Cupido Estúpido
11 Querido Colega
Notas iniciais
Gêneros: Amizade, Comedia, Romance, Universo Alternativo.
Censura: +13
Notas da Lali: Holissss! Fico tão feliz que alguns leitores a mais apareceram, eu sei que muitos ainda estão por vir!
Só o que sigo pedindo é que... Se você leu todas as ones, por favor, comente em todas, cada uma é de um autor, eles querem saber o que acharam de suas ones, não adianta nada ler todas e comentar na última, por favor colaborem!
Enfim, apareci novamente para agradecer a mais duas recomendações lindíssimas que ganhamos nesse conjunto de oneshots! Nick Mellark e Lizze, simplesmente amei cada palavrinha da recomendação de vocês.
Bora deixar de ser fantasminha pessoal! Xx
N/A: Heeey Sweets! Minha primeira one u_u
Tô postando aqui bem ansiosa e.e
Anyway, sem enrolação, cá está a historia!
POV Katniss.
3 de Junho de 2013, Segunda-feira.
Clove falava animadamente sobre o encontro que tivera com Cato e eu estava tentando, realmente tentando, prestar atenção no que ela dizia. E sinceramente? Eu estava mais concentrada em reparar no que certo loiro fazia. Por que ele ainda não tinha vindo falar comigo?
“Você me ouviu Kat?”
“Desculpe-me Clove... O que?”
“Eu disse que ele enfim me pediu em namoro.”
“Sério? Isso é maravilhoso! E você finalmente vai passar o dia dos namorados namorando!”
“Claro que é maravilhoso... Ele vinha me enrolando há muitos meses... E veja... Talvez você possa passar o dia dos namorados namorando também.”
“Não me faça rir... E quem precisa de um namorado?”
“Que tal... Você?”
“Não preciso. Você sabe o que penso sobre namoros, estar apaixonada e amor.”
“É uma estupidez, perda de tempo e blá, blá, blá. Eu sei, eu sei. Você fala isso desde... Sempre.”
“Por que é verdade.”
“Eu finjo que acredito Katniss. Finjo que acredito.”
“Além do mais... Quem se apaixonaria por mim?”
“Que tal aquele loiro lá... Qual o seu nome mesmo? Ah é, Peeta Mellark!”
“Quantas vezes... Eu terei que repetir que somos SÓ amigos?”
Aquilo fez com que Clove tivesse uma alta crise de risos no meio do pátio da escola.
“Você poderia ao menos... Tentar ser discreta?”
“Certo, certo. O seu amigo largou aquela loira aguada, tiete de futebol... E está vindo pra cá.”
“Para de olhar. É serio.”
“Tudo bem, mas a cara daquela garota... Tá hilária. Ela deve estar pensando no por que dele sempre vim te ver. Todos os dias. Sabe que até eu me pergunto isso?”
“Por que ele é meu amigo, somos de salas diferentes e só conseguimos nos ver em horários que não são de aula? E outra... Ela é uma invejosa que não gosta que ele chegue perto de outras garotas. Por alguma razão... Ela se acha namorada dele. Só porque ela é líder de torcida e ele jogador... Não quer dizer que tenham que ficar juntos.”
“Ciúmes Everdeen?”
“Não sonhe Clove. Você... Disse que ele estava vindo pra cá?”
“Hm... Ansiosa?”
“Por favor... Cala a boca. Eu, a partir de agora, não falo mais nada pra você.”
Fechei a boca (e a cara), cruzei os braços e me pus a encarar minha melhor amiga. Eu estava realmente chateada com aquele papo. Peeta havia se tornado meu amigo no começo do ano, depois de um encontro... Um tanto desastroso na escada, e eu realmente adorava sua companhia. O seu modo fofo e engraçado, me fazia rir e seu jeito espaçoso me irritava ao mesmo tempo em que me fazia querer ficar por perto.
Clove, só por que estava vendo corações graças a sua paixão por Cato, insistia na ideia em que ainda daríamos belos namorados e que eu gostava dele. Ela realmente não compreendia o significado de só amigos.
“Irritada já tão cedo, Kat?”
O som da voz de Peeta me desperta de meus pensamentos. Seu perfume já enche todo o espaço ao meu redor e ele puxa uma cadeira para sentar do meu lado.
“Se você vê que eu estou irritada... Por que pergunta?”
Ele ri e passa um braço sobre meus ombros, me trazendo pra perto. Eu abraço sua cintura, me aproximando ainda mais. Ele beija o topo da minha cabeça e eu sorrio.
“Calminha estressadinha. O que aconteceu?”
