Cupido
1 Odeio você
— Eu vou me casar!
Ergo os olhos do meu computador e vejo todos os outros funcionários aplaudirem a moça com sua conquista.
Por aqui não é novidade, a cada mês uma pessoa parece encontrar o amor da sua vida.
— Obrigada, Cupido! — a moça pega um gato laranja que tomava um banho e beija sua cabeça — Se não fosse ele, jamais teria conhecido meu amor!
Todos aplaudem e eu só consigo ver que o bichano queria apenas sua paz.
O coitado foi adotado pelo nossa empresa, quando sem querer fez o chefe encontrar a alma gêmea dele.
Então, a partir daí, ele foi nomeado Cupido e todos usam da sua “sabedoria de gato” e encontram um parceiro.
Eu acredito que na verdade pode ser a sorte das pessoas, mas tentar convencer esse bando de louco de que um gato não faz milagres, com toda certeza me mandariam embora na base dos chutes e socos.
Para não encherem o saco depois, me levanto e vou parabenizar a sortuda.
— Felicidades, Sabrina — Digo e lhe estendo a mão.
Ela coloca o gato em cima da mesa e me abraça em vez de apertar minha mão:
— Ah, obrigada! E por favor venha na minha despedida de solteira! Quero todas aqui presentes!
— Tudo bem — Concordo.
Dentre as víboras aqui dentro, Sabrina é a única gentil.
— Só tem você de solteirona, Lily — A cobra 1 alfineta — Todos aqui estão namorando ou casando, será que você é azarada ou Cupido não gosta de você?
— Eu sei esperar o tempo certo, e não preciso depender de um companheiro para sobreviver — Sorriu a ela — Não estou desesperada como algumas e que a primeira pessoa que vê a frente se joga em cima.
A cara dela murcha e seus olhos venenosos apontam, de que voltaria outra vez.
A maioria desse setor usa o gato de desculpa, seus companheiros na maioria das vezes já foram embora e eles mantêm as aparências.
Antes que eu pudesse voltar a minha mesa, o chefe do setor se aproxima:
— Lily, temos um novo projeto e quero que participe.
— Estou terminando o outro que me pediu…
— Você consegue, eu sei! — Ele dá tapinhas exageradas em meu ombro — É uma empresa grande, de hotéis…!
Ele permanece falando e eu só vejo que não terei qualquer descanso.
Aqui sou a “faz tudo”, só as cobras lançarem um charme a ele que logo abana o rabo e joga para mim.
Por isso que eu não acredito quando um deles diz que Cupido uniu o seu amor.
Acredito só com Sabrina.
— E teremos o melhor fotógrafo para as fotos, vocês vão trabalhar juntos.
Reviro os olhos, geralmente a gente do design gráfico não se adapta tanto aos fotógrafos, pois eles odiavam quando precisávamos tirar algum elemento da imagem.
— Já trabalhamos com ele antes, é o Anthony Dun.
Meus olhos já se arregalam.
— Logo ele?! — Meu tom saiu alto, mas logo me corrijo — Senhor, da última que trabalhei com ele…
— A salinha pegou fogo, nada de mais! Já foi resolvido e não tivemos vítimas — Ele me interrompe e fica sorrindo, logo baixa o tom para que apenas eu ouça — A empresa quer ele especificamente, então não me decepcione ou é a sua cabeça que rola — O tapa em meu ombro se torna um aperto em aviso — Odeio ele tanto quanto você, mas quem nos contratou é o hotel de luxo, o melhor do país! Acha que é fácil ter contato com os Brown? Não podemos perder essa oportunidade.
Respiro fundo, eu precisava do emprego e trabalhar com um dos grandes era uma boa oportunidade.
Mas detestava Anthony com todas as minhas forças, ele se achava demais e nunca gostou das minhas artes.
Trabalhamos juntos há três anos atrás, era para uma salinha de livros, o infeliz não me ouviu quando disse sobre uma tomada que a energia estava sobrecarregada.
Por sorte, ainda estava passando por reparos, então, os livros não foram perdidos.
Antony então havia usado a tomada para carregar seu celular e foi aí que pegou fogo.
Mas antes fosse esse o meu maior problema, eu estou presa ao meu superior, pois lhe devo uma conta que só vou conseguir quitar daqui a dez anos, e só se passaram quatro.
Ainda estarei presa por mais seis anos.
— Quando eles vêem? — Pergunto rendida e vejo o sorriso falso dele.
— Amanhã, a representante dos Brown vai vir então você e Anthony vão entrar em acordo com ela.
— Sim, senhor.
O vejo dar as costas e ir conversar com as cobras e então eu tento me virar para terminar meu projeto.
Meus pés doíam no salto alto, eram 23:00 e eu ainda permanecia no trabalho.
