Cupido

2 Deixe sair


Notas iniciais
Oiê, todos bem? Espero que sim Uma boa leitura 0) se acaso tiver mais erros ou algo que posso melhorar podem meter marcha! Estou aqui para aprender! 😉

— Se sair por esta porta, pode esquecer ser minha filha.

Essas foram as últimas palavras da minha mãe para mim, quando saí de casa aos dezesseis.

Havia ido a outra cidade, morar com meus avós.

Minha mãe nunca me apoiou quando escolhi arte ao invés de medicina como ela.

Mas meus avós me deram um lar, me apoiaram e sempre me davam conselhos.

E dito e feito, minha mãe nunca me aceitou, assim como meu pai, eu fui embora.

— Lembre-se mãe, foi você mesma quem nos afastou. — Eu estava com raiva e triste então fechei a porta e nunca voltei atrás.

E foram meus avós que me incentivaram a entrar como jovem aprendiz na empresa de design “Paraíso”.

Que na verdade se tornou minha prisão.

— Lily, cadê meu café? — Dizia um.

— Lily! A minha caixa!

— LILY!

Eu era o burro de carga de todos os funcionários, mas não deixava de aprender o máximo do que faziam.

Quando estava na escola, sempre pegava livros sobre artes e desenhos, pedia dicas aos professores e até consegui comprar um curso de designer.

Vinícius havia acabado de se tornar o chefe do setor de design, onde eu estava.

Enquanto as funcionárias estavam dando em cima dele eu precisava correr com quatro caixas para serem entregues na sala do chefe.

Eram materiais destinados ao setor de costura, mas que foram entregues na sala errada e eu tinha de arrumar.

E foi neste momento que tudo desandou.

— Lily, ainda tem a documentação que deixei na sua mesa, não deixe de entregar ao chefe! — Uma funcionária ordena e se retira da sala.

Eu estava com as mãos cheias, mas se não pegasse aquela droga ela certamente me demitiria.

E meus avós que se esforçaram tanto para que eu entrasse nesse lugar, não queria desapontar.

Volto a mesa e apoio as caixas na mesa, ouvindo no mesmo instante um barulho se algo se despedaçar.

Vejo jóias caindo ao chão, e vidros se espalhando.

O ar da sala ficou em completo silêncio, e depois as risadinhas das cobras vieram no instante em que Vinícius se dirigia a mim com indignação.

— Meu relógio!

Quem em sã consciência deixaria algo largado assim?

— Me perdoe, eu não o vi!

— É um material caro, muito caro! — Ele ignorava totalmente o que eu dizia.

Pegando os restos do relógio, ele os deposita rapidamente numa sacola.

— Vamos conversar depois mocinha.

Travo na hora com medo de ser demitida, mas ao invés disso ele criou um documento que me obrigaria a pagar o valor do relógio.


Abro meus olhos ao ouvir o despertador de fundo.

Massageei minhas têmporas, a fim de tentar esquecer essa maldita lembrança.

Tomo um banho, visto uma saia até os joelhos, preta e lisa, cintura alta, camiseta branca de mangas compridas e o restante do tecido da camiseta a escondo dentro da saia, dando destaque a minha cintura.

Saltos altos preto, e os meus cabelos soltos e ondulados.

Queria parecer mais elegante, pois iríamos conhecer alguém importante.

Um batom rosado e maquiagem leve.

Pegando todos os meus materiais tranco minha casa e sigo para o carro.


Estacionei na garagem da empresa junto a outro carro, um Jeep Compass cinza: era grande se comparado ao meu, a beleza dele chama atenção e certamente não foi barato.

Desci do carro junto com o colega e quando noto de quem se trata me arrependo amargamente.

— Um Mini Cooper, Sikes? Sério? — O imbecil provoca e sorri para mim — Pegou emprestado com o Mr. Bean?

Anthony gira suas chaves nos dedos, demonstrando mais poder que eu.

A única diferença era que meu carro era azul, mas sim era o mesmo modelo do meu comediante favorito na adolescência, mas ele não merecia saber disso.