Minha amiga tenta sufocar um riso... E quando ela me encara é quase como se dissesse “só amigos?”. Eu volto meu olhar para Peeta e digo:
“Clove.”
Ele parece entender que ela tirou o dia pra irritar.
“Clove... Por que você é tão má com minha Katniss?”
“Por que, é o que ela merece por ser tão cabeça dura.”
“Peeta... Você pode, por favor, lembrá-la que nos não estamos nos comunicando? Pelo menos não até ela parar de ser tão estúpida?”
“Vou ouviu, Clove!”
“Tudo bem! Eu vou embora! Tchau pra vocês.”
“Vê como ela é chata, Peeta?”
“Mas eu sou legal e tô aqui! Pode dizer... Eu sou um ótimo amigo.”
“É sim.”
“Ei Kat... Você não quer dividir um belo sorvete comigo?”
“Claro. Vamos lá!”
[...]
Estávamos dividindo um delicioso soverte de morango com chocolate e M&M’s.
“Seu guloso! Deixe um pouco pra mim!”
Ao falar isso ele pegou uma grande colherada de sorvete e colocou na boca, se sujando todo no processo. Tudo o que eu pude fazer foi rir.
“Do que está rindo?”
“De você. Todo lambuzado de sorvete.”
“Limpa pra mim então?”
Ele pergunta apontando para sua boca e eu fixo meu olhar ali por alguns segundos. Segundos esses que por alguma razão fazem meu coração disparar. Desvio o olhar para seus olhos e falo com uma falsa indignação:
“Seu folgado! Nem é complicado, tenho certeza que você consegue limpar sozinho.”
Ele fez uma cara de choro e pegou o guardanapo. Eu aproveitei e tomei o sorvete de sua mão e comecei a comer, bem na hora que o sino que anuncia o fim do intervalo.
“Hora de voltar para a aula, Kat.”
“Já que a Clove me abandonou e deve ter ido atrás do namorado... Vai me deixar na sala?”
“Eu?”
“Pooooooooooooooooor favor? Não seja tão preguiçoso. É por mim. Sua amiga?”
“Quem resiste a essa carinha fofa?”
Eu sorrio pra ele, observando ele sorrir de volta, com aqueles brilhantes e hipnotizantes olhos azuis.
“Vamos?”
Ele me oferece o braço como um cavalheiro, eu aceito e logo nós estamos com os braços entrelaçados caminhando em direção as escadas, mas não sem antes passar em frente à Glimmer, vulgo loira aguada, que me lança um olhar venenoso. Aquilo só me faz sorrir mais e sentir uma certa... Felicidade?
Ignorando isso, volto minha atenção para Peeta e nossa conversa. Logo estamos em frente a minha sala.
“Está entregue.”
“Muito obrigada. Você morreu?”
“Quase... Será que eu ao menos mereço um abraço?”
“Você merece até um beijinho!”
Rindo, o abraço bem forte e lhe dou um beijo rápido na bochecha, me viro para entrar em sala, mas ele me impede me puxando pelo braço, de volta para ele.
“Ei... É só isso que eu mereço? Essa coisinha sem graça? Não, não. Vamos... Pode fazer de novo. Beije direitinho, com carinho.”
Eu olho pra ele incrédula, mas ele apenas acena com a cabeça, confirmando o que disse. Eu me inclino em direção a ele novamente, depositando um beijo demorado em sua bochecha.
“Agora sim. Tchau Kat, boa aula.”
Dito isso, ele também me dá um beijo na bochecha e segue em direção a sua própria sala. Entro então na minha, sento na cadeira e sou tomada por uma série de pensamentos e sentimentos que me confundem. Todos eles envolvem Peeta Mellark. O que estava acontecendo?
Foi ai que me lembrei de uma frase que li uma vez: “Quem muito pensa em outro alguém... Cuidado. Pode estar se apaixonando.” Mas era lógico que aquilo era algo bobo de se pensar. Eu? Apaixonada? Ainda mais por Peeta Mellark? Era ridículo.
Ou talvez não.
~*~
10 de Junho de 2013, Segunda-feira.
Uma semana inteira já havia passado. Uma longa e confusa semana, onde eu tentava entender meus sentimentos por Peeta Mellark, mas nada, absolutamente nada se encaixava em minha cabeça.