Pedi as chaves ao chefe, iria terminar esse trabalho para poder focar no hotel.
Sabia muito bem que tomaria bastante tempo.
Criei um anexo e encaminhei no e-mail da empresa que me pediu a criar uma arte para um álbum de música.
Fiquei muito feliz com os resultados, a banda me deu carta branca para fazer da forma que desejar, contanto que usasse as cores que representa a banda.
Tentei manter a essência deles e seus gostos no álbum de acordo com o tema.
Desligo meu computador, e me certifico que estava tudo certo.
Desci pelo elevador e ia me despedir do senhor Renato, o idoso mais gente fina deste prédio.
Ele acariciava o gatinho laranja e sorriu ao me ver:
— Boa noite! Ainda trabalhando Lily?
— O mundo não para, Senhor!
— Precisa descansar viu, até Cupido está preocupado.
Iria brincar com ele sobre entender o gato, mas a bola de pelo laranja me olhava profundamente, como se realmente estivesse preocupado.
— Ele te escolheu Lily — Renato estava satisfeito e mantinha o carinho no animal — Acredite, Cupido é mágico.
— Renato, é um gato — Aponto para ele o bichado miou em resposta — Como poderia saber? E também estou melhor só — Aviso e recomeço a andar em direção às portas de vidro.
— O amor é inesperado Lily! — Disse ele em minhas costas — Cupido sempre acerta!
Não acredito nisso, mas apenas aceno com o braço.
Preciso a partir de agora, preparar meu psicológico para esse ser que detesto.
~*~
No dia seguinte eu já estava exausta.
Precisa estar cedo no trabalho e ver o que seria dali para frente.
Tomei um banho, coloquei um vestido cinza sem estampa, gola V, sem ser exagerado. Uma fita amarrada marcava minha cintura fina.
Meus cabelos pretos e ondulados, estavam na altura do meu pescoço e peguei salto alto preto.
Verifiquei minha imagem no meu espelho do quarto, conseguia ver meu corpo inteiro e só passei uma maquiagem básica, pois meus olhos eram os centros das atenções.
Possuo heterocromia, uma cor em cada olho, castanho e verde.
Confirmo que não esqueci nada: materiais e bolsa e pego meu carro seguindo até o trabalho, ouvindo minhas músicas preferidas.
Meus saltos fazem barulho no chão, enquanto sigo para minha sentença.
Renato estava lá, e sorriu para ele.
— Já está aqui? Precisa descansar viu. — Imito sua fala de ontem.
— Irei tirar a tarde com minha esposa — Responde ele orgulhoso — Então, por hoje estou de manhã.
— Não é melhor assim? A noite pode ser perigosa ao senhor.
—Cupido está comigo — Diz ele como se o gato, na verdade fosse um guarda — Nunca fico só.
Ao falar no bicho, ele se aproxima miando e sobe no balcão, se esfregando em Renato.
— Que curioso — Falei ao acariciar sua cabeça — Está em todos os lugares?
— E sua resposta, minha cara? — Renato chama minha atenção — Vai deixar que Cupido a ajude?
— O gato? — Ele sorri, como se soubesse um segredo — Não acredito nisso.
— Então por que o medo?
Esse velho sabe como mexer com o meu orgulho.
— Então, está bem — Cruzo meus braços em desafio ao gato e noto ele prestando atenção em mim — Duvido, mas eu lhe permito encontrar o amor da minha vida — Ironizo nas palavras.
Mas nenhum dos dois pareceu ofendido, pelo contrário até o gato pareceu “feliz” com o desafio.
Cupido mia para mim, e satisfeito pula o balcão e some entre os demais funcionários que entravam.
— Esse gato não é normal…. — Falo e dou de ombros, depois de me despedir de Renato vou em direção ao elevador.
Antes de subir ao meu andar, bati meu pé levemente e me perguntava até quando merecia esse castigo. Antony é um babaca que se acha, e claro para ele apenas sua opinião importa, sem contar que quando trabalhamos juntos, tínhamos 20 e ocasionou naquele desastre.
Depois de três anos sem vê-lo, até bateu curiosidade em saber como ele ficou, bom eu mudei um pouco, passo as mãos nos cabelos para jogar tal pensamento para longe.
Imagino que meu chefe de setor, o Vinícius , esteja completamente empolgado em encher os bolsos com o dinheiro que vai ter se juntarmos com o hotel.
Estou presa a ele, por quebrar seu relógio caro, o infeliz deixou aquela coisa perto das minhas, o que ocasionou num dia cheio e eu carregando caixas as depositei na mesa e o relógio caiu ao chão e quebrou.
Descobri que ela é um absurdo de caro e esse relógio em específico era herança e os materiais para ele praticamente extintos.
Meu primeiro emprego aos 16 e cá estou presa a um idiota que não sabia onde colocar o maldito relógio.