— Sempre tão educado, Dun? — Devolvo usando seu sobrenome também — Um milagre ter vindo cedo tomou banho hoje?

Sorrio em zombaria e o analiso: seus cabelos estavam arrumados, camiseta social e calça jeans preta, por cima um sobretudo cinza e botas coturno, as argolas brilhavam na sua orelha.

Ele parecia um bad boy educado.

Percebo que ele também me analisava e apenas ergue um pequeno sorriso nos lábios.

— Preocupada com meu banho? Na próxima te chamo em call — Provoca e o encaro indignada.

— Seu…! — Sinto a vergonha se espalhar, mas não deixaria barato.

Infelizmente não encontro resposta e ele gargalha, logo em seguida me dando as costas e seguindo para a entrada da empresa.

Me recusando a entrar junto dele, finjo que verifico a tranca do carro e espero que suma da minha vista.

Fecho os olhos com força, e me forço a respirar devagar.

Como aquele idiota ficou tão bonito? Admito que na primeira vez que trabalhamos juntos eu tive uma quedinha, mas ela logo foi substituída ao ver sua arrogância.

E agora ele testa minha paciência.

Um miado, me tira do devaneio e abro os olhos. Encontro o olhar do Cupido sob mim, os olhos caramelados me observam com atenção.

Ele estava deitado no capô do meu carro, e o encaro nervosa:

— Essa é a sua escolha? — Aponto para onde Anthony foi — O palhaço do Dun? Você é bem comediante para um gato.

Ele ronrona e sem resistir faço carinho em seus pelos, ele esfrega a cabeça na minha mão.

Como brigar com um ser desses?

— É só um gato Lily, pare de ser louca — Sussurrei a mim mesma — Hora de trabalhar! Vamos Cupido.

Ele aceita que eu o pegue no colo e começamos juntos nossa caminhada até o escritório.


Que estava um caos.

Eram pessoas andando por todos os lados, uma bagunça.

Caminho até a mesa de Vinícius e ele ergue os olhos do seu computador e sorri como um cafajeste.

— Ah, olá querida.

— Por que toda a correria?

— Precisamos deixar tudo certo, afinal a elite dos Brown virão.

Olho a sala novamente, as pessoas fazem de tudo para organizar seus papéis e não parecer desleixado.

O telefone da sua mesa toca, e bufando ele atende.

— Alô?

Sua expressão vai mudando, à medida que a pessoa do outro lado da linha dizia. Um largo sorriso cobre seus lábios e já sei que vem problema.

— Muito obrigado!

Assim que desliga e coloca o telefone no lugar ele ajusta sua gravata e se levanta da mesa, como se tivesse ganhado o mundo.

— O chefe nos permitiu usar sua sala de reuniões, vamos receber o Sr. Brown lá.

Imaginei, pois alguém tão importante eles desejariam mostrar o que tem de melhor.

— O Anthony já vai subir com ele, então vamos também — Ele pega seu caderno e me dirijo a minha mesa, para pegar minha bolsa.

Não me permiti soltar Cupido, ele ainda estava firme em meus braços e pareceu não se incomodar quando o estava levando comigo ao elevador.

— Deixa esse bicho aí — Ordena Vinícius quando aperta o botão do elevador para descer até nós — Ele não vai roubar meus holofotes.

O encaro com desdém, é sério que ele está com inveja do gato?

— Gostaria de subir com ele, quando chegar no andar eu o solto — Afirmo e aperto Cupido em meus braços.

Ele seria a minha medida de distância de Vinícius.

Notando que eu não cederia ele apenas dá de ombros e entramos no elevador, pois de jeito nenhum eu ficaria de mãos vazias perto dele. Sentia conforto com Cupido em meus braços.

Um silêncio constrangedor nos preenche e é Vinícius quem o quebra:

— Quatro anos, hein?

— Sim.

— E você é a única que ainda não subiu de cargo.

Porque você é um imprestável e babaca.

— Só até quando quitar minha dívida — Respondi.

Ele acha que cederei aos seus caprichos, o que mais incomoda é o fato dele não ter desistido durante esses anos.