O modo como ele agia... Era seu jeito? Ou era só comigo? Os carinhos... Significavam algo mais que amizade? Minha cabeça estava extremamente confusa. E vê-lo todos os dias, não ajudava em absolutamente nada. E as longas conversas a noite? Oh... Essas só me deixavam sem sono algum. Eu estava um completo desastre. Vivia com dor de cabeça, estava começando a ter que caprichar na maquiagem (pra ver se minhas olheiras sumiam ao menos um pouco) e ter que por um sorriso animado realmente não melhorava meu humor.
Estava surpresa de minha melhor amiga não ter notado minhas mudanças. Não que eu quisesse que ela se preocupasse... Mas custava se desligar um pouco do mundo encantado? Eu sei que Cato era o namorado perfeito e blá, blá, blá... Mas estava cansada daquilo. Era egoísta de minha parte?
Clove estava conseguindo ser muito irritante com isso de dia dos namorados. Ela estava implorando para que eu fosse com ela ao shopping para comprar um presente para seu príncipe encantado. Eu ia enfim ceder. Por Deus!
Eu estava tão ferrada ao ponto de não suportar a felicidade de minha amiga? E tão, tão acabada que estava cedendo? Solto um longo e pesado suspiro.
“Tudo bem Clove. Eu irei com você.”
“Muito obrigada, Kat! Você é a melhor!”
“Ah... Eu sei. A melhor amiga do mundo.”
Ela olhou desconfiada pra mim. Acho que tinha sido muito sarcástica ao cuspir a palavra amiga. Amizade, isso seria o máximo que Peeta me daria e aquilo estava, definitivamente, me deixando amarga.
“Katniss... Está acontecendo algo com você que eu deva saber?”
“O que? – absolutamente tudo. A maior confusão que você possa imaginar Clove... – Claro que não. Mas o que você dizia sobre o presente?”
Aquilo pareceu levá-la de volta pra seu mundo perfeito e colorido. Deixei que ela falasse sobre tudo que estava planejando para seu perfeito dia dos namorados, com seu namorado perfeito. Meus olhos vagavam pelo pátio, até pararem em Peeta. Oh, perfeito.
Ele estava, mais uma vez, com Glimmer. O fato de ele estar ao lado dela não foi o que me surpreendeu, afinal ele sempre passava parte do seu intervalo com o pessoal do time. O que realmente me deixou louca, foi ver como eu me sentia ao ver aquela cena ridícula.
Ele devia estar contando alguma de suas piadas bobas e sem sentido, pois ela estava rindo de modo tão forçado... Sentia que quem deveria estar o ouvindo falar essas piadas sem graça, mas rindo verdadeiramente de seu jeito idiota, que era simplesmente adorável, era eu. E quando ela o puxou pra perto e ele a abraçou pela cintura... Aquele toque era pra ser meu. Assim era como ficávamos, abraçados. Tudo aquilo estava errado! Eu deveria estar ali. Não ela.
E foi com amargor que a verdade se revelou... Eu estava com ciúmes. Eu, Katniss Everdeen, estava com ciúmes. Eu deveria estar rindo dessa baboseira, mas tudo o que eu queria era chorar. E tirá-lo de perto dessa loira aguada. Tentando encontrar algum tipo de firmeza na voz, respiro fundo e tento me concentrar.
“Se me der licença Clove...”
“Vai falar com Peeta?”
“Não. Estou com dor de cabeça. – minto. Ela perceberia? — Apenas vou subir logo para a sala.”
Ela apenas assente com a cabeça e eu me dirigo as escadas, me certificando de passar longe dos dois.
Como eu poderia estar gostando dele? Como meu coração havia decido me trair? Por que eu não podia simplesmente esquecê-lo? Seria tudo tão mais fácil...
Mas também, como não gostar dele? Como não se deixar encantar? Logo ele, que era um garoto fofo, divertido, legal, cheiroso, sorridente... Ele era simplesmente... Irresistível. Eu deveria ter me afastado, eu não tinha dado a mim nenhum tipo de autorização para sair me apaixonando.
Era tão... Estúpido! Eu estava sofrendo, veja só... Sofrendo por um garoto. E ele nunca seria nada mais que meu amigo. O peso da realidade faz com que eu entre na sala de cabeça baixa, me dirija até minha cadeira e encoste meu rosto no tampo frio. Vou fechando meus olhos lentamente.
Eu já podia sentir tudo aquilo me consumindo. A sensação de fraqueza veio junto com a vontade de chorar. Mas eu ainda podia tentar ser forte. Reprimo as lagrimas e respiro fundo, tentando me acalmar. Eu podia conseguir. Reerguer as barreiras.
