Notas iniciais
Autora: Katmellark
Censura: +16
Gênero: Romance, Comédia, Universo Alternativo.

N/A: Hello, sweeties *-*
Aqui quem vos fala é a autora de QB - jura, velho?! '-' -, estou um tanto quanto apreensiva quanto a one, mas espero mesmo que gostem e se gostarem, me digam, se não gostar, digam também, críticas são bem vindas e ajudam a melhorar.
Enfim, é isso sweeties, BeiJosh com sorvete ;-*

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– Katniss, Katniss! — Glimmer estava parada em minha frente com seus grandes olhos azuis esbugalhados. — Você está bem? Estava tão aérea que nem viu que já deu o horário de irmos embora.


– Ah é, eu estou, estou bem. – Suspirei audivelmente — Como foi que um ensaio de Miss Trinket passou tão rápido? Antes tudo era tão cansativo, agora nem ao menos tenho vontade de pausar para descanso, já que nunca estou cansada.


Glimmer me encarava com um sorriso malicioso brilhando em seus lábios e Gale que pegou impulso em demi-plié, se desloca em sissone en avant até ficar parado a nossa frente.


– Deve ser por causa da borboleta da magia que agora faz par com você, né linda?! — Gale rolou os olhos teatralmente e mordeu o lábio inferior — Juro pelo amor da diva Cher, que se eu não fosse tão fodidamente apaixonado pelo meu Brutus-brucutizinho, nem ao menos esperava para atacar essa libélula. – Fez um gesto estranho com as mãos, acho que imitando garras.


Lancei um sorriso desconcertado para ele e suspirei, afinal se ele não fosse tão libélula eu mesma já teria o "atacado". Tratei de espantar esses pensamentos, troquei mais algumas dúzias de palavras com meus amigos e eles se foram, teriam a tarde do dia dos namorados livre. Glimmer para se encontrar com seu amado Gloss– o casal mais brilhante de todo EUA, tanto brilho nos nomes que até dói de pensar — e Gale para encontrar se com sua montanha de músculos particular, ou namorado, se preferir dizer. Já eu, ficarei na companhia para repassar o último ato do nosso próximo espetáculo com o meu tormento pessoal, não que seja difícil ficar perto ou suportá-lo, o difícil era ficar tão perto dele sem fazer nenhuma loucura, do tipo jogá-lo no meu camarim usar e abusar daquele corpo de Adônis.


Acho que ninguém está entendendo mais nada, não é? Bom, vou voltar um pouco para que tudo fique claro com os lindos olhos azuis da minha libélula preferida.


Há sete meses um novo bailarino chegou transferido de uma outra academia de artes e se juntou a SAB. Estava preparada para tudo o que minha carreira quisesse me proporcionar, meu foco era único e exclusivamente profissional e assim eu planejava manter por muito tempo. Nunca me importei com nada e nem ninguém dentro da academia que não fosse eu, meu collant, sapatilha de ponta e meu coque dolorido — mas impecavelmente arrumado -, nem mesmo meus fieis amigos de longa data me faziam perder o foco por um segundo que fosse, até aquela perdição cruzar as portas do estúdio em que eu me encontrava em mais um ensaio de Miss Trinket.


“Ele é lindo”, esse fora meu primeiro pensamento ao cruzar meu olhar com aquele lindo homem enviado do Olimpo. Peeta Mellark, o novo bailarino da companhia, o meu novo delírio.


Sua beleza tão única e angelical roubara meus pensamentos para si ao entrar naquela sala. Dono de cabelos loiros desgrenhados de tanto passar seus dedos por ali, suas orbes de um azul tão cristalino que é impossível não ter vontade de mergulhar ali. Seu corpo de porte atlético com cerca de 1,82 de pura tentação.


Seus lábios rosados e finos pareciam ser o contraste de delicadeza com o seu maxilar quadrado e protuberante, ele definitivamente era a minha versão de perdição.