O problema foi Vinícius ter esperado eu completar 18 anos e me chamar para sair, é assim perdoaria essa dívida.
Achei completamente maluco, e não concordei e agora ele vive me importunando achando que na insistência eu irei ceder a ele.
Ele é um homem nos seus trinta anos, o cabelo tingido de preto, alto, olhos castanhos.
Vinícius não é feio, mas para mim uma mulher de 23 não sente atração por alguém de trinta e galinha, qualquer moça que der trela a ele, logo abana o rabo.
Respiro fundo, e espero a porta abrir e entrar no meu corredor.
Mas meu coração trava por um segundo ao ver quem estava do outro lado da porta:
Seus cabelos pretos estavam despenteados, os fios bagunçados assim como o cérebro dele.
Mas não ficava estranho, não eram tão cheios e sim ondulados, os olhos também pretos me olhavam com curiosidade e análise.
Ele usava calça jeans e camiseta grande de moletom, uma estampa de uma câmera fotográfica o fez parecer um adolescente.
Meu olhar baixou para a bolinha de pelo laranja só seu lado.
Ok, admito. Cupido tem senso de humor.
O paspalho dá seu famoso sorriso de canto, que na cabeça dele é charmoso e me encara:
— Lily, quanto tempo. — A voz rouca só me confirma que ele acabou de acordar — Achei que já estaria rica e longe daqui.
Ele zomba com minhas próprias palavras de três anos atrás, quando ele fez a proeza de queimar a sala.
Eu disse que nunca mais iríamos trabalhar juntos, pois eu estaria ocupada demais sendo rica e em outra empresa.
— Ainda se lembra disso? Nossa que rancoroso — Debochei e vi seu maxilar se fechar.
Ganhei de novo.
Sorrio em orgulho e saio do elevador, empurrando seu ombro, pois o infeliz não deu espaço.
Senti um aroma de menta.
— Tomou banho pelo menos — Retruca ele.
Antes que eu lhe responda Cupido mia e chama nossa atenção.
— Esse gato dá azar, puxou minha roupa só para me trazer até essa louca — Ele fala como se eu não estivesse ali.
— Muito inteligente falando com o gato, Anthony.
— São mais espertos do que imagina.
Reviro os olhos e noto seu sorriso aumentar, deixando à mostra dentes brancos e alinhados.
Ele tirou o aparelho.
— Típico de Lily Sikes, revirar os belos olhos com desdém.
Fico sem resposta pelo elogio aos meus olhos, então apenas o ignoro e vou em direção a sala.
Os saltos fazendo barulho, indicando minha chegada chamam a atenção de Vinícius.
Me irrita que ele me olha de cima a baixo e sorri.
— Bom dia Lily, está linda!
— Obrigada — Respondi e logo tratei de mudar de assunto — Por que o paspalho do Dun já está aqui? — Aponto na direção do elevador e vejo que ele se aproximava da maior paz e calmaria, com Cupido em seus braços.
— Os Brown pediram que ele viesse primeiro, Anthony já sabe de todo o projeto deles. Então cuidado com a língua afiada Lily.
Ou seja, o favorito.
— Sim, senhor.
— Bom dia Anthony, quanto tempo! — Vinícius se aproxima dele e aperta sua mão. — Bom trabalharmos juntos novamente.
— Digo o mesmo Vinícius — Ele aperta sua mão, enquanto com a outra ainda segurava o gato.
— Vejo que conheceu nosso gato, o Cupido.
— Cupido?
— O pessoal acredita que ele encontra a pessoa amada — Ele gargalha, como se nunca tivesse tentado — Virou nosso bicho de estimação, mas os sortudos dizem que foi ele quem os uniu — ele acaricia a cabeça de Cupido — Afirmam que se ele estiver junto, significa que a pessoa amada está próxima, ou que ele te leva até ela.
Meus olhos se erguem para o gato e depois para Antony, foi Cupido quem o levou justamente ao elevador que eu estava.
Foi coincidência não?
Percebo que Anthony tem dois furos na orelha, com brincos de argolas prateadas, o sorriso zombeteiro reapareceu ali.
Ele estava bonito, diferente de três anos atrás, ele cresceu em altura.
Me dou um soco mentalmente por cogitar esse elogio, e no exato momento seus olhos capturam os meus.
Me sinto estranha, as mãos suando.
Desvio o olhar primeiro e digo:
— Quando começamos o projeto?
— Já vou adiantando com as informações e depois o Sr. Brown pode acrescentar.
Vamos todos para a sala de reunião, até Cupido. Esse pestinha entra junto conosco na sala e se estira na mesa enquanto Antony liga o computador e pega sua mochila.
Preparo meu tablet para fazer as anotações.