Tudo estava desmoronando, mas eu ia conseguir, certo? Certo. Era tudo uma questão de tempo. Organizar minhas idéias... Ok. Eu conseguiria conviver com isso. Quando eu faço essa escolha, sinto um carinho suave em meus cabelos. Respirei fundo. Só podia ser uma pessoa. Eu conseguiria encará-lo e dizer que estava tudo bem?
Ergo enfim meu olhar e encontro um par de olhos azuis tão conhecidos por mim. Brilhantes. Eles são tão brilhantes... Ele é mesmo perfeito, não? Sim, ele era. Eu devia mesmo estar pirando, para começar a responder meus pensamentos...
“Tudo bem, Kat? Eu te vi subindo as escadas... Você não me parecia muito bem.”
“Hey. Me abraça?”
Era possível ver a confusão estampada em seu rosto e mesmo assim ele, aproximando a sua cadeira, me abraçou sem perguntar nada. Apesar de ainda estar presa ao meu momento depressivo e sem esperanças... Apesar de estar com o coração partido, sentir o calor dos seus braços ao meu redor fez tudo ficar bem. Como mágica. Mas não era isso o amor? Mágica?
Eu só o queria perto de mim. Apertei-o mais forte, conquistando meu desejo. Eu estava tão próxima a Peeta que já estava sendo inebriada pelo seu perfume.
“Katniss... O que está acontecendo?”
Eu não conseguia nem ao menos falar. Tudo em que eu conseguia pensar era que precisava ficar com ele. Meu rosto estava escondido em seu peito e Peeta me manteve junto a ele, como se soubesse que era tudo o que eu precisava.
Eu nem tinha percebido, mas eu tinha começado a chorar. Isso fez com que ele começasse uma nova série de carinhos em meus cabelos. Era bom, me acalmava.
“Kat... Por favor, fale comigo. Você está me preocupando!”
“Eu –como eu falaria pra ele, que o motivo de tudo aquilo estar acontecendo é por que eu descobri que estava apaixonada por ele? Não podia- Eu não sei. De qualquer modo, não importa. Só fica comigo, ok?”
“Tudo vai ficar bem, meu amor.”
Eu me agarrei a aquelas palavras. Meu amor. Não podia me deixar levar, mas a ilusão não parece convidativa quando tudo está acabando? E além do mais, eu não tinha nada a perder... Só me afundaria um pouco mais na dor.
Então desliguei a mente e fiquei ali, abraçada a ele. Ficamos juntos por algum tempo. O tempo parecia tão relativo... Podem ter sido segundos ou alguns minutos. Nunca saberia a diferença. O choro havia passado e eu estava respirando normalmente. Bem, eu estava bem. Mas não preparada para enfrentar Clove.
“Melhor?”
“Sim. Obrigada Peeta.”
“O que eu fiz? Nada.”
“Você ficou comigo. Era tudo que eu precisava.”
“Você é minha pequena, lembra?”
“Sim.”
“Então vamos, um pouco mais de animo. Quero ver um lindo sorriso em seu rosto.”
Me esforcei, tentando moldar um sorriso no meu rosto, mas com toda certeza não havia funcionando. Ele, não estava feliz.
“Hm... Isso definitivamente não está bom. Mais parece uma careta... O que podemos fazer para mudar isso?”
Eu o olhei, curiosa. Ele viu que ainda estávamos abraçados e me prendeu em seus braços e começou a me fazer cócegas. Eu comecei a me debater, rindo descontroladamente.
“AI! Para! PARA, POR FAVOR! Eu já estou rindo. Vê?”
Ele para a tortura e sorri. Como eu poderia ter raiva dele depois de ver seu sorriso? Depois olhar em seus olhos?
“Muito bem. Era isso o que eu queria ver. Essa é minha Kat.”
“Seu idiota. Não sabe que eu odeio cócegas?”
“Mas fez você rir... Não fez?”
“Tá bom... A justificativa é boa. Tá salvo. Agora eu quero ir pra casa.”
“Faz uma cara de quem tá morrendo.”
“Por quê?”
“Pra te levar na coordenação, eu digo que tu tá passando mal e te levo pra casa.”
“Ótima ideia. Muuuito obrigada.”
“Eu tô sempre te salvando. Vem, se apoia em mim.”
Levanto e deixo que ele segure em minha cintura. Apoiando-me em seu braço, largo meu peso nele, que vai me “rebocando” até a sala da coordenação. Ele começa a contar uma mentira qualquer para a moça simpática atrás do balcão. Peeta me cutuca levemente e eu percebo que ela me fez alguma pergunta.
“Poderia repetir?”
“Eu perguntei... Se você consegue ir pra casa sozinha, querida.”
“Acho que não...”