O tempo foi passando e eu fui descobrindo que além de um deus grego da beleza, ele também era um poço de gentileza, cortesia, simpatia e confiança, mas acho que ele para ser considerado perfeito, teria que ser é.... Hetero?!


Eu sempre perguntava sobre namoradas, relacionamentos e ele era sempre muito evasivo e dizia que decidiu sair da Inglaterra justamente por causa de "um relacionamento fracassado". Gale como a boa libélula saltitante que é, disse que por sempre dar a mesma resposta evasiva, só podia ser uma coisa e essa fora a exata frase que meu melhor amigo dissera: "Esse boy tem muita magia saindo de um de seus orifícios, ou melhor dizendo, entrando", em outras palavras: Corre que o boy é gay e dos mais passivos!


Isso acabou com todas as minhas esperanças de conquistá-lo, pois eu definitivamente estava louca por ele, mas tentar converter um possível gay não era coisa para mim, já que nem de heteros eu conseguia chamar atenção, quem dirá de um gay! Acho que por conta de toda a minha inflexibilidade na hora de seguir as regras, era preto no branco e ponto final, isso sempre levava meus curtos relacionamentos ao fracasso. Enfim, todo o conjunto de beleza e qualidades daquele homem me resultou em suspiros apaixonados por um cara que deve ter mais visitas corporais do que eu mesmo, se é que me entendem.


Eu me apaixonei por aquele bastardo e não desgrudo dele, ele diz que sou sua melhor amiga, mas eu sei que infelizmente, não passarei disso.


Hoje é dia dos namorados como já disse e como a estreia de Red Shoes está se aproximando, decidimos passar esse dia super empolgante — por favor, frise minha ironia — e sem nada para fazer, Peeta achou que seria bom se ensaiássemos mais algumas vezes, já que ele disse que só tem uma pessoa que daqui da companhia que ele queria passar o dia dos namorados juntos, mas que achava difícil, enfim acho que é o Gale, mas isso não vem ao caso. Aqui estou eu sentada, encostada na parede, mandando minha postura para os quintos dos infernos enquanto espero meu querido bailarino me dar o ar de sua graça.


[...]


Já se passaram quarenta minutos do horário marcado para nosso ensaio e ele ainda não chegou. Peeta tinha pego o dia de folga e só chegaria para o nosso ensaio.


Cansada de esperá-lo sentada, me aqueci, reaqueci e nada dele aparecer, quando estava prestes a ir embora, um vulto loiro chega ofegante no estúdio.


– O que aconteceu com você, pelo amor de Deus? — perguntei reparando em seu estado: Camisa branca com os primeiros botões abertos, colete jeans por cima e uma calça de um jeans escuro, mas o ponto alto era a linda mancha vermelha bem no centro de sua camisa. — Você está bem?


Peeta deu um de seus sorrisos capazes de curar o câncer e então me respondeu:


– Fui comprar um vinho e acabei quebrando a garrafa de uma forma ainda não conhecida, ai já estava tarde para voltar em casa e trocar de roupa, por isso peguei outra garrafa e vim ao seu encontro, me desculpe, Kat– Disse rapidamente, passando os dedos por entre os fios loiros de cabelo — Mas trouxe o nosso vinho, uma torta de framboesa, aquela que eu fiz e você tanto adorou, além de um sorvete que já deve ter virado leite. — Peeta disse tudo com uma simplicidade que foi impossível não sorrir.


Só depois de ele relatar tudo o que trazia com ele, foi que reparei em uma espécie de cesta de piquenique em sua mão. Pra que diabos ele tinha trago tudo aquilo?


– Ok, Peeta, mas eu não estou entendendo mais nada. — Sacudi a cabeça de leve — Não íamos ensaiar?


Peeta soltou uma gostosa gargalhada que pode ser facilmente confundida com um coral de anjos, quase me fazendo babar, mas só esperei que ele falasse com a minha melhor cara de "o que você está fazendo, seu umidificador de calcinhas?"


