Notas iniciais
Classificação: +18
Gêneros: Comédia, Romance, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Violência e Sexo.

N.a.: Heeey Folks, como estão? *-*
Cá estou eu, com os nervos á flor da pele lisinha de bumbum de neném (não caia nessa, meu amigo) para lhes trazer mais uma one shot, a segunda após a volta de CE, não é emocionante? *---* É, eu sei que a resposta é não. Agradeço à todos que gostaram de Querido Bailarino e que acompanham fielmente todas as one shots M-A-R-A-V-I-L-I-N-D-A-S de cada um dos autores, agradeço em nome de todos.
Não sei mais o que dizer, então o Beijos Purpurinados do Gale, a libélula saltitante e dessa autora que vos fala.
Enjoy.
Ps: Perdão pela tentativa broxante de fazer hentai. *capota*

O sol extremamente fraco adentrava pelas cortinas que, mais uma vez, me esqueci de fechar. Olhei em direção ao relógio sob meu criado mudo e pude constatar que havia acordado antes da hora e provavelmente não conseguiria voltar a dormir.

Sentei-me na cama e fiz como em todas as manhãs: comecei a pensar na total bagunça e decepção que minha vida se tornou. Tudo bem que nada de grave havia acontecido, mas saber que nunca conseguiria atingir meu objetivo era no mínimo frustrante.

Não sei quanto tempo passei divagando entre reclamar da minha vida e agradecer pela mesma, mas isso não fazia a nenhuma diferença.

Olhando mais uma vez em direção ao criado mudo, o relógio sobre ele mostrava que agora era a hora de me arrumar para caminhar pela cidade, depois voltar para casa, tomar banho e ir trabalhar. Trabalhar. Definitivamente essa não era a minha ideia de dia dos namorados perfeito. Porque mesmo, eu tinha que sair do Texas? Ah sim, para trabalhar em um restaurante justo no dia dos namorados. Ai como odeio a minha vida!

Me arrumei o mais rápido que a preguiça permitiu, apanhei o celular e algum dinheiro para comer alguma coisa na volta. Ao abrir a porta do meu apartamento, meus olhos caíram sobre o presente deixado em meu tapete.

Um lindo buquê de rosas champanhe com um cartão no mesmo, foi impossível não sorrir. Cheirei as flores e só então li o cartão, mesmo já sabendo de quem era.

“E como todos os anos, mando flores para as mulheres da minha vida, não é porque está longe do Texas que deixará de recebê-las.

Porque espero que nunca se esqueça de que como a rosa champanhe simboliza, tem todo o meu respeito e admiração, mas o que a rosa não diz, é que também tem meu eterno amor.

Nunca se esqueça, minha pequetita. Com todo amor do mundo, papai.”

Inevitável foi não me lembrar de quando tinha apenas oito anos e disse para minha mãe que o dia dos namorados me deixava triste, pois eu nunca havia recebido flores e que eu sabia que seria assim por toda a minha vida; e a partir de então, não houve um ano em que meu pai se esquecesse de manda-las para as “mulheres de sua vida”, como ele mesmo dizia.

Acabei desistindo de sair, ligaria para meu pai e ficaria conversando com ele, o máximo possível.

***

— A que devo a honra da sua ilustre presença sempre atrasada, Katniss? — perguntou Gale, brincalhão.

— Não me venha com sorrisinhos, gentilezas ou brincadeiras, Hawthorne. Realmente não estou com paciência para você hoje.

— Por que está brava, Catnip? — Gale frisou o maldito apelido que me dera — Anime-se, hoje é dia dos namorados, era para estar soltando coraçõezinhos pelo ar — sorriu zombeteiro.

— Vou te contar, mas não espalha pra ninguém, ok?! — perguntei retoricamente, me aproximando dele — É que meu chefe é um filho da puta que está comendo a minha melhor amiga, ai ele simplesmente decidiu que o restaurante funcionaria normalmente e que eu cuidaria de tudo para que ele pudesse satisfazer Johanna com alguma coisa que eu preferi não saber — sussurrei com a voz raivosa.

Tudo que Gale fez foi rir, e rir muito da minha carranca nervosa.

— Ai Catnip, ainda bem que seu chefe tem você como melhor amiga, se não, creio que já teria sido demitida — Rebateu em tom alegre, argh.

— Ok, Gay-lee. Não torre o restante da pouca paciência que ainda existe em mim e suma daqui com Johanna, antes que ela venha fazer alguma piadinha com o noivo retardado dela. Já estou aqui mesmo, deixe-me trabalhar e suma da minha frente, já estragou meus planos para o dia, não me faça retribuir estragando sua cara — rosnei entre dentes.

— Tudo bem, Catnip. Nos vemos depois de amanhã, já que vossa majestade vai tirar folga amanhã.

— Mais que merecida, senhor Gay-lee. — revirei os olhos — Agora suma que o restaurante hoje é meu.

Gale só deu um beijo em minha testa e saiu rumo ao carro me deixando no comando do restaurante.

Essa seria uma longa noite.

***

O restaurante de comida francesa no qual trabalho encerra o expediente só as vinte e três horas, mas Gay-lee, que não era um chefe tão filho da puta assim, deixou-nos encerrar as vinte e uma hoje. Não que a diferença fosse grande, mas pelo menos tínhamos conseguido alguma coisa.

Meus pés doíam de uma forma alucinante, após ter atendido tantos casais com ares apaixonados, troca de sorrisos, presentes e beijos. Aquilo já estava me enojando, e graças ao bom Deus que acabou. Tudo bem que ver as pessoas felizes e comemorando o dia dos namorados não era de nada ruim, mas eu estava com uma pontada de cansaço, irritação e inveja, afinal, todos que passaram por aqui hoje estavam felizes junto com a pessoa que amam e eu trabalhando, e para piorar, sem ninguém me esperando quando saísse daqui.

Ainda tinha que terminar de fechar o caixa e colocar todo o dinheiro faturado na noite no cofre, por isso dispensei os outros funcionários, eles poderiam aproveitar o restante da noite, enquanto eu me divertiria contando dinheiro, cantando no restaurante vazio e tomando um bom vinho que Gale me deu de presente por cuidar de tudo hoje. Yupi, que vida feliz!

***

Abri minha garrafa de vinho, peguei uma taça e comecei a cantarolar Defying Gravity enquanto terminava de colocar o dinheiro no cofre. Terminaria apenas de tomar essa taça e depois voltaria para casa, mas acabei me empolgando com a música e cantando em plenos pulmões algumas dezenas de vezes.

Ao chegar ao fim da música — pela septuagésima nona vez —, a porta começou a ser esmurrada e uma voz pedia por ajuda ao lado de fora, não sabia quem era, já que o querido filho da puta que estava me assustando não respondia, só pedia mais desesperadamente para que eu abrisse a porta. Corri até a cozinha e peguei um dos machados de cortar carne — ou sei lá como aquilo se chamava — e fui em direção da porta, o ser insistente que a esmurrava continuava a pedir ajuda, e eu ajudaria, mas se ele tentasse roubar o restaurante ou até mesmo algo contra meu lindo corpinho, eu acabaria com toda a palhaçada com uma só machadada.

— Moça, abre logo essa porta, por favor, antes que me achem aqui. Sei que está ai dentro, já te ouvi cantar, abre logo, por favor — a voz pedia com certo desespero.

Respirei fundo enchendo-me com uma coragem que não possuía e abri a porta.

Antes que eu pudesse ver o rosto do infeliz, que atrapalhou meu momento de amor com a minha taça de vinho, já estava com a bunda colada no chão e um cara loiro trancava novamente a porta do restaurante. Oh merda, eu estava fodida.

— Que merda você pensa que está fazendo entrando aqui desse jeito? — perguntei com a voz raivosa, tentando esconder o medo de que o cara gigante a minha fosse um serial killer.

— Shiu, fique quieta, eles podem ouvir sua voz — rebateu o loiro ainda de costas para mim. Seria errado eu acrescentar que se ele for um serial killer, ele é o que tem a bundinha mais sensual do planeta? Hm, vamos deixar isso quieto.

“Mas não deixa de ser verdade, Catnip... Se ele for te matar, morra apertando essa bundinha deliciosa que está na sua frente.”

