Jimin segurava o diploma com as mãos trêmulas, os olhos marejados. Um sorriso largo tomava conta de seu rosto enquanto ele deixava as lágrimas escorrerem livremente. Era o fim de um ciclo. Ele havia conseguido.

Nunca imaginou que chegaria até ali, mas não foi sozinho. Contou com o apoio constante dos amigos, que estiveram ao seu lado em cada dificuldade, em cada prato que deu errado, em cada madrugada estudando técnicas de confeitaria.

— Conseguimos, Chim! — Taehyung ergueu a taça de vinho, os olhos brilhando de alegria.

— Conseguimos, Tae! — Jimin respondeu, brindando com um leve tilintar de cristais, emocionado.

— Ótimo, — disse Yoongi, servindo-se com mais vinho — agora vocês dois estão oficialmente contratados como meus cozinheiros particulares. Espero pratos incríveis todos os dias.

— O seu único cozinheiro particular sou eu, amor… — Taehyung resmungou, com um olhar dramático e carinhoso para Yoongi.

— Ciúmes a essa altura do campeonato, Senhor Taehyung? — Yoongi arqueou uma sobrancelha, sério, mas com um brilho divertido nos olhos.

— Não é ciúmes, é só que… quero ser o único a cozinhar pra você. Só eu… — Taehyung murmurou, fazendo beicinho.

— Ai, deuses! — Yoongi revirou os olhos, tentando manter a pose, mas não conseguiu esconder o sorriso — Você é insuportavelmente fofo, sabia?

Jimin soltou uma gargalhada alta, balançando a cabeça ao ver a cena diante de si. Taehyung e Yoongi estavam casados há cinco anos, mas pareciam ainda dois namorados bobos, daqueles que se encontram pela primeira vez e acham que o mundo gira ao redor do outro. Discutiam por qualquer coisinha, era verdade, mas não se desgrudavam por nada. Mesmo com o jeito marrento e meio frio de Yoongi, Jimin sabia muito bem: quando ninguém estava olhando, ele virava um pedacinho de açúcar no colo do Taehyung.

— Então… agora todos estamos formados. — Jimin disse, erguendo a taça e dando um gole no vinho. — Quando vem o baby?

— O quê? Que baby? Tá louco, Jimin? — Yoongi fez uma careta, franzindo a testa como se tivesse ouvido uma piada boba.

— Ah, Yoonie… — Taehyung suspirou, já com aquele sorriso sonhador — Imagina um filhinho nosso... um baby com a sua carinha marrenta e o meu charme? Seria o meu sonho...

Ele se aproximou, puxando Yoongi pela cintura e o envolvendo num abraço apertado.

— Você tá louco? — resmungou Yoongi, tentando manter a pose empurrando ele de leve, mas era visível o esforço que fazia pra não sorrir. Taehyung conhecia todas as fraquezas do marido e, claro, usava cada uma a seu favor.

— Ah, Yoon, para de ser chato… me deem um sobrinho logo! — Jimin entrou na brincadeira, rindo. — Imagina só, um mini Tae correndo por aí, ou pior… um mini Yoongi!

— Isso, escuta o Chim, ele sabe das coisas… — Taehyung começou a distribuir selinhos pelo rosto do marido, rindo entre um e outro — Vamos fazer um bebê, amor, vai…

— Ok, ok! — Jimin ergueu as mãos em rendição, rindo alto — Mas, por favor, espera eu ir embora, né? Caralho!

Todos caíram na risada, o clima leve e cheio de afeto preenchendo o ambiente. Entre vinhos, provocações e sonhos futuros, a amizade e o amor eram a verdadeira sobremesa daquela noite.

— Para de ser bestas, vocês dois. Nada de filhos por aqui. — Yoongi cortou a conversa com seu tom prático e direto. — Tenho muita coisa pra fazer, projetos pra pôr em prática… vou começar uma pós. Não vou ter tempo pra cuidar de criança… já não basta eu ter que cuidar do meu marido. — completou, lançando um olhar dramático para Jimin e revirando os olhos.

— Ei! — Taehyung protestou, fazendo beicinho, claramente fingindo estar ofendido. Mas a verdade era que ele adorava quando Yoongi o tratava como se fosse seu bebê.