Por sorte, consegui clientes por fora, então aos poucos irei fazer meu próprio público.

Ele não pode saber ou logo me sabotaria.

Vinícius estava próximo, até demais para minha irritação, e olhando minha aparência aponta:

— Está bem elegante hoje, Lily.

— Obrigada, senhor.

— Ora, não estou tão velho assim — A voz sai mansa — Ainda faço sucesso com as moças — E pisca para mim.

Reviro os olhos o máximo que meu corpo permite e mudo de assunto.

— Concertou o relógio? Depois daquele dia, nunca mais o vi.

— Depois do nosso acidente, resolvi me prevenir — Ele ri falsamente e vai tocar em meu braço, mas para nossa surpresa, Cupido rosna para ele, e o mesmo afasta rapidamente a mão boba — O que aconteceu carinha? — Sua fala era de poucos amigos.

Por segurança me afasto dos passos dele.

— Deve estar com sono, talvez, sabe como as pessoas sobrecarregam nosso Cupido — Sorri amarelo e ele fingiu engolir isso.

As portas do elevador se abrem e trato de apressar meus passos com o gato.

— Obrigada Cupido — Sussurrei e beijei sua cabeça, em resposta ele mia para mim.

Deixo o gato com a secretária do chefe e nem espero Vinícius se aproximar quando bato na porta e peço licença.

A sala do chefe é a mais bonita do prédio, com um bom espaço e os móveis perfeitamente em seus lugares.

Uma mesa quadrada, grande e cinza chamava atenção por estar no centro da sala, as cadeiras de couro pareciam ser muito macias.

Vejo numa das cadeiras um senhor de terno preto, cabelos castanhos, uns poucos fios brancos.

Mas o que me chama atenção é seu relógio de pulso: redondo, de ouro, com os ponteiros feito em jóia, e a corrente de couro.

Igual que Vinícius usava no começo do meu trabalho.

Anthony conversava calorosamente com o senhor e conclui ser o Brown e junto a eles nosso chefe Elias.

Ele sempre foi mais reservado, então era difícil vermos ele em outros.

Os olhos de Elias são azuis, cabelos loiros sempre penteados, nenhum fio solto, assim como o outro, seu terno era impecável.

Seus olhares recaem sobre mim e todos se levantam das cadeiras.

— Deve ser a Srta. Sikes, Anthony me falou sobre você — Ele estende a mão gentilmente e a aperto.

— É uma honra a sua presença em nosso estabelecimento senhor.

— A honra é minha — Ele sorri e nos sentamos nas cadeiras.

Vinícius havia sido completamente esquecido, até que apareceu na frente do senhor para cumprimentá-lo.

— É um prazer Sr. Brown, eu sou Vinícius, responsável pelo setor de design.

Ele estende sua mão e o outro a aceita.

Anthony sorri de escanteio e assim estende uma pasta para mim e outra para Vinícius.

— Fiquem a vontade na minha sala, se precisarem estarei ali — Elias aponta para sua outra mesa, onde tinha um computador.

— Obrigada, Senhor — Agradeço e ele acena a cabeça seguindo a sua mesa.

Então Anthony entrega a pasta ao Sr. Brown que começa dizendo:

— Aqui estão as cores e a forma do prédio — aponta a página para seguirmos — O prédio já foi aprovado no Japão, então iniciaremos as obras, quanto ao hotel dos animais não se preocupe mocinha, gostaria que priorizasse o do Japão, pois se já tivermos nossa propaganda mais fácil os novos clientes podem ver.

— Sim, Sr. Brown — concordo enquanto folheio a pasta — Farei o possível para não demorar e entregar um produto de qualidade.

— Pode me chamar de Peter — Ele diz como meu avô, calmo e tranquilo.

— ok, Peter — Sorri de volta.

Era lindo a arquitetura do lugar, ele foi bem planejado e dava para notar o cuidado de quem fez a planta.

A cada página eu vejo o zelo e esforço, as cores planejadas de acordo com a estação, o prédio ficava num ótimo local, perto do centro da cidade, e o exemplo em 3D simplificada como estaria durante os anos.