“CALE-SE CONSCIENCIA ENVIADA DO INFERNO PARA ROUBAR MINHA PUREZA.”

“Que pureza, querida?”

“JÁ MANDEI SE CALAR.”

“Não está mais aqui quem falou, quer dizer, estou, mas não opino mais.”

Decidi deixar meu momento mais louco que o Batman para depois, afinal, tem um provável-serial-killer no restaurante do meu amigo. Vai Katniss, seja macho e fale alguma coisa.

— Hey babaca, eu falo o quanto eu quiser, afinal, não sou eu que estou parecendo um esquizofrênico dando ataque de pelanca em frente à porta — bufei irritadiça como sempre. — “Shiu, eles podem te ouvir” — engrossei minha voz em uma tentativa falha de imitá-lo — Ah, antes que eu esqueça: Vai se ferrar, você me esborrachou no chão, seu loiro de merda.

Esperei uma resposta e nada veio. Esse cara está começando a me irritar de verdade. Levantei-me do chão do qual por algum motivo desconhecido, eu tinha permanecido desde a hora que o furacão loiro feat. Possível serial killer adentrou ao restaurante.

“Só ficou ai até agora por causa da visão agradável ou talvez porque você não passa de uma idiota.”

“Eu já não te mandei calar a boca?”

“Uh, fica aí sua sem glitter, vai morrer e me deixa em paz”

“Se eu morrer, você também morre, bicha burra.”

“Também não precisa ofender, me cansei de você, não falo mais nada.”

Decidi beber mais uma taça, acho que eu não aguentaria minha consciência — ou álter ego, que seja —ou ser morta sóbria, então vamos fazer isso direito, Katniss.

— Você sempre fala tanto assim, garota? Sabe, sua voz é irritante — a voz chegava mais perto de mim, mas apenas ignorei, pois se não ignorasse, teria enfiado o machado que ainda se encontrava comigo em sua cabeça. — Opa, vinho! — o desgraçado não fez isso, ele não fez isso.

Respira Katniss, Respira. Não explode, não grita.

— Como ousa pegar a m-i-n-h-a taça de vinho? — murmurei com a voz gotejando de ódio — Quem você pensa que é? — minha ideia era me virar para acertar um soco em cheio no possível serial killer, mas não foi bem isso que aconteceu. Eu fiquei muda, era tudo que eu conseguia fazer.

— Que foi, nervosinha? O gato comeu sua língua? Oh, acho que não, pois o único gato aqui sou eu e definitivamente, nem cheguei perto dela. Ainda — o desgraçado disse sarcástico e deu uma piscadinha. — A propósito, você perguntou quem eu penso que sou, bom — passou os dedos nos cabelos desgrenhados —, sou Peeta Mellark, mas tenho certeza que você já sabe disso — o ex-provável-serial-killer sussurrou em meu ouvido, me fazendo arrepiar, coisa que não passou despercebida por ele.

“Olha, eu disse que não ia falar nada, mas... É O PEETA MELLARK, SEU CANTOR FAVORITO. VAI, PEDE UM AUTÓGRAFO, NÃO, MELHOR. PEDE UM BEIJO NA BOCA... MELHOR AINDA, PEDE UM FILHO DELE!”

“Agora mesmo que eu vou te ignorar.”

Mas ok, já posso surtar? Peeta Mellark está aqui no restaurante. Peeta Mellark está aqui no restaurante sozinho comigo. Peeta Mellark está aqui no restaurante sozinho comigo!!!

— Já sei, ficou deslumbrada com a minha beleza e por isso deixou de ser tão tagarela? Sempre soube desse meu efeito, mas com você funcionou ainda mais rápido, já que não teve nenhum gritinho, é acho que estou ficando bom nisso, não que eu não seja bom em tudo... Como você é bonitinha, posso te mostrar o tudo — disse com a voz rouca. — Só não pense que eu vou te ligar no outro dia, provável que no fim da noite eu nem lembre seu nome, mas vai valer a pena, pelo menos pra você é certeza.

Ok, vamos começar o surto anterior de novo: Peeta Mellark está aqui no restaurante. Peeta Mellark está aqui no restaurante sozinho comigo. Peeta Mellark é um idiota!!!

Pronto, bem melhor assim.

Espera um minuto. Ele quis insinuar que eu sou fácil e ainda por cima, e... como Johanna diz mesmo? Ah sim, água com açúcar no kama sutra? Acho que alguém vai ficar sem os olhos azuis.

“Arranque a parte da qual ele estava se gabando, deixa esse puto insultador só no cotoquinho, Everdeen.”

“Cara, pela primeira vez, estou te amando.”

“Faça isso com mais frequência, pois sou a parte diva da sua vida, agora xoxo que eu vou continuar olhando a bunda dele e nem pense em falar ‘Você não presta’ e blábláblá, afinal, eu sou você, então me poupe do discurso, fui.”

“Que bicha abusada.”Bufei.

Quando ia dar meu sermão/explosão para cima do Peeta-quase-sem-pinto — apelido delicado que se tornará realidade se ele continuar sendo um abusado e se oferecendo para entrar no meu corpinho —, o maldito me interrompe sem ao menos se importar.

— Olha, já que parece que você entrou em algum tipo de transe por conta da minha beleza, acostume-se com ela e venha fazer logo o que eu vim procurar aqui: preciso que você me tire daqui e me leve para algum lugar que não me sigam, tenho que fugir de alguns paparazzi, já que a garota que eu ia passar o feriado chamou aquele bando de abutres para nos flagrar juntos e definitivamente, não quero isso, então me tire daqui logo e eu te dou qualquer coisa, até meu corpinho lindo e sensual por uma noite — Peeta-quase-sem-pinto disse tudo de uma vez, aumentando ainda mais a minha raiva.

— Olha aqui seu moleque de merda, quem você pensa que é para insinuar que eu sou fácil e que eu iria para cama com você só por sua fama? — ele abriu a boca para me cortar, mas eu o fuzilei com o olhar e prossegui. — Você pode ter quem você quiser, mas é muito provável que eu não seja uma delas e, mesmo se fosse, isso não lhe daria o direito de falar assim comigo, seu bosta. Entenda de uma vez que se não falar comigo direito, eu posso acertar esse machado em sua cabeça, ok?! — apontei a minha arma mortal em sua direção e o vi engolir em seco, acho que com medo. Bom, isso é muito bom. — Agora o que você tem nessa sua cabeça loira desprovida de inteligência que te faz crer que eu te ajudaria?

Peeta-quase-sem-pinto intercalava olhares assustados entre mim e minha mão, acho que com medo do que eu poderia fazer, mas isso não vinha mesmo ao caso, eu queria uma resposta e ele parecia que não conseguiria dá-la.

— Anda logo, garoto não tenho tempo para esperar que sua massa cinzenta comece a funcionar aos trancos, fala logo, por que eu lhe ajudaria? — perguntei com a voz mais calma que eu consegui e continuei balançando o “machado” em minhas mãos, mais uma vez ele engoliu em seco.

— Porque eu posso ajudá-la com o seu maior sonho, seja ele qual for, eu realmente posso, eu posso tudo ou esqueceu que sou Peeta Mellark?

***

Estou dirigindo para casa e mentalizando que me encontro sozinha, pois se eu ouvir o desgraçado do Peeta Mellark dizer mais uma vez que está com medo de ser assaltado ou sequestrado no subúrbio que eu moro, eu juro que forço o carro até a velocidade máxima e arremesso esse filho de uma profissional do sexo no meio da rua e ainda passo com meu potrinho por cima e sim, eu chamo o meu carro de potrinho e não, eu não tenho problemas de cabeça.

— Katniss, tem certeza que ninguém vai querer me sequestrar? Eu valho muito dinheiro e meu rostinho não pode ser machucado. Espera um pouco, você não está me sequestrando, né?! — o superstar vomitado do inferno soltou tudo de uma vez em um fôlego só, acabando com o resto da minha paciência.

