguel ou outro método, Kat.
- Foi por isso que eu fui embora. Porque eu sabia, eu sempre soube que você não me abandonaria, mas o problema é que eu também sabia que você não seria completamente feliz. Mas, Johanna poderá te dar a família que você sempre quis, e mesmo que eu ainda te ame eu ficarei feliz por você estar feliz.
- Kat... Eu não sei o que te falar. Eu não seria infeliz em hipótese alguma.
- Posso te pedir um favor? — ele acenou com a cabeça — Me dá um abraço?
Peeta virou de lado e puxou-a para um abraço. Os dois ficaram juntos durante um bom tempo. As palavras não ditas no término não eram mais um peso para Katniss, mas agora traziam uma sensação de alívio, de dever cumprido. Amanhã, quando o visse no altar sorrindo para uma emocionada Johanna, ela poderia ficar feliz pelos dois.
- Obrigada por me ouvir Peeta — ela disse ainda encostada nele.
- De nada — disse levantando a cabeça dela — Agora, me prometa que nunca mais vai derramar uma lágrima por causa disso.
- Prometo — disse e virou a cabeça para dar um beijo na bochecha dele.
Sem nenhuma malícia, ele virou o rosto ao mesmo tempo para encará-la o que fez com que os lábios deles se tocassem em um rápido selinho.
- Merda, Peeta! Desculpa, não era minha intenção. — ela disse levantando da cama e indo para o outro lado do quarto.
- Tudo bem — ele disse indo na direção dela. — Mas, eu espero que você me perdoe por isso também – disse, beijando-a.
Involuntariamente as mãos dela foram para a nuca dele e as mãos dele foram para a cintura dela apertando-a ainda mais contra si.
Ali estava a verdadeira Katniss e ele queria guardar na memória cada detalhe dela que tinha perdido antes que o conto de fadas acabasse e o príncipe tivesse que voltar para a vida real.
Cedo demais, ela tomou consciência do que estava acontecendo e separou-se dele. Ofegante, ela o olhava sem dizer nada.
Peeta balançou a cabeça e seu olhar encontrou a placa de vidro em cima da escrivaninha. Katniss seguiu o olhar dele vendo o que ele encarava. Recuperando o fôlego disse:
- Você disse "Para Sempre" — ela disse.
- E a minha opinião não mudou.
Dando as costas, ele foi até a porta, destrancou-a e saiu, deixando Katniss pensando no que ele quis dizer.
Sábado — Dia dos Namorados
Peeta olhou o relógio da cabeceira e percebeu que tinha acordado cedo demais. Tentou voltar a dormir, mas o fluxo de informações que tinha recebido nos últimos dias assombravam sua mente por mais que ele tentasse negá-las. A ignorância realmente é uma benção, pensou irritado. Naquele momento, por mais que tentasse pensar somente no seu casamento, mais tarde naquele dia, um sentimento incomodo ainda perdurava. O beijo era para ser apenas um símbolo da despedida, porém saber que apesar de tudo, de tê-lo abandonado e mentido para ele durante anos, ela ainda guardava a flor foi como se apaixonar novamente, ou talvez apenas a confirmação de que ele ainda a amava.
E essa sensação de querer abandonar tudo e fugir para os braços acolhedores de Kat ia embora no momento em que ele se lembrava de Johanna e em como ela tinha aparecido quando ele mais precisava. Ele a amava. Ou era apenas gratidão? Bufou irritado. Lá estava a montanha russa de volta.
Ainda devaneava quando ouviu alguém bater na porta.
- Pode entrar.
- Hey cara, — Fin disse. -, achei que ainda estaria dormindo.
- Perdi o sono. Mas, pelo vistos não fui só eu.
- Pois é... — disse passando a mão no cabelo assim como o irmão fazia.
- Finnick — disse chamando a atenção dele. — Fala logo o que você veio dizer.
- Tudo bem — riu nervoso e foi andando até a cama e sentou-se — Eu vi você saindo do quarto da Katniss ontem.
- Nós conversamos.
- E você...
- Não tenho certeza de mais nada.
- Peeta, você vai se casar hoje à tarde. Além do mais, Katniss te abandonou.