– Claro que vamos ensaiar Katniss, mas eu nunca deixaria que o nosso — Se aproximou mais de mim, enlaçando minha cintura — primeiro dia dos namorados juntos fosse um fracasso. — Sussurrou perigosamente perto de minha nuca, depositando um beijo ali — Agora espere aqui que vou colocar o sorvete no freezer e trocar de roupa, já volto.


Peeta saiu do estúdio com o seu sorriso ainda mais brilhante — digno de comercial de creme dental — me deixando parada como uma boba e com um arrepio se espalhando por meu corpo. Ok, esse foi o momento mais hetero que já presenciei do bonitão ali. Deus me ajude para que eu não estupre esse deus grego hoje. Ok? Amém? AMÉM JESUS!



[...]



Já se passavam das dezenove horas e eu estava exausta! Ensaiamos por horas a fio e Peeta não teve nenhum outro momento fodidamente hetero como antes, para meu desespero. Passar o dia sozinha com ele era bom, mas estava tão profissional quanto qualquer outro dia, por isso era melhor ir para casa assistir qualquer filme de romance que mostrasse que eu nunca teria um amor tão bonito assim, chorar e me entupir de sorvete para depois descer para a academia do prédio e queimar todas as calorias ganhas, pronto, essa seria meu fim de noite e estava bom assim, já era acostumada.


– Então querido, já estou completamente cansada e está ficando tarde, acho que vou indo para casa.


Peeta parou de lutar contra seu cabelo em frente ao espelho e virou se para mim.


– Está dizendo que eu acordei cedo na minha folga, fiz uma torta de manhã para a senhorita simplesmente me abandonar sozinho nesse estúdio de dança? Oh, assim você fere meus sentimentos. — Resmungou Peeta pausando a mão teatralmente sobre o peito másculo — Saiba que não vou aceitar isso. — Andou até mim e soltou meu coque. — Isso deve incomodar, não é? — Perguntou com o rosto entre meus cabelos agora soltos. Sua respiração batia contra meu pescoço e foi impossível não estremecer com o arrepio que tomou conta do meu corpo. Ele pareceu perceber pois em segundos suas duas mãos grandes alisaram a pele arrepiada de meus braços — Que foi Everdeen, está com frio? — Questionou sussurrando em meu ouvido.


Oh droga. Como se respira mesmo? Ah sim, pra dentro, pra fora, pra dentro, pra fora... Hm, pra dentro e pra fora, né?! Isso me dá algumas ideias. Oh droga mais uma vez, responda–a ele e pare de imaginá-lo pra dentro e para fora de você.


– É, na-não, acho que é por causa do cansaço, sempre acontece. — Menti descaradamente. — Então ok, já que não posso ir para casa, pegue logo a maravilhosa torta, o sorvete e o vinho que tenho que comer isso tudo e ainda pensar em um jeito bom de queimar as malditas calorias. — Bufei imaginando o quanto na esteira isso não me custaria.


– Eu tenho uma ideia boa para queimar todas as calorias ganhas e vai por mim, é a melhor forma de todas. — Peeta piscou descaradamente para mim, saindo do estúdio, me deixando com a cara de criança traumatizada com sua primeira aula de educação sexual.


Deus, quem é esse loiro de sorriso malicioso e fodidamente hetero que estava aqui há segundos? Será que era a intenção dele? Tipo, me deixar excitada com as imagens do corpo dele sobre o meu, me ajudando a queimar as calorias em diversas posições diferentes? Bom, se fosse, ele conseguiu cumprir seu objetivo perfeitamente bem. Adeus calcinha, acho que você vai para o lixo quando chegarmos em casa.


Ocupei minha cabeça com bobagens, tais como “Como seriam os nossos filhos? Ah, esqueci que vocês não vão existir, papai é gay e matou vocês, é tudo culpa do papai” e nem ao menos notei que Peeta me analisava há um bom tempo sobre a toalha xadrez vermelha agora estendida sob o chão do estúdio. Seu olhar queimava minha pele, algo como curiosidade brilhava em seus olhos, foi impossível não sentir a vergonha me consumir e minhas bochechas esquentarem, perfeito agora estou realmente com vergonha.