— Yoon, você vai acabar com duas crianças pra cuidar, — disse Jimin entre risos, se divertindo com a cena.

— Olha aqui, Jimin, para com isso! Não dá ideia pra esse cabeçudo do meu marido! — Yoongi respondeu, apertando Taehyung em um abraço sem nem perceber o carinho espontâneo.

Jimin apenas riu, balançando a cabeça. Estar com aqueles dois era sempre um alívio para a alma. Eles eram sua família, sua base, seus maiores parceiros de vida. E agora, além de amigos e quase irmãos, Taehyung e Yoongi também eram seus sócios. Os três estavam prontos para abrir juntos a confeitaria dos sonhos. O futuro parecia doce e não era só por causa dos bolos.

Taehyung havia se formado em gastronomia junto com Jimin. Eram inseparáveis desde sempre — vizinhos, amigos de infância, cúmplices de vida. Jimin havia perdido os pais em um trágico acidente de carro ainda muito jovem, e embora tivesse sido acolhido pelos tios, nunca se sentiu verdadeiramente em casa com eles.

Foi na casa dos Kim, com Taehyung e sua família calorosa, que Jimin encontrou um lar de verdade. Quando completou dezoito anos, se mudou oficialmente para lá, e os pais de Taehyung o acolheram como um filho. Lá, ele era amado, ouvido, incluído. Lá, ele era da família.

E foi justamente por isso que Jimin se sentiu na obrigação de intervir quando percebeu que duas pessoas ao seu redor estavam completamente apaixonadas, mas decididamente teimosas demais para admitir isso: Taehyung e Yoongi.

O processo, claro, foi um caos. Taehyung ficava todo bobo, tímido e tropeçava nas palavras sempre que via Yoongi. Era um poço de nervosismo e falava cada besteira que dava vergonha alheia. Yoongi, por outro lado, mantinha a pose de orgulhoso rabugento, sempre com uma resposta afiada na ponta da língua. Achava Taehyung um idiota… mas estava irremediavelmente apaixonado por esse idiota.

Foi aí que Jimin, o cupido oficial, entrou em ação. Armou encontros "por acaso", inventou motivos para os dois passarem tempo juntos, criou situações onde eles tivessem que conversar. E depois de muitas tentativas, algumas frustrações e risadas, o plano deu certo. Eles se entenderam, se apaixonaram ainda mais e o resto virou história.

Agora, ali estava Jimin, cinco anos depois, sentado com uma taça de vinho na mão, rindo das provocações de Taehyung e Yoongi, que agora eram casados. Quem diria?

Taehyung e Jimin compartilhavam o mesmo sonho desde que se entendiam por gente: tornar-se grandes confeiteiros. Ainda crianças, passavam horas na cozinha, testando receitas, lambuzando o avental e criando doces diferenciados — nem sempre com sucesso, é verdade. Pequenos acidentes aconteciam, como farinha voando por todo lado ou chocolate derramado no fogão, mas nada que não virasse motivo de risadas e doces lembranças.

A paixão pela confeitaria nasceu dos pais de Jimin, que foram donos de uma pequena loja charmosa no centro da cidade. Era um lugar acolhedor, com cheiro de bolo no ar e vitrines cheias de sonhos — literal e figurativo. Após o trágico acidente que tirou a vida deles, a confeitaria foi fechada e, com o tempo, caiu no esquecimento, tornando-se apenas uma lembrança empoeirada e a única herança que deixaram para Jimin.

Mas os sonhos nunca morrem. E foi Taehyung quem reacendeu a chama. Ele teve a ideia de reformar o local, dar vida nova à antiga confeitaria e transformá-la em um negócio conjunto. Como estava em uma localização excelente, no coração da cidade, o investimento parecia promissor. Taehyung se propôs a bancar os custos da reforma e, juntos, se tornarem sócios da realização do sonho de infância.

Jimin, emocionado, não pensou duas vezes. A ideia o tocou profundamente, não apenas pela chance de empreender com o melhor amigo, mas também por sentir que, de algum modo, estava honrando o legado dos pais.

Naquela noite, os três — Jimin, Taehyung e Yoongi — brindaram à nova fase. Beberam, riram e celebraram com o coração leve, sentindo que, finalmente, as portas da confeitaria… e da vida, estavam se abrindo diante deles.