“Então teremos que ligar para sua mãe.”
Olhei para Peeta. E agora?
“Eu não me importaria de ir deixá-la.”
“Sendo assim... Os dois estão liberados. Melhoras.”
“Obrigada” –digo sorrindo.
Saímos da sala e mantemos o teatro até a escada. Vou me soltando de seu braço e quando vou descer o primeiro degrau, sou puxada pra trás.
“Não, não. Você está doente e eu disse que vou cuidar de você. Não pode gastar energia descendo dois andares.”
“Você vai fazer o que? Me carregar?”
“Na verdade... Sim.”
Então sem mais avisos, ele me pega e me põe no colo. Estou olhando pra ele, acreditando que isso é só uma brincadeira, mas no momento que ele começa a descer as escadas eu reparo que ele estava mesmo falando sério. Grito.
“Aff. Deixa de ser chata, você não vai morrer por isso, vai?”
“Não sei... Vou”?
“Lógico que não boba. Agora põe as mãos no meu pescoço e relaxa.”
Assinto com a cabeça e faço o que ele me pede, logo estamos no fim da escada.
“Por favor, me põe no chão.”
“Por quê?”
“Por que a gente vai chegar no meio do pátio assim? Vai todo mundo ficar olhando e eu não gosto de chamar atenção.”
“Novamente, deixa de ser boba.”
“Vai adiantar reclamar?”
“Não.”
Suspirei e cruzei os braços. Ele continuou andando, o que não me deu alternativas, senão continuar abraçada a ele com medo de cair. Já estávamos atravessando o pátio e todos pareciam olhar pra mim. Maravilha.
Escondo meu rosto em seu peito e falo baixo, tendo a voz abafada pelo contato.
“Eu odeio você.”
Ele ri.
“Pronto... Já acabou. Agora vamos só passar pelo portão e estaremos livres!”
Tiro o rosto do meu “esconderijo” e encontro uma Glimmer me olhando com ódio. Não evito um risinho.
“Acho que sua namorada quer me matar.”
Mas ele não tem tempo de responder, já que o porteiro chega até nós.
“O que está acontecendo?”
“Ela está passando mal e fui autorizado a levá-la pra casa. Aqui está.”
Ele entrega o papel que a moça havia assinado e saímos porta a fora em direção ao seu carro.
“Como assim namorada, Katniss?”
“Ora! A Glimmer. Acho que ela me odeia, sinceramente.”
“O que aquela garota pensa é irrelevante. Ela é louca se acha que tem alguma chance de ser algo minha. Eu detesto seu tipo.”
“E qual é o tipo dela?”
“Fútil. Falsa. Não é do tipo de garota com qual eu gostaria de namorar.”
“Hum.”
Fico calada por um tempo. Qual seria o tipo de garota que ele gosta? Será que eu estaria inclusa no grupo? Bem, provavelmente não. Por que um garoto como Peeta Mellark gostaria de ficar comigo? Ele é o típico adolescente americano.
Atlético, capitão do time de basquete, bonito e popular. Eu era só a garota comum. Não tinha nada de chamativo ou atraente. Reprimo a vontade de suspirar.
“Pronto, chegamos. Hora de a princesa entrar na carruagem.”
“E você será muito cavalheiro e abrirá a porta?”
“Exatamente.”
Rimos da nossa pequena brincadeira e adentramos no carro. Assim que ponho o cinto, ele dá a partida e logo pergunta:
“O que houve mais cedo?”
Fico tensa instantaneamente.
“Hm... Nada.”
“Não minta pra mim.”
Suspiro.
“Nada de mais Peeta... Só... Tive um mal estar. Normal. Acontece, certo?”
“Sei.”
Silêncio. É bem desconfortável, decido ligar o som em busca de amenizar o clima pesado.
“Putting my defenses up. Cause I don't wanna fall in love. If I ever did that I think I'd have a heart attack…”
(Estou levantando minhas defesas. Porque eu não quero me apaixonar. Se eu fizesse isso, acho que eu teria um ataque cardíaco)
Muito bom, era muita ironia tocar isso logo agora... Desligar o rádio não seria uma boa atitude, de modo que me limito a ouvir calada a maldita musica.
Acho que é melhor puxar assunto.
“Então... Você quer ficar pra assistir um filme?”
“Ah... Não posso, desculpa. Eu ia adorar ficar, mais minha permissão é só pra vim te deixar e voltar.”
“Ah... Que chato.”
Mais silêncio. Que legal.
“Então sua sortuda... Chegamos. Trate de aproveitar bastante seu dia longe da escola.”