- Ela teve um motivo — e por causa da cara de interrogação, continuou — Lembra quando ela perdeu o bebê? — Fin balançou a cabeça em confirmação — Ela foi embora porque desde aquele dia, ela não podia mais ter filhos.
- E o que isso muda?
- Muda tudo, Fin. O fato dela ter ido embora porque não poderia me dar uma família mostra que ela é exatamente quem eu achava que ela era. Desistir de ficar comigo para que, nas palavras dela. eu possa ser feliz por completo.
- Eu não sei se eu deveria te falar isso no dia do seu casamento, mas eu não consigo deixar passar. Quando você me apresentou a Katniss anos atrás, você era o cara mais feliz do universo. E qualquer um podia ver que você a amava.
Peeta sorriu como um bobo. Todas as sensações que Kat proporcionava a ele estavam voltando como uma enxurrada.
- Mas, você e Johanna, eu não sei. Vocês não parecem de verdade. Eu lembro de você e Kat brigando um com outro sobre tudo. Com Jo tudo é paz, sei lá, não há... — riu nervoso. — Nunca fui bom em dar conselhos. Mas, eu acho que Katniss é o fogo e Johanna é o ar.
- Você está usando uma dessas suas metáforas de professor de literatura de novo.
- Eu quero dizer que às vezes parece que você só está com ela porque é cômodo. E comodidade não é motivo para casar.
- Desistir do casamento na última hora também não me parece muito digno.
- E casar para divorciar é muito digno né, irmãozinho? Só mais uma pergunta: você ama a Johanna pelo menos um pouco do tanto que você ama Kat?
Peeta encarou Finnick.
- Droga, cara! Não. Eu não amo Johanna como eu amava Katniss.
- Amava? Tem certeza que você a amava? Me diga, como você ficou quando ela te contou a verdade.
- Eu não sei. Desde quando você é psicólogo? – bufou. — Acho que admirado com a coragem dela. Tipo, ela desistiu da própria felicidade para que eu supostamente pudesse ter a minha.
- Mas, a sua felicidade está com Katniss. Então vá atrás dela. Vocês dois já se privaram muito disso.
Finnick saiu da cama e foi até a porta.
- Você realmente vai ficar aí parado? — disse e saiu.
Antes mesmo da porta se fechar completamente, Peeta já estava de pé e sem se importar com o fato de estar só de cueca, saiu correndo pelos corredores. Parou na porta do quarto de Katniss e pôs a mão na maçaneta. A dúvida entre abrir e não abrir martelava em sua cabeça. Tudo que Fin havia lhe dito, impulsionava-o a abrir a porta e jogar-se nos braços de Katniss, porém sua consciência o travou. Não era certo fazer isso com Johanna, não sem uma explicação anterior.
Dando meia volta, correu até o quarto da noiva. Bateu na porta e já ia entrando quando uma mão tapou seu olho.
- Peeta! O que você está fazendo aqui? — a voz de sua futura cunhada ecoou — Ahh! E ainda por cima de cueca?
- Anne, eu preciso falar com Johanna.
- Não. Ela está arrumando.
- Dá pra tirar a mão do meu olho?
- Eu já falei cunhadinho. Jo está arrumando. Por acaso você esqueceu a tradição?
- Anne! Quem está na porta? — Johanna gritou.
- Seu noivo. — ela respondeu também gritando.
- Peeta vai embora! Eu estou me arrumando.
- Johanna, eu preciso falar com você!
- Depois amor.
Ele bufou irritado. Por que as coisas não podiam ser fáceis pelo menos uma vez?
Antes que ele pudesse protestar, Anne já o empurrava para fora do quarto e trancava a porta.
- Vá se arrumar! — pode ouvir o grito por detrás da porta.
Derrotado, ele voltou cabisbaixo para o quarto.
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Katniss já havia desistido de segurar as lágrimas enquanto via os organizadores do casamento andando de um lado para o outro pelos jardins. Ela esperava que todas as lágrimas já tivessem ido embora quando visse Peeta no altar e assim pudesse pelo menos fingir um sorriso.
- Droga, Peeta! Porque você tinha que me beijar? — indagou para si mesma.