– Desculpa, está ai há muito tempo? – Perguntei, minha voz não passava de um sussurro.


– Na verdade você ficou cerca de uns dez minutos imóvel e com um sorriso no rosto, de repente sua expressão mudou e você começou a repetir “É tudo culpa do papai”, não que eu tenha entendido alguma coisa, mas foi engraçado. – Peeta gargalhou, provavelmente por conta da careta que sei que fiz. – Agora senhorita que culpa o papai por tudo, venha comer e me fazer companhia nesse dia cansativo.


Sem me pronunciar por medo de gaguejar ou até trocar letras como o cebolinha da turma da Mônica, apenas me sentei ao seu lado enquanto Peeta me entregava um pedaço de torta. Foi impossível não salivar olhando para aquele pedaço do céu.


– Vamos ver se estou aprovado de verdade, acho que da última vez que comeu essa torta não conta, já que você estava varada de fome. – Peeta começou a comer e eu o acompanhei.


Era provavelmente o melhor gosto que já havia sentido, doce, mas ao mesmo tempo tão suave, não me fiz de resignada e soltei um gemido de puro deleite que foi retribuído por Peeta, só não sei bem o porquê.


– Sério British boy, nunca comi nada tão bom na minha vida. – Peguei mais uma gafada e enfiei na boca, continuei falando. – Já pode até casar. – resmunguei com a boca cheia o que fez com que Peeta soltasse outra gargalhada e que mais uma vez, eu corasse.


– Bom saber que acha isso, afinal acho que já estou na hora de achar uma pessoa para casar.


Estaquei por um segundo. Peeta queria se casar. Usou “pessoa” em vez de mulher. É, ele é mesmo gay, vai Katniss, hora de tirar essa história a limpo.


– Então está na hora de achar uma pessoa – Comecei minha indireta como quem não quer nada – sabe, tenho alguns amigos que se interessariam por isso.


– Por que seus amigos se interessariam pelo fato de que acho que está na hora de achar alguém pra mim? — Peeta me encarou confuso, sua testa enrugada.


– Ah sabe como é, um homem bonito como você, querendo casar, acho que é tudo que eles poderiam querer, já imagino a fila de libélulas se estapeando para ver quem conseguia o boy magia no final. – Comentei simplesmente, Peeta continuava com a testa enrugada e após alguns segundos sua expressão confusa mudou para uma semelhante a pânico.


– Oh não. – Ele mexia em seus cabelos constantemente e só depois voltou a me encarar – Você por acaso, está insinuando que eu sou gay? – Peeta me encarou mais profundamente com seus olhos azuis cristalinos arregalados.


A surpresa era tão presente em sua voz que até me perguntei o que fiz de errado, mas ele ainda esperava minha resposta.


– E não era pra pensar? – Respondo sua pergunta com outra e ele arregala ainda mais seus olhos – Ah, sabe como é, todos aqui na SAB acham que você é gay, pelo simples fato de que todas que deram em cima de você tomaram foras educados, mas ainda assim, foram foras. – Enfiei mais pedaço de torta goela a baixo para não ter que falar mais nada e muito menos demonstrar meu nervosismo.


Peeta parecia pensar em alguma coisa e ao contrário do eu imaginava ser a reação dele, ele sorriu.


– Sabe por que eu dei fora em todas aquelas garotas? – Questionou levantando uma sobrancelha e me dando mais um daqueles sorrisos, aquele sabe, capaz de curar o câncer.


Fiquei parada esperando ele continuar, mas só então me toquei que não era uma retórica e tratei de responder antes que ele achasse que eu sofria de algum tipo de atraso mental.


– Não, não sei.