"Ah claro. Vou aproveitar bastante. Te garanto. Muitos filmes. É... Vai ser legal."
Ele sorri pra mim e eu sorrio de volta. Não é como se eu estivesse feliz. Eu realmente queria que ele ficasse.
“Se a senhorita permitir... Eu vou acompanhá-la até em casa. Mas infelizmente não vou poder ficar.”
Assenti com a cabeça. Tentei lembrar que ele queria ficar. Só, não podia.
Ele abriu a porta pra mim e eu saltei pra fora do carro e graças a minha excelente coordenação... Quase tropeço e sou aparada por seus braços. Coro. Ele me levanta e pões seus braços ao redor da minha cintura. Nossos olhos se chocam. Cinza no azul. Ele sorri. Eu sorrio.
Percebo que minhas mãos ainda estão nos seus ombros. As deixo lá. Um de seus braços se desprende da minha cintura e ele ajeita alguns fios soltos do meu cabelo, pondo-os para trás da orelha. Ele aproveita para acariciar minha bochecha.
Agradeço aos céus por ele está me segurando. Como se um imã estivesse agindo, nossos rostos se aproximam. Sua respiração se une a minha. Eu quase posso sentir seus lábios nos meus.
Então o celular vibra no meu bolso me fazendo dar um pulo pra trás, quebrando o encanto.
Oh droga.
Não sabia se me revoltava por quase ter beijado meu melhor amigo... Ou me matava POR NÃO TER O BEIJADO!
Decidi olhar o celular e me deparo com uma mensagem de Clove. Ah Clove... Eu devia te matar.
“Katniss... O que aconteceu com você???? Estou morta de preocupada!"
"É a Clove. Ela está preocupada... Hum... Você pode... Falar com ela quando chegar no colégio?"
"Claro."
"Hm... É. Brigada. Tchau?"
Ele coça a nuca. Nervosismo? Mordo o lábio. Eu estava pirando.
“Tchau. Até.”
Aceno e saio quase correndo pra dentro de casa. Jogo-me no sofá e grito. Não acredito que perdi... Uma chance única.
Acho que quero chorar. Ajeito-me e ligo a TV. Quero algo bem deprimente. Vai passar "Um amor pra recordar". Sintonizo no canal e vou até a cozinha. Geladeira. Acho um pote de sorvete e pego uma colher. Corro pra sala.
Começo a chorar. Tenho quase certeza que não é pelo filme.
***
“Então você já está melhor?”
“Sim Clove. Eu estou.”
“Que bom. Você está bem o bastante pra me ajudar a fazer compras?”
Sim.
“Não.”
“Que pena Kat... E agora... O que eu compro pro Cato???”
Suspiro.
“Não sei. Mas compre algo que tenha significado. Assim, eu tenho certeza que ele vai gostar.”
“Obrigada Kat. Eu não seria nada sem você.”
"Eu sei meu amor... Eu sei."
"Argh... Eu só espero que aquelas putinhas do colégio... Ops, garotinhas.. Não enviem cartinhas para o MEU namorado. Bando de atiradas... Só por que ele joga no time?"
Ri. Era verdade... Varias garotas aproveitavam a ocasião do dia dos namorados para mandar cartinhas apaixonadas. Um casal até tinha surgido por causa disso e... De repente eu tinha uma ideia em mente...
“Clove?”
“Sim?”
“Vou desligar sabe? Vou... Dormir. Tô cansada.”
“Tudo bem querida. Boa tarde.”
“Beijinhos Clove. Até amanhã.”
Desligo o telefone. Havia dado certo antes... Por que não comigo? Não havia por que me enganar... Eu estava apaixonada por Peeta. O melhor que eu podia fazer por mim era me declarar e me livrar desse peso. E nada melhor que uma carta anônima pra isso.
[...]
Depois de várias folhas amassadas e jogadas no chão (quantas árvores eu não matei?)... Eu enfim havia escrito algo descente. Agora só precisava passar a limpo numa folha bonita e por no envelope.
É claro que eu não tinha nada disso em casa. Então pego minha carteira e saio de casa indo em direção a papelaria. Compro uma folha decorada, um envelope lilás (minha cor favorita... Uma indireta? Talvez.). E até uma caneta roxa. Só pra ficar tudo bonitinho e combinando. É... Eu realmente queria que desse tudo certo.
Volto rapidamente pra casa e, caprichando na letra, reescrevo a carta e a ponho no envelope. Perfeito. Guardo-a no caderno. Está feito. Eu só preciso entregá-la na quarta. Vai dar certo. Eu espero.