— Olha aqui seu ser irritante de uma figa, se não quiser que eu meta um soco no meio dessa sua carinha bonita ou arranque seus testículos fora é melhor falar algo que preste — gritei tudo em plenos pulmões, meus gritos foram tão altos que um casal que estava no carro do lado nos olhou assustado e Peeta só abaixou ainda mais o rosto, para não ser reconhecido. Respirei fundo e continuei minha fala carinhosa e cheia de amor —, ou melhor, cale a boca antes que eu realmente cumpra minha promessa e ainda esfole esse seu corpo musculoso todo e te dê banho de querosene e seque com uma vela.

O carro finalmente estava em silêncio, e ainda apertava o volante com força suficiente para meus dedos ficarem brancos, mas era melhor apertar o volante do que a garganta do Peeta, apesar de ser irritante, sua voz doce, rouca e melodiosa compensava todo o resto.

O loiro ao meu lado pigarreou e com um tom sedutor começou a falar, ascendo um fogo dentro de mim. Um fogo assassino.

— Então quer dizer que eu tenho uma carinha bonita e um corpo musculoso? — Peeta soltou, malicioso. — Sabe, já lhe disse que se quiser, você pode se aproveitar do mesmo por hoje enquanto ficamos no seu apartamentozinho de subúrbio.

Retiro o que eu disse, nem mesmo a voz dele cantando seria capaz de impedir que eu matasse esse desgraçado.

— Eu não te mandei calar a boca? — rosnei entre dentes tentando controlar minha voz. — De todas as ameaças que eu lhe fiz, você só ouviu as partes que em sua mente deturpada eram um elogio?

Peeta solta uma gargalhada que em outra situação sei que teria me feito rir também, mas não agora.

— Gata, admita que foram elogios e que você me quer, que quer meus “testículos” como você mesmo disse, dentro de você.

Ok, paciência tem limites e o meu acabou de ser estourado. Freei o carro sem nem ao menos me importar se alguém bateria na minha traseira, isso resultou em xingamentos do lado de dentro e de fora do carro, mas eu estava pouco me fodendo para isso, Peeta Mellark mexeu com alguém que não devia e agora vai pagar.

Virei me para ele como o meu melhor sorriso sedutor brincando em meus lábios, soltei me do cinto de segurança e debrucei me sobre o banco, deixando meus lábios a centímetros de Peeta que agora não tinha mais seu sorriso estampado na cara, seus olhos se revezavam entre meus lábios e meu decote, era hora.

— Sabe Peeta — sussurrei com um tom de voz que julgava ser sexy. —, você descobriu meu desejo tão fácil, eu não vou aguentar esperar até chegar a minha casa, você está me enlouquecendo — aproximei minha boca ainda mais dele, mas desviei e depositei um beijo molhado no pescoço cheiroso do ser do demônio, ouvindo-o suspirar — Tudo em você me atrai — mordi suavemente sua clavícula — Seu corpo está me fazendo ter pensamentos nada puros que envolvem eu, você, corpos suados e nus na horizontal. — sussurrei em seu ouvido e vi o mesmo se arrepiar e soltar um pequeno gemido, escorreguei minhas mãos pelo seu peitoral até alcançar o cós de sua calça, forcei um gemido e desci ainda mais minha mão até parar em cima do seu membro que já dava sinais de vida sob minhas mãos. — Diga-me Peeta, fui eu que te deixei assim? Você quer que eu te toque aqui? — pressionei levemente seu membro e ele gemeu.

— Foi, Katniss, foi você — Peeta disse com a voz entrecortada. — Diabos, Katniss eu quero que me toque.

Show time, baby.

— Então é isso que você terá — ronronei em seu ouvido e depositei uma mordida leve no lóbulo de sua orelha; e ao ouvir o suspiro do homem, apertei ao máximo que pude seu membro contra meus dedos.

— Para, sua louca, me solta! — Peeta gritava freneticamente de dor e eu apenas ria.

— Isso é para você aprender a nunca mais, repetindo, nunca mais — sibilei com a voz ameaçadora —me irritar, eu lhe disse que era pra parar de falar e você me solta uma asneira dessa, e olha que engraçado, se eu que queria o seu corpo, como é você que estava excitado há segundos atrás?

Peeta continuava a gritar de dor e as pessoas que transitavam pela calçada começaram a parar para olhar, para evitar chamar mais atenção, soltei-o e ele imediatamente depositou suas mãos sobre o local que antes eu apertava.

— Agora que você aprendeu a lição, vamos para minha casa.

O restante até meu apartamento foi completamente silencioso, se ignorarmos os gemidos de dor que emanavam do loiro ao meu lado, a culpa de tê-lo apertado com tanta força começou a me assolar, depois eu me desculparia com ele, mas não agora.

Chegamos até meu prédio e entramos com o carro na garagem, o elevador estava estranhamente vazio, para o alívio do loiro ao meu lado que andava mancando. Ao chegarmos a meu apartamento, a luta foi contra a minha bolsa que parecia ter abduzido minhas chaves e ter mandado as para Nárnia.

Depois de muito tempo e de suspiros impacientes do loiro eu consegui encontrar e entramos.

A cara de Peeta era hilária de se olhar no momento, acho que ele esperava um lugar amarelado, cheio de infiltrações e bagunçado, mas meu cantinho era realmente uma graça.

— Fique à vontade que eu vou pegar gelo para bem, você sabe — falei me encaminhando para a cozinha, ele apenas assentiu.

Peguei a bolsa térmica e despejei gelo dentro e voltei para a sala, mas ele não estava mais lá.

— Peeta? Cadê você? — era só o que me faltava, a peste sumir em meu apartamento.

— No quarto, Katniss.

Respirei fundo, eu não falaria ou faria nada, concentre se Kat, você pode. Caminhei até o meu quarto e estanquei na porta ao ver a situação em que Peeta se encontrava.

—Você me mandou ficar à vontade, eu só segui seu conselho — disse simplesmente dando de ombros.

Fechei meus olhos com força antes que ele percebesse o que acontecia. Peeta estava sem camisa, os cabelos ainda mais bagunçados, o cinto pendurado nas presilhas da calça que estava com o botão e o zíper aberto e seus pés descalços. Como se essa imagem não fosse sexy ao natural o desgraçado ainda estava deitado em minha cama, foi difícil não secar aquele tronco musculoso, mas eu sou a Katniss, eu consigo tudo... Mentira, eu sequei o corpo dele e por pouco ele não percebeu.

— Aqui está o gelo e desculpa pelo que fiz no carro, é que você estava realmente me irritando — entreguei a bolsa térmica para ele e me sentei ao seu lado em minha cama de casal, ele pegou e sorriu para mim.

— Tudo bem, Katniss... Até amanhã você se acostuma — piscou o olho esquerdo para mim, e como se eu nem ao menos tivesse presente, terminou de arrancar a calça ficando apenas de cueca boxer azul marinho, dando-me uma visão perfeita de suas coxas torneadas e seu membro avantajado dentro da cueca. — Você já teve a capacidade de quase me deixar estéril, não vai ter nenhuma diferença se eu ficar só de cueca na sua frente ou de tirá-la — Peeta então fez algo que eu não imaginaria ver nem em mil anos, ele simplesmente arrancou a cueca e jogou em minha direção, eu rapidamente desviei e ele pousou a bolsa térmica sobre “o local atingido”.

Olhei a cena perplexa, ele ia ficar mesmo nu... Na minha cama? Tudo bem que eu já imaginei isso uma ou duas vezes, mas não assim.

— É, e-e-eu vou tomar um banho e depois preparar algo pra comer, tá com fome? — perguntei embaralhada. — Você vai ficar bem?

— Ficaria melhor se agora você fizesse uma massagem onde machucou, né?! Acho que ele ia gostar depois de quase ser arrancado fora.

Ok, Peeta voltou para o modo idiota, rumei para o banheiro antes que eu arrancasse de vez aquilo que ele honra no meio das pernas.

***

Após tomar um longo e relaxante banho, senti um cheiro maravilhoso de comida, meu estômago roncou audivelmente e eu fui atrás do que mais precisava no momento: Comer.

Preciso comentar a minha surpresa ao chegar à minha cozinha e ver que o cheiro maravilhoso emanava justamente de lá? Peeta estava de costas, tinha recolocado sua calça e agora mexia em algumas panelas. Fiquei observando por algum tempo, até que sua voz rouca soou por toda a cozinha, me assustando.

