Cupcake
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Observo a expressão de Quinn mudar gradativamente. Santana e eu permanecemos quietas, esperando por uma atitude da loira. Ela se acomodou melhor no sofá e massageou as têmporas por alguns minutos até finalmente dizer:
– Saí de Yale porque minha colega de quarto contou à Russell que eu estava saindo com uma garota.
Arregalo os olhos, chocada. Quinn saindo com uma garota?
– E, bom, ele decidiu parar de me ajudar com as despesas. – Quinn continua.
Santana se levanta do sofá, indo até Quinn para abraçá-la. Estou chocada demais para me mover, então apenas assisto a interação das duas.
– Hey, não tem problema, Q. Você não precisa daquele ser imundo que infelizmente é seu pai.
Quinn enxuga algumas lágrimas que se formaram, voltando sua atenção a mim.
– Vo—você sai com ga-garotas? – pergunto com dificuldade.
Santana me encara com um olhar reprovador e me arrependo instantaneamente por ter perguntado algo tão estúpido quando Quinn precisa de minha ajuda.
– Me desculpe, Quinn. E-estou apenas surpresa porque eu não imaginava isso. Nós vamos ajudar você no que for preciso e...
– Está tudo bem, Rachel. – Quinn me corta.
Estremeço com o tom frio que ela usa e me surpreendo quando ela junta suas coisas, saindo sem ao menos se despedir.
Começo a chorar em seguida, é inevitável. Santana me abraça, desnorteada, sussurrando palavras de apoio. Mas eu não presto atenção, estraguei tudo e tenho noção disso. Me afasto um pouco de Santana e percebo as manchas de maquiagem que deixei em sua roupa agora encharcada.
– Me desculpe – falo entre soluços – E-eu estraguei tudo!
– Calma, Berry, vai passar. Quinn é um pouco explosiva, mas logo tudo se ajeita. – Santana diz passando as mãos em meus cabelos — Vá se deitar, certo? Amanhã você tem aula e não pode se atrasar.
Assinto com a cabeça e vou para meu quarto para dormir.
Acordo com uma dor de cabeça infernal. Não consegui dormir por muitas horas e, para piorar, Quinn não saiu dos meus pensamentos. Me levanto lentamente, indo em direção ao banheiro para me arrumar. Ao me olhar no espelho, me assusto com a profundidade das minhas olheiras.
– Rach, só temos mais quinze minutos! Ande logo! — escuto Kurt dizer do outro lado da porta.
Me apresso e saio correndo de casa, levando apenas alguns cadernos e canetas. Kurt sorri para mim, mas seu sorriso se desmancha por completo quando ele vê minhas olheiras. Sorrio fraco, tentando mostrar que estou bem e chamo um táxi.
– O que aconteceu? – Kurt pergunta assim que entramos no táxi.
– Reencontrei Quinn ontem. – digo sem prolongar o assunto.
– Mas isso não era para ser bom? – Kurt questiona.
– Ela disse que saiu de Yale porque contaram ao pai dela que Quinn estava saindo com uma garota. – digo e desvio o olhar para a rua movimentada – E depois ela saiu sem se despedir porque eu falei que não sabia que ela fazia isso.
– Isso te surpreendeu? – Kurt pergunta e eu viro para encará-lo.
– Sim. Não te surpreendeu? – digo confusa.
– Rachel, ela sai abertamente com garotas desde que... Saímos do ensino médio. Quinn e Santana até tiveram um caso já. — Kurt diz.
Congelo. Quinn e Santana já estiveram juntas?
– E-eu não sabia. – digo nervosa, me sentindo cada vez mais idiota — Ela nunca me contou.
– Ainda não entendi. Por que você está com cara de choro?
–Porque eu estraguei tudo, eu fui estúpida quando Quinn precisava de consolo. – digo segurando o choro.
– Hey, não se sinta culpada. Você não sabia que ela gostava de garotas, certo? – Kurt fala enquanto se aproxima de mim para me abraçar.
– Mas ela está brava comigo!
– Calma, Rach. Muita coisa deve estar se passando na cabeça dela, não é culpa sua. Apenas tenha paciência.
Saio do táxi e vou em direção ao prédio central de NYADA, Kurt me segue e caminhamos em silêncio até Brody se juntar a nós. Olho sorrateiramente para meu amigo e vejo a careta que se instala em seu rosto. Esta semana está sendo um total desastre.
– Hey, Rachel! Olá, Kurt. – Brody nos cumprimenta
– Hey. – digo sem humor, esperando Kurt se pronunciar, mas este só assente levemente com a cabeça.
– Já sabem o horário de vocês? – Brody pergunta com um falso sorriso animado.
Assinto com a cabeça e Kurt fala pela primeira vez:
– Você é realmente falso, Weston. Eu esperava muito mais de você. E n-não estrague as coisas mais do que já estragou. – Kurt diz e seu rosto ganha uma coloração vermelha de raiva – Agora, nos dê licença.
Brody para no meio do corredor e reveza o olhar entre nós dois. Ele faz menção de dizer algo, mas Kurt e eu andamos rapidamente, saindo do campo de visão do veterano.
– Você está bem? – pergunto a Kurt que ainda parece abalado.
– Eu vou ficar. – Kurt responde e abre um pequeno sorriso.
Ainda me impressiono com a positividade de Kurt e como ele consegue me contagiar com isso.
Sorrio de volta e caminhamos para nossas respectivas salas.
– RACHEL BERRY – ouço uma voz mecânica intimidadora me chamar – Compareça a sala 13A, por favor.
Engulo seco e vou até a tal sala. Bato duas vezes e espero a confirmação para que eu possa entrar, mas sou surpreendida pela imponente Cassandra July abrindo a porta.
– Ora, ora. Quem temos aqui? – Cassandra diz e sinaliza um banco no fundo da sala – Entre.
Entro rapidamente e percebo que poucas pessoas estavam ali assistindo a cena. Sento-me no lugar indicado e espero por uma nova pronunciação de Cassandra.
– O que está esperando? — ela diz enquanto liga o aparelho de som – Mostre o que você sabe.
Escuto as eletrizantes batidas de uma música que desconheço. Faço alguns movimentos e Cassandra me observa séria. Os alunos, atentos, mal piscavam e então percebi que devia estar dançando muito errado.
– Parem a música! – Cassandra ordena e rapidamente a música é desligada – Você acha que essa aula é algum tipo de piada?
Nego rapidamente balançando a cabeça.
– Você teve a sorte de ser selecionada, Schwimmer. – Cassandra diz se aproximando de mim – Aprenda a dançar no ritmo e quem sabe você sobreviva.
Estremeço e a loira parece sorrir com o efeito causado.
– Manda a ver! – Cassandra grita e os alunos se organizam em filas.
A música começa a tocar novamente e eu suspiro. Minha vida está sendo mais complicada do que eu pensava.
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