– E você quer saber o motivo de nenhuma delas ter me chamado a atenção? – Se aproximou de mim – Mas a razão não é por ser gay, sou bem hetero, se quer saber. – Suspirei quando seu rosto se aproximou ainda mais do meu e com um pequeno gesto ele limpou o canto da minha boca com o polegar e depois chupou o mesmo, sorrindo. – Estava sujo de torta. – Disse simplesmente e se afastando de novo. – Então, Senhorita Everdeen, quer saber o ou não? – Minha voz não parecia querer sair, por isso só assenti com a cabeça. – Porquê de todas elas, nenhuma era quem eu queria.


Meu peito pareceu se apertar e meu coração falhou uma batida, seria possível que desde o começo fosse, fosse... A Glimmer? Soltei o ar que nem ao menos me dei conta que tinha prendido em meus pulmões. Já ouviu aquele ditado “Está no inferno, abrace o capeta”? Então, ele pareceu se encaixar muito bem nessa situação, então fiz a pergunta que em algum reality show valeria um milhão.


– E quem seria ela? – Minha voz não passava de um sussurro, mas foi o suficiente para que Peeta ouvisse.


– Vou te contar, mas é segredo, tá?! – Perguntou se aproximando de mim, assenti positivamente – Ela é a garota mais linda daqui da SAB, tem os olhos mais tempestuosos que já vi, me sinto seguro quando estou com ela, ela me faz tão bem e nem ao menos sabe disso. – Peeta suspirou audivelmente perto de mais do meu pescoço, me fazendo arrepiar novamente. – Ela na verdade é meio lenta e nunca percebeu quando eu dava em cima dela,– Sua risada suave preencheu o lugar e sua voz calma com o lindo sotaque continuou. – ela nem ao menos se deu conta de que eu estou apaixonado por ela desde que ela me disse o primeiro “seja bem-vindo a SAB” e ela nem ao menos percebeu que eu acabei de contar ao pé do ouvido dela, que ela é a única que eu quero para mim.


Não tive tempo para divagar sobre quem era a vadia que estava roubando o meu Peeta de mim, mas ele fez algo que eu nunca imaginava – não fora de meus sonhos — Ele me beijou, seus lábios tão macios a princípio, só se uniram aos meus, suas mãos voaram para meu pescoço, nos aproximando mais. Sua língua quente e úmida traçou meu lábio inferior suavemente e logo dei passagem. Nossos lábios unidos, as línguas se misturando em uma batalha de reconhecimento em que os dois seriam vencedores. O ar começou a se esvair de nossos pulmões e Peeta encerrou o beijo com diversos selinhos.


Respirei fundo por alguns segundos, sua testa ainda encostada na minha, nossa respiração se normalizando, só então tudo explodiu como um “clic”.


– Isso quer dizer que...? – Perguntei para ter certeza. Melhor prevenir do que remediar. Nada de iludir meu coração.


– Isso quer dizer que você é muito lenta e que a partir de hoje, serei seu namorado.


Respirei fundo e olhei no fundo de seus lindos olhos.


– Só se você me prometer que não vai mais ser reservado ao ponto de me fazer imaginar que era gay. – Soltei em tom zombeteiro.


– Oh, eu não tenho culpa de que sou um bom inglês e que ajo com muita cautela e que gosto das coisas de forma lenta. – Peeta resmungou formando um biquinho irresistível que eu prontamente mordi, arrancando uma risada de nós dois.


– Se for assim, lembre me de arrumar um namorado menos inglês da próxima vez.


– Querida, a partir de agora não haverá próxima vez, pretendo ser muito mais do que seu simples namorado. – Peeta me puxou para seu colo e eu posicionei minhas pernas ao redor de sua cintura. – Pretendo ser o último.


Eu realmente não conseguia acreditar no que estava acontecendo aqui, em suas palavras e em seu sorriso meigo e tão verdadeiro direcionado exclusivamente para mim parecia ser um sonho, o meu sonho. Sem saber o que falar apenas fiz o que há muito tenho vontade de fazer, o beijei.


Nossos lábios se tocando de uma maneira tão simples mas ao mesmo tempo tão intensa. Minha língua invadiu sua boca e eu embrenhei meus dedos nos cabelos loiros de Peeta, ditando um ritmo mais rápido e exigente ao beijo. Suas mãos que estavam em minha cintura desceram por toda a extensão das minhas costas, logo depois espalmando-as em minha coluna me puxando para mais perto.