— Vai ficar só olhando ou vai servir a mesa?

Meu rosto esquentou de vergonha, há quanto tempo ele sabia que eu estava aqui? Decidi que isso não importava e fui colocar a mesa, enquanto ele terminava de cozinhar. Estava colocando a mesa distraidamente e cantarolando minha música preferida quando uma risada suave ecoou por toda a cozinha.

— Você canta bem e acho que a música ficou de fato melhor na sua voz do que na minha.

— Para, se eu cantasse bem mesmo teria conseguido algum papel em musicais da Broadway, mas pelo visto, não sou boa o suficiente — suspirei com pesar ao lembrar quantos “nãos” já havia escutado em minha vida. — Mas agora de verdade, é um elogio, sou uma grande fã de suas músicas.

— Só delas? — o loiro pergunta com um sorriso debochado em minha direção.

— No momento sim, você é irritante de mais.

Soltei sem pensar e Peeta gargalhou, parece que isso está cheirando a trégua.

***

Havíamos acabado de jantar e a comida estava divina, Peeta era realmente um bom cozinheiro. Seu strogonoff de camarão fora o melhor que eu já havia comido em toda a minha vida e não me envergonhei em dizer isso. Agora estávamos sentados no sofá da sala com uma garrafa de vinho entre nós, nossa conversa era suave, assim como o clima em que nos encontrávamos.

— Sabe, eu acho que vamos acabar ficando bêbados aqui e que você nem vai lembrar disso amanhã, então lá vai: — murmurei sentindo-me um tanto desinibida por conta do álcool. — Você não foi o único que estava gostando do momento no carro até eu atacar com a minha versão de açougueiro de pênis —terminei minha confissão corando, o Mellark no entanto gargalhou.

— Eu sabia que estava, era impossível não gostar de pegar no “Peetaconda” — ele rebateu com tom superior.

— Ah, vá se ferrar, você é tão idiota.

— Um idiota lindo, confesse.

— Não, você é apenas um idiota.

— Confesse que eu sou o idiota mais lindo que você já conheceu — Peeta aproximou seu rosto do meu, seus lábios tão perto que eu podia sentir o seu hálito com cheiro de vinho batendo contra meu rosto, meus olhos migraram para sua boca e eu instintivamente, engoli seco.

— Nunca — rebati tentando fazer minha voz sair confiante.

— Vai, Everdeen, não vai doer — roçou seus lábios contra os meus. — Quem é o idiota mais lindo que você conhece? — Peeta mordeu meu lábio inferior e o puxou, minha sanidade estava indo para o ralo, definitivamente!

— É você, Mellark — sibilei quando senti seus lábios roçando de leve nos meus, meus olhos se fecharam sozinhos em antecipação de um próximo contato. Ouvi uma risada e eu estava sozinha novamente.

— Foi mais fácil do que eu imaginei — o loiro resmungou vitorioso, me fazendo gritar de raiva e me fechar em meu quarto.

***

— Ah Katniss, desculpa vai, foi só uma brincadeira — Peeta murmurava do outro lado da porta do meu quarto.

Suspirei e me virei na cama, pelo bem físico de Peeta e da minha ficha policial intacta, decidi deixá-lo longe de mim, beber me deixava um tanto... Violenta?

Mais meia hora havia se passado e Peeta continuava a soltar frases esporádicas diante de minha porta e eu apenas ignorava, apesar da vontade de acertar meu punho em cheio naquele rostinho lindo dele.


— Qual é, Katniss... Você quase me deixou estéril e nem por isso eu virei a cara pra você, poxa você desejava tanto assim me beijar? Se eu soubesse juro que teria realizado seu desejo, não seria um sacrifício tão grande assim.


A cada nova frase ele conseguia me irritar ainda mais; porém, eu estava decidida a não sair desse quarto em hipótese alguma, bom, era o que eu pensava.


— Então quer dizer que a senhorita Katniss Everdeen tem um caderno cheio de composições? Oh, isso eu realmente preciso ver — Peeta cantarolou com a voz carregada em um tom zombeteiro.


Meu coração gelou e perdeu uma batida, ele podia fazer tudo, pedir tudo e falar o que quisesse, mas mexer em meu caderno de composições não era uma opção, poxa eram meus sentimentos ali e eu não queria dividi-los com ele. Levantei da minha cama na velocidade da luz e corri até destrancar a porta e dar de cara com o aquele pedaço amaldiçoado de gente balançando meu caderno em suas mãos, apertei minhas mãos em punhos antes que eu o estrangulasse.


— Peeta Mellark, pelo bem de seus órgãos genitais, devolva-me meu caderno — falei com um tom de voz baixo, evitando gritar. — Agora.


Peeta me olhou com uma cara amedrontada e estendeu o caderno em minha direção, essa definitivamente tinha sido fácil.


— Ok, Kat... Eu lhe devolvo — suspirou audivelmente. — Se você conseguir me pegar!


Olhei aquilo tudo incrédula, ele estava mesmo falando sério? Vi que ele não parou de correr pelo meu apartamento e fiz a coisa mais sensata que poderia: sai correndo atrás do maldito.


— Devolve meu caderno agora antes que eu te mate, seu maldito — sibilei correndo atrás do loiro que não parava e ameaçava ler uma de minhas composições.


— Ah, deixe de ser chata, Katniss Maria da Silva, são só musicas — Peeta corria de costas e ria em minha direção.


Continuamos correndo por mais dois minutos, quando avisto minha mesa de canto e tenho uma ideia, e motivada por um impulso homicida, me preparo.


— É agora que você morre, seu idiota! — grito pegando o vaso de vidro que continha as rosas que meu pai me mandara. Retirei-as rapidamente e joguei em direção a Peeta que tentou desviar indo exatamente para onde eu havia jogado o vaso, acertando sua cabeça em cheio e puft, o loiro caiu no chão.


" Katniss, sua imbecil, você matou essa perdição."


"Oh meu Deus, o que eu faço agora?"


"Querida, eu não sou Deus, mas eu sei que você está ferrada! Matar um cara tesão te dá cem anos de sequidão sexual."


"Oh sua maldita, não jogue praga."


"Não é praga, é a consequência que você vai ter que enfrentar por ser uma vadia burra e não deixá-lo ler, custava alguma coisa?"


Decidi parar de dialogar com o meu álter ego e fui ao socorro do loiro desmaiado no chão da minha sala, mas não sem antes fazer uma nota mental: marcar um psicólogo, conversar consigo mesmo não deve ser normal.


Me aproximei do corpo caído no chão e vi que ele permanecia desacordado, corri até meu quarto e voltei para a sala munida do meu kit de primeiros socorros, embebi um algodão em álcool e comecei a passar em frente ao nariz do loiro que após alguns segundos acordou.


— O q-que... O que aconteceu? — perguntou Peeta com as mãos sobre a cabeça.


Suspirei fundo, teria que contar a verdade, era a melhor alternativa. Contei desde o momento que ele começara a me irritar até o desespero que entrei achando que iria parar na cadeia, ouvi alguns impropérios, mas no final, ele nada falou.


— Bom, eu realmente sinto muito — suspirei. — Eu tenho grande ciúme do meu caderno, eu nunca mostrei minhas músicas para ninguém, tenho medo que não sejam boas o bastante e que acabe passando vergonha por conta disso — murmurei abaixando o rosto.


Peeta suspirou e passou seu dedo indicador por minha bochecha, parando em meu queixo e me obrigando a fitá-lo.


— Katniss, nunca deixe que ninguém diga que não é boa o bastante e que seu trabalho não está sendo da forma correta, se você se sente bem com ele é sinal de que ele está no mínimo perfeito, nem que seja apenas para você — concluiu o loiro com um sorriso doce em seus lábios.


— O-obrigada, Peeta — murmurei sem jeito, sem saber exatamente o que dizer.

— Não me agradeça, eu não te conheço na verdade e sei que passei uma imagem um tanto quanto errada de mim, mas pelo pouco que ouvi pela porta do restaurante sei que não precisa te medo de mostrar seu trabalho para alguém, eu realmente queria ver uma de suas músicas, mas o vaso que atingiu minha cabeça me fez entender que isso não é possível — disse com um tom brincalhão que me fez sentir culpada.