12 de Junho — Quarta-Feira
Dia dos namorados.
Terça havia passado como um borrão. Talvez fosse devido a minha grande ansiedade para o dia de hoje... Ou só o fato de ter evitado Peeta o dia inteiro e ter que ficar enrolando a Clove.
Mas o que importava é que eu estava prestes a fazer algo louco. Provavelmente colocaria nossa amizade em risco... Porém eu achava que valia a pena.
Afinal, pessoas apaixonadas são idiotas. E é exatamente o que sou. Não existe outra explicação, senão um estúpido instinto idiota para o que eu ia fazer.
Já havia me separado da Clove sem esforço, afinal ela queria aproveitar esse dia com Cato. Coração acelerado. Carta na mão. Caminho corajosamente até a urna que fica colocada discretamente no corredor. Porém, enquanto ando uma voz me chama atenção. Seria a voz de Peeta?
Com um discreto sorriso vou andando mais devagar e descubro que o som vem de trás de uma coluna. Silenciosamente me aproximo e observo a cena.
A cena que parte meu coração e me paralisa. Que me traz lagrimas aos olhos. Peeta. Beijando Glimmer.
As lagrimas escorrem pelo rosto e eu reprimo um soluço. Toco-me que ele pode me ver a qualquer momento.
Desiludida, destruída, acabada e me sentindo totalmente estúpida... Saio correndo dali. Vou em direção ao lugar mais vago dali, o jardim.
Me sento na grama e com o rosto entre as mãos... E choro.
Mais do que nunca... Quero rasgar a maldita carta que me fez ter esperanças. Mas ao observar... Percebo que ela não está comigo. Mas não tem problema. Deve ter ficado abandonado por ai... E de que importa? Ninguém nunca saberia que é minha. Ninguém nunca saberá que... O amo.
Para Peeta Mellark. É tudo o que há escrito no envelope. Dentro dele só há meu coração. Não me importo se alguém pisar na carta ou jogá-la no lixo.
Afinal, Peeta já havia feito isso.
POV Peeta.
“Peeta? Cara? Cê tá ai?”
Cato me desperta dos meus devaneios e eu o olho ainda bobo. A imagem de certa morena de olhos cinza estava dominando minha mente.
“Oi?”
“Tava viajando é? Com certeza pensando em garota... Diz ai... Quem é?”
Dou uma risada sem graça.
“Deixa de ser estúpido. Isso é coisa da sua cabeça... Pensa na sua namorada e me deixa em paz.”
Tentei me concentrar em algo que não fosse a Katniss... Mas era algo quase impossível. Toda a cena de segunda feira passa em minha mente. Eu quase a beijei. Eu ainda podia sentir a suavidade de sua bochecha em minhas mãos.
Ah... Eu era apaixonado por aquela garota. Acho que desde que a vi. Mas fora covarde demais para admitir. Porém segunda fora o impulso que precisava para me declarar.
Quase não vira Katniss ontem, admito que esteja a evitando... Para tentar me concentrar e preparar uma declaração digna dela.
Acho que estava tudo pronto. Pretendia interromper o intervalo e me declarar. Rio em pensamento. Eu era um bobo. Ah... Quem liga? Eu só precisava que ela dissesse sim... E o mico valeria à pena.
O sino pro intervalo tocou e Cato saiu apressado, provavelmente ia atrás de sua garota.
Bem, eu ia atrás da minha.
Saio apressado pelo corredor e quando passo em frente a uma das colunas sou puxado e encontro Glimmer em minha frente. Reviro os olhos. Ela nunca ia desistir?
"O que quer Glimmer?"
"Nossa Peetinha... Por que essa agressividade?"
"É Peeta. E eu estou apressado."
"Pra que? Encontrar a Everdeen?"
"Não. Pra pedir a Everdeen em namoro."
Aquilo a deixou em choque. Sorri.
"Com a sua licença..."
"Não. Você devia ser meu. Somos perfeitos um pro outro. Devemos ficar juntos."
"Eu não sou uma coisa pra ser de alguém. Agora é sério. Me deixe ir."
"Não sem isso"
Então ela me puxa e me beija. Oi?
Estou com os olhos arregalados. Antes que eu consiga me afastar dela... Vejo um deslumbre de uma garota morena de olhos cinza cheios de lagrimas. Não. Não pode ser Katniss. Quando consigo me soltar de Glimmer... Katniss já está correndo pra longe.
"VOCÊ É LOUCA GAROTA?"
"Por você."
"Não queria ser grosso... Mas vê se me esquece. Desaparece. E deixa de ser atirada. É ridículo."