No dia seguinte, o trio seguiu rumo ao antigo ponto da confeitaria dos Park’s. Assim que abriram a porta, foram recebidos por uma nuvem de poeira, cheiro de mofo e paredes descascadas. O local, que um dia foi cheio de vida e cheiro de bolo fresco, agora mais parecia cenário de filme de terror de baixo orçamento.

— Olha… é só dar uma varridinha que fica bonito, — disse Taehyung, tentando manter o otimismo ao encarar as teias de aranha e o teto parcialmente caído.

— Uma varridinha? — Yoongi arqueou uma sobrancelha, revirando os olhos antes de dar um soquinho no braço do marido. — Deuses… com quem foi que eu me casei?

Ele se virou para Jimin, já ligando seu modo “gestor responsável”.

— Jimin, escuta, a gente precisa de planejamento. Reformar esse lugar vai dar trabalho. Precisamos colocar tudo no papel. Vocês dois são confeiteiros, certo? Quem vai cuidar da administração da loja? Já contrataram alguém?

— Você! — Jimin e Taehyung responderam ao mesmo tempo, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Yoongi piscou, encarando os dois com expressão de puro pânico.

— Espera aí… — levou a mão à testa, como se a dor de cabeça já estivesse se formando — Vocês tão contando comigo pra gerenciar o negócio de vocês?

— Sim! — repetiram em uníssono.

— Você é o mais inteligente do trio. É o nerd do bando, — Jimin deu de ombros.

— Porra, eu sou professor! Um professor de línguas estrangeiras! Não um administrador de confeitaria! — exclamou Yoongi.

— Amor, por favor… — Taehyung o interrompeu, fazendo sua carinha mais fofa e inclinando a cabeça de leve — Só você consegue nos ajudar. Você é o cérebro da operação.

Yoongi suspirou fundo, desviando o olhar, tentando manter a pose de durão. Mas era impossível resistir àquela expressão de Taehyung. Internamente, já estava derretido e pronto pra ceder.

— Vocês dois vão me matar ainda… — murmurou, já avaliando o espaço e pensando por onde começariam a limpeza.

Jimin riu, colocando a mão no ombro do amigo:

— Bem-vindo à nossa nova confeitaria, gerente Yoongi.

Yoongi fingiu desgosto, mas no fundo sentia que aquela loucura, no fim das contas, poderia dar muito certo.

— Preciso pesquisar algumas coisas… — Yoongi disse, já puxando o celular do bolso. — Vou fazer o que puder pra ajudar, mas só porque confio na capacidade de vocês. E, mais uma coisa: vocês vão precisar contratar ajudantes. E principalmente, alguém pra gerenciar a loja depois. Eu não vou ficar aqui pra sempre, viu? Tenho minhas aulas pra dar.

— Sem problemas! — respondeu Jimin, animado.

— Ahhh, por isso que eu te amo, amor! — Taehyung exclamou, puxando Yoongi pela cintura e distribuindo beijinhos em seu rosto.

— Para com isso, sai Taehy! — Yoongi tentou afastá-lo com um empurrão leve, mas sua voz saiu mais manhosa do que ele pretendia. O que ele mais odiava: perder a pose sem querer.

— Vixi… chamou de "Taehy", eu já sei que vai acabar em putaria, — Jimin comentou, gargalhando, enquanto fingia não ver o casal prestes a se pegar ali mesmo entre as telhas caídas e o balcão mofado.

Deixou os dois na bolha amorosa deles e caminhou até o centro da antiga confeitaria. Olhou ao redor, respirou fundo e fechou os olhos por um instante, tentando visualizar o futuro. Em sua mente, as paredes ganhavam vida, as prateleiras se enchiam de doces coloridos, o ar se enchia de cheiro de bolo recém-saído do forno.

Abriu os olhos com um sorriso sereno e determinado.

— Mãos à obra! — disse com firmeza, arregaçando as mangas da blusa.

E assim começava a transformação da Magic Shop, com amor, amizade e um pouquinho de caos.

Notas finais
Ahhhhhhh como eu amo os TaeGi casadinhos e "brigando". Tão fofos :3 Que mistério! Quem será o gerente da loja de bolos do Jimin? :O