— Me desculpe, realmente — suspirei e murmurei em um tom baixo. — Você pode vê-las, se quiser, até escolha alguma para que eu cante, acho que lhe devo isso.


— Oras, se soubesse que poderia ser gentil assim, Senhorita Everdeen, teria feito jogar um vaso em mim antes — murmurou o loiro em tom brincalhão. —Agora é minha vez de me desculpar, eu tenho realmente sido um idiota desde que nos conhecemos, então vamos faze isso direito e depois você canta para mim, pode ser?


Não entendi muito bem o que ele queria com isso, mas apenas assenti com a cabeça e vi com confusão estampada no rosto quando Peeta sai do meu apartamento e logo após ouço a campainha, soltei um leve riso e fui atender.


— Olá, aqui por acaso é a casa da senhorita Everdeen? — pergunta Peeta de forma cortês.


— Oh sim, sou eu mesma, quem gostaria? — entro na brincadeira, segurando-me para não rir.


— Sou Peeta Mellark, prazer— estende sua mão em minha direção e eu rapidamente a aperto. — Vim em paz para lhe pedir desculpas pelo idiota que estava aqui há minutos atrás, não garanto que ele não dê as caras novamente, mas juro que tentarei segurá-lo o máximo possível.


Não aguentando mais, solto uma leve gargalhada e mando-o entrar, e voltamos para nossa posição anterior.Alguns minutos se passaram e Peeta apenas observava minhas composições com um sorriso estampado no rosto, mas nada falava, me deixando a cada segundo mais apreensiva.

O loiro tira os olhos do caderno e me olha, retirando o sorriso que estava ali antes.


— E então, senhor Mellark? — pergunto visivelmente apreensiva.


— Katniss, eu tenho que lhe dizer com toda a sinceridade — Peeta diz com um tom sério e respira fundo e então continua. — Eu nunca vi musicas iguais as suas, trabalho nesse ramo há tanto tempo e nunca encontrei composições desse jeito e bom, acho que é disso que precisamos por agora, suas letras são incríveis, mas eu particularmente fiquei encantado com uma e gostaria mesmo que você cantasse para mim.


Eu apenas assenti e ele me mostrou a sua escolhida.


— Só espere um minuto, vou pegar meu violão e já canto para você.


Corri até um quartinho que ficava ao lado da cozinha e peguei meu violão, voltei correndo para sala e Peeta me esperava com um sorriso grande em seu rosto.


Me posicionei no sofá e quando ia começar a tocá-la, o loiro a minha frente me impede.


— Sabe Katniss, eu só queria saber antes o motivo de ter escrito essa música, você não me parece ser do tipo que escreve qualquer coisa porque acha que vai dar sucesso. Parece tudo vir do coração, não sei.


Soltei o ar que eu nem mesmo percebera que havia prendido e com uma voz baixa murmurei:


— Eu sou natural do Texas, sempre tive o sonho de ser cantora e todos sabiam disso — pausei mergulhando em minhas memórias. — Todos na minha cidade me conheciam e diziam que eu um dia faria sucesso —ri sem humor. —, quer dizer, quase todos. Na época que escrevi essa música eu namorava um cara oito anos mais velho, Marvel sempre tivera sido muito bom comigo, mas depois de um tempo as coisas começaram a mudar, ele já não me dava tanta atenção e uma série de brigas começou a surgir.Um belo dia eu descubro que ele estava me traindo, eu o amava, mas ele parecia não sentir o mesmo. Então, depois de um tempo, ele sofreu um acidente, me ligaram do hospital e falaram que ele havia dado meu número como emergência. Ele estava realmente muito mal, me desesperei e fui para o hospital, resumindo: eu cuidei dele porque sua amante, uma tal de Cashmere, fora embora ao saber que ele estava condenado a uma cadeira de rodas e eu era a única pessoa que ele tinha. Eu o perdoei e voltamos a ficar juntos e tudo ia as mil maravilhas, mas depois de um tempo ele voltou a ser exatamente o que ele era quando estava me traindo, e bom, ele havia se recuperado da lesão da coluna, ele voltara a ser o homem de sempre, a tal Cashmere descobriu isso e veio de volta para nossas vidas e ele menosprezou tudo que eu fiz por ele e disse que eu nunca realizaria meu sonho, pois era chorona de mais para isso . Eu dei uma bela surra nos dois e depois vim embora tentar a sorte aqui, mas como deu pra ver, não deu certo e foi assim que surgiu essa música e muita das outras, mas apesar de tudo, eu ainda tenho esperanças e sinto que algum dia as coisas vão dar certo. Eu sempre vou me levantar, eu não nasci para ficar no chão.


Peeta se aproxima de mim e sem falar nada, seca as lágrimas que eu nem ao menos sabia que haviam escorrido pelo meu rosto. Seu rosto estava tão próximo ao meu, nossas respirações pareciam se fundir e quando menos esperei, ele colou seus lábios aos meus e um choque pareceu ascender todo o meu corpo, aquilo era estranho. Estranhamente bom.


Seus lábios macios deslizavam sobre os meus e a ponta de sua língua tracejou meu lábio inferior e inconscientemente eu os abri, dando passagem em minha boca. Nosso beijo que havia começado calmo agora parecia distribuir um fogo que começava onde suas mãos tocavam e se espalhavam por cada milímetro do meu corpo pro meio de minha corrente sanguínea.


O ar começou a se fazer necessário e Peeta se afastou de mim, suas orbes antes tão cristalinas agora se encontravam em um tom de azul cobalto.


— Katniss, me desculpe, eu não devia ter feito isso.


— Se arrepende, por acaso? — perguntei sentindo um estranho aperto no peito.


Peeta me encarava com os olhos arregalados, demonstrando surpresa pela minha pergunta.


— Oh Katniss, faça-me o favor de não fazer perguntas idiotas — murmurou ele rolando os olhos. — Não sou do tipo que se arrepende, só acho que não posso te tratar como todas as outras.


Passo alguns segundos encarando-o, o que isso queria dizer, afinal? Que eu não sou como as outras? Que eu não sou atraente? Oh por Thor, eu aqui, tentando acalmar meu ser por causa de um simples beijo que recebi de certo loiro e o mesmo me dispensando segundos depois, que vida de merda.


— E por que eu não posso ser tratada como qualquer uma das outras?


— Porque um pouco mais cedo certa moça de olhos acinzentados me disse que não era igual às outras, e eu não sei o motivo, mas eu concordo com ela.


O silêncio se tornou maciço dentro da sala, não havia nada o que dizer, afinal, eu não sabia mesmo o que dizer, apenas o encarei e ele fez o mesmo, depois de um tempo o silêncio começara a se tornar pesado demais para suportar e decidi quebrar o climão.


— Então, preparado para ouvir minha voz de gatos estrangulados? — cantarolei risonha.


— Oh, estou prontíssimo, dona gata-escaldada — Mellark faz uma reverencia e entrega-me o violão roxo trabalhado com estrelas pratas.


Os primeiros acordes começaram a sair suaves e eu me preparei para começar.

"Skies are crying, I am watching
Catching teardrops in my hands
Only silence as it's ending
Like we never had a chance
Do you have to make me feel like
There is nothing left of me?"

As notas saiam com tanta naturalidade e as palavras pareciam saltar de meus lábios com facilidade, e os olhos do loiro somente queimavam sobre minha pele, instintivamente eu quis, dar o melhor de mim.

"You can take everything I have
You can break everything I am
Like i'm made of glass
Like i'm made of paper
You can take everything I have
You can break everything I am
Like i'm made of glass
Like i'm made of paper"

Os olhos de Peeta agora se encontravam fechados e ele parecia absorver cada palavra ou nota produzida por mim e meu violão e aquilo me fez seguir o seu exemplo, fechei meus olhos e deixei que a intensidade de cada uma das palavras escritas por mim mostrassem de alguma forma a minha vida.

"As the smoke clears, I awaken
And untangle you from me
Would it make you feel better
To watch me while I bleed?
All my windows still are broken
But I'm standing on my feet

You can take everything I have
You can break everything I am
Like i'm made of glass
Like i'm made of paper

Go on and try to tear me down
I will be rising from the ground
Like a skyscraper!
Like a skyscraper!"