Nossos corpos tão juntos que o calor do corpo de Peeta parecia ser transferido para o meu. Nossas línguas em total sincronia serpenteavam entre nossas bocas, por vezes Peeta mordia meu lábio inferior ou chupava minha língua, não sei ao certo quanto tempo ficamos assim, mas tivemos que nos separar quando o ar pareceu esgotar.


Peeta abandonou minha boca e começou a traçar uma linha de beijos molhados que iam desde o meu maxilar até a alça de meu collant e depois fazia o caminho inverso com pequenas mordidas. Meu corpo todo parecia esquentar e minha pele arrepiava a cada toque que o loiro me proporcionava.


– Você não disse que era um inglês que gostava das coisas de forma lenta? – Perguntei arfante e Peeta deu uma risada contra minha pele me fazendo arrepiar ainda mais – se é que isso era fisicamente possível.


– E eu gosto, mas entenda uma coisa, sweet: Eu continuo sendo um bom inglês, mas ainda sou homem. – Peeta soltou uma risada rouca e novamente colou nossos lábios.


– Hm, então meu lindo e maravilhoso namorado britânico, — Depositei um selinho em seus lábios avermelhados — você pode ser inglês e homem, mas ainda temos limites e pelo que percebi, se eu continuar no seu colo, iremos ultrapassá-los e eu realmente não quero fazer tudo com pressa, tudo vai ser devagar e acontecer na hora certa. – Sai de seu colo e sentei novamente sob a toalha.


Peeta me encarava com um sorriso bobo nos lábios, seu semblante feliz, acho que espelhando meu próprio semblante.


– Já esperei sete meses para poder me declarar, o que não são mais alguns anos para nos tornarmos completos? Eu espero.


O sorriso que eu ostentava morreu instantaneamente ao ouvir “alguns anos”, seca prolongada com um namorado desses não dá.


– Nem venha com essa história de mais alguns anos, pretende me cozinhar até quando? depois do casamento, Sr. Mellark? – Minha voz saiu com um falso tom enfezado e Peeta apenas riu.


– Não era você que acabou de me dizer que queria esperar? Só estou te proporcionando isso. – Peeta concluiu com um sorriso zombeteiro brincando em seus lábios. – Mas me surpreendi com o fato de que mencionou casamento em sua reclamação.


Olhei em seus olhos e logo em seguida abaixei meu rosto, corando.


– Eu tenho essa mania de apressar tudo e falar coisas que eu não devo, acostume se. — Suspirei – Eu falando em casamento se nem ao menos sei se isso não é apenas um sonho mesmo, se isso está mesmo acontecendo ou se dormi em meio ao meio de um filme de romance água com açúcar e tudo vai acabar quando eu acordar com uma puta frustração. Sonhar com você, falar de casamento e essas coisas me assustam, principalmente quando nem um pedido oficial de namoro teve... – Encarei Peeta que me encarava com os olhos parcialmente arregalados em minha direção, ops. — acho que eu estou falando de mais, é melhor eu me calar.


Peeta aproximou se de mim e colou nossos lábios delicadamente e murmurou contra eles:


– Vai por mim, isso não é um sonho, já tive diversos sonhos com você, mas em nenhum deles a sua pele era tão quente. – Suas mãos seguraram as minhas e logo após deslizaram por meus braços. – Em nenhum deles a sua pele ficava tão linda arrepiada com um toque meu. Em nenhum deles seu coração batia tão descompassado como o meu. – Depositou sua mão sobre meu peito e fez o mesmo processo em si com a minha mão. – De todos os sonhos que já tive com você, Senhorita Everdeen nenhum me preparou como seria maravilhoso ter você tão perto de mim e o melhor, sentindo o mesmo que eu. – Peeta olhava em meus olhos, suas orbes azuis refletindo as minhas cinzas. – Mas o melhor de tudo é que você está aqui e que eu estou aqui agora me sentindo o homem mais feliz do mundo e isso é definitivamente o melhor de todos os momentos da minha vida.