A empurro com agressividade e corro atrás de Katniss. No caminho escorrego e quase caio. Indignado vejo que tropecei em uma carta. Endereçada a mim.
A cor do envelope é lilás, cor favorita de Katniss e aquela caligrafia me é familiar... Será que poderia ser dela? Abro a carta e começo a ler.
Querido Peeta,
Eu realmente não pretendo dizer quem sou por que ainda não estou acreditando que estou escrevendo isso. Eu quero muito que você descubra quem sou então, talvez, se você prestar atenção em umas pistas soltas... Você lembre meu nome.
O que interessa... É que por esses últimos dias... Eu me descobri apaixonada por você. Foi uma surpresa e tanto. Principalmente por que eu não queria um relacionamento.
Mas é... Eu gosto de você, gosto mesmo. Eu fiquei confusa de uns tempos pra cá... Dúvidas em minha mente. Será que você poderia gostar de mim? Afinal todos os seus gestos que sempre pareciam sugerir algo mais... Eram apenas o seu jeito?
Às vezes eu desconfio precisar de ajuda. Faço perguntas demais a mim mesma.
Você talvez fique feliz ao saber... Que eu estou chegando ao fim dessa carta. E estou totalmente satisfeita. Eu consegui revelar ao meu colega que estou apaixonada por ele, tirei uma paranoia da minha cabeça... E sabe a melhor parte? Acho que vou conseguir olhar pra você todos os dias.
Afinal... Amo olhar em seus lindos olhos azuis. Da mesma forma que às vezes, você parece gostar de olhar meus.
Com amor, eu.
PS: Ouvi dizer... Que certa vez um casal ficou junto graças a essa ideia de cartinhas no colégio. Bem... Espero que funcione conosco.
Li e reli a carta. Na minha mente... Eu vi vários traços da Katniss ali. Talvez eu só estivesse desesperado para que ela gostasse de mim. Quem sabe?
Com a carta na mão comecei a pensar... Para onde ela iria? O corredor só leva ao pátio, biblioteca e... Jardim. Saio em disparada até lá e a encontro num canto mais afasto, encolhida e tremendo. Ou seria soluçando?
Com o coração aperto me dirijo até ela. Respirando fundo.
“Pequena?”
Minha voz não passa de um sussurro.
POV Katniss.
Eu tentava me acalmar, mas cada vez que eu fechava os olhos eu o via beijando Glimmer. Talvez fosse um fruto de minha imaginação... Mas eu podia jurar ter ouvido sua voz.
“Hey? Katniss?”
Levantei o rosto e vi que ele estava mesmo ali. Suspiro.
“Oi?”
“Desculpe-me.”
“Pelo o que?”
“Pelo... O que você viu.”
“Ah... Tá tudo bem Peeta.”
Eu vou superar afinal.
“Não parece.”
Solto um sorriso mínimo e cansado.
“Mas está. Acredite.”
“Sabe o que aconteceu comigo?”
“Não.”
“Eu recebi uma daquelas cartinhas dos dias de namorados...”
Gelei.
“E...?”
“Acredita que foi anônima? O que eu não daria pra descobrir de quem é...”
“Provavelmente foi uma líder de torcida... É a cara delas, certo?”
“É... Ou talvez tenha sido você.”
E quando ele me encara... Eu não posso mentir. Permito-me corar e abaixar meu rosto. Ele chega mais perto e levanta meu rosto.
“Ei pequena... Eu também gosto muito de você.”
E sem nenhum outro aviso... Ele me beija. E é mais do que algum dia, eu poderia imaginar.
É algo único, sem explicação. É só o sentir. Ele morde levemente meu lábio inferior e eu entreabro a boca levemente, o que é suficiente para sua língua explorar de modo doce minha boca.
O ar logo se faz necessário e nos separamos ofegantes, com as testas coladas. Ele está sorrindo.
“Eu sou apaixonado por você, sua boba.”
E eu não posso evitar soltar uma gargalhada. Eu estou feliz. Todas as preocupações magicamente desapareceram.
“Acho que você já sabe... Que eu estou apaixonada por você também.”
“Sabia que eu pretendia me declarar pra você hoje? Do jeito certo? Mas certo imprevisto aconteceu. Não me importa... O que me interessa saber é... Katniss, você quer namorar comigo?”
Sorri.
“Sim.”
E então nos beijamos de novo e de novo. Ah... Como eu adoro o dia dos namorados.
~*~
Notas finais
Espero que vocês tenham gostado e deixem reviews okay? Tô louca pra saber a opinião de vocês ^^
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