Aquele beijo do dia anterior seguido daquela declaração abalara qualquer determinação que ela tinha. Katniss olhou para a flor e sorriu involuntariamente.
- Porque eu tenho que te amar tanto, heim? — perguntou olhando para a flor.
- Pelo menos seu amor por mim você admite. — Gale respondeu assustando-a.
- Gale? Aconteceu alguma coisa?
- Não — respondeu seco e emendou — Porque você mentiu para ele? Eu quase contei tudo quando soube.
- Coragem. Depois desse casamento eu nunca mais iria vê-lo e ele seria mais feliz com a mentira. Mas aí, você mandou ele aqui e ele chegou pedindo a verdade.
- Uma coisa que eu tenho percebido, Catnip é que durante todos esses anos, você nunca pensou em você mesma. Sempre é a felicidade dos outros, os outros não irão gostar e nunca você. Acho que está na hora da Katniss ser o centro.
- No meu centro, Peeta estaria comigo. E essa utopia acaba hoje com o casamento dele.
- E aquela história de "diga agora ou cale-se para sempre"?
- Eles não falam isso em casamentos Gale, pelo menos não na vida real.
- Então é melhor você aproveitar que o sonho ainda não acabou.
- Ir atrás dele? Há muito mais em jogo do que o meu amor por ele.
- Altruísmo, Katniss, não é a solução para tudo.
Katniss saiu correndo do quarto, decidida a resolver tudo. Parou na porta do quarto de Peeta, tomou fôlego e entrou sem bater, fazendo com que ele olhasse para a porta.
- Katniss? O que você está fazendo aqui? — perguntou espantado, mas com um pouco de esperança na voz.
- Eu quero me por no centro. Pela primeira vez em muito tempo. Se você me disser que apesar do seu casamento ser em algumas horas, você ainda me quer, eu fujo com você. Eu vou embora pra onde você quiser, e eu sei que nós teremos que adotar, ou usar uma barriga de aluguel, mas eu estou disposta a isso e...
- Katniss respira — disse interrompendo-a e indo em direção a ela. — Eu não quero fugir com você.
- Não? – respondeu, a voz transmitindo o choque.
- Não. Eu quero que todo mundo veja a nossa felicidade. Eu não quero esconder que eu te amo. Eu quero ser lembrado com você.
Os dois agora sorriam como bobos um para o outro e após se encararam durante algum tempo, começaram um beijo apaixonado, não como o anterior, cheio de saudade, mas um beijo que demonstrava a expectativa de que eles se beijassem cada vez mais.
- Katniss — disse interrompendo o beijo.
- Hum — respondeu mordendo o lábio dele.
- Eu vou falar com ela. Agora.
- Peeta, Anne não vai deixar você chegar perto do quarto dela. Deixa que eu vou.
- Não, Kat. Se eu vou terminar esse casamento, vai ser pessoalmente.
Peeta saiu decidido do quarto. O caminho até a noiva foi uma confusão de pensamentos. Apesar da certeza de que estava fazendo o certo, não era fácil terminar um casamento, principalmente no dia.
Entrou no quarto sem bater, sabendo que Anne o impediria se ele o fizesse. Assim que fechou a porta, um grito ecoou.
- Sai Peeta! Você não pode me ver antes do casamento.
- Johanna, nós precisamos conversar. A sós.
A face séria do noivo alertou-a de que talvez fosse melhor ouvi-lo.
- Tudo bem, Anne não está aqui.
Ele reparou pela primeira vez na mulher a sua frente. A maquiagem, não muito forte, dava um aspecto natural contrastado apenas pelo batom um pouco vermelho, o cabelo estava preso em uma trança elaborada que caía pelo ombro direito. O vestido tomara que caia descansava na cama, já fora da capa e a luz do sol entrando pela janela batia nos cristais do corpete fazendo-os brilhar.
- Você está linda.
- Obrigada.
- Johanna, eu sinto muito, mas eu menti para você.
- Sobre...?
- Sobre como eu conheci Katniss. Eu não era o colega de quarto do namorado. EU era o namorado.
- Como é que é? Por que vocês mentiram sobre isso?
- Quando nós terminamos, foi muito confuso e eu acho que nenhum de nós sabia como reagir.
Peeta abaixou os olhos, tentando pensar em uma maneira de continuar a contar a verdade.
- Amor, eu sei que não é só isso que você quer me contar.
- Você está certa... Eu não sei nem como começar a dizer isso.
- Peeta, por favor, você está me deixando preocupada.
-Jo, — ele começou olhando nos olhos dela — eu não posso me casar com você hoje.
O choque passou pelo rosto dela. Nada parecia correto.
- Co-como assim? Peeta, foi você quem me pediu em casamento, nós trocávamos juras de amor, você dizia que eu era a pessoa mais importante da sua vida. Nós vamos nos casar em uma hora — disse a última frase gritando.
- E eu achava com toda sinceridade que eu te amava.
- O que mudou? Me responda, Peeta, o que mudou? — ela não conseguia mais segurar o choro. As lágrimas desciam pelo rosto borrando toda a maquiagem.
- Katniss. Ela foi e sempre será o amor da minha vida. E durante todos esses anos, eu escondi isso, tentando mandar esse sentimento para bem longe e eu consegui no momento em que eu conheci você. Mas agora, foi só eu a ver de novo que tudo voltou sem que eu pudesse controlar.
- Você está me trocando pela minha melhor amiga e madrinha no dia do nosso casamento?
Ele não respondeu nada, apenas abaixou a cabeça. Não havia o que dizer em um momento como aquele, a verdade estampada em sua cara.
- Seu cachorro, cafajeste, idiota, filho da puta! — gritava dando um soco no peito dele com força a cada palavra, tentando causar nele a mesma dor que ele havia acabado de causar nela. — Eu te odeio, Peeta Mellark!
Após o último soco ele segurou as mãos dela e abraçou-a, enquanto ela ainda resmungava no peito dele juras de ódio contra ele e Katniss.
- Eu sei que eu te magoei muito agora, e eu sei que isso não é atitude de homem, mas eu acho que é mais justo com nós dois esse casamento não ir para frente.
Desfazendo o abraço, ele a sentou na cama, deu um beijo em sua testa e saiu do quarto deixando uma Johanna Mason magoada e chorando sozinha.
Apesar de saber que aquela era a coisa certa a ser feita, ele não se sentia bem. Entrou no quarto e viu Katniss olhando a janela novamente. Fechou a porta devagar para não incomodá-la e sorriu. Algum tempo depois, a mulher se virou e o sorriso dela murchou dando lugar a uma expressão preocupada.
- E então?
- Eu contei tudo. O casamento não vai mais acontecer.
O sorriso voltou ao rosto dela e Peeta foi ao seu encontro. Assim que seus braços a alcançaram, ele a pôs no colo.
- Agora nós podemos recomeçar. Prazer, Peeta Mellark.
Rindo ela respondeu:
- O prazer é meu Sr. Mellark. Eu sou Katniss Everdeen.
- E o que você acha de sair dessa casa comigo Srta. Everdeen e ir para um lugar melhor, como meu apartamento?
- Eu adoraria. Mas, acho que meu traje não está muito adequado. Vou arrumar minhas coisas e te encontro na garagem.
- Tudo bem.
Katniss foi até seu quarto exalando felicidade. Ela não se sentia tão feliz assim desde que contara a Peeta sobre a gravidez. Abriu a porta do quarto e se deparou com Johanna sentada em sua cama.
- Johanna? O que você está fazendo aqui?
A mulher se levantou e começou a andar em direção à porta, onde Katniss estava.
- Eu vim ver como você estava, amiga — a última palavra dita carregada de ironia. — Satisfeita por roubar o meu marido? Ou ainda falta algo pra você roubar de mim?
- Johanna, não é bem assim...
- Vadia! — a morena gritou dando um tapa na cara da amiga. — Eu não quero ouvir suas explicações. Eu espero de todo o meu coração que você e aquele ser sejam muito infelizes.
Johanna saiu do quarto deixando Katniss ainda atônita. Sem se importar com a marca vermelha em seu rosto começou a arrumar suas coisas. Ela não era tola a ponto de achar que Johanna não explodiria com ela e por causa disso achara que o tapa tinha sido pouco.
Vestiu um short qualquer com uma blusa mais larga, calçou uma sapatilha e com as malas na mão, desceu até a garagem.
- O que é isso no seu rosto? — Peeta perguntou passando a mão na marca vermelha.
- Johanna me deu um tapa, nada demais — disse dando os ombros.
- Ela não tinha o direito — disse e depois beijou o machucado.
- Eu não me importo. Já me bateram mais forte e já fui chamada de nomes piores que vadia. Por favor, só vamos embora dessa casa logo.
- Seu desejo é uma ordem — disse ainda contrariado com as atitudes da ex-noiva — Tem um lugar que quero te levar.
Os dois entraram no carro e Peeta dirigiu para o centro dos Hamptons, longe de todas aquelas mansões e perto do cais onde vários barcos ancorados estavam enfeitados com corações em homenagem ao Dia dos Namorados. Ele estacionou perto de um bar todo de madeira que parecia cheio e os dois saíram.
- Esse é o The Quay. Todo ano os donos fazem uma festa no dia dos namorados para que os solteiros encontrem namorados e os casais possam se divertir.
- Como você descobriu esse lugar? — perguntou maravilhada com o lugar a sua frente.
- Quando eu aluguei um lugar para o meu barco, eu conheci Jack, o dono do bar e nós viramos amigos.
- Você tem um barco? — a voz expressando surpresa o que o fez rir.
- Tá vendo aquele barco lá no final, de casco preto? Aquela é Pheobe.
- Você deu pro barco o nome que o nosso bebê teria se fosse uma menina? — a voz de Katniss agora era apenas um sussurro.
- Durante muito tempo, depois que você foi embora, eu sonhava com uma garotinha de cabelos loiros e olhos cinza e ela me pedia para passear no mar. Eu não conseguia tirá-la da cabeça, imaginando se nossa filha seria assim. Então eu comprei o barco e os sonhos pararam. Acho que eu realizei a vontade dela.
Katniss agora chorava.
- Isso é lindo.
- Ei, não chore. Não foi por isso que eu te trouxe aqui.
Puxando-a pela mão, os dois entraram no bar. Assim que Peeta viu o amigo, gritou o nome dele. Como estava ocupado servindo as mesas, Jack apenas acenou e Peeta entendeu o recado. Sem dizer uma palavra e ainda guiando Katniss pelo braço, os dois saíram do bar e foram até o barco. Na lateral, ao lado do nome, ela pode ver o desenho de uma menina exatamente como Peeta descrevera e sorriu imaginando que como seria se aquela garotinha realmente existisse.
Os dois entraram no barco e assim que pôs os pés na cabine, Kat ofegou. Ela estava toda decorada em vermelho, com flores espalhadas e balões de coração.
- Assim que você saiu do quarto, eu liguei para o Jack e pedi que ele arrumasse o barco.
- Peeta, isto está lindo!
Ele foi até o quarto que estava enfeitado como o resto do barco sendo seguido por Katniss e quando chegou lá, tirou uma pintura do lugar e abriu o cofre que ela escondia.
- Feche os olhos, por favor. — Katniss obedeceu e ele tirou de lá de dentro uma caixinha vermelha de veludo. — Eu fiz desse barco uma conexão com o passado. Acho que foi por isso que o guardei até hoje. Pode abrir os olhos. — Katniss abriu deparando-se com Peeta de joelhos. — Aceita se casar comigo?
Katniss fez que sim com a cabeça.
- Sim.
Ele colocou o anel no dedo dela ainda de joelhos e ela se abaixou para beijá-lo.
- É o mesmo anel de anos atrás? — disse olhando para o pequeno anel de platina com um único lápis-lazúli ao centro.
- Não tive coragem de devolvê-lo pra loja. Andei com ele no bolso durante umas duas semanas antes de colocá-lo banco. Quando comprei o barco resolvi deixá-lo aqui.
Os dois se levantaram e Peeta levou Katniss para debaixo do pequeno ramo de visco.
- Dizem que se você beijar alguém embaixo de um visco, o amor dura para sempre.
- Que seja para sempre então — Katniss disse e os dois se beijaram com a certeza de que daquela vez nada os separaria.
Notas finais
P.S.: Japonesa, quero um review enorme seu. Dois beijos.
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