Cupcake
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Salto da cama. Meu coração bate tão forte que consigo ouvi-lo. Respiro fundo, tentando me acalmar, mas é uma tarefa impossível. Quinn Fabray está em Nova York!
– Onde? Você falou com ela? Está tudo bem? Meu deus, e-eu não acredito. Me passa o endereço, estou indo para aí. Santana, você tem certeza? Oh, eu tenho que avisar Kurt e então nós podemos convidá-la para um... Não, ela não aceitaria. Ah, tem tanta coisa que...
– BERRY! Respira, ok? – Santana interrompe – Eu apenas a vi hoje, enquanto caminhava em direção ao supermercado. A vi de longe, mas era ela, tenho certeza absoluta. Aliás, como não reconhecê-la?
– Vo-você não foi atrás dela!? – digo indignada.
– Rachel, como eu disse, eu estava indo ao supermercado e eu realmente não queria me perder.
Bufo em descrença. Que tipo de amiga Santana era?
– Relaxa, Berry. Consegui identificar a roupa que ela estava usando e, se não me engano, ela está trabalhando naquela lojinha de roupas... Ah, qual era o nome mesmo? Hum... Lembrei: Forever 21!
Grito alto em comemoração, eu finalmente veria Quinn de novo.
– Obrigada, obrigada e obrigada! Ai, eu te amo! – digo enquanto já começo a me arrumar para ir a tal loja.
– Que nojo, Berry. E pare de gritar, está ferindo meus preciosos tímpanos! Ah, se você falar com ela, avise que está ferrada por ignorar a pessoa mais gostosa que ela conhece: eu.
– Até parece. – digo e rolo os olhos exageradamente. Mesmo que eu não possa ver Santana, sei que ela está um sorriso malicioso no rosto.
– Uh, você sabe que é verdade. Boa sorte com a loira aguada.
E antes que eu pudesse responder, Santana cortou a ligação.
Saí em busca da loja e andei cerca de cinco quarteirões até me dar conta de que o supermercado que Santana ia era do outro lado da cidade. Acabei encontrando a loja facilmente após me lembrar da existência de GPS. Quando entrei, o sininho da porta soou, atraindo a atenção das vendedoras, que caminharam até mim.
– Olá – disse uma delas.
– Seja bem-vinda a Forever 21! – exclamou outra.
– Estamos aqui para ajudá-la. – outra falou.
– Qualquer coisa nos chame, por favor. – outra terminou.
Ainda um pouco atordoada com esse assédio incomum de Nova York, caminho até o provador: o único lugar aparentemente seguro daquela loja. O local era muito escuro e o meu desespero era grande, ou seja, acabei entrando num provador que já tinha uma pessoa.
Por sorte, a moça estava de costas e apenas seminua. Ela era loira, alta e bem clara. Tinha uma silhueta bem familiar. Passo uns minutos analisando a pessoa a minha frente, até que ela se vira e nossos olhares se encontram. Espera aí, eu conheço essa garota!
– QUINN! – exclamo alto e me jogo em seus braços.
– Rachel? — Quinn pergunta confusa.
E então me dou conta de quão constrangedora é a situação.
Me afasto rapidamente dela e cubro os olhos automaticamente com as mãos.
– De-desculpa – sussurro baixo e sinto minhas bochechas se ruborizarem. Ultimamente, tudo relacionado à Quinn me deixa envergonhada.
– Hey, tudo bem. – Quinn diz serena, destapando meus olhos – Você só entrou no provador errado, este é o dos funcionários.
– Então você está mesmo trabalhando aqui? – questiono mais séria, tentando me esquecer da situação em que estávamos e descobrir o porquê de Quinn estar ali.
– Sim. – Quinn responde em um suspiro – Muitas coisas mudaram, Rachel.
– É só isso que você vai me dizer? Depois de eu te procurar como uma louca e ligar até para sua mãe? Onde foi parar nossa amizade, Quinn? Eu estava sentindo sua falta, estava preocupada e venho até aqui te procurar e acabo ficando num provador com você seminua e misteriosa. E-eu estou confusa e não consigo me concentrar... ARGH! – digo irritada num fôlego só.
Quinn ri enquanto finalmente se veste. Estava realmente sendo uma tortura vê-la daquele jeito enquanto estou brava e não posso fazer nada... o que eu estou pensando?
Balanço a cabeça afastando os pensamentos e voltando meu olhar para Quinn, agora totalmente vestida.
– Eu sinto muito, Rach. – Quinn diz visivelmente arrependida — Aconteceram muitas coisas em Yale e eu não detalhei isso para ninguém. Decidi vir para Nova York e arriscar uma vaga na NYU. Eu estava pretendendo te contar assim que eu entrasse, mas isso ainda não aconteceu.
– Por que você não me contou antes? – pergunto ainda um pouco chateada, mas claramente feliz por ter reencontrado Quinn.
Quinn se aproxima mais de mim e me encara profundamente. Suspiro, ansiando por um contato. E então sou surpreendida por um abraço caloroso.
– Podemos falar sobre todos seus tópicos pré-definidos depois? – Quinn diz enterrando a cabeça na curva de meu pescoço.
Fecho os olhos e apenas assinto a abraçando de volta.
– Eu senti muita falta de você também, Rach.
O turno de Quinn já havia terminado, então a convidei para ir até meu apartamento para podermos conversar. Caminhamos por vinte minutos até chegarmos à portaria do prédio. Ao entrar no elevador, me lembro de contar um pequeno detalhe a Quinn:
– Quinn?
– Sim? – ela responde meio aérea, assim como esteve durante todo o caminho.
– Santana e Kurt estão morando comigo. – digo rapidamente e Quinn arregala os olhos.
– Santana? – Quinn questiona surpresa e a porta do elevador se abre, revelando uma latina com roupa de ginástica.
– FABRAY, SUA VADIA! – Santana grita e Quinn sai do elevador correndo, tentando fugir.
Santana, por sua vez, persegue a loira xingando em espanhol.
Assisto a cena em divertimento e, de repente, sou atingida por uma loira desesperada.
– Boa tentativa, mas dessa vez você perdeu. – Santana diz a Quinn enquanto ri diabolicamente.
Me levanto com a ajuda de Quinn.
– Desculpa, Rach. – Quinn diz — Santana não sabe o limite das coisas.
– COMO É QUE É? – Santana se exalta, mas eu a interrompo antes que uma nova perseguição comece:
– Vamos entrar!
Nos sentamos no grande sofá da sala e após longos silenciosos minutos, em que as duas garotas ficaram se encarando mortalmente, decido intervir:
– Você não ia caminhar, Santana? – pergunto
– Apesar de você querer ficar sozinha com a Fabray – Santana diz, quebrando o contato visual com Quinn – ela me deve muitas explicações. Ou seja, vou caminhar depois que a loira desembuchar tudo.
Suspiro e olho para Quinn.
– Não posso me explicar depois? Estou cansada! – Quinn fala com um falso ar inocente, piscando os olhos várias vezes, tentando me convencer a ajudá-la.
Santana me olha indignada.
– Você não vai cair nessa tentativa de charme da princesa da Disney, né? – Santana pergunta.
Me viro para Quinn e sorrio travessa.
– Não vai escapar tão fácil, Quinnie. Você também me deve explicações.
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