Eu nada fui capaz de dizer, um pedido não era necessário quando os dois estavam em um consenso sobre tudo o que representávamos um na vida do outro e isso, definitivamente, não tinha preço.


Eu tenho Peeta, ele me tem e isso é o suficiente.


[...]


Dois anos depois


A luz adentrava a janela do quarto de meu pequeno apartamento, ninguém merece.


– Peeta. – chamei em um sussurro ainda de olhos fechados – Amor, fecha a cortina, por favor. – resmunguei uma oitava mais alta.


Silêncio, essa foi a resposta que recebi. Peeta sempre acordava antes de mim e ficava me observando dormir, — era a ordem natural das coisas, de acordo com o mesmo — mas dessa vez não obtive resposta nenhuma. Tateei o lado da cama que ele costuma dormir e tudo que encontrei foi um embromado de lençóis frios, rapidamente abri meus olhos sentando sobre a cama.


Procurei por algum sinal de meu namorado e nada, nada além de um quarto impecavelmente arrumado. Enrolei meu corpo até então nu devido a noite de ontem em um lençol e sai em sua busca por meu apartamento, nada.


Chegando a cozinha a mesa do café da manhã estava pronta e um bilhete com uma tulipa descansava sobre a mesma, cheirei a flor e logo depois tomei o bilhete em mãos e li.


“Oi meu amor, feliz dia dos namorados.


Tenho plena certeza de que esqueceu de fechar a cortina de novo e acordou por conta da claridade que bateu contra seu rosto, não foi? “– Interrompi a leitura apenas para rir e revirar os olhos, ele me conhecia melhor do que eu mesmo, voltei a minha atenção para a letra perfeitamente desenhada sobre o papel. – “Você é tão previsível, meu amor, incrível.


Sabe o que mais tenho certeza? Bom, lá vai: Você acordou e pediu para que eu fechasse, mas eu não estava ai, então saiu a minha procura enrolada no lençol por todo o apartamento e agora está lendo esse bilhete, ah e rolou os olhos quando eu acertei. Acertei de novo, não foi?! Na verdade isso não vem tanto ao caso, mas acho que a senhorita tem que começar a reparar mais em você mesma ao acordar, sabia? Olhe bem para você e veja se encontra algo de diferente, se encontrar – mas apenas se encontrar, pois eu vou saber se não está me enganando por sua curiosidade – vire esse bilhete e leia a pergunta que se encontra no verso e responda-a em voz alta. Vai minha pequena, comece sua busca... Não demore, eu realmente preciso dessa resposta urgentemente.


Com amor,


Do melhor, mais gato, gostoso e cheiroso namorado do mundo,


Peeta Mellark.”


Terminei de ler o bilhete e comecei a olhar meu corpo, mas nada me parecia diferente. Bufei irritada e passei as mãos pelos olhos e então arregalei-os.


Eu por fim havia achado, meus olhos se arregalaram e peguei novamente o bilhete, virei e li a única coisa escrita ali no meio daquele papel.


“Vejo que já encontrou o anel, agora responda: Você aceita ser a Senhora Peeta Mellark daqui até o fim do mundo?”


Observei o lindo anel de ouro branco cravejado de pequenos rubis em formato de coração e com um grande diamante posicionado entre os rubis, era a coisa mais linda que eu já havia visto em minha vida e agora repousava em meu dedo anelar como uma promessa para o nosso futuro. Uma emoção gigantesca tomou conta de mim e respondi a pergunta com a voz embargada mas alto o suficiente, assim como ele pediu.


– Sim. Até o fim do mundo, enquanto o meu coração bater. – Respondi com o rosto banhado em lágrimas, mesmo estando sozinha na cozinha do apartamento.


– Fico feliz que dessa vez eu realmente tenha feito o pedido e foi a melhor coisa do mundo ouvir você dizer sim.