Aumentei o ritmo da música entrando em seu desfecho, soltando dento de mim o que por tanto tempo eu segurei, minha voz.

"Go, run, run, run
I'm gonna stay right here
Watch you disappear, yeah

Go, run, run, run
Yeah it's a long way down
But I am closer to the clouds up here

You can take everything I have
You can break everything I am
Like i'm made of glass
Like i'm made of paper, Oh

Go on and try to tear me down
I will be rising from the ground
Like a skyscraper!
Like a skyscraper!
Like a skyscraper!
Like a skyscraper!"

Ao terminar a música abro meus olhos e me deparo em um loiro a centímetros de mim, sorrindo.


— Eu definitivamente devo admitir, que finalmente encontrei alguém melhor que eu, claro que eu sou mais gostoso, mas você é definitivamente divina, Kat — Peeta sorri e comenta com uma voz divertida, me fazendo rir de seu comentário cretino.


— Pelo menos você tem que se achar mais gostoso do que eu — rebato e ele me dá a língua. — Agora é sua vez de cantar para mim.


— Oh, não faça isso, por favor.


— Deixe de reclamar e cante logo, seu aguado.


— Cruzes, que mulher mandona — murmura rindo e tomando meu violão.


***

Ficamos cantando e conversando horas a fio. Peeta não era tão idiota como se mostrara no começo, na verdade ele era muito mais interessante do que eu podia imaginar algum dia, mas ainda era um idiota.

Conversamos sobre tudo e sobre nada; desde as loucuras que as fãs faziam por ele, até como era sua relação com sua família.


No decorrer da noite, mais alguns beijos foram trocados. A madrugada já se fazia presente e o sono parecia querer tomar conta do meu corpo, mas eu não queria dormir, não queria me deitar e deixar que tudo o que estava acontecendo terminasse, eu realmente não entendo o que está acontecendo e nada disso faz sentido, mas só de pensar que quando o sol nascer Peeta Mellark vai embora e nunca mais vai se lembrar da maluca que quase o deixou estéril e o nocauteou com um vaso de flores, parece apertar meu coração a ponto de fazê-lo sangrar.


Já estávamos deitados em minha cama, um de frente para o outro sem mais nada dizer, seu olhar queimava minha pele de uma forma que eu não era capaz de entender.


— Desculpa Katniss, mas acho que não posso mais me controlar— Peeta aproxima ainda mais seu corpo do meu e sua mão adentra em meus cabelos, me puxando para um beijo que foi capaz de fazer meu coração perder o compasso das batidas.

Nossas línguas batalhavam em uma batalha que nenhum dos dois sairia perdendo, nessa batalha só haveria vencedores e eu particularmente, estava adorando isso. Suas mãos fortes me giraram na cama, seu corpo grande e musculoso se depositando sob o meu. O ar se fez necessário e sua boca deslizou até o lóbulo de minha orelha, depositando uma mordida ali que fez todos os pelos de meu corpo se arrepiarem.


— Katniss, por favor, me faça parar, antes que seja tarde demais — Peeta suplicou em um sussurro.


— Já é tarde demais, Mellark — sibilo antes de embrenhar minhas mãos em seus cabelos, puxando-o para mim em um beijo exigente.


O beijo era agressivo e cheio de desejo, as salivas se misturando, as línguas batalhando, mordidas eram depositadas nos lábios em um ritmo frenético que eu desejava que nunca se esgotasse. Peeta escorregou suas mãos, que antes estavam em meus ombros para meus seios, os apertando sem muito cuidado, me fazendo soltar um gemido sôfrego. O beijo foi interrompido e o loiro começou a distribuir beijos molhados por toda a extensão do meu pescoço, fazendo meu corpo chegar à temperatura de ebulição.


— Tem certeza de que não quer parar por aqui? Eu vou entender — murmura Peeta com a voz rouca.


— Eu quero isso tanto quanto você, Senhor Mellark.


Com um pouco de força, consigo girar nossos corpos sob a cama, ficando sobre ele. Sem nada dizer, sento-me sobre suas pernas sentindo sua ereção prensada pelo grosso jeans de sua calça. Lanço lhe meu melhor sorriso e arranco minha blusa do pijama que havia colocado recentemente.

Debruço meu corpo sobre o corpo másculo do Mellark e inicio um caminho de beijos, mordidas e lambidas desde sua clavícula até sua nuca e refaço o caminho inverso. A respiração do loiro se torna mais pesada, carregada de desejo.


Sento-me novamente e retiro sua camiseta, logo em seguida deslizando minhas unhas compridas sobre os músculos trabalhados do peito e abdômen do meu querido superstar.


Peeta nos gira novamente, ficando sobre mim. Suas mãos vão para minhas costas em busca do fecho do sutiã que é facilmente solto e arremessado em alguma direção do quarto. Seus olhos caem sobre meu busto despido e seus orbes se tornam um azul tão escuro, quase se aproximando do negro.


— Tão lindos, Katniss — Peeta suspira com a cabeça entre o vale dos meus seios e logo em seguida suas mãos grandes se apossam da minha carne sensível.


Seus dedos prendem os meus mamilos rijos entre eles, fazendo uma fricção capaz de me levar às alturas. Sua boca cai sobre a minha em um beijo exigente, cheio de paixão e desejo, quando o beijo chega ao fim, diversos selinhos são distribuídos até que ele abocanha meu seio esquerdo, chupando, mordendo, provocando, me enlouquecendo.


Gemidos e palavras desconexas escapavam de meus lábios em forma de lamúria. Peeta transfere sua atenção de um seio para o outro e minhas mãos simplesmente tratam de marcar as costas do loiro com arranhões que ficariam ali por dias, mas ele não parecia se importar, pelo menos seus gemidos diziam isso.


O Mellark levanta sua cabeça e me olha como pedindo permissão, com suas mãos estancadas no cós do short de meu pijama e eu apenas afirmo com a cabeça, e em um movimento lento e torturante ele desliza a peça juntamente com a minha pequena calcinha de renda.


Seus olhos passeiam por todo o meu corpo e foi inevitável corar, o que fez o loiro sorrir mais abertamente.


— Você já é linda naturalmente, nua e corada chega a ultrapassar os limites da perfeição. Perfeição essa que vai ser minha.

Antes mesmo que eu fosse capaz de formar alguma frase de resposta, o projeto de filho de Adônis em minha frente se inclina até seu rosto ficar na altura de meu ventre. Peeta lança em um sorriso tão malicioso que foi capaz de me excitar ainda mais, se é que isso é algo humanamente possível.

Suas mãos fortes levantaram minhas pernas e as depositaram sobre os ombros musculosos, eu estava literalmente aberta para tudo que ele quisesse fazer comigo, no momento eu era a sua submissa e não me importava nenhum pouco com isso.

Ele começou a distribuir beijos molhados e mordidas suaves por toda a extensão de minhas pernas, começando dos meus pés, chegando até a virilha, mas sempre desviando do local que eu mais precisava tê-lo. Seu joguinho foi mantido por alguns minutos e a cada desvio que o loiro fazia, um bufo de frustração saia de mim, mas eu daria um jeito nisso e seria agora.

— Peeta, por favor, não me torture mais — pedi com a respiração entrecortada em forma de gemido.

— Shiu, apressadinha, tudo no seu tempo — replicou em um tom zombeteiro.

— Desculpe, mas eu não quero mais esperar.

Peeta me encarava sem compreender onde eu queria chegar, sua cara de confusão sumiu como um passe de mágica no mesmo instante que desci minhas mãos até o meu sexo e comecei a estimular-me, se ele não fizesse por mim, eu mesma faria. A cada segundo eu aumentava o meu ritmo de acordo com a minha necessidade e o loiro estacado em minha frente só olhava tudo com um brilho de desejo estampado nos olhos e gemidos estrangulados que escapavam de seus lábios comprimidos.

Eu estava perto, muito perto de chegar ao orgasmo, minhas pernas amoleceram sobre os ombros do meu querido superstar, meus músculos começavam a se contrair, apenas mais alguns movimentos e eu teria minha liberação... Isso é, se Peeta Mellark não fosse tão irritante e tivesse segurado minhas mãos

— Nem pense em terminar com isso, apesar de ter sido a imagem mais sensual que eu já presenciei em toda a minha vida, hoje você só chega ao orgasmo se for por minha causa — sorriu malicioso.