Tons de rosa devido às árvores de cerejeira, a madeira em um marrom vivo, belíssimo.

— É um ótimo trabalho, Sr. Peter — Digo admirada.

— Sempre vamos atrás dos melhores funcionários.

A medida que a conversa ia, eu não podia evitar em não olhar para seu relógio, era exatamente ao que quebrei e não seria possível ser herança de família de duas pessoas.

— Então, estamos todos em acordo? — Vinícius se pronuncia novamente final.

— Sim, estamos. Podem começar — Peter concorda e os homens dão as mãos, e o chefe apenas acena a cabeça em aprovação:

— Obrigado por se juntar a nós. — Diz ele e aperta a mão de Peter.

Quando arrumamos nossas coisas, uma pergunta instala em minha garganta, e não consigo evitar:

— Sr. Peter, poderia fazer uma pergunta mais pessoal?

— Ah claro, sem problema — Diz curioso.

— Um relógio como o seu, poderia quebrar com uma queda?

Noto os olhos de todos indo direto ao pulso dele, e o mesmo o analisa. Estendendo o braço para que eu veja ele respondeu:

— Existem cópias baratas deste relógio, talvez a senhorita viu uma delas. Este eu recebi de presente de um amigo na França — Ele sorri ao lembrar — Eles são jóias puras então apenas uma forte pressão consegue quebrar essa belezinha.

Uma forte pressão.

Eu apenas deixei uma caixa em cima.

— Ah, então tem muitos mentirosos que usam o relógio de desculpa para dar golpes? — Falo olhando de escanteio a Vinícius, ele pareceu hesitar e só me fez ferver o sangue.

— Ah, pode ter certeza. Alguns alegam ser materiais inestimáveis e fazem pessoas mais pobres a trabalhar uma vida inteira — Ele se aproxima de mim e como um avô protetor afaga meus ombros — Muito cuidado mocinha, existem muitos cafajestes por aí.

— Obrigada pela dica, senhor — Respondo os olhos já querendo marejar novamente.

Meu corpo inteiro queria gritar.

Aquele desgraçado me usou por quatro anos. Quatro anos.

Eu era uma criança tola e me mantive assim até hoje.

Como um cavalo, com seu cabresto tapando sua visão e o coitado segue as ordens de seu dono, pois tem algo que cobre seus olhos de verem o que está ao lado.

O pior, foi ter assinado um papel me obrigando a estar com ele até que termine, se não seria presa.

Eu respirava forte, a mente se enchendo de raiva e ainda mais humilhação.

Mas a cereja do bolo, foi ver Vinícius apertar as mãos de Peter e depois de Anthony, para logo em seguida me encarar.

E sorrir da minha cara, sua expressão dizia claramente: “nunca vai me pegar”

Vinícius não tinha nenhum pudor ou caráter, provavelmente ele fez isso com várias pessoas.

Anthony nota meu olhar, e não consigo mais disfarçar minha ira.

— Sr. Peter, me desculpe a deselegância — Aviso e seus olhares se voltam a mim novamente — Anthony, Elias — todos estão confusos — Provavelmente o Sr. Peter vai precisar procurar outro design. — me aproximo de Vinícius.

Sem que nenhum deles pudesse reagir, minha palma foi totalmente aberta de encontro com o rosto de Vinícius, fazendo um estalo tão alto que até eu pensei que arranquei sua cara fora.

Ele perde o equilíbrio e tropeça, caindo de bunda no chão.

Ouço uma gargalhada de Anthony e Peter , mas ele logo segura, Elias está em choque por não entender nada e apenas tiro uma poeira invisível e me arrumo como uma verdadeira dama, ereta e com as mãos na frente ao corpo.

— Senhorita Sikes! — Elias repreende, mas ignoro.

— Por me fazer perder quatro anos — Falo apenas para Vinícius que me encara com ódio.

Não dou tempo de nenhum deles se manifestar e sigo em frente,

Não poderia apagar aquilo, e com certeza seria demitida por agredir meu superior.

Ando pelo corredor e entro na primeira porta à minha frente.