Eu pulei no lugar devido ao susto, eu nem ao menos tinha ouvido ele chegar, nem ao menos sei de onde ele saiu, mas isso não importava, fiz tudo que eu poderia fazer no momento: Pulei em seu pescoço e o beijei com todo o meu amor, quando respirar se fez necessário, separei nossas bocas, mas não sai de seus braços.


– Hey amor, mais uma vez, feliz dia dos namorados. – Peeta disse suavemente e depositou um selinho em meus lábios.


– E feliz dois anos de namoro, amor. – Rebati com um sorriso no rosto.


– Eu te amo. – Peeta confessou ao pé do meu ouvido.


– E eu amo você. – Retribui deslizando meus lábios contra os seus.


Nossos lábios se atraíram como imãs, minhas mãos voaram automaticamente para os cabelos da nuca de meu noivo enquanto suas mãos desatavam o nó que prendia o lençol ao meu corpo.


Suas mãos começaram a desbravar um território tão conhecido pelo mesmo, apertando minha cintura e logo deslizando-a para minhas nádegas, tomei um pequeno impulso mesmo sem descolar as nossas bocas e entrelacei minhas pernas ao redor de sua cintura. O oxigênio exigiu atenção e eu abandonei seus lábios descendo beijos pelo pescoço do amor da minha vida que segurava me com firmeza e nos encaminhava de volta para o quarto.


Peeta depositou meu corpo sobre a cama e então começamos novamente todo o ritual da noite passada. Mãos se entrelaçando, corpos se unindo, juras de amor sendo trocadas ao pé do ouvido, promessas de um futuro juntos, tudo isso explodindo em uma avalanche de prazer que não satisfazia só o corpo, mas também a alma.


Ficamos assim o dia todo, nos amando e tirando proveito da companhia um do outro, o mundo lá fora não importava, estávamos em nossa bolha e dentro dela tínhamos tudo que precisávamos.


Quando Peeta caiu no sono parei para analisar tudo o que aconteceu em um curto período de tempo. Há algum tempo atrás eu só pensava no ballet, não que isso seja ruim, mas eu nunca me imaginei amar outra coisa que não fosse a minha profissão e agora eu estou aqui, nos braços de um britânico que se transferiu para a SAB para fugir de uma namorada potencialmente problemática e que eu achava que era gay e agora esse mesmo britânico pretende me levar para o altar, coisa que eu sempre tive medo de fazer, casar nunca esteve em meus planos, mas nada na vida sai como planejamos e eu sou a prova viva disso.


Agora eu sei o que é amar alguém acima de qualquer coisa, sei que nem tudo sai perfeito, mas que de um jeito ou de outro, te faz feliz. Planos às vezes são tudo o que precisamos para termos a vida calma, tranquila e controlada, mas o que eu posso dizer se às vezes é muito melhor se jogar no impensado? Peeta chegou para mudar tudo em minha vida, para mudar meus planos e abalar as minhas estruturas... E isso é a melhor coisa que poderia me acontecer, toda minha felicidade é de total culpa e consequência do loiro de olhos azuis cristalinos que ressona tranquilamente em minha cama nesse exato momento e tudo que eu posso fazer é agradecer aos céus por ter me dado tudo o que eu nunca imaginei querer, mas que tinha os caminhos da eternidade traçados aos meus, eu só agradeço a Deus por ter me dado o meu querido bailarino.


Nunca acreditei em finais felizes, mas Peeta fez o favor de mudar isso também... Não, definitivamente isso ele não mudou, pois para um final ser feliz ele tem que existir e nós não o teríamos, porque esse é somente o nosso começo, o começo do nosso amor que vai daqui até a eternidade. Até o final do mundo, enquanto nossos corações baterem.



Sem fim...



Notas finais
Então, sweeties o que acharam? Oh por amor a Josh, digam me que eu aguento -q
Espero ansiosamente por reviews, então venham me deixar felizes, povinho sensual.
BeiJosh ;*
Katmellark.