Peeta tomou meus lábios em um beijo exigente, cobrindo meu corpo com o seu esculturalmente trabalhado e sua majestosa ereção roçando em meu ventre. Gemer foi inevitável, o homem parecia obstinado a me enlouquecer, definitivamente.

Conforme sua língua se movimenta em minha boca, seu quadril seguia no mesmo ritmo, quase me levando ao céu. O ar se fez necessário e nos separamos, Peeta mais uma vez me dirigiu um de seus sorrisos sacanas e começou a traçar uma linha de beijos, mordidas e pequenas lambidas, se iniciando em meu maxilar e descendo por toda a extensão do meu corpo até alcançar minha feminilidade. Sua língua exigente simulava a penetração em minha fenda já tão úmida, beijos foram distribuídos por todo meu sexo, sua língua mais uma vez começou a passear, mas dessa vez exatamente onde eu precisava.

Peeta puxava meu clitóris delicadamente entre seus dentes e sugava-o logo em seguida me levando a um nível de excitação nunca antes conhecido por mim. Meu corpo dava sinal de que estava próximo ao orgasmo, quando o homem entre minhas pernas se deu conta disso, me penetrou com dois dedos de uma vez me fazendo arquear as costas e explodir em orgasmo tão violento que fez todo meu corpo tremer.

Minha respiração se encontrava desregular, meu corpo ainda não havia se recuperado totalmente, meus olhos estavam apertados, tentando voltar ao mundo atual, mas de nada adiantou, pois antes mesmo que eu pudesse me recuperar sinto Peeta me penetrando com força, estocando fundo e rápido dentro de mim.

Nossos corpos se mexiam em um ritmo frenético e não havia nem ao menos necessidade de palavras ou pedidos, parecíamos conectados não só de corpo, mas também mentalmente. Suspiros e gemidos podiam ser ouvidos em alto e bom som, o choque dos corpos, os beijos, os movimentos, tudo em perfeita sincronia.

Minhas unhas marcavam a pele branca das costas do loiro, enquanto suas mãos seguravam-me possessivamente sobre a cintura. Meu corpo já parecia estar sob uma nuvem novamente e quando menos esperei, meu corpo foi arremessado em queda livre por conta do orgasmo que acabara de me abater, pelo menos essa era a sensação que eu tinha. Mellark estocou mais um par de vezes e se derramou dentro de mim, completando-me.

Seu corpo exausto caiu sobre o meu e ficamos assim por um tempo, apenas nos sentindo. Segundos, minutos, horas ou dias, não importa, o tempo passava e ainda estávamos conectados.

Peeta rolou na cama finalmente saindo de dentro de mim e logo em seguida me puxando para deitar em seu peito.

— Isso foi... — buscou as palavras. — uau! — finalizou o loiro me fazendo rir.

— É, acho que uau pode ser uma definição para isso — ri, depositando um selinho em seus lábios.

Passamos um tempo em silêncio, foi quando algo que passava por minha mente escorregou por meus lábios aplicando uma grande tensão ao ar:

— Pelo jeito eu realmente sou igual a todas, olha o jeito que estamos acabando nossa noite — ri ironicamente. — Parece que apesar de ser tão irritante, você estava certo desde o início, dormiríamos juntos e amanhã você não vai nem lembrar meu nome.

— Katniss — Peeta suspirou e puxou meu rosto em sua direção. — Eu não estava certo, nunca estive na verdade, como você mesma sabe, eu sou um idiota — sorriu torto. — Quando eu disse que você não era igual às outras, era verdade, porque Everdeen, eu vou lembrar muito mais do que seu nome amanhã de manhã.

Sorri involuntariamente.

— Será mesmo, Mellark?

— Pode apostar que sim — beijou minha testa e eu bocejei, sentindo o sono se apossar de meu corpo. —Agora durma, Senhorita Everdeen.

— Eu vou — murmurei entre outro bocejo, me aconchegando mais em seu corpo. — Sabe Peeta, você é o ser mais fodidamente irritante da face da Terra, e ainda assim, acho que nunca vou conseguir lhe esquecer — sussurrei fechando os olhos.

— Ainda bem, pois não quero que você me esqueça, nunca.

E essas foram as últimas palavras que ouvi antes de ser tragada pela escuridão de um sono sem sonhos.

***

Três semanas haviam se passado desde o dia dos namorados, devo dizer que não foi surpresa nenhuma acordar na minha cama, nua e sozinha, com um frio que estranhamente se apoderou de todo meu coração. Como uma criança que acredita em Papai Noel eu acreditei que Peeta Mellark realmente se lembraria de mim ou estaria por perto quando eu acordasse, mais uma vez, fui usada.

Levantei-me da cama que infelizmente me traziam lembranças e fui me arrumar, já se passavam das 18:00, tinha que ir trabalhar. Aprontei-me o mais rápido possível e segui em direção ao restaurante, ciente de que já estava uma hora atrasada. Cheguei toda esbaforida e ofegante por conta da corrida do metrô até o restaurante e logo na entrada Gale me esperava com uma cara nada boa, era hoje que eu seria demitida.

— Catnip você... — cortei-o imediatamente.

— Já sei, já sei — engrossei a voz em uma tentativa frustrada de imitá-lo. — "Catnip, você está atrasada, para variar um pouco. Tem muita sorte que o seu chefe te tem como melhor amiga, se não já estava no olho da rua, que isso não se repita mais e bláblábláblá." — finalizei com um bufo. — Enfim, eu já sabia disso, agora me deixe ir trabalhar — quando iria me encaminhar para dentro do restaurante, Gale segurou meu braço suavemente e me puxou de volta para ficar de frente dele.

— Primeiro: Eu não falo com essa voz de travesti resfriado. E segundo: dessa vez não era uma bronca, queria te dizer que tem um cliente sentado há duas horas em uma mesa, exigindo ser atendido por você, minha querida.

— Velho, quem é o maníaco que está me esperando há duas horas? Cruzes, porque não disse que eu morri? — resmunguei deixando todo o meu "bom humor" transparecer.

— Catnip, pare de glicose anal e vá logo atender aquele cliente, no final das contas, você é paga para isso — cantarolou Gay-lee em um tom zombeteiro.

— Sabe, eu odeio você — sai batendo o pé.

— De nada, Catnip — gargalhou Gay-lee.

Maldito, maldito, maldito.

Tomei posse do meu bloquinho e encaminhei-me de cabeça baixa em direção ao taradão que me esperava.

— Boa noite, posso anotar o seu pedido? — nem me dei ao trabalho de encará-lo, aquilo era irrelevante e meu humor não estava tão bom assim a ponto de ser simpática.

— Eu gostaria que me olhasse enquanto me atende, ou é difícil demais para a capacidade mental da senhorita realizar tal feito? — reclamou um homem de voz estranha, respirei fundo antes que enfiasse minha caneta de ponta fina em seus olhos. Armei-me de meu sorriso irônico e levantei minha cabeça, porém, congelei no mesmo instante.

— O que você faz aqui?

— Surpresa — comentou sorridente.

— Surpresa? Surpresa, Mellark? Como ousa aparecer aqui depois de toda a merda que aconteceu? Será que você é algum tipo de retardado mental? Eu não posso acreditar nisso, realmente não posso — passei as mãos no rosto nervosamente. — O que você quer de mim? O que veio fazer aqui afinal de contas? Veio me enganar e me iludir mais uma vez? Ou melhor, veio atrás de mais uma noite de sexo? Oh porque se for isso, me avise, afinal de contas, tenho que me preparar para acordar nua e sozinha na minha cama no outro dia. Eu disse que não conseguiria te esquecer e você disse que não queria que eu me esquecesse, mas acho que sumir na manhã seguinte não era uma boa forma de demonstrar isso — Peeta tentou me interromper, mas não o dei tempo. — Sabe, eu contei coisas para você que eu não falava para ninguém há muito tempo, eu me abri com você, literalmente falando, não é verdade? — ri ironicamente. — Eu tenho certeza que mereço o premio de a maior trouxa do universo, afinal, eu acreditei mesmo que eu era diferente para você, Mellark — suspirei sentindo minhas mãos tremerem. — Eu devo ser mesmo muito idiota, o pior de tudo é que depois de três semanas, três semanas Peeta, você me aparece aqui sorrindo como se merda nenhuma tivesse sido feita, aparece aqui como se eu fosse um brinquedo, você é um cretino — descarreguei toda minha raiva em meu confuso desabafo e estapeei um lado de sua face. Peeta me encarava com os olhos imparciais.