Era uma sala pequena de limpeza, no canto havia vassouras, rodo e baldes.

Um banquinho de madeira estava encostado na parede, o peguei lentamente e me sentei.

Respirei fundo, a mão vermelha e dolorida.

Quatro anos perdidos.

Quatro anos me submetendo a um imbecil.

Quatro anos sem falar nada.

Eu sabia que depois disso, era justa causa a demissão.

Seriam loucos se me mantivessem aqui, e para piorar eu não iria conseguir provar nada.

Vinícius deve ter jogado fora aquele relógio falso, e os papéis que assinei, mas pelo tapa ele tem prova em me prender.

Eu não aguentei aquele olhar de deboche, o sorriso de triunfo.

Aquilo foi que mais me irritou.

Então ela veio, lentas e silenciosas. As lágrimas desciam junto com minha angústia.

Eu não fiz barulho, pois não queria ser questionada, pelo menos não agora.

O celular toca, mas não o atendo. Estava cansada e não queria ninguém.

Achei que deixando as lágrimas saírem, a minha humilhação e anos desperdiçados iriam embora com elas.

O choro não parava, a maquiagem sai toda, e pegando um pano limpo da limpeza o passo em meu rosto, tirando o máximo o excesso de maquiagem.

Meus ombros tremem, e baixo a cabeça, apoio os ombros nas coxas e encaixei meu rosto entre as mãos.

Um som baixo sai da minha garganta.

Me lembro da minha mãe, ela dizia que daria errado, que eu voltaria como hm cachorro sem dono.

Meus avós sempre me apoiaram, tento me agarrar a eles, pegar os sentimentos bons.

Os dois se tornaram meus pais, e ficaram muito felizes quando consegui alugar meu próprio apartamento. Tinha medo de decepcionar eles, então nunca contei sobre o relógio.

Ouço um arranhado na porta, seguido por um miado leve.

Era cupido.

Meu coração se sentiu leve e agradecido, então me levantei limpando o rosto, precisava dessa bolinha de pêlo laranja.

Mas assim que abro a porta me surpreendo ao ver que ele trouxe alguém.

Cupido trouxe Anthony até mim de novo.

Por reflexo puxo a porta para fechar, mas ele impede. Com uma mão ele segura a porta e a abre o suficiente para que ele entre.

— O que está fazendo? — Reclamo, tentando inutilmente afasta-lo — Não estou com brincadeiras Anthony!

Mas ele nada diz e termina de entrar na salinha, o espaço entre nós fica pequeno.

Minha cabeça alcança o seu pescoço, e eu evitava a todo custo olhar em seus olhos.

— Anthony, por favor me deixe sozinha. — Sussurrei, segurando o máximo que conseguia em não chorar mais na frente dele.

Ele chegou agora e já me viu chorar duas vezes, me sentia ridícula.

Ele me abraça, sem mais e nem menos. Um braço circulou na minha cintura enquanto o outro sobre pelas minhas costas e sua mão segura minha cabeça, os dedos firmes em meus cabelos.

Seu coração está acelerado, como o meu e sinto um cheiro amadeirado.

— Precisamos falar sobre seu elefante na sala, mas antes joga logo tudo para fora. — Diz firme e me aperta mais em si.

Sem minhas ordens, as lágrimas retornam.

Esse desgraçado conseguiu me trazer segurança e eu não pude mais guardar.

Deixei o choro sair mais forte, e escondi meu rosto em seu peito.

— Por que está sendo legal? — Minha voz sai abafada em seu peito — Deveria estar reclamando.

Ele ri e sinto nos balançar levemente:

— Depois daquele belíssimo tapa? Irei escolher bem as minhas palavras, mas óbvio que irei reclamar das suas péssimas edições.

Ele diz em tom de zombaria.

— Você é um péssimo consolador.

— E quem disse que eu vim te consolar?

— Idiota.

— A seu dispor — Ele apoia sua cabeça na minha e sinto no meu cabelo seu hálito quente.

Não sei quanto tempo ficamos assim, mas foi muito bom.

Te perdoo dessa vez Cupido.