— Bem como todos conhecem — Ele inicia e um slide se abre à nossa frente com o nome “hotel” no centro — A família Brown é quem tem o maior mercado de hotéis no país e fora… A visão deles agora é o Japão na fazendo acordos para poderem inaugurar seu hotel lá.
Ele muda o slide e algumas fotos do Japão aparecem, muito lindas.
Mordo os lábios, eram todas tiradas por ele.
— Não teremos tempo em tirar fotos novas, então essas são do ano passado que tirei ao viajar por lá — Diz ele — E então eles tem o projeto com o arquiteto e com isso poderemos montar um cartaz e marketing para ser deixado numa obra futuramente.
— E você sabe como vai ser o formato, tamanho, e localização do hotel? — Pergunto — Fica mais fácil para eles colocarem em suas redes e sites.
— Isso o próprio dono quem vai responder, assim ele também lhe dirá os tons que deseja para a imagem.
Anoto tudo em meu tablet e sinto Vinícius se remexer um pouco em sua cadeira:
— Me avisaram de dois projetos, qual o próximo? — Seu tom parece não agradar Anthony, mas ele responde educadamente.
— Sim, isso mesmo eles tem dois projetos, mas não queria confundir a sua mente. — Seu sorriso debochado aparece e não resisti e sorri também — Querem um hotel para pet, então irei tirar fotos de modelos — Seus olhos logo recaem sobre Cupido que dormia tranquilamente na mesa — Temos um aqui bem promissor.
— Tenho certeza que vai ficar perfeito! — Puxa saco.
— Vou montar uma base, e se o Sr. Brown aprovar usarei as cores que ele pedir — Falo e me levanto da cadeira — Vou te passar o e-mail da empresa que uso, então por favor me encaminhe as imagens que precisam ser usadas.
— Você quem manda, patroa — Anthony não perde a oportunidade em me alfinetar, mas o ignoro.
— Se precisarem de algo, só me avisar. Estarei de supervisão no projeto — Vinícius se intromete — Precisam passar por mim a arte final e, caso eu aprove, encaminhamos aos Brown — Ele se aproxima e me surpreende ao tocar em meu rosto, acariciando minha bochecha — Minha Lily nunca decepciona não é?
No susto dou um passo atrás, desvencilhando do seu toque e minhas costas bateram em Anthony, e ele toca levemente meu ombro.
Não tinha notado sua aproximação.
— Cuidado, saltos podem ser escorregadios — Vinícius fala com zombaria.
— Algumas em narizes também, assim bem fechados sabe? — Sinto a voz grave dele atrás de mim e sua mão em punho — Acidentes acontecem.
Vinícius nada diz acerca da provocação, mas apenas levanta as mãos em rendição.
— Espero que esse seja um ótimo trabalho, garoto — E ainda sorrindo se retira da sala.
Ele nunca havia feito contato comigo, suas ameaças basearam em me demitir e por sua influência eu não conseguiria emprego em outro lugar. Nunca aceitei suas investidas para lhe pagar o que devo.
Pela primeira vez, me assustei com Vinícius, ele parecia marcar território com Anthony, e todos os caras que vem ao nosso setor. Mostrar que as mulheres daqui ele quem mandava.
— Cadê a famosa língua afiada? — Anthony zomba, mas para no instante em que vê meus olhos lacrimejados — Desculpe…
Eu odiava parecer indefesa, e ser humilhada na frente dele ainda. Era bem pior.
— Obrigada pela ajuda — Respondo seca e me afasto apressadamente dele, a passos rápidos sigo ao primeiro banheiro feminino.
Deixo as lágrimas caírem e um choro sem som escapa.
Estava com raiva, por estar presa a alguém que pensa onde o mundo e todos nele eram seus pertences.
Com vergonha de travar e não lhe impor respeito.
Aliviada e confusa pela ajuda de Anthony.
A volta dele, sua postura e me defender… Trouxeram coisas que eu desejava esquecer a muito tempo.
Assim que consegui me recuperar, confiro a maquiagem e o cabelo. Retoco um batom claro nos lábios, e sigo em direção ao meu computador.
Anthony estava ali com uma pasta em mãos, encarava Vinícius com suas admiradoras em volta, enquanto as abraçava.
Um cabaré ao vivo praticamente.
Me aproximo e ele percebe.
— Aqui estão informações do hotel pet — Ele diz e me estende a pasta — Está bem?
A pergunta me pega de surpresa e coro, logo dando um tapa em seu braço com a pasta.
— Óbvio, meu intelecto é bem maior — Respondi ele sorriu.
— Em comparação com bebês? Sim o seu é mais formado.
Acabou rindo e xingo ele.
— Odeio você sabia?
— Com todas as suas forças? — Outro sorriso zombeteiro se forma.
— Infinito seu paspalho.
Ele gargalha e se retira da minha mesa, pela primeira vez eu não botei fé em minhas próprias palavras.
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