— Acabou com o seu monologo, Everdeen? — perguntou sério.

— Oh não está muito longe de acabar.

— Não, não está.

Antes mesmo que eu fosse capaz de rebater, Peeta colou seus lábios nos meus.

De começo tentei empurrá-lo, mas no fim me rendi, todos no restaurante que presenciavam a nossa "pequena DR" aplaudia-nos calorosamente. Já ofegantes nos separamos e quando ia xinga-lo mais uma vez, Peeta tampa minha boca com suas grandes mãos.

—Ok, Katniss, você já falou de mais e agora é minha vez. Eu sumi no outro dia e como sou um belo idiota, me esqueci de pegar o número de seu celular, sei que isso não é justificativa para sumir por três semanas, mas eu lhe prometi que realizaria seu sonho e fui atrás disso. Movi mundos e fundos, corri atrás de muitos empresários, de contatos que fossem o suficiente para fazer o que você mais desejava, eu consegui te colocar exatamente no lugar que você merece e sou recebido com patadas, magoou — sorriu abertamente. — Parabéns, Katniss Everdeen, você cumpriu sua parte no acordo com perfeição e o bônus, nossa aquilo foi incrível, ou melhor, foi "uau" — ri da citação idiota das nossas palavras de semanas atrás. — E aqui está a minha parte — Peeta se abaixou e tirou de baixo da mesa uma caixa grande e branca e me entregou sorridente. — Abra.

— Mas o que é isso? Quer mesmo que eu abra aqui, Peeta?

— É, quero que todo mundo veja que a minha princesa merece o melhor e que eu, apesar de ter sumido por três semanas e depois aparecer aqui na maior cara de pau, quero lhe fazer feliz, se me permitir. Porque como eu disse, Senhorita Everdeen, você é realmente diferente — finalizou com um sorriso no rosto e foi impossível não retribuir.

Abri a delicada caixa e de lá tirei um lindo vestido longo, salmão tomara que caia com um decote em formato de coração e bordado na parte superior com pequenos cristais.

— Nossa Peeta, é lindo.

— Que bom que gostou.

— Mas ainda não entendi, por que você me deu esse vestido? Não acho que eu tenha nenhum lugar adequado para usá-lo, só se esse for o novo uniforme que o Gay-leezinho colocou.

— Katniss, Katniss... — suspirou meneando a cabeça. —, ainda bem que você é bonita, tem uma voz incrível, compõem muito bem é boa de cama, muito boa, aliás. Muito boa não, maravilhosa — riu e estapeei seu braço sentindo minhas bochechas esquentarem, Peeta era realmente um idiota. — Mas é tão lerdinha.

— Ora seu aguado, quem está chamando de lerdinha?

— Deixe de ser emburrada, Everdeen. Esse vestido não é o novo uniforme do restaurante e devo dizer que essa foi a piada mais cretina que você já fez em minha presença — Peeta riu e eu apenas rolei os olhos. — Eu quero que você use-o amanhã de noite, na sua primeira audição de verdade nos Teatros da Broadway.

— O-o que? — perguntei sentindo minhas pernas fraquejaram.

Ouvi vozes ao fundo e tudo que realmente sei é que mais uma vez, mergulhei em uma escuridão.

***

Seis anos se passaram desde que conheci meu tormento pessoal. Não há maneiras de não lembrar o quanto aquele idiota foi capaz de me irritar e de como terminamos a nossa noite. Várias lembranças são acarretadas após aquele dia dos namorados e daquela maldita manhã que acordei sozinha na cama, mas eu realmente não mudaria nada.

— Um beijo por seus pensamentos — murmurou o homem de 1,85 ao meu lado na cama.

— E quem disse que seus beijos valem tanto assim, Senhor Mellark? — perguntei zombeteira, rolando para cima dele na cama.

— Ora, eles valem muito mais, mas sou bonzinho e te dou esse bônus, Senhora Mellark— comentou rindo, e o acompanhei.

— Já se passaram seis anos e você continua sendo um idiota — rolei os olhos. —Estava pensando em nossa história, de como tudo começou estranho e resultou em um casamento, carreira na Broadway e... — fui interrompida por duas coisinhas pequenas que adentraram nosso quarto correndo.

— Eu te entendo amor e sei que completaria a frase com "gêmeos", mas parece que só de pensarmos neles, essas coisinhas aparecem, não é?! — Peeta murmurou sorridente puxando nossos dois pequenos para a cama.

— Mama e Papi, o Ian fica pegando meu bloquinho de desenho e escondendo — reclamou a garotinha de cabelos loiros e olhos acinzentados.

— Mentira papitos, a Megan que fica comendo meu giz de cera — retrucou o loirinho de cabelos cacheados e olhos de um azul muito intenso.

Começaram um pequeno bate boca com suas palavrinhas enroladas de bebês, exigindo que tomássemos alguma providência um contra o outro, nos fazendo rir. Eu e meu esposo conseguimos acalmar os ânimos dos nossos pequenos e logo em seguida saíram correndo de mãozinhas dadas de volta para o quartinho de brinquedos, foi inevitável rir.

— Eles realmente se parecem muito conosco, olha lá, acabam de brigar e logo depois estão de mãozinhas dadas, um arrastando o outro — Peeta gargalhou.

— Fazer o que, passamos isso para ambos no DNA — me aconcheguei novamente em seu peito.

— Sabe Kat, nós realmente começamos isso de uma forma meio estranha, inclusive pelo fato de quase me deixou estéril — seu peito tremeu por conta da risada e eu me escondi mais contra ele, aquilo com o passar dos anos não deixava de ser vergonhoso. — Mas apesar de tudo isso, eu não mudaria nada, nem um mínimo detalhe. Eu sou feliz ao seu lado e ao lado dos nossos pequenos frutos, sou feliz por nosso casamento de cinco anos e pelos nossos filhos de três. Sou feliz por ter saído com aquela estranha no dia dos namorados e acabar minha noite com você, eu te amo minha pequena açougueira — finalizou rindo e eu mordi seu peito. — Ai Kat, doeu — resmungou alisando o lugar, me fazendo rir.

— Eu também não me arrependo de nada e se voltássemos no tempo, eu faria tudo igual, tudo de novo. — dei-lhe um selinho. — Eu te amo, meu querido superstar e vou lhe amar para sempre e sempre...

— Feliz dia dos namorados, amor.

— Mas Peeta, hoje não é dia dos namorados.

— Com você, amor, todo dia é dia dos namorados.

Peeta uniu nossos lábios e mais uma vez eu soube que devia agradecer muito ao meu melhor amigo por me fazer ficar no restaurante, pois por causa dele, eu realmente encontrei a felicidade, por causa dele eu estou nos braços de alguém que passou do meu ídolo para marido. Realmente há males que vem para bem e o meu veio para me fazer completa.

Notas finais
Eeeee essa foi mais uma one shot de CE
O que acharam? Muito blah né?! Clichê ao extremo? Legal? Mais ou menos? Se mata, katmellark? O que acharam? Sabe, aceito seus comentários, sejam eles bons ou ruins, só não me ameacem de morte porque eu tenho um traseiro lindo, seria uma perda muito dura para o mundo e o Peeta não aguentaria u.u
Enfim, pra quem ficou curioso sobre a aparência dos lindos gêmeos Ian e Megan Mellark, aqui estão os meus filhotes *-* :
http://migre.me/guRRv
http://migre.me/guRVC
Enfim, é isso... Espero comentários e se possível, recomendações, não só por mim, mas por tooooodos os outros autores lindos que se empenharam pra caramba para dar vida a CE.
BeiJoshes&Mellarkissus